História New Beginning - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Tags Camila Cabello, Camren, Fifth Harmony, Lauren Jauregui
Exibições 189
Palavras 3.014
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Help


Fanfic / Fanfiction New Beginning - Capítulo 2 - Help

Lauren

Eu vivi minha vida inteira em Miami e amava minha cidade natal. O clima era sempre quente, agradável, tínhamos a nossa disposição diversas praias e eu amava o fato da cultura latina ser tão presente, Miami era incrível! Mas o fato era que New York City tinha meu coração desde que eu tinha me mudado para lá. Era um caos, eu admitia, mas não deixava de ser a minha cidade. Algum tempo antes de me mudar, lembro de ter lido uma frase que dizia: “Once you have lived in New York and made it your home, no place else is good enough” Dois meses depois e aquilo fazia todo o sentido do mundo. O clima era completamente diferente do de Miami e custei um pouco para me acostumar, mas fora esse detalhe gelado, quase tudo me encantava em NYC. A quantidade de eventos culturais e artísticos também tinha um grande peso nesse meu amor pela cidade. Ao mesmo tempo em que era conhecida como a cidade que nunca dormia, você podia encontrar muita paz em seus parques. Era difícil explicar NYC, só vivendo para entender o sentimento.

O que eu mais amava na minha sala da empresa, era a vista que eu tinha. Minha sala ficava em um andar alto e a grande janela me dava o privilégio de ter uma vista maravilhosa e ampla da cidade. Em dias em que eu estava muito atarefada, eu simplesmente saía de minha mesa e ficava em pé observando a cidade, tentando buscar um pouco de paz no caos. Outros dias eu simplesmente me permitia ter um momento de distração vagando meu olhar pela cidade, como estava fazendo até ser interrompida pelas batidas na porta.

- Com licença, senhorita Jauregui. – Daisy, minha secretária, apareceu na porta e eu assenti - Tem uma pessoa na linha que insiste para que eu passe a ligação. Eu já falei inúmeras vezes que a senhorita está de saída, mas ela insiste. Se chama Camila Cabello, disse que suas filhas estudam juntas. 

Olhei Daisy um pouco surpresa, não espera aquela ligação, nem sabia como Camila tinha conseguido meu número. 

- Pode passar a ligação, Daisy. Obrigada. 

Dois toques foram necessários para que eu atendesse o telefone, estava assustadoramente distraída naquela tarde.  

- Olá, Camila, aconteceu alguma coisa? 

- Lauren, eu preciso da sua ajuda! - Pude sentir sua voz com um claro tom de desespero - Surgiu um imprevisto no meu emprego e eu não vou conseguir buscar Eve na escola. Você é a única mãe dos amigos dela que eu conheço e você não mora longe de mim. Assim que eu sair daqui eu vou buscá-la na sua casa o mais rápido possível, mas eu realmente 

- Camila. - Interrompi sua linha de raciocínio - Imprevistos acontecem no trabalho, eu sei bem disso. Resolva as suas coisas sem pressa e depois vá buscá-la em minha casa, você sabe onde eu moro. Precisa de mais alguma coisa?

- Obrigada. 

- Não tem o que agradecer.

Um silêncio surgiu na linha e pude escutar a calma respiração de Camila, como se ela estivesse aliviada. 

- E … Camila? Fica tranquila. 

Eve de nada lembrava a tímida garotinha que eu tinha conhecido há duas semanas. Ela e Olívia foram o caminho inteiro me contando sobre o dia na escola. As duas tinham as bochechas coradas e os cabelos bagunçados por conta da aula de educação física que tinham tido e estavam animadas contando sobre cada detalhe das brincadeiras da aula. 

 

Camila

Eu queria chorar de raiva, de nervoso, de desespero. Ao decidir me mudar para New York City, eu só precisava de uma certeza: ter um emprego que me garantisse pagar o aluguel de um apartamento que fosse em uma região com boas escolas públicas. O bem-estar e a educação de Eve eram as coisas que mais me preocupavam desde que ela tinha nascido. Eu movia mundos e fundos para vê-la bem e feliz. Eu sabia que NYC era uma cidade cara, mas tudo conspirava para eu vir para cá e eu vim. Eu cheguei sozinha com 27 anos e uma criança de 5 que dependia totalmente de mim. Eu não tinha certeza se daria certo, mas faria o possível e impossível para que tudo corresse bem. 

- Menina Camila, eu sinto muito. Sei que esse horário é crucial para você e se dependesse só de mim, você já estaria dispensada. 

- Eu sei, Senhor Henry. - Disse com a voz calma. 

- A menina Eve está melhor na escola? 

- Ela está se adaptando, mas percebo que agora ela vai mais feliz. 

- Fico contente por isso. - Um silêncio se instaurou - Hm, Camila, eu preciso ser trocado, se você não se importar. - Sorri em direção ao senhor enquanto ia ao seu encontro no outro lado da sala.

 

Senhor Henry era um simpático senhor de 71 anos que era extremamente inteligente. Ele era magro, tinha bastante cabelo branco e usava óculos. Nós tínhamos algumas coisas em comum como o gosto pela comida mexicana e o fato de sermos viúvos. Por conta da idade, Senhor Henry perdeu os movimentos das pernas e agora era cadeirante. Eu tinha me formado em enfermagem e tinha em meu currículo diversos cursos, eu realmente amava a área que tinha escolhido. Quando me candidatei para o emprego, achei que não teria chances pelo número de concorrentes que eu tinha. Eles resolveram fazer um teste, cada uma passou um dia cuidando do Senhorr Henry e eu fui a última. No final do dia, o escutei falando que ele me queria, depois soube que ele tinha gostado do meu jeito por achar muito parecido com o de sua filha.

Ele tinha 4 filhos; a única mulher era a mais velha e ela morava na Califórnia com o marido e um casal de filhos, eu não a conhecia, mas ele falava que ela era um doce e que com certeza nos daríamos bem. Os dois do meio tinham apenas 1 ano de diferença; Mark e Joe, eles eram os meus patrões. Eles ainda moravam na casa do pai e trabalhavam na empresa dele, um trabalhava das 9:30 às 14:00 e o outro das 14:00 às 18:30. "Dividimos o horário para que um de nós sempre esteja em casa com papai" eles me disseram quando me contrataram. Lembro que achei lindo quando me explicaram, mas só era lindo na teoria, na prática era bem diferente. Com exceção das 13:30 às 14:30, realmente um deles sempre estava em casa, mas eles nunca ficavam com o pai, nunca. O filho mais novo também trabalhava e morava em NYC, devia ter um bom emprego pois nas raras vezes que o vi na casa, ele sempre estava de terno e gravata. Eu percebia a forma como ele me olhava, como se eu fosse um objeto. Um dia o escutei falando na cozinha que "a empregadinha do papai era muito gostosa", só de lembrar daquilo, me dava ânsia. 

Mark e Joe eram extremamente esnobes, mas não me atrapalhavam nem se intrometiam no meu trabalho. Além disso, eles me pagavam um salário muito bom. Minha rotina era quase sempre a mesma; eu chegava todo dia um pouco antes das 9:00, falava bom dia para Mark que geralmente estava na cozinha e já me dirigia ao quarto do Senhor Henry. Eu o ajudava a fazer sua higiene matinal e o levava até a cozinha. Enquanto ele lia o jornal, eu preparava o café da manhã. O resto da manhã ele fazia o que ele queria, as vezes assistia televisão, outras vezes lia o jornal e outras vezes ficávamos apenas conversando enquanto eu arrumava seu quarto e preparava o seu almoço e jantar. Depois do almoço ele gostava de assistir televisão enquanto eu terminava de arrumar a cozinha. Assim que eu aparecia novamente na sala, ele me chamava para jogar cartas ou damas e se divertia toda vez que ganhava de mim, ele era bom. Algumas vezes dávamos uma volta pela redondeza, mas conforme o clima ia ficando mais frio, ele preferia ficar no aconchego de casa. Senhor Henry era um paciente muito fácil de cuidar, ele só tomava 3 remédios durante o dia e sua deficiência era apenas nas pernas. Ele era completamente lúcido então conversávamos bastante. As 15:00 eu batia no quarto de Mark e ele sabia que significava que eu ia embora. As vezes eles me pediam para trabalhar das 18:00 às 22:00 por conta de alguma "reunião" e às vezes eles pediam para eu dormir lá no sábado porque "todos merecem se divertir um pouquinho". Eu não reclamava quando isso acontecia porque eu sempre podia levar Eve comigo e tudo isso era trabalho extra, ou seja, eles me pagavam a mais e muito bem. 

Aquele dia, no entanto, foi diferente. O relógio já marcava 14:50 e Mark ainda não tinha aparecido. Joe estava no trabalho e ninguém tinha me dito nada. Sr Henry ligou para Mark no viva voz e disse que eu precisava ir embora. 

- Estamos resolvendo um problema muito sério na fábrica. Ela vai ter que ficar algumas horas a mais. 

- Mark, ela não po

- AS COISAS ESTÃO MUITO COMPLICADAS AQUI! – Ele gritou e depois diminuiu o tom de voz – Olha pai, fala para ela que vou pagar muito bem essas horas extras assim que entrar em casa, mas não me liguem mais! 

Desligou o telefone. Eu estava em choque. Puxei na minha mente alguém que poderia me ajudar. A professora? A diretora? Alguma amiguinha? Olívia. Eve adorava Olívia e eu já tinha conhecido Lauren. Eu tinha visto de perto o carinho de Lauren com Olívia e Eve no dia que jantamos em sua casa e sentia que podia confiar nela. Além do mais, eu sabia aonde ela morava e trabalhava. Era minha única opção. Depois que consegui falar com Lauren e tinha tudo "resolvido", respirei aliviada.

O relógio já marcava 8:06 quando Mark e Joe entraram pela porta da casa. Eu tinha ficado cinco horas a mais, cinco horas! Eu não conseguia acreditar. Fui pegar minha bolsa ao mesmo tempo em que Mark pegava sua carteira, assim que passei por ele, me pagou o dinheiro das horas extras. 

 

Eu estava envergonhada por ter pedido um favor tão grande para Lauren sem ao menos nos conhecermos direito, mas era a minha única opção e ela era mãe, eu sabia que ela entenderia o meu lado. Eu esperava ficar uma, talvez duas horas a mais, mas cinco horas nunca tinha me passado pela cabeça. Eu tinha passado meu número de celular para Lauren me ligar caso precisasse de algo ou surgisse algum imprevisto que eu daria um jeito de buscar Eve, mas ela não me ligou. Chegava a ser engraçado como eu sentia que podia confiar em Lauren, uma pessoa que eu tinha visto uma única vez na vida.

Quando a porta do elevador se abriu, vi que Lauren me esperava com a porta de seu apartamento aberta. Ela estava com um estilo completamente diferente do dia do jantar em sua casa. Naquele dia ela usava roupa social e saltos, hoje ela estava totalmente informal com os cabelos negros um pouco bagunçados, legging preta e uma camiseta larga. Ela tinha uma expressão extremamente calma e serena, só de olhá-la eu senti meu corpo inteiro relaxar. 

- Entra, Camila, você deve estar exausta. - Ela abriu mais a porta e sorriu deixando amostra seus dentes branquinhos. 

O apartamento de Lauren me passava uma sensação de conforto estranhamente boa. Nesse dia em especial, a sala estava apenas com metade das luzes acesas, eu tinha vontade de deitar em qualquer canto para descansar. O barulho da porta se trancando atrás de mim fez com que eu voltasse a realidade.

- Lauren, muito obrigada. - Disse após deixar minha bolsa na mesa de centro. 

Lauren apenas sorriu e foi em direção a cozinha. Tirou um prato do forno e o colocou na mesa que já tinha um conjunto de talheres e uma taça vazia. 

- Bom, acho que você deve agradecer a Olívia e Eve pelo jantar, não a mim. 

Me aproximei da mesa e encontrei um prato colorido de modo que a comida montava uma carinha feliz. Sorri genuinamente. 

- Aonde elas estão? 

- Elas voltaram aceleradas da escola depois da aula de educação física e tive que dar banho nas duas por causa disso. Eu até tentei esperar um pouco para ver se você chegava para jantarmos todas juntas, mas você demorou. Elas realmente estavam preocupadas com o que você comeria e prepararam sozinhas - Lauren deu ênfase - o seu jantar. Coloquei um filme para elas assistirem e logo dormiram. Eu cuidei bem de sua filha. - Lauren sorriu - Vinho? - Ela tinha a garrafa na mão. 

- Você bebe vinho toda noite? - Lauren afastou a garrafa da minha taça. 

- Quase toda noite, é um hábito. Mas apenas uma ou duas taças, nada demais. Faz bem para o coração. - Ela sorriu - Tenho suco de laranja, de maçã, água … 

- Acho que um vinho cairia bem depois do dia de hoje. 

Lauren encheu minha taça e depois voltou a cozinha para deixar a garrafa e retornar com sua taça na mão. Ela sentou-se na minha frente e eu não conseguia parar de admira-la. Lauren era uma mulher belíssima. As feições eram lindas e ela me passava tanta calma que chegava a ser assustador. Os olhos verdes eram talvez os olhos mais lindos que eu já tinha visto na vida. 

- Quer conversar sobre o dia de hoje enquanto janta? 

- Seria ótimo. - Ela sorriu compreensiva - Eu te contei que sou enfermeira, certo? - Ela assentiu - Eu não trabalho em um hospital ou clínica, esse era meu objetivo no início, mas por conta da Eve seria complicado pelos horários da escola. Eu provavelmente teria que trabalhar em turnos e como eu ainda não conheço ninguém na cidade e ela é pequena para ficar sozinha, seria impossível. Eu trabalho de enfermeira particular para um senhor cadeirante, ele mora com os filhos e os dois trabalham na fábrica que ele construiu a vida toda. Hoje eles tiveram algum problema lá e só conseguiram chegar as 8 da noite, nunca tinha acontecido antes. – Despejei tudo de uma vez.

- Entendi …. – Lauren me olhava com tanta compreensão que chegava a me arrepiar - Não fique nervosa, imprevistos acontecem com qualquer pessoa. - Ela sorriu para mim - Sabe, você tem uma profissão linda. Minha abuela teve uma enfermeira em seus últimos meses de vida e era uma pessoa que além de fazer o seu trabalho, a tratava com muito amor e carinho. Sou agradecida a Alice até hoje por ter sido uma pessoa tão incrível com minha abuela. 

- É uma profissão um tanto quanto delicada, você tem que realmente amar se quiser fazer um bom trabalho. 

- Você parece amar o que faz. 

- Depois de ser mãe da Eve, provavelmente é o que eu mais amo fazer. - Falei honesta e Lauren sorriu. 

- Você pensa em ter mais filhos? 

- Quando eu era mais nova, eu sempre falava que queria ter vários filhos e ter uma família grande, aí fui crescendo e percebendo que a realidade é dura. – Comecei a divagar – Eu aprendi na prática o quanto uma criança precisa de atenção, o quanto é delicado cuidar de uma vida, o quanto gasta, tudo. Eve nasceu quando eu tinha 22 anos, eu era muito nova e se não fosse pela ajuda de meus pais, eu não sei como teria terminado minha faculdade. Agora estou recomeçando minha vida, é um novo capítulo e estou correndo atrás novamente. Devo demorar para me estabilizar então não, não pretendo ter mais filhos, pelo menos não agora. Talvez mais para frente eu pense nisso de novo, mas acho difícil. E você? 

- Eu não sei há quanto tempo você é viúva, mas você sabe que ser mãe solteira não é a coisa mais fácil do mundo. - Assenti sorrindo fraco - Eu me sinto um pouco culpada por não dar um irmão para Olívia porque tenho um irmão e uma irmã e sei o quanto é incrível crescer com irmãos, sei o quanto esse sentimento é especial. Quando fiz meu cadastro de adoção, eu falei que aceitaria até duas crianças, Olívia chegou aqui sozinha, era filha única. Ela completa meu coração tão bem, nós fazemos um par tão bom que não consigo imaginar mais ninguém conosco. É um pensamento um pouco egoísta, admito - ela deu uma pequena risada - mas é assim que eu me sinto, completa por ser mãe apenas de Olívia. 

Os olhos de Lauren até brilhavam quando ela falava da filha, aquela mulher era incrível. 

- O jantar estava ótimo, as meninas foram excelentes cozinheiras. - Lauren riu - Eu realmente te agradeço por tudo que fez hoje, se não fosse você, não sei o que teria feito. - Encarei Lauren nos olhos, tão calma, tão plena - Já é o segundo jantar na sua casa, você e Olívia não aceitariam jantar na minha casa no sábado? - Eu nem sabia o que estava fazendo, eu não tinha planejado nada daquilo, as palavras simplesmente saíram, mas aquilo parecia certo. 

- Eu não tenho nada marcado. Olívia provavelmente também não tem nada em sua agenda - Lauren disse divertida - aceitamos. Eu levo o vinho! 

Lauren me guiou pelo corredor de sua casa até o quarto de Olívia. O quarto tinha apenas o abajur aceso, mas era suficiente para que enxergássemos as duas dormindo. A cama estava repleta de bichos de pelúcia, Eve chupava o dedo e Olívia dormia agarrada com um paninho. Tentei pegar Eve com o maior cuidado do mundo, mas ela acordou. 

-Mama? - Disse sonolenta já em meu colo. 

- Mama chegou, meu amor. Agora vamos para casa. 

Lauren nos acompanhou até o elevador e me deu um beijo no rosto e um na mão de Eve que já dormia novamente. 

- Boa noite e até sábado. - Ela disse com a voz rouca segundos antes da porta do elevador se fechar. 



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