História Ninguém em Casa - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, V
Tags Angst, Avril Lavigne, Bangtan Boys, Bts, Colegial, Krähe, One-shot, Orimari, Romance, Vmin, Yaoi
Visualizações 48
Palavras 2.060
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Ficção, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Pra quem não sabe, esse é um capítulo/Oneshot bônus da minha outra fic "Arrependo-me". Eu recomendo que você a leia primeiro para evitar spoilers, mas se quiser continuar mesmo assim, será por sua própria conta e risco (como dizem os carinhas quando você vai pular de bunge jump).

Sim, essa era a surpresa! Estão surpresos? Haahashsu eu tinha avisado que ia postar em algum ponto da história, não tinha? Pois então, aqui estamos. Essa é a história do Tae, contada por ele mesmo do ponto de vista dele.

Espero que gostem.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Ninguém em Casa - Capítulo 1 - Capítulo Único

There’s no place to go, no place to go

 to dry his eyes

broken inside


Minha mãe era uma pessoa estranha. De um momento para o outro, ela começava a chorar de tristeza e logo depois estava sorrindo novamente. Minha mente infantil me dizia para consolá-la, mas não levar à sério — ela era apenas sensível, só isso. Logo ela esqueceria de tudo aquilo e voltaria a sorrir como se nada tivesse acontecido. Era sempre assim, por quê não seria daquela vez?

Mas um dia, eu não cheguei à tempo para consolá-la. E foi apenas nesse dia que eu percebi que eu deveria ter levado as lágrimas dela à sério — que eu deveria ter cuidado melhor dela. Dela, tudo o que sobrou foram as memórias. Meu pai vendeu os pertences dela e deu os melhores vestidos para a minha madrasta.


Meu pai se casou imediatamente depois da mamãe ter ido embora. Eu não ousei reclamar, pois sabia quais seriam as consequências caso o fizesse. Ele se casou com uma mulher bonita e gentil, e essa mulher estava grávida de uma filha dele.


Mesmo depois do que havia acontecido com a mamãe, eu consegui encontrar um pouco de felicidade naquela nova família — principalmente na minha irmãzinha. Talvez eu estivesse desonrando a imagem da pessoa que foi sacrificada para que aquilo acontecesse, mas não havia nada que eu pudesse fazer. Ela já estava morta de qualquer forma, e eu não seria o culpado por estragar aquela nova felicidade.

Mas apesar de ser aquele que provocou tudo aquilo, meu pai nunca foi feliz de verdade. Todas as noites ele pensava nela, a beijava, e a sentia. Com ela, não quero dizer a mulher com quem ele se casou pela segunda vez. E sim, a que ele matou. A que nós matamos.

E isso não afetava ninguém mais ninguém menos que a minha madrasta — mãe da minha irmã. Ela provavelmente percebeu antes do que qualquer um que quando meu pai olhava para mim, ele só conseguia ver aquela mulher. Infelizmente ou não, eu demorei para perceber.


Acho que ela me odeia. Não, eu tenho certeza.


Se não me odiasse, não esperaria a minha irmã ir para a escola pra me trancar no porão de casa pelo resto do dia sem luz ou comida. Não me bateria por cada coisinha que eu fizesse, não deixaria marcas que eu teria que esconder em meu corpo. Não jogaria na minha cara tantas vezes o quanto eu era inútil, e o quanto eu nunca deveria ter nascido.

Mas ela estava certa, por esse lado. Aos poucos eu começava a perceber que, realmente, eu não deveria ter nascido. Se eu não tivesse nascido, minha mãe não teria fugido de casa para se casar com um homem dez anos mais velho que ela. Se eu fosse útil para alguma coisa, teria a ajudado em seu momento mais difícil ao invés de tratá-la com banalidade.

Trancado naquele lugar escuro e poeirento, eu pensava em quantas formas de morrer existiam no mundo. E qual delas seria a mais apropriada para mim. Talvez eu devesse ter morrido naquele útero, mas não foi o que aconteceu. As coisas não são tão justas assim, afinal. E o culpado nunca será punido da forma que realmente deve.

Mas um lado de mim me dizia que tudo era temporário, uma fase ruim. Que aquilo iria acabar, que eu seria capaz de me redimir. Que ia ficar tudo bem.


Então, eu me apaixonei pela primeira vez. Fiz sexo pela primeira vez. E me viciei antes mesmo que pudesse perceber.


Não sei como isso começou, mas eu passei a fugir de casa como se fugisse da minha punição. Eu fugia para a casa do meu namorado, e nós fazíamos amor, como ele gostava de chamar. Para mim, fazer amor era um alívio, uma escapatória. Eu provavelmente me viciei nesse sentido da palavra, que tornava tudo o que era feio em bonito, e fazia com que meu mundo escuro e poeirento se enchesse de estrelas e ápices.

Só que em uma dessas noites, aconteceu a última coisa que eu imaginava que poderia acontecer. Meu pai foi pego por um caminhão numa rodovia de madrugada. Não faziam ideia do que ele estava fazendo ali, mas quando a ambulância apareceu, já era tarde. O motorista da caminhão disse que o ouviu gritando o nome de uma mulher. Tae-alguma coisa.


Quando pensei que as coisas iam piorar, minha madrasta se mudou para a casa dos avós da minha irmã, e usou as economias do meu pai para pagar meus três ano letivos em um colégio interno de Busan. Bem longe da vista delas.


Se a única coisa que me trazia felicidade era ter minha irmã do meu lado, então essa felicidade foi arrancada de mim sem que eu pudesse fazer nada a respeito. E talvez fosse até melhor porque, entenda; eu sou uma existência tóxica. Se eu me tornasse responsável pelo sofrimento dela, minha penalidade seria aumentada. E eu não queria mais culpa — eu já sentia tanta dor que nem podia aguentar direito.


Em Busan eu sentia saudades de Hoseok, pensava nele sempre que a dor se fazia presente e o enchia de mensagens de texto e ligações noturnas. Só que um dia ele me ligou de repente e disse que não poderia me ver mais. Pedindo desculpas diversas vezes, se debulhando em lágrimas.

Então, mesmo machucado, eu comecei a procurar desesperadamente por outro alguém. Alguém que substituísse o vazio que ele deixou em minha cama, em meu peito. Mas nunca dava certo. Não importa com quantos garotos eu ficasse, quantas meninas eu seduzisse, nenhum, ninguém fazia a dor desaparecer. Eu estava desesperado por amor, mesmo sabendo que eu não merecia nada disso. Era tão feio. Como uma vadia.


Sempre que eu os sentia entrando e saindo de dentro de mim, quando eu me enterrava em seus corpos, uma ânsia de vômito me assolava. E o nojo não era do corpo que me usava, mas sim de mim mesmo. Um corpo que nasceu por acaso, que viveu por acaso e que ia apodrecendo mais a cada dia que se passava.

Eu nunca soube o que era dignidade, ninguém nunca me ensinou. Eu me agarrava no que eu podia, na primeira teia de aranha que eu encontrava. Mas essas teias sempre se partiam, e eu voltava a cair na escuridão.


E quando voltava para a casa que me era permitida voltar, estava tudo vazio. Eu inconscientemente dizia "estou em casa" na esperança de ouvir um "bem-vindo de volta" como resposta. Mas não havia ninguém em casa. O único lugar que eu podia chamar de “lar” neste mundo doentio havia se transformado num local escuro, poeirento, e principalmente, oco. Como se todos os meus arredores de repente tivessem se transformado naquele porão.


Mas um dia, ele apareceu. Um menino tímido e inseguro, mas ainda assim um menino, como todos os outros naquele colégio. Ele tinha uma pilha de fitas e um vídeo cassete, e perguntou — timidamente — se eu queria assistir algo com ele. Eu disse que sim com uma animação que eu já havia me esquecido que possuía, e nós passamos o resto da tarde assistindo os filmes de animação. Lembro até hoje a ordem: Monstros S.A, Tarzan, e por último A Noiva Cadáver. Eu nunca tinha assistido o último, mas quando acabou, eu estava chorando sem nem entender o motivo. Ele me abraçou, e secou minhas lágrimas.

— Eu sei que é triste, mas não chore. Mesmo triste, foi um final feliz — ele disse.

Eu não entendi exatamente o significado daquelas palavras naquele momento, mas elas me fizeram sorrir e foi mais do que o bastante para toda a tristeza aos poucos ser carregada para longe. E um sentimento de satisfação me cobriu com seus braços.


Jimin foi a pessoa mais fofa e gentil que eu já havia encontrado em toda a minha pequena e triste vida. O tempo se passava, e a nossa amizade crescia com as descobertas, os segredos, o carinhos e as estações. Mas para mim, ela cresceu tanto e tão rápido que Chim não foi capaz de acompanhar.

Porém, a flor que cresceu em meu peito por ele não era bonita o bastante para encantá-lo. Jimin merecia o maior dos crisântemos, o mais raro narciso do mundo. Uma flor fraca e dependente nascida de um solo podre e machucado como a minha não era nem de longe o que eu queria para ele.

Mas ainda assim, machucava. Eu sentia inveja de Jungkook, por ser tão perfeito para Jimin. Ele era o tipo de pessoa que eu queria ser — forte, legal e inteligente, alguém com quem ele pudesse contar — exatamente o seu tipo ideal. Mas infelizmente eu não fui feito assim, e tudo o que eu podia fazer era observar.

Jungkook estava aos poucos tirando de mim o lugar que eu havia esperado tanto para conseguir ao lado dele — seja no esconderijo da biblioteca, ou em sua cama. Mas no final de tudo, o que mais me importava era o sorriso de Jimin quando estava com ele. Um sorriso que ele nunca me mostraria, mas que era digno de todo e qualquer sofrimento do mundo.


Eu havia encontrado uma razão para continuar em frente, mesmo que fosse pequena e medíocre. Fazer Park Jimin sorrir, esse foi o propósito que eu escolhi para mim mesmo. Eu não precisava de nada, eu estava bem apenas com o seu sorriso. Ele era o sol que me trazia vida, mas que ao mesmo tempo me secava. era a luz que eu precisava naquele porão escuro que parecia sempre me cercar.


Aquela dor não era nada. Se comparado com a dor de antes, não era nada. Estava tudo bem, era o bastante.


Mesmo que eu dormisse ao lado dele todos os dias e não pudesse tocá-lo da forma que eu sempre o imaginava em meus sonhos. Mesmo que eu me enxergasse ali no lugar de Jungkook enquanto os dois trocavam carícias. Mesmo que eu tivesse que passar a noite tremendo de frio do lado de fora do dormitório para que eles pudessem fazer amor tranquilamente. Mesmo que eu pensasse nele sempre que fazia sexo com outros garotos.

Mesmo que eu não pudesse ligar para minha irmã, que eu ligasse para casa e ninguém me atendesse. Mesmo que eu não tivesse um lar aconchegante para voltar e que doesse um pouco, estava tudo bem. Era o bastante.


Era a punição que eu queria.



Mas então um dia ele veio chorando para mim, dizendo que havia acabado. Que por sua culpa, Jungkook havia ido embora, o deixado. E pela primeira vez vi Jimin dependendo de mim, voltando para os meus braços em busca de um consolo. Ele disse que me amava, e o jeito que me abraçava era como se nunca mais fosse largar. Percebi nesse dia que Jimin havia se tornado meu lar aconchegante para voltar, assim como eu havia me tornado o dele. E adivinha o que isso fez comigo? Eu perdi o controle.

Eu me afundei naquele sentimento pela primeira vez. Eu não consegui me segurar, e o beijei. O enchi de beijos, e ele não reclamou ou se afastou. Ele gostou, e até o senti pedir por mais.

Mas será que ele ainda gostaria se soubesse que não foi por simples consolo? Se soubesse que eu fiz aquilo apenas pelo meu próprio interesse? Eu não sei, mas eu parei quando pensei nisso. Mesmo que a minha vontade fosse devorá-lo por inteiro, violar sua carne e manchá-lo com todas as minhas cores feias e deploráveis, eu parei por respeito. Por amor.


Quando comprei esse anel, pensei em te dar no dia da formatura e desaparecer completamente, sem nunca mais olhar para seu rosto. Mas eu mudei de ideia quando você voltou. Dessa vez não por amor, mas por covardia. Porque eu sabia que não ia conseguir viver sem você. Sem você, minha casa estará sempre vazia e ninguém dirá que sou bem-vindo. Meu mundo será sempre escuro e poeirento.


Ele é o símbolo da minha eterna gratidão. Eu estive perdido dentro de mim mesmo esse tempo inteiro, mas você me achou casualmente, como mágica. Não importa o que aconteça no futuro, ou que tipo de pessoa o mundo te torne, eu serei um felizardo. Desde que você continue a sorrir de verdade. Essa é a minha razão  a razão que eu escolhi, afinal.


Se você sorrir, até o mais os triste dos finais será feliz. É o que eu aprendi com você.


Sorria, Jimin.


Está tudo bem. É o bastante.




Notas Finais


Na verdade, eu não planejava postar tão cedo essa OS. Mas eu sinto que fiz meus leitores esperarem bastante, e eles mereciam pelo menos um esclarecimento sobre essa parte da história, que eu deixei no escuro por um bom tempo.

Saibam que eu amava e ainda amo muito o personagem do Taehyung, como se ele fosse um filho pra mim. Então as lágrimas de cada um de vocês que choraram por esse meu filho fictício são minhas lágrimas também.

Que deprê, hein? Ahahajsp

Mas enfim, espero de coração que tenham gostado e desculpem a minha demora (mais uma vez). Comentem, me falem o que acharam! Me digam suas antigas teorias, suas conclusões, tudo.

Até mais, minhas crias.


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