História No Mercy - Capítulo 13


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Abo, Alfa!taehyung, Bottom Jeongguke Squad, Bottom!jeongguk, Deus É Top, Jihope, Kooktae, Kookv, Kthyung, Mpreg, Ômega!jungkook, Taeguk, Taekook, Tawesug, Top!taehyung, Vkook, Vmin
Visualizações 1.292
Palavras 12.140
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


ITS MY TURN TO CRY

Eu voltei em menos de dois meses e ainda trouxe capítulo de 12k palavras. Seria isso um milagre na minha vida?

Pensei em dividir o capítulo em dois, mas seria sacanagem porque teve poucos capítulos nos últimos meses.

É 12k eu ainda to meudeuscomofizisso, mas a gente finge que eu tô no meu estado normal. Tudo por um solzinho no feriado.

Queria agradecer a delamar por essa conquista, sem ela eu ainda estaria presa no cativeiro (se bem que ela me prendeu lá), ao EXO e as músicas de natal que me animaram (escutem Winter Heat assim como todos os especiais de natal) e dedido essa vitória a Zhang Yixing. Te amo, filhão!

Hoje é dia das crianças, então, como o Jeon é meu bebê, tem capítulo.

Ora parabéns ao Jimin que faz 22 meses hoje, logo logo já é um mocinho.

Boa leitura!

Capítulo 13 - Home




Tudo aconteceu de uma forma tão repentina que até mesmo Taekwon passou a se perguntar quando as coisas na sua vida simplória se tornaram corridas daquela maneira. A cada dia, um novo acontecimento e, de fato, mudanças não esperadas às vezes não eram tão divertidas para si. Cada coisa na mente do pequeno menino ainda tinha-se como algo simples; sua expectativa, de início, era passar apenas mais uns dias no hospital e voltar para casa, podendo frequentar a escola primária e contar aos amigos da mesma sobre os dias que passou internado, como todas as outras vezes.

Taekwon queria fazer o que estava acostumado, ir à escola pela manhã, brincar com as crianças, voltar para casa e fazer algo divertido com seus parentes. Queria apenas sua rotina de volta, por mais que Taehyung afirmasse que duraria mais alguns dias aquela estadia no hospital. Queria voltar logo para casa.

Veja bem, um quarto de hospital é algo vago demais para qualquer um, ainda mais para uma criança com desejos de desbravar o mundo e aprender coisas novas. Era entediante para si ficar preso ali, sem novidade alguma ou fazendo algo realmente legal. Talvez a coisa mais diferente no meio daquilo tudo fora a mudança de hospital. Taekwon, por ora, se encontrava em uma clínica com médicos especializados em oncologia, um Hospital de Câncer, e ele não gostava daquela denominação. Não gostava de como todos que o visitavam diziam o nome do lugar como se ele fosse ruim por estar ali.

Acima de tudo, não se importava com o fato de estar doente e sim o que aquilo acarretava em sua vida. Sentia falta do conforto do seu lar, de todas as coisas que nunca se tornavam entediantes para si. Queria descobrir objetos escondidos no quarto do seu pai, ajudá-lo a preparar um almoço nada saudável e assistir novamente todos os episódios do desenho animado interativo que Taehyung dizia ser chato. No entanto, estava preso às diversas paredes num tom de azul tão claro que mais parecia branco e sem vida daquele lugar que, segundo Jeongguk, era uma segunda casa para curá-lo e, quando um lugar se torna um lar, ele fica melhor para se conviver.

Estava cansado de todas as enfermeiras que entravam ali e não eram tão legais quanto as do outro hospital, elas sorriam, mas já haviam errado seu nome diversas vezes e diziam coisas que ele não entendia ao seu pai ou àquele que estava o acompanhando no momento; achava o doutor Park um homem chato demais, ele era jovem, porém, agia como um velhinho chato e responsável ao extremo, dizendo o que era bom ou não para se fazer. Nem mesmo o seu tão adorado tio Gukkie o tirava daquela situação melancólica que se tornou rotineira. Não havia o que fazer, nem mesmo do que brincar sem se sentir estranho. Talvez fosse algum dos efeitos chatos da doença que haviam comentado consigo, ele pensava.

Taehyung havia saído mais uma vez naquela semana e o deixado ali, naquele hospital que apenas trouxe situações incômodas à vida do pequeno garotinho. Não era de todo mal o fato do seu pai não estar presente naquele momento, afinal, todos os dias que passou fora do trabalho sem uma explicação haviam quase acarretado na demissão do alfa e, após uma conversa onde contou o quadro clínico de Taekwon, o chefe do alfa foi compreensivo. Cuidar de um filho doente era um motivo plausível para todas as faltas, mas ainda assim precisaria voltar ao trabalho com frequência, já que não receberia um abono salarial pelas faltas.

Dinheiro não era algo presente em boa quantia na vida do Kim e, mesmo que Jeongguk estivesse se sujeitando a pagar todo o tratamento do menino, queria dar o seu máximo para ver o pequeno melhor. Almejava dar ao filho aquilo tudo que não pôde desde o seu nascimento seus dias nunca foram regados de regalias, afinal.

Taekwon sentia-se frustrado, por mais que Jeongguk estivesse ali, queria o seu pai, alguém que realmente convivia consigo e sabia do que ele gostava. O Jeon estava presente em sua vida há poucos dias, já Taehyung desde sempre, chegando até a confundir o garotinho quando disse que não havia o carregado na barriga. Ali, eram tantos desconhecidos para si, mesmo tendo um contato bastante restrito, que o causava certo medo. Era tão contrário às outras vezes, até mesmo as crianças pareciam diferentes de si, elas estavam alegres mesmo estando presas; Taekwon queria apenas voltar para casa.

Nem mesmo comer ele queria, e Jeongguk tentava convencê-lo àquilo desde que os alimentos foram entregues no quarto. Havia tentado de todas as maneiras clichês dos programas que havia assistido. Aviãozinho e até mesmo chantagem. Já tinha perdido as contas de quantos pedidos foram feitos para que Taekwon se alimentasse direitinho, mas a criança era resistente demais, e essa situação era deveras ruim.

Fora uma recomendação médica que ele comesse alguma coisa leve antes do que tinha que ser feito. Logo chegaria o almoço e o máximo que Taekwon havia tocado do café da manhã foi na fruta cortada que, na opinião de Jeongguk, não matava fome alguma.


— Está sentindo fome? — O Jeon perguntou, ao observar a expressão tristonha do menino sentado na cama hospitalar, recebendo apenas um aceno negativo em resposta. — O que está sentindo? Alguma dor?

— Quando o papai vai voltar? — Provavelmente já se tratava da vigésima vez que aquela pergunta era feita à Jeongguk em um curto período de tempo. — Ele disse que vai trazer algo legal.

— Logo, logo. — O mais velho respondeu, mirando mais uma vez o olhar triste de Taekwon. Ser pai era realmente difícil, talvez um pouco menos do que acreditava na adolescência, mas animar alguém nunca fora um ponto forte seu. Taehyung sabia fazer aquilo melhor que si, Taehyung era um bom pai. — O que você acha de assistir desenho? A gente pode colocar em um que você goste.

— O papai não gosta quando o papai Jimin deixa eu assistir por muito tempo. Ele diz que faz mal e criança tem que brincar como criança. — Reclamou, ficando de joelhos sobre a cama para observar através da janela de vidro. — Aqui é muito alto, o papai mandou tomar cuidado.

— É sim, muito alto. — Jeongguk se aproximou, levando a mãos aos fios negros da criança e acariciando-os. Ele gostava da textura, de como sentia-se cuidando e zelando do que era importante quando realizava aquele ato. — Você quer brincar? — Recebeu um aceno positivo. — Quer ir brincar com as crianças e aqueles brinquedos da salinha? Elas parecem gostar de você.

— Não… — Um bico involuntário se formou nos lábios do menino, estava entediado demais e o mais velho não colaborava da maneira que gostaria. Até mesmo o seu tio Gukkie parecia mais divertido quando fora do hospital. — Elas são estranhas.

— Você… Você diz isso porque algumas estão carecas, Taekwon? — A pergunta de Jeongguk era carregada de desespero, sabia que após a primeira quimioterapia aquele era um das consequências prováveis. E nem haviam conversado sobre aquilo com o menino ainda. — Elas são crianças normais, Kwon.

— Eu sei. — Sentou-se na cama, olhando para Jeongguk. Nesse pouco tempo ao lado do menino, o mais velho havia notado o quão parecido como um adulto ele agia às vezes, talvez fosse um resultado da grande convivência com os mesmos, que crescia cada vez mais. — Elas não parecem legais.

— Mas, Kwon, você precisa falar com elas antes de achá-las legais ou estranhas. — Jeongguk incentivou, bagunçando levemente o cabelo do menino. — Olha, eu tinha medo de muita coisa e estou encarando agora. Você nunca vai saber como é se não tentar. Nós podemos tentar juntos, o que acha?

— O papai me levou pra brincar ontem, e é chato. — Apoiou o queixo nas mãos, olhando para o teto azul eclesiástico, onde uma lâmpada quebrava o padrão de cor. — Aqui é tudo chato.

— Eu também sou chato? — O ômega mais velho fingiu estar magoado. — Acho que preciso ir embora, então…

— Você não é chato, só que o meu papai é mais legal. — Aumentou o tom de voz num choramingo, estendendo os braços para Jeongguk em um pedido mudo por colo. — A vovó vai chegar?

— Eu acho que não, bebê. — Pegou a criança em seus braços, eram engraçadas as variáveis de humor de Taekwon, passando de uma criança que agia como mais velho para um bebê manhoso. — Quer passear pelo corredor um pouco? — Recebeu apenas um aceno negativo em resposta.

— E o papai Jimin? — Um suspiro saiu dos lábios de Jeongguk após escutar a pergunta.

— Hoje apenas eu e o Taehyung vamos ficar com você, Kwon. — Sentou-se na poltrona de acompanhante, deixando o menino sobre suas pernas. — Ele vai chegar logo.

— Depois eu vou pra casa? — Perguntou esperançoso, desanimando-se um pouco mais ao receber um sinal negativo do ômega mais velho.

— Olha, eu não gosto de ver o seu rostinho assim. — Fez uma cosquinha leve na barriga do menino, recebendo uma risada contida em resposta. — Eu prefiro te ver assim.

— Eu quero voltar pra escola. — Cruzou os braços. — Quero ir na casa da vovó.

— Hoje é um dia importante, Kwon. Lembra que você precisou fazer vários exames, passar no dentista para confirmar que seus dentes são branquinhos? — A criança assentiu, não sabendo o rumo que aquela conversa chegaria. — Hoje você vai começar a curar essa doença chatinha e logo vai poder brincar com seus amigos normalmente. O que acha?

— Acho que seria mais legal se eles pudessem me visitar igual você, a vovó e o vovô, o titio Jiminnie… — Respondeu, contando os dedos das mãos de maneira que não esquecesse nenhuma das pessoas importantes que o visitavam com frequência. — Por que não?

— Porque você está doentinho e pode piorar, Kwon… — Jeongguk tentou explicar da maneira mais prática, mas logo recapitulou o que a criança disse, focando-se em uma única parte, que ocupava a mente do ômega desde o reencontro. — Quando você começou a chamar o Jimin de pai, Kwon? Você o chamou de tio agora.

— É… Ele é meu titio também, mas uma vez disse que também pode chamar de papai. Eu acho que ele tem ciúme de você, tio Gukkie… — Segredou, diminuindo o tom de voz naturalmente baixo. — Mas tem um lugarzinho para os dois em mim, ele não precisa ficar triste.

— Oh, então já faz um bom tempo que ele falou disso para você? — Jeongguk sorriu minimamente com aquilo; então Taekwon sabia que não era filho biológico de Jimin, apenas de Taehyung? Talvez estivesse um pouco mais próximo de ser chamado de pai, mesmo sabendo que o caminho a percorrer era longo. Mesmo sabendo que o seu título era do Park, e aquilo não mudaria facilmente.

— Tem um tempão assim… — Abriu bem os braços, mostrando de forma exagerada a Jeongguk aquilo. — Ele disse quando o papai me colocou na escolinha, lá todo mundo tem dois papais, ou duas mamães, ou um papai e uma mamãe.

— Ah, então ele se transformou num pai igual o dos seus colegas pra você… — Jeongguk deduziu com a voz mais alta do que desejava, não queria confundir Taekwon com aquilo, apenas estava curioso demais sobre tudo que aconteceu enquanto estava fora.

— Não. — Passou a brincar com as mãos do Jeon. — Os papais do Jaemin e da Taeya moram na mesma casa.

— Oh, então Jaemin e Taeya são seus melhores amigos? — A criança assentiu animadamente. — Por que não me conta mais sobre seus amigos da escolinha? Eu queria conhecer eles.

— A Taeya tem um tio legal que sempre busca ela na escola, e o Jaemin foi a… Ado… — Colocou a mão no queixo de forma pensativa. — Os papais dele pegaram ele naquela casa de bebê que ainda não ganhou uma família.

— Ah, então ele é adotado. — Taekwon assentiu.

— É, ele é ditado. — Jeongguk riu da forma como o garotinho confundiu as palavras, mesmo sabendo o significado do que pretendia dizer.


Talvez, ainda tivesse algumas coisas para ensinar ao filho.



— X —



Jeongguk não sabia ao certo o que fazer para animar o menino novamente, não queria ligar para Taehyung e mostrar que não tinha nem mesmo a capacidade de brincar de uma maneira divertida com uma criança. Se sentia um péssimo pai, nem sabia se podia se denominar aquilo, mas, de acordo com o que sempre ouviu dizer, um pai sempre sabe animar seu filho. Certo, ele era a prova exata de que gerar uma criança nem sempre resulta em amor instantâneo, no entanto, sentia-se frustrado por não poder cumprir o papel de forma padronizada naquele momento.

Taekwon estava deitado de bruços, desenhando coisas sem forma no lençol da cama, talvez tudo aquilo fizesse sentido na sua pequena cabeça, mas a expressão do menino demonstrava o que estava sentindo. O Jeon suspirou mais uma vez, não devia ser tão difícil fazer algo animador. Taehyung já havia ficado muito tempo preso aos quartos dos hospitais que precisou visitar, era a sua vez de fazer aquele papel.

Se assustou quando ouviu algumas batidas na porta, mesmo que essa se encontrasse aberta. Direcionou sua atenção para o local, pensando se tratar de alguma enfermeira, mas se surpreendeu por não ser nenhum profissional da saúde — se tratando de uma primeira impressão.


— Bom dia, moço bonito e pequeno moço bonito. — Um ômega com rosto pintado e jaleco hospitalar disse, colocando um pé para dentro do quarto e  chamando a atenção da criança. Automaticamente um sorriso surgiu no rosto de Taekwon. Um palhaço, na verdade dois. Havia visto sobre isso apenas na televisão, nunca pessoalmente.

— Xiumin, você não pode ir entrando assim sem pedir licença. — O companheiro do mencionado o puxou, fazendo-o tropeçar de forma destrambelhada, se apoiando no outro.


Era um alfa e um ômega de estatura provavelmente igual, com traços diferentes escondidos pela maquiagem bem feita. Ambos usavam roupas coloridas e até mesmo nariz de palhaço, mas o jaleco hospitalar confundiu um pouco a mente de Jeongguk. Sendo médicos ou não, Taekwon ficou animado em vê-los e isso que importava.


— ChenChen, assim você me faz passar vergonha na frente deles. — O que fora chamado de Xiumin choramingou, cruzando os braços de maneira infantil. — Você vai ver, okay? — Ficou na ponta dos pés para olhar de forma ameaçadora para o parceiro. Ouviram a risada infantil e meio tímido ecoar pelo local, Taekwon estava gostando da presença de novas pessoas ali. — Olha só, temos um pequeno moço bonito e risonho aqui…

— Acho que não podemos entrar, Min. Eles não falaram nada. — O denominado Chen disse, fazendo uma expressão tristonha e limpando uma lágrima imaginária. — Será que não somos bonitos o suficiente para eles? — Abraçou o corpo menor que o seu, este que fingia estar sendo sufocado pela ação alheia. — Eu só queria um amiguinho novo…

— Socorro! — O ômega gritou de forma abafada, fazendo uma expressão de desespero e levantando uma perna enquanto estendia os braços em direção ao menino na cama que apenas ria contidamente da situação.


Jeongguk, que até então apenas observava a situação, direcionou o olhar a Taekwon, que foi na sua direção, sussurrando em seu ouvido de maneira tímida: — Eles podem?


Riu da maneira como o menino parecia envergonhado com a presença de novas pessoas, mas estava animado por não se tratarem coisas ruins. Acenou positivamente para os dois visitantes, recebendo uma comemoração positiva dos homens empolgados. Esperava que aquilo trouxesse a alegria perdida de volta, animando um pouco a criança. O dia seria um tanto estava sendo um pouco difícil e qualquer coisa que contribuísse para melhorar era aceita de bom grado.


— Como é seu nome, pequeno moço bonito? — O ômega perguntou, aproximando e curvando-se para a criança. — Eu sou o Xiumin e esse é o Chen, minha esposa. Quem é esse com você? Seu papai?

— Eu sou o Taekwon… — A criança respondeu um pouco envergonhada. — Esse é o meu tio Gukkie, ele fica cuidando de mim enquanto o papai não volta.

— Eu sou o Chen e… — O outro homem parou repentinamente, colocando a mão no queixo de maneira pensativa. — Hey, eu não sou sua esposa!

— Ah, é? — Xiumin perguntou de maneira desafiadora. — Taekwon, você não acha que o Chen parece com minha esposa? — Recebeu um aceno negativo por parte do menino. — Oh, por que não?

— Ele não é menina.

— Ah, mas ele pode se tornar uma esposa. — Se levantou, andando em círculos e parando repentinamente, jogando a bolsa que carregava no chão e a abrindo. — Estava por aqui, estava por aqui… Achei!


Xiumin retirou uma peruca vermelha dali e caminhou a passos firmes até o alfa, colocando-a sobre os fios loiros reluzentes e arrumando o cabelo sintético superficialmente. Ficou na ponta dos pés novamente, mesmo que fosse da mesma altura que o outro, mas desta vez para deixar um beijo com som engraçado no nariz vermelho que atraia a atenção da criança.


— Agora podemos nos apresentar direito. — Tossiu falsamente, se endireitando. — Eu sou o Xiumin e esse é minha esposa, Chenderella. Somos os médicos que irão te examinar hoje.

— Vocês são palhaços. Não médico! — Taekwon afirmou entre risos, estava se soltando um pouco mais assistindo aquilo. Jeongguk estava animado por ver o filho daquela maneira, alegre novamente.

— Como não?! — O alfa colocou as mãos no peito, fazendo uma expressão dramática. — Somos Besteirologistas!

— E o que seria isso? — O Jeon na brincadeira.

— Nós tratamos de… Hum…Dessas coisas chatas aí que ninguém gosta. — Suspirou, aproximando do garotinho. — Esse garotinho parece não estar sorrindo o suficiente. Será que ele tem tédio agudo? Uma pulguinha atrás da orelha? — Colocou a mão no queixo de maneira pensativa, gritando: — Xiumin, meus acessórios!


Taekwon ria de como o companheiro de Chen parecia desastrado, acabando por se confundir em meio as coisas dentro da mala. Uma encenação, mas não deixava de ser animador. Viu o ômega tirar dali uma flauta, acessórios médicos de plástico e até mesmo uma vaquinha de pelúcia cor-de-rosa, voltando com uma marreta de plástico.


— Aqui está! — Bateu o brinquedo na cabeça do alfa. — Isso é por ter me sufocado. — Virou-se para o menino novamente. — Agora, vamos conversar! O que te fez ficar com aquela carinha triste, garotão?


E os minutos que continuaram ali foram bons não só para Taekwon, como também para Jeongguk. De certa forma, os homens que se disponibilizaram a alegrar o dia das crianças também alegraram o do Jeon, assim como o de diversas pessoas naquele hospital.


— X —


O clima era de apreensão, mesmo que aquele fosse o momento mais esperado desde que a notícia fora dada. Taekwon estava sentado no colo de Taehyung, enquanto este o prendia da maneira que podia, evitando uma possível revolta do baixinho. Jeongguk olhava cada uma das ações da enfermeira que fazia os últimos preparatórios; aquela seria a primeira de uma série de sessões e ciclos quimioterápicos, mesmo provavelmente se tratando de uma das únicas obrigatoriamente em ambiente hospitalar, sabiam que, dali em diante, a vida do pequeno tomaria um novo rumo.

Já estavam cientes dos possíveis efeitos colaterais ou consequências futuras, entre elas o fato da possível infertilidade de Taekwon futuramente. A confirmação já esperada de que o garotinho era um ômega veio junto da notícia triste, mas a vida do pequeno ainda era a prioridade. Ter filhos nunca fora sinônimo de felicidade, mesmo Jeongguk e Taehyung sendo novos demais para pensar em situações futuras, o alfa pareceu um pouco abalado com aquilo.

Os progenitores do garoto estavam preocupados, certamente. Desde que fora decidido o melhor tratamento para ele, Taehyung e Jeongguk tentavam chegar a um acordo onde o foco principal seria o conforto de Taekwon. O oncologista havia dito que a quimioterapia seria via oral, o que sabiam facilitar as coisas, o pequeno era relutante demais quando o assunto em questão eram pontas afiadas e furos.

Jeongguk havia aprendido que o menino odiava agulhas e todos que ameaçassem furar sua pele, algo normal numa idade tão pequena e a prova daquilo era o choro que já saia dos seus olhos apenas de ver a enfermeira preparar o local que receberia o objeto pontiagudo para a retirada do sangue. Era um processo padrão, para a análise, mas o pequeno sentia vontade de fugir apenas ao sentir os dedos da enfermeira tocar sua pele delicadamente.

Se não fosse pelos braços de Taehyung, o segurando firme e impedindo que saísse, já haveria fugido pelos corredores do hospital. Observava a agulha que em sua cabeça fértil era como uma arma, pronta para o torturar da pior maneira, e nem mesmo sabia o motivo de passar por aquele procedimento com certa frequência. Preferia os doutores palhaços, sem sombra de dúvidas.


— É só uma picadinha, Taekwon. — Taehyung tentava acalmar o menino de alguma forma. — O papai está aqui, certo? Eu vou ficar com você enquanto isso.

— Eu não quero, papai… — Choramingou, estendendo os bracinhos em direção ao Jeon. — Tio…

— Kwon, é necessário. — Jeongguk tentou interferir, mas sentia que suas palavras eram pequenas em relação às de Taehyung, de forma que não tinha poder algum sobre a criança. — Acredite no seu pai.

— Só uma vez? — Perguntou apreensivo, recebendo uma confirmação dos adultos presentes.

— Se você deixar eu fazer tudo certinho será apenas uma vez. — A enfermeira explicou, colocando as luvas descartáveis.


Taekwon encarava atentamente cada movimento da beta que parecia já trabalhar com enfermagem durante muitos anos, por conta da feição tranquila. Taehyung sentiu o filho ficar ainda mais apreensivo no momento que ela pegou uma agulha, ajustando-a num adaptador que seria usado no processo. Segurou o braço do menino, o esticando para que a mulher pudesse amarrar uma espécie de elástico ali.


— Vai ficar tudo bem, Kwon. Não vai doer muito. — Tentou acalmar o menino que olhava para si com os olhos marejados. — Vai ficar tudo bem.

— Papai… — Choramingou, sentindo o algodão molhado passar por sua pele.

— Deixa eu falar com ele um pouquinho antes de começar? — Jeongguk pediu, tomando coragem para se aproximar do menino e exercer aquela função. — Kwon, lembra que nós conversamos sobre a importância de você ficar bem logo? Sobre ver seus amigos de novo? — A criança assentiu, ainda chorando. — Tudo isso faz parte daquele tratamento que estávamos conversando. Eu tenho certeza que você quer ficar bem, não quer? — Deixou um beijo na testa do menino. — É mais um passo, meu amor. Eu vou ficar aqui com você.

— Vai doer, tio Guk.

— Vamos fazer assim… — Olhou rapidamente para trás, vendo que a enfermeira estava novamente com a agulha em mãos, esperando o momento. — Eu seguro sua mão e a gente pode… A gente pode conversar sobre algo que você gosta. O que acha?


Taekwon nada respondeu, apenas estendeu os braços em direção a Jeongguk e logo foi pego. Taehyung entendeu o que o garotinho queria, se levantando e dando lugar ao Jeon, que logo se sentou ali.


— Olha, vamos devagarinho que nem vai doer. — Segurou a mão do menino. — Ela pode começar agora? — Taekwon assentiu, sentindo o metal frio entrar em contato com sua pele e logo adentrá-la, chegando à veia. Sua boca tremulava para chorar novamente e Jeongguk notou isso, tratando de desviar a atenção do menino para ele. — Sabia que eu sou um ótimo cantor de chuveiro? Eu sei a letra de várias músicas legais.

— Até a dos patinhos? — Perguntou com a voz chorosa. Sentia seu sangue saindo por aquele buraco que em sua concepção era gigante. Ah, era doloroso. — ‘Tá doendo, tio Gukkie.

— Ah, como era mesmo. — Fez uma falsa expressão de esquecimento. — Eram cinco patinhos que foram… Foram procurar a mamãe?

— Eles foram passear. — Corrigiu.

— Ah, claro. Passear. Como eu me esqueci disso?


— Prontinho. — A enfermeira disse, colocando um algodão sobre o local onde o sangue foi retirado.


Taekwon voltou a chorar no momento em que notou que acabou, notando os frascos com seu sangue e sentindo ainda mais vontade de continuar daquela maneira. Jeongguk o abraçou contra seu peito, tentando o acalmar novamente.


— Vai passar logo… — Disse baixinho, balançando o corpo pequeno levemente. — Pode chorar, Kwon. Eu estou aqui, certo? Não vai continuar doendo.


Taehyung observava o cuidado que o ômega estava tendo com o menino e mantinha um sorriso pequeno no rosto. O Jeon carinhoso ainda existia ali e demonstrava aquilo ao se preocupar com Taekwon. Viu a criança se acalmar nos braços de Jeongguk, deitando a cabeça em seu ombro e sussurrando alguma coisa no ouvido do mais velho. Era uma relação de carinho mútuo.


— Eu também gosto muito de você, Kwon. — Jeongguk murmurou, deixando um beijo na cabeça do pequeno. — Já está se sentindo melhor? — Assentiu. — Vamos para a parte menos dolorosa agora, o que acha?

— Eu quero ir pra casa. — Murmurou, apertando-se ainda mais naquele contato. — Papai… — Chamou o Kim, que veio em sua direção rapidamente. — Vamos pra casa?

— Amanhã quem sabe, Kwon. — Suspirou tristonho. — Tudo depende de como você vai reagir a isso.

— As sessões quimioterápicas dele estão recomendadas para uma vez na semana, durante três semanas e uma pausa. Serão seis ciclos. O Doutor Park explicou isso? — Os mais velhos assentaram. — Ele tem algum problema com comprimidos?

— Não. — Taehyung respondeu. — Quando ele tomava remédios para hepatite eram comprimidos.

— Então, vamos lá! — Pegou uma embalagem de remédios, analisando o rótulo dela. — Vamos, Taekwon?

— Não é nada doloroso agora, está bem, Kwon? — Jeongguk explicou, se colocando de pé. — Você vai engolir sem chorar? Eu vou ficar com você até você se sentir bem de novo.

— Tio… — Choramingou, segurando o braço de Jeongguk quando fora colocado na cama pelo mesmo.

— É só pra tomar o remédio rapidinho, Kwon. — Explicou, abaixando-se para ficar na mesma altura que ele. — Faça o que a moça pedir, está bem? Eu vou ficar aqui.


A beta se aproximou, dando um copo com água para Jeongguk segurar e retirando o comprimido da embalagem com cuidado, deixando-o em outro copo plástico.


— Vamos lá, Taekwon? É necessário apenas engolir, sem mastigar. Tudo bem? — A criança assentiu.


O comprimido logo foi colocado em sua pequena boca, seguido da água que ajudou a fazê-lo ser engolido. Essa não era a parte mais difícil para si, até preferia que sempre fosse apenas aquilo. Abraçou o corpo do Jeon, sendo acariciado pelo mesmo. Taekwon estava cansado e agia como um gatinho manhoso.


— Obrigado. — Taehyung agradeceu à enfermeira, se aproximando dela. — Eu me sinto mais tranquilo agora, acredito que eles dois também.

— Apenas fique de olho em qualquer efeito colateral. — Advertiu com um sorriso calmo nos lábios. — As próximas horas serão importantes para saber como ele vai reagir, não saia de perto dele.

— Eu acho que ele vai preferir que o Jeon durma aqui com ele hoje. — Sorriu, observando a forma como Jeongguk estava sendo cuidadoso com o menino. — Acho que a parte mais difícil não é vê-lo tomando isso, é não saber o que vai acontecer.


Ouviram batidas na porta, por onde um homem alto e sorridente passava. Era o Doutor Park, oncologista responsável pelo caso de Taekwon.


— Desculpe a demora, eu precisei atender um paciente em outro andar. — O homem se aproximou de Taekwon, apertando levemente a bochecha do menino. — Hey, garotão! Vim aqui só pra ver como você está. — O pequeno nada respondeu, ainda tinha um pé atrás com o homem alto de orelhas avantajadas. — Você está sentindo alguma dor? — Negou, limitando-se a um movimento de cabeça.

— Ele ainda não está confortável com o senhor. — Taehyung disse, olhando para o filho que se encontrava deitado na cama, ainda segurando a mão de Jeongguk. — Nós vamos poder ir embora logo?

— Tudo depende de como ele vai reagir a partir daqui. — Explicou o que Taehyung já sabia, recebendo um suspiro em resposta. — Eu sei que é cansativo ver o menino aqui, mas é o melhor para ele, Kim.

— É, eu sei… — Mirou os olhos novamente em Taekwon. — Eu só quero vê-lo bem.


E, nas horas que se passaram, foram compridas as palavras dos profissionais. Taekwon sentiu os efeitos colaterais, mas nada tão grande além de enjoos e dor de cabeça. Aquilo eram sinais de que o tratamento havia começado e, se fosse pelo bem do menino, continuariam ali até o momento que deixasse de ser necessário.



— X —



O sorriso adornava o rosto do menino de quatro anos, o formato levemente triangular encantava qualquer um que estivesse andando pelo corredor daquele hospital. De fato, Taekwon era alegre e aquilo encantava até mesmo desconhecidos. Jeongguk caminhava um pouco atrás do menino, que segurava a mão de Taehyung enquanto se despedia de cada uma das enfermeiras que cuidou de si, até mesmo daquela que ele considerava chata e rabugenta porque havia lhe dado uma injeção dolorosa.

Desde que recebeu a tão esperada permissão para voltar para casa estavam daquela maneira, se despedindo de todos porque a criança fazia questão de agradecer a cada uma das suas tias temporárias por tê-lo deixado bem o suficiente para poder se tratar de uma maneira mais confortável. Esqueceu-se completamente de todas as reclamações que havia feito sobre a equipe médica aos que o visitavam ao longo dos dias, estava feliz e nem mesmo o doutor responsável havia ficado de fora daquela despedida de um menino inocente.

Os dias passaram e, de certa forma, Jeongguk sentia Taehyung mais próximo de si. Tudo por Taekwon, é claro, mas o alfa estava menos na defensiva, se permitindo mais. Durante a manhã, o Kim até mesmo havia iniciado uma conversa sobre as notícias que eram transmitidas no jornal enquanto esperavam o doutor Park aparecer, este que só surgiu pela tarde, mas trouxe consigo uma boa notícia.


— Meu carro é aquele ali. — Jeongguk informou quando chegaram ao estacionamento da clínica, apontando em direção a um carro preto e de modelo caro que Taehyung já havia visto outra vez, na ocasião do restaurante. — Você sabe qual o melhor caminho para chegar lá? Eu só estou acostumado a ir direto para o meu apartamento.

— Vamos pelo que você conhece, melhor que correr o risco de nos perdermos. — Parou ao lado do automóvel, recebendo um olhar confuso do Jeon. — Não tem como entrarmos se…

— Ah, desculpe. — Tirou rapidamente o pequeno controle do bolso, destravando as portas. — Eu comprei só a elevação de banco porque nos sites que li, dizia que com quatro anos a cadeirinha é substituída por isso. — Explicou, observando Taehyung abrir a porta e colocar o menino dentro do veículo com cuidado. — Você vai ir atrás ou na frente?

— Com o Taekwon. — Respondeu, colocando as bolsas que carregava no assoalho, entrando logo em seguida e sentando-se ao lado do menino. — Acho que agora finalmente vamos poder descansar. — Murmurou para si mesmo, mas não passou despercebido por Jeongguk.

— Acho que o sono pegou vocês dois. — O ômega mais velho brincou, abrindo a porta e sentando-se no banco do motorista. Ajustou o cinto de segurança, ligando o carro e pronto para dar partida, quando escutou a voz de Taehyung reclamando baixo com o menino. — O que aconteceu?

— É errado mexer no que não é seu, Kwon. — Taehyung ainda tinha voz com tom repreendedor. — Isso é seu, Jeongguk? — Perguntou, estendendo uma agenda média em direção ao ômega que a pegou rapidamente.

— Eu estava procurando isso há um bom tempo. — Suspirou aliviado, tinham coisas pessoais demais para si ali para serem vistas. — Eu devo ter deixado cair e esqueci de pegar.

— Ah, sim. — Taehyung não estava entendendo tamanha preocupação que Jeongguk tinha com aquele amontoado de papéis, mas viu que fez certo em tirar da mão da criança. — É muito importante para você?

— Talvez… — Respondeu, abrindo-a e procurando as fotografias e papéis soltos, mas não encontrando nada. Alguém havia mexido ali e esperava que não fosse Taehyung ou Taekwon. — Havia mais algo junto com essa agenda?

— Não, eu só notei o Taekwon estar com isso em mãos. Você perdeu algo importante?

— Não era nada demais. — Mentiu, sorrindo falsamente. — Vamos?



[...]


Chegaram ao pequeno apartamento em que Taehyung morava em pouco menos de uma hora. Aquela porta, mesmo fechada, trazia lembranças à Jeongguk de uma maneira devastadora. Não era como se o seu maior desejo fosse voltar ali, mas faria tudo por Taekwon, até mesmo encarar novamente algo tão simples que trazia de volta alguns dos piores fantasmas do seu passado.

A criança dormia calmamente em seu colo, até mesmo ronronava baixinho como um gatinho manhoso. Taekwon realmente estava cansado e os seus genitores temiam por aquele sintoma estar tão visível.

Taehyung abriu a porta, dando espaço para que Jeongguk passasse com o menino. Entre alguns passos um pouco vacilantes, o Jeon entrou, mesmo com a sensação ruim se apossando de si. Estava se tornando novamente rotina sentir medo do que podia acontecer, o sentimento de culpa se apossar de si e a melancolia o atingir profundamente. Eram situações tão fora do contexto que muitos consideram normal que o ômega apenas sentia-se ainda pior. Malditos indícios de crises que o atingiam a qualquer momento, não tendo hora e tampouco lugar para acontecerem.

Sabia que estava prestes a ter mais uma crise, regredindo, como todas as outras vezes. As coisas adormecidas sempre surgiam novamente, como uma montanha-russa, cheia de pontos altos e baixos, instabilidades e inseguranças. O Jeon sabia que precisava ter mais uma consulta com o psicólogo, mesmo que naquele momento não o tivesse mais pessoalmente para ouvir seus desabafos. Conviver com Taekwon estava o fazendo bem, de certa maneira, mas todas as suas inseguranças e medos o perturbavam.


Jeongguk não estava curado, ele nunca estaria.


— Aconteceu algo, Jeon? — Taehyung perguntou, vendo o outro balançar a cabeça em sinal de negação.

— Não estou acostumado a carregar uma criança por tanto tempo, subir as escadas me cansou um pouco. Logo passa. — Respondeu a primeira coisa que pensou, realmente não era adepto àquela ação, mas Taekwon era leve em comparação aos problemas de Jeongguk. — Onde ele dorme?

— Pode me dar ele aqui. — Taehyung estendeu os braços, sendo atendido por Jeongguk que realizava aquela ação de maneira automática. Estava perdido ali, em meio aos seus próprios pensamentos. Estava pensando demais e aquilo não era bom. — Eu já volto para a gente conversar o que falta.


Enquanto Taehyung ia colocar a criança em um lugar confortável, Jeongguk sentia tudo lhe atingindo consideravelmente. Por um momento sentiu-se em uma máquina do tempo, onde se é possível ver o passado. Lembrava-se perfeitamente dos dias ruins, onde se encolhia naquele sofá porque não conseguia se sentir bem, mesmo após as dezenas de juras de amor que o alfa fazia pela manhã, enquanto o obrigava a comer algo junto a ele. Como um casal.

O Kim era cuidadoso consigo, de certa maneira, mesmo que não entendesse totalmente o que o Jeon estava passando. Era tudo novo para si também, entendia que Jeongguk estava sendo muito pressionado por todos que o rodeavam, mas para ele amor era algo natural que surgia do nada, assim como qualquer outro sentimento. Ele acreditava que o ômega apenas precisava querer ser feliz para acontecer.

Sentou-se no sofá, respirando fundo e contando mentalmente até três. Precisava conversar com alguém, mas ali era possível se abrir da maneira que queria. Talvez Hoseok o atendesse, podendo o distrair, mas estava fora de questão ir embora naquele momento, Taehyung se sentiria abandonado mais uma vez, o julgaria como errado e, bem, Jeongguk se importava com o que os outros pensavam. Até demais.

Pegou seu celular, pensando em ligar para o amigo, mas o número de Changkyun parecia mais chamativo. Jeongguk tinha aquele contato salvo como Dr. Lim, por mais que quisesse salvar como o apelido fofo que deu em uma de suas conversas com Hoseok. Sabia que a sua relação era meramente de psicólogo e paciente. Encarou o visor do aparelho mais uma vez, clicando sobre ele. Não havia marcado horário, mas talvez o Lim fosse flexível como algumas outras vezes que precisou.


Nós podemos conversar?”


A mensagem não foi enviada.


Assim como diversas outras vezes, porém, pela primeira vez, desistiu por um motivo maior que sua insegurança para com algo que o fazia bem. Ouviu os passos do alfa e guardou rapidamente o celular, abaixando a cabeça. Esperava apenas conversar o que faltava e ir embora, mesmo que estivesse sem muito ânimo para aquilo.


— Ele provavelmente só irá acordar em algumas amanhã, podemos conversar sobre aquilo sem que… — Taehyung parou abruptamente, observando o ômega quieto demais, mantendo os olhos focados no chão de madeira desgastado pelo tempo. — Eu te falei algo errado?

— Não, está tudo normal. — Suspirou, encarando o alfa que se encontrava um tanto perdido. Jeongguk também estava confuso. Taehyung havia se importado realmente consigo? — Nada mudou aqui dentro, são as mesmas coisas antigas...

— Eu não sou rico, Jeon, as coisas ainda são utilizáveis. — Taehyung se sentiu de certa forma insultado, havia entendido como uma ofensa indireta. Os móveis e objetos que ali se encontravam eram antigos sim, mas estavam bem cuidados. — E não posso gastar com coisas desnecessárias.

— Não foi isso que eu quis dizer, esqueça. — Sentiu que sua cabeça começaria a doer a qualquer momento, então logo tratou de massagear as têmporas. Um vício que havia herdado de sua mãe.


O silêncio se fez presente, Jeongguk achou que Taehyung ainda estava ofendido pelo que disse um pouco antes. O alfa sentou-se ao seu lado, respirando fundo e o acompanhando naquela ação de mirar os olhos no chão, desviando-os do mundo. O Jeon viu que o Kim se encontrava tão nervoso quanto ele.


— É estranho te ver aqui… De novo. — Taehyung riu de forma nervosa. — Acho que isso tudo é estranho demais, eu nunca vou me acostumar com o fato disso tudo estar acontecendo.

— Eu não acho que você seja o único a pensar dessa maneira. — Jeongguk suspirou. — É estranho voltar aqui de novo. — “Se eu pudesse, não voltaria mais” completou mentalmente.

— Você não se sente bem aqui, não é? — Tocou o ombro do ômega, tentando transmitir confiança. Por algum motivo, Taehyung queria companhia naquele dia, mesmo que fosse daquele que jurou odiar. Queria a companhia de Jeongguk.

— Eu odeio não conseguir me controlar nesses momentos. — Sorriu triste, mirando os pés. — Eu acho que devíamos falar sobre o Taekwon. Ele é o motivo de eu estar aqui, não? Então eu vou continuar por ele, não vou deixar isso me machucar como antes.

— Morar comigo te machucava… — Taehyung deduziu em voz alta, adquirindo uma expressão tristonha.

— Não posso listar o que me machucava ou ainda me machuca, você não entenderia. — Jeongguk tocou a mão em seu ombro. — Se isso te deixa um pouco melhor, morar contigo não era o que me deixou desanimado, foram diversas coisas. Minha vida vai muito além do tempo em que convivi com você.

— Isso foi agressivo. — O alfa murmurou para si mesmo. — Mas não foi tão ruim viver aqui, não é? Você não lembra de nenhum momento bom? De nenhum dos sorrisos que deu?

— Você quer que eu seja sincero? — Taehyung assentiu. — A maioria dos meus sorrisos eram forçados, foram poucas as vezes que eu realmente estava com meus problemas adormecidos… — Riu sem humor. — Mas eu me lembro sim, de um momento em especial. Foi a primeira vez que eu me senti bem em estar carregando o… Bom, foi a primeira vez que eu tive um desejo. Eu me senti animado, eufórico por tão pouco.

Taehyung riu, lembrava-se perfeitamente daquele dia e da empolgação de Jeongguk com algo tão simples. Ele parecia ter a melhor comida do mundo em suas mãos, saboreando com um sorriso no rosto.


— É estranho lembrar dessas coisas com você sentado ao meu lado. — Segredou, desencostando-se do ômega. — Eu quero te agradecer por esses dias, Jeon.

— Eu não fiz algo que mereça agradecimentos. — Sorriu, mesmo que ainda não estivesse se sentindo bem. — Eu tenho medo de perder ele.

— Ninguém quer perder ele, Jeon. O Jimin, meus pais, eu… Nós queremos o mesmo Taekwon que vimos crescer, que ele tenha uma vida normal de novo.

— Os seus pais se importam tanto com o Kwon, mesmo que eu tenha minhas desavenças com sua mãe, ela ainda considera ele precioso. — Fungou, apoiando o rosto nas mãos. — Meus pais apenas atrapalham, como sempre. Eles devem se sentir bem quando são completos desumanos. Ficariam felizes em saber da situação atual do Kwon.

— O seu pai pagou um tratamento do Taekwon há algum tempo. — Taehyung revelou o que Jeongguk já sabia. — Nada justifica a falta ação deles, mas você pode pensar neles com uma bondade feita. Eu não teria como pagar.

— Meu pai tem uma neta e ela nem é minha filha, isso é ser um ótimo pai para mim. — Limpou uma lágrima que nem notou estar escorrendo anteriormente. — Eu vou indo, Taehyung. Se você pedir direitinho talvez alguma entidade da morte me leve. — Brincou sem achar graça, se levantando. — Já está ficando tarde, amanhã eu volto logo cedo. Oito e meia, não?

— Você está abalado e eu nem sei o motivo, não vou te deixar dirigir dessa maneira. — Segurou o pulso do ômega. — É loucura fazer isso.

— Acredite, não é. — Riu sem humor, soltando-se da mão do Kim. — Loucura é você estar pedindo para alguém como eu ficar aqui, parecendo que não sente desprezo ou qualquer outra coisa por mim.

— Eu preciso retribuir o que você fez de bom ao Kwon de alguma forma. — Taehyung sorriu minimamente, se levantando. — Quer assistir algo? Você pode chorar o quanto quiser e colocar a culpa no filme.

— Você está…

— Eu sei que o dia não está dos melhores, você não está bem para conversar sobre o Taekwon e nem para ir embora. — Taehyung interferiu. — Fique aqui pelo menos até se acalmar, certo? Eu te devo uma por ter cuidado do meu filho enquanto eu trabalhava, pago os gastos com o hospital e até ter se disponibilizado a ficar aqui com ele, é a minha vez de retribuir. Jeon, eu realmente estou grato pelo que você fez. Me deixe te ajudar, hum?


Taehyung não assumiria que estava preocupado, mas não se sentia no direito de fazer algum mal ao Jeon. Sua empatia estava presente, não havia perdoado Jeongguk e nem mesmo pretendia esquecer o que passou quando foi abandonado, mas gostou da sensação de transmitir segurança ao mesmo. Como nos velhos tempos.



— X —


Os créditos apareceram na televisão indicando que o filme havia acabado, os olhos de Taehyung pesavam, implorando pela cama quentinha do seu quarto. Olhou para o lado, vendo o corpo adormecido de Jeongguk, este que descansava em uma posição nada confortável. O Jeon estava exausto, isso havia sido visível nos últimos dias. A maquiagem passada pela manhã abaixo dos olhos não disfarçava as noites mal dormidas, e o Kim queria retribuir de alguma forma a ajuda que recebeu.

Estava fora de questão pedir para Jeongguk ir embora, não após todo o esforço dele para ver Taekwon bem. Taehyung tentava se convencer de que era apenas pelo filho toda a empatia que estava tendo. Levantou-se, tomando o devido cuidado para não acordar completamente o ômega, ajeitou melhor a cabeça do mesmo em uma almofada, deitando o tronco no local fofo, as pernas se aconchegaram ali de forma inconscientemente. Notou que, provavelmente, Jeongguk acordaria com dores no dia seguinte, no entanto, não podia fazer muito, caso realizasse mais que isso o Jeon acordaria, sabia que ele tinha sono pesado, mas não o suficiente para mexerem com ele e não notar.

Taehyung escutou o resmungo baixinho, feito de algumas palavras sem muito sentido, sorrindo inconscientemente ao lembrar da voz manhosa que se fazia presente durante diversas noites, chamando seu nome e pedindo algo. Jeongguk era carinhoso quando estava com sono, isto quando parecia alegre ou repentinamente animado com algo. Acabava esgotando a energia que havia adquirido  e se tornando um carente pelos abraços do Kim.

Taekwon ainda não havia acordado, senão teria o chamado, mas por precaução seguiu em direção ao quarto do garoto. Sentia que iria sair dos eixos caso se aproximasse novamente do ômega, observando-o com um sentimento além de ódio, rancor ou a angústia misturada com a gratidão pela ajuda. Sua mente estava nublada demais para enxergar algo que não fosse o passado. O tempo em que Jeongguk fez coisas horríveis e foi embora, não levando junto o que o Kim sentia.

Aproximou-se da porta do pequeno quarto do garoto, observando que este ainda dormia calmamente. A respiração baixinha indicava a calmaria, o contrário do que Taehyung sentia. Por um momento, almejou um descanso, sem os problemas que estava passando o incomodando de maneira absurda. Foram tantas coisas em poucos meses. A volta do Jeon, a piora no quadro clínico do filho, a doença que o desestruturava e ameaçava a vida do pequeno. O alfa apenas esperava que tudo aquilo fosse mais doloroso para si que para o menino, que mal entendia sobre a vida e já enfrentava tantos problemas.

Entrou no local, caminhando com cuidado até o berço que ainda servia de cama e deixando um selar casto na testa do filho, saindo do quarto e indo em direção ao seu próprio. Precisava de um banho, relaxar um pouco sob a água morna do chuveiro e depois ter uma bela noite de sono. Talvez, mais relaxado, pudesse pensar nas suas ações e refletir sobre o que estava acontecendo de maneira calma. Finalmente estava no conforto da sua casa e não havia aproveitado aquilo ainda.

Abriu as portas do seu guarda-roupas, pegando uma camiseta de mangas longas e uma calça de moletom. Era o suficiente para dormir tranquilamente. Pensou em Jeongguk, que dormia na sala, e a ideia se que o ômega também precisava tirar a roupa que usou no hospital se fez em sua mente. Taehyung se sentia louco, de fato, primeiro deixou o Jeon entrar na sua casa e o convidou para ficar, depois procurava uma roupa confortável para o mesmo.

Ignorou seu lado racional, que dizia para não demonstrar tanto à Jeongguk e pegou uma das suas calças simples, juntamente a uma camiseta larga e uma toalha reserva. Eram roupas antigas, nem mesmo havia reparado que já haviam sido usadas pelo ômega anteriormente. Pegou um cobertor disponível, juntando tudo que era para o Jeon e voltando à sala.

Taehyung se aproximou com cautela, observando o corpo encolhido no sofá. Jeongguk parecia tão cansado, tão indefeso em meio à imensidão que o mundo era. Não negava a si mesmo o fato de estar com medo do que poderia acontecer nos próximos dias, mas tinha a certeza de que a partir dali estava responsável por observar mais uma vida de perto. Jurava internamente que iria se esforçar para entender o que o ômega passou para se tornar aquilo, mas tudo em seu limite.

Nada justificava o fato de que Jeongguk o largou com um filho pequeno nos braços, que todas as juras de amor não tinham significado algum para ele. O para sempre que fora jurado não era romântico, talvez apenas pudesse se esforçar mais para manter uma amizade. Jeongguk agora estava na vida do menino, não da maneira sonhada por Taehyung há alguns anos, mas era tudo por Taekwon.

Questionava a si mesmo se, quando o garoto crescesse, ficaria tão parecido com Jeongguk quanto naquele momento; uma grande parte de si esperava que sim, afinal, o Jeon era lindo, talvez o ser mais bonito que conheceu em seus anos de vida. Lembrava-se perfeitamente de como foi se apaixonar por alguém tão belo, fisicamente como internamente. O ômega tinha uma maneira diferente de ver o mundo; era tímido, porém, sabia manter boas conversas repletas de assuntos; era invejável sua personalidade doce e sensível, tudo aquilo apenas fez Taehyung se apaixonar cada vez mais pelo garoto de sorriso fácil.

O relacionamento dos dois era o que o alfa sempre havia sonhado, até a chegada da gravidez. Jeongguk se tornou tão frio, tão fechado e parecia não o querer mais por perto. Taehyung o amava, e também amava a criança que era resultado de um ato de amor dos dois, mas nada que realizava fazia o outro enxergar isso.

O Kim esperava que o filho fosse como o Jeon de anos atrás, talvez como aquele que transmitia inocência enquanto dormia. Não negava a si mesmo que sentia saudades dos tempos antigos, mas tudo o que viveu fora necessário para se tornar o que era. Havia se tornado um homem mais responsável e mais maduro graças aos atos do outro.

O Jeon era uma parte importante da sua vida, alguém que, por mais que tentasse convencer a si mesmo o contrário, ainda ocupava um grande papel. Ele era o progenitor do seu filho, e nada mudaria isso, nem mesmo a sua mente que pedia para que ele fosse racional, não se deixando levar por um jovem irresponsável novamente. Prometia a si mesmo mais uma vez desde que o ômega havia aparecido na sua vida: não voltaria a amar Jeongguk, nunca mais.

Mas ele era tão bonito, tão delicado, tão importante. O Kim involuntariamente já tocava os lábios entreabertos com as pontas dos dedos, pedindo a alguma entidade divina que ele continuasse dormindo, de maneira que não acordasse com aquela ação mal pensada. Tocou a pintinha abaixo do lábio inferior cautelosamente, lembrou-se que foi por conta dele que o Jeon parou de tentar esconder o sinal com maquiagens. Jeongguk era lindo e aquilo apenas o tornava mais diferente de todo o resto.

Passou delicadamente a ponta do dedo pela pele branquinha, chegando a cicatriz na bochecha que talvez fosse a única coisa que causava questionamentos ali. O ômega sempre fora tão cauteloso com o que fazia, mas aquilo não devia estar ocupando os pensamentos do Kim. Estava se preocupando demais com o Jeon e aquilo não era bom.

Taehyung se afastou rapidamente ao notar que Jeongguk estava acordando, mesmo que não tivesse feito movimentos bruscos. Levantou-se rapidamente, observando o ômega coçar os olhos antes de abrí-los de forma lenta, mirando a visão um tanto embaçada no corpo do Kim. O Jeon se sentou, coçando os olhos mais uma vez.


— Você não me acordou para eu ir embora. — Murmurou com a voz um tanto sonolenta. — Eu dormi quanto tempo?

— Eu disse que você podia ficar aqui hoje. — Taehyung lembrou. — Você ficou com o Taekwon esses últimos dias, deve estar cansado.

— Eu… — Jeongguk se levantou, esfregando novamente os olhos em busca da diminuição do sono que sentia. Precisava pegar a estrada de volta para o seu apartamento, mas seu corpo realmente estava implorando por algumas horas de descanso após tantos dias sem dormir direito. — Eu posso ir ver o Taekwon antes… Eu quero vê-lo.

— Eu estou permitindo que você fique, não precisa se preocupar. Eu não vou te matar. — Taehyung riu de como o ômega ainda parecia perdido. — Eu peguei umas roupas que devem servir em você, tem uma toalha e, acho que você consegue dormir sem cueca porque isso eu não tenho uma nova para te dar. — Desviou o rosto, sentindo a vergonha tomar conta de si. Estava falando demais. — Pode tomar um banho, se quiser.

— Eu… — Jeongguk murmurou de forma pensativa. — Eu acho que vou aceitar. — Respirou fundo, era mais um dos seus fantasmas a se enfrentar. Pegou as roupas das mãos do Kim sem muita delicadeza, abraçando-as diante ao peitoral. — O banheiro é a última porta no corredor, me lembro bem.

— E o chão ainda escorrega, então tome cuidado. — Advertiu, finalmente arrancando um sorriso do Jeon.

— Eu irei tomar.


— X —


Jeongguk sentia-se de certa forma renovado. Não foi um bicho de sete cabeças como o esperado, talvez ele até tivesse demorado mais que o planejado embaixo da água morna e relaxante. Estava precisando daquilo, de um descanso e um bom banho, que realmente o fizesse relaxar e esquecer dos seus problemas por alguns minutos.

Secou seu corpo sem pressa, logo em seguida vestindo as roupas que lhe foram entregues e sentindo-se aliviado. O Jeans preto e apertado que usava anteriormente o incomodava, assim como o moletom que o fazia sentir mais calor que o desejado. Sabia que aquilo era efeito de mais um cio próximo que chegaria em um momento inoportuno, precisava se lembrar de ir à farmácia e comprar os benditos supressores que lhe eram de grande ajuda, evitando alguns sintomas ruins.

Parou em frente ao espelho  observando seus traços refletidos ali, seus fios molhados caiam sobre a testa, transmitindo uma imagem ainda mais jovem de si; as roupas de Taehyung  pareciam mais apertadas que antes, mas ainda o traziam conforto. Seu reflexo estava melhor, mas ainda parecido com o seu antigo. Retirou a camiseta, deixando o abdômen exposto enquanto dedilhava ali. Havia mudado em alguns aspectos fisicamente, mas aquilo não importava muito para si e sim a cicatriz próxima a virilha, onde a marca de um corte horizontal era pouco nítida.

Mesmo podendo pagar por um tratamento, havia feito questão de deixar aquela cicatriz ali, como um lembrete de tudo que havia feito. Sabia que aquela marca em sua pele nunca seria tão grande quanto as que ficavam em sua mente, sempre o mostrando o que tinha de pior.

Jeongguk nem mesmo notou que já estava há muito tempo naquele banheiro, preocupando o alfa que batia na porta perguntando sobre si, que estava quieto demais. Quando ouviu as batidas na madeira, vestiu a camiseta rapidamente, não se importando se verificar se aquela era a maneira correta. Abriu a porta, vendo Taehyung sustentar uma feição preocupada que se desfez enquanto parecia avaliar Jeongguk ao extremo.


— Eu queria saber se está tudo bem. — Taehyung murmurou, observando o rosto de Jeongguk. Mesmo com as roupas mais simples, ainda era dono de uma beleza admirável. — E perguntar se você quer que eu prepare um jantar decente ou comemos algo instantâneo hoje.

— Eu… Por mim tanto faz. — Respondeu rapidamente, sentindo-se bobo por estar nervoso naquela situação.

— Você está bem? — Jeongguk assentiu. Ah, Taehyung era um maldito que o tirava dos eixos! — Você vestiu a camiseta ao contrário, tem certeza que está se sentindo bem?


Só então Jeongguk notou que as costuras do tecido estavam à mostra, havia vestido de forma tão rápida que nem notou se estava certo ou errado. Sentiu o rosto esquentar e a vergonha tomar conta de si. Por isso Taehyung estava o olhando?


— Eu… Eu estava distraído. — Tentou achar uma desculpa para seu erro, sentia que a qualquer momento o alfa começaria a rir de si. Maldita hora em que decidiu mexer com o que estava quieto!


Ao contrário do esperado, Taehyung não riu, apenas se aproximou com cuidado, levando a mão até sua cabeça e arrumando os fios bagunçados pela pressa ao vestir a camiseta novamente. Jeongguk estava lindo, como sempre fora. Tocou os fios negros com cuidando, ajeitando-os sobre a pele branquinha do Jeon e observando alguns fios caírem sobre os olhos escuros.

Jeongguk era lindo. E Taehyung não conseguia tirar isso da cabeça.

Sentiu a nostalgia o atingir totalmente, observou os lábios entreabertos e convidativos novamente. Estava inebriado. Queria apenas acariciar aquele rosto novamente e beijar cada cantinho. Queria Jeongguk.


— Eu tenho plena certeza de que vou enlouquecer. — Murmurou, tocando os lábios com a ponta do dedo. Estava fazendo aquilo e Jeongguk estava acordado. Realmente não conseguia enxergar as faixas de perigo que enfeitavam seu lado racional.

— Você… — Jeongguk tentou pronunciar algo coerente, mas apenas se focava no Kim cada vez mais próximo. Mais perigoso.

— Eu posso fazer uma coisa que eu sei que vou me arrepender logo em seguida? — Perguntou, com a respiração quente batendo contra o rosto do Jeon. Estava próximo demais.

— E depois de se arrepender? — Conseguiu dizer aquilo sem gaguejar ou se enrolar, nem sabia como havia realizado aquele ato. Estava focado demais em outra coisa, em Taehyung.

— Nós esquecemos.


Não foram necessárias mais palavras. Jeongguk sentiu os lábio de Taehyung tocarem os seus superficialmente, acabando com a pouca distância que os restavam. Era um toque simples, mas que despertava mais uma vez todos os sentimentos nem tão adormecidos dentro dos dois corpos.

Taehyung queria que o mundo parasse, para poder tocar o Jeon sem que aquilo interferisse no futuro. Queria apenas Jeongguk.

Tocou a nuca do Jeon, aprofundando o beijo e buscando mais contato. Sentia falta daqueles lábios sobre os seus, sentia falta de poder tocá-lo e acariciar cada parte do seu corpo, sentia falta dele e aquele ato era mais uma amostra de saudade.

A saudade que sentia do Jeon, dos lábios que se encaixavam tão bem nos seus, do cheiro característico que sempre seria o melhor. Se tratava de saudade mútua, o ômega havia esperado tanto por aquele dia, porém, sentia a vontade de chorar  se apossando de si, mas não de felicidade.

Era o mesmo alfa por quem se apaixonou e se tornou seu primeiro amor, o mesmo homem que sentiu falta durante tantos anos longe, a mesma boca que sempre admirou e até mesmo os dedos longos em seus fios de cabelo eram iguais. Era Taehyung. No entanto, por mais que seu corpo implorasse por mais contato, sua mente fazia questão de lembrar de cada momento ruim, esquecendo-se dos bons.

Amava Taehyung, mas este o odiava. Seria assim até o final, correto?

Jeongguk não entendia o que estava acontecendo consigo. Quebrou o ósculo, afastando seu corpo de Taehyung e escorando-se na parede. Estava confuso, tocou seus lábios com os próprios dedos, sentindo a mistura de salivas ali. Realmente havia acontecido. E ele não se sentia bem.


— E agora? — Perguntou, sentindo o medo o apossar. Sentia que havia estragado tudo novamente.

— Esqueça o que fizemos. — Taehyung disse. Ríspido demais. — Estamos aqui pelo Taekwon, apenas por ele. Isso não devia ter acontecido.


E saiu, entrando em seu quarto e se trancando lá.

O ômega continuou ali, tentando se recompor e não desabar. Taehyung havia o beijado, mas para ele não significava nada? Não sabia ao certo, seus olhos estavam marejados e queria apenas sair logo dali, mesmo não tendo em mente para onde iria.

Pegou sua roupa usada, voltando à sala e não se importando com o fato de estar se trocando ali mesmo. Precisava ir embora logo, apenas sair dali e ir para qualquer lugar.

Terminou de colocar as roupas de qualquer maneira, pegando a chave do seu carro e o celular que logo iria descarregar. Pensou em abrir a porta e sair dali logo, não era capaz de falar com Taehyung, não naquele momento.

Desbloqueou o aparelho que segurava, abrindo o aplicativo de mensagens e digitando rapidamente o que desejava.


Jeon Jeongguk 23:46

Eu estou indo para casa. Avise ao Taekwon que eu o amo e volto segunda.

Por ele.


E saiu, não dando chances do Kim o responder.

Voltaria porque Taekwon precisava de si, apenas por Taekwon.



— X —


Jeongguk se encontrava deitado sobre a cama bem arrumada do quarto de hóspedes, não havia entrado naquele cômodo muitas vezes, talvez umas duas ou três, assim como no escritório e um quarto especial para um empregado que nunca teve interesse em contratar. Aquele apartamento era grande demais para ele sozinho, solitário. Lugares espaçosos apenas o causavam a sensação de estar mais vazio.

Se sentia bem naquele quarto em especial, mesmo não havendo nada demais, apenas móveis padrões de um imóvel previamente decorado. Pretendia mudar todas as coisas ali, inclusive a cor, tudo para ficar mais parecido com o quarto de uma criança. Pensava em muitas decorações, mesmo que uma parte de si avisasse das poucas chances de Taehyung se submeter àquilo.

Lembrava-se da noite anterior e de como o Kim o tratou, mesmo que tentasse não pensar naquilo. O alfa se deixou levar porque estava grato, apenas isso. Tudo fugia do seu foco que deveria ser Taekwon e a forma como cuidaria dele.

Lembrou-se do beijo que esperou durante tantos anos e veio de forma repentina, desestruturando o pouco que havia conseguido erguer. Jeongguk amava Taehyung, mas esse pareceu apenas usar ele como distração de um dia cansativo.

Tinha que se focar mais em Taekwon, apenas nele e na forma que cuidaria dele. Mesmo que estivesse se iludindo com a hipótese de um dia dormir consigo ali e, talvez, planejando alto demais, se preocupando com algo que nem tinha respostas.

Queria fazer algo legal para o filho, uma surpresa que nem mesmo sabia se ele iria usufruir. No mar de possibilidades, não tinha noção alguma do que Taekwon gostava ou tinha medo, era tudo tão vago e, mais uma vez, Jeongguk notara o quão pouco conheci o menino.


— É, Jeongguk… Você é claramente o exemplo de pai que ninguém deve seguir. — Murmurou para si mesmo, pegando seu celular e desbloqueando com a senha de seis dígitos em hangul.


Costumava colocar o nome do menino em todas as suas senhas desde que passou a nutrir sentimentos pelo mesmo, desde que passou a não querer esquecê-lo. Não era algo fácil, como os outros casos em que pais fazem homenagens aos filhos. Era engraçado o fato de que Taekwon completaria cinco anos em alguns meses e ele podia contar nos dedos as pessoas que mantinha contato consigo e sabiam informações sobre a criança.

Se perguntava onde os antigos empregados dos seus pais haviam parado, não que mantivesse um relacionamento além de cumprimentos com eles, mas pareciam ligar bastante para o fato do Jeon ser tão novo e já precisar criar responsabilidades — ao menos os que sabiam que não era apenas uma fase onde estava acima do peso.

Eram cômicas todas as desculpas que seus pais inventaram para esconder a gravidez. No seu antigo colégio, disseram que o garoto se afastaria apenas para fazer um intercâmbio; nos jantares de negócios, estava ocupado demais estudando para entrar na melhor universidade canadense por mérito.

Apenas mentiras, seus pais sempre foram ótimos com isso.

Cogitava a possibilidade de não receber a ligação que esperava, havia agido por impulso em negar a chamada do psicólogo sem dar uma explicação, e demorou dias para marcar uma nova, mas sentia-se culpado por algo que não era tão grande. Nem sabia mais se queria continuar aquele acompanhamento, não pelo Lim ser um psicólogo ruim, longe disso, e sim porque se sentia inútil demais para aquilo.

Eram seus malditos problemas o tirando do racional, ele sabia. Estava tudo voltando novamente, mesmo após todo o preparo emocional que havia passado, mesmo após dizer para si mesmo tantas vezes que nem tudo era culpa sua. Talvez seu lugar não fosse ali, mas não queria voltar atrás. Nunca mais.

Animou-se brevemente quando o celular começou a tocar uma música irritante, padrão do aparelho, atendendo-o rapidamente.


Boa noite, Jeongguk. — Já passava das  sete horas da noite ali; onde o psicólogo estava era  manhã.

— Oi, eu precisava falar contigo. — Suspirou. — Me desculpe pelo outro dia, aconteceram tantas coisas que eu só queria um momento sozinho com o Kwon.

Eu entendo, Jeongguk, mas se puder cancelar com antecedência da próxima vez...  O ômega escutou um “eu estou atendendo agora, amor” abafado e de certa forma aquilo o incomodou, mas decidiu não se importar. — Pode me contar o que aconteceu.

— Bom, vamos lá. — Se deitou de maneira mais confortável na cama espaçosa. — Tudo piorou e eu não estou falando de mim.

O seu filho…

— Ele tem câncer e eu tinha acabado de descobrir, esse foi o motivo para não te atender. — Respirou fundo, continuando: — Ele começou a quimioterapia há poucos tempo e eu não sei o que fazer. Taehyung quer que eu cuide dele naquele lugar, mas eu sinto que vou surtar a qualquer momento, mas ao mesmo tempo aconteceram coisas que me fizeram bem. Eu sei que eu disse que faria qualquer coisa pelo Kwon, e eu realmente faço, mas a insegurança ainda anda me consumindo diariamente. Eu acho que voltar naquele apartamento me abalou mais que ser agredido pela Haesoo, talvez tenha machucado mais também. Eu estou falando demais, não é?

Vamos por partes. — Changkyun mantinha a voz calma mesmo após a enxurrada de informações. — Quimioterapia e tratamento em casa.

— O Doutor Park decidiu que o melhor a se fazer é um tratamento por via oral, dessa forma será mais confortável para o Kwon sabe… Eu acho que seria melhor cuidar dele no meu apartamento, mas o Taehyung prefere a própria casa. É o que o Taekwon considera um lar, afinal. — Sorriu triste. — Eu não pretendia voltar naquele apartamento, mas depois de tanta insistência acabei entrando e mais uma vez mostrando aquilo que eu não queria ao Taehyung. Eu desabei mais uma vez na frente dele.

Você chorou, acabou mostrando que seus problemas são reais. — Deduziu. — Isso não é de todo mal. Você é uma pessoa real, Jeongguk, também sente como as outras.

— O meu problema é sentir nos momentos errados, eu tenho a impressão de que o Taehyung sentiu apenas dó de mim. — Riu sem humor. — Ele cuidou de mim, deixou que eu chorasse e até me ofereceu o lar dele por uma noite. Sabe, isso me doeu.

E por que isso te doeu?

— Me doeu porque ele se esforçou por mim, porque eu não fui capaz de encarar sozinho aquele lugar. — Sentia seus olhos arderem, mas ignorou. Já estava acostumado a chorar todas as vezes que falava com o psicólogo. — Eu fiquei tão mal por algo simples e ele tentou me animar, e lembrou que era só uma troca de favores. Eu ajudo o Taekwon, ele me ajuda como pode. Eu não quero que seja assim.

O Taehyung me parece ser um bom homem, é possível que ele apenas esteja usando essa desculpa porque não quer confundir seus sentimentos.

— E ele é, só que eu não quero ser mais um peso na vida dele. Não quero ser como era antes, ficar chorando e esperar que ele me abrace com sentimentos que nem existem… Não mais. — Sua voz falhou um pouco ao final da frase. Doía dizer aquilo. — Ele se viu na obrigação de cuidar de mim, mas eu entrei lá porque eu quis, sabe? Ele perguntou se eu queria levar o Taekwon até lá e eu não discordei. O Kwon estava tão cansado nos meus braços, eu não queria me afastar dele e sentia que ia ser doloroso ir embora naquele dia, mas foi só entrar lá dentro que tudo desmoronou. Eu não sei porque isso acontece do nada, eu quero que pare de alguma maneira.

Jeongguk, são coisas que você viveu antes. É normal que elas te causem sensações, sejam boas ou ruins. Como ele te ajudou?

— Ele me lembrou das coisas boas que eu vivi com ele ali, foram poucas, mas… — Suspirou, sentindo as lágrimas molharem seu rosto. — Eu acabei notando de novo que nunca fiquei feliz por estar ali, era o Taehyung que me animava temporariamente. Diferente dele e do Kwon, aquilo nunca foi o lugar onde pude descansar. Sabe o que eu notei, Changkyun? — Riu sem humor, estava completamente desgastado. — Eu nunca tive um lar.

Você já me contou que morou em diversos lugares, porém, mesmo com tantos imóveis em locais diferente, você não sente que teve um lar. O que é um lar para você?

— Um lar é onde você se sente bem, onde pode descansar sem medo, porque ninguém tem algo contra você ou te faz mal. — Lembrava-se perfeitamente de todos os lugares onde morou, não se sentia bem neles. Eram apenas imóveis com pessoas dentro. — Quando eu morei com o Taehyung, foi por obrigação. Talvez por isso nossos planos de viver juntos nunca foram concretizados, porque eram apenas sonhos adolescentes.

E você não se sente capaz de realizar os sonhos que tinha com ele? É a sua vida, seus objetivos a serem conquistados.

— Eu não acho que eu vá conquistar essas coisas um dia. O Taekwon é o único que ainda é capaz de me prender a tudo, mas eu nunca vou poder ter um lar com ele, mesmo me iludindo achando que esse lugar vazio pode se tornar isso um dia.

O Taekwon é seu filho, você o considera sua família. Ele constitui seu porto seguro.

— Ele é meu filho, ele é uma parte de mim e todas essas coisas que eu já contei. No entanto, ele já tem um lugar onde morar, ele tem o Taehyung e eu nunca serei capaz de pedir a guarda dele para mim. Eu sou um péssimo pai, isso seria cruel.

Você pensa no bem-estar dele, isso é uma atitude paterna.

— E outras quinhentas atitudes minhas são totalmente contrárias. — Suspirou, encarando a parede branca do quarto. Vazia. — Eu realmente acho que vou surtar com todas essas coisas dentro de mim, eu tenho medo. Sabe, eu tenho medo de chegar àquele ponto de novo…

E por que você acredita que irá chegar naquele ponto novamente?

— Porque eu não me sinto bem, como da última vez que eu tentei. As coisas pequenas me fazem ficar mal, e não é culpa das pessoas ao meu redor. Elas estão sendo elas mesmas, eu que estou ferrado demais para continuar.

Você foi capaz de passar por cima da última tentativa, de mostrar a si mesmo que ainda pode viver. — A voz rouca naturalmente saiu um pouco falha. Haviam entrado num ponto delicado demais que Jeongguk odiava relembrar. — Essas são as coisas que mais te perturbam atualmente?

— O meu filho está doente, eu discuti com os meus pais mais uma vez, a avó do Taekwon me odeia, o Jimin não me trata mais como um amigo, Hoseok está afastado, Taehyung insiste em me chamar pelo nome de família desde que deixou eu me aproximar do Kwon… — Não era capaz de esquecer nenhum dos fatos. — E também teve ontem e o que o Taehyung fez comigo.

Aconteceram muitas coisas, é compreensível que você pense muito nelas, mas o que o Taehyung fez com você?

— Ele me beijou. — Contou, sentindo-se minimamente mais livre. Estava lotado de pensamentos e todos tinham caminho direto ao alfa. — E eu não me senti bem com isso.

Você havia me dito que sentia falta de ter o carinho do Taehyung. Está achando que não sente mais a mesma coisa por ele? Ou que ele não sente mais afeto romântico por você?

— Ele me beijou porque tem dó de mim, Changkyun. Não é como se ele não sentisse um restinho de desprezo pelo que eu sou. — Limpou o rosto com as mãos, respirando fundo. — Ele me beijou e, ao contrário do que eu achava, não fiquei feliz com isso.

Você sente que foi um ato por impulso, sem sentimentos?

— Eu não me sinto feliz porque era isso que eu não enxergava antes. É impossível ter sua felicidade baseada em outra pessoa. Ele me beijou, assim como eu tenho certeza de que beijou o Jimin e vai beijar outras pessoas ao longo da vida. — Sua voz ainda tinha tom de choro, estava tentando convencer a si mesmo da verdade dolorosa. — Ele me beijou, e isso não sai da minha cabeça porque, mesmo que para mim tenha um grande significado, para ele foi apenas mais um beijo.

Eu entendo que você tem muitas coisas para falar, por isso é importante que nós mantenhamos a periodicidade destes atendimentos. Infelizmente, chegamos ao final dessa sessão. Eu espero que você esteja aqui na próxima, podemos continuar com esses assuntos que são importantes...

— Eu sei o que vem agora, acho que preciso de um descanso. — Não havia percebido que o tempo passou tão rápido, mas preferia daquela maneira. — Obrigado por tudo, sério. Tenha um bom trabalho pelo resto do dia.


E Jeongguk dormiu ali, naquele quarto que esperava um dia poder se tornar o de Taekwon, pensando no beijo que recebeu e que a partir dali, finalmente poderia agir como um pai na vida do menino. Talvez, ele fosse apenas aquele que gerou o filho de Taehyung. E seria isso para sempre.



Kim Taehyung 19:24

Hey?


Kim Taehyung 19:46

Você está aí?


Kim Taehyung 23:05

Eu preciso dormir agora e você ainda não me respondeu, mas pode chegar mais cedo amanhã? Uns trinta minutos. Precisamos conversar.


Kim Taehyung 23:07

O Taekwon está te desejando uma boa noite. Não me pergunte o porquê dele ainda estar acordado.


Kim Taehyung 23:09

Durma bem, Jeon.

Jeongguk*







Notas Finais


Obrigada à Amanda que betou o capítulo e deixou bonitinho.

Taekook beijou rsrs entendam como quiser

Esse Jeongguk é meu bebê, protejam ele do mundo e cantem cinco patinhos para ele - aliás eu não lembro quem recomendou essa música.

Flavia, Deh e Amanda ajudaram demais. Estou emocionada eu.

Esse capítulo todo foi realmente escrito a base de muita música de natal do EXO, eu amo álbuns especiais de natal.

Até o próximo que, segundo a lógica da vida, sai ano que vem!

Ps: eu não forcei a Flavia e a Deh a ajudarem com o capítulo. Isso é mentira!
Ps2: ainda vou responder os comentários do capítulo anterior, mas eu li todos ok?


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