História Nictofilia - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias One Direction
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Harry Styles, Lobisomens, Magia, Peeira, Romance
Exibições 108
Palavras 3.601
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Escolar, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Vocês estão prontas crianças?
ESTAMOS CAPITÃO!
Eu não ouvi direito...

Capítulo 6 - Cruel


It's such a cruel world, Savin' all my love for you, girl • É um mundo cruel, estou guardando o meu amor por você, garota

— Você está falando sério? — foi a única coisa que consegui perguntar enquanto analisada a peça que minha mãe segurava.

— E parece que eu estou brincando? — ela franziu a testa e empurrou o cabide em meu peito. — te dou meia hora para estar pronta, as pessoas estão chegando. — informou deixando meu quarto em seguida. Suspirei pesadamente e me virei para frente do espelho. A roupa se tratava de uma fantasia com asas e um vestido que alcançava um pouco acima dos meus joelhos, tudo da cor branca com detalhes florais. Era uma fada. Ri com tamanha ironia do destino. O toque do meu celular ecoou, joguei a peça sobre a cama e peguei o aparelho.

A foto de Savannah brilhava na tela, mesmo hesitante deslizei o dedo pela tela cancelando a chamada. Passei os últimos três dias ignorando a loira. Minha mãe me proibiu de ir à escola, de ir a Savannah, de ir comprar pão e qualquer outra coisa que exija minha presença fora de casa. Lembra que eu disse que minha mãe era um pouco paranoica? Pois é, eu não estava exagerando. Se bem que a última coisa que eu queria no momento era ver Savannah. 

Não é como se minhas visões houvessem acabado, elas ainda acontecem, mas por algum motivo com menos frequência... Às vezes tenho a impressão de que vejo o que ele quer que eu veja.

Entrei no banheiro e encarei os livros amontoados em cima do cesto de roupa suja. Depois que Harry foi embora minha mãe fez questão de me dar esses livros com todas as antigas lendas, que de lendas não tem nada. Entrei no chuveiro após me despir e tomei um banho rápido antes que minha mãe batesse na porta me apressando. Depois de limpa me vesti, passei uma maquiagem clara e vesti minhas sapatilhas brancas. Dei uma última olhada no espelho antes de apagar as luzes do quarto e descer as escadas.

Halloween, também conhecido como Dia das Bruxas é uma celebração popular de culto aos mortos. A noite sagrada de 31 de Outubro onde os mortos vagam pelas ruas... Ou, onde as crianças se fantasiam de seres mágicos e saem em busca de doces ou travessuras.

Minha casa estava repleta de enfeites toscos como abóboras com rostos, bruxinhas penduradas, teias de aranha nas portas e o cheiro de comida exalando para todos os lados. Todo ano era assim, por algum motivo minha mãe amava o Halloween e fazia uma grande festa para a vizinhança. Todos levavam algo e meu quintal ficava cheio de gente velha fantasiada como se ainda fossem adolescentes.

— Você está linda! — Minha mãe elogiou enquanto passava por mim segurando uma bandeja. — Ajuda seu pai a trazer o resto das coisas? — pediu e eu apenas assenti seguindo em direção a cozinha. Ele estava tentando equilibrar duas travessas e sorriu ao me ver. Meu pai estava vestido de enfermeiro e minha mãe de policial, acho que alguém trocou de papel, não é mesmo?

— Hm...— meu pai franziu a testa e eu revirei os olhos pegando uma das travessas de suas mãos.

— Sem comentários. Eu sei que é muita ironia para pouco pano. — suspirei pesadamente deixando a cozinha e ele me acompanhou.

— Eu não disse nada! — exclamou e eu apenas o encarei e ri.

— Lottie! — Savannah abriu os braços parada próxima ao batente da porta com um enorme sorriso no rosto. Seus olhos pararam nas asas presas em minhas costas e ela franziu a testa. — Você é uma... fada? — ela torceu o nariz e eu abri um sorriso irônico ajeitando a travessa razoavelmente pesada em minhas mãos.

— Boa noite Sav, está linda! — meu pai elogiou beijando o topo de sua cabeça e passando por nós. A loira usava um vestido branco simples e bonito, mas em sua cabeça havia enormes orelhas de coelho e em seu rosto uma maquiagem que realçava seus olhos azuis.

— Obrigado, Michael. — agradeceu sorridente e voltou sua atenção à mim. — Isso é...

— Irônico? Cômico? Realmente, não acha? — aumentei meu sorriso falso sentindo meus braços ficarem quentes com o calor da travessa.

— Ironia? — ecoou e eu revirei os olhos.

— Por favor, me poupe do seu teatro e eu lhe poupo de perder seu tempo. Minha mãe já me contou tudo. — passei por ela entrando no enorme jardim, ouvi ela resmungar um “droga” e o som de seus passos atrás de mim.

— Lottie... — deixei a travessa em cima da mesa bem arrumada e me virei. 

— O que? Vai pedir desculpas por não me contar que você não é minha amiga e sim a garota que bisbilhota minha vida ou vai pedir desculpas por não me contar que eu sou uma fada dos lobos? Talvez você queira se desculpar por esconder toda a minha vida de mim... Talvez não, talvez você nem queira se desculpar. — dei de ombros e cruzei os braços. A loira estava sem reação, sem fala. Ela não sabia o que responder. Olhei ao redor notando que alguns olhares estavam sobre nós, mas não me importei muito com isso. Estávamos um quanto afastadas das pessoas.

— Eu sempre fui sua amiga, sua melhor amiga...

— Você sempre foi minha melhor amiga? — indaguei em um tom mais alto. Meu coração deu um pequeno pulo dentro de mim, cravei minhas unhas na palma da mão e dei um passo à frente. — Melhores amigas não mentem, não escondem coisas, nãos se fazem de sonsa, não te passam para trás! Melhores amigas de verdade não estão com você por dinheiro, por interesse! — gritei no máximo que minha voz foi capaz de alcançar.

— Melhores amigas protegem, cuidam independente de qualquer coisa! — no canto de seus olhos havia uma lágrima prestes a cair.

— Sim, mas não fazem isso recebendo dinheiro. — engoli a seco e seus olhos abriram um pouco mais permitindo que a lágrima escorresse por seu rosto bem maquiado.

— O que está havendo aqui?! — Minha mãe chegou gritando e nos encarando. — As pessoas estão olhando, Charlotte!

— Você acha que eu me importava com dinheiro quando tinha nove anos? — indagou em um fio de voz e eu molhei os lábios piscando algumas vezes.

— Eu acho que você foi manipulada a ser minha amiga. — ri nervosamente e revirei os olhos. — eu nem sei por que acreditei nisso, você, uma garota super popular na cidade melhor amiga da esquisita e pior, — encarei minha mãe que me olhava sem expressão. — minha mãe aceitar isso.

— Ela queria o seu bem e eu também! — Savannah exclamou tentando secar as lágrimas sem borrar sua maquiagem.

— Ótimo! Eu pareço bem agora? — Indaguei encarando as duas. — vivi dezesseis anos achando que minha vida era maravilhosa e o que meu único problema eram os pais super protetores e de repente descubro que lobisomens existem, que eu sou uma fada dos lobos, que minha mãe também, meu pai é um caçador e minha melhor amiga na verdade foi subornada desde os nove anos de idade para ser minha melhor amiga para saber o que eu faço quando estou sozinha! — ri nasalado. — É, eu realmente estou muito bem agora. — passei por elas e antes que eu me afastasse muito ele passou pela porta de entrada atraindo a atenção de todos acompanhado de uma garota magrinha. Ela ajeitou os óculos e o moreno empurrou suas costas para que andasse.

Cochichos surpresos inundavam a casa como em um pesadelo anterior “Aquele é Harry Styles?” “O que ele faz aqui?” “Se ele ficar aqui, eu vou embora...” “Então o irmão de Gemma está mesmo vivo?” por algum motivo aquilo me incomodava.

Sua pose era despreocupada, uma das mãos estavam no bolso, o cabelo estava solto e bagunçado, seus olhos varriam o quintal e seus trajes eram totalmente escuros. A garota ao seu lado parecia desconfortável, ela estava usando uma fantasia de carneiro e isso me incomodou, eu entendi a piada interna. Ele sorriu ao me encontrar e veio em minha direção desfilando em meu quintal enquanto arrastava a garota ao seu lado pelo braço.

— O-o que você está fazendo aqui? — Questionei tão baixo que não me surpreenderia se ele não ouvisse. Encarei a garota que parecia assustada ao seu lado, ela me olhava com um desespero contido.

— Vai embora daqui, Styles! — minha mãe o expulsou e ele sorriu para ela sem mostrar os dentes.

— Você convidou a cidade toda, Di Angelo. O que me impede de comparecer? — questionou debochado o que fez minha mãe rir sem humor.

— Isso só pode ser piada.

— Calma, vou dar um recado rápido e aí vocês decidem o que irão fazer. — ele me encarou em seguida e puxou a garota para frente. — Essa é a... — ele a encarou. — Como é mesmo o seu nome, querida?

— Olivia. — respondeu em um fio de voz.

— Olivia! A doce Olivia é minha convidada de honra. — ele sorriu maroto.

— O que você quer, Styles? — minha mãe cruzou os braços nervosamente. Ele se limitou a apontar o céu.

— Lua cheia, querida. — voltou a sorrir. — você tem até meia noite para decidir se posso levar Charlotte comigo. — ele me encarou e eu dei um passo para trás. — Você tem até meia noite para decidir se vai comigo ou não. — e então levou suas mãos para trás do corpo.

— Não venha com esse joguinho para cima de mim, Styles. Não hesitarei em meter três balas de prata em sua testa assim que se transformar. — minha mãe rosnou em um sussurro com medo que alguém ao redor ouvisse nossa estranha conversa.

 — Na minha testa eu sei que não, mas diria o mesmo se eu estivesse se referindo à Olivia? — ele fez uma careta e eu encarei a garota de cabelos castanhos ao seu lado. Ele puxou seu braço e tirou o cabelo da garota de seu pescoço. — A doce, ingênua e inocente Olivia morre pelas mãos da cruel Isobell Di Angelo! — ele gargalhou soltando a garota. Seu pescoço estava com uma enorme marca de uma mordida humana.

— Como você foi capaz? Sabe a quantos anos a sua família não passa a maldição para à frente?! — minha mãe perguntou com os olhos marejados, sua expressão era de decepção. Ele se inclinou para frente tentando ficar de sua altura, afinal ele era bem mais alto que nós duas.

— Eu vou fazer o que você é incapaz de fazer, custe o que custar. — ele falou em um tom baixo e ameaçador.

— Fazer o quê? — indaguei receosa atraindo sua atenção. Ele ficou em silêncio alguns segundos e molhou os lábios ajeitando sua postura e jogando seus cabelos para trás.

— Te contar a verdade, coisas que você precisa saber e que ela não tem coragem de te contar. Quer me fazer o vilão da história? Ótimo! Eu serei o vilão da história, isso não é um problema muito grande. — ele encarou a garota ao seu lado e sorriu. — vai beber alguma coisa, aproveita a festa, querida. — aconselhou sorrindo para à garota que o encarava assustada. — Agora! — ordenou atraindo alguns olhares nada discretos pelo jardim. A garota tremeu e em seguida andou apressada em direção a mesa de comidas e bebidas. Ele subiu o olhar em minha direção e me analisou dos pés à cabeça, esticou a mão e tocou a asa de minha fantasia. Sorriu fraco e isso fez com que meu corpo se arrepiasse pela aproximação.

— Não toca nela! — minha mãe exclamou empurrando sua mão para longe de mim. Ele a olhou com desdém enquanto eu analisava os traços de seu rosto.

— Tia, quer que eu chame o Michael? — Savannah questionou preocupada e eu a encarei.

— Cuida da sua vida, Savannah. — foi o que eu disse antes de sentir meu braço ser empurrado.

— Você vai entrar e deixar para mim e seu pai resolver isso! — ela ordenou me empurrando para dentro e eu não questionei. As pessoas encaravam a cena intrigados e algumas pessoas até cogitavam em voz alta a ideia de ir embora.

— O que está havendo aqui? — Meu pai perguntou e eu suspirei sentando nos degraus da escada.

— Harry está aqui. — minha mãe explicou tirando o gorro de policial.

— O quê? — O homem mais velho questionou olhando pela porta aberta. — eu vou resolver isso e vai ser agora.  — meu pai ameaçou subir as escadas e minha mãe segurou seu pulso.

— Ele trouxe uma refém. — ela suspirou. — se matarmos ele, não tem volta para a garota. Hoje tem lua cheia e isso significa que temos pouco tempo. — ela explicou e meu pai franziu a testa.

— O que ele quer? — indagou sério e minha mãe me encarou.

— Ele quer levar ela. — respondeu e voltou a me encarar.

— O que?! — meu pai gritou e ameaçou sair, mas minha mãe o impediu pela segunda vez.

— Fica calmo, vamos dar um jeito. — tentou o acalmar. — Enquanto isso... Charlotte vá para seu quarto e fique lá até eu dizer que você pode sair. — minha mãe pediu séria e eu apenas assenti me levantando.

— Como quiser. — dei as costas e subi degrau após degrau sem pressa. Entrei na porta de meu quarto e me joguei sobre o colchão. Eu não estava tão assustada com a situação quanto deveria. Eu estava irritada com o fato de todos me privarem de me defender. Me sentia uma invalida, incapaz. Permaneci encarando o teto por um longo período de tempo, as vezes tinha a visão de Harry falando com os convidados e por curiosidade levantada e caminhava até a janela o procurando pelo quintal e todas as vezes (sem exceção) que eu o encontrei, ele me olhava com um meio sorriso e as mãos no bolso e por impulso eu me escondia.

Isso foi se tornando tedioso, a quanto tempo eu estava ali? Faltava pouco para meia noite, o meu celular indicava mais de dez horas e eu ainda estava ali sem notícias de ninguém. O que eles estavam preparando? Como iriam resolver isso? Será que eles esqueceram que é sobre mim isso? Bufei me levantando. A verdade é que eu estou cansada de não poder opinar na minha própria vida. Desci os degraus, a casa parecia mais cheia.

Haviam rostos conhecidos por todo o lado, algumas crianças corriam pelo lugar brincando de algo aparentemente divertido. Da porta eu podia ver Harry segurando um copo enquanto conversava com Jessie, uma loira oferecida que se gabava na maior parte do tempo por fazer parte da equipe de maquiadores de uma emissora de TV famosa. Seus olhos cruzaram o meu e ele levou o copo até os lábios sem perder o contato visual e em um canto mais afastado estava Olivia sentada encarando seu copo que parecia estar bem interessante.

— O que diabos você está fazendo aqui? — Savannah indagou puxando meu braço, revirei os olhos.

— Sério que vai voltar a fingir que se importa? — questionei franzindo a testa.

— Sobe, Charlotte. — pediu tentando me empurrar ignorando meu comentário.

— Pelo amor de Deus, me solta Savannah! — empurrei seu braço.

— O que vai acontecer aqui você não vai querer ver, sobe. — murmurou olhando em meus olhos. Apesar de tudo, eu sentia tanta sinceridade transparecer dela que me causava um leve calafrio na espinha. — Por favor... — Insistiu.

— O quer vocês vão fazer? — questionei séria e ela olhou para trás mordendo o lábio. — Savannah! — gritei e ela me encarou. — Onde estão meus pais? — questionei olhando ao redor.

— Eles... — ela suspirou e cobriu o rosto com as mãos.

— Eu sou importante para você? — questionei e ela afastou as mãos do próprio rosto para me olhar.

— Lottie...

— Sou ou não sou Savannah?! — gritei novamente a fazendo dar um curto pulo para trás.

— É, você é minha melhor amiga, droga! — olhou para trás assustada, algo estava prestes a acontecer e isso estava me irritando.

— Então para de tentar me privar de participar da minha própria vida, tomar minhas decisões, cometer meus erros! Pare de me tratar como se eu fosse uma criança que não sabe como atravessar a rua sozinha! — retornei a gritar e ela secou os olhos sutilmente enquanto negava com a cabeça.

— Por favor, sobe Charlotte... Eu... Eu não posso te falar nada... — ela pediu olhando outra vez para trás enquanto fungava.

— Se pedir outra vez, eu vou subir. — engoli a seco e ela me olhou por alguns segundos esperando a continuação. — E eu só vou te pedir uma coisa em troca. — cruzei os braços, eu sei que eu não deveria usar chantagem psicológica, mas por algum motivo, algo dentro de mim gritava que isso era o mais correto a se fazer. — Quero que você suma da minha vida, como duas estranhas que nunca compartilharam segredos. — molhei os lábios e ela arregalou os olhos assustada.

— Droga, Charlotte! — ela exclamou jogando seu cabelo para trás. — Se eu te contar o que... — ela engoliu a seco e olhou novamente para trás antes de continuar. — Você promete para mim que vai subir? — mordi o lábio e joguei a mão para trás do corpo cruzando os dedos, assenti freneticamente e ela suspirou aliviada. — Certo... Talvez você não entenda, mas é a única solução... É o sacrifício de um por toda uma cidade. — ela começou e eu uni as sobrancelhas, um sacrifício? Iriam matar o Harry?

— Vocês vão matar o Harry?! — questionei irritada e ela suspirou pesadamente.

— Vamos matar os dois, Charlotte. — ela explicou e dei um passo para trás.

— Vamos? — indaguei confusa e foi a vez dela morder o lábio. — Meus pais vão matar uma garota inocente por minha causa? — perguntei em um fio de voz, era como se houvesse um buraco negro dentro de mim sugando todos os meus sentimentos bons e deixando apenas a culpa.

— Charlotte... — ela tocou meu braço. — você prometeu que... — deixou a frase morrer no ar e eu assenti engolindo a seco.

— Claro. — sequei a lágrima solitária que escorria por meu rosto. Eu subi as escadas sem olhar para trás, mas sentia seus olhos queimando minhas costas. Abri a porta de meu quarto e me apoiei no batente da janela varrendo o jardim cheio de pessoas com os olhos, mas eu não o encontrei. Olivia ainda estava sentada no mesmo lugar, ela estava preocupada e desconfortável ao mesmo tempo. Eu sei que ela era do tipo tímida, que ela não era de falar muito e os olhares que mandavam para ela, eram de pena... Pena por andar com o assassino lendário de Holmes Chapel.

— Gostei da decoração. — sua voz soou alto no cômodo, tão alto como se ecoasse na minha cabeça. Senti minhas bochechas queimarem. Meu quarto era em um tom rosa claro, havia textura de ursinho em uma das paredes e a cama era forrada com lençóis brancos. Sua risada debochada concluía que ele estava zombando de mim.

— O que você quer comigo? — questionei o observando fechar a porta atrás de si e caminhar até minha cama. — Se meus pais souberem que você está aqui eles vão...

— Me matar? — riu sarcástico se jogando sobre a cama de casal. — eu sou um lobo, Charlotte. Minha audição é apurada e eu ouvi toda a explicação sofrida da loirinha. Jogo baixo até para um caçador, não acha? — ele apoiou os braços atrás da cabeça com feição pensativa. — Você acha que eu não pensei nisso antes de trazê-la aqui? — riu abafado e desviou seus olhos do teto para minha direção. — Eu sou um cara prevenido. Olivia não é a única que está prestes a fazer parte da família.

— Você mordeu outra pessoa?! — exclamei horrorizada, ele riu e se levantou.

— Eu mordo quantas pessoas eu quiser, inclusive aquela loirinha. — ele sorriu maroto ajeitando a blusa social.

— Savannah?!

— Tic-Tac — ele olhou no relógio de pulso que usava e em seguida me encarou.

— Eu vou! — dei um passo à frente sentindo meu coração apertar. Era a minha vida, minhas escolhas e eu estava cansada de tomarem frente de tudo. Não ia deixar Savannah morrer ou Olivia apenas por que meus achavam que era o certo a se fazer. Era por isso que ela estava tão nervosa, por isso que ela não podia me contar, ela iria ajudar a matar Harry, Olivia e se suicidar! Senti meus olhos lacrimejarem, como eu poderia ser tão egoísta?!

— Tem certeza? — perguntou com um tom debochado, mas essa era a minha última preocupação.

— Por favor, vamos acabar logo com isso. — pedi sentindo meu estomago afundar. Ele sorriu fraco e abriu a porta dando passagem para mim. Eu fiquei alguns segundos o olhando sem saber o que fazer.

— Vamos, Charlotte. — murmurou e eu engoli a seco encarando o corredor vazio. Caminhei a passos rápidos passando por ele com pressa. Ele riu abafado e passou por mim. — vou resolver um probleminha com Olivia e Savannah. — ele disse e saiu apressado. Mordi o lábio e olhei ao redor, minha mãe iria surtar... Mas eu queria ir, por mais que ele me causasse calafrios eu sabia que a nossa conexão o impedia de me matar, de certa forma eu confiava nele.

Eu queria saber mais sobre mim, minha mãe não me contava quase nada... E eu não sei como ela era capaz de acreditar que tudo ficaria bem. Nada, nunca seria normal novamente. Minha vida estava de ponta cabeça e eu começava a acreditar que esse era o lado certo.

Após alguns minutos esperando ele voltou e por mais que eu estivesse nervosa eu o segui. Meu coração parecia que pularia para fora de mim a qualquer momento e sua mão quente sobre a minha mão pequena e gélida me causava uma sensação estranha de conforto. Eu nunca fui do tipo que desafia, que questiona, que se impõe, mas parece que meu mundo está de cabeça para baixo desde que Harry surgiu em minha vida... E eu não faço a menor ideia de como reverter isso... Não faço ideia se quero reverter algo.  


Notas Finais


Bom, queria pedir desculpas pela demora.
Eu infelizmente fui desclassificada do concurso por que não postei dentro do tempo, eu não vou ficar aqui me lamentando pq eu tinha como evitar ou me prevenir...
ENFIM,
Finalmente estamos conhecendo um lado de Harry que vocês não conheciam... Espero que gostem <3


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