História Never Let Me Go, Peter. - Capítulo 12


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Categorias Capitão América, Gavião Arqueiro, Homem de Ferro (Iron Man), Homem-Aranha, O Incrível Hulk, Os Vingadores (The Avengers), Viúva-Negra (Black Widow)
Personagens Anthony "Tony" Stark, Clint Barton, Dr. Bruce Banner (Hulk), Gwen Stacy, Jane Foster, Maria Hill, Natasha Romanoff, Nick Fury, Personagens Originais, Peter Parker, Steve Rogers, Tia May
Tags Fanfic, Homem Aranha, Os Vingadores, Personagem Original, Romance, Spiderman, The Avengers
Exibições 26
Palavras 4.369
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 12 - Chalé


– Comida!

Recusei a virar, era estúpido e completamente inaceitável estar em uma cela na Corporação. Eles não estavam confiando em mim, e sequer pude pedir para sair, se tivesse feito algo extremamente errado aceitaria meu destino naquela cela inútil. Certo, eu tinha feito algo realmente errado, mas eles não sabiam disso e eu tinha certeza ou estaria morta naquele momento e não tendo a opção de comer ou não comer.

Fiquei parada de costas para a porta de vidro, blindada e super reforçada da cela clara e completamente chique. Tinha uma cama de casal e era uma suíte, mas mesmo assim, era um cela e eu estava presa lá dentro, tendo que olhar apenas para a parede e não sabia quanto tempo ficaria ali, mas se não conseguisse falar com a Mãe, já tinha em mente o que faria. Era praticamente ela me deixar desistir da missão ilesa, não sabia o que ela faria comigo, pois, só de acontecer o que tinha acabado de acontecer eu estava presa, não conseguia imaginar o que aconteceria caso pedisse para abandonar a missão.

– Você tem que comer.

– Vá se ferrar, Jeremy – cuspi as palavras fitando o chão.

– Ei, calma. Não tenho nada a ver com isso, não mandei virar amiguinha do Aranha.

Levantei meus olhos até ele – E não mandei você ser a vadia do Kyle.

Ele então jogou a bandeja na mesa branca que tinha na cela – Você podia ser mais agradecida.

– Vá se ferrar, Jeremy – repeti lhe fitando bem nos olhos.

Ele então me fitou e deu as costas saindo da cela logo em seguida, digitou a senha e a porta de vidro se eletrizou caso eu tentasse quebra-la ou algo do tipo, mas não fazia nexo, afinal, era blindada. Mantive sentada em um banco colado á parede, tão branco quanto o teto dali, não tinha fome, nem sede, apenas vontade de sair dali. E já tinha um plano montado para quando saísse dali, sabia que ficaria ali pelo menos todo o final de semana, e com certeza Peter notaria minha ausência no apartamento, ainda mais agora que as coisas estão mais sérias entre nós dois. Só queria arrumar um jeito de acabar com tudo aquilo, e então, ficar ao lado dele, mesmo que não tivéssemos um futuro promissor.

Balancei minha cabeça e logo em seguida escutei um zunido vindo da porta de vidro da cela, alguém tinha desligado a eletricidade e receberia uma visita em questão de segundos. Não olhei, e nem quis olhar por motivos óbvios: não era nenhum amigo que falaria que podia ir embora para a minha casa e viver feliz para sempre. Escutei passos de salto alto batendo no chão claro e gélido, e não tive dúvidas de quem era, balancei a cabeça negativamente e não levantei meu olhar, nem quando ela pediu, apenas quando ela parou na minha frente e gritou ordenando:

– Olhe para mim!

A fitei bem nos olhos, com muita má vontade e com a cara fechada. Cruzei meus braços e respirei fundo, ela então não sorriu ou sequer fez menção.

– O que está acontecendo com você?

– Comigo? – fui irônica – nada – gargalhei sarcasticamente em seguida – estou só presa em uma cela, por nenhum motivo! – gritei.

– Não grite comigo – ela disse em um tom de voz baixo.

Apenas a fitei.

– Acredito em você, Maya. Você é a melhor que eu tenho aqui, não vou desperdiça-la, mas sabe... Você também é muito sentimental, sempre foi. Demoramos para conseguir “esfriá-la” – ela fez aspas com os dedos – você nunca foi uma garota fácil de lidar, mas sempre gostei extremamente de você, mesmo sem estar todos os dias presentes.

A fitava de braços cruzados.

– Espero que não tenha esquecido o porquê de estar fazendo isto, espero mesmo, Maya – ela me fitou nos olhos andando até a porta – você estará morta se for descoberta por eles – ela abriu a porta de vidro – e se nos trair.

– Quero sair – falei antes de Ália fechar a porta.

Ela deu uma fraca risada – Não te manterei presa para sempre.

Fiquei de pé e soltei com toda convicção – Não! Quero sair da missão, estou abandonando-a! Não sirvo para isso, Ália.

Ela então parou na porta de costas para mim, foi quando estremeci pela primeira vez perto dela, pude confessar que fiquei com medo da reação dela enquanto meu coração saltitava dentro de mim. Estava me xingando mentalmente pela minha burrice, deveria esperar sair da cela para enfim conta-la a minha excêntrica “novidade” e não ali e agora. Ela então virou-se para trás e me fitou com seus olhos mais vermelhos do que nunca, foi quando dei um passo para trás e ela parou no meio do caminho, me fitou nos olhos e então me mantive estática, apenas fitando-a.

– Se sair, você morre, estamos entendidas?

A fitei em silêncio.

Ela veio andando em minha direção e então sussurrou afundando suas unhas no meu pescoço – Eu mesma mato você, Maya, não se preocupe – ela deu um sorriso forçado – agora, você vai sair daqui, prosseguir com seu disfarce na S.H.I.E.L.D., continuar sendo amiga do Aranha – ela falava com raiva – apenas amiga e não vai contar para ninguém sobre nosso encontro este final de semana, estamos entendidas?

Não respondi nada, e nem tinha o que responder ou negar porque caso fizesse isso, morreria ali mesmo e queria ter pelo menos uma chance de ver Peter de novo, nem que fosse a última e dolorosa vez. Assenti balançando a cabeça em um silêncio profundo e ela então me soltou, pude senti latejar meu pescoço e as marcas das unhas dela provavelmente estavam marcadas em minha pele. Ela apenas saiu e não trancou a cela desta vez, significava que estava livre, e tinha que agir rápido, por mais que doesse era uma noite de despedida, e doía só de pensar.

Não sabia como pude me apegar tanto á ele em uma semana, como tudo aconteceu, nem porquê, só sei que eu quis tanto quanto ele e agora estava apaixonada por ele, sem saber como agir, apenas querendo fugir com ele para fora do país, mas de certo não poderia fazer isso ou só estaria colocando-o cada vez mais em perigo, e ele tinha que salvar cidade, ser o amigo da vizinhança e tudo mais, e não queria nem ver quando ele descobrisse quem realmente sou.

Estranhei o fato de ninguém tentar me impedir logo na saída e ao mesmo tempo fiquei aliviada, porque caso tentassem me parar eu socaria cada um deles e talvez fosse a última vez que os visse caídos e sangrando, o que seria incrivelmente agradável. Dei um sorriso ao sair apenas imaginando a cena e então balancei a cabeça, novamente coloquei meu capuz e as mãos no bolso saindo dali com a ideia na cabeça do que precisava fazer. Prossegui meu caminho até o apartamento e então abri a porta, pude sentir seu cheiro no meu apartamento que estava todo fechado desde quando fui trabalhar de manhã na S.H.I.E.L.D., era o perfume de Peter e por um instante meu coração acelerou, de um jeito bom, mas acelerou.

Acendi as luzes e fui direto para o banheiro tomar um bom banho depois de passar uma noite e um dia inteiro dentro daquela cela, precisava de um banho e de descansar para por meus pensamentos em ordens e meus sentimentos, também. Despi deixando as peças de roupas largadas pelo chão – fazendo um caminho até o banheiro, como sempre – e entrei direto na banheira com água quente e bastante espuma. Fechei meus olhos e tentei relaxar, pelo menos um pouco, mas foi completamente em vão. Meus pensamentos se dividiam em tantas coisas que era complicado manter o foco em apenas uma coisa.

Estava com medo do que podia acontecer. Sim, pela primeira vez, em muito tempo, estava com medo, não do que podia acontecer comigo, mas com Peter e todos dentro da S.H.I.E.L.D., tinha medo de prejudica-los, e nunca pensei que pudesse ser tão fraca e me apegar tanto á pessoas que tem como destino serem mortas por mim e pela Corporação onde fui criada, isso não é nada amigável. Estava com medo de onde iria chegar e o que estava causando com toda aquela confusão, tinha medo de quando a confiança fosse quebrada, principalmente a de Peter, mas não só a dele e sim de todos que me colocaram na S.H.I.E.L.D. e eu tinha bastante noção do que fazem com um traidor.

Balancei a cabeça negativamente e então pensei em como me despediria de Peter, como falaria com ele que não “dava” mais, não sabia se o ignoraria direto e apenas dissesse que não passou de um momento de carência e fraqueza, poderia muito bem fazer isto, já que sempre fui a melhor de todos na Corporação em mentir. Então era mais provável que a segunda opção seria a melhor e menos dolorosa para ambos, pelo menos não nos envolveremos mais, o que seria – para sua própria segurança – um grande alívio.

Ouvi um baque vindo do meu quarto e como sempre, nunca conseguia tomar um banho completo, sempre alguém tinha que tocar a campainha, socar a porta ou até mesmo invadir minha casa e quebrar alguma coisa. Saí da banheira furiosa, tão furiosa que se fosse alguém da Corporação com algum motivo idiota eu socaria sem dó nem piedade, independente de quem fosse. Coloquei meu roupão e saí descalça do banheiro, puxei a porta com toda força e com os pulmões preparados para gritar quando minha única reação foi rir.

– Para de rir! – ele pediu tirando a máscara e jogando-a na cama – uma ajudinha seria maravilhoso, senhorita.

Não conseguia parar de rir, apenas fitava Peter tentando ajuda-lo. Aproximei-me dele e ele caiu no chão com o fio do abajur enrolado na perna de um jeito que era incompreensível, respirei fundo parando de rir por alguns segundos e desliguei o fio na tomada tornando mais fácil o modo dele se desenrolar no fio do abajur que ficava perto da janela, balancei minha cabeça negativamente e ele me olhou ainda caído no chão, apoiado nos cotovelos e com um fraco sorriso no rosto, um sorriso também de remorso e culpa por ter jogado meu abajur no chão.

– Não se preocupe – falei apontando pro abajur e dei de ombros – nunca gostei dele mesmo.

Ele sorriu – Prometo que pago outro.

– Sério – sorri lhe tranquilizando – não se preocupe.

Fui andando até a cozinha respirando fundo, novamente meu coração estava tão acelerado que queria arrancá-lo de dentro de mim, tinha que ser rápida e lhe fitar nos olhos depois de contar a mentira mais convincente que conseguisse pensar, o que no momento era apenas: ´´Foi apenas uma queda, nada mais!´´

– Ei – ele perguntou – tudo bem?

– Sim – falei catando as minhas roupas do chão.

– Mesmo? – ele perguntou sentando na cama – sei lá, seu pescoço não parece dizer o mesmo.

Joguei meu cabelo de modo que tampasse meu pescoço e não disse mais nada, apenas catei as roupas rapidamente e as deixei em cima da máquina de lavar perto da cozinha, fiquei parada no canto da parede – onde ele não podia me ver – e então fechei os olhos, lembrei de Ália me ameaçando e enfiando suas unhas em meu pescoço, como se eu fosse apenas um cachorro ou sua filha, e não, eu nunca me considerei uma de suas filhas que a vangloriavam, sempre tive medo dela e agora parecia que era a garotinha assustada e jogada no chão na tarde da morte de meus pais.

– Han – sorri forçado saindo de trás da parede – isso é... Eu briguei com minha irmã – menti.

– Você tem irmã? – ele perguntou coçando a nuca.

Desviei o olhar tentando não me derreter com sua mania idiota que me deixava completamente encantada – Sim.

– E vocês brigaram por quê?

Antes mesmo que pudesse responder ele me interrompeu:

– Ah... Desculpa, não precisa falar disso, eu só... Foi mal.

– Tudo bem – sorri balançando a cabeça – gostaria de não falar nisso.

Até porque não tinha ideia de como prolongar esta mentira.

Ele apenas sorriu e ficou me fitando de canto de olho, sentei na cama ao seu lado e o que mais queria era manda-lo embora, falar que ele deveria ir e que no fim entenderia o porquê de tudo aquilo, mas eu simplesmente não conseguia. Assim como não conseguia dizer que foi apenas um momento de carência porque deu para sentir que não era. Senti sua mão segurar a minha e meu coração disparou, sairia da minha boca como quando uma adolescente fica nervosa com seu primeiro amor, apenas respirei fundo e não me movi, não queria tirar sua mão da minha, mesmo com sua luva, podia sentir o calor de sua mão.

– Se quiser falar, qualquer coisa – ele disse, virei meu rosto para olhá-lo – pode falar, tudo bem? Tô aqui por você.

Apenas dei um sorriso e soltei nossas mãos falando que tinha que trocar de roupa. Mas que diabos? Aquilo estava indo longe demais e eu estava irritada comigo mesma por não dar um basta naquilo tudo, ele queria algo á mais e não se importava com os perigos que podíamos correr principalmente por vilões idiotas e estúpidos tentarem me sequestrar porque ele era o mocinho da história e tinha que me salvar, ele não assistia filmes? Dei uma risada abafada no banheiro e balancei a cabeça me fitando no espelho.

– Você é a vilã desta história, Maya – sussurrei tão baixo que nem escutei minha voz.

– Lisa? – Peter gritou da sala.

– Sim? – gritei do banheiro colocando minhas roupas intimas.

– Quer ir á um lugar?

– Onde? – perguntei colocando minha calça jeans.

– Sei lá – ele gargalhou – é só um lugar.

´´Um lugar´´ pensei comigo mesma ´´que tipo de lugar?´´

– Claro – respondi e então fechei os olhos esperando qualquer tipo de reação.

Novamente escutei um baque vindo da sala, coloquei minha blusa rapidamente e abri a porta para ver o que tinha acontecido, estava com os olhos arregalados e o coração acelerado pensando que pudesse ser alguém da Corporação.

Mas não era.

Peter estava me fitando com a mão na nuca – com sua mania mais cruel – e tinha um sorriso – novamente – culpado e com remorso. Apenas ri cruzando os braços e ele pegou o meu relógio de cabeceira estraçalhado do chão, entortou a boca e me fitou pedindo desculpas:

– Prometo... Sério, eu te prometo que vou pagar por todos os danos de hoje.

Sorri balançando a cabeça – Só não danifique mais ou daqui a pouco vou ficar sem lugar para dormir.

Ele riu coçando a nuca – Meu quarto está disponível.

Apenas o fitei com um sorriso no rosto e não respondi. Entrei no banheiro com o sorriso mais bobo do mundo e por mais que tentasse – e quisesse – não conseguia escondê-lo. Terminei de arrumar dentro do banheiro, calcei minha bota e penteei meus cabelos após a maquiagem – apenas para não perder o costume. Saí do banheiro e Peter estava deitado na cama olhando para o teto, ergui as sobrancelhas e ele então ficou de pé, apontou para a mochila perguntando se podia pegá-la na volta, e assenti apenas o fitando. Ele tinha chegado como Homem Aranha e agora sairia como Peter Parker e seu casaco cinza – que eu tanto gostava.

– Como estou? – ele perguntou rindo e deu uma volta.

– Perfeito – pisquei.

– Você também – ele disse sério e me fitando nos olhos.

– Obrigada – sorri arqueando as sobrancelhas, apontei para a porta logo em seguida – vamos?

– Claro – ele balançou a cabeça e pegou a câmera que estava em cima da minha cama.

Apenas fitei a câmera em silêncio e mudei meu olhar logo em seguida, não tinha ideia de onde estávamos indo e mesmo morta de cansaço queria ir na companhia dele onde quer que fosse, ele disse que sabia onde estava me levando e que era um de seus lugares favoritos da cidade, onde ele começou a tirar fotos vendo a beleza do lugar e que, mesmo estando de noite daria para ver a beleza iluminada pela luz da Lua e por algumas estrelas. Ele passava pela cidade tirando várias fotos, ainda perguntou se podia tirar uma minha perto da Starbucks e por mais que odiasse fotos deixei com toda boa vontade do mundo.

Ele riu da pose que fiz e por um instante quis me divertir, sem me importar com o que aconteceria no dia seguinte ou onde iriamos e até mesmo sem me importar se alguém estava nos espionando pronto para atacar e me dedurar á qualquer momento, afinal, eu sabia que não iria durar muito, então tinha que aproveitar pelo menos no caminho até o “local” que Peter estava me levando, por mais curto que tenha sido.

Quando chegamos no tal local imediatamente sorri. Era um parque coberto de árvores, arbustos, flores e vagalumes. A Lua realmente iluminava todo o local, inclusive um lago de tamanho médio que tinha ali, bem no meio do parque. Me perguntava como nunca tinha ido ali ou pelo menos escutado falar.

– É privado – Peter respondeu minha pergunta alguns tempos depois – mas... Digamos que o Aranha conhece o dono, e... Ele nos deixou ficar.

– Peter ou o Aranha? – perguntei sorrindo.

– Peter – ele riu pendurando a câmera no pescoço – Aranha e Peter são melhores amigos, irmãos, vizinhos e amigos de infância – ele riu.

Eu ri lhe fitando – Se eu disser que suspeitava disso, você acredita?

– Sério? – ele colocou as mãos na cintura – não gosto muito de me esconder na sombra dele, sabe? – ele ria sarcástico – mas ele me ajuda em alguns favores... E o que você acha dele?

Cruzei meus braços de frente para o lago que estava totalmente iluminado pela luz da Lua Minguante, dei de ombros – Já fui pra cama com ele, uma vez.

Ele não respondeu, só deu uma fraca risada olhando para o lago.

– Ele é bom – falei – muito bom.

– E ele me contou que você é boa – ele disse praticamente de imediato – e que se enganou sobre você.

– Quando você ver ele – olhei para Peter – diga que mandei um beijo.

– Ah, sabe como são esses heróis de hoje em dia – Peter revirou os olhos sem deixar de sorrir – preferem tudo pessoalmente. Por que você não o beija?

– Ele está aqui? – perguntei o fitando nos olhos.

– Ele está sempre por perto.

Foi quando nos beijamos. Foi de imediato e como se um tivesse lido a mente do outro. Dei passagem á sua língua e pude sentir sua vontade de me beijar, não estava muito longe da minha, pois, desde que nos conhecemos nunca tive tanta vontade de beijá-lo como naquele momento, mas era um beijo um tanto delicado, poderia dizer até: romântico, não foi um beijo violento, estava sendo um beijo romântico em um parque á luz do Luar.

É, realmente era algo romântico.

Depois de tantos arrepios nos soltamos e ele sorriu segurando meu rosto com uma de suas mãos, encostou sua testa na minha e sorrimos juntos, meu coração estava prestes á saltar da minha boca quando ele fez questão de me “distrair”, pegou sua câmera e então tirou uma foto inesperada, mas mantive meu sorriso no rosto e não queria tirá-lo nunca mais. Provavelmente estávamos parecendo dois bobos apaixonados, dois idiotas, mas pela primeira vez, não me importei.

Ficamos mais tempo que o esperado ali, não vimos a hora passar e nem tínhamos relógio para monitorá-la, o que de certa forma foi bom, pois nada podia nos mandar embora. Nada nem ninguém, o que era mais do que um alívio. Estava começando a ficar com sono quando resolvi pegar meu celular para ver as horas e me assustei quando percebi que passavam das três da manhã, por mais que não tivesse nada para fazer no domingo, tinha que ir embora para meu apartamento, mas não queria ser a estraga prazeres.

– Você tem que ir?

Entortei a boca respondendo silenciosamente sua pergunta.

– Tem um chalé bem ali – ele apontou para uma casinha que estava longe – queria te mostrar, é realmente legal lá dentro.

Eu sorri balançando a cabeça – Claro. Eu adoraria.

Peter sorriu e me ajudou a levantar do chão, ficamos sentados conversando sobre algumas coisas da S.H.I.E.L.D. de nossa infância e do que pretendíamos para o futuro e foi a única coisa que respondi que não sabia, e realmente não sabia, pois não teria futuro algum sendo a fugitiva, a atriz e por um lado eu já sabia o que tinha que fazer, mas não sabia se conseguiria colocar minha ideia em prática.

Assim que chegamos no chalé senti um ar quente percorrer pelo meu corpo, a casinha era incrivelmente aconchegante e bem maior do que parecia por fora. Tinha uma cama bem ao fundo do chalé, era de madeira e estava encostada embaixo de uma janela com as cortinas fechadas. A lareira estava acesa e era de pedra, o que tornava o local muito mais aconchegante do que eu pudesse descrever. Peter deixou a câmera em cima de uma mesinha de madeira bem ao lado da porta de entrada e então foi caminhando até o sofá que estava posicionado bem em frente á lareira. Apenas fiquei fitando-o de longe e ele então sorriu coçando a nuca.

– Eu gostei daqui – ele disse – algumas vezes venho aqui, sempre vim, antes de ser o Aranha – ele deu uma fraca risada olhando tudo em volta – mas só passei a entrar aqui quando me tornei o Aranha, descobri a pouco tempo que o dono do Parque aluga este chalé algumas vezes – ele sorriu – bem... Você sabe... Ele é amigo do Aranha, e... Eu aluguei aqui esta noite.

Apenas sorri – É lindo. Sério, eu gostei muito daqui, também.

– Não se sinta pressionada a ficar só porque aluguei, tudo bem? – ele riu dando de ombros, estava completamente sem graça.

Fui andando até o sofá e sentei ao seu lado, fitei o fogo na lareira e então sorri – Eu quero ficar.

Pude ver de canto de olho Peter virar seu rosto para me olhar, não olhei na direção dele e fiquei apenas fitando a lareira, sabia que não podia ficar, que as coisas só piorariam se dormíssemos duas noites seguidas, mas, dentro de mim tinha algo tão grande, extremamente grande, que eu não conseguia controlar. Não conseguia me manter longe dele e eu não sabia explicar o que realmente estava sentindo, talvez não fosse amor, pois, quando amei Kyle não foi desta maneira.

Ou talvez nunca tenha amado Kyle realmente.

Meu coração acelerou e virei meu rosto para olhar Peter, ficamos alguns segundos nos fitando e com sorrisos bobos, e enfim, nos beijamos novamente. Peter segurou meu rosto com as duas mãos e o beijo violento fez com que tudo ficasse mais emocionante e quente. Dei passagem á sua língua mais uma vez e deitei meu corpo lentamente no sofá, Peter fez o mesmo por cima de mim e em questão de segundos puxava minha blusa com sua mão esquerda, manteve a outra em meu rosto, me segurando firmemente e quebrei o beijo puxando minha blusa pra cima e jogando-a em qualquer lugar, não precisava ver onde, só precisava tirá-la. Ele fez o mesmo com seu casaco e quando se enrolou para desabotoá-lo começamos a rir e antes mesmo que ele pudesse tentar terminar desabotoei o resto dos botões com tanta rapidez que até eu mesma assustei, ele fez alguma piadinha sobre “como eu sou rápida” e é claro que entendi na hora.

Mordi seu lábio e o puxei logo em seguida, ele me fitou nos olhos e pude senti-lo arrepiar, de tão colado que nossos corpos estavam podia até sentir seu coração bater na mesma aceleração absurda do meu, e então sorri. Senti sua mão direita descer pela minha cintura lenta e suavemente até minha calcinha e então sorri, ele me fitava nos olhos e novamente o beijei, porque eu sabia que, apesar de ser mais de três da manhã, mesmo correndo todos os riscos, a noite estava apenas começando.

***

Não havia como negar que a noite tinha sido incrivelmente perfeita, depois de “descansados” passamos para a cama bem no canto do chalé, e não consegui dormir mais. Tirei um fraco cochilo enquanto tava nos braços de Peter e ele ainda estava em cima de mim, mas nada demais. Meu coração estava cada vez mais acelerado por ele, e sabia que estava completamente apaixonada por ele. Também soube, no instante em que o olhei nos olhos na noite passada, que não suportaria vê-lo machucado, que não podia coloca-lo em perigo, e, ao mesmo tempo em que podia coloca-lo em perigo, podia tirá-lo.

Levantei da cama quando a claridade começou a entrar no quarto, o nó em minha garganta estava cada vez maior e o que eu mais queria era ter evitado tudo aquilo. Estava completamente sem chão, e me vesti involuntariamente, era como se não fosse realmente eu quem estivesse em meu corpo. Mas já tínhamos ido longe demais, e sabia, eu tinha certeza absoluta que iria doer e que eu nunca mais me recuperaria, mas não podia vê-lo se machucando, então, não tinha nenhuma outra escolha.

Fitei Peter adormecido de bruços na cama, seu cabelo bagunçado por minha causa e suas costas com arranhões tão grandes que me sentia culpada por machuca-lo daquela maneira, mas na noite passada ele não me deixou escolha. Sorri fraco e então coloquei meu capuz, tinha que ir embora e era pouco provável que algum dia voltasse a vê-lo, ou visse novamente seu olhar e seu sorriso bobo ao me olhar. Meu coração saltitou e por um instante parecia que iria vomitar, mas não era nada além de nervosismo e arrependimento.

Saí do chalé destinada ao meu objetivo, tentava não chorar de maneira alguma e fitava o céu enquanto andava, a névoa ainda estava baixa e mesmo respirando a fumaça de frio saía de dentro da minha boca, meu nariz parecia congelado e minhas mãos estavam tão frias que não sabia se podia senti-las, então, por precaução as mantive dentro do bolso do casaco. Seguia meu novo caminho, meu caminho para a S.H.I.E.L.D. naquele domingo frio de Nova York, eu não tinha que estar lá naquela manhã, mas eu estava, eu precisava.

Passei pela porta de entrada e então fui andando até a sala de Fury, ele me cumprimentou, mas eu apenas sequei a lágrima que escorreu, e com a voz falhando disse:

– Nick Fury, meu nome é Maya Mase, você foi enganado e traído por mim e Ália Vamperl.



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