História New Way to Bleed - Destiel - Capítulo 15


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Categorias Supernatural
Personagens Adam Milligan, Anna Milton, Ash, Balthazar, Bobby Singer, Castiel, Charlene "Charlie" Bradbury, Crowley, Dean Winchester, Gabriel, Garth Fitzgerald IV, Jo Harvelle, Jody Mills, Kevin Tran, Lilith, Lúcifer, Meg Masters, Miguel, Personagens Originais, Rafael, Rowena MacLeod, Ruby, Sam Winchester
Tags Casdean, Castiel, Colegial, Dean, Destiel, Estudandil, Evinspiration, Evsongs, Falleninspiration, Intriga, Novak, Reformatório, Winchester
Visualizações 95
Palavras 9.041
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oieeee ! Eu sei que demorei pra aparecer mas gnt, valeu a pena... Esse cap ta graaaande e nossa, tô quase passando mal aqui heueheue' e demorei porque acumulei as ideias durante a semana e escrevi praticamente tudo em dois dias (ontem e hoje) Mas ta aí.. Boa leitura !

Capítulo 15 - Brotherhood


A manhã de sábado chegou, mas como ninguém esperava: ensolarada e revigorante. Parecia até que era um verdadeiro novo começo. Mas para Dean e Castiel era apenas mais um dia, para se sobreviver. Bom, para Dean nem tanto porque seu irmão estaria lá. Ele não dormiu muito bem a noite, preocupado e ansioso, imaginando como iria contar para seu irmão e como ele iria reagir quando soubesse. Se levantou e foi para o banheiro. Era difícil não pensar em Castiel e naquela ideia de Charlie, era claro que não daria certo e Sam não aceitaria também. Após um banho frio e demorado, Dean saiu para se vestir e enquanto se secava, ele começou a se lembrar do momento íntimo que teve com Castiel — o melhor de sua vida. — E o desejo de tê-lo só para si aumentou ainda mais. Mas ele não queria ficar a pensar nos “talvezes”, nem nos “e se” e muito menos criar expectativa. Só queria tentar viver aquele dia com calma. Como fazia, antes de conhecer Castiel. Por isso quando terminou de se vestir, ele saiu do quarto sério, sem demonstrar nada. 

 — Bom dia, Deanno ! — Charlie exclamou quando ele apareceu para o café. Lúcifer riu do apelido que ela deu a ele. Ela olhou para Lúcifer meio sem graça. — Que foi, qual a graça ? 

 — Bom dia, gente. — Dean respondeu normalmente e assentiu, indo se sentar com Miguel. 

— Esse apelido aí, que você inventou.

— Porra, tu não ouviu eu te chamando não ? Mas e aí bro, animado ? — Miguel perguntou sorridente.

— Você me chamou ? Foi mal, não ouvi nada. Mas estou normal. Essa seria a palavra certa.

— Ah, qual é Dean ? Seu irmão tá vindo aí, o dia tá lindo e teremos uma noite que promete, então sem baixo astral. Por favor.

— Bom dia, meninos. Posso me sentar aqui ? — Lisa perguntou. Dean apenas fingiu sorrir e assentiu.

— Claro ! — respondeu Miguel.

— Lúcifer, não esquece. Pelo amor de Deus. Nosso Castiel tem que estar impecável hoje. — Charlie começou a fingir que falava dele quando ele se aproximou.

— Impecável, para quê ? Bom dia, gente. — Castiel se sentou.

Por que será que o único lugar disponível na mesa deles era um que ficava virado na direção de Dean ? E quando Castiel percebeu, lá estava ele, com Miguel e Lisa. Dean o viu e ficou imóvel. Novamente a sensação de conexão. Só havia os dois ali ? Onde estava o resto dos adolescentes ? E o som, cadê ?

— Winchester. — Rowena chamou sua atenção. — Venha comigo, por favor.

Dean se levantou já sabendo do que se tratava, mas para os outros, parecia que ele estava muito encrencado. Castiel sentiu medo ao ver ele seguir com a coordenadora, a preocupação se manifestou, mas discretamente. Alguns se perguntaram o que de tão sério poderia ter acontecido.

— Que interessante, Dean vai ficar de castigo ? — Adam debochou para Ash e Balthazar.

— De que isso importa ? Você anda prestando atenção demais nele. — Balthazar falou desinteressado. — Aliás, o que você pretende fazer, contra o novato ?

— Ele não é mais novato. Já faz tempo que… Ele tá aqui. — Ash falou de uma maneira inocente e Balthazar o olhou com tédio e cara de “Jura ? Não te perguntei.” Balthazar ainda o chamava de “novato”, porque não queria dizer seu nome e tinha raiva de Castiel não pelo seu primeiro encontro com ele, mas sim por ter tirado seu melhor amigo. Ele e Lúcifer sempre foram muito chegados e aí, Castiel chegou e Lúcifer mudou. Pra falar a verdade, muita coisa mudou com a chegada de Castiel. Muita mesmo.

— Não importa. Para mim, ele sempre será como um intruso e nada bem-vindo aqui.  

Então ele e Adam tinham muito em comum. Mas afinal, por que Adam não gosta de Castiel ? Porque, diferente de Balthazar, ele ainda tinha a “sua cachorrinha” sempre a seu lado, como dizia Lúcifer. Então, qual era o problema ? Mas a convocação de Dean pela coordenadora deu a Charlie uma ideia e claro que ela iria compartilhar com Miguel e Lúcifer.

— A onde vocês vão ? — Castiel perguntou vendo que eles se levantaram e estavam de cochichos.

— Nós vamos falar com Miguel. Parece ser muito sério o que Dean fez agora. — Charlie mentiu, deixando o moreno mais preocupado ainda.

— Já voltamos. — disse Lúcifer enquanto saíam. Lisa não estava mais com Miguel, o único interesse dela ali era Dean e como ele saiu, ela não tinha mais o que fazer lá e foi se juntar as amigas, Meg, Anna e Jo. 

— Miguelitoh ! — Charlie cantarolou e se sentou. Lúcifer também sentou. 

— Hoje ela está tão animada que tá inventando apelido pra todo mundo.

— Oi galera. E aí, conseguiu convencer ele ?

— Então… — Charlie disse de uma maneira culta e se ajeitando. — Ainda não, mas... Como a Rowena veio chamar o Dean e ninguém sabe ao certo porquê, eu pensei em usar isso como pretexto para fazer o Castiel ir.

Lúcifer e Miguel se olharam e voltaram a olhar para ela.

— Exatamente. Irei eu dizer que Dean não vai a festa porque ficou de castigo. E vou fazer um draminha, aí ele vai aceitar ir comigo.

— As vezes eu me pergunto: de onde é que você tira essas ideias ? — Miguel disse rindo. 

Quando Dean chegou na sala de Rowena não conseguiu disfarçar a surpresa mesmo sabendo que seu irmão estava à sua espera. Sam se levantou quando Dean entrou e correu até o irmão, o abraçando.

— Dean !

— Sammy ! — Dean o abraçou com força e não se conteve, começou a chorar. E seu irmão estranhou muito sua reação. 

— Eu vou deixá-los sozinhos. — Rowena disse fechando a porta. Eles se separaram do abraço e Dean disfarçou.

— Você… tá chorando ? — Sam perguntou com um sorriso debochado.

— Eu não choro. — Dean respondeu seco, enxugando as lágrimas.

— Ah não ? E isso nos seus olhos é o quê ? — Sam estava rindo.

— Vai se ferrar !

— Esse é o meu irmão. Mas e aí Dean, me conta. Como você tá ? O que aconteceu de tão grave ? Com quem você brigou dessa vez ? E por quê ? — o moreno alto se sentou e Dean também. Dean tentou mudar de assunto, pois não estava preparado para contar logo.

— Han, vem. Eu vou te apresentar pro pessoal. — Dean levantou e foi até a porta.

— Dean.

— Eu vou te contar, Sam. Mas depois. — ele abriu a porta. Sam se levantou, pegou a mochila e o seguiu. No caminho, eles encontraram Miguel, Lúcifer e Charlie. Eles estavam conversando sobre alguns detalhes da festa e como fariam para convencer Castiel.

— Oi pessoal. Essa é a Samantha. Meu irmão. — Dean o apresentou sorrindo e não se conteve. Charlie riu muito.

— Dean ! — ele olhou para o irmão com certa raiva. — Oi, gente. Muito prazer. É Sam. Ok ?! — Sam sorriu para eles.

— Esse é o Miguel. Charlie e Lúcifer. — Dean indicou cada um. Ele apertou a mão de Miguel, cumprimentou a ruiva com um beijo e apertou a mão do último.

— Muito prazer, vadia ! — Charlie exclamou.

— Muito… Prazer. — Lúcifer sorriu e não desviava o olhar dos olhos verdes acastanhados do moreno alto. Sam sorriu de volta e eles ficaram de mãos dadas por tempo de mais.

— Seu cabelo é lindo ! — Charlie disse despertando os dois. Eles soltaram as mãos. 

— Ah, obrigado. O seu também é. — Sam respondeu e olhou mais uma vez para Lúcifer, que estava com uma expressão boba na face.

— Okay, nos vemos mais tarde. — Dean disse colocando as mãos nos ombros de Sam e o empurrando.

— Tchau, pessoal. Até mais. — ele se deixou ser empurrado pelo irmão.

— Então, voltando ao assunto. — Miguel falou retomando a conversa. Charlie ficou atenta e Lúcifer, bem, Lúcifer estava distraído.

— Lúcifer !

— O quê ? Ah sim, voltando ao assunto. — ele sorriu sem graça. E enquanto eles conversavam e decidiam tudo, Dean e seu irmão andavam pela escola. Dean o apresentou para os outros, exceto Lisa que sumiu. E Castiel, Dean não o viu de novo. O moreno havia sido deixado por Charlie e Lúcifer, mas tudo bem porque eles iriam ficar falando sobre a festa e Castiel não queria ir. E mesmo que ele tentasse, não conseguia parar de pensar no que Dean teria feito e no que aconteceria com ele. Lógico que ele estava preocupado. Ele gosta, gosta não, ele sente que ama aquele loiro idiota e estúpido. É, Castiel o ama, ele tinha certeza disso. Não era só uma atração, nem um simples gostar. Era amor e ele sabia. Mas como tinha muita coisa para se fazer e ele estava sozinho no momento, ele foi estudar. Era melhor terminar suas tarefas, trabalhos e etc.

Na biblioteca, após pegar suas coisas no quarto, ele encontrou alguém que ele realmente não esperava. Seu professor, o senhor O'Brian Sedução, estava lá — Charlie e suas ideias para apelidos. — e ele não viu quando Castiel chegou, o que o moreno agradeceu mentalmente. O lugar tinha alguns alunos conversando entre si e se ajudando nos deveres. Castiel se sentou em uma mesa que ficava perto da janela, sozinho. Assim era melhor, ele poderia se concentrar mais e terminar mais cedo, para depois… Ficar sem fazer nada, no quarto, já que seus amigos estariam naquela festa. Algum tempo depois estudando, alguém se sentou com ele, mas ele pareceu não perceber já que estava muito concentrado no que estava fazendo.

— Olá Castiel. — a voz suave e máscula de Patrick fez Castiel desviar o olhar do livro, na direção daquele homem. Ele tinha um sorriso despreocupado nos lábios.

— Oi, professor. — Castiel tentou parecer normal.

— Tudo bem ?

— Han, sim e o senhor ? — Castiel abaixou o livro.

— Estou bem. Por favor, não me chame de senhor. — ele se inclinou para a frente.

— Han… Está bem.

— Sabe, eu queria me desculpar pela abordagem de ontem. Não foi muito agradável. E eu não queria te constranger nem nada.

— Tudo bem. Não precisa se preocupar.  

— E para mostrar, eu queria te chamar para… Sair um dia desses. — o homem à sua frente continuou. Castiel ficou sério. — Hm, tomar um sorvete, talvez… Qualquer coisa... — ele parecia muito tranquilo.

— Han… O se… — Castiel se corrigiu. — Você sabe que não tenho permissão para sair do colégio.

— Mas quando se está com um professor, o mentor responsável pela sua turma, creio que não tenha problema.

Okay, o que ele responderia agora ? Se a sua única desculpa concreta e viável foi mandada para o espaço ?

— E antes que pense em dizer não, já aviso que não aceito não como resposta. 

Assim como Dean, Castiel estava dividido, porque um lado dele queria deixar rolar e pensar que poderia causar ciúme em Dean com seu professor, era até que uma boa ideia. Mas havia seu outro lado que dizia “Sério que você vai se rebaixar a esse nível e agir como uma criança birrenta ?” e “Você ficou com Dean uma vez e já vai ficar com o seu professor ? Porra, Castiel.” , estava difícil, mas… 

— Bom, já que ou eu digo sim, ou digo sim, então… Tudo bem, sim.

— Ótimo. — ele sorriu alegre. — Castiel, eu tenho notado que você anda um pouco triste. Aconteceu alguma coisa ?

Castiel suspirou e colocou as mãos sobre a mesa. Ele se lembrou do que Patrick disse no outro dia, mas não ia falar com ele sobre Dean. Ia ?

— Han, não… Está… tudo bem.

— Você tem certeza mesmo ? — ele colocou as mãos sobre as de Castiel. — Como eu disse, você pode contar comigo, pro que precisar.

O garoto ficou mudo. O toque de suas mãos fez Castiel ficar corado e sentir um leve calor. Castiel pensou se tinha alguém vendo aquela cena e ficou envergonhado. E o pior é que tinha sim alguém vendo, Meg estava na biblioteca, fazendo sabe-se lá o quê, até porque ela não era do tipo que se importava em fazer seus deveres. Mas em cuidar da vida dos outros, ela era perita nisso.

— O-obrigado, professor. — Castiel disse recolhendo as mãos.

— Bom, eu vou deixar você continuar suas tarefas. Eu aviso quando pudermos ir. Certo ? — Patrick disse se levantando. Castiel assentiu. — Até mais.

Paddy saiu e deixou Castiel atônito. O professor estava mesmo interessado nele, mas… O que ele realmente queria ? Ele não parecia ser do tipo que iria querer algo sério com um aluno, ainda mais como Castiel. Mas, ele também não parecia ser casado. É, Castiel não viu nenhuma aliança, nem nada em suas mãos. O que Charlie diria se soubesse ? Será que ele contava ou não para ela ?

— Olha só… — Meg e seu tom irônico se juntaram a ele. — Então, além de pegar o namorado da minha amiga, agora você quer o professor também ? — ela se sentou. 

Castiel olhou para as canetas em cima da mesa e lembrou de um filme que ele viu, em que um garoto estava sentado, na biblioteca escrevendo alguma coisa e alguém chegou por trás dele e empurrou sua cabeça, fazendo o objeto em sua mão entrar pelas suas narinas, assim causando a morte dele. E Castiel imaginou o mesmo com Meg. Seria ótimo ver ela agonizando de tal maneira.

— E ainda diz que não é minha fã. Imagina se fosse.

— Ah não, mas não mesmo. Só acho engraçado você me chamar de vadia, sendo que quem está sendo isso, é você.

— Chamei e volto a chamar: v-a-d-i-a. 

Ela levantou irritada e segurou na camisa dele. A bibliotecária viu que algo estava acontecendo e chamou a atenção de Meg.

— O que será que Dean vai achar disso ? — ela perguntou fazendo Castiel temer e o soltou.

— Provavelmente nada. Nós não temos nada mesmo. — ele respondeu e falar isso foi como se auto mutilar.

— Será ? Vamos ver... — foi a última coisa que Meg disse antes de sair. Castiel ficou nervoso. Era difícil não ficar com tamanha provocação. Ele só tentou voltar a estudar e não pensar em mais nada. Lisa não conhecia o irmão de Dean e ainda não tinham sido apresentados e quando ela o viu com o loiro, sentiu ciúme, mas pensou que assim poderia também provocar Castiel — só mais uma para encher o saco.

— E então, Dean ? Eu sinto que você está só enrolando. E eu já não aguento mais esperar. Você disse que precisava conversar e aqui estou eu. — Sammy foi direto ao ponto, pois Dean estava mesmo enrolando.

— Han… Tudo bem. Vamos para o meu quarto. Lá poderemos conversar melhor e mais tranquilamente. — Dean se levantou do banco que eles estavam e pegou a mochila do irmão. — Me dá. 

Sam também se levantou e acompanhou Dean. Lisa os seguiu de longe quando viu que eles iam para o Dellatorre. Ela queria muito saber quem era e o que iriam fazer — obsessão é uma coisa tão estranha. — e ela os seguiu até o quarto, no caminho eles se zoavam e se empurravam rindo. Não tinha nada muito suspeito, mas ela não dava a mínima pra isso. Chegando no quarto, eles entraram e Lisa odiou o fato de não estar lá também. Dean se jogou na cama, logo ficando deitado e deixou a mochila de Sam do lado. Sam se sentou na cadeira e esperou.  

— Dean ?! — o grandão estava de braços cruzados e a perna direita sobre a esquerda, balançando o pé. 

— Han, OK… Vamo lá — disse Dean se sentando. — Primeiro: você não vai fazer piada, nem rir, nem me zoar e só vai me ouvir.  

— Tudo bem. — Sam levantou as mãos. — Eu vou apenas ouvir. Agora, fala logo: com quem você brigou ?

— Bom, desde a primeira vez que eu o vi, alguma coisa mudou. No começo eu não soube o que era e até uns dias eu ainda tava sem saber.

Sam estava somente ouvindo atentamente. E mesmo que Dean estivesse falando que estava apaixonado por Castiel, não explicitamente, mas Sam já havia entendido, ele não via motivos para fazer piada. Ele não brincaria com algo tão sério. Tá, só daquele jeito, como um irmão sempre faz mesmo.

— Você lembra quando eu te liguei da última vez e falei que tinha alguém atrapalhando ?

Sam assentiu.

— Então, era ele. E ele não tava atrapalhando. E teve um dia que ele me fez derrubar a bandeja de comida em cima de mim. Na hora eu fiquei puto e ia falar um monte, mas… Eu não consegui, quando vi que era ele. Eu só saí e fui pro banheiro. Ele foi atrás de mim, até me deu a camisa dele. Na hora eu achei muito estranho ele fazer aquilo, só que agora eu sei porque... 

Dean estava contando tudo. Tudo mesmo. Desde quando o viu a primeira vez. Ele sentia que com seu irmão podia contar e não esconder nada. E quando Dean contou sobre o que aconteceu no quarto com Castiel bêbado, Sam riu. Não tinha como não rir, foi engraçado e a atitude de Dean então, nem se fala.

— E na festa que Miguel deu, ele ficou detonado por beber — Dean riu ao lembrar do estado dele. — e eu levei ele para o quarto. Você tinha que ver, ele não conseguia nem ficar em pé... 

— E depois teve um dia em que ele se machucou, quer dizer, Adam o machucou. Eu ia fazer algo a respeito, mas Lúcifer já tinha feito, então eu não fiz nada. Ele torceu o tornozelo jogando futebol com a gente e eu fiquei encarregado de tomar conta dele… — Dean falava se lembrando de cada detalhe, com uma cara e sorriso de bobo.

— Você ficou encarregado ? — Sam levantou uma sobrancelha.

— Cala a boca. — Dean ordenou sério. — Continuando: depois que voltamos do hospital e eu deixei ele no quarto e ele me pediu desculpa, por estar me dando trabalho… 

Sam tinha uma expressão divertida na face e imaginava tudo quase que perfeitamente. Era engraçado ver seu irmão falar essas coisas, de um jeito tão normal. Que mudança Castiel havia provocado em Dean, Sam estava impressionado e louco para o conhecer.

— Ele pediu desculpa por atrapalhar no dia que te liguei, pela camisa, por cuidar dele depois da festa e por estar machucado e eu estar ajudando dele. Só que ele não estava me dando trabalho algum. Mas ele achou que estava, por causa de Lisa e tudo o mais. Só que não estava e eu fiz tudo aquilo porque senti que era o certo. E não me arrependo. — Dean ficou quieto e lembrou de quando ele sorriu, quando Charlie e Lúcifer os deixaram sozinhos. — Eu sei que tem algo no sorriso dele, eu não sei o que é, mas eu posso dizer que: eu amo o jeito como ele sorri.

— Cara, você está apaixonado por ele. Simples. Óbvio. Fato.

— É, agora eu sei que estou mesmo… — ele disse de uma maneira triste. — E depois que ele me beijou, eu soube que ele sentia o mesmo.

— E o que você está esperando ? Vai atrás dele, vai falar o que sente…

— Eu tentei, mas… — Dean olhou para o chão.

— Ainda tem mais ? Então vai, fala logo. 

— Como eu disse, nós brigamos e ele não quer nem me ver.

— O que você fez, Dean ? — Sam perguntou bem sério.

— Depois que ele me beijou… Nós… Nós tivemos nossa primeira noite juntos e…

— Deixa eu adivinhar: depois você foi um completo idiota e após saciar o seu desejo, agiu de maneira escrota, como sempre fez ?!

Ouvir isso não foi nada agradável, mas era verdade. Claro que seu irmão o conhecia bem e podia falar desse jeito com ele. Dean não ficou bravo pela maneira que Sam falou, ficou triste. Agora ele se dava conta do que tinha, mas é como acontece com a maioria das pessoas: elas só se dão conta daquilo que têm, quando perdem. E era essa a realidade de Dean agora.

— Ah Dean… Continua.

— Pra quê ? Se você já adivinhou.

— Me desculpa. Continua.

— Sim, eu fui um idiota orgulhoso mesmo. E ele se declarou pra mim. Mas eu não soube reagir depois que percebi que ele era o primeiro menino na minha vida. Você sabe, Sam. Era tudo tão novo e aconteceu rápido demais. Numa hora parecia o certo e depois, não.

— Você pensou no que iriam pensar e dizer, caso vissem vocês juntos ? — Sam perguntou entendendo o que ele quis dizer com “Mas eu não soube reagir depois que percebi que ele era o primeiro menino na minha vida.” — Eu não acredito que a vida te presenteia com algo maravilhoso assim e você não aproveita, com medo do que vão pensar. Dean, esse não é você...

— Sim. Dá pra parar de ler a minha mente ? — Den perguntou emburrado.

— Ok. Desculpa.

— E foi isso que aconteceu. — Dean suspirou e esperou para que seu irmão dissesse algo. Sam levantou e sentou ao seu lado, colocando o braço ao seu redor.

— Primeiro: ouça seu coração, meu irmão. Se você o ama e você sabe que ele sente o mesmo, não perca mais tempo. Tá, você tentou e não deu certo, mas você não pode desistir assim fácil. Claro que ele deve estar muito triste e irritado com a sua reação e ainda mais depois dele ter se declarado. Eu também não iria te dar a chance de se explicar, de cara. Mas, você tem que conversar direito com ele e se ele não deixar, você cala a boca dele com um beijo. — Sam riu ao dizer isso, pois imaginou a cena.

— Mas ele não quer nem me ver…

— Segundo: você não deve se importar com o que vão dizer. Você nunca se importou, por que vai agora ? A única coisa que importa aqui é o que você sente e ele também. Danem-se os outros, seus pensamentos e tudo mais. E o seu orgulho, principalmente. Como também, dane-se eu, se eu estivesse contra isso. O que eu não vou fazer, porque o que eu quero é ver o meu irmão feliz. E não deixe mais o tempo passar, vá em frente, lute, mostre a ele que você também o ama e está arrependido. Não se deixe levar pelos medos e dúvidas, elas não vão te levar a lugar algum. Apenas ouça o seu coração, antes que você o diga adeus.

O que Sammy disse no fim, tinha vários sentidos, mas o que veio a mente de Dean, foi o pior e deixou ele com mais medo. Medo de não ter mais a chance de falar o que sentia. Sam era tão sábio, não importava o assunto. Dean agradeceu a Deus por ter um irmão como ele. E depois de horas estudando e se perguntando o que aconteceria com Dean, Castiel resolveu dar uma pausa para almoçar e descansar. Enquanto ele ia para o refeitório, encontrou Lisa. Ela vinha sorridente na direção dele, o que ele estranhou.

— Lembra que eu disse que com você não seria diferente ? — ela parou na frente dele, cruzando os braços. Castiel pareceu pensar. — Exatamente. Dean já te trocou, mas dessa vez, foi muito mais rápido.

Ah, que maravilha. Primeiro Meg ameaçando contar a Dean sobre ele e o professor e agora Lisa, dizendo que ele já foi trocado. As duas estavam combinadas, né ? Oh saco ! 

— Vem cá, como você consegue falar tão tranquilamente de algo assim ? Deve ser porque já está acostumada, né ? A ser trocada ou a aceitar ele de volta toda vez que brigavam ?

— Não estamos falando de mim…

— Mas eu estou. Se você quer falar de mim, eu vou fazer o mesmo com você. Mas não agora, não vou perder meu tempo com isso. — ele interrompeu, tentando manter a calma.

— Hahaha não venha distorcer as coisas.

— Qual é o seu problema ? — ele perguntou olhando em volta e passando a língua nos lábios.

— Você é o meu problema. Você ter vindo pra cá se tornou o meu problema.

— Poxa, fala com o diretor e pede transferência.

— Eu não preciso. Até porque eu não sei o que os meninos estão planejando contra você, mas coisa boa sei que não é. E eu estou louca para descobrir. Mal posso esperar ! — ela sorriu com cara de psicopata. — Os seus dias aqui só vão piorar. — Lisa dizia e mais parecia estar cuspindo seu veneno. — Ah, e não pense que Charlie e Lúcifer vão estar com você o tempo todo. Já, já eles te abandonam. Todos fazem isso aqui. Você vai terminar sozinho e vai desejar nunca ter vindo pra cá. Aí vamos ver quem é que vai pedir transferência.

Por que ela estava dizendo isso ? Ainda era ciúme de Dean ? Mas o que tem a ver os amigos de Castiel ? Ele tem um pequeno problema com o aquilo que ouve: mesmo sem querer, ele acredita. Assim como quando seu pai disse que ele era culpado pela morte de Gabriel. E se o que ela estava dizendo fosse verdade mesmo ? Ah mas que droga, agora ele teria que ficar bem atento e tomar muito cuidado. Castiel se tocou que ela estava se referindo a Adam, Balthazar e Ash. Mas que caramba, o que Castiel fez dessa vez ? Será que ele não podia ficar em paz ? Por quê praticamente todos o odiavam ? Mesmo tentando não demonstrar, ele se sentiu mal com o que ouviu e perdeu até a vontade de comer.

— Já acabou ?

— Sim, já. — ela passou por ele. — Ah, e se você quiser comprovar o que eu disse sobre o Dean, passa pelo quarto dele, você vai ouvir tudo. É o quarto 58, tá ? Não esquece.

Ela saiu rindo, mas estava muito incomodada com Dean e Sam presos no quarto. Castiel fechou os olhos e respirou fundo. Sério ? Sério que Dean já estava com outra pessoa ? Sério que aqueles moleques ainda iriam tentar algo contra ele ? Sério que ele não poderia ter um momento de paz ali ? Porque desde quando chegou, a única coisa que fez foi praticamente arranjar inimigos e problemas. O melhor a se fazer era ir para o quarto, lá ele ficaria bem. Bem uma caralha ! Com certeza ele ficaria pensando no que ouviu e se fazendo acreditar. O que ele faria então ? Não ia adiantar voltar a estudar, não iria conseguir se concentrar mais, não depois de chegar a imaginar Dean com outra pessoa e ter a certeza de que fez o certo, quando não o deixou falar nada. Ele até pensou em conversar com Dean e deixar ele se explicar, mas agora… Era melhor deixar como estava. 

— Não estou. — Castiel disse sem pensar quando bateram na porta. Ele estava deitado de bruço, olhando para a parede. A tarde ia chegando ao fim, deixando o céu avermelhado, trazendo o escuro do início da noite.

— Ah não está ? E que horas você volta ? — Charlie perguntou ao entrar. Ele permaneceu imóvel e ela estranhou. Ela sentou na cama, perto dele. — Tá tudo bem ? 

— Unhum. Tudo ótimo.

— Sério ? Pois não parece. O que foi ?

— Nada. — ele permanecia do mesmo jeito.

— Se você não me falar, eu não falo sobre o que vai ter na festa.

— Por mim tudo bem. Eu não vou mesmo.

— Ah, Cas, pára ! Por favor, Castiel. Você pode contar comigo. Poxa. 

Ele se virou, parecia estar chorando. Seus olhos estavam um pouco avermelhados. Ele sentou, mas ainda mudo. 

— E aí, não vai contar ?

— Não foi nada. Eu só… Estava sentindo falta do meu irmão e de casa.

— Liga pra ele. Vamos, eu consigo um telefonema a mais pra você. — ela disse levantando e pegando a mão dele.

— Impossível.

— Por que ?

— Porque ele morreu.

— Ah… Que pena… Sinto muito, Cas. — ela sentou de novo, mais perto dele dessa vez.

— Tudo bem. — respondeu olhando para o nada. Ele sentia muito a falta de Gabriel, principalmente quando estava triste como agora. Mais alguém bateu na porta e ele perguntou. — Quem é ?

— Eu sou Hawk Moth. — Lúcifer disse fazendo uma voz de vilão. Charlie levantou e abriu a porta.

— E eu sou a Lady Bug ! — ela riu quando ele entrou. — Ah não, meu cabelo não é azul.

— E aí, fofinho ? Como você está ? — Lúcifer brincou com Castiel e vendo que ele não reagiu, questionou. — Ih gente, o que aconteceu ?

— Ele tá assim por causa do irmão, que faleceu. — Charlie falou em tom baixo e fechou a porta e depois se sentou perto de Castiel. Lúcifer ficou em pé, até não aguentar mais e sentar também.

— Hey Castiel ! Um homem foi à farmácia e perguntou para a atendente: - Vocês vendem relógios? A atendente responde: - Não. Não vendemos relógios aqui. O homem diz decepcionado: - Poxa, mas me disseram que o tempo era o melhor remédio.

Sim, ele só queria fazer o amigo rir, mas sem sucesso. Castiel apenas dirigiu o olhar na direção dele. E o que Lisa disse veio lhe incomodar de novo, mas eles estavam ali agora e Lúcifer estava tentando fazê-lo rir, então Lisa era uma mentirosa, ciumenta, louca e chata.

— E sobre a festa, Luh ? — Charlie perguntou.

— Ah então, daqui a pouco eu vou ajudar o Miguel com os preparativos. Você vai, né Castiel ?

— Não.

— Por que não ? 

— Dean vai estar lá.

— Não, não vai. — Charlie aproveitou para “mentir”. — Ele tá de castigo. O que também é uma droga.

— Mas por que você não iria se ele estivesse lá ?

— Pra ver ele com outra pessoa ? Ah obrigado, mas eu prefiro ficar aqui.

— Que outra pessoa ? — Lúcifer e Charlie perguntaram juntos.

— Não sei. Lisa só disse que… 

A ruiva e o loiro se entreolharam, pois sabiam que se tratava de Sam, o irmão dele. 

— E você vai dar ouvidos a ela ? Ah por favor, Castiel. Você sabe que ela morre de ciúme de você. E Charlie já disse que Dean não vai estar lá. E eu só não entendo essa briga toda por causa de um beijo.

— Não foi só um beijo. Foi mais do que isso. — Castiel ainda olhava para o nada. — Dean foi o primeiro em minha vida, ao qual eu… Me entreguei.

Novamente os outros dois se olharam. Charlie entendeu bem, mas Lúcifer, ainda não.

— Se entregou, tipo… Vocês… ?

— Lúcifer ! — a ruiva ladrou. — Olha Cas, tá tudo bem. Ele não vai estar lá e você não vai ficar sozinho aqui, triste desse jeito.

— Ow ! Você… Pode dizer que… Engravidou… — Lúcifer disse de um jeito muito besta. Charlie o olhou incrédula e abismada. Castiel não conseguiu segurar uma risada que veio de repente.

— Eu não acredito que você disse isso !

— Ué, por quê ? — ele parecia não ter entendido ainda.

— Como por quê ? O Castiel é homem e homens não engravidam. E isso tem cara de Lisa. E ainda não acredito que você deu essa ideia.

Castiel não conseguia parar de rir. Seus amigos olharam sérios para ele. A ideia de Lúcifer foi muito absurda e hilária. Mais um tempo de discussão deles tentando convencer Castiel a ir e ele se recusando, depois Lúcifer saiu, para ajudar Miguel e os deixou sozinhos. E ela não ia desistir tão fácil, até fazer ele ir.

— Poxa Castiel, você vai me deixar ir sozinha ? — ela tentou fazer drama. Ele riu sarcasticamente.

— Sozinha, você ? Ah, claro, né ?! Não, Charlie. Dean estando lá ou não, eu não vou. O que vou fazer lá ? Todos que me odeiam vão estar lá também.

— E os que gostam de você. Vamos, eu não vou deixar você ficar sozinho aqui, assim. E você me ajuda a aproximar Lúcifer de alguém. — ela deu um sorriso malicioso.

— Vai escolher uma roupa ! Depois eu volto, para subirmos juntos. — ela levantou e saiu. Castiel permaneceu na cama. Ele não queria ir. E sobre quem Charlie estava falando ? E Dean ? O que aconteceu com ele ? Onde estava ? Estava bem ? Se Castiel ficasse no quarto sozinho, não se deixaria em paz e se fosse a festa, talvez seus inimigos não o deixariam em paz. Dean ficou a pensar no que seu irmão disse. Sam tinha razão. Ele não devia se preocupar com o que iriam dizer e pensar. E Meg, quem era ela para falar da vida dele ? Ninguém. Se ela fosse dizer qualquer outra coisa, era só meter um soco na boca dela quando começasse a falar. E durante esses dias que ficou sem Castiel, Dean sentiu e pôde perceber o quanto precisava tê-lo não só por uma noite. Mas sim por dias, meses e anos. Era Castiel quem ele amava. Ele iria ter Castiel, mas dessa vez, para sempre. Estava decidido a fazer o que seu irmão disse, iria se declarar o quanto antes.

A festa começaria às 23:00, pois era um horário bom e não levantava suspeitas. Mas enquanto ainda não dava a hora e o pessoal estava animado e curioso para saber quem era a pessoa especial. E já estava na hora do jantar.

— Eu já falei para não se preocupar, Sam. Você não precisa ir embora tão rápido. 

— Mas Dean, isso foi só uma visita. Eu não quero te causar problemas. Eu já devia ter ido embora.

— Não vai. E o que poderia acontecer ? Eu me viro depois.

— Desculpa me meter, mas já me metendo: não vai ser necessário você ir embora logo. Tá liberado, você ficar aqui essa noite. — Charlie apareceu com Lúcifer na mesa deles. Sam olhou para o irmão e ele estava com uma cara despreocupada, do tipo “Eu adoro essa menina, ela é demais !” 

— Obrigado, ruiva.

— De nada, gente. Foi um prazer.

— Bom, sendo assim… — Sam encarava Lúcifer. — Eu vou… adorar, ficar aqui essa noite. — terminou de falar com um sorriso. Lúcifer sorriu de volta e umedeceu os lábios. Dean não percebeu nada.

— Bom, era só isso. Bom apetite. — Charlie se despediu sorrindo.

— Até mais tarde. — Lúcifer a acompanhou e Sam não tirava os olhos dele. 

— Esse seu amigo, namora ? — Sam perguntou ainda observando ele se sentar.

— Quem, Lúcifer ? — Dean enrugou a testa e olhou para o irmão. — Não. Por quê ? 

— Por nada. Achei que os dois fossem... Comprometidos. — respondeu o grandão e Dean sorriu maliciosamente, mas não disse nada. Castiel resolveu sair do quarto, não podia se privar de viver por causa de uns adolescentes idiotas. E ele já não estava mais aguentando de fome. É, ficou sem comer depois de encontrar aquela louca da Lisa. No caminho, ele encontrou mais alguém para lhe encher o saco. Dessa vez era Ash, ele estava sozinho.

— E aí, do convento ? Você não vai a festa de hoje, vai ?

— Não é da sua conta. É ?

— Okay, mas se eu fosse você, não iria. Vai que acontece outro acidente e você se machuca de novo, né ?! Seria uma pena. 

Então eles pretendiam fazer algo com ele na festa ? Se ele fosse, mas Castiel apenas ignorou. Cacete ! Agora é oficial. Quem mais vai aparecer pra encher o saco ? Adam ? Balthazar ? São os que faltam. E mais uma vez ele pensou no que a louca disse. Ele já estava ficando bem irritado com tantas provocações. Ao chegar no refeitório, ele se sentou com os amigos.

— Aaaah eu não acredito ! Nosso bebê, Lúcifer ! — Charlie parecia retardada. Castiel a olhou sério.

— Pra quê tudo isso ?

— Porque nós te amamos, meu filho.

— Que bom que você veio, Cass. — Lúcifer riu. Charlie entendeu e abriu a boca surpresa.

— O que foi ? — Castiel se sentou, dessa vez de costas para Dean e não reparou que ele estava lá.

— Lúcifer, isso foi obsceno. — Charlie disse e ele riu mais ainda. Castiel ainda não entendeu. 

— Ele te chamou de “Cass”, se você tirar o C, vai ficar “ass”, ou seja…

— Sério, Lucinha ? — Castiel olhou para ele entediado. Lúcifer parou de rir e Charlie que riu agora.

Depois do jantar, Dean e Sam foram para o quarto de Miguel, junto de Lúcifer, os meninos ainda não se viram. Charlie foi com Castiel até o quarto dele e não parava de insistir para ele ir. E chegando lá, ela foi direto abrindo o guarda-roupas dele e pegando algumas e jogando pra ele.

— Charlie por favor, pára.

— Só paro se você disser sim. Aí eu paro. — ela se virou e sorriu provocando. Castiel colocou as roupas na cama e olhou para cima. suspirou e depois respondeu.

— Okay. Eu vou. — disse sério. E a ruiva ficou animada.

— Aaaah, gosto assim. — ela estava sorridente.

— Mas eu não vou ficar muito.

— Não um cacete ! Vamos ver. — ela rebateu irritada e ele riu.

Sam não sabia sobre a festa e queria entender o que eles pretendiam, já que Dean e Miguel estavam conversando seriamente. Lúcifer estava arrumando algumas bebidas e Sam chegou perto dele.

— Quanta bebida. Mas isso não é proibido aqui ?

— Ah, sabe como é: tudo que é proibido é mais gostoso. — Lúcifer disse maliciosamente, mas um tanto inocente. Sam riu e passou a língua nos lábios, fazendo o loiro mais baixo olhar para sua boca.

— Mas então, é que você veio no dia certo. — disse Lúcifer e Sam enrugou a testa. — Nós vamos dar uma festa… E eu queria, muito saber como é que Miguel consegue tanta coisa para festas. Às vezes acho que ele é um contrabandista. 

Sam riu mais ainda com o que o loiro sapeca disse. Ele é uma figura, já conseguiu conquistar o Winchester mais novo, com seu jeito divertido e despreocupado.

— Você quer ajuda ?

— Ah não, eu já acabei aqui. Essa é a última. Obrigado. — Lúcifer respondeu pegando a última garrafa para pôr no frigobar, só que Sam colocou a mão nela também e suas mãos se tocaram. Com o toque, eles ficaram quietos. Sam olhou para suas mãos e riu, mostrando suas covinhas que até então Lúcifer não tinha percebido e esse ficou mais encantado quando as percebeu.

— Sammy, eu tô indo pro quarto, tomar banho. Você vai ficar ou vai descer junto ? — Dean surgiu, deixando os dois sem graça e eles tentaram disfarçar, mas Dean não percebeu nada.

— É… — ele olhou para Lúcifer e o mesmo pareceu assentir. — Eu vou descer também.

— Okay. Até já então, pessoal. — Dean se despediu dos amigos e saiu com Sam.

— Dean, você não vai me apresentar o Castiel ? — Sammy perguntou enquanto desciam.

— Se ele aparecer na festa, sim.

O horário da festa chegou. Todos já estavam prontos e o fluxo de adolescentes subindo e descendo já era mais frequente. A animação era visível em cada um, mas Castiel ainda estava em dúvida. No quarto, decidindo se ia ou ficava. Tá, ele disse que ia, mas foi apenas para Charlie parar de insistir. Ele não estava com ânimo e lembrar do que Ash disse, desanimava mais ainda, mas, ele e os amiguinhos dele que se danem ! Castiel levantou e foi até a porta, parando na hora de abri-la.

— Castiel ? — era Lúcifer. Castiel abriu a porta e Lúcifer o olhou animado. — Charlie conseguiu mesmo, te convencer.

— Cadê ela, afinal ? — perguntou enquanto fechava a porta.

— Tá vindo com Lilith e Ruby.

Ao ouvir o amigo dizer isso, Castiel se deu conta de que não as viu o dia todo. E eles subiram. Castiel estava mais tenso que o normal. Talvez fosse só as preocupações e dúvidas que ele adquiriu no decorrer do dia ? Ah, que saco, não dava pra tirar da cabeça que tipo de tratamento Dean estaria recebendo agora. E quando chegaram no quarto, Dean já estava lá, mas Castiel não percebeu, pois ele estava de costas conversando com Sam e mais alguém.

— E aí, Lucinha ! — Kevin chegou perto deles rindo. — Castiel.

— Oi Kevin. — Castiel riu também.

— Eu vou te matar, Castiel. — Lúcifer olhou para ele sério. — Hello, Kevin Trans.

— Filho da mãe !

Quando Miguel viu que Castiel chegou, foi até Dean.

— Dean. — ele disse próximo do ouvido do loiro, colocando a mão em suas costas. Dean olhou para ele e virou, vendo o seu Castiel. Sam observou a reação do irmão e se aproximou mais dele. 

— Pela sua cara, é aquele baixinho ali ? 

— É, é ele mesmo. — Dean despertou, pois estava admirando aquele sorriso. — Ele veio. — o loiro sorriu.

— Cadê as meninas ? — Lúcifer perguntou. E quando ele viu Dean lá, pensou rápido. 

 — Elas desceram faz um tempo… Já, já voltam. Bom, vamos beber e aproveitar.

— Que bebida você quer, Castiel ? Eu pego. — se ofereceu indo em direção ao “paraíso”, ou seja, o mini bar.

— Qualquer uma. Sendo a mais fraca, melhor ainda. — ele disse meio tímido. Luh e Kevin se olharam. 

 — Ok. Já volto. Kevin, vem comigo. — ele arrastou o moreno de óculos. — Não deixa o Cas ver o Dean…

— Por que não ? — Kevin estranhou e olhou para Castiel parado olhando em volta. 

— Longa história. E eu não vou te contar porque não quero ser fofoqueiro. Mas logo, logo você vai saber do que se trata.

— Aff Lúcifer. Se ferrar.

Castiel sentiu um toque em seu ombro e se virou, encontrando Lilith, Charlie e Ruby, mais bonitas que de costume. Ele sorriu. Jo estava com elas também.

— Oi meninas.

— Eu espero que nessa festa tenha Ouija. Vocês sempre falam que vai ter e nunca tem. — Ruby disse enfatizando a palavra nunca.

— Menina, vai pra Igreja. — Lilith riu com Castiel.

— Como ? Eu não posso sair daqui.

Os meninos voltaram com as bebidas e todo mundo se cumprimentou. Após algum tempo bebendo e dançando, chegaram os três que ainda não tinham aparecido. Eles chegaram lado a lado, como se fossem os “top” do lugar. Tudo estava tranquilo e Castiel esperava continuar assim. Ele não queria encheção de saco e nem brigas. Já foi difícil se convencer a ir e ele só queria um pouco de paz. Chega, né de tanta gente falando merda ? Adam viu Jo junto deles e se sentiu incomodado. Ele passou por eles e esbarrou o ombro em Lúcifer, mas ele não deu atenção.

— Foi mal. Não vi você. — ele disse e fingiu surpresa ao falar com Castiel. — Caramba, tu já melhorou ! Pô, que bom. 

Castiel só assentiu e bebeu mais um pouco de sua Skol Beats Spirit. Ele lembrou mais uma vez das palavras da morena louca e obsessiva — e de Ash também. —, Lúcifer se afastou de Adam e foi pra perto de Jo, ele estava apenas começando.

— Lúcifer, não começa… — Jo sussurrou.

— Relaxa. Tá muito cedo, eu sei. — ele disfarçou e tomou mais um gole de sua Skol Beats Secret. Sam achou estranho Dean não ir falar com Castiel nem nada, aí ele lembrou do que o irmão disse e pensou que teria que se aproximar do moreno por conta própria. E ele foi até o grupo.

— Oi, gente. — Sam se referiu a todos e depois se virou para Castiel. — Você que é o Castiel ? 

Charlie e Lúcifer se olharam assustados. Castiel olhou com cara de “Acho que sim.” e respondeu. 

 — Depende… Quem quer saber ? — ele sorriu.

— Eu sou Sam, irmão do…

— Do Miguel. — Charlie interrompeu, tentando colocar o braço em volta do ombro de Sam. Ele olhou para ela sem entender. 

— Vem cá, Sam… Eu lembrei de uma coisa. — ela disse levando ele consigo e olhou para Lúcifer como se dissesse “faz alguma coisa.” Todos acharam bem estranha a reação da ruiva. 

— Irmão do Miguel ? Por quê ?

— Desculpa, mas o Cas não sabe que o Dean tá aqui e não sabe que você viria. E ele não ia vir se soubesse que seu irmão tá aqui. 

— Mas uma hora eles vão acabar se esbarrando.

— Eu sei e é por isso que você vai me ajudar. — ela fez aquela expressão de quem vai aprontar. Sam virou um pouco o rosto e estreitou os olhos. — Você vai fingir que você e o Dean tem um caso. 

 — Por quê ?

— Causar ciúme no Castiel, talvez ? — a ruiva falou tipo “não é óbvio ?” . — Eles estão de palhaçada, já deviam estar juntos, mas tão de palhaçada.

— Hm, não sei…

— Relaxa. Não precisa ser tão… — ela pensou um pouco. — explícito. Até porque, ele não sabe que você é irmão dele e ver você com ele o tempo todo, já vai deixar o Cas incomodado. 

Sam averiguou a ideia. Ele pensou a respeito. Será que ele devia fazer isso ? Espera, Charlie não disse que não faria ? Ah, ela retomou a ideia por causa de Lisa. Ah filha da… Mãe.

— Tudo bem. Vamos ver no que vai dar. Só espero não piorar tudo.

— Fica tranquilo. Obrigaaada ! — Charlie deu um gritinho.

Já passava da meia noite, Castiel e Dean ainda não se viram. Castiel estava bem distraído com os amigos e se divertindo. Todos já estavam bem mais animados. Começou a tocar "Who Owns My Heart”, Castiel analisou a letra e pensou em seu professor por um segundo. A quem pertencia seu coração ? Aff que pergunta. A Dean, é claro.

— Lisa, você não vai acreditar ! — Meg exclamou para a morena.

— Dean voltou a ser hétero ?

— Não sei. — Meg pensou. — Enfim, o Castiel, estava de papinho com o professor O’Brian e tipo, papo muito íntimo. Até mãos dadas tinha. 

Lisa olhou com cara de “Sério que você tá me falando dele ?” 

 — E daí, não me interessa nada sobre aquele moleque.

— Ai oh sua burra ! — Meg revirou os olhos. — Será que você não percebe ? Você pode usar isso a seu favor, anta. 

A morena parou pra pensar. Hm, Meg tinha razão. Se Dean soubesse que Castiel anda arrastando asa pro professor, não iria querer saber dele mais. E Castiel sabendo que Dean estava com outro já, também não iria querer saber dele. Era perfeito. E só faltava ela se aproximar do loiro novamente, já que ele não tinha ninguém mesmo, pois ela ficou sabendo que Sam e Dean são irmãos. Que pessoal mais filho da p***, como conseguiam ? Ser tão ardilosos e astutos ? Lisa não se conformava mesmo por ter sido trocada. Isso ia dar merda, com certeza. Mais um tempo havia se passado e Castiel precisava ir ao banheiro, então ele avisou aos amigos. Ele avistou Dean com Sam, mas preferiu não falar nada. E o jeito como Sam falava perto do ouvido do irmão, o provocou. 

— Gente, eu vou ao banheiro e depois eu vou lá fora, tomar um ar. Aqui tá muito quente.

— Eu posso ir com você. — Lúcifer disse. — Assim você não cai da escada. — ele brincou e Castiel lembrou de sua primeira festa ali. 

— Obrigado. Eu estou bem. — Castiel disse sério e saiu. Ele saiu e desceu, foi até o quarto dele, usar o banheiro lá. Provavelmente teria alguém no do quarto de Miguel e ele precisava urgente se aliviar. Ele não estava como da primeira vez, já que não colocaram nada diferente em sua bebida. E após usar o banheiro, ele saiu. Encontrando uma noite linda e fresca. O céu tinha algumas estrelas e a lua brilhava meio que azul. Ele desceu as escadas e ficou andando de um lado para o outro, esticando as pernas.

— Castiel. — ele ouviu a voz de Dean lhe chamar. Castiel se virou e o encarou. Dean estava sério, com uma garrafa em mãos.

— Podemos conversar ?

— Eu não tenho nada pra falar com você. — o moreno disse e tentou passar por ele, mas Dean o segurou. Ele fechou os olhos ao ser tocado.

— Então me ouve. — Dean pediu, mas soou um pouco rude. Castiel umedeceu os lábios e se afastou. 

— Acho que… Seu novo namorado ou sei lá o quê, deve querer ouvir você… — o tom de sua voz mostrava que já estava nervoso. Dean não entendeu de primeira, mas depois sim.

— Namorado ? O Sammy ? — Dean riu. — Ele é meu irmão.

— Hmmm, interessante. Já acabou ?

— Dá pra... você parar um pouco de agir como criança ? Cacete ! Eu só quero conversar.

Criança ? Castiel não estava agindo como criança, não mesmo. Ou estava ? Ele ficou irritado ao ouvir isso. Dean e seu jeito bruto. Castiel achou que fosse por conta do álcool, a voz de Dean estava um pouco diferente.

— Tá bom Dean. Fala. — Castiel respirou fundo.

— Eu queria… Me desculpar, por ter sido tão rude com você e idiota… — Dean não estava bêbado, mas estava fingindo. — Eu não devia…

— Pronto ? Tá desculpado. — Castiel tentou andar, mas foi impedido de novo.

— Caralho ! — Dean gritou. — Espera, pelo amor de Deus. Eu não terminei. Castiel, eu… Eu gosto de você.

Castiel olhava para o lado e ao ouvir isso, dirigiu a atenção ao loiro. Será que devia acreditar ? Não. Dean estava bêbado, era óbvio. Anna ia saindo do prédio e ouviu Dean gritar, ela então correu contar para as amigas. 

— Vocês que gostam de confusão. A coisa tá pegando fogo lá fora.

As duas se olharam e saíram com Anna. Charlie e Lúcifer também ouviram e se olharam.

— Dean… — Lúcifer disse. 

— Castiel… — Charlie disse. E eles saíram também. 

No lado de fora...

— Gosto não. Eu... te amo, Castiel… — Dean deu um passo à frente e o moreno recuou. 

— Acho que… Você ainda não bebeu o bastante, para dizer que me ama. Talvez eu acredite em você, se você me disser isso quando estiver sóbrio. Talvez.

— Droga, Castiel ! O que você quer que eu faça ? Han ? Caramba, eu estou me desculpando e me declarando…

Os outros chegaram mas não se meteram. Meg olhou para Anna e soltou.

— Então Anna, o que você dizia mesmo, sobre não ver nada ?

Dean percebeu os outros ao redor, ele soltou a garrafa e abriu os braços.

— Você quer o quê ? Que eu me declare na frente de todos ? Que eu grite para todos que eu te amo ? — ele estava olhando para o céu e olhou para Castiel. — EU TE AMO ! Te amo, como nunca amei ninguém…

— Ih, agora é oficial. — Meg falou para Lisa. Castiel ficou mudo. Ele estava tenso e não acreditava que Dean estava se declarando assim, na frente dos outros. Dean só estava bêbado e quando acordasse na manhã seguinte, agiria completamente diferente. Vendo que Castiel ficou mudo por muito tempo, Dean avançou e o segurou pela camisa. Castiel sentiu medo.

— Me solta, Dean…

— Não, até você falar alguma coisa.

Miguel e Sam desceram vendo que quase todos tinham sumido e Sam quando viu o irmão segurando Castiel, foi até lá.

— Dean, solta ele. — Sam segurou o irmão e tentava soltá-lo. — Dean.

Dean o soltou e se livrou das mãos do irmão.

— Castiel, se você não… Me perdoar e nem… — Dean parou, estava quase chorando e se ajoelhou. — Eu desisto. Desisto de você. Desisto de mim. Desisto de tudo. Da vida. Tudo.

— Caramba, que decadência Winchester. — Meg caçoou. O que ele estava dizendo ? Que se mataria se Castiel não o perdoasse ? O que estava havendo ali ? Castiel não conseguia falar nada, só observava com uma expressão confusa. Sam tentava levantar o irmão.

— Dean, levanta. Chega por hoje, campeão.

Dean olhou para Castiel mais uma vez enquanto se levantava, seus olhos estavam repletos de água. Ele assentiu e uma lágrima desceu. Sam o levou para dentro, para o quarto. Charlie e Lúcifer foram até o moreno. Ele estava imobilizado.

— Tudo bem ? — Charlie perguntou o abraçando.

 

CONTINUA...


Notas Finais


[aaaaaaaaaaaaa]' consegui ! ufa, o spirit travou 3 vezes agr na hora de formatar pelo cel, heuheuh çocooorr quase surtei. E aí ? gostaram ? Ficou muito grande né ? eu falei... bom, eu preciso me acalmar... Até depois... hsuahsuahsauhs


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