História New age - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Life Is Strange
Personagens Chloe Price, Maxine Caulfield, Victoria Chase, Warren Graham
Tags Fuga, Gatos, Lesbicas, Pricefield, Sangue, Vampiros, Yuri
Exibições 43
Palavras 4.453
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Sobrenatural, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Gente estão ai ????
eu sei eu demorei de mais nessa >.< me desculpem por favor

Capítulo 7 - Começo da fuga


Fanfic / Fanfiction New age - Capítulo 7 - Começo da fuga

-- Me espere aqui.

   Antes mesmo que Chloe pudesse responder Jonny já havia voltado para dentro do quartel. Em sua mente Chloe se perguntava se realmente poderia confiar em Jonny e se ele não lhe daria uma rasgada, ou se realmente a roupa funcionaria na floresta.

   Assim que pensou nisso sua mente foi inundada de imagens lhe mostrando todas as milhares de formas em que o traje poderia ser rasgado e perfurado em meio a densa floresta.

   Engolindo o seco a vampira sentiu sua pele começar a formigar enquanto imaginava a dor de ter seu corpo sendo cauterizado ao ser banhado pela luz do sol, e o cheiro de carne queimada inundava suas narinas enquanto seus olhos ardiam apenas com a ideia de ser queimada viva.

   Não demorou muito, e logo viu a mão de Jonny a chamando para o outro lado do quartel. E podia ver uma pequena mochila que ele carregava consigo.

- Não posso te dar algo assim a céu aberto, me siga.

   Ambos começaram a andar pelos becos das favelas até ter certeza que já havia se distanciado o suficiente. Conforme andavam, muitas vezes faziam o mesmo caminho, paravam e voltavam pelo caminho anterior, às vezes corriam em disparada por entre os becos estreitos e vielas cheias impregnadas pela imundice, mudando de rotas diversas enquanto paravam e mudavam de caminho de repente.

   Chloe sabia o que aquele comportamento significava, Jonny estava com medo de estar sendo seguido. Entrando por um beco estreito, Jonny retirava um pequeno envolto em panos sujos. Chloe sabia o protocolo, continuaram andando, fazendo os mesmos caminhos estranhos e manobras malucas para se assegurarem que quem quer que os estivesse vigiando não soubesse que Jonny estava ajudando-a a fugir das favelas.

  Finalmente após alguns minutos se infiltrando em becos escuros e mudando sua rota de maneira repentina, eles finalmente se separaram. Chloe correu o máximo que podia em direção a sua casa com medo do amanhecer, ou que Max tivesse sido encontrada por algum dos guardas que estavam vasculhando as favelas, engulindo o seco apenas pensando nessa possibilidade.

  Corria o mais rápido que podia, praticamente se jogando contra a porta de sua casa, apenas para se deparar com uma Max completamente espremida entre o sofá e a parede, numa vã tentativa de se esconder devido ao comportamento da vampira.

- Me esculpa - Dizia respirando fundo.
 
  Por um segundo Chloe teve de admitir para si mesma que se alguém entrasse praticamente arrombando a porta como ela havia feito, ela também se assustaria. Mal podia imaginar como Max se sentia, sendo uma presa para cada um e com muitos nas favelas a buscando.

- Desculpa – Dizia Chloe  fechando a porta logo atrás de si. - Mas olha o que eu consegui - dizia não podendo deixar de evitar um sorriso ao mostrar o pacote que carregava consigo.

- Como você conseguiu?
 
   Max não pôde deixar de se sentir mal enquanto via a jovem vampira correndo para fora de casa com um sorriso obstinado em seu rosto. Ela só havia falado da roupa por que tinha certeza que era impossível para uma vampira das favelas conseguir um traje de proteção, embora todos os vampiros lhe dessem medo, Chloe foi a única que não a tratou como uma coisa que poderia ter a hora que quisesse, embora a vampira não tivesse muito esforço para trancá-la ou prendê-la em algum lugar para que a mesma servisse como sua fonte de sangue.

  Faltava pouco tempo para amanhecer, Max esperava que até la Chloe acabasse por encontrar um lugar para se abrigar e esperar o anoitecer, enquanto isso ela iria sair da cidade. Duas horas já haviam se passado e o sol ainda não surgia, Max já estava ficando impaciente, quanto mais levaria, Chloe poderia chegar logo tentando se abrigar, e talvez não a deixasse sair, ou talvez acabasse ficando presa? E se ela acabasse queimando até a morte, por sua culpa?

  Engolindo o seco a mesma não podia deixar de imaginar Chlloe queimando até a morte porque tentava realizar um pedido idiota seu. Não era que ela a odiava, ou que detestava cada vampiro que havia a sua frente, de fato Chloe poderia tê-la tratado muito pior, e de certa forma Max entendia o que era ser tratada como uma escória, como era viver em um lugar que você odeia, como ter a sensação de que  morreria ali.

   Mas Chloe ainda tinha uma chance, poderia trabalhar duro, poderia passar no desafio quando ficasse mais velha, poderia se mudar para a parte do meio da cidade, poderia viver muito melhor, ter mais comida, não precisaria viver lutando por uma simples bolsa de sangue. Max apenas teve tempo de se jogar atrás do sofá quando ouviu o barulho de alguém se jogando contra a porta e a escancarando com força. Seu coração estava a mil, em sua mente milhares de imagens passaram pela sua cabeça, se imaginou sendo arrastada pelos guardas novamente para os braços de Victoria que seguraria seu rosto a abrigando a olhar em seus olhos.

  Max se lembrava muito bem da última vez que havia visto os olhos da matriarca do clã em fúria, as cicatrizes dos açoites em suas costas começavam a doer a forçando a levar a mão boca tentando abafar um gemido. Os olhos de Victoria agora pareciam agora mais nítidos em sua memória, a maneira como gritava consigo enquanto suas mãos estavam presas nas correntes suspendendo todo o seu corpo. Depois da quinta chibatada sua mente já começava a pender enquanto sentia seu sangue  escorrer pelas feridas em sua costas.

- Me desculpa?

  Max pôde ver o rosto de Chloe que agora a encava por cima do sofá, provavelmente havia sido ela quem escancarava a porta e lhe causara um pequeno ataque de pânico. Suas mãos já começavam a parar de tremer, enquanto as memórias voltavam a ser apenas memórias que assombravam o seu passado.

  "Está tudo bem Max, ela não vai te pegar, você não vai voltar para eles" pensava Max consigo mesma enquanto Chloe fechava a porta atrás de si.

- Mas olha o que eu consegui. - Dizia Chloe mostrando um pequeno pacote que trazia consigo.

  "Espera, isso é sério? Ela realmente conseguiu um traje de proteção?" Max não podia deixar de ficar atônita, afinal ela apenas havia falado sobre o traje por que tinha certeza que Chloe jamais o conseguiria, no entanto agora a jovem escrava não podia deixar de se perguntar onde diabos uma vampira das favelas havia conseguido um traje de proteção.

   Por um segundo a ideia de que Chloe tivesse saltado sobre um guarda, o cortado a garganta para só então nos poucos minutos que tinha terminado de matar o seu oponenta roubar o traje de proteção pairou pela cabeça de Max. Porém essa ideia logo desapareceu de sua mente, os guardas eram muito mais velhos do que qualquer vampiro das favelas, o que significa que eram mais fortes, e mesmo que Chloe ainda tivesse alguma chance contra o mais novo deles, não significava que sairia de uma briga contra ele sem nenhum arranhão como era o caso.

   E mesmo que por um milagre isso fosse possível ainda era de noite, embora o sol já começasse a se levantar, era quase impossível que algum vampiro estivesse usando o traje para patrulhar as favelas. O significava que apenas havia uma maneira de Chloe ter conseguido um traje, seria entrar no quartel dos guardas sem ser vista e roubar um bem de baixo do nariz de todos aqueles que o ficavam patrulhando.
 
- Como você conseguiu? - Perguntava Max mal conseguindo conter a sua surpresa ao imaginar Chloe se esgueirando pelo quartel, e roubando uma dos trajes dos guardas.

- Tenho meus meios. - Dizia Chloe exibindo um sorriso presunçoso em seu rosto. - Mas então, qual é o seu plano para sair das favelas? - Max ficou encarando o chão por um minuto, sem dizer uma palavra.

- Não me diga que você, nem ao menos tinha um plano para sair da favela.

- Me dá um tempo, esta bem? Nas outras partes havia escravos para me ajudarem, aqui eu não tenho ninguém.

   Chloe podia ver pelos olhos de Max o quanto a jovem escrava se esforçava para bolar um plano com tudo o que sabia sobre as favelas. Embora estivesse irritada por a pequena apenas confiar na própria sorte, Chloe não podia deixar de pensar que a mesma não possuía muito recursos e provavelmente, tudo o que ouviu falar das favelas era puro boato. Mas mesmo assim isso não a deixava mesmo furiosa, Max não tinha um plano para sair, não tinha um plano para encontrar o tal abrigo dos escravos fugitivos, ela praticamente não tinha nada, e mesmo assim Chloe ainda queria ir com ela, queria acompanhar aquela maluca para longe desse inferno.

  "Eu só posso ter ficado louca" pensava Chloe.

 - Como é o portão da muralha? – perguntava Max se pronunciando após Chloe já ter percorrido todo o perímetro da sala de estar de um lado a outra mais de três vezes, enquanto tentava pensar em alguma coisa.

- É um enorme portão construído ao estilo medieval, porém possui sensores que te escanearão se caso tentar escalar das muralhas.

- E quando vocês vão trabalhar nas fazendas, como passam pelo escâner?

- Eles colocam uma pequena marca em nossos pulsos que nos permite passar pelo escâner – Dizia Chloe mostrando o estranho símbolo tatuado em seu pulso. - Ela muda a cada semana, então sempre temos que retirar para fazer outra.

- Como vocês retiram? - Um sorriso surgia nos lábios de Chloe ao levar a ponta de sua unha e fazer um pequeno corte, um pouco abaixo de onde a tatuagem estava.

- Nas primeiras vezes doeu muito, mas agora nem ao menos sinto quando tenho de arrancar uma.
 
  Max pode ver que conforme a vampira falava seu sorriso se desmanchava, como se seus pensamentos tivessem sido sugados por memórias distantes. A jovem escrava não pôde deixar de sentir um arrepio percorrer todo o seu corpo quando viu as unhas da vampira cortarem a sua pele, ela já havia muitas vezes experimentado o que Warren poderia fazer com elas e não podia deixar de pensar em como os primeiros anos de Chloe vivendo nas favelas deveriam ter sido duros para ela.

- Quantos metros você pode pular sem se machucar?

- Não sei, nunca experimentei. Mas acho que mesmo se pulasse muito alto eu apenas quebraria minhas pernas, não levaria muito tempo para elas voltarem ao normal.

  E mais uma vez Max sentiu certa inveja de todos os poderes que os vampiros possuíam.

  "Quantos escravos eu poderia libertar se pudesse fazer algo assim?" Mexia sua cabeça tentando afastar esses pensamentos tão repetitivos de sua mente.

  Durante anos havia pensando em como poderia ajudar os outros se fosse tão forte quantos os vampiros, em como poderia se vingar de Warren e fazê-lo sofrer por tudo o que havia feito a ela se fosse tão rápida quanto Victoria ou até mesmo tivesse a força de um dos vampiros ancestrais. Poderia mudar todo o mundo, nunca mais sua espécie seria escravizada, nunca mais teriam de rezar implorando enquanto cresciam para que quem os comprasse fossem gentis e enquanto aguardavam o seu triste fim pelas presas de seu senhor ou senhora.

- Acha que conseguiria me carregar? - Chloe perguntava tirando Max de seus pensamentos.

- Esta realmente pensando em quebrar as suas pernas apenas para me tirar daqui? - Max não podia deixar de se espantar com o quanto a vampira estava disposta a ajudá-la.

- Te tirar não, NOS tirar dessa merda!- Dizia Chloe dando ênfase no "nos", enquanto se sentava jogada no sofá ao lado de Max. – Se você não entendeu direito, eu estou disposta a ir a onde for e fazer o que for preciso, para ter um lugar melhor do que esse. – Dizia ela fazendo um pequeno circulo com o dedo se referindo a toda a região que compunha as favelas.

  Por um segundo Max realmente começou a considerar a ideia de Chloe simplesmente pular do alto do muro com ela em suas costas, e logo depois, Max ter de carregá-la por todo o caminho até a mata.

- Não há guardas patrulhando as muralhas?

- Há poucos e mesmo que nos vissem eles teriam que abrir o portão para correr atrás de nós e aquela coisa é muito reforçada, sempre que temos de trabalhar nas favelas levam dez minutos para todas as trancas começarem a abrir. - Um pequeno sorriso zombeteiro brilhou nos lábios de Chloe. - O idiota que os projetou apenas estava pensando que aquela coisa tinha de aguentar pancadas e que fechasse rápido, mal imaginou que alguém se importaria se aquela merda levasse séculos para abrir.

- Eles não têm armas? – Dizia Max se lembrando de que os guardas da região central sempre andavam armados.

- Sim, mas duvido que eles vão usar em uma vampira fugindo para as matas, eles não se importam muito se morrermos ou não.

- Esta me dizendo que se você simplesmente pular do alto da muralha usando um traje de proteção e correr para a floresta, eles não vão atirar em você?

- É, falando desse jeito... - Chloe não podia deixar de concordar com Max, embora já houvesse casos de vampiros fugindo antes, uma vampira usando o traje de proteção seria muito suspeito.

- Você não pode voar?

- E desde quando vampiros voam? -  Chloe não podia deixar de olhar confusa para Max pois nunca antes havia visto um vampiro que pudesse voar pelas favelas.

- A-a minha antiga dona, Victoria, e-ela levantava os escravos no ar os agarrando pelo pescoço antes de os morder. - Max levava sua mão a garganta a massageando como se ainda pudesse sentir as garras de Victoria a apertando enquanto a levantava cada vez mais alto deixando Max completamente indefesa como uma pequena presa prestes a ser devorada.

- Ela é uma anciã da área central, ela pode fazer coisas que ninguém nem ao menos pode imaginar e isso quando a pessoa esta completamente embriagada pelo sangue ou tendo alucinações. - Max não podia deixar de olhar para Chloe confusa com a reposta da vampira. - Olha, desculpa ter faltado a aula sobre "como ser um vampiro 101". – Dizia Chloe logo após dar um longo suspiro – É só que você não sabe como as coisas são por aqui, ok? Somos criados no subsolo como animais e quando crescemos, eles nos dão algumas aulas e dizem como são as favelas, como funciona o sistema para acender as áreas medianas, e sobre como você ficará mais forte quando envelhecer, e logo depois te transformam. Então você acorda num muquifo nojento apenas com algumas roupas, duas bolsas de sangue e rezando à seja lá a merda que domine esse mundo para que pelo menos ele ou ela tenha piedade e nos deixe pelo menos ter uma vida razoável. - Um pequeno riso de escarnio escapava pelos lábios de Chloe. - Se é que qualquer vida nas favelas possa ser chamada de razoável.

   Max não podia deixar de ficar espantada com o que Chloe falava. Claro que os vampiros anciões queriam que os novatos aprendessem a lutar, que eles se tornassem fortes e estivessem prontos para a guerra, mas como eles poderiam ser qualquer se nem ao menos sabiam o que poderia fazer quando seus corpos se transformassem? Se nem ao menos sabiam do que poderiam ser capazes?

- Eles não te ensinaram nada? Quero dizer, não falaram nada sobre a sede ou as garras ou... sei lá, qualquer coisa? - O espanto, assim como a raiva de Max, estava mais do que presentes em suas perguntas.

- Ei, não fique brava comigo, eu não tenho culpa se tudo o que passaram era um vídeo nos mostrando o que nos aconteceria caso não bebêssemos a porra do sangue que nos dão.

   A cabeça de Max já começava a doer com todas as ideias frustradas que apareciam em sua mente, nunca antes tinha imaginado que as favelas poderiam ser desse modo. Sem encanamentos, sem sistemas de escoamento, sem rios ou mares que a levassem para fora, não havia nada, nada que pudesse ser usado para cruzar a gigantesca muralha que a separava da tão sonhada liberdade. Sentia seu coração martelar em seu peito, o pânico já começava a aparecer em seus olhos.
 
   Levando suas mãos a cabeça e apoiando os cotovelos sobre os joelhos Max se punha a pensar. Tinha de haver um jeito, sempre há um jeito. Mas não importava o quanto Max pensasse, todos os seus caminhos pareciam ser bloqueados, tudo o que acreditava, tudo o que pensava, qualquer coisa só parecia levar ao inevitável fracasso.

- Ei, se acalma. - Chloe dizia sentando ao seu lado. – Se continuar assim você vai infartar antes mesmo que possamos sair desse inferno. - Levando uma de suas mãos às costas de Max Chloe se punha a afagá-la enquanto com a outra trazia o balde com o que restava da água mais para perto de si. - Aqui, beba um pouco, e sinto muito, mas não tenho nenhum copo.

  Agarrando o balde que estava em sua frente Max o virou sentindo o pequeno fio de água escorrer pelo seu rosto, o sabor era metálico e ainda havia alguns fiapos do pano que Chloe havia molhado para ajudar a limpar seus machucados, mas ao sentir aquela delícia gelada escorrendo por sua garganta Max finalmente se deu conta do quanto estava com sede, isso por que fazia apenas um dia que a água que ela trazia consigo havia acabado.

- Obrigada. - Agradecia ela quase sem fôlego devido à velocidade que bebera.

  Enquanto Max ainda segurava o balde em suas mãos se pôs a pensar em como conseguiria sair daquela prisão construída para vampiros.
Sentindo o gélido metal do qual o balde era feito, uma ideia começou a se formar no interior da mente da jovem escrava.

- Chloe, de onde vem essa água? – Max se perguntava se a água do poço era retirada através da água da chuva e do tratamento como acontecia nas áreas centrais, ou se eles tinham um método menor para os vampiros das favelas poderem ter água potável.

- Eu já te disse, do poço. – Chloe cruzava os braços como quem já estivesse ficando farta de tamanha enrolação.

- Não, quero dizer, de onde vêm a água do poço?

- Não faço ideia. Não estava aqui quando o construíram.

- Mas há alguma corrente? O quão fundo ele é?

- Não dá para ver o fundo, apenas consigo ouvir o balde batendo na água.

  Após ouvir as palavras de Chloe, Max apenas se afundou mais no sofá enquanto ficava pensando se realmente o poço poderia levar a alguma saída, ou se simplesmente elas iriam acabar em um amontoado de canos, onde elas provavelmente morreriam sufocadas. Mas assim que pensava no quanto seria doloroso sentir seus pulmões sendo espremidos pela falta de ar, um pequeno pensamento passou por sua mente.
 
- Chloe, você precisa respirar?

- Como assim?

- Quero dizer, respirar sabe... – Max puxava o ar para dentro fazendo uma demonstração para Chloe.

- Tá e por quê diabos eu não precisaria respirar?

- Sei lá, você é uma vampira, então eu pensei... - Max falava movendo suas mãos enquanto tentava se explicar já se sentindo uma idiota por ter feito tal pergunta.

- Que só por que eu sou uma morta viva, não preciso respirar? - Perguntava cruzando seus braços.

- Não é bem assim – Seu coração já estava começando a ficar agitado, a verdade é que nunca antes tinha imaginado que Chloe se incomodasse com perguntas sobre ela ser uma vampira.

   Ao ver o quanto a jovem escrava já havia ficado sem jeito, Chloe não podia deixar de exibir um sorriso vitorioso em seu rosto.

- Sim Max, eu não preciso respirar, mas o que diabos isso tem a ver com o "brilhante" plano de fuga? –  Chloe não podia deixar de fazer aspas se referindo ao plano inexistente da escrava.

   "Sinceramente, correr até as favelas sem nem ao menos ter um plano para sair delas é meio..." Por um segundo Chloe chegou a imaginar Max indo até o portão principal e pedindo permissão para passar, ou simplesmente tentando chegar ao chão com uma corda amarrada no alto da muralha.  

- Ponha o traje, tenho uma ideia de como podemos sair desse inferno. -  Falava Max já se levantando do sofá e olhando até a janela vendo se o sol já havia nascido.

- Antes de eu fazer um strip tease pra você, que tal você me contar um pouco do que passa nessa sua cabecinha, sobre a merda que estamos prestes a enfrentar? Porque sinceramente, eu não quero acabar com uma roupa cheira de buracos tendo meus órgãos queimados de dentro para fora. – Dizia Chloe já retirando o macacão do embrulho.

- A maioria dos encanamentos funciona na área central e secundária...

- Diga uma coisa que eu não sei. - Chloe não podia deixar de revirar os olhos para as alegações óbvias da pequena.

- Bem, – Assim que Max se virava para continuar a falar, esquecendo um pouco das interrupções da vampira apenas se deparou com... – VOCÊ NÃO USA CALCINHA! - Exclamava Max sentindo o rosto arder enquanto se virava, para encarar a parede totalmente envergonhada.

- Pelo amor Max, por que diabos você queria minha ajuda para se esconder a noite se vai ficar gritando para a favela inteira ouvir? - Perguntava Chloe enquanto vestia as calças do traje de proteção.

- De... D-Desculpe.

   As escravas jamais foram permitidas olhar para os corpos de seus mestres despidos, aquelas que eram encarregadas de vestí-los pela manhã e despí-los quando ordenadas tinham seus olhos perfurados e eram treinadas para que mesmo cegas pudessem fazer todo o serviço que lhes fosse ordenado na completa perfeição. Muitos dos vampiros consideravam um privilégio mostrarem seus corpos nus aos servos, cujos os quais não fossem respeitados receberiam o devido castigo.

 - Bem, eu já ouvi os mais velhos falarem sobre rios e cavernas subterrâneas, e se esses encanamentos forem ligados a um desses rios ou cavernas, é bem possível que... só talvez, somente talvez, eles possam ter puxado a água de um desses rios ou canais subterrâneos. Se eu conseguir prender minha respiração tempo suficiente podemos sair da cidade por um desses rios. – Falava Max após recuperar a compostura.

- Então o seu plano era mergulharmos em um poço que não sabemos onde vai dar. E se por um acaso você sobreviver e não morrer pela falta de ar, estamos livres?

- Tem alguma ideia melhor?

- De repente quebrar minhas pernas não está parecendo tão ruim assim.


   Após mais algumas horas de espera, enquanto o sol surgia no horizonte, e as sombras das pequenas casas improvisadas começavam a se alargar, dois seres estranhos deixavam uma pequena casa com a tintura descascada e o reboco já visível, seguindo em direção ao centro da pequena cidade nas favelas, onde um poço os aguardava.

   Uma mulher usando um traje amarelo que cobria todo o seu corpo e um visor de plástico escuro que cobria toda a superfície do seu rosto, tinha ao seu lado uma pequena escrava usando apenas um jeans surrado, uma camiseta e jaqueta preta. Chegando ao poço, o coração de Max não pode deixar de acelerar ao ver a escuridão que se adentrava por sua única rota de escape não vigiada.

- Parece ser bem fundo. - Dizia Max olhando para dentro do poço.

- Eu vou pular, você usa a corda pra descer. - Dizia Chloe apontando para um punhado de corda que se localizava do outro lado do poço.

   Max não pôde deixar de ficar apreensiva ao ver como aquela corda já estava gasta, porém, não conseguia imaginar onde ou como acharia alguma no meio das favelas, quando ainda estava sendo procurada pela guarda. Sentia os nós dos dedos ficarem brancos com a força que usava para apertar a borda do poço enquanto assistia Chloe saltar para dentro daquela escuridão, ao desconhecido que a esperava do outro lado.

   Ao não ouvir a voz de Chloe ao atingir a água, seu coração começou a acelerar. E se a queda fosse muito funda? E se o poço não tivesse saída e nem ao menos fosse ligado a um rio subterrâneo? Ou se estivesse simplesmente trazendo água de algum lugar? E se... E se aquilo fosse apenas um poço que era ligado aos encanamentos do meio da cidade? E se a única coisa que encontrassem fosse apenas um pequeno cano estreito de mais para as duas passarem?

  Conforme o tempo passava Max já começava a ficar desesperada, não apenas pelo medo de que seu palpite estivesse errado mas pelo medo de algum dos guardas a encontrasse enquanto esperava por Chloe. Olhava para os lados sentindo seu medo aumentar, a verdade era que tinha estado em fuga a mais de um dia, mas nunca num lugar tão exposto e ao mesmo tempo tão rodeado de perigos, sinceramente se essa não fosse a única maneira de deixar a cidade,  Max se bateria por sugerir um plano tão idiota e cheio de perigos.

- Max? - Finalmente Chloe deu o sinal para Max poder começar a descer.
Amarrando uma das pontas da corda em um pequeno pedaço de madeira enfincado no chão, puxando a corda duas vezes para ter certeza de que estava bem firme. Engolindo o seco enquanto subia na borda e se posicionava para começar a descer, Max não pôde deixar de ouvir o barulho de paços se aproximando.

  Esquecendo completamente o seu medo, Max saltava enquanto segurava a corda com toda a sua força sentindo suas mãos queimarem por causa do contato com a áspera corda que corria por suas mãos. Finalmente, enquanto a luz começava a sumir, Max se via completamente coberta pela estranha escuridão, já podendo ouvir o barulho de uma correnteza.

   Enquanto esperava os sons de passos se distanciarem do poço, Max finalmente se sentiu segura para falar.
 
- É muito fundo? - Perguntava enquanto apoiava seus pés com firmeza na parede, já sentindo  um pouco de dor em seus braços por sustentar todo o seu corpo. – Eu não vou aguentar muito tempo.

- A água bate no meu peito, Max você tem de ver isso - Dizia espantada com o que via a sua volta.

- Você consegue ver alguma coisa aqui? - Perguntava Max enquanto adentrada mais um pouco em meio à escuridão do abismo que a cercava.

 - Não muito, mas o que eu consigo... É lindo.

- Já vou descer, só que não é tão fácil se você não pode ver nada.

- Pula.

- Que?



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