História Noite de Rebeldia. - Capítulo 6


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Categorias Demi Lovato, Wilmer Valderrama
Personagens Demi Lovato, Wilmer Valderrama
Tags Demi, Dilmer, Noite De Rebeldia, Wilmer
Exibições 124
Palavras 2.633
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 6 - Acho que eu vou ser obrigada a fazê-lo engolir suas palavras


WILMER ESTAVA de pé, na janela do escritório, quando viu Demi caminhando em direção ao lago, no final dos jardins. Estaria fugindo? Escaparia sempre que encontrasse uma oportunidade? Ele deveria chamar a assistente social se houvesse um problema…

Wilmer olhou para o telefone, e em seguida voltou à figura de Demi, que parou em frente ao lago. Se quisesse fugir, ela certamente teria seguido na outra direção. O amplo e profundo lago e a floresta espessa logo atrás formavam uma barreira perfeita. Ele observou enquanto Demi se abaixou e pegou uma pedra, que atirou na superfície da água, criando um anel de círculos concêntricos em seu rastro. Havia algo comovente e triste em seu corpo esguio, de pé, sozinho.

Ele ouviu uma batida na porta.

– Posso ter uma palavra com o senhor?

Wilmer abriu a porta para Sophia.

– Está tudo bem?

– Demi não quer o quarto que preparei para ela – disse Sophia.

Ele moveu sua boca em um arco sardônico.

– Não é bom o suficiente para ela?

– É grande demais para ela.

Ele franziu a testa.

– Foi isso que ela disse?

Sophia assentiu.

– Eu fiz de tudo para agradar, mas ela não quer. E fugiu como se eu tivesse dito que ela dormiria nos estábulos.

– De quem foi a ideia de trazê-la aqui, Sophia? – perguntou ele, com um rancor simulado.

– Tenho certeza de que ela vai amadurecer ficando por aqui – disse Sophia. – Ela é uma menina de espírito forte, certo?

– E como…

– O senhor vai falar com ela?

– Eu passei a última meia hora com ela…

– Por favor – pediu a governanta.

Embora estivesse perto da aposentadoria, Sophia tinha uma tendência a se parecer com uma criança de três anos implorando para que os adultos fizessem as coisas à sua maneira.

– O que você quer que eu diga a ela?

– Insista para que aceite o quarto que preparei – disse Sophia.

– Caso contrário, onde vou colocá-la? Você me disse que não queria que Demi ficasse por perto…

– Tudo bem. – Wilmer deixou escapar um longo suspiro de resignação. – Eu vou falar com ela. Mas acho melhor você pegar o kit de primeiros socorros.

– Você não seria capaz de fazer mal a uma mosca, senhor Wilmer.

E lhe lançou um olhar irônico, assim que ele abriu a porta.

– Não, mas nossa pequena convidada parece capaz de enfiar uma faca em qualquer pessoa, e sorrindo.

Wilmer a encontrou ainda atirando pedras na superfície do lago. Aliás, ela era muito boa naquilo. E Demi deve ter ouvido o barulho dos seus pés amassando os seixos à beira do lago, mas não se virou. Ela se manteve ferozmente concentrada no que fazia.

– Acho que você tem um problema com a acomodação que forneci – disse ele.

Ela jogou outra pedra no lago, mas não com tanta habilidade. A pedra caiu com um baque surdo, bem no centro do lago.

– Eu não preciso de uma suíte requintada. Eu pertenço à terceira classe – disse ela.

– E é você quem deve decidir onde vai passar as noites por aqui? – perguntou ele.

Demi se virou e olhou para ele. E Wilmer se irritou um pouco ao ver que ela mantinha uma pedra guardada na mão. Seus olhos brilharam.

– O que você está tentando fazer? Conduzir sua própria experiência? Pois bem, saiba que não sou uma mulher muito certa.

– Não. Eu sei. Você é uma menina desmiolada, e parece disposta a morder a mão que, generosamente, está lhe oferecendo comida.

Ela o encarou com o peito subindo e descendo, como se mal estivesse conseguindo controlar sua fúria.

– Você não me ofereceu nada – atirou ela de volta. – Você nem queria que eu estivesse por aqui.

– É verdade, mas você está aqui, e parece madura e sensata o suficiente para tirar o melhor proveito desta situação.

Demi se virou e atirou a pedra no lago, mas ela bateu em um galho e desviou sua trajetória.

– Como pretende explicar aos seus amigos ou à sua família que estou aqui? – perguntou ela.

– Eu não preciso dar explicações a ninguém.

– Sorte sua...

Onde foi parar a insolência dessa menina?, ele se perguntou. Em seu lugar, havia ali uma mulher chocada, com raiva. Uma raiva tão espessa que ele podia senti-la no ar, como a umidade antes de uma violenta tempestade.

Wilmer pegou uma pedra e atirou-a à superfície do lago.

– Isso é um recorde pessoal – disse ele, contando 15 círculos concêntricos. – Você acha que pode me vencer?

Ela se virou e olhou para ele, com um olhar vigilante.

– E sua namorada? O que ela vai dizer quando souber que vou viver com você?

Ele se abaixou e pegou outra pedra.

– Eu não tenho namorada, atualmente.

– Quando teve a última?

Ele olhou para Demi, antes de atirar a pedra.

– Você faz um monte de perguntas, certo?

– Eu sei que você não é gay, porque nenhum gay me olharia da maneira como você me olhou no seu escritório – disse ela. – Você gostou de mim, não é?

Wilmer trincou a mandíbula quando se abaixou para pegar outra pedrinha.

– Seu ego é tão terrível quanto seus modos – disse ele.

Ela deu uma risada cínica e atirou outra pedrinha, que foi ainda mais longe, como se toda a sua energia tivesse sido envolvida naquele arremesso.

– Suponho que uma pessoa sem um grau universitário nunca poderia ser sua namorada... Mas sobre o que você conversa na cama? Física quântica? Teoria da relatividade de Einstein?

Ele olhou para o rosto de Demi, vendo seu sorriso de deboche e suas covinhas incrivelmente bonitas. O que era aquilo que ela o fazia sentir?

Ele estava muito familiarizado com o talento teatral. Seus pais eram uns dos melhores no teatro. Mesmo assim, deveria reconhecer que o talento de Demi merecia prêmios de interpretação.

– Por que não aceitou o quarto que Sophia preparou para você? – perguntou ele.

Seus olhos perderam o brilho atrevido e sua expressão tornou-se emburrada novamente.

– Eu não gostaria de ser atirada da parte superior de sua casa se um maníaco se chateasse por conta de um passo em falso. E suponho que você pretenda que eu faça as minhas refeições por lá... ou com os demais serventes, na cozinha.

– Eu não tenho serventes – disse Wilmer. – Tenho uma equipe. E sim, eles fazem suas refeições na cozinha. No entanto, isso é mais por conveniência do que por convenção. – E parou por um instante, antes de acrescentar: – Espero que você possa jantar comigo todas as noites.

Você ficou louco? Quanto menos tempo passar com ela, melhor.

– Por quê? – perguntou ela, com um olhar carrancudo. – Para que você possa me criticar quando eu usar o garfo ou a faca errada?

– Por que você acha que todos os que cruzam seu caminho estão automaticamente contra você?

Demi se virou e olhou para o lago, em vez de encará-lo. Ela parecia trincar a mandíbula. E ficou muda por um tempo antes de falar, quando o fez foi com uma voz mais baixa do que o normal, com um toque distintamente rouco.

– Eu não quero aquele quarto.

– Por que não?

– É... muito elegante.

– Tudo bem – disse Wilmer, mentalmente revirando os olhos. – Você pode escolher o seu próprio quarto. E as opções por aqui são enormes...

– Obrigada – disse ela, em não mais que um sussurro. E ela ainda não estava olhando para ele, mas algo em sua postura sugeria um alívio enorme. Seus ombros tinham perdido a tensão, sua coluna não estava mais tão ereta, suas mãos não estavam enroladas em punhos apertados nem seguravam pedras, mas permaneciam soltas ao lado do corpo.

Ele sentiu um forte desejo de se aproximar, tomar uma de suas mãos e dar-lhe um aperto reconfortante, mas de alguma forma se absteve de fazê-lo.

– Quer voltar para casa comigo ou prefere ficar por aqui um pouco mais? – perguntou ele.

Ela virou a cabeça e o encarou.

– Se preferir, eu poderia fugir quando você não estivesse olhando.

Ele a estudou por um momento, observando seu olhar decidido e seus lábios trincados.

– Você estaria correndo em direção à prisão, se fizesse isso.

Dificilmente estaria correndo em direção à liberdade, certo? Ela mordeu o lábio inferior e olhou para um pássaro que voara ao centro do lago, com seus pés gerando círculos concêntricos na água.

Wilmer percebeu como uma leve brisa brincava com algumas mechas soltas de seu cabelo, e como ela, distraidamente, as levava de volta ao seu lugar, usando uma de suas mãos. Ele sentiu um leve aperto no peito ao ver que sua mão tremia. Não havia nenhum sinal daquela menina irritada e difícil. Nenhum sinal de sua impetuosidade. Ela não se parecia em nada com a garota que ele conhecera mais cedo. Na verdade, parecia estar em uma encruzilhada de ansiedade.

Wilmer se abaixou, pegou uma pedra e entregou a ela.

– Meu irmão Jake detém o recorde por aqui. Dezessete círculos...

Ela tomou a pedra da mão dele, mas assim que seus dedos se tocaram sentiu um choque elétrico ao longo do braço. Lentamente, ela levantou seu olhar. Em um momento, ele perdeu a noção do tempo e lugar. Poderiam ter se passado segundos ou minutos... ou mesmo dias.

Seus olhos continuavam rastreando a boca de Demi, a forma daqueles lábios, que sugeriam paixão e calor, além de uma estranha sensação de inocência intocada. Ele se sentia como um ímã atraído por ela. E teve que lutar com todos os músculos e tendões do seu corpo para combater sua força.

Wilmer viu quando a ponta de sua língua deslizou para fora, umedecendo o lábio superior. Logo em seguida, seus lábios exibiram um brilho tentador. O sangue correu para sua virilha, engrossando-o como se fosse um foguete de luxúria. Ele teve a sensação repentina de que passara toda a sua vida dormindo... até aquele momento.

Para Wilmer, foi como sair de um frigorífico. Um derretimento lento se movia através de seu corpo. Ele podia sentir todo o caminho, até as pontas dos dedos. O desejo, a compulsão de tocar, de sentir sua pele macia, de deslizar, de mover-se contra o seu corpo... Sua mente não seguia as lógicas habituais. Ele experimentava um curto-circuito de imagens eróticas, de fantasias quentes que invadiam seu corpo, e tudo isso em questão de segundos.

Demi poderia notar aquela turbulência nele? Teria alguma ideia do efeito que tinha sobre ele? Ele tentou ler a expressão em seu rosto, mas não conseguiu. Wilmer levou uma das mãos ao rosto de Demi, mal consciente de que estava fazendo isso, até sentir a suavidade cremosa de sua pele contra a palma de sua mão. Depois inclinou seu rosto, para que ela encontrasse seu olhar. Aqueles olhos sedutores fizeram sua pulsação ficar ainda mais forte. Cada batida do seu coração era um golpe de martelo, enviando um eco profundo e retumbante à sua pélvis. Aquela pele parecia de seda contra a palma da sua mão. Seus olhos continham um brilho de antecipação, de expectativa, de triunfo.

E passou o polegar sobre o queixo de Demi, observando-a. Seus lábios estavam ligeiramente abertos, apenas o suficiente para que ele sentisse o aroma suave de sua respiração, um aroma de baunilha. Como seria fácil vencer a distância e colar seus lábios aos dela... E o desejo de fazê-lo era enorme, talvez mais forte do que em qualquer outro momento de sua vida. Mas ele sabia que, fazendo isso, estaria cruzando uma linha, rompendo uma fronteira importante, lançando um convite a uma série de problemas.

– Não vou fazer isso... – disse ele, afastando a mão do rosto de Demi.

Seu olhar era de pura inocência.

– O quê?

– Você sabe muito bem.

– Eu poderia levá-lo a ignorar esses princípios tão cristalizados em sua personalidade. E poderia fazê-lo num piscar de olhos.

Wilmer franziu o cenho, até que suas sobrancelhas se encontraram.

– Por que você está tentando arruinar a única chance de colocar sua vida em ordem?

Ela o encarou.

– Eu não preciso de você para colocar minha vida em ordem. Não preciso de ninguém.

– Até agora, como tem sido a sua vida?

Os olhos de Demi emanavam uma fonte de puro calor.

– Sabe o que eu odeio em homens como você? Vocês acham que, só porque têm tudo, podem usar os demais.

– Veja bem – disse Wilmer. – Eu sei que isso é difícil para você. Você não queria estar aqui. Mas qual seria sua outra alternativa?

Ela trincou os lábios e o encarou, assustada.

– Eu não sou a única pessoa no mundo que poderia terminar a vida em uma prisão.

– Sim, claro... Aparentemente, a maioria das prisões está cheia de pessoas inocentes – disse ele. – Porém, de acordo com nossas leis atuais, não podemos roubar ou causar danos materiais sem sermos punidos por isso.

Ela se afastou.

– Eu não tenho por que ficar ouvindo isso.

– Demi... – Wilmer a pegou pelo braço e virou seu rosto para ele. – Eu quero ajudar, entende?

Ela lhe lançou um olhar de desdém.

– Como? Fazendo com que eu me acostume a todo esse luxo, para logo depois ser jogada de volta às ruas, assim que o mês terminar?

A carranca de Wilmer se aprofundou.

– Você não tem uma casa para onde ir?

Seus olhos deslizaram para longe dos dele.

– Solte o meu braço.

Ele afrouxou o aperto, mas a manteve presa entre os dedos.

– Você não será lançada de volta às ruas – disse ele.

E o que você pretende fazer quando este mês chegar ao fim?

Os pensamentos pipocavam em sua cabeça. Se Demi não tinha uma casa para onde ir, para onde iria? Em que ponto sua responsabilidade em relação a ela começava e terminava? Aliás, será que ele tinha alguma responsabilidade naquela história?

– É assim que você está vivendo? – perguntou ele. – Vagando pelas ruas?

Ela soltou seu pulso e cruzou os braços sobre o corpo, atirando-lhe um olhar ardente.

– E você se importa? Pessoas como você nem percebem pessoas como eu.

Wilmer ficou observando-a... talvez um pouco demais. Sua mão estava formigando onde, antes, segurava seu pulso. Era como se o sangue estivesse borbulhando em suas veias, como refrigerante em ebulição. Ele notou a forma como seus olhos castanhos o provocavam, notou a maneira como ela movia o corpo, como um gato elegante, mas também uma fera encurralada.

Ele não tinha ideia de como lidar com aquilo. Aliás, a missão de cuidar de Demi era do serviço social, não sua. Ele deveria estar concentrado em seu trabalho, enquanto Sophia dava sua contribuição à sociedade. No entanto, Demi Lovato não seguia o roteiro esperado. Ela estava um pouco mal-humorada e parecia determinada a causar problemas para todos que se atrevessem a chegar perto demais.

– Enquanto você estiver vivendo por aqui, sou o responsável por você – disse Wilmer. – Porém, isso significa que você também tem certas responsabilidades.

Ela elevou o queixo.

– Que tipo de responsabilidades? Devo mantê-lo trancado no seu quarto?

– Não! Definitivamente não!

Seu olhar dizia tudo. Era de uma desconfiança sem tamanho.

– Claro, e eu acredito em você...

– Eu quero dizer que, Demi... – disse Wilmer. – Eu não tenho o hábito de ir para a cama com jovens que não têm boas maneiras, que não se comportam com o mínimo de decência.

Ela deixou escapar uma risada com sonoridade musical.

– Acho que eu vou ser obrigada a fazê-lo engolir suas palavras.

Estoicamente, ele resolveu ignorar a luxúria que tomava conta da sua pélvis.

– Demi, nos vemos na hora do jantar – disse ele. – E espero que você se vista para a ocasião. Isso significa que não serão aceitos jeans, chinelos, nem decotes, muito menos umbigos à mostra. Sophia vai arranjar um traje adequado, caso você não tenha nada.

Demi fez uma saudação simulada e lhe disse:

– Certo, senhor!

Wilmer caminhou cerca de trinta passos, antes de se virar para vê-la, mas ela estava novamente olhando para o lago. Ele observou enquanto Demi atirava uma pedra o mais longe que pôde. A pedra caiu no meio da água, afundando com um forte estalo, mas mesmo assim gerando fortes círculos concêntricos em sua superfície.



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