História No love - Malec - Capítulo 12


Escrita por: ~

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Categorias Os Instrumentos Mortais, Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), Lady Camille Belcourt, Magnus Bane
Tags Alec, Amor, Beijo, Dor, Drama, Família, Magnus, Malec, Sexo
Visualizações 116
Palavras 3.351
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Yo!

Aviso: São visões diferentes de uma única situação, o que para uns parece um paraíso, para o outro é como o inferno. Nem todos os segredos são revelados e as vezes, conversar sobre o passado, trás a tona momentos esquecidos.

Boa leitura.

Capítulo 12 - The night is long the night is cold


Quando você está amanhã de altura em pé '

Olhando para trás, ontem

Através da memória de sua tristeza

Como o amanhecer foi tão longe

Você vai estar muito além da sombra

Onde os corações podem aprender a brilhar

E você vai perceber a noite sem fim

Foi apenas um momento no tempo.

Michael Bolton - A Time For Letting Go

 

 

Já faziam horas desde que ele partira. Camille olhava para um ponto aleatório, estava dentro de casa, sentada no meio do tapete da sala, observando pontos brilhantes se formarem em frente aos seus olhos. Magnus havia partido a mais de horas e ela ainda estava esperando que o marido voltasse, mesmo depois de todas aquelas palavras serem proferidas, mas ela sabia, ela sentia em seu ser que era mentira, que Magnus apenas não queria que ela se envolvesse em seus assuntos, que ele a amava o bastante para querer protege-la dos problemas.

A imagem doía aos olhos de Gabriel, era sua mãe, sua progenitora, a mulher que sorria ao cantar para ele dormir, a mulher que o abraçava e que por vezes ele viu chorando por causa de brigas, ele viu a melhor mulher do mundo ser despedaçada por um marido ausente e por filhos ingratos, porque Gabriel sabia, ele também estava sendo ingrato, Camille havia dado a vida a ele e ele sequer conseguiu contar para a mãe sobre o caso de Magnus com Alec. Por que ele sabia, porque ele havia encontrado tio Alec e Magnus aos beijos na cozinha, porque o tio Alec lhe deu um kit lindo de química para que ficasse em silêncio. E ele ficou, mesmo já tendo idade o bastante para jogar tudo para o alto e mandar o pai e o amante irem se foder, ele preferiu o silêncio e o kit de química.

- Mamãe. – O rapaz se aproximou, nos auge dos dezessete anos, Gabriel não entendia como alguém poderia ser responsável por uma destruição tão grande na vida de outra pessoa – Mamãe.

Camille piscou e virou o rosto para o filho, ela estava pálida, tinha um sorriso cálido e os olhos extremamente arregalados, os lábios pouco arroxeados. Gabriel praticamente se jogou de joelhos em frente a mãe, levando a mão até o rosto dela, contraindo os dedos ao sentir a pele gelada sob seu toque. Pavor tomou conta de seu corpo, mas não tinha muita coisa que poderia fazer.

- Você também é sujo, não é Gabe? – A pergunta repentina tomou o menino de surpresa e ele tossiu engasgado com a própria saliva acumulada entre os lábios – Não precisa mentir para mim, a mamãe detesta mentiras. Então fala, você também sabia, não sabia?

Gabriel puxou o ar com força, quase tendo um novo ataque de tosse. Camille levou a mão fria até o braço do filho e apertou, fazendo com que o garoto resmungasse.

- Você também é igual ao seu pai e o Jamie, não é? – Os olhos verdes encheram-se de lágrimas e Gabriel perdeu o ar com aquilo – Will e Tessa também são assim? – Então as lágrimas correram e Camille parecia tão frágil ao olhar do filho que o fez tremer. Gabriel se soltou do aperto e abraçou a mãe e ela cheirava a tabaco e coquetéis.

Foi uma surpresa, uma agradável surpresa. Camille afundou o nariz nos cabelos aloirados do filho e aspirou o cheiro, Gabriel tinha cheiro de balas jujubas e Coca-Cola, o mesmo cheiro que carregava desde que resolveu que lavar os cabelos com refrigerante os deixava mais brilhantes. E ela sorriu em meio ao choro, as unhas longas enfiaram-se contra as costas do menino e Camille apertou os olhos. Gabriel era o seu passado vivo. Magnus havia transformado James em uma fruta podre, mas os outros ainda não, Gabriel, William e Tessa, ainda eram bons e o que era bom, deveria ser eternizado assim.

**

Eles passavam muito tempo juntos e gostavam daquilo, bom, ao menos James apreciava os momentos em que Alec estava disposto a lhe dar atenção. Nos raros momentos em que Alec ria de alguma piada idiota ou de quando os olhos azuis cintilavam por causa das palavras bonitas que lhes dizia todas as noites, Alec era uma raridade e James se sentia tão especial por poder ter um pouquinho do apreço do moreno, que não importava a parte ruim daquele relacionamento, não importava que Alec o desprezasse vez ou outra, não se importava com o fato do moreno dizer o nome de Magnus nos momentos mais inoportunos, não se importava com o fato de Alec viver dopado. James havia se acostumado com uma mãe dopada, poderia facilmente se acostumar com um namorado que seguia aquele mesmo rumo.

Era um caos tão grande, mas ninguém parecia se importar o bastante, Isabelle estava feliz, finalizando o período no curso de moda, pulando e dançando pela casa aos beijos com o noivo e quando se lembrava, aparecia no quarto de Alec ou no terraço da casa, onde o moreno gostava de se esconder, dava um meio sorriso ao irmão e mandava-lhe um beijo penoso, para então sair novamente. Às vezes, James tinha a impressão que Isabelle apenas ia conferir se o moreno ainda não tinha morrido de overdose de calmantes ou por ter pulado do terraço.

- James? – O chamado tirou o garoto dos pensamentos conturbados, ele abriu um sorriso simples e olhou para o mar azulado dos olhos de Alec. Eles estavam no jardim, na parte de trás da casa, debaixo de uma enorme e desfolhada árvore.

- Algum problema, babe?

James perguntou baixinho, não querendo quebrar aquela inércia deliciosa da qual eles estavam afundados. O corpo de Alec era quente sobre o dele e um suspiro deixou os lábios finos de James por conta dessa constatação.

- Me beija? – Alec pediu e a voz dele estava tão quebrada que James apenas não negou. Ele se sentou e trouxe Alec para si, os dedos firmes entraram pelos cabelos negros e o moreno fechou os olhos sentindo o arrepio correr seu corpo. James se inclinou um pouco e roçando o nariz contra o do Lightwood, o beijou. Terna e deliciosamente.  

O sabor de Alec mudava diariamente e James gostava daquilo, os beijos do Lightwood sempre carregava uma surpresa, desde mordidas ocasionais ou o entrelaçar calmo entre as línguas, o ato de brincar com as mãos nos cabelos curtos e os suspiros de deleite. Nesses dias, James sabia que havia uma bagunça na mente de Alec e que ele o beijava para tentar expulsar o sentimento de incompletude. Da mesma forma, nos dias de agressão, nos dias em que os beijos terminavam com lábios feridos e muitas vezes sangrando, James sabia que estava tudo borrado, que o moreno não estava se reconhecendo e o beijava para aliviar a dor. Beijar James era o alivio que os calmantes não traziam e quando Alec fechava os olhos, James tinha certeza, não era mais ele que tomava conta dos pensamentos de Alec. E essa certeza deveria doer, mas, depois de meses ouvindo outro nome sair dos lábios vermelhos de Alexander, tornou-se normal.

Melado, cravo e tabaco. O beijo era difuso e bom, era quente. Um arrepio tomou conta do corpo de James quando os dedos gelados do Lightwood fizeram caminho para seu cabelo. James fechou os olhos e sentiu-se vazio, ele amava Alec com tanta força que suas energias se queimavam e no fim das contas, ele se tornava uma casca. Já não era luz como sempre disse que seria na vida das pessoas, havia roubado alguns cartões de Camille para poder ir embora, havia vendido um dos anéis de Magnus, uma das tão preciosas joias que o homem mais velho nunca fazia questão de usar. James sabia que era uma sombra, um rascunho de uma cópia de Magnus, desde a cor dos olhos, até a postura para falar e ele tinha nojo disso, tinha ódio de sua aparência e também tinha aquilo, aquele desespero interno por saber que o homem que estava em seus braços o amava por reflexo, amava sua aparência e sua forma de falar, amava a imagem de seu pai que estava gravada nele.

Confuso. O beijo se partiu e Alec estava ofegante, com os lábios vermelhos e o rosto corado. Uma visão quase erótica, ao mesmo tempo que delicada. James poderia perder a cabeça, somente por olhar tanto tempo a devassidão angelical que era Alexander Gideon Lightwood.

- Está tudo bem?

- Deveria estar? – Alec ergueu as sobrancelhas com curiosidade, as vezes parecia uma criança perdida e isso encantava a James de todas as formas. – Digo, estar bem ou mal é apenas uma reação do psicológico. O que não difere então, estamos sempre na mesma inconstância das coisas, esperando que algo bom ou trágico aconteça, para então, colocar a culpa das nossas tribulações nesses eventos. – O moreno riu baixo e James o olhou um pouco confuso – ou talvez eu esteja chapado demais para me importar com o que estamos sentindo no momento.

- A segunda opção é bem mais válida. – James beijou a ponta do nariz de Alec o fazendo corar um pouco com o ato carinhoso. Eram um casal estranho aos olhos de muita gente, mas nenhum deles se importava o bastante para isso. – Mas gosto de saber como você está se sentindo ou o que está pensando. Eu me importo com você, Alec.

“Eu me importo com você, Alexander. Eu não sei o porquê, nem se eu deveria, mas eu realmente me importo com o que você está sentindo. ”

Alec apertou os olhos um pouco confuso, a voz de Magnus dizendo aquelas palavras o deixaram perturbado, a lembrança do homem mais velho era algo tão presente em sua vida que chegava a doer. Faziam seis meses e Alec ainda esperava o dia que veria Magnus atravessar o jardim e o puxar pelo colarinho da blusa, para então juntarem os lábios e foderem sobre as folhas secas no jardim. Uísque, sândalo e canela. O cheiro de Magnus, o gosto de Magnus, a presença de Magnus. Ele sentiu-se sufocar com tantos pensamentos e de uma forma rotineira, voltou a beijar James. Era um escape, era uma brincadeira, James tinha um vício, Alec poderia se considerar um traficante por simplesmente dar o que o outro tanto almejava, no caso, seu corpo.

--

Ele odiava ouvir música enquanto dirigia, sempre havia odiado tal som nos momentos importantes, mas Alec gostava. O moreno fazia questão de colocar o celular e o conectar ao som do Jaguar, apenas para poder observar as expressões de desgosto de Magnus e sorrir com aquilo. Magnus acelerou um pouco mais, já fazia horas que estava dirigindo, havia parado três vezes, uma delas com Catarina que, estava ao seu lado no carro, outra vez para comprar muito café e um litro de Uísque e uma terceira vez para poder respirar, o ar dentro do carro era cortante e a mulher sentada no banco do passageiro grunhia palavras aleatórias de forma baixa, apenas para irritar Magnus ainda mais.

Tirando uma das mãos do volante, Magnus agarrou o copo de café e aspirou o cheiro da bebida, havia mais seis doses de uísque misturado com a cafeína e ele não se orgulhava de estar ficando chapado para ir ter com Alec. Catarina apenas observava as estranhas ações do irmão.

Ele havia salvado sua vida e isso, ela o deveria eternamente, mas não apoiava as ações de Magnus, não apoiou o casamento, não apoiou quando os primeiros filhos chegaram e não apoiava agora, enquanto Magnus corria em direção a Chicago, com um corpo trôpego de uísque e café. Ela conseguia notar pelo semblante carregado de Magnus, que ele não dormia a meses, ela podia notar pelo corpo que, apesar de ser bem moldado, estava mais esguio. Aquela paixão doentia estava arruinando o resto de Magnus e Catarina não sabia até que ponto aquilo era bom.

- Mag. – ela chamou baixo a voz doce, carregada de uma ternura inexistente na realidade.

- Apenas continue calada, Catarina. – Ele cortou friamente, havia trazido a irmã, mas sequer tinha noção desse motivo, talvez, em seu íntimo frustrado, ele apenas não queria estar solitário naquela viagem.

Magnus também poderia ser um menino carente e apesar de nunca mostrar esse lado desgraçado de sua vida, ele também era um menininho quebrado, um menino que aos dez protegeu a irmã adotiva da morte, que aos treze, vendeu o próprio corpo para o guarda do orfanato, para que ele deixasse Catarina em paz, que aos quinze, quis pular de uma ponte, mas fora salvo, que aos dezessete já era viciado em bebidas, cigarros e sexo. Magnus também podia ser um menino abandonado no canto de uma rua deserta com fome e frio, poderia ser o menino que chorou pela última vez, enquanto era despido por um homem mais velho e violentado – com um consentimento inexistente – dentro de um banheiro sujo. Ele poderia ser mil homens, da mesma forma que era quebrado, ele era o seu próprio refúgio, sua própria fortaleza, ele só não conseguia ser a sua própria paz. Para isso ele tinha a Alec, seu anjo de olhos cristalinos e sorriso pervertido.

A mulher suspirou e de uma forma automática, Magnus largou o copo e procurou a mão da irmã. Eles tinham um relacionamento péssimo, mas ainda eram uma família, ainda eram a base um do outro. Quando Ragnor morreu, Magnus observou a irmã deteriorar, ela já havia perdido o marido e dois anos depois, por causa da mesma doença ela perdia o filho. Poderia ser cruel que ele sempre ressaltasse o nome dela na lápide do sobrinho, mas era uma verdade, ela havia ajudado Ragnor a partir, sem dor, sem lágrimas, depois de três anos. Ele poderia a considerar muito forte naquele momento, mas ela também era cruel como ele, a diferença é que ele ainda não tinha tirado a vida de nenhum dos filhos.

- Estamos a quatro horas de chegar em Chicago, Magnus. Pare um pouco, eu não aguento mais esse carro. – Ela grunhiu frustrada e o olhou, a mão ainda apertada contra a dela. Magnus bufou e revirou os olhos, era quase alta-madrugada e o frio era um pouco intenso na estrada. – Eu realmente aprecio esse seu ato de basbaquice, mas pelo santo anjo, que você não acredita, eu preciso de uma pausa, sim?

Ele largou a mão dela e voltou para o volante, a vista ficando levemente embaçada, a bebida finalmente fazendo efeito e deixando sua mente leve. Longe dos pensamentos sobre seu passado estranho, apenas focado em Alexander e seus lábios extremamente convidativos. Alec, Alec, Alec. Estava quase lá e por Alec, ele não pararia o carro.

- Se quiser abra a porta e pule, mas eu não vou parar esse carro, Catarina -  Por um segundo, ela desejou que uma carreta passasse por cima do carro com ambos dentro, mas só matasse a Magnus, por um mísero segundo ela realmente pensou em saltar do carro, mas não era assim que funcionava e apesar de sua presença dentro do automóvel fosse completamente desnecessária, Magnus realmente não havia obrigado que ela fosse, ela escolheu seguir com o irmão, ela sempre seguiria com o irmão. A mulher suspirou e assentiu, baixando os olhos para o porta-luvas o abriu e de lá, retirou uma pequena foto, um sorriso pequeno brincou em seus lábios e ela olhou para Magnus pelo canto dos olhos.

- Guardou?

- Vamos fingir que eu esqueci aí, Okay? - Ela negou e riu baixinho da fala do irmão, novamente seus olhos baixaram para a foto. - Ele ia fazer três anos e eu tinha comprado uma bola que brilhava para ele. – Catarina continuava de olho na foto, as palavras de Magnus fazendo sentido em sua mente – Você me mandou uma mensagem dizendo que tinha ido com ele para o hospital, que precisava de mim lá.

- E você não foi.

- Eu tinha coisas importantes para fazer. – A frase não saiu com arrependimento algum – tinha uma bola brilhante e toda destruída quando eu voltei para casa.

- Ele morreu querendo ver o tio Magnus. – Ela finalmente desviou o olhar para o irmão e dessa vez, havia peso e raiva – três malditos meses chamando por você e ele morreu sem que você fosse até lá.

Um curto silêncio se abateu sobre eles. Magnus tentou ter algum sentimento sobre aquilo, mas não conseguiu.

- Ele foi para um lugar melhor.

- Magnus, seu sobrinho de três anos, passou meses no leito de um hospital chamando por você, ele morreu querendo te ver, e mesmo assim, não tem importância?

- Pessoas morrem todos os dias Catarina, eu comprei a merda de uma bola colorida para dar de presente e quando eu voltei para casa, ela estava destruída. E não me vê reclamando disso. – Magnus parecia frustrado e Catarina se perguntou o momento em que tudo deu tão errado para eles. – Além do mais, eu tinha meus próprios filhos para me preocupar.

Ela sorriu de forma curta e amarga, pegando o copo de plástico - já com o café frio - virou um pouco na boca, fazendo uma careta pelo sabor horrível do álcool com a cafeína. Ela tentava entender os motivos de Magnus, desde pequena ela tentou entender. Quando ele mandou que ela corresse e se escondesse - era uma menina de cinco anos e estava sozinha, então, Magnus e sua família apareceu e tudo parecia bom, porque ele a adotou, ele a batizou de Catarina Loss-Bane, ninguém nunca perguntou de onde veio a palavra “Loss” e ele também nunca fez questão de explicar – ela tentou entender quando ele gritou com ela, repreendendo por estar saindo da sala de brinquedos acompanhada do estranho guarda, ela tentou compreender o motivo dele voltar andando engraçado para o quarto algumas noites depois, ela tentou entender tantas coisas que vinha de Magnus que por fim, quando percebeu que a casca que envolvia o irmão era dura demais, ela desistiu.

- Desejo Magnus, desejo do fundo da minha alma, que Alexander esteja feliz com outra pessoa. – Ela falou em alto e bom som, sem gaguejar ou hesitar nas palavras – Viu o sangue do seu sangue definhar até a morte e mesmo assim continuou neutro, seu amante, ainda menor de idade, ele tem mais importância para você do que a felicidade ou a vida dos seus familiares? Ama tanto assim para deixar que ele guie suas ações?

Ele apertou o volante com força e um grito se prendeu no nódulo em sua garganta, Magnus praticamente rosnava enquanto pisava com fúria no acelerador do carro. Ele não queria ser entendido, ele não queria ser amado, ele queria paz.

- Alexander é a minha paz, Catarina. – Ele tinha a voz rouca e ela percebeu que tudo aquilo era raiva – A paz que você, Camille, Ragnor ou qualquer um dos meus filhos jamais proporcionou. Posso ser o pecador, posso ser o demônio, posso ser a porra que você quiser apontar, mas isso não vai mudar. Eu sou o monstro que rege o caminho. Eu sou a ordem daquele inferno, posso ser o próprio lúcifer em certas questões, mas eu também quero paz. – Aquilo poderia algum dia ser chamado de desabafo? Catarina não saberia responder, mas estava surpresa com a resposta – a vida vai muito além de um casamento fracassado com uma vadia louca, vai muito além filhos mortos. Mais do que ninguém, você tinha que ter certeza disso, eu sei o que você fez.

Catarina desviou o olhar dele e virou um pouco mais da bebida fria na boca, sua cabeça pesou e ela queria chorar.

- Eu fiz o que foi necessário.

- Então não me julgue por escolhas erradas, você é a irmã do próprio diabo, deixe de se martirizar por seus atos e aceite as consequências deles.

Magnus calou e o caminho pareceu se findar, Catarina apertou os olhos quando os primeiros raios de sol invadiram o carro. Ela pensou em Camille e nos sobrinhos, ela pensou em Alec e em Isabelle, ela pensou no marido morto e em Ragnor, ela pensou em muitas coisas e apenas chegou à conclusão de que sem Magnus, a vida de todos poderia ser muito melhor.


Notas Finais


A ingratidão realmente existe ou apenas são visões diferentes sobre um mesmo assunto?

Obrigada!


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