História Noiva Substituta - Capítulo 16


Escrita por: ~

Postado
Categorias Justin Bieber
Personagens Jeremy Bieber, Justin Bieber, Personagens Originais
Exibições 909
Palavras 3.917
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Luta, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Boa leitura!!!

Capítulo 16 - Apenas uma noite


Fanfic / Fanfiction Noiva Substituta - Capítulo 16 - Apenas uma noite

Elizabeth acordou se sentindo péssima e continuou assim o dia todo. O encontro da noite anterior com a imprensa tinha sido a realização de todas as suas inseguranças do passado e do presente. Tanta gente achava que não era boa. Diziam isso com muita facilidade e lembravam-lhe de que seu marido, o homem com quem fazia amor todas as noites, realmente não a queria.

Teve muito tempo para ficar cada vez mais irritada, já que Justin passou o dia todo na Holt e ela se lembrava repetidamente do fiasco com a imprensa. Estava fazendo uma busca na geladeira, procurando alguma coisa para comer, quando ele voltou e entrou na cozinha.

– Elizabeth, espero que não tenha jantado.

– Era isto que estava procurando. Estou com fome.

– Não tenho muita coisa aqui. Raramente venho para cá.

– É, percebi. Pedimos uma pizza?

– Não, pensei que devíamos sair para jantar.

– Por quê?

Ele lhe estendeu um jornal, aberto nas páginas de fofocas sociais. Havia uma foto enorme dela e Justin saindo da Lizza’s Lollies. Ambos pareciam tensos e havia uma distância significativa entre eles. Percebeu que as expressões eram devidas aos flashes. Quanto ao fato de não estarem se tocando… bem, não podia, não queria que o tocasse. Assim, a culpa era dele.

A manchete era realmente boa.

– “Tensão entre Justin Bieber e noiva substituta enquanto herdeira Holt se diverte com novo amante”. Nossa, encantador. – Inalou com força. – Na verdade, também sou uma herdeira Holt, mas geralmente sou a “outra herdeira Holt”. E agora fui ainda mais rebaixada. É como se não tivesse um nome. Este título de noiva substituta é uma m…

– E é por isto que vamos sair. Uma demonstração de união é essencial agora. Não vou permitir que este casamento se transforme numa farsa.

– Este casamento é uma farsa, Justin.

Ele lhe agarrou o braço e a puxou para ele, os olhos escuros brilhando.

– É? Parecemos ter alguns momentos muito reais.

– Na cama. E mesmo assim… é apenas um jogo.

– Não há nada de divertido nisto, Liza. Nada.

– Não disse que havia. Mas você não é real. Nada é real. Você tem regras e é como um juiz nu. Não posso fazer nada que você não queira.

– É para o seu bem.

– Mesmo? E quando se tornou um especialista no que é bom para mim, Justin?

– Não é sobre você que preciso saber, é sobre mim.

– Por quê?

– Quer saber por que não estive com uma mulher em 18 anos? Quer saber por que tenho que me controlar? Por que preciso amarrar suas mãos?

– Sim. – Mas não tinha certeza.

– Na noite em que fiz 16 anos, quase estuprei uma garota.

Elizabeth congelou.

– Você… o quê? Não acredito. Não… Justin, você não…

– Sim. Meu pai nunca me deu muita atenção. Nunca soube quem é minha mãe, provavelmente uma prostituta, no sentido literal da palavra. Cresci negligenciado, cercado por excessos. Na noite do meu aniversário, meu pai fez uma festa para mim. Com drogas, muitas drogas. Não era a primeira vez que as usava. Era como um menino numa loja de doces. Mas, naquela idade, meu pai decidiu que era hora de eu compreender totalmente os produtos que vendia para que, quando me tornasse homem, pudesse sucedê-lo nos negócios. Quando me tornasse um homem como ele.

– O quê… o quê…?

– Estava completamente fora de mim, nunca tinha usado tanta droga. E havia uma festa. Era barulhenta e quente, as pessoas fazendo sexo em cada quarto da casa. No corredor. Mulheres tinham sido pagas para estar lá, pagas para prestar serviços aos homens, fazendo seu trabalho em público porque não tinham escolha. E então havia Isis. Sei o nome dela, ainda me lembro. Meu pai me fechou num quarto com ela e eu estava… estava tão seguro de mim mesmo, da minha importância. Afinal, mulher nenhuma jamais disse “não” para mim. Quem ousaria dizer “não” para o filho do chefão? Ela tinha sido dada a mim. E eu a queria. Não vi mais nada, apenas o que queria. E, inferno, tinha sido paga para ficar comigo. Era minha prostituta, certo? Portanto, estava pronto para apenas tomá-la. E quase tomei.

Lembrava-se de rasgar o vestido dela. Dos soluços, dos punhos o atingindo. E de repente tudo se tornou claro. Percebeu o que estava fazendo. Percebeu pela primeira vez que sua busca pela satisfação própria tinha um custo para aqueles que usava. Percebeu pela primeira vez que as outras pessoas tinham importância. Não era o que via. Não tinham lhe ensinado nada. Lutava pela sobrevivência dentro das paredes da mansão do pai. Usando o que precisava, o que queria, sem consequências. Mas viu de repente, no rosto manchado de lágrimas de uma garota, que havia consequências. O preço alto de sua forma de desfrutar da vida.

– Justin… mas você não fez isto. É o que importa.

– Não, Elizabeth, não é. Eu agarrei-lhe o braço e então olhei para ela, realmente olhei. Estava aterrorizada. Chorando. Por minha causa, pelo que estive prestes a fazer com ela. Porque era cego demais para ver outra coisa além de mim mesmo.

– E as drogas. Você estava drogado.

– Isto torna as coisas melhores, Elizabeth? Nunca devia ter aceitado aquilo. Muito menos dormir com uma mulher que era paga para estar lá. Sabe o que meu pai disse?

Não queria saber.

– O quê?

– Dome-a. É uma virgem. Vai gostar dela.

– Oh. – E naquela sílaba havia um mundo de dor. Por ele. Por Isis.

– Era apenas uma garota. Dezesseis anos, como eu, descobri mais tarde.

– Como descobriu?

– No minuto em que fiquei sóbrio e capaz de fazer outra coisa além de chorar com ela pelo que estava acontecendo, pelo que quase havia feito, pelo que meu pai fazia, nós fugimos. Levei-a de volta para casa. Não era prostituta. Não estava lá por que queria, ou por causa das drogas. Tinha sido sequestrada. Não podia ir à polícia, sabia que muitos policiais estavam na folha de pagamento do meu pai. Por que outro motivo um homem com um comportamento tão transparente teve uma vida criminosa tão longa? E, pela traição, ele teria mandado me matar. Teria encontrado a família de Isis e a matado também.

– Justin isto é… horrível. Você não tinha ajuda… nenhuma forma de fugir.

– Ela não teria precisado de ajuda se não fosse pelo meu pai. Se não fosse por mim.

– E você a salvou.

– Não me transforme no herói desta história degradante. Não houve nada heroico no que fiz. Foi o mínimo que um ser humano podia fazer por outro. Nunca… nunca mais serei aquele homem. Que sentia que tudo lhe pertencia. Que abria mão de todo o controle, que sufocava tudo o que havia de bom nele na busca pelo prazer.

– Um prazer de que não desfrutou.

– Pare de distorcer as coisas para que eu pareça bom. Um assassino pode interromper o golpe da faca antes de atingir a vítima. Mesmo assim, em seu coração, é um assassino.

– E acredita que vai me ferir se eu o pressionar?

Ele inalou o ar com força e a estudou, os olhos vazios, sem fundo.

– Este é o problema. Não sei o que faria. Mantive a mim mesmo, tanto de mim mesmo, aprisionado por tanto tempo. Tudo o que sei é que a fera está com fome. Não sei o que quer, mas sei que não descobrirei às suas custas.

– E é por isto que nunca esteve com uma mulher?

– Para mim, sexo tem seu lugar. Não é nos corredores de uma mansão onde todos podem ver. Não é com uma garota aterrorizada que foi sequestrada. Sexo assim tem uma vítima, Elizabeth. Pensei que num casamento esta dinâmica desapareceria. – A pele ficou pálida, a expressão, pétrea. – Não fiz de você uma vítima, fiz?

Ela ergueu o queixo, tentou parecer  confiante, não demonstrar que estava se quebrando por dentro. Por ele. Por tudo o que sofreu. Por como se via. Justin acreditava que tinha uma fera dentro dele. Mais do que isto, pensou Elizabeth, provavelmente acreditava que era a fera.

– Justin, eu lhe pedi que dormisse comigo. Disse que queria sexo. Você jamais fez nada que eu não quisesse. Você amarra minhas mãos porque eu permito. Apenas me submeto porque quero. Sou forte, posso lidar com você.

– Mas temo ser capaz de quebrá-la. 

Ela balançou a cabeça.

– Não acredito. Justin… o homem que é hoje, o homem que é agora… poderia existir sem aquele momento com Isis?

– Não compreendo.

– Sem aquele momento de clareza, quando viu o que era pela primeira vez, você teria mudado?

– Eu não… Elizabeth, não posso…

– O que seu pai está fazendo agora?

– Está na cadeia. Porque usei minhas conexões para encontrar um meio de colocá-lo lá. Espero que esteja morto, Elizabeth, rezo para que esteja.

– Você o mandou para a cadeia?

– Sim.

– E as mulheres?

– Pelo que sei, com acesso a todos os computadores dele, as autoridades libertaram um número recorde de pessoas.

– Por sua causa. Por causa de quem você é.

– Não.

– Precisa se punir?

– Não estou me punindo. Estou mantendo seguras as pessoas que me cercam. Menos você. – Sentiu um aperto no peito. – Temo não estar mantendo você segura.

– Sou forte, posso me manter segura sozinha. E saber o que quero.

– E o que quer?

– Me doma. Leve-me a um restaurante grego.

                                      (...)

O coração de Justin quase abria um buraco no peito. Ainda estava cheio de adrenalina com a confissão que fez a Elizabeth. O jantar não ajudou a aliviar a tensão. Perguntou-se se merecia Elizabeth. Porque a verdade era feia, muito feia. E ele merecia queimar no inferno.

O restaurante era pequeno e estava na moda; era onde as pessoas realmente famosas iam. Pessoas que não queriam privacidade, que gostavam de ser vistas. O lugar perfeito para encontrar a imprensa, para ter fotos tiradas. A imprensa. Tinha que pensar nela agora e não apenas em seu passado, no monstro que vivia nele.

– Quer dançar?

– Pensei que não dançava.

– Não danço. Agora, gostaria de dançar ou não?

Elizabeth dobrou a cabeça para o lado e o observou.

– Sim, vou dançar com você.

Ele se levantou e lhe estendeu a mão.

– Certo, mas tente não olhar para mim como se a tivesse convidado para ficar diante do esquadrão de fuzilamento, está bem?

Ela sorriu.

– Poxa, Justin, está tentando fazer uma piada? 

– Sim. Consegui?

– Quase. – Pegou a mão e ele fechou os dedos em torno de sua suavidade. Seu calor.

Levou-a para a pista, onde já havia outros casais, puxou-a para o corpo e começou a se movimentar no ritmo da música. E percebeu que não sabia mesmo dançar.

– Nunca fiz isto.

– Não pode ser. Você esteve em centenas de eventos com Audrey.

– E sempre disse a ela o que lhe disse. Não danço.

– Então por que está dançando agora?

– Porque você estava certa. Não posso invadir as redações e ameaçar matar pessoas. Não seria adequado.

– Não mesmo.

– E não posso impedi-los de publicar coisas como as de hoje. Mas, maldição, posso matar os rumores. Posso garantir que ninguém, em lugar nenhum, presuma que você é substituta para qualquer coisa.

Ela piscou e descansou a cabeça no ombro dele.

– Mas eu sou.

– Eu não conhecia Audrey, não de verdade. Nunca tivemos uma conversa mais profunda. Nunca lhe contei sobre minha vida na fortaleza do meu pai. E ela não gostaria de ouvir. Estava satisfeita de ter apenas a fachada e isto estava ótimo para mim. Era até preferível. Mas não a conhecia e ela não me conhecia. Não conheço você também, mas estou começando. E acho… acho que você me conhece mais do que qualquer outra pessoa no mundo.

– Sério?

– Sim. Sério. Começando quando você costumava ir me visitar. Você se lembra?

Ela riu, um som com sabor de lágrimas.

– É claro.

– Você me levava chocolates. Sempre me fazia sentir que alguém pensava em mim. Em mim, não na minha capacidade para os negócios ou qualquer outra coisa. Apenas em mim. E agora é a única mulher que conhece meu passado. A única que esteve comigo como homem. Assim, oficialmente, você me conhece melhor do que qualquer outra pessoa.

– Acho que sim.

– E está aqui comigo. Não fugiu. E, agora que conheço você, agora que vejo você como uma mulher que não hesita em gritar comigo, a ferir meu ego com um comentário sarcástico, descubro que não pode haver outra mulher tão certa para mim.

– Mas sou a mulher certa para você? Ou qualquer outra seria errada? – Ergueu a cabeça, os olhos dourados brilhantes.

– Não sei. Mas estamos juntos.

– Depois de três semanas de casamento. Merecemos uma medalha.

– Não sei se realmente compreendo o amor… e temo que nunca vá compreender. Pensei que sabia o que era, mas agora é claro para mim que tive uma ligação por conveniência e não por afeição verdadeira ou emoção profunda. Não sei se sou capaz de saber como dar. Meu pai não amava nada além de poder e dinheiro. E me ensinou a pensar em mim como a autoridade absoluta, meu próprio deus, a adorar a mim mesmo e minhas necessidades e… naquele único momento na minha vida, quando vi o rosto dela… Aquela foi a primeira vez que olhei para fora de mim mesmo. A primeira vez que vi que as outras pessoas tinham sentimentos, necessidades e sonhos, que eram tão importantes como os meus. Mais importantes. E que eu tinha o poder de destruí-los.

Os dedos dela se curvaram na lapela do palitò, puxaram-no para mais perto enquanto ele continuava.

 – Apenas esta migalha de humanidade me custou um esforço enorme e, depois disto… tento manter minhas necessidades, meus desejos, sob controle para não ferir ninguém. Não posso ser tudo o que um marido deve ser, mas não serei cruel. Não vou ferir você ou forçá-la ou fazer nada que não queira. Nunca.

O coração de Elizabeth disparou, as mãos tremeram. Estava falando com ela sobre si mesmo. Tudo o que acreditava sobre si mesmo. E estava, ao mesmo tempo, prometendo jamais magoá-la. E suas palavras destruíam cada muralha que ela construiu entre eles. Ele não sabia? Não tinha ideia de que o casamento com um homem que mantinha metade do coração, metade de quem era, prisioneira dentro de si mesmo só poderia magoá-la? Mesmo se a mágoa decorresse apenas de observá- lo? Dia após dia, lutando contra o que considerava seu demônio interno, quando era apenas Justin. Lutava contra si mesmo, contra os apetites que as pessoas aceitavam. Que faziam a vida valer a pena. Não sabia que a mataria vê-lo fazer aquilo?

Olhou para ele, para o terrível vazio nos olhos dele, e imaginou seu fogo, sua vida aprisionados no lugar mais profundo, gritando por liberdade. Passou a vida idolatrando Justin Bieber, um homem que havia considerado perfeito. Mas não havia conhecido Justin. Não sabia das lutas que enfrentava, de onde vieram ou porque era tão determinado a chegar ao destino final.

Havia amado uma ilusão. E agora, diante dela, estava o homem. Ou parte dele, pelo menos. Queria o resto, queria-o inteiro. Conhecê-lo, saber coisas sobre ele que nem ele sabia, as coisas que não reconhecia.

E então percebeu que estava se vendendo barato demais. Vendendo os dois barato demais. Tinha decidido não se proteger tanto, e vê-lo com realismo. Aceitar que não podia amar, não podia amá-la. E ela, por sua vez, não o amaria. Não seria vulnerável a ele. Estava aceitando a metade dele voluntariamente. Pressionando-o por nada porque, se fizesse isto por amor, teria que admitir seu anseio por ser amada por ele. Que queria mais do que sexo e companheirismo. E se exporia à dor.

Tinha acabado de pensar nele como um homem que se negava, mas ela seria melhor? Estava se protegendo. Protegendo-se de uma parte de si mesma que queria se libertar. Aquela parte que acreditava que merecia ter tudo, que acreditava que valia a pena arriscar o coração. Que a felicidade de Justin valia o risco que seu coração correria.

– Então, o que está dizendo é que, se pudesse voltar ao momento em que decidiu fazer o pedido de casamento, sabendo o que sabe agora, você me pediria?

– Sim.

– Eu… eu não sei se diria “sim”.

– Por quê?

Era a hora de baixar a guarda. De ter expectativas. De acreditar que podia fazê-lo mudar. De acreditar que não era a Noiva Substituta. 

– Você diz que me conhece, Justin, mas sinto que não conheço você. Não posso nem explorar seu corpo quando estamos juntos na cama. O que significa que você realmente não me conhece também. Você me mantém na coleira. Seguindo suas regras para que você mantenha este controle que preza tanto.

– Não quero prender você, Elizabeth. Sou eu que preciso…

– Isto pode ser o que pensa que está fazendo, mas a verdade é, quando impõe regras, quando me impede de fazer o que quero, de lhe mostrar o que quero, apenas me transforma na pessoa que quer que eu seja, a pessoa que pensa que precisa que eu seja. E não a pessoa que sou. Não é de admirar que seja tão bom para você. Mas pode ter o que tem comigo com qualquer mulher. Quer dizer, qualquer mulher obediente.

Ele a girou, então a puxou de novo para o corpo, o rosto junto ao dela.

– Nada mau.

– Obrigado, aprendo depressa.

– Sim, aprende.

– Então acha que não lhe permito ser quem é? Alguma vez a impedi de dizer tudo o que lhe vem à mente? Você diariamente me ataca com sua língua afiada, querida, e não fiz nada sobre isto, fiz? 

Sim, ela tinha feito aquilo, com frequência. Para se proteger, afastá-lo. Mas não faria isto agora. Cerrou os dentes, libertou as mãos e lhe espalmou o rosto. Ele parou de se mover, uma expressão confusa no rosto que ela adorou. O grande e forte Justin Bieber confuso por elazinha.

– Desculpe. Faço isto quando você fere meus sentimentos e é mais fácil gritar com você do que lhe mostrar que estou magoada. E esta noite, Justin, apenas esta noite, entenda… eu não posso deixar de lado o sarcasmo para sempre… vou parar. Mas preciso de uma coisa em troca.

 – O quê?

– Preciso jogar pelas minhas regras. Apenas esta noite.

– Depois de tudo que lhe contei sobre mim?

– Se você perder o controle, vai me machucar?

Ele pareceu apavorado.

– Não sei.

– Eu sei. Não vai. Você não é assim. Homens que gostam de machucar mulheres… não é desejo. Ou perda de controle porque estão com uma mulher a quem não conseguem resistir. Isto é mentira. Eles querem ferir, gostam de se sentir poderosos. E nunca vi esses desejos em você.

– Elizabeth…

– Minhas regras, está bem? Não as suas. Esta noite. Vamos lá, você já está até dançando. É apenas um pequeno passo depois disto. Podemos ter um pouco de diversão no caminho para o inferno.

– Quais são as suas regras?

Ela falou baixinho:

– Minhas mãos desamarradas. E faço o que quiser com você. E, Justin, meu querido, tenho dez anos de fantasias guardadas para você.

– Dez anos?

– Certo, vamos deixar de lado os primeiros anos. Havia muita corrida pelos campos e você enfeitando meu cabelo com flores. Mas as coisas começaram a ficar boas quando tinha 16 anos.

– Fantasias? Sobre mim?

Ela sorriu.

– Não achou que deixava doces em sua escrivaninha apenas para ser gentil, achou?

– Sim, achei. E significava muito para mim, como já disse. Está dizendo que estava tentando me atrair?

– Uma trilha de balas que eu esperava que o levasse para minha cama.

– Sutil demais. 

– Percebo isto agora.

– Por que eu?

– Porque pensava que era perfeito. E lindo. Estava enganada.

– Estava?

– Não sobre a parte de ser lindo, mas sobre a parte de ser perfeito. Inventei um homem e não devia ter feito isto. Você não é perfeito, Justin. Mas não sou mais uma garota e não preciso que seja perfeito.

– O que você precisa?

– Apenas de você. Do homem que é. Do homem em quem se tornou por causa de seus erros. Por causa de suas cicatrizes. Não o homem que é com todas estas correntes, mas o homem que é de verdade.

– Você não sabe, Elizabeth.

– Você me contou.

– Contei-lhe que entendi em quem estava me tornando e o motivo, mas nem sei o que pode acontecer agora…

– O negócio é o seguinte… também não sei. Mas precisa me dar a oportunidade de conhecê-lo. Dar a si mesmo a oportunidade de ser você. E eu lhe darei a oportunidade de me conhecer.

Ele ergueu a mão, empalmou o rosto, então passou os dedos pelo cabelo dela, desmanchando o  penteado.

– Mas há uma grande chance de que não goste de mim quando me conhecer.

Ela virou a palma para o rosto e a beijou.

– Justin, você dançou por mim. Para que a imprensa não diga coisas horríveis sobre mim. Gosto do que já conheço de você. Muito.

– Mesmo sabendo sobre meu passado?

– Seu passado me parte o coração. Não consigo imaginar como foi ser uma criança num lugar como aquele. Ter um pai como aquele.

– E se… se você cavar tão fundo, Elizabeth, dentro de mim, e descobrir que a escuridão continua? Que não há fim para ela. Se for tudo o que sou?

Ela piscou para impedir que as lágrimas descessem. E não tentou muito segurá-las. Seu coração doía, a garganta queimava. Porque não sabia a resposta. Se Justin pudesse lhe dar apenas escuridão, o que isto significaria? Teve vontade de começar a construir uma nova armadura. Afastá-lo. Fugir para um lugar onde estaria a salvo de comparações feitas por ele, pela mídia. Pelo medo profundo de que um dia olharia nos olhos dele buscando anverdade de seus sentimentos e não visse nada. Fugir de tudo que pudesse feri-la. Mas não podia. Nunca mais.

– Então aceitarei tudo o que é.

As palavras pesaram na alma, a promessa lhe apertou o coração. Porque naquele momento sabia que era verdade e não poderia recuar. Mas, quando olhou para os olhos escuros, sem expressão, desejou que pudesse. Desejou que outro homem houvesse lhe tomado o coração anos atrás para que não se sentisse tão vulnerável agora. Mas não havia outro homem, apenas Justin. Sempre tinha sido assim e sabia que sempre seria.

Cada músculo do corpo de Justin estava tenso, preparado para agir a qualquer momento. Atacar Elizabeth, talvez? Ou fugir. Era a outra possibilidade. Haviam voltado para a cobertura em silêncio total. E ele se perguntava se ela já estava arrependida do que pediu a ele.

Estava dividido. Queria-a, queria as mãos dela em seu corpo, a boca nele, em todo ele. Mas sabia que, se isto acontecesse, num momento de cegueira o controle que conquistou tão duramente durante todos aqueles anos se dissolveria e nunca mais o recuperaria. Que podia se tornar o monstro que sempre temeu ser. Que se tornaria aquilo que mais odiava. Oh, não seria um barão do tráfico, mas um homem consumido pelo desejo de poder, de sucesso, a qualquer custo.

Sim, aquilo vivia nele. Forte e sombrio, tentando eliminar tudo e todos que se colocassem em seu caminho para o poder absoluto, e não se importava com quem ficasse ferido no processo. Não queria que aquilo se libertasse. Nunca.

Mas agora estava em pé no quarto da cobertura e Elizabeth olhava para ele com seus grandes olhos dourados. E daria tudo para prová-la sem limites. Sem amarras para mantê-la distante. Sim, era isto que queria. E não podia mais combater seu anseio. Tê-la era a coisa mais essencial que podia imaginar. A realização de um sonho enterrado tão fundo, por tanto tempo, que trazê-lo à luz era quase doloroso.

– Mostre-me, Elizabeth. Mostre-me o que quer. Quem você é. 


Notas Finais


Primeiramente me desculpem pela demora, eu estava sem tempo, mas muito obrigada mesmo pelos comentários ( não me canso de lê) e favoritos.

Parece que a #FeraVaiSerSolta no próximo capítulo. Não irei demorar tanto tempo para atualizar.

Irei deixar o link para quem quiser entrar no grupo, só lembrem-se de falar o nome quando entrarem.

https://chat.whatsapp.com/LaObU8J834WItJXlU0MmPN

XOXO


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