História No Way - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Tags Camren & Vercy
Exibições 25
Palavras 4.106
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Hentai, Orange, Poesias, Romance e Novela, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Um aviso: Também estou postando essa msm história no watppad

Capítulo 2 - Píer



Lauren
Não consegui dormir a noite toda. Antes de ir para a cama liguei para o tio Carlos e contei tudo o que aconteceu, ele está na Espanha e disse que se ela não acordar em uma semana vai vir aqui. Também telefonei para os meus pais em Cuba. Eles ficaram arrasados por não terem permissão de deixar o país, queriam vir aqui dar apoio. Eu nasci nos EUA quando meu pai trabalhava aqui ganhando uma miséria e entregando 90% do seu salário para o governo de Cuba, foi quando eles conheceram o tio Carlos que também é de lá. Eu tenho cidadania estadunidense então não preciso de permissão para estar aqui, a mesma coisa acontece com Lucy, seu pai foi exilado de Cuba e agora fica viajando o mundo sem se preocupar com mais nada. Nós duas viemos para Miami juntas logo após atingirmos a maior idade. Meus pais fizeram de tudo para que nós tivéssemos essa oportunidade. Não posso deixar de concordar com o que Normani disse ontem sobre meus pais serem muitos mais presentes na vida de Lucy que o pai dela. Saio do banho e me visto rapidamente. O domingo se arrastou mais que o normal e eu não tive coragem de colocar os pés fora desse dormitório, sequer de sair da cama. Se eu dormi um minuto sequer? Não. Já é segunda e eu estou atrasada para minha aula de teoria da comunicação. Matéria essa que divido com a digníssima Veronica Iglesias. Ela faz publicidade e eu jornalismo, mas nós temos algumas classes em comum. Pego minha mochila, saio do dormitório e passo na cafeteria para comprar um café grande, só assim vou conseguir ficar acordada a aula toda. Chego em minha sala e percebo que por alguns minutos estou mais adiantada que o professor, porém a turma já esta quase toda aqui. Nem sinal de Vero. 
...
A aula está na metade e eu já não aguento mais ficar aqui. Meu professor está falando desde a hora que ele entrou na sala e eu não prestei atenção em sequer uma palavra que saiu da boca dele. Só consigo pensar que eu levantei hoje cedo e Lucy não estava lá tomando uma caneca de café e rindo da minha cara de sono, me chamando de rabugenta ou brigando comigo por demorar demais no banho e atrasar a vez dela. Guardo minhas coisas e saio apressada de lá em direção ao meu carro. Eu preciso ver a minha amiga, preciso olhar para ela e finalmente aceitar o que está acontecendo e aceitar que eu provoquei tudo isso. Dirijo com dificuldade porque as lágrimas turvam minha visão, no caminho não consigo afastar todos os pensamentos que invadem minha mente de uma só vez. Paro de qualquer forma no estacionamento do hospital. As portas automáticas se abrem para mim e eu vou meio atordoada até a recepção. Pergunto o número do quarto e a atendente faz algumas perguntas antes de me indicar o caminho até lá. Abro a porta e não sei o que pensar da cena que vejo. Veronica dorme sentada desajeitadamente em uma cadeira ao lado da cama de Lucy e tem seus dedos entrelaçados aos dela. Odeio admitir, mas acho que essa imbecil realmente gosta da minha amiga. Veronica desperta com o barulho da porta fechando e num salto acorda assustada. 
- Ai... – ela diz levando a mão até a coluna gemendo de dor. Olha para mim e depois para Lucy. Sua expressão vai de sonolenta a angustiada imediatamente. 
- Eu não quis te acordar. 
- Tudo bem, eu tenho aula hoje, mesmo. – ela parece ter um estalo de consciência.  – Que horas são?
- Se estiver se referindo a aula de teoria da comunicação você já perdeu.
- Merda. – diz mais para ela mesma do que para mim. 
- Ficou aqui o fim de semana todo?
- Não, eu passei no meu apartamento ontem à tarde pra tomar um banho e comer alguma coisa que não fosse o sanduíche natural da cafeteria daqui. 
- Vai pra casa, você precisa dormir direito. Sua cara tá horrível, Iglesias. – brinco tentando amenizar o clima pesado entre nós.
- A minha cara? Já viu essas suas olheiras? – ela cede. 
- Sem querer implicar com você, nem nada. Mas como você tem permissão pra entrar no quarto?
- Lucy me colocou como contato de emergência também. Fiquei tão surpresa quanto você. Olha me desculpa pelo que eu disse sábado. Não é justo eu te culpar por isso. Foi um acidente.
- Tudo bem, eu meio que tive grande contribuição no que aconteceu. Queria poder voltar atrás.
- É, se você pudesse nunca ter dito aquelas palavras pra ela.
- Calma. Não é bem assim. Não me arrependo do que eu disse, só de ter deixado ela sair daquela forma. Ainda acho que você tirou vantagem da minha amiga e que ela merece coisa muito melhor que você, um homem, de preferencia. A Lucy só estava confusa e eu como melhor amiga dela tinha a obrigação de fazer alguma coisa, mas foi irresponsabilidade minha deixar ela sair depois de ter bebido. Aliás, me responde uma coisa. Ela não precisava pegar o carro pra ir até o dormitório da Ally e da Mani e muito menos ligar pra você se estava prestes a ver duas amigas. Ela estava indo pro seu apartamento, não estava?
- Sua ridícula! Eu não acredito que mesmo depois de tudo o que aconteceu você ainda consegue jogar toda a culpa em cima do nosso relacionamento. O que eu sinto pela Lucy é o mais lindo dos sentimentos! Eu me recuso a deixar você falar dele como se fosse uma coisa ruim! Eu a amo, você entendeu!? Eu amo a Lucy! Desde a primeira vez que a vi e tudo o que aconteceu entre nós no pouco tempo que tivemos juntas só me provou isso. Queria poder gritar bem alto e declarar pra ela tudo o que sinto, mas graças a você talvez eu nunca tenha a chance de fazer isso. E sim, a porra da culpa é toda sua! Vou voltar pra visitar a Lucy mais tarde então por favor não fica aqui por muito tempo porque não quero mais ter que olhar pra sua cara hoje! – grita e vira as costas saindo do quarto. Nem perco meu tempo pensando em uma resposta.
Enfim tenho a chance de olhar para minha amiga direito e meu peito se aperta com o que vejo. Paro ao lado dela e tento pensar em algo para dizer, mas nada me vem à mente. Não sei por quanto tempo fico olhando para ela, mas sei que em algum momento começo a chorar. Sinto a presença de uma terceira pessoa no quarto, mas não dou a mínima porque com a minha visão periférica vejo que a pessoa está usando o uniforme do hospital. Provavelmente alguém da faxina, não importa. A pessoa se aproxima de mim e toca o meu ombro chamando a minha atenção. 
- Bom dia, eu não pude deixar de ouvir a sua discussão com a namorada da paciente. – uma garota que tem aproximadamente a minha idade fala comigo. Ela usa um uniforme igual o de todas as enfermeiras, com a exceção do laço branco em sua cabeça. 
- Ela não é namorada dela. – digo mais rude do que pretendia.
- Desculpa. É que ela passou a noite aqui e eu vi como elas estavam, de mãos dadas e tal... – responde sem graça.
- Não, eu é que peço desculpas por ter sido tão grossa. Não é nada com você. É aquela mulher que me dá nos nervos. Mas me responde... Camila – leio o nome bordado em seu uniforme. – Você é a enfermeira da Lucy?
- Sou sim. E o seu nome?
- Lauren. Só você? Ou tem outras?
- Só eu. Não existe muito a ser feito no caso dela. Minha tarefa é monitorar a sua amiga e reportar tudo para a médica dela diariamente. Estamos torcendo por alguma mudança de quadro, mas por enquanto tudo o que podemos fazer é prestar atenção nela, controlar a medicação e os aparelhos ligados a ela, só isso. Existe algum familiar a ser contatado?
- Eu já liguei para o pai dela. Ele talvez venha pra cá daqui a uma semana. – respondo sem ânimo.
- Que bom que ela tem você, não é mesmo? – Camila sorri de canto, compassiva a situação. Ela parece ser muito simpática, mas eu simplesmente não estou com cabeça para apreciar esse tipo de coisa no momento. 
- Desde que nós nos mudamos de Cuba pra cá eu sou tudo o que ela tem e vice versa. – essas palavras pesam dentro de mim. Lucy e eu já passamos por tanta coisa juntas, desde a infância. Eu não posso perdê-la assim dessa forma, não logo após uma discussão. A enfermeira me abraça. Por um instante eu não tenho reação, apenas me surpreendo com sua atitude. Mas não demoro a corresponder. Não estou em condições de recusar um abraço. Respiro aliviada com a paz que esse carinho me trás. O abraço de Camila parece sanar a agonia dentro de mim por alguns instantes. Percebo que estou chorando, minhas lágrimas encharcam o ombro da mulher diante de mim, mas ela parece não se importar. Ao sentir meu choro a pequena me aperta mais forte e eu deixo sair de mim toda a agonia que me tirou o sono essa noite e tem me sufocado desde o acidente. Depois de alguns minutos nos afastamos. Camila olha nos meus olhos com uma ruga de preocupação na testa e eu não sei onde me esconder de tanta vergonha. 
- Você parecia precisar disso.
- Eu precisava, obrigada. 
- Que nada! Eu trabalho em um hospital, estou acostumada a ver pessoas na sua situação. Escolhi essa carreira pra ajudar as pessoas. Ah, e eu também sou de Cuba!
- Você pretende ser médica? – digo enxugando minhas lágrimas. 
- Quarto período em medicina. Espero me tornar uma interna aqui do hospital logo. Tenho que ir checar outro paciente. Até mais. – ela pega o prontuário de Lucy aos pés da cama deixando o quarto e me sorrindo de forma gentil antes de fechar a porta.
...
Estou no dormitório das meninas, elas me deixaram passar a noite aqui com elas. Pedimos uma pizza e estamos zapeando os canais na televisão. Deixamos em alguma série que a Ally acompanha, para ser honesta não estou dando a mínima. Sei que elas estão fazendo de tudo para tirar minha mente de tudo o que está acontecendo, mas não está adiantando. Os dias estão se arrastando, minhas aulas, as noites sozinha no meu dormitório sem ter Lucy para conversar, aquele lugar parece enorme e vazio sem ela. Já estamos na metade da semana e o estado dela continua o mesmo.
- Lo, quer que eu responda aquele questionário que a Rebecca passou hoje? Eu posso fazer a resenha também, se você quiser. – Mani está na minha turma em todas as matérias porque fazemos o mesmo curso e estamos no mesmo período. 
- Não precisa Manibear. Eu não estou com cabeça pra fazer agora, mas vou perguntar se ela aceita isso pra semana que vem. 
- Ah, me dá essa merda aqui logo, Lauren! – ela diz alcançando a minha mochila pendurada sobre a cadeira. Arrancando de mim uma risada.
- Meninas, vai ter uma festa lá no píer sexta! – Ally comenta.
- Nós vamos né? – Normani se empolga. Ela olha em minha direção esperando uma resposta.
- Gente, eu não sei. Vão vocês. 
- Lauren, não é porque a Lucy não está aqui que você vai parar de viver. Vai ficar tudo bem, quando ela voltar vai ficar chateada ao saber de toda a diversão que você perdeu por causa dela. – Ally insiste. 
- Vou pensar. – digo pegando minha bolsa e indo em direção à porta.
- Aonde você vai? São duas da manhã! – perguntam ao mesmo tempo.
- Vou dar uma volta rapidinho. Já, já estou aqui.
Ao longe consigo ouvir minhas amigas me chamando, mas tento apagar a voz delas da minha mente. Entro no meu carro e saio dirigindo sem rumo. Depois de algum tempo dirigindo paro para ver onde estou e percebo que estou em frente à praia. Sorrio ao me lembrar de quando Lucy e eu chegamos a Miami. Ficamos encantadas com as praias lindas daqui. Ela parecia uma criança deslumbrada e eu não estava muito diferente. Desde então não perdemos uma festa no píer ou luau para qual fomos convidadas. Ir a uma festa sem ela não parece certo. Só a ideia faz eu me sentir mal, suja. É quase como se eu a estivesse traindo. Paro o carro e encosto a testa no volante sem mais conseguir conter meu choro. Parece que só o que eu faço agora é chorar, como se as minhas lágrimas fossem tirar Lucy do coma. Volto a dirigir e quando menos espero já estou no estacionamento do hospital. Caminho apressada até o quarto de Lucy. Não me surpreendo ao ver Veronica dormindo profundamente no pequeno sofá que fica encostado na parede, todas as vezes que eu venho aqui a encontro, seja acordada ou dormindo. Isso no fundo me deixa mal por sentir tanta repulsa do que ela sente pela minha amiga. Se ela fosse um rapaz eu acharia seu comportamento a coisa mais fofa do mundo, ficando aqui o tempo todo, se preocupando e tal. Mas por ela ser mulher eu acho tudo isso meio doentio, esquisito, sei lá. Talvez seja homofobia da minha parte mesmo, eu não entendo por que. É como a Lucy disse, eu tenho a mente aberta para tantas coisas. Mas por alguma razão não consigo aceitar a homossexualidade. Não é como se eu fosse o tipo de garota que está com um cara diferente todos os dias. Eu só namorei duas vezes e nada muito sério. Acho que nunca me apaixonei por ninguém. Ignoro a presença de Verônica e me sento na cadeira ao lado da cama de Lucy. Não consigo parar de chorar. Pergunto a mim mesma, o que minha amiga me diria, que conselho ela me daria? Será que ela me diria para ir a festa e não parar minha vida? Ou ela me diria que não é justo e me daria um tapa por pensar em me divertir sem ela? Uma lágrima silenciosa escorre pelo meu rosto. Escuto batidas leves na porta.
- Pode entrar. – Camila abre a porta devagar para não acordar Veronica. Ela me olha compassiva e tem um cupcake em suas mãos. Nesses poucos dias a jovem enfermeira e eu nos aproximamos bastante. Posso dizer que ela está se tornando uma amiga.
- Te vi chegando e pela sua cara sei que você precisa de um desses.
- A senhorita parece sempre saber do que eu preciso.
- É um dom. – Camila é muito fofa, adorável. Sorrio de canto ao olhar para ela. 
- Obrigada. – agradeço pegando o bolinho em suas mãos. – O que faz aqui a essa hora?
- Hoje é o meu plantão. Agora vai me dizer o que a senhorita faz aqui a essa hora? 
- Minhas amigas me chamaram pra uma festa que vai ter esse fim de semana, mas eu não sei se consigo ir a uma festa sem a Lucy. Eu nunca saí sem ela.
- Entendi, você sente como se estivesse traindo ela. 
- Exatamente!
- Bom, pela experiência que eu tenho com pacientes em coma, Lucy pode acordar nesse exato segundo como também pode nunca mais acordar. Você não pode deixar de viver, mas também não pode fazer algo que vai te deixar mal. O meu conselho é: Vá à festa e veja como você vai se sentir lá. Se te fizer bem você fica, se te fizer mal você vai pra casa.
- É um ótimo conselho, Camila. Obrigada. – escuto o som de Veronica se mexendo no sofá. E como um pedaço do cupcake em minhas mãos.
- Eu sei que você não gosta dela, mas Veronica parece realmente se importar com a sua amiga. Você deveria dar uma chance a ela.
- Você conversa com a Veronica? O que vocês conversam? – pergunto mais interessada do que deveria. 
- Tem alguém com ciúme aqui? – ela pergunta em tom de brincadeira, mas por alguma razão essa frase mexe comigo de uma forma que eu não sei explicar. Por um momento fico possessa de raiva, mas tento disfarçar para que Camila não perceba.
- Claro que não, sua boba!
- Que bom, até porque a Vero não me dá atenção. Ela só fala comigo pra perguntar se houve alguma alteração no quadro de Lucy. Por isso eu digo que ela se importa tanto.
- Tá legal. Agora podemos mudar de assunto? – digo levemente irritada. 
- Sim senhora. – ela responde divertida levando meu estresse embora. Camila tem esse dom, o dom de me acalmar sem qualquer esforço.
Passamos o restante da madrugada conversando sobre infinitos assuntos.
...
Camila
Minha cabeça dói. Não consigo mais pensar por um segundo sequer. É difícil administrar os horários das minhas aulas com o meu trabalho, mas no geral eu consigo dar um jeito. Deixo de fazer algumas matérias, o resultado disso é levar o dobro do tempo para terminar um período. Eu já deveria estar no oitavo, mas estou no quarto. Hoje tive aula pela manhã e trabalhei no hospital de 12h00min às 21h00min. Nesse momento estou voltando para casa. Ou melhor, para a casa dos pais de Dinah, onde moro de favor. A família é enorme, eles são o tipo de família onde sempre tem lugar para mais um. Nós duas nos conhecemos cinco anos atrás quando ela foi fazer um intercambio no meu país, ela ficou seis meses na minha casa. Quando eu consegui um visto para estudar nos EUA, um ano depois, ela me ofereceu abrigo na casa dela e eu moro aqui desde então. Dinah é muito apegada com seus irmãos e primos, pais e tios. São muitas pessoas em uma casa. Ela divide o quarto comigo e é sem dúvida a minha melhor amiga no mundo, quase uma irmã. Chego em casa e cumprimento a todos educadamente antes de subir até o quarto. 
- Waalz. Você demorou! – ela me cumprimenta animada.
- Hoje o dia foi cheio lá no hospital. Ah, meu pagamento sai daqui a cinco dias, eu tenho que ajudar seus pais com as compras desse mês. 
- Você já faz até demais, desse jeito eu é que fico mal na fita com eles. Está muito cansada?
- Quase morrendo. 
- Então pode tomar um banho e retomar as energias porque nós duas temos uma festa hoje. Você nunca vai às festas comigo e está me devendo isso faz tempo. 
- Você enlouqueceu? Eu trabalho amanhã e tenho um monte de dever de casa pra fazer! Sem falar a minha prova semana que vem que eu ainda nem estudei. 
- Por favor, Mila! Hoje é sexta! Eu te ajudo com seus deveres, vai... – ela faz aquele biquinho de criança.
- Não faz essa cara, isso é chantagem...
- Vou separar sua roupa! – ela berra se virando em direção ao guarda roupa. Inacreditável.
...
Eu nunca fui a uma festa universitária antes. Tenho que admitir que é ainda mais louco do que eu imaginava. Pessoas se jogado do alto do píer em direção ao mar, concurso de bebida, um som alto ecoando pela praia e muita garotas de biquíni (lindas por sinal). Agora entendo porque a Dinah diz que o motivo de eu não pegar ninguém é o fato de não ir para as festas com ela. Mal consigo lembrar quando foi a ultima vez que beijei na boca. Simplesmente não tem espaço para mulheres em minha vida, não com toda a minha correria e minhas obrigações. Mas preciso que admitir que eu tenho uma quedinha por Lauren, não que ela vá ficar sabendo disso algum dia, afinal de contas, me envolver com ela seria antiético da minha parte. Ela e amiga da minha paciente. É uma pena, aqueles olhos dela são tão lindos... Acordo de meus pensamentos quando sinto Dinah tocar meu ombro chamando a minha atenção. Sigo seu olhar e encontro uma mulher linda dançando perto da enorme fogueira montada na areia. A garota tem a pele negra, um corpo escultural, os cabelos cacheados e desarrumados de forma sexy, veste um biquíni amarelo, tem um sorriso divino e dança como se seu corpo fosse o dono da batida quente da música. Minha amiga só falta babar encarando a linda mulher diante dela. Não preciso perguntar, já sei que Dinah vai passar a noite toda tentando ficar com ela. 
- Boa sorte. 
- Não me espere acordada. – diz sorridente antes de seguir em direção a mulher, me deixando sozinha no meio daquela zona. 
Olho em volta e vejo um quiosque montado sobre a areia, ali do lado uns caras bebendo. Decido comprar uma bebida. Se eu estou acostumada a beber? Não. Mas já que estou aqui, porque não arriscar?
...
Lauren
A festa ainda está na metade e eu já quero ir embora. Juro que tentei me divertir, mas sem Lucy nada disso faz o menor sentido. Mani e Ally estão dançando desde a hora que chegamos. Eu estou sentada no píer com os pés suspensos. Parece até que estou em um drama adolescente. Meus olhos se perdem na imensidão do mar que essa noite parece furioso, as ondas batem violentamente contra a estrutura de madeira do píer, a música alta vai aos poucos dando lugar ao barulho constante e desconexo dos meus pensamentos. Até que penso ouvir a voz de Camila. Um sorriso surge em meu rosto ao pensar nela. A jovem enfermeira é sem dúvida uma das minhas pessoas preferidas no mundo. Ela é tão doce, tão gentil. Espero que depois que tudo isso acabe eu ainda possa ter Camila como amiga. A voz dela fica mais alta. Ela de fato esta aqui, ao meu lado. A jovem grita enquanto algum babaca a carrega nos ombros. O idiota do Austin. Cretino, adora sacanear as pessoas. Camila parece um tanto quanto bêbada, assim como ele e os dois panacas que o acompanham e riem do desespero de Camz que esmurra as costas do imbecil que parece não sentir. Austin balança o corpo dela para frente e para trás, eu falo para ele parar, mas a música está muito alta e eles estão longe de mim. Sem falar em como estão focados demais uns nos outros para me dar atenção. O cretino atira Camila na água e fica parado olhando. Como se eles tivessem apostado uns com os outros se ela ia ou não conseguir sair viva do mar. Perco Camz de vista e entro em desespero. Pulo sem pensar duas vezes. A água gelada arrepia meu corpo inteiro. A noite está muito escura e eu não vejo quase nada. Mergulho duas vezes até encontrar o corpo dela se debatendo contra as ondas violentas. Começo a nadar em sua direção. Quando estou na metade do trajeto vejo que Camila para de se debater e começa a afundar, isso não é nada bom. Respiro fundo prendendo uma grande quantidade de ar em meus pulmões e mergulho outra vez. O sal do mar arde meus olhos, mas eu não os fecho porque preciso ver para onde estou indo, não posso perder Camila de vista. As ondas estão muito fortes e se eu a perder agora posso nunca mais encontra-la com vida. Finalmente alcanço seu corpo, rodeio meu braço em sua cintura e começo a nadar em direção a superfície. Respiro aliviada ao emergir, meus olhos estão embaçados, mas eu consigo ver a luz da fogueira e começo a nadar em direção a ela. Sinto a areia sob meus pés e me firmo no chão, pegando Camila no colo e saindo da água finalmente. Estamos um pouco afastadas da festa então ninguém nos vê e vem oferecer ajuda. Deito seu corpo na areia e percebo que ela não respira. Agradeço aos céus quando sinto seu coração batendo. Levo meus lábios aos dela e sopro o máximo de ar que consigo, tentando estimular seus pulmões. Na minha terceira tentativa ela arqueia as costas tossindo a água que tinha em seu corpo. Viro Camila de lado até que ela termine de expulsar toda aquela água de seus pulmões. Deito ao seu lado e respiro aliviada por ela ainda estar viva. Alguns instante depois eu sinto a maré subir. Levanto e pego Camz no colo, ainda inconsciente ela coloca os braços ao redor do meu pescoço e aninha seu corpo ao meu. Eu apenas me deixo abraçar e a levo embora daquele lugar. 
 



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