História No Escurinho do Cinema... - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Sehun
Tags Baekhun, Exo, Filmes, Romance, Sebaek, Shortfic
Visualizações 331
Palavras 4.807
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


YEHET, PESSOAL!-q
Não acredito que tive 12 favoritações só no primeiro capítulo! kkkkkkkk
Nossa, muito obrigada meeeeeesmo! Vocês não tem ideia do quão feliz fiquei com cada notificação de favorito! :) MUITO MUITO OBRIGADA!!!
Arranjei um tempinho aqui para postar esse (tava pronto desde ontem, só precisava revisar, e novamente peço desculpas se tiverem erros, sério, I'M SORRY! Caso tenha algo que eu tenha perdido, agradeço se me avisarem)
Esse capítulo ficou bem grandinho (ao meu ver), mas foi bem gostoso de escrever. Fiz uma bagunça na hora de juntar as partes, mas, no fim consegui me achar. Escrevi ouvindo a versão do Lacuna Coil de Enjoy the Silence, e recomendo muuuuito pra vocês porque a música é linda! (engraçado que só fui notar essa coisa do silêncio + Sehun depois que já tinha terminado huahuahua)
Boa leitura!!!

Capítulo 2 - De Volta Para o Futuro


"Eu era um extraterrestre perdido. Um 'hóspede' a mais naquele planeta. Um invasor. Um impostor. E isso me tornava um ser perigoso aos olhos dos terráqueos que não mediam esforços ao me tratarem mal.".

 

Eu estava entediado, com fome, com sede, cansado, com vontade de urinar e com vontade de matar o Yixing.

Não sabia que horas eram, e que horas eu ia embora. E sinceramente, eu nem ligava mais. Não tinha como ficar pior do que isso!

Afinal, o que poderia ser pior do que ter de ficar em pé, em frente a uma lanchonete recém-inaugurada num parque de diversões trajando uma fantasia ridícula de ketchup gigante com a logo do estabelecimento a mostra para quem quisesse ver?

Um grupo de estudantes passou rindo por mim, e eu tive que forçar um sorriso (que provavelmente tenha parecido mais com uma careta). Eles entraram na lanchonete e seguiram para uma das mesas vagas assim como todo mundo fazia quando chegava ali. 

Suspirei fitando o céu negro e tentei recordar porque eu estava passando por aquilo pela milionésima vez.

Basicamente, meu celular vibrou em meu bolso já no final da tarde daquela segunda-feira. Eu me encontrava deitado em minha cama, apenas fitando o teto entediado, enquanto meu cachorro, Vivi, dormia encolhido sobre minha barriga.

Com dificuldade, tateei meu bolso e agarrei o aparelho sem perturbar o soninho da bola de pelos branca.

Era uma mensagem de Zhang Yixing, um dos meus amigos veteranos do curso de dança.

 

18h11min| Sehun, não esquece que você prometeu que ia me ajudar na inauguração da lanchonete no parque. Esteja lá às 19:00! Não esquece!

 

Eu havia feito essa promessa simplesmente para ele parar de pegar no meu pé. O chinês não parava de comentar sobre a lanchonete que seria aberta no parque por sua avó e estava procurando alguém para ajudar na inauguração. Como ele matracava sem parar, explodi e acabei prometendo que iria. 

Porém, quando cheguei lá, Yixing sorriu para mim (vestido numa fantasia de molho de pimenta) e me passou a fantasia de ketchup. Daí pediu para que eu ficasse do lado de fora atraindo as pessoas, sorrindo e promovendo o local, enquanto ele ajudava a avó a atender os clientes. 

Naturalmente, nem preciso dizer que não deu certo. A maior parte do tempo eu fiquei apenas de braços cruzados e com a cara fechada observando a movimentação. Faltava rosnar toda vez que caçoavam de mim, mas limitei-me a revirar os olhos. 

E eu pensando que toda a situação envolvendo Baekhyun era a pior coisa que poderia acontecer. Mal sabia...

Após concordar com a proposta dele, assisti o restante daquele filme de zumbis com o anão tagarela. Ele insistia em fazer comentários sobre a produção, efeitos, filmagem, a atuação do elenco, e outras coisas que não prestei atenção. Inclusive, cochilei uns vinte minutos e acordei no momento que os créditos começavam a aparecer no telão. Ele sequer notou que eu dormi e continuava falando animadamente sem parar, contando sobre a vida do diretor e os projetos que se sucederam em sua carreira. Não fiz muita questão de dar importância, e não escondi o qual desinteressado estava apenas olhei meu relógio de pulso, apanhei minha mochila e resmunguei um "tchau" enquanto ele falava "até amanhã" alegremente. De novo, aquela alegria tóxica, exagerada e extremamente irritante. Já sabia que teria de ter paciência para conseguir aturar o Byun até o fim da outra semana, mas não sabia de onde a arranjaria.

E uma coisa me deixava ainda mais puto com a situação. Ele queria que eu sentisse. Mas sentisse o quê? Aquela alegria infecciosa que emanava dele? Eu simplesmente não conseguia compreender. Ele poderia ser apenas um garoto normal e fazer o projeto comigo como um garoto normal ao invés de ficar inventando coisas idiotas como me obrigar a fazer uma sessão de cinema por uma semana e desperdiçar uma semana de produção do curta-metragem com algo tão estúpido.

Resumindo: eu já estava de saco cheio. E ainda era a porra da segunda-feira! Imagina o que aconteceria no resto da semana? 

— Sehun? Oh Sehun?

A voz grossa de Park Chanyeol, o melhor amigo da criatura feliz, soou animada ao meu lado. Ao fita-lo, o encontrei de mãos dadas com sua namorada risonha de cabelos negros e mechas louras na nuca (e nome desconhecido). Ambos usavam uma camiseta preta idêntica de One Piece e calça jeans escura. 

— O que fizeram com você? — a garota riu baixinho.

Fiz uma careta. Era só o que me faltava: os amigos do Baekhyun zoando com a minha cara.

— O que vocês fazem aqui? — indaguei.

Chanyeol deu de ombros, o vento forte daquela noite bagunçando seus cabelos escarlates.

— O que as pessoas fazem em parques de diversões? — brincou —, o que me interessa saber é por que você está usando essa roupa ridícula. Tenho certeza de que isso não foi ideia sua. Você é sério demais para essas coisas.

— Ainda bem que você me conhece tão bem — retruquei sarcástico —, realmente, não foi ideia minha. Prometi a Yixing que ia ajuda-lo na inauguração da lanchonete da avó dele. Cá estou ajudando a atrair cliente.

A garota deu um tapinha fraco no ombro de Chanyeol que tentava segurar o riso.

— Você está fazendo tudo, menos atraindo clientes com essa carranca — comentou sorridente — é mais provável que os esteja espantando. 

Revirei os olhos, começando a sentir minha vontade de ir ao banheiro aumentar.

— Eu não disse que ia fazer de boa vontade. Eu estava entediado em casa e estou entediado aqui. Talvez tivesse sido mais produtivo ficar entediado em casa. 

Chanyeol balançou a cabeça olhando em volta.

— Será mesmo?... — ficou mudo de repente, e balançou a mão da namorada chamando sua atenção e apontando para um estande não muito longe da lanchonete —, vamos competir no tiro ao alvo?

— Valendo o quê? — perguntou ela.

O ruivo arqueou uma sobrancelha.

— Uma massagem.

Ambos ficaram se encarando por um tempo e eu pigarreei, chamando suas atenções.

— Vocês planejam transar aqui no meio do parque? 

Eles estavam ali, dando em cima um do outro na maior cara de pau na minha frente.

— Você vai perder, Channie. Se prepare — afirmou ela em voz baixa.

Os olhos dele brilharam quando respondeu:

— É o que veremos, tampinha.

E simplesmente me ignorando, seguiram até o estande de tiro ao alvo. Ela não era exatamente uma tampinha, mas perto de um cara tão alto como ele, parecia ser mais baixa do que realmente era. 

Eu não sabia muita coisa sobre os amigos de Baekhyun, apenas sabia que a garota namorava outro garoto (tão nerd quanto ela) há uns dois anos, mas terminou com ele, pois se viu apaixonada por outro nerd (Chanyeol). 

E vendo o casal andando livremente pelo parque me fez perceber que eu queria andar também. E achar um banheiro. 

Sem me importar muito, caminhei para longe daquela lanchonete ainda vestido de ketchup em direção ao banheiro masculino mais próximo. Uma pequena fila antecedia as cabines expostas a céu aberto e eu aguardei sentindo os olhares de chacota das pessoas em volta. Quando estava chegando minha vez, lembrei-me de um grande problema até então ignorado por mim: não tinha como eu tirar aquela fantasia sozinho, logo, não tinha como eu urinar. 

Amaldiçoando aquela roupa, olhei em volta pensando numa solução.

Já estava começando a sentir certo desespero por não saber o que fazer. Como eu ia fazer? Ia fazer xixi nas calças?

Não sei dizer se foi sorte ou azar, mas, acabei por ver Baekhyun não muito longe da minha pessoa, segurando uma câmera profissional em frente ao rosto enquanto tirava fotos das pessoas, dos brinquedos e diversas outras coisas. Observei como ele afastava a câmera, conferia a foto tirada e dava um sorrisinho fofo, digo, satisfeito.

Usava a camiseta frouxa de hoje mais cedo, então deduzi que saíra da faculdade direto para o parque.

Poderia me arrepender, mas eu não ia esperar minha bexiga explodir.

— Baekhyun! — chamei.

Imediatamente, ele me fitou. Esperei um sorriso, alguma coisa que expelisse sua alegria excessiva (o que era de se imaginar que ele faria), mas ele posicionou a câmera sobre o rosto e tirou uma foto minha. Trajando aquela fantasia ridícula.

Feito isso, ele finalmente abriu o sorriso radiante e se aproximou, largando a câmera no suporte do pescoço sem sequer conferir a foto como fizera anteriormente com as outras.

— Oi, Sehun! — saudou.

Fiquei ali estático, sequer piscando. Eu estava tão surpreso com sua atitude que por alguns segundos, não reagi. Apenas alguns mesmo...

— Você está maluco? — guinchei puto — apaga essa merda!

Ele não se sobressaltou com meu surto, mas seu sorriso morreu aos poucos e me vi estranhando sua expressão de seriedade repentina e inesperada. Ele me olhava de uma maneira que me fez ficar mal, como se reprovasse a minha atitude anterior. Eu nunca o tinha visto sério assim. E não parecia sequer combinar com ele.

— Você não precisa fazer um teatro no meio do parque, basta pedir com educação — sua voz assumiu um tom duro e ele pegou a câmera, abriu a foto e a excluiu bem na minha frente para que eu pudesse ver e se afastou ainda sério.

Merda, merda, merda!

— Baekhyun, espera! — me arrependi de ter sido tão grosseiro. Eu ainda precisava da ajuda dele, droga! — Baekhyun! Por favor!

Ele parou, se virou e me fitou novamente. A expressão interrogativa, fechada, como se indagasse "que é?". Não estava mais sério, mas também não assumira sua usual personalidade alegre.

— Me desculpe — tinha apenas um homem na minha frente. Eu seria o próximo a usar o banheiro — é sério! Desculpa, mesmo. Eu apenas estou estressado porque estou cansado, faminto, e estou vestindo essa roupa idiota. Você pode me ajudar? Por favor?

Ainda sem demonstrar nenhuma emoção muito aparente, ele se aproximou devagar com um olhar desconfiado.

— Ajudar?

Aproximei-me de seu ouvido, abaixando até alcançar sua orelha. Ele se arrepiou, mas eu ignorei e sussurrei:

— Não tenho como ir ao banheiro se eu não tirar essa roupa. Tem como você me ajudar? 

E o Byun continuava sério. Era como se ele estivesse analisando o meu pedido minuciosamente. Eu não estava com paciência para esperar ele decidir, eu tinha que usar o banheiro logo!

Mas, inesperadamente, uma gargalhada explodiu de sua garganta me fazendo piscar, confuso. Ele estava rindo de mim? Aquele pequeno bastardo...

— Ah, minha nossa... — seus ombros tremiam enquanto seus gargalhos melodiosos ecoavam pelos meus ouvidos. A voz dele parecia ser uma melodia a todo o tempo. Enquanto ele falava, ria... — você não acha que as pessoas vão estranhar você entrar no banheiro junto de outra pessoa?

— Não ligo a mínima para o que vão pensar — respondi de forma sincera. Eu realmente não ligava.

Dando de ombros, Baekhyun me empurrou para frente e eu notei que estava na minha vez. Entramos dentro da cabine vaga, meio apertada para duas pessoas, mas que daria para o gasto.

Fechando a porta atrás de si, ele me fitou com uma sobrancelha arqueada e um meio sorriso divertido.

— Não vai se virar?

Demorei alguns segundos para entender, meu cérebro de mingau não raciocinava. Quando finalmente me deu conta, senti-me um pouco acuado, e me virei de forma robótica, ficando de costas para o indivíduo. Ouvi quando ele abriu o zíper da fantasia torturantemente devagar e após o que me pareceu um século, me pediu baixinho para erguer os braços, puxando aquilo para fora do meu corpo. 

Eu ainda usava um macacão vermelho por baixo que cobria minhas pernas e braços, e novamente ele me ajudou a tirar. Parecia uma espécie de segunda pele, pois grudava no meu corpo de maneira desconfortável.

E sou tão lerdo que me custou uns dois segundos para perceber que eu estava apenas de cueca na frente de Baekhyun. E o mesmo parecia estar extremamente envergonhado ao fitar meu corpo porque seu rosto corou. Mas, curiosamente, o Byun não desviava o olhar, parecia decorar cada detalhe que seus olhos encontravam e eu pensei se precisaria estalar os dedos em sua frente para que ele acordasse do transe, porém, não foi necessário já que o mesmo despertou sozinho e rapidamente encarou a porta da cabine ficando de costas para me dar privacidade, mas era simplesmente difícil ter privacidade quando outro homem dividia um espaço pequeno daqueles com você.

Urinei logo, e higienizei minhas mãos com o álcool em gel disponível ali antes de vestir o macacão sem pedir ajuda a Baekhyun. Aquele silêncio era sufocante demais dentro da cabine e eu queria sair o mais rápido possível dali. Porém, quando chegou na parte de cima da fantasia, precisei de auxílio mais uma vez. Ele me ajudou sem falar nada (sequer parecia que respirava).

Saímos do banheiro nos sentindo constrangidos. O meu constrangimento se dava pelo fato de que não tinha como eu ignorar o garoto ou lhe dar um gelo toda vez que ele vier comigo. Ele havia me ajudado num momento daquele, e pior, tinha me visto seminu. E isso me fez suspirar desanimado, pois indicava intimidade. Ele certamente ia querer que fôssemos amigos e eu não queria de jeito nenhum ser amigo do Byun. Não importava o quão prestativo ele possa ter sido, sua presença ainda era meio tóxica para mim (apenas torcia que ele tivesse bom-senso já que nós tínhamos nos conhecido naquele mesmo dia. A situação do banheiro fora uma emergência inesperada).

— Aliás — murmurei, procurando uma forma de terminar nossa interação naquela noite sem parecer mal-educado —, se quiser, pode tirar outra foto minha.

Baekhyun balançou a cabeça com um sorriso no rosto. O vento fazia seus cabelos cobrirem seus olhos e deixava suas bochechas levemente coradas. Ele não parecia saber, mas estava simplesmente adorável (eu nunca diria isso para ele. E correr o risco de ele não largar do meu pé? É nunca!).

— Essa é a sua forma de agradecimento? Bastava um "obrigado" — comentou divertido.

Meu plano de ficar longe dele foi por água abaixo quando simplesmente esqueci-me disso por um momento enquanto caminhávamos pelo parque sem rumo e sem falar nada até chegarmos a uma ala perto do estande de pescaria cheia de bancos para as pessoas descansarem.

Sentamos em um deles e eu me permiti relaxar por um tempo. Sabia que havia planejado me livrar do Byun de qualquer jeito, mas naquela hora decidi ficar tranquilo, apenas curtir o "silêncio" e descansar um pouco.

Claro que o anão não ia deixar isso acontecer.

— Estou curioso quanto a uma coisa, Sehun — começou a tagarelar, o que automaticamente me gemer baixinho em desgosto —, se você não gosta tanto de filmes, o que te motivou a aceitar ser influenciado por Kyungsoo? Não consigo compreender.

Suspirei.

— Ele me disse que seria divertido tentar alguma coisa com temática de cinema e eu estava considerando — afirmei —, não havia decidido totalmente como faria, mas o professor tomou todas as decisões por mim.

Baekhyun apoiou a cabeça no encosto do banco e fitou o céu parecendo pensativo.

— Oh, sim. Imagino que deve ter sido terrível quando o professor Lee te contou que ele havia nos colocado como parceiros — riu baixinho —, eu estava um pouco desesperado porque não havia ninguém interessado em fazer algum projeto de cinema comigo, então implorei que ele me ajudasse a encontrar alguém — comentou —, foi mal por ter te jogado nessa situação, mas foi realmente um caso de desespero da minha parte.

Mantive-me calado na esperança de que ele calasse a boca. Além de falar sem parar, ele falava deveras rápido!

— Acho interessante estarmos nessa juntos — sussurrou —, nunca acompanhei nada sobre a divisão de dança da nossa faculdade, mas sei que todos vocês são bem...

— Nossa, mas você realmente não para de falar, não é?! Não poderia ser mais sério?! — interrompi, não ligando muito para civilidades.

Baekhyun sorriu minimamente e me fitou pelo canto do olho.

— E você quase nunca fala — retrucou, ignorando o que eu dissera sobre sua seriedade —, ou sorri. 

Cruzei meus braços e ignorei seu olhar.

— Eu estou falando com você desde ontem — apontei de forma rabugenta.

— E devo dizer que estou chocado. Nunca tinha visto você falar um "A" — deu de ombros —, parece que tenho a habilidade fazer você abrir a boca.

Aquilo me fez revirar os olhos.

— E eu não sorrio muito porque não há necessidade de sorrir o tempo inteiro — respondi.

Baekhyun se ajeitou no banco e se debruçou, apoiando os cotovelos nos joelhos juntos. A câmera descansava sobre suas coxas. Seu olhar parecia meio perdido, focado no movimento do parque.

— Quem diabos sorri simplesmente porque é uma necessidade? Eu gosto de sorrir, gosto de sorrisos. São coisas preciosas — falou num tom meio emocionado, outro sorriso a mostra sobre seus lábios.

Eu o observava de forma interrogativa. Ele parecia estar tão feliz há alguns segundos, mas agora estava diferente. E eu me vi intrigado com aquilo.

— As pessoas procuram motivo para tudo, explicação para tudo. Querem viver tanto pela razão que elas acabam esquecendo-se de viver realmente — comentou parecendo triste —, se tivéssemos mais sorrisos, mais beijos, mais abraços e menos reclamações... 

Eu estava em silêncio, hipnotizado pela forma como ele falava, observando seus gestos com as mãos, a ventania ainda batendo em seu rosto e cabelo. E percebi como aquela tristeza não combinava com ele. Vi-me observando o Byun bem antes de sequer sermos parceiros no projeto. Eu sempre o observava de longe, sempre percebendo suas manias e personalidade irritantes. Ele parecia um raio de sol brilhante demais, claro demais, que te cegava com aquela luz ultravioleta e te irritava quando atrapalhava sua visão, mas quando se entristecia, era como se a luz diminuísse e desse lugar a uma coisa sombria...

Balançando a cabeça e revirando os olhos com meus pensamentos idiotas, levantei-me rapidamente e tentei me espreguiçar, era a hora de voltar para a lanchonete.

Resmunguei um "tchau" exatamente como fizera mais cedo naquele dia para começar a sair dali, mas Baekhyun segurou meu pulso. Quando me virei para encará-lo, ele sorria de forma tímida, ainda sentado no banco.

— Pode me passar seu número de telefone? Em caso eu precise falar com você.

Minha primeira resposta instintiva foi um grande e sonoro "NÃO", mas surpreendentemente, acabei pensando que não havia nada demais em passar meu contato para ele. Afinal, éramos parceiros no projeto. 

Assentindo, ditei os dígitos para ele que rapidamente os adicionou à lista de contatos do celular antes de dar um toque no meu celular (esquecido no meio das minhas roupas na lanchonete) para que eu soubesse seu número.

Sem querer dar mais brechas, soltei meu pulso e caminhei de volta para minha cota de humilhação da noite.

 

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No dia seguinte, minhas aulas do período da manhã transcorreram normalmente junto de Jongin. 

Ao chegar à faculdade, fui até meu armário e quando o abri, um post-it amarelo voou até meu pé. Apanhando-o, logo li e amassei jogando de volta no armário. Era o tal bilhete de Baekhyun me avisando sobre as sessões de cinema.

Após passar um tempo estudando na biblioteca, comi apenas um salgadinho que comprara da lanchonete e fui para o estúdio de dança da faculdade. Ali possuíam diversas salas de espelhos e pequenos palcos. Escolhi ficar numa ala não espelhada de uma das salas, e trajando apenas uma camiseta cinza e uma calça preta, comecei a criar passos de olhos fechados, apenas seguindo o ritmo da música que tocava em minha mente e mergulhando naquele mundo. Um mundo que pertencia somente a mim. 

Era como se algo irrompesse dentro de mim toda vez que eu me entregava à dança, toda vez que eu me perdia completamente. E eu me sentia me extasiado por causa daquela concentração, aquele foco que eu tinha. Era como se minha cabeça e minha mente fechassem para o resto do mundo toda a vez que eu deixava meu corpo mover livremente, e absolutamente nada podia tirar aquilo de mim...

Horas mais tarde, já pingando de suor dos pés à cabeça, apanhei minha mochila e me dirigi até os chuveiros anexos, mas antes que eu sequer tirasse a roupa, conferi meu celular e me vi arregalando os olhos.

 

13h30min| Oi, Sehun. Não sei se você adicionou meu número. Aqui é o Baekhyun. Cadê você?

 

Eu não tinha adicionado o número dele...

 

14h03min| Você vai demorar muito ainda? Me avisa quando for chegar atrasado, por favor! Daí, não precisarei ficar aqui sozinho.

 

14h27min| Sehun, o filme que eu escolhi para hoje é muito legal! Você já perdeu muitas cenas legais! :(

 

15h00min| Você está perdendo a melhor parte! :( 

 

15h14min| Aconteceu alguma coisa? Você sequer está olhando minhas mensagens.

 

15h58min| Olha, me desculpa por mandar tantas mensagens assim, não vou mais fazer isso. Desculpe.

 

E ele não mandou mesmo. Agora eram 16h15min e não veio mais nada. Batendo um puta peso na consciência por ter me esquecido completamente da sessão de cinema e deixado o baixinho esperando sozinho, corri suado e tudo mais até a sala de projeção número 4 com a mochila nas costas.

Ao chegar lá, encontrei o projetor desligado, mas a sala não estava vazia. Baekhyun ainda estava lá sentado na que parecia ser a mesma poltrona do dia anterior. E parecia desenhar alguma coisa num caderno.

Aproximei-me devagar engolindo em seco, sentindo-me extremamente receoso e culpado. 

Quando me sentei ao seu lado, ele não disse nada, sequer olhou na minha direção, apenas continuava desenhando no caderno com uma lapiseira de ponta grossa. Ele fazia o desenho do personagem do Alien e detalhava a criatura de uma forma simplesmente impressionante. 

Franzi minha testa sem saber o que dizer e admirado com a habilidade de desenho do Byun.

— Me desculpe — sussurrei de forma audível para que ele ouvisse. 

Ele continuou sem me responder e eu me sentia cada vez mais culpado.

— Eu estava dançando e perdi a hora. Não chequei o celular nas últimas horas, por isso não vi suas mensagens e não me lembrei de te avisar — notei que ele começou a desenhar com mais força, apoiando a lapiseira de forma brusca no caderno e fazendo um pequeno borrão num detalhe do tronco do Alien.

Aquilo pareceu chateá-lo e Baekhyun suspirou baixinho antes de tirar os cabelos castanhos dos olhos, fechar o caderno, guarda-lo dentro da mochila aberta e jogada no chão junto com a lapiseira e se levantar, indo até a saída.

Arqueei minhas sobrancelhas, surpreso. Ele não dissera nada! Nadinha! Nem uma palavra sequer!

Eu conhecia bem aquele garoto (mesmo que fosse de longe) e se tinha uma coisa que não era normal, era ele ficar em silêncio.

Levantando-me rapidamente e caminhando na velocidade da luz, impedi que ele saísse da sala e o encurralei na saída. Os olhos dele bateram em mim pela primeira vez e me perscrutaram da cabeça aos pés, parecendo absorver cada detalhe da minha aparência suada e isso me deixou... Envergonhado. Não sabia como lidar com aquele olhara avaliativo, e sinceramente, eu estava um lixo (por assim dizer). Ser observado daquele jeito era constrangedor.

— Baekhyun — suspirei, pesadamente — me perdoa, por favor. Não fiz por mal.

Era estranho. Eu me sentia estranho. Até ontem à noite eu não dava mínima para essa sessão e simplesmente estaria pouco me lixando por ter esquecido e deixado ele terá. Essa devia ter sido a minha reação! Eu estava interagindo com ele por menos de um dia, por que eu estava me sentindo tão mal assim? Não fora nada demais!

Ele sorriu tristemente.

— Eu sei, mas... — passou a mão pelos cabelos —, eu fui idiota exigindo aquilo de você ontem. Você não gosta muito de cinema e isso é totalmente compreensível, nem todo mundo gosta das mesmas coisas...

Ele parecia tão decepcionado que me fez sentir o pior ser humano do planeta. Mas o que era pior era que a decepção não era comigo. Ele estava decepcionado consigo mesmo. E eu estava odiando vê-lo daquele jeito. Aquele tipo de comportamento melancólico não combinava com a personalidade dele.

— Você não precisa ficar tão mal assim só porque eu me esqueci da sessão hoje — retruquei —, eu geralmente faço outras coisas de tarde, então não é tão estranho assim.

Ele suspirou.

— Você parece sempre querer se livrar de mim, dormiu ontem durante o filme, simplesmente não escuta uma palavra sequer do que eu digo e sempre fala comigo de uma extremamente fechada e até grosseira — arregalei meus olhos, pego completamente de surpresa.

E surpreendentemente, ele riu. Embora houvesse humor, eu sabia que havia um "quê" de tristeza ali.

— O que foi? Você achou que eu não sabia? — seu tom de voz foi irônico —, quase ninguém me suporta nessa faculdade, você não precisa fingir ser diferente — ele apanhou o celular e digitou alguma coisa para Chanyeol que havia acabado de mandar uma mensagem —, não sou do tipo que força amizade com quem não quer, Sehun, relaxa! Apenas pensei que a ideia dos filmes fosse boa, mas foi idiota, de verdade — deu de ombros —, não vou te obrigar a fazer algo que você não queira. É simplesmente muito babaca da minha parte.

Espreguiçando e bocejando, notei que ele usava uma camiseta gigantesca de algum jogo de videogame, jeans e um All Star encardido preto. E parecia estar um pouco cansado.

Não sei o que foi pior: vê-lo agir dessa forma ou saber que ele estava magoado e simplesmente atuava muito, mas muito bem.

Porque, de algum jeito, eu sabia.

Alguém como ele que não escondia seu amor pelo cinema, e como gostava de afeto não vivia simplesmente bem com todo mundo o chamando de "insuportável" e o tratando de forma não muito civilizada pelos corredores. 

E aquilo me fez sentir pior do que lixo (no quesito aparência e pessoal). Lembrei-me da forma como o tratei, das coisas que pensei e falei e me senti extremamente envergonhando. Era como se eu tivesse levado um soco na cara e estivesse enxergando Baekhyun como uma pessoa real com sentimento e não apenas um anão tagarela. 

O que estava me causando isso? Esse arrependimento. Em menos de um dia com ele eu já estava praticamente mudando minha opinião sobre ele? 

Não.

Isso não. Ele continuava sendo tagarela, alegre demais, tóxico demais, irritante demais. 

Mas, era como se ele fosse mais humano agora.

Quando Baekhyun fez menção de sair da sala, eu o segurei por trás e o abracei, sem me importar com o suor de meu corpo impregnando suas roupas. Ele ficou estático com o meu toque e eu aproximei mais o meu corpo, grudando ao seu e o aconchegando em meus braços naquele abraço apertado.

— Me desculpe — sussurrei novamente bem baixinho, mas dessa vez, fora perto do seu ouvido. Senti que ele se arrepiou exatamente como na noite anterior. 

Eu sentia um sentimento de culpa e compaixão esmagadoras dentro de mim, e de alguma forma, eu sabia que precisava me redimir.

— Eu prometo para você que estarei aqui no horário nos próximos dias para assistirmos todos os filmes que você quiser apenas não saia desse jeito — meu tom de voz entonava imploração — por favor! 

Ele enrijeceu em meus braços, mas não se moveu.

— Já falei que não precisa, Sehun. Não quero mais — respondeu, parecendo irritado —, foi uma ideia idiota, agora me larga! 

Mas, eu estava determinado.

— Não vou te soltar. Não até você me garantir que haverá a sessão de quarta, de quinta e de sexta — retruquei, apertando o abraço ao máximo, sem querer sentindo o cheiro da colônia que ele usava.

Baekhyun respirava baixinho, mantendo-se em silêncio. Eu conseguia sentir seu coração batendo com força, e de alguma forma, aquele nervosismo antecedendo sua resposta fazia o meu bater forte também.

Finalmente murmurou:

— Tudo bem. Haverá a sessão de quarta, quinta e sexta — confirmou, me fazendo quase respirar de alívio —, pode me soltar agora? Seu suor está começando a me molhar mesmo. 

Num passo, me afastei e apenas observei ele sair da sala sem olhar para trás. 

Ele não dissera que me perdoara, mas pelo menos ia fazer as sessões de cinema como havíamos combinado no dia anterior. Eu podia pedir desculpas quantas vezes fossem necessárias para que ele não ficasse chateado...

Caminhei até a poltrona onde deixara a minha mochila e enruguei a testa ao notar um DVD caído no chão, bem embaixo da poltrona onde Baekhyun estava sentado anteriormente.

Li a capa e suspirei.

De Volta Para o Futuro.

Eu nunca assistira a aquele filme, mas já ouvira falar. Talvez o filme fosse realmente legal! 

Abri o DVD e conferi se o disco estava lá (e estava), mas surpreendentemente, sobre o disco, havia uma folha de caderno dobrada. Quando a abri, visualizei uma frase escrita em inglês com uma caneta de tinta azul.

 

"I was a lost extraterrestrial. One more "guest" in an unknown planet. An invader. An imposter. And that made me dangerous in the eyes of the earthlings who measured no efforts in treating me badly."

 

— Parte 1

 

Franzi a testa quando me perguntei o que era aquilo, e onde estavam as outras partes.

 

 


Notas Finais


PS. O trecho em inglês do final é o mesmo do início em português, tá?! kkkkk
Quem nunca viu De Volta Para o Futuro precisa ver kkkkkkkk é sério! Esse filme é muito bom!!!
Gente, não queria dar spoiler, nem nada, apenas queria esclarecer que eles ainda não estão apaixonados! Por favor! Pode parecer estar meio precipitado, mas ainda não é nada sério. Ainda.
Gostaram?? Eu me divirto a beça escrevendo essa fic (e sofri muito escrevendo esse capítulo. Sou do tipo que chora escrevendo cenas tristes, que ri escrevendo cenas engraçadas... sim, sou louca kkkkkkkkkk).
Beijinhos <3
(Provavelmente o próximo saia na segunda, mas não é promessa, okay?)
PSS. Peço desculpas a babi que aceitou, mas reclamou por eu ter feito Chanyeol hetero kkkkkkkkk me perdoa, não desiste de mim, por favor! lol (é tão raro CY hetero nas fanfics assim? Coitado... kkkk)


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