História Nicest Thing - Capítulo 24


Escrita por: ~

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Palavras 4.540
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olha quem voltou em plena segunda! Eu mesma, Karol Mello :P

Pois então, queria agradecer às senhoritas por todo o suporte de sempre, e por me incentivarem a fazer algo que eu nem sabia que gostava tanto, que é escrever. Vocês são 10 <3

Boa leitura.

Capítulo 24 - I Just Don't Know What to do With Myself


- Que história é essa de confusão, Piper? – Polly perguntou confusa.

- O Larry disse que, na quarta-feira, no dia que eu supostamente vim ao hospital, houve uma confusão, mais ou menos na hora em que eu estive aqui – Piper explicava a situação olhando atenta para as expressões da amiga.

- Não teve nenhuma confusão aqui – Polly balançou a cabeça em negativo – você sabe que eu amo fofoca, eu seria a primeira a saber disso – reafirmou.

Piper sorriu e balançou a cabeça.

- Por que ele inventaria isso, Pol? – Olhou-a com mais seriedade.

- Porque ele está te testando – Polly respondeu.

- Você acha que ele sabe de alguma coisa? O Larry não é do tipo que esconde fácil se souber de algo – bateu a caneta nos papéis empilhados em sua mesa.

- Não acho que ele saiba, mas ele deve estar desconfiando das suas ausências, das pequenas mentiras... Ele pode ser meio lento, mas o homem não está morto, Pipes – disse recostando-se à cadeira de frente a loira.

- Mas eu sou tão cuidadosa, Polly, as minhas ausências são sempre quando ele não está em casa. O Larry trabalha tanto, ou fica tanto fora de casa, não sei, não acho que ele perceba quando não estou. Não é como se eu estivesse com a Alex todos os dias – falou baixinho.

- Piper, você acha que a sua ausência tem sido só física? Você acha que ele não percebe você sendo mais fria, mais distante, menos interessada nele? – Polly, sempre direta, perguntou à amiga.

Piper a olhou por alguns segundos e abaixou a cabeça, apoiando-a nas mãos.

- Eu não sei até quando eu vou aguentar isso, Pol – disse em meio a um suspiro.

- Piper, você ainda gosta do Larry? Nem que seja um pouco...

A loira demorou um pouco para responder.

- Sim, Polly, eu amo o Larry. Ele é o meu marido, o pai da minha filha, um homem incrível que não me dá motivos para não gostar dele – Piper disse reflexiva, dizendo aquelas palavras mais para si do que para a amiga.

- Como é gostar de duas pessoas ao mesmo tempo? Eu nunca passei por isso – Polly se ajeitou na cadeira e perguntou, curiosa.

- É angustiante – Piper respondeu sem olhá-la nos olhos. – Os dois têm qualidades pelas quais eu sou apaixonada, têm defeitos pelos quais eu sou apaixonada... Eu não sei dizer se viveria com os dois pelo resto da vida mas, apesar de todos os problemas, eu me sinto completa por cada um deles – balançou a cabeça rápido. – Eu sei que o que eu estou falando é ridículo, errado, que eu não posso usar as pessoas para me sentir completa, mas eu me sinto assim, entende? – Olhou para Polly.

- E o fato de ser um homem e uma mulher? – Polly perguntou com um sorriso singelo, era interessante ouvir aquilo.

- Isso é ainda mais tentador – Piper mordeu os lábios singelamente. – Você sabe que eu não tinha nada com nenhuma mulher há muitos anos, mas é... tão... bom – deitou a cabeça na mesa. – Sabe – abaixou o tom de voz e se debruçou sobre a mesa – às vezes eu sinto que poderia passar o dia na cama com a Alex, transando ou não, mas só sentindo o corpo dela colado no meu, sabe? Sentindo a textura – gesticulava com as mãos – o cheiro da pele, do cabelo, a boca macia... – fechou os olhos.

- Ok, chega – Polly fez um careta. – Agorinha você começa a se masturbar na minha frente – levantou a cabeça de Piper com as mãos. A loira sorria da amiga.

- Pol, eu te aconselho a nunca experimentar, você não ia conseguir resistir, nunca.

- Pode ficar tranquila em relação a isso, P. – Olhou para a amiga com um pouco de compaixão, ela parecia completamente perdida. – O que você vai fazer? Uma hora tudo isso vai explodir na sua cara.

- Eu sei – Piper respondeu rapidamente. – Há uns dias, eu tive uma briga meio feia com a Alex, ela pareceu chateada com a minha postura em relação a algumas coisas, eu não sei por quanto tempo consigo sustentar isso.

- Ela quer que você faça a grande escolha?

- Na verdade, não... – ela negou, olhando para baixo. – Ela acha que eu deixo de viver certas coisas com ela por medo de alguém ver a gente, o que é verdade. A Alex nunca me pressiona, sabe? Ela não me pede nada, não me cobra, acho que nós duas sentimos o peso das nossas culpas individuais – olhou para Polly.

- Você precisa tomar cuidado, Pipes, eu conheço pouco a Alex mas, só pelo que você me fala dela, já dá para perceber que ela gosta muito de você, não seria justo machuca-la por causa dos seus medos e indecisões – Polly falou com seriedade, ela conhecia Piper muito bem.

- Eu preferia morrer antes de machucar a Alex de qualquer forma que fosse – disse sentida. – Eu tenho muito medo disso. Às vezes, lá no fundo, eu desejo que a Alex pare de gostar de mim antes que eu faça uma besteira – Polly a olhava atenta. – Ela é uma pessoa tão especial, que mesmo sendo machucada pela vida de tantas formas, não desistiu de amar e de sempre ser a melhor versão dela mesma para as outras pessoas, sabe? Por isso, eu queria que ela não gostasse tanto de mim, eu preferiria sofrer com isso do que saber que eu poderia ser a causa do sofrimento dela – olhou para o lado, sentia seus olhos úmidos.

- Isso é lindo e aterrorizante ao mesmo tempo, acho que não tem mais volta para você, loirinha, a gostosona ganhou esse coraçãozinho – Polly tentou descontrair um pouco, vendo o quão emocional Piper já estava.

Piper sorriu e uma lágrima caiu de seus olhos azuis.

- Eu estou tão fodida, Pol, eu não sei o que fazer da minha vida – disse em meio ao choro misturado a uma risada nervosa.

- Eu também não sei – disse se levantando da cadeira e indo em direção a Piper. – Mas eu vou estar do seu lado, ok? – Disse quando Piper a abraçou na cintura. – Uma hora você aprende – sorriu e passou a mão nos cabelos de Piper, enquanto a outra lhe apertava, se sentindo segura naquele abraço.

 

***

Após alguns dias sem se verem, as duas haviam se afastado um pouco, o que era dolorido para ambas mas, ao mesmo tempo, o orgulho parecia superar tudo aquilo. Alex seguia seus dias cabisbaixa, ciente de que poderia ter estragado seu conto de fadas às avessas com Piper. Um dia, bêbada, ligou para a loira e pediu desculpas pelas exigências, as quais Piper disse que não eram nada e ouviu os lamentos da morena pelo telefone, até que ela dormisse. No final de semana, cansada de toda aquela distância, Piper resolveu que iria tirar a noite para se divertir com Alex, nem que tivesse que implorar. Christine estava na casa dos avós e Larry – que andava estranho com ela nos últimos dias – havia viajado a trabalho.

Alex recebeu a mensagem quando estava na rua, Piper dizia que queria leva-la a um lugar onde as duas pudessem se divertir e esquecer daquela discussão, deixar tudo para trás. Alex sorriu ao terminar de ler, ela não tinha energias para ficar com raiva de Piper por muito tempo e, para ser sincera, estava morrendo de saudades da loira.

- Piper me chamou para sair – foi a primeira coisa que disse ao chegar ao apartamento e encontrar Nicky na sala.

- Huum... Legal – Nicky fez pouco caso de sua notícia e recebeu um dedo estirado como resposta.

- O que eu visto? – Perguntou da cozinha, abrindo a geladeira.

- Algo fácil de tirar – Nicky respondeu distraída, zapeando a TV.

- Nós não iremos transar, vamos sair e nos divertir – a morena disse se sentando ao lado de Nicky, quase em seu colo para lhe provocar.

- E depois vocês vão transar, oras – disse pegando um dos morangos que Alex estava comendo.

- Não vamos – Alex tomou o controle de suas mãos.

- Ok, vocês vão sair para se divertir e esquecer que tem uma vida para resolver, certo? Bem maduro das duas partes – Alex lhe deu um tapa.

- Qual o seu problema hoje? Levou um fora daqueles?

- Eu não levo foras – a loira respondeu olhando para a televisão.

Alex sorriu. – Seu problema é sexo?

- Se for, você resolve para mim? – A loira a olhou movendo as sobrancelhas.

- Claro que sim, você já sabe o preço – piscou para Nicky que lhe deu um tapa na coxa. –Falando nisso, eu contei para a Pipes sobre as nossas aventuras.

- Que aventuras? – Fez uma careta.

- Sexuais – Alex fez uma expressão sexy.

- Sério? Ela não quis cortar a minha cabeça?

- Quis, mas eu consegui amansar a fera – disse com a boca cheia.

- E quando vai rolar um remember? – A loira aproximou-se de Alex e beijou seu pescoço.

- Só nos seus sonhos agora, Nichols – Alex disse empurrando a cabeça da amiga.

- Não queria mesmo.

- Você precisa me ajudar a escolher uma roupa, anda – levantou-se do sofá.

- Você não vai me deixar em paz se eu não fizer isso, não é?

Alex afirmou.

Nicky revirou os olhos e seguiu Alex, sentia-se como uma mãe preparando a filha para o primeiro encontro.

 

***

Para abrir a noite, Piper havia proposto um restaurante. Nada muito luxuoso, queria um local confortável e aconchegante onde pudesse passar um tempo com Alex, de preferência sem encontrar conhecidos e pacientes. As duas não foram juntas, marcaram de se encontrar no local. Piper foi a primeira a chegar, escolhendo uma mesa afastada de toda a movimentação central do lugar.

Alguns minutos depois, Alex chegou e foi conduzida até a mesa por um dos recepcionistas do local. Piper iluminou-se ao ver a morena que lhe deu um sorriso tímido, ela trajava uma calça de couro preta e uma blusa da mesma cor, justa com uma transparência acima dos seios, seus cabelos negros estavam presos em coque e alguns fios caiam ao lado de seu rosto, contrastando com sua pele clara. O batom vermelho na boca da morena fez Piper aguar de tanta vontade de lhe beijar. Alex, é claro, percebeu o olhar carregado que a loira lhe lançava, e não retribuiu com menos entusiasmo, ela sempre sentiria aquele velho friozinho na barriga ao ver Piper.

Quando o recepcionista a deixou, Piper se levantou e lhe deu um abraço forte, sentindo seu cheiro amadeirado, Alex também aproveitou o abraço, se sentindo segura, como se mais nada no mundo importasse.

Piper, mesmo receosa, finalizou o abraço com um beijo singelo, o que surpreendeu Alex, e logo as duas se sentaram, frente a frente.

Como recém conhecidas, ficaram se olhando por alguns segundos, sem graça, e logo Alex sorriu.

- Ok, Pipes, a gente vai ficar aqui sentada fingindo que não se conhece ou o que? – Descontraiu.

- Desculpe – Piper sorriu também. – Só estava observando o quanto você é linda – abriu um sorriso para a morena.

- Sei – disse irônica, tomando um gole do vinho da taça de Piper.

- Vamos pedir uma taça para você – Piper disse olhando, atentamente, para a boca da morena.

- Eu não posso beber da sua? – Disse quando terminou de beber.

- Claro que pode, mas é mais confortável se nós tivermos duas – sorriu e tomou a taça da mão de Alex, aproveitando para tocar em sua mão.

- Certo – Alex concordou com a cabeça.

As duas conversaram por alguns minutos, beberam a garrafa de vinho inteira e comeram o indicado por um dos garçons, que foi aprovado pelas duas. Evitando desentendimentos, conversaram sobre assuntos aleatórios, sobre o dia que Christine havia passado com Alex e sobre as pessoas que entravam e saiam do restaurante. Momentos como aqueles provavam, para as duas, como elas se entendiam bem, não apenas romantica e sexualmente, mas como amigas, confidentes, como boas companhias.

- Alex, me desculpa por ser incompreensiva com você. Você é uma mulher que merece o mundo inteiro, e eu sinto muito não poder te dar tudo o que você merece – Piper disse pegando Alex de surpresa.

- Piper, eu não sou tudo isso que você fala. Eu tenho muitos defeitos, e eu entendo que nem tudo pode ser do meu jeito – Alex disse sincera.

- Me desculpa pelo meu medo, por não conseguir me entregar da mesma forma que você – Piper olhou nos olhos da morena.

- Piper, eu não sinto que você não se entrega tanto quanto eu, eu só sinto que você tem medo dos outros e de você mesma – pausou por alguns segundos. – Eu não sou o seu problema, o seu problema são as coisas que se passam por essa cabecinha – sorriu levemente e bebeu mais um gole de vinho.

- Eu sei. Me desculpa por ser assim – Piper disse com uma expressão triste.

- Essa frase é minha – Alex disse divertida.

- Alex... – Piper negou e suspirou. – Você é maravilhosa e precisa entender isso. Eu tenho medo disso – olhou para baixo – e de todo o resto. Você pode e deve pensar bem sobre essa coisa que nós temos – olhou para Alex.

- Piper – Alex pousou a taça na mesa, vagarosamente – você tem medo, mas eu não tenho. E eu não vou estragar tudo isso por conta do seu medo. Essa é a primeira vez, em muito tempo, que eu me permito viver, sentir, deixar acontecer. A probabilidade de eu sair disso com o coração partido é alta, mas eu não vou deixar de viver por medo – ela dizia séria, alternando o olhar entre a taça de vinho, na qual passava as pontas dos dedos, e Piper, que nem piscava, prestando atenção no que ela dizia. – Você sabe o que eu sinto por você, e que eu ainda não consigo falar por medo de não ser correspondida.

Piper balançou a cabeça e tentou dizer alguma coisa, mas Alex a interrompeu.

- Sabe, Piper, depois da Jennifer, eu tive muito medo de amar, de sofrer, de me machucar. Mas, mesmo que talvez você não se sinta da mesma forma, você me ensinou que o amor vale a pena – Alex a olhou timidamente, enquanto o coração de Piper parecia que iria pular pela boca a qualquer momento. – No final disso tudo, eu posso morrer de tanto amar – olhou para cima, tentando segurar as lágrimas – mas valeria a pena, cada segundo valeria a pena – olhou nos olhos de Piper, suas esmeraldas brilhavam, tentando segurar a lágrima teimosa e solitária que insistiu em percorrer seu rosto.

Piper, delicadamente, secou a lágrima que escorreu pelo rosto de Alex. Ela sentia tanta ternura por ela naquele momento, queria poder tirar toda sua dor com as mãos.

- Um dia – a loira falou e pausou, engolindo seco. – Um dia eu vou estar pronta para tudo isso, para o pior ou o melhor. Eu não posso pedir que você espere pelo meu tempo, mas eu prometo me esforçar – olhou para o rosto avermelhado de Alex.

Alex não falou nada, apenas sorriu, e aquilo era suficiente para Piper.

- Sabe o que eu quero? – A loira respirou fundo e olhou para os lados.

- O que?

- Sair daqui, ir para algum lugar onde eu possa dançar, beber e estar com você – ela disse com um sorriso e os olhos fechados, logo abrindo e encontrando o olhar surpreso de Alex.

- Hoje as decisões são suas, eu estou como acompanhante – Alex se acomodou na cadeira, levantando uma sobrancelha para Piper.

Após pagar a conta, as duas saíram do restaurante e Piper fez questão de segurar na mão de Alex, que ficou surpresa com todo aquele comportamento. Seguiram até o ponto de táxi, onde esperaram por alguns poucos minutos, e Piper apoiou a cabeça no ombro de Alex, que lhe deu um beijo em seus cabelos e sorriu, vendo que a loira estava se esforçando para fazê-la se sentir melhor.

Quando conseguiram um táxi, Piper disse que iria levar Alex a um local que ela mesma havia escolhido mais cedo. Alex ficou curiosa, mas Piper disse que não revelaria até que elas chegassem. No táxi, as duas trocaram alguns beijos, nada muito chamativo, sendo acompanhadas pelo olhar curioso do taxista, o que logo irritou Alex, que por pouco não arranjou uma confusão no carro.

Ao chegarem ao local, Alex riu. Piper havia escolhido um dos locais mais gays da cidade, frequentado majoritariamente por homens, homens mais velhos, diga-se de passagem. Ao desceram do carro, Piper olhou um pouco surpresa para o público da festa, assim como as duas também receberam olhares curiosos.

- Pipes, só tem bicha velha nesse lugar – Alex disse encarando alguns homens que a olhavam.

- Olha o palavreado, Alex – Piper a advertiu e Alex riu. – Deve ser divertido, meu bem – fez uma carinha pidona.

- Com certeza, é super divertido – Alex sorriu para ela e olhou para as pessoas em frente à casa de shows.

- Vamos entrar. Eu disse que quero beber, dançar, e ficar com você, não importa o resto – disse puxando Alex pelo braço.

Quando conseguiram entrar, Piper seguiu diretamente ao bar, pedindo um drink de frutas vermelhas, o que fez com que Alex risse dela, dizendo que aquilo era bebida de menininha. A morena, por sua vez, escolheu uma cerveja.

Piper não estava brincando quando disse que queria beber. Bebeu três drinks de uma vez, sem pausas, e logo ficou bastante alegre. Alex também não estava exatamente sóbria, mas com certeza estava mais consciente que Piper, que dançava, divertida, a puxando para a pista.

- Vem, Al, eu adoro essa música – gritou no ouvido da morena.

- Eu duvido que você conheça essa música – Alex brincou com ela e a loira retribui com um tapa em sua bunda, aproveitando para puxá-la e lhe dar um beijo de verdade, que estava desejando desde o começo da noite. Alex retribuiu e as duas se envolveram no beijo quente, molhado e sexy, atraindo o olhar de algumas pessoas ao redor.

- Acho que eu manchei o seu batom – Piper disse quando as duas terminaram, sem ar, e se olharam sorrindo.

- Na verdade, você roubou ele todo para a sua boca – Alex disse divertida.

Piper a abraçou e colocou a boca em seu ouvido. – A gente pode transar no banheiro? – Gritou.

Alex sorriu e olhou para o rosto cheio de expectativa da loira.

- Não – disse lhe dando um selinho.

- Por que não? – Ficou triste.

- Porque nós não precisamos disso, Piper, nós não somos adolescentes – colocou seu cabelo atrás da orelha, enquanto a loira a abraçava pela cintura.

- Mas nós já fizemos isso – disse relembrando a vez em que transaram no banheiro de um salão de festas.

- E é suficiente, você não acha?  Além disso, era um contexto diferente.

- Ok, você venceu – colocou as mãos para cima.

- Agora eu quero dançar – afastou-se de Alex, segurando em sua mão e girando – com você – disse voltando para perto da morena que mantinha sua pose.

- Então vamos dançar – abraçou a loira por trás e lhe deu um beijo no pescoço, o que a deixou arrepiada.

As duas dançaram bastante, Piper bebeu ainda mais, mesmo com os protestos de Alex. A bebida a deixava mais solta, mais leve, e a morena bem que gostava de ver aquilo. Após trocarem outro beijo cinematográfico, foram interrompidas por um rapaz que disse que elas eram “as lésbicas mais lindas que ele já havia visto”, que deveriam estar em um filme ou algo do tipo.

- Vocês são tão lindas, eu quero beijar vocês – o rapaz disse animado, ele era mais baixo que as duas e Alex achava graça de tudo aquilo, enquanto sentia Piper um pouco mais retraída.

- Vem cá – Alex lhe puxou pelo ombro e lhe deu um selinho, e o rapaz ficou todo feliz.

- Também ganho um de você? – Perguntou a Piper.

- Não, e se você beijar a minha garota de novo, você vai ver – disse séria, arrancando uma gargalhada de Alex e um olhar assustado do garoto.

- Desculpa, eu sou mais gay do que vocês duas juntas, não sou ameaça – colocou as duas mãos para cima.

Piper manteve seu olhar penetrante, sem se mover, o que afastou o garoto na mesma hora.

- O que foi isso, Pipes? – Alex perguntou, segurando o riso.

- Da próxima vez que você beijar um homem na minha frente, eu vou bater na sua cara – disse com as mãos na cintura, Alex não se aguentava.

- Você sabe que eu só gosto de tapa na cama, e nada de estragar esse rostinho – falou chegando perto de Piper, encostando o corpo ao dela.

- Eu sei – Piper logo abriu um sorriso e lhe abraçou, lhe dando um selinho.

As duas dançaram mais um pouco, já estavam suadas, mas era revigorante a sensação de liberdade que sentiam ali.

- Sabia que você está dançando de uma forma muito sexy? Eu estou ficando excitada – Alex disse no ouvido de Piper. A loira apenas sorriu, fazendo questão de encostar mais ainda o corpo no da parceira.

Tarde da noite, já cansadas, sentaram-se em um sofá que havia em um local um pouco mais afastado. Trocaram alguns beijos, riram de qualquer besteira, até que Piper viu algo que mudou o seu humor na mesma hora.

- Pipes, o que foi? – Alex disse procurando o que Piper olhava.

- Aquele cara – apontou discretamente. – Esse grisalho de camiseta verde – descreveu-o até que Alex o enxergasse.

- O que é que tem? – A morena perguntou desinteressada.

- Ele é médico, lá do hospital! Eu não sou próxima dele, mas ele já falou comigo algumas vezes – cochichou, torcendo para que o homem não a visse.

Alex assentiu.

- Alex, eu preciso me esconder – falou rápido, virando o rosto. Alex irritou-se.

- Por que, Piper? Você não precisa falar com ele.

Piper negou e puxou Alex para que ela se sentasse em seu colo. Contrariada, Alex ficou na posição, sentindo Piper esconder o rosto atrás de suas costas.

- Ele é casado, Alex, e ele está com um homem! Olha isso! Eles vão se beijar – dizia apertando a barriga de Alex, olhando o homem escondida.

- Um médico que tem um caso homossexual às escondidas, que surpreendente – Alex falou virando para olhar Piper, que revirou os olhos.

- Não é hora de brincadeira, Alex! Seria péssimo se ele me visse aqui! Ele é mais próximo do Larry, seria terrível! – Falou desesperada.

Alex respirou fundo, é claro que algo atrapalharia a noite supostamente dedicada às duas. O homem não demorou muito por ali, saiu de mãos dadas com o parceiro.

- Posso levantar agora?

Piper a soltou e a morena ficou de pé.

- Vamos embora?

- Não – Piper falou com voz de choro.

- Imagina se você encontrasse outro colega de trabalho por aqui, seria uma tragédia – Alex colocou uma mão na cintura e passou a outra nos cabelos.

- Por favor? – Piper insistiu.

Alex não falou nada, apenas a olhou e Piper levantou, abraçando-a.

- Desculpa.

- Vamos embora – Alex disse saindo do local, sendo seguida pela loira.

As duas seguiram para o apartamento de Alex, praticamente caladas. Não que Alex fosse ficar com raiva daquilo, mas não era nada agradável ter que se esconder em qualquer local que as duas fossem. Piper, para ser sincera, ainda estava muito bêbada para balancear quem tinha razão e quem não tinha.

Ao chegarem, Piper se jogou na cama, exausta, e ficou olhando Alex se despir em sua frente. Geralmente ela preferia despir a morena ela mesma, mas também era bastante sexy observá-la tirar cada peça de roupa de maneira sensual, mesmo que inconscientemente.

- Você estava linda hoje – disse distraída com o corpo de Alex.

- Obrigada – Alex a olhou. – Você também estava – sorriu sem muita empolgação.

Quando terminou de retirar o sutiã, Alex sentiu a loira lhe abraçar por trás. Ela estava sentada na beira da cama e Piper se arrastou até ali para tocá-la.

- E aqui? A gente pode transar? – Apoiou o rosto no pescoço de Alex e perguntou baixinho.

- Não – respondeu tirando as mãos atrevidas de Piper de seus seios.

- Por que não? – A loira perguntou, decepcionada.

- Porque eu não estou com vontade – disse sem muito humor.

- Eu estou estragando tudo, não estou? – Perguntou dando um beijo nas costas nuas de Alex.

- Não, Piper, eu só não estou com vontade de transar hoje, tudo bem? – Virou a cabeça para tentar olhar para a loira.

Piper se afastou um pouco e Alex se levantou, prendendo novamente o coque que havia se soltado de seus cabelos. Piper se aproximou de seu corpo e, sentada na beira da cama, a abraçou pela cintura.

Alex olhou para baixo e passou a mão em seus cabelos macios, sentindo sua respiração quente em seu ventre.

- Nós podemos conversar? Eu não quero que você durma com raiva de mim – olhou para cima, ainda abraçada a ela.

- Eu quero tomar um banho, Pipes, nós podemos conversar amanhã.

- Então a gente pode transar hoje? – Abriu seu melhor sorriso, que inevitavelmente causou o mesmo efeito em Alex.

- Não – disse com firmeza.

- Não é justo você usar essa calcinha de renda tão linda e eu não poder tirar – disse olhando para a única peça remanescente no corpo de Alex. – Sem contar que eu estou tão bêbada, você poderia propor qualquer coisa e eu aceitaria – deitou-se na cama novamente, olhando a morena de pé a sua frente.

- Nós teremos outras oportunidades – Alex disse e saiu dali, rumo ao banheiro.

Quando terminou, lutou um pouco e conseguiu convencer Piper a também tomar um banho, com a sua ajuda, claro.

Quando conseguiram ir para a cama, Piper já estava quase sóbria. Surpreendentemente, seu sono a abandonou, dando lugar a vários pensamentos que percorreram sua mente. Imagens do passado, do futuro, principalmente do passado, martelavam em sua memória, principalmente ela, aquele nome que, inevitavelmente, a acompanharia pelo resto da vida.

Abraçou Alex com força, deu alguns beijos em seu pescoço, na tentativa de que ela acordasse, e nada. A morena dormia como uma pedra. Pensou que aquilo, talvez, fosse um sinal para que ela esquecesse daquilo e fosse dormir. Ao mesmo tempo, pensou que seu estado meio sóbrio, meio bêbado, era perfeito para que ela falasse tudo aquilo. Ela devia aquilo a Alex, e não deixaria o momento passar.

- Alex? – Mexeu no ombro da morena que murmurou alguma coisa.

- Alex, acorda, por favor – insistiu.

- Por Deus, Piper, o que foi? – Alex virou a cabeça com dificuldade, irritada.

- Eu tenho que te contar uma coisa.

- Me contar uma coisa? Isso é tão importante assim? Não pode esperar até amanhã? – Alex disse com a voz de sono.

- Não. Não pode. Eu preciso que você acorde – Piper parecia séria.

- Certo – Alex se sentou na cama e ligou a luz do quarto.

- O que eu vou te contar, é parte da minha história – Piper disse sentada, mexendo com as mãos. – Talvez, a parte mais importante e que mais te interesse, e que pode definir o nosso futuro daqui para frente – a loira disse olhando nos olhos da mulher que parecia curiosa e amedrontada, ao mesmo tempo. 


Notas Finais


:*


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