História No Embalo da Vida - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias One Piece
Personagens Roronoa Zoro, Sanji
Tags Drama, One Piece, Romance, Sanji, Zoro
Exibições 41
Palavras 5.463
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá, voltei com mais uma história regada de confusões, amores e dilemas. Essa é a minha quarta fanfic e espero que gostem! Boa leitura!
~
* Imagens retiradas da internet.

Capítulo 1 - Os sinais que a vida dá


Fanfic / Fanfiction No Embalo da Vida - Capítulo 1 - Os sinais que a vida dá

 

Era noite e Zoro encarava a fachada do prédio de três andares que ficava do outro lado da rua. Os seus olhos pesados, se ergueram com esforço da placa luminosa do primeiro andar até ver os vultos que deslizavam por detrás das imensas janelas de vidros transparentes do segundo andar.

Suspirou fundo pela milésima vez no dia. Algo que fazia com certa frequência nos últimos tempos. Encarou a placa luminosa novamente e atravessou a rua com passos relutantes enquanto ouvia a voz de seu amigo, Usopp, ecoar em sua mente.

“Cara, eu tô te falando que você precisa ir lá. Outro dia eu fui fazer uma entrega para a recepcionista e acabei tendo que subir no segundo andar porque ela não estava lá embaixo e foi aí que eu vi... Fiquei de boca aberta! Ainda posso sentir a mesma sensação percorrendo o meu corpo. Olha só, eu tô todo arrepiado! Eu tenho certeza que vai servir pra você. Não custa nada ir dar uma olhada. Eu já acertei tudo pra você.”, relatava empolgado.

— Como se agora eu tivesse escolha, seu idota... — murmurou ranzinza.

Zoro sabia que não havia mais escapatória. Tinha fugido por muito tempo da realidade que fingia não ver. Os seus amigos estavam fazendo marcação cerrada e o seu médico havia sido claro. Ou mudava de estilo de vida ou não viveria muito para contar histórias.

 

“É uma escolha sua Zoro mas ás vezes a vida nos dá sinais de que precisamos mudar. Eles costumam vir fracos de início mas conforme vamos ignorando eles vão aumentando e ficando mais fortes.

Se você gosta do seu trabalho, tire pelo menos umas férias prolongadas e vá para longe por um tempo. Se não gosta, e puder, peça as contas. De qualquer forma você precisa se afastar e tirar um tempo pra relaxar.

Você tem que repensar a sua vida e ver o que realmente importa. Esses sintomas da Enxaqueca com Aura são ressacas depois de um período prolongado de estresse. É uma doença que além das dores fortes de cabeça e insônia, afeta a parte neurológica e causa o escurecimento da visão que começa pelas beiradas do seu campo de visão, em forma de névoa, e vai aumentando.

Além disso, você teve todos os sintomas. O formigamento nos dedos das mãos, sensação de lentidão no corpo, teve problemas de coordenar a sua fala com o seu pensamento, trocou tudo, desmaiou e foi carregado para o hospital.

E embora os sintomas tenham desaparecido e ficado só a dor de cabeça e insônia, eles podem voltar novamente. Você pode até ter um derrame. Sem dizer que você já foi levado pro hospital outras vezes por causa de arritmias no coração. E os seus exames de sangue mostraram alterações que precisam melhorar com alimentação mais saudável.

A escolha é sua, e a vida também,  mas eu te aconselho a fazer coisas opostas do que está fazendo atualmente.”

 

— Que irritante. Dúvido que isso vá resolver alguma coisa, Usopp — resmungou encarando a porta de vidro que se fechava a sua frente após duas garotas sorridentes passarem por ele e entrarem por ela.

Pensou em ir embora. Não entendia como aquilo daria um jeito em sua vida. A fala do médico era bonita sobre a importância de mudar o estilo de vida, buscar a tranquilidade, felicidade e o que realmente gostava. Mas na prática a vida era diferente. E além do mais nem sabia por onde começar. Mas duvidava que o caminho seria por ali, naquele local, fazendo aquilo.

Estava perdido em seus pensamentos e quando voltou a focar sua atenção, bufou ao ver que uma mulher com um sorriso largo vinha em sua direção e o deixava sem possibilidades de fuga.

— Olá, eu sou Nami, posso ajudá-lo? O senhor gostaria de conhecer o nosso espaço? — dizia abrindo a porta com uma mão e o convidando para dentro com a outra.

Zoro mediu a garota de corpo curvilíneo, pele clara, cabelos longo e avermelhados, olhos castanhos claros e seios fartos e pensou que talvez a ideia não fosse tão ruim assim. Embora achasse que dava muita dor de cabeça sair com pessoas de locais que frequentava. Afastou  o pensamento, pelo menos até decidir se iria com essa história até o fim ou não.

— Como se chama? — perguntou a mulher escaneando o homem a sua frente com curiosidade. Julgou que ele devia ter por volta de 1,80 de altura. A sua pele era dourada, os seus olhos castanhos e penetrantes e o seu corpo... Ah, o seu corpo era forte e definido! Podia ver bem os músculos de seus braços que ficavam a mostra. Além dos definidos que a sua regata e a calça moletom cinzas supostamente deviam esconder mas revelavam-os ao  emoldurar o seu corpo. E os seus cabelos coloridos na cor verde com certeza lhe adicionavam um charme extra para a sua aura de mau.

— Zoro — respondeu percebendo o interesse da mulher.

— E então Zoro, você quer que eu o guie?

— Seria bom mas na verdade eu estou inscrito para a aula das vinte horas — disse desanimado.

— Então você está atrasado e é melhor corrermos. Vem, eu te levo até lá. — disse com uma expressão que Zoro considerou de preocupação.

Nami o puxou pelo braço e eles correram em direção ás escadas. Quando chegaram no segundo andar deram passos apressados em direção a porta de vidro que separava o corredor do ambiente.

Zoro já podia ouvir a música e via algumas pessoas lá dentro. Elas estavam enfileiradas e olhavam para quem parecia ser o professor, que estava de costas para o corredor. O homem vestia uma roupa social elegante, dessas de dançarinos profissionais, sem o terno, e a sua postura era tão elegante quanto as roupas que vestiam o seu corpo longilíneo.

A garota abriu a porta e o puxou para dentro. E com um gesto silêncioso e apreensivo o fez esperar ali e caminhou estratégicamente até as costas do professor e o tocou no local.

— Sanji? — chamou suavizando a própria voz.

— Oi minha linda, no que eu posso ajudá-la? — perguntou com uma voz aveludada ao se virar levemente para encará-la, com o que Zoro julgou ser um belo sorriso.

Ele era magro mas o corpo parecia definido, pelo menos os glúteos pareciam durinhos e torneados, assim como as coxas e braços. Tinha a pele alva, os olhos castanhos, os cabelos loiros e curtos mas com franjas longas e jogadas de lado, e um cavanhaque discreto, que lhe davam um ar estiloso e atraente. Não era nada mal. Nada mal, pensou Zoro o medindo atentamente. Até que a escola tinha as suas vantagens. Usopp parecia ter algum bom gosto.

— Você é sempre tão gentil — elogiou a ruiva estranhamente ainda mais educada — Sanji, nós temos um novo aluno começando hoje — anunciou sorridente, abraçando um de seus braços, se virando e olhando em direção a Zoro. O professor seguiu o seu movimento e fechou a expressão assim que o viu parado.

— Hmm... — múrmurou analisando a aparência um tanto quanto desleixada de seu aluno.

Onde já se viu um punk de cabelos curtos, eriçados e verdes, vestido com moletom e regata cinza, chegar atrasado e ainda querer fazer parte de suas aulas? Nem ao menos era uma bela dama...

Detestava todos os pontos e principalmente o atraso. Se não fosse por Nami o expulsaria no mesmo instante. E que atitude era aquela de o encarar com um olhar irritadiço? Estava esperando que fosse recebido com flores e confetes? Como se uma alga marinha pudesse ter tantas regalias...

— Bom, eu já vou indo Sanji, muito obrigada — disse a garota recebendo um novo sorriso do professor e caminhando rapidamente em direção a porta. Ao passar pelo homem que ainda estava parado, ela piscou e ele entendeu perfeitamente o recado.

O professor era um pé no saco. Bendita a hora na qual Usopp o havia inscrito e pagou pelas aulas de dois meses sem consultá-lo, o obrigando a ir até o local. “Não custa nada dar uma olhada”, uma óva! Foi obrigado! Sabia que seria uma péssima idéia mas como o amigo tinha sido demitido e não ganhava muito com os bicos de motoboy, havia feito o investimento e não queria cancelar as benditas aulas, resolveu ser educado e aceitar o ‘presente’.

— O que está esperando? Entre e fique em fila como os outros — o professor provocou sutilmente fazendo um gesto com a mão como se lhe concedesse passagem assim como faria para uma dama.

Zoro respirou fundo e segurou a vontade de mandá-lo para um lugar que o outro não iria gostar. Não precisava de mais tempo, só de olhar sabia que o tal do Sanji era um metido, cheio de pompas e frescuras, que ainda por cima era duas caras e favorecia mulheres peitudas para ter alguma chance de levá-las para a cama. Ah, Usopp o pagaria... e como!

Onde já se viu, só eram poucos minutos depois das vinte horas. Nem estava tão atrasado assim, e ele já fazia esse estardalhaço, pensava enquanto caminhava e se alinhava na ponta do lado esquerdo da fila que tinha homens e mulheres.

Sanji o mediu novamente por alguns instantes e voltou a olhar para os outros. Apesar de considerar a dança um agente transformador não sabia como um homem grande, brutamonte, mal humorado e desanimado daquele iria se encaixar em suas aulas que exigiam delicadeza, elegância e boa vontade para práticas constantes.

— Bom, como eu estava dizendo antes de ser interrompido... — disse com uma pausa dramática e Zoro revirou os olhos e suspirou entediado pensando no porquê de estar ali e não no sofá de sua sala assistindo a um filme qualquer. — ... nós iremos apresentar alguns passos de Tango que é o estilo que focaremos nesse curso de dança de salão. Depois começaremos com alguns exercícios básicos para que vocês possam sentir a magia da dança — sorriu animado.

— Pftt... — Zoro deixou escapar o princípio de riso que tentou segurar mordendo os lábios e inclinando a cabeça para baixo.

— Algum problema, senhor...?

— Ah, é Zoro — sorriu.

— Algum problema, senhor Zoro?

— Não, eu só estou empolgado para sentir a ‘magia da dança’... — disse com a sua voz profunda e regada a malícia.

Sanji ergueu uma de suas sombrancelhas selvagens ao perceber a ironia do novo ‘aluno problema’. Enquanto Zoro pensava que talvez estivesse enganado e que Sanji poderia muito bem se interessar por pessoas que não fossem mulheres peitudas. Afinal, que homem falaria na ‘magia da dança’ com uma cara e afetação daquelas.

— Sanji, que tal começarmos as apresentações? — sugeriu a outra professora que havia entrado discretamente na sala e os observava.

Ela usava um vestido preto e leve que mostrava as curvas de seu corpo e ia até o meio de suas coxas alvas. Os seus ombros e costas estavam á mostra. Os seus cabelos negros estavam presos em um rabo de cavalo que caía sobre a pele nua. Em seus pés, usava um salto alto. E o seu olhar azul e gentil combinavam com o sorriso discreto que direcionava ao professor.

Zoro prendeu a respiração por alguns instantes ao observar a beleza estonteante da mulher que tinha os lábios vermelhos e intensos como último toque do visual.

— Claro Robin, vamos começar — respondeu o professor.

Ele então caminhou até o seu celular que ficava conectado á uma caixa de som potente. Escolheu uma música e assim que o som começou a tocar eles assumiram posturas confiantes que de inicio impactaram os que observavam.

Robin começou a caminhar lentamente com movimentos arrastados e sensuais em direção á Sanji que também movia-se até ela. Os seus olhares se mantinham fixos e penetrantes um no outro, como se eles se desejassem ardentemente.

Os seus corpos desviaram um do outro com movimentos circulares e provocantes, enqaunto se analisavam. Eles deram mais uma volta antes de suas mãos começarem a se tocar lentamente, Até que Sanji a puxou com força contra si e os seus corpos se encaixaram com pressão. Todos observavam com os olhos arregalados e surpresos a cada movimento.

Uma das pernas da morena estava flexionada na lateral do corpo do loiro enquanto a outra se inclinava para frente e sobre o corpo que a recebia em si. A mão de Sanji deslizou pelo seu rosto, pescoço, e seios quando abruptamente ela se afastou com se fugisse.

Sanji foi atrás dela que agora voltava a provocá-lo com o seu corpo. Ele mais uma vez a puxou com intensidade contra si. E assim a dança continuou. Do mesmo jeito que se encaixavam com paixão eles se soltavam, se rodeavam e se enroscavam em uma demonstração que tirava o folêgo de quem assistia.

Gestos lentos e repentinos se revezavam regados a muita sensualidade e provocação. E até mesmo Zoro, que chegou a duvidar da capacidade do loiro dançar uma música latina e passional, agora estava boquiaberto com a apresentação.

Sentia o seu próprio corpo se tencionar e aquecer com cada movimento como se instintivamente quisesse os reproduzir com aqueles corpos sensuais, os passos cheios de lúxuria e poder.

Assim como o casal que dançava, Zoro não conseguia desviar o seu olhar penetrante. Não sabia dizer o que mais lhe excitava na apresentação. Quando se deu conta a música havia acabado em um último movimento brusco dos dançarinos que mantinham os corpos encaixados, rostos colados, lábios quase se tocando e as respirações fortes.

Todos os outros alunos os aplaudiam com ferocidade e empolgação. Com excessão de Zoro que apenas observava e via o desejo latente transparecer em todos os olhares ao redor da sala.

Pode entender porquê Usopp insistiu para que ele fizesse essa aula e com esses professores em específico, ao ponto de lhe dar dois meses do curso de presente. O seu próprio coração estava acelerado e todo o seu corpo latejava em frenesi.

Sentiu que o lugar transbordava com paixão. E se era uma das coisas que faltava em sua vida e precisava procurá-la como o médico e amigos o aconselhavam, aquele poderia ser um possível lugar para adquirí-la.

Mas a verdade era que não se via dançando aquele ritimo e muito menos daquele jeito. O que faria? E se o objetivo principal do amigo e médico era que fizesse algo que relaxasse o seu estresse então não deveria ser nesse tipo de aula e com esse tipo de professor.

Sim, é verdade que ele era incrível. E por mais que detestasse reconhecer, Sanji era sexy e maravilhoso como dançarino. Mas o problema era que ele era um chato implicante que o deixaria ainda mais estressado. E prova disso era o olhar provocador que ele lhe lançava com um sorriso convencido enquanto jogava a cabeça de lado para afastar a franja de seus olhos.

Por um instante sentiu-se dividido e confuso se o problema seria apenas uma parte da personalidade do professor ou ela toda, incluindo a sexy e sensual que começava a apelar aos seus instintos. Que bem isso faria para o seu problema de arritmia cardíaca e estresse? Se questionou desviando o olhar.

— Obrigado — Sanji agradeceu os aplausos se inclinando para frente e voltando em seguida a se reerguer. — Bom, agora que estamos todos no clima eu peço que se espalhem um pouco mais pela sala para que possamos praticar alguns movimentos básicos de forma individual.

O loiro se posicionou na frente da sala e lentamente mostrou alguns passos que todos repitiriam por algum tempo. Depois de demostrar por cinco vezes, ele se virou e começou a observar os alunos junto com Robin.

Ao mesmo tempo que eles auxiliavam os que apresentavam mais dificuldades, lhes demonstrando novamente as sequências e dando dicas de postura e gingado, Zoro arriscava os passos.

Fingiu não se envergonhar ao perceber que era um dos que teria certa dificuldade com a ginga mas não se daria por vencido. Já havia trabalhado por alguns anos como comprador e determinação era o que mais costumava praticar para conseguir descontos e prazos que precisava. Além do jogo de cintura para lidar com os problemas que sempre aconteciam.

Com certeza venceria esse desafio.

Se assustou ao sentir as mãos de alguém o tocar repentinamente nas costas e abdômen e congelou por alguns instantes.

— Você está indo bem. Só tente manter a postura assim. Tente de novo agora — disse a voz doce da professora.

— Ok... — múrmurou seguindo as orientações e espiando a mulher de canto de olho.

— Isso, muito bem! — disse animada. Zoro retribuiu o sorriso enquanto apreciava o cheiro adocicado que vinha da bela mulher.

— Está conseguindo, senhor Zoro? — Sanji surgiu o tirando de seu transe.

— Agora estou, depois da orientações da Robin — provocou sorrindo pois a energia do professor deixava claro que ele é quem queria ser o centro de todas as mulheres.

— Ótimo — Sanji fechou o rosto enquanto o encarava mas logo seguiu até outro aluno. Robin também se afastou.

— Parece que você não vai ser o aluno predileto do professor — disse uma voz feminina que vinha por detrás de Zoro. Ele rapidamente virou o rosto para ver a mulher que se aproximava — Eu sou a Bonney — se apresentou com um sorriso largo.

— Parece que não... Eu sou o Zoro — respondeu observando a bela garota de cabelos longos e rosas. O seu corpo era curvilíneo, a pele branca, os olhos azuis e emanava uma aura confiante.

— Gostei do seu cabelo — confessou a garota ainda sorrindo.

— E eu do seu. Me deu até vontade de comer chiclete de tutti frutti — retribuiu com um sorriso traquinas.

— Hahaha, engraçadinho — ria a garota.

Sanji e Robin foram para a frente da sala e chamaram a atenção dos alunos. Pediram para que se dividissem em casais para ensaiarem os primeiros passos. Zoro e Bonney se entreolharam e optaram por ficar juntos.

Eles observaram com caretas duvidosas os professores demonstrarem os passos que diziam ser básicos e simples, e aos poucos foram seguindo as instruções. Para eles, as tentativas iniciais eram frustradas assim como para a maioria que tinha dificuldade em fazer os passos sozinhos, quanto mais coordená-los com os do parceiro.

Zoro e Bonney riam durante as tentativas desajeitadas e recebiam, a distância, olhares intensos de Sanji durante a prática. O que era motivo para ainda mais risadas entre eles que tentavam contê-las mordendo os próprios lábios. Mas quanto mais tentavam se conter mais queriam rir e contagiavam os casais próximos que passavam por tentativas similares.

— Não é assim que se faz, senhor Zoro. Me deixe demonstrar — disse Sanji se aproximando, separando o casal e guiando Bonney. Zoro não conseguiu deixar de pensar em como o outro era aproveitador. Com certeza só tinha usado a oportunidade para dançar com a garota e chamar a sua atenção. Pouco depois, Sanji a entregou de volta nas mãos do outro e disse — Tente novamente.

O casal mais uma vez repetiu os passos mas Zoro voltou a errar. Uma pena pois adoraria esfregar na cara do outro que aprendia rápido e era melhor. Precisou segurar o orgulho.

— Não. Segura aqui — disse o loiro, afastando-os novamente, se posicionando em frente ao homem e o guiando para lhe segurar como se fosse a mulher. O aluno ficou um pouco chocado e sem jeito com a  iniciativa inesperada  mas posicionou uma das mãos nas mão de Sanji e outra por detrás de sua cintura. — Postura. E agora me olhe nos olhos. Isso. Agora mova primeiro o pé direito. Para. O esquerdo. Isso. Agora cruza as pernas, assim. E gira. Sem olhar pro chão! Mantenha o olhar em mim. — dizia Sanji enquanto ia narrando e repetindo os gestos até que Zoro, depois de muito suor, parou de errá-los. — Muito bem. Agora vocês podem voltar a treinar juntos — disse o devolvendo para Bonney e se afastando até outro casal.

— Uau... nada mal ver vocês dois dançando juntos — sorria Bonney que já dava novos passos junto de Zoro.

— Para de besteira. Não tem nada demais nisso.

— Se não tem, então porque você ficou tão sério e tenso? Até prendeu a respiração! Aliás o seu amiguinho ai em baixo parece discordar de você... — sussurrou mordendo os lábios em seguida. Era óbvio que Zoro havia ficado excitado.

— Não viaja. Até parece que eu ia me interessar por um cara irritante e convencido igual a ele — rosnou.

— Hmmm... você nem relevou o fato dele ser homem.. Então eu estava certa quanto aos seus olhares para ele quando entrou na sala — ponderou a mulher de cabelos rosados.

— Eu não tenho preferências mas já disse que não tem nada a ver. Não quero mais dor de cabeça pra minha vida. Na verdade estou fugindo delas por ordem médica. E é só por isso que eu estou aqui.

— Aham... interessante... Então você não daria bola se a professora e a recepcionista chegassem junto? — riu com malícia e recebeu um olhar mal humorado que logo se transformou em sorriso contido.

— Isso já é outra história.

— Óh, então talvez eu também tenha boas chances! Mas a disputa com esses outros três seria muito acirrada! Principalmente com esse loiro de traseiro durinho e pegada latina! — provocava a rosada.

— Para de besteira e vamos dançar... — Zoro ria. Apesar das palavras da garota sabia que ela apenas brincava. E apesar de alguns comentários serem irritantes, ela era uma pessoa divertida.

— É sério, Zoro... Eu ouvi dizer que dançarinos de música latina são ótimos na cama!

— Escuta, você sempre fica falando putaria pra todo mundo que acabou de conhecer? — perguntou segurando o riso.

— Claro que não! Só para os que eu vejo olhando com cara pervertida para o traseiro dos outros! — rebateu gargalhando e sendo acompanhada pelo outro que não resistiu.

Nos minutos seguintes eles se concentraram na dança e conforme iam pegando confiança voltavam a sorrir. Nos minutos finais os professores pediram para que se afastassem um dos outros e os fizeram se alongar.

— Bom, por hoje é só. Nos vemos depois de amanhã, na quinta-feira. — despediu-se Sanji.

Os alunos pouco a pouco saíam da sala enquanto conversavam animados sobre a aula.

— Ah, senhor Zoro.

— Oi? — respondeu se virando e olhando para o professor enquanto ouvia Bonney murmurar um “hmmmmm!” baixinho.

— Não se atrase para a próxima aula ou ficará para fora da sala. Não gosto de atrasos e é um desrespeito com os seus colegas e  parceiro de dança — alertou percebendo, feliz, o rosto do aluno se contorcer.

— Ok. — respondeu virando-se a caminhando com Bonney para fora da sala de aula.

 

— Ora, ora... você realmente chamou a atenção do professor. — zombava a mulher enquanto desciam as escadas.

— Grande coisa ser perseguido por um professor implicante adorador de peitudas — retrucou.

— Hmmm... vai saber! Pelo menos você não pode negar que a aula foi divertida e que ele tem uma bunda durinha e hipnotizante! Na verdade ele é um gato! E o que foi aquela apresentação no início da aula?! Ai minha nossa, não sei se fiquei mais empolgada com aquela dança ou com a de vocês dois! Ainda to sem ar... foi tão sexy...

— Era só o que me faltava... — Zoro ria incrédulo ao ver o deleite da garota — ... você é uma dessas garotas fissuradas em casais gays...

— Para de fazer tipo, Zoro. E qual o problema se eu for? Tudo o que é bonito, gostoso e sexy é para se apreciar! — ria a garota —  Bom, a minha carona já esta me esperando. Nos vemos na próxima aula. — piscou assim que chegaram na recepção e correu para fora.

— Até quinta.— respondeu vendo a garota correr e sair pela porta. Lá fora ela entrou em um carro e partiu. Provavelmente devia ser um namorado pela forma que ela se inclinou para o banco do motorista.

Tinha sido divertido sim mas queria ir logo para casa. Estava parte eufórico e parte cansado. Por isso não via a hora de tomar um banho, comer alguma coisa e cair no sofá em frente a tv. Mas antes que conseguisse dar andamento aos seus planos foi impedido.

— Zoro, como foi a primeira aula? — perguntou Nami se aproximando.

— Hmmm.. foi legal, eu acho...

— Bom, a primeira aula é sempre mais difícil. Com o tempo você se acostuma e vai viciar. Te garanto — disse sorridente.

— Não sei não...

— Hmmm, se é sobre o Sanji... Olha, ele tem um temperamento meio difícil, ás vezes, mas ele é um ótimo professor. Você deve ter visto na apresentação inicial que ele dá com a Robin. Se você não tivesse chegado atrasado ele teria sido mais cortês.

— Só se eu tivesse um par de peitos — resmungou. — Ah, desculpa...

— Sem problemas, eu entendo! De qualquer forma você teve sorte de conseguir ter aula com ele. Não é sempre que ele abre espaço na agenda pra ensinar... Tivemos um trabalhão para convencer ele.

— Deve ser uma honra então — ironizou revirando os olhos. — Mas porquê?

— Bom, porque ele não é professor de dança, na verdade ele....

— Nami, você pode me ajudar um instante? — pediu Robin que acabava de aparecer na recepção.

— Claro! Desculpa, Zoro. Nós nos vemos na sua próxima aula?

— Claro, eu já vou indo — acenou com a cabeça e seguiu em direção a porta enquanto ouvia um ‘boa noite’ animado da ruiva.

 

Eram pouco mais de vinte e uma horas. A temperatura ainda estava alta mas agora uma leve brisa assoprava e amenizava o mormaço. Zoro caminhou tranquilamente pela calçada em direção ao ponto de ônibus que ficava há alguns metros de distância na mesma calçada da escola.

Se sentou em um banco vazio e aguardou alguns minutos enquanto pensava na fala inacabada da recepcionista. “O que ela ia dizer? Se ele não era professor então o que ele é? Talvez um filhinho de papai? Seja o que for, o ‘senhor importante’ tem uma agenda apertada...”, pensava.

Quando o ônibus finalmente chegou, suspirou aliviado e subiu os degraus. A porta fechou atrás de si mas logo ouviu um grito ao longe e o ônibus parou o desequilibrando. “Droga”, resmungou internamente e seguiu até a catraca.

Sanji entrou apressado e agradeceu várias vezes ao motorista que logo fechou a porta e colocou o transporte em movimento. O aluno que passava pela catraca, se sentou alguns bancos depois do cobrador e observou surpreso o professor passar para trás e caminhar em sua direção.

Sentiu a própria respiração tensionar conforme aguardava a movimentação do outro homem que apenas acenou com a cabeça e passou direto indo se sentar no final do ônibus.

“Era só o que faltava... encontrar justo esse cara após o expediente. Se ainda fosse a garota que ele estava dançando. Com certeza uma bela e ousada dama!”, pensou Sanji cantarolando a ultima frase em sua mente.

Enquanto isso Zoro se remexia no banco. “Quem ele pensa que é para ignorar um aluno na cara dura, desse jeito? Se acha que é tão bom e superior, porque está pegando um transporte público? Como pode ignorar alunos assim sem trocar ao menos umas palavras? Deveria saber que são eles que garantem o sustento de todos que trabalham na escola. Inclusive o dele!”, rosnava internamente para si mesmo.

Vinte e cinco minutos depois apertou o sinal e se levantou decidido a não se dar por vencido. Se despidiria com palavras, como deveria ser, e desceria em seguida. Caminhou firme alguns passos e olhou em sua direção.

Mas hesitou por um instante. Sanji cochilava com a cabeça encostada no vidro da janela e em suas mãos segurava um livro. Franziu o cenho e deu mais alguns passos em sua direção. Quando estava próximo o suficiente, arqueou as sombrancelhas ao ver que se tratava de um livro de técnicas culinárias.

Achou curioso. E tentador. Ponderou se deveria acordá-lo. Talvez perderia o ponto ou já tivesse perdido. Inconscientemente mordeu os lábios enquanto observava a face pacífica do loiro.

Sanji era belo, principalmente quando estava de boca fechada. As memórias ainda vivas e impactantes de sua dança e de seus toques, fizeram o seu coração acelerar novamente e sentiu o seu corpo reagir. Se Bonney estivesse ali, zombaria de sua cara mais uma vez.

Fechou o semblante ao se lembrar, também, das provocações do loiro durante a aula. O ônibus parou e a porta se abriu. Zoro o olhou de canto uma última vez e desceu os degraus o deixando para trás.

Sentiu parte da tensão deixar seus ombros e os seus pulmões respirarem com mais facilidade. Mas o coração ainda estava acelerado. Talvez fosse o cansaço e a vontade de chegar em casa para relaxar, pensou.

Marchou rapidamente até o seu apartamento e assim que entrou pela porta, tirou os sapatos e se sentou no sofá. Suas mãos cobriram o rosto enquanto suspirava pesadamente. Quando liberou sua visão, olhou para a região abaixo de sua cintura e resmungou algo inaudível.

Se levantou e seguiu até o banheiro. Olhou de relance no espelho e acabou se fixando nos cabelos verdes e recém tingidos. Tinha sido a primeira atitude que tomara depois de seguir o conselho do médico e largar o emprego rotineiro e entediante de escritório. Era o seu grito de liberdade.

Estava sem emprego mas se sentiu aliviado quando tomou a decisão e não precisou mais ir para aquele lugar. O problema agora era outro. O que faria dali para frente? Por mais que tivesse que passar um tempo sem pensar e relaxar completamente, não conseguia.

É verdade que destestava o que fazia e só continuava pelo dinheiro. Por isso não se arrependeu. Mas viveu tanto tempo no piloto automático que havia perdido a noção do que realmente importava e gostava. Tudo estava sem gosto, sem graça.

Não era de surpreender que acabou negligenciando a própria saúde, relacionamentos e agora lidava com as consequências de sua covardisse de não encarar que a sua realidade era uma merda e precisava mudar.

Suspirou, mais uma vez, bagunçando os cabelos. Se despiu, jogou as suas  roupas no chão de qualquer jeito e entrou debaixo do chuveiro. A água quente escorreu pelo seu corpo e ele inclinou o pescoço para trás para sentí-la em seu rosto. E abriu a para que jorrasse ali.

Não conseguiu mais ignorar. Inclinou a cabeça para frente e ainda de olhos fechados moveu as suas mãos que logo alcançaram o que ele observava indgnado no sofá, a sua intimidade desperta e pulsante.

Era a segunda vez. Teve sorte que apenas Bonney havia reparado durante a aula e levou na esportiva. Ou pelo menos era o que esperava. Mordeu os lábios e com o auxílio da água, deslizou uma das mãos facilmente por toda a sua extensão.

Por mais que tentasse evitar, os fragmentos daquela noite se alternavam em seu pensamento. A sua respiração mais uma vez estava desregulada e o coração descompassado. As faces de Sanji estavam marcadas em sua mente.

A passional. A irônica. A concentrada. E a indefesa porém tentadora, enquanto dormia. Com tantas mulheres lindas, porque era justamente essa face que insistia em permanecer e lhe atormentar? O membro, em sua mão, pulsava no ritmo dos movimentos da dança que relembrava, assim como o seu prazer e excitação que irradiavam pelo seu corpo forte e moreno.

Lembrou-se dos glúteos torneados e emoldurados pela calça social. E de como Sanji lhe encarava profundamente durante a dança que tiveram juntos. Podia sentir até o seu perfume com se ele estivesse espalhado ali, no box do banheiro. Ah, e o toque em sua cintura? E a presença marcante do outro tão perto de si? Mordeu os lábios e acelerou os movimentos de vai-e-vem.

Precisou apoiar uma das mãos na parede. Sua cabeça se jogava involuntariamente para trás. A sua boca se abria e liberava gemidos e grunidos profundos. Lembrou-se do encaixe forte e passional entre o corpo de Sanji e Robin. E o seu corpo tensionou ao imaginar como seria se fosse ele no lugar da mulher.

Sanji o encararia com a mesma expressão de paixão, com a qual encarava Robin? Ele deixaria que Zoro ousasse e sua mão forte também deslizasse pelo seu corpo longilíneo e alvo?

Ah, os glúteos torneados voltavam a tomar conta de sua mente...

Zoro urrou ao sentir o corpo estremecer. Com os olhos ainda fechados, mordia e lambia os lábios enquanto saboreava o ápice do prazer lhe invadir. Ele continuou massageando o seu membro até que todo o líquido fosse despejado. Não só sua mão mas a parede e o chão tinham as marcas de seu êxtase.

Quando o tremor lhe deu trégua, percebeu que o seu peito expandia e retraía com intensidade. Sua cabeça estava novamente baixa. Os dedos da mão na parede se fecharam parcialmente com força.

— Droga, eu sabia que ouvir o Usopp só traria ainda mais problemas pra minha cabeça. Ele me paga... — resmungou.

O homem então terminou de tormar o seu banho e ainda mal humorado se arrumou, preparou algo para comer e se jogou no sofá e em frente ao tv. Vira e mexe se pegava resmungando e repreendendo-se. Os seus olhos estavam direcionados para a tela mas o seu pensamento insistia em vagar para longe dali. 

~

(...continua no próximo capítulo)


Notas Finais


Gostaram? Vale a pena ter uma continuação?



CURIOSIDADE 1: Tive um quadro parecido com o do Zoro, de Enxaqueca com Aura e a médica me disse algo parecido. Eu aumentei o quadro dele na história para ficar mais dramático mas eu cheguei a ser carregada para o hospital pelo pessoal da empresa que trabalhava. A parte que mais me assustou foi quando pensava em uma palavra e escrevia outra no computador ou então queria falar algo e tinha lentidão para o meu corpo reagir e dizer algo. Não conseguia enxergar direito. Me sentia tonta e fraca. Fiquei no soro, fiz uns exames. O médico disse que era essa a suspeita. Passei com uma neurologista depois, fiz aquele exame assustador que vc entra deitada numa especie de camara de raio-x para o cerebro e quase morri com fobia.. Mas enfim... tava tudo bem com a parte fisica! Depois que tive isso pela primeira vez precisei me policiar muito com situações de estresse. Fui obrigada a perceber que o que mais importa é o aqui e o agora e não as cobranças da vida e das pessoas sobre como deveriamos ser e o que deveriamos estar fazendo. É bem dificil, como devem imaginar.. kkkkk mas são só oportunidades de mudança que a vida dá em forma de sinais sobre como erramos no foco do que importa na nossa vida...



CURIOSIDADE 2: Adoro filmes de dança. Eu estava no youtube como quem não quer nada e vi uma sugestão de um video curtinho do Antonio Bandeiras dançando tango com um mina... E NÃO RESISTI em escrever essa história ao imaginar o Zoro e o Sanji dançando Tango.. Eu já estava decidido que eles seriam o próximo casal principal da minha nova fic mas ainda não sabia o que fazer e falar a respeito... E TCHARAM! <3 Idéias começaram a surgir na minha mente. Espero que tenham gostado! kkkk


CURIOSIDADE 3: Quem já leu minhas outras fics sabe que eu adoro o Kid, o Killer e explorar a historias de outros casais. Com certeza vou colocar o Kid no meio dessa fic também <3 meu ruivo delicioso e safado! E quanto a possibilidade de ter outros casais nessa fic, bom ainda é segredo... :x Muahahaha (autora surtando com idéias mirabolantes)


Eu não faço idéia se já tem algo parecido por ai.. de qualquer forma eu adoraria ouvir a opinião de vocês! Vale a pena continuar ou não?


Se você chegou até aqui, muito obrigada!
Se comentar, der a sua opinião e favoritar, eu já agradeço antecipado também! <3

E até o próximo capítulo :)


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