História Noroi - Capítulo 2


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Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kakashi Hatake, Kiba Inuzuka, Madara Uchiha, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Shizune, Tsunade Senju
Tags Medieval, Sasusaku
Exibições 73
Palavras 2.418
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - A órfã


Há onze anos atrás, uma garotinha de cabelos cor de rosa caminhava pela estrada, sozinha. Sua roupa estava esfarrapada e vários arranhões maculavam seu delicado rosto.

Olhou de um lado para outro, buscando alguma árvore frutífera. A última refeição decente que fizera fora há vários dias. O estômago roncava audivelmente.

A menina então ouviu um barulho. Parecia que alguém brigava ali perto. Indo em direção ao ruído, ela encontrou dois meninos discutindo na beira de um rio.

- Como você é idiota, Naruto!

- Cale a boca! Não me chame de idiota!

- Idiota!

- Meu Deus, dá para vocês fazerem silêncio? - disse a menina, irritada com toda aquela agitação.

Os dois garotos olharam para ela com desconfiança.

- E quem é você, testuda? - perguntou o menino de cabelos castanhos e estranhas marcas vermelhas no rosto.

- Eu vou te ensinar a não chamar uma dama de testuda! - respondeu a menina, furiosa.

As três crianças começaram a brigar enquanto ensopavam umas às outras dentro do rio. Até que surge uma mulher de feições duras para separá-las.

- Naruto! Kiba! O que pensam que estão fazendo? - esbravejou ela, puxando os dois meninos pelas orelhas.

- Tia Shizune, está doendo! - reclamou o menino loiro - Foi essa maluca de cabelo rosa que começou!

Shizune então notou a menina pela primeira vez.  Tinha cabelos tão curtos quanto os de um menino e estava suja e desnutrida, precisando de cuidados médicos urgentes. E de um banho igualmente urgente.

- Oh, quem é você, meu bem?

- Meu nome é Sakura - respondeu a menina, confusa. Aquela mulher era a mãe dos meninos barulhentos? Iria bater nela por brigar com eles?

- E o que faz aqui sozinha? Onde estão seus pais?

- Eu não tenho pais.

A mulher hesitou. Como lidaria com outro órfão? Pensou por alguns segundos antes de retomar a conversa.

- Então…. Você não tem um lar?

- Não - respondeu a menina, baixando os olhos.

- Não gostaria de ter um? - perguntou Shizune

- Não.

- Ora, porque não?

- Muitas pessoas já me ofereceram uma casa. E todas queriam que eu dormisse com soldados velhos e feios como pagamento. Então, não quero.

Shizune encarou a menina, horrorizada. Só de pensar no que aquela pobre criança já havia enfrentado - e o quanto aquilo se assemelhava com o seu passado -, sentiu arrepios subirem por sua espinha. Estendeu a mão para a criança.

- Eu não vou exigir nada disso de você. Sabe, eu tenho uma casa para crianças que estão sozinhas, como você. Naruto e Kiba moram comigo. Digam, meninos, o que acham da nossa casa.

- É um lugar ótimo, testuda. Não acredito que recusou - disse o menino moreno.

- Só é ruim quando a tia Shizune obriga a gente a ficar lendo. E ela é muito chata com banho. Ai! - ia dizendo Naruto até levar um puxão de orelha da mulher.

- Se você se lavasse mais talvez esse cheiro de cachorro molhado saísse de você! - falou Kiba, rindo do amigo.

- Eu só cheiro assim porque o seu cachorro fica se esfregando em mim o dia todo!

- O Akamaru não tem tanto mau gosto.

- Ei!

- Meninos! Parem! Não querem causar uma má impressão à sua nova irmã, não é Sakura?

A garotinha pensou por um momento. De fato, aquelas crianças pareciam bastante felizes. Não custava nada tentar, não é mesmo? Se a mulher estivesse mentindo, daria um jeito de fugir, como sempre fez.

- Tudo bem, então. - respondeu e, timidamente, pegou a mão de Shizune.

Andaram por poucos minutos até chegarem a uma casa grande que precisava urgentemente de uma reforma. Perto dali havia uma igreja, o que fez os olhos de Sakura brilharem. As casas santas sempre foram um ótimo refúgio para ela.

- Seja bem vinda, minha querida - disse Shizune, oferecendo à ela um prato de comida, que foi devorado vorazmente.

- Tia, porque ela poder comer antes de tomar banho? - perguntou Naruto, ressentido.

- Porque eu sou mais cheirosa do que você! - respondeu Sakura, ainda de boca cheia.

E assim, tão repentinamente, a vida da garotinha mudou para muito melhor. No orfanato, ela se alimentava adequadamente, tinha acesso à educação e era tratada com gentileza, algo que não tinha contato fazia algum tempo.

Os dois garotos barulhentos se tornaram seus melhores amigos, seus irmãos. E ela nunca poderia expressar sua gratidão à Shizune por tê-la acolhido. Por mais que passassem por dificuldades financeiras, já que eram sustentados pelas doações da igreja e pelo trabalho artesanal de Shizune, a vida deles era confortável e boa, muito boa.

Os anos se passaram e a amizade de Sakura, Naruto e Kiba só se fortalecera. Agora, trocavam as brincadeiras de criança por missões remuneradas, para ajudar no tão querido orfanato e nos seus próprios objetivos. Os três eram extremamente habilidosos com a espada e a luta marcial e usavam seus dotes em benefício próprio. Viajavam pelo reino realizando missões em troca de recompensas, que não eram muito altas, mas satisfaziam suas necessidades.

Sua missão atual era relativamente simples: recuperar um carregamento da biblioteca do reino que fora usurpado por ladrões. Com a inteligência de Sakura e a força de Kiba não fora difícil localizar os bandidos e sobrepujá-los mas, atrapalhado como sempre, Naruto acabara deixando alguns pergaminhos caírem e agora perdiam tempo procurando-os.

- Como você pode ser tão burro? - reclamou Kiba.

- Cale a boca! Se você parasse de falar um pouco talvez eu tivesse prestado mais atenção!

- Meu Deus do céu, dá para vocês fazerem silêncio? - disse Sakura, e dizia isso com frequência.

- Irmãzinha, devíamos abandonar o Naruto, ele é burro - sugeriu o moreno.

- Cale a boca!

- Vocês são insuportáveis!

Por fim, acabaram achando os pergaminhos perdidos, caídos num arbusto ali perto. Aliviados, montaram nos cavalos e se dirigiram para a cidade grande.

Como de costume, a primeira parada deles fora na taverna. Assim que chegaram foram ovacionados pelos presentes, que sempre esperavam maravilhados pelos relatos de suas aventuras.

- Sakura! Finalmente! - gritou uma menina loira, pulando nos braços da amiga.

- Ai, Ino! Você é pesada!

- Diz isso de novo e nem sua habilidade como espadachim vai te salvar, garota. Nossa, mas você está péssima!

- Fica quieta. Cadê a Hinata?

- Ora, onde você acha que está? - disse Ino, revirando os olhos.

Sakura olhou ao redor e encontrou Hinata atrás da porta da taverna, encarando Naruto. Podia ler no rosto da amiga a indecisão entre ficar ali ou falar com o loiro.

- Ah, Hinata - suspirou.

- Princesa! Que saudades de você! - gritou Kiba, abraçando Ino e a girando no ar.

- Vai me deixar cair! - repreendeu a menina, embora sorrisse satisfeita.

Ela olhou para seus amigos com ternura. Não poderia ter escolhido uma família melhor. Continuando o caminho pela taverna, localizou uma cabeça loira bebendo além da conta na última mesa do local.

- Senhora Tsunade?

A mulher estava tão bêbada que nem a ouvira. Ao invés de ficar desapontada, Sakura riu. Sua mestra era realmente uma pessoa excêntrica. Apesar da aparência jovem, Tsunade era a melhor e mais experiente em sua área. Fora difícil fazê-la aceitar ser sua instrutora, mas cada momento valia à pena.

- Senhora Tsunade! - chamou novamente, dessa vez mais alto.

- O que é? - gritou a mulher, ranzinza - Ah, é você Sakura. Já está de volta? Foi rápida.

- Sim, senhora. Trouxe as ervas que pediu. Quando podemos retomar os estudos?

- Será que você só pensa em trabalho, menina?

- Infelizmente, Tsunade. Eu até que tento distraí-la, mas ela nunca me dá moral - disse um rapaz ruivo, se aproximando das duas e apoiando o braço nos ombros de Sakura.

Aquele era Sasori, um mercenário da famosa organização Akatsuki. O rapaz era quem indicava à Sakura e seus irmãos as melhores e mais rentáveis missões. Havia um interesse romântico por trás de tanta generosidade, mas a moça não confiava nele o suficiente para pensar em retribuir seus flertes. Sempre mantinha em mente que Sasori era um mercenário, apesar de nunca ter lhe mostrado nenhum traço cruel ou violento.

- Estamos falando de medicina, meu caro. Você sabe quais são minhas prioridades - respondeu a menina, bagunçando os cabelos ruivos.

- Um dia eu te faço mudar de ideia - sussurrou ele em seu ouvido.

- Veremos.

Sakura conseguiu se desvencilhar do abraço dele e foi procurar algo para beber. Após encher seu copo de vinho, foi se sentar com Ino, apenas para ser perturbada. A garota estava no colo de Kiba e podia ver sua cara de desaprovação para ela de longe.

- Desembucha logo. Eu sei que você quer reclamar.

- Sakura, se não fosse sua cintura, dava pra jurar que de costas você é um homem.

A menina apenas revirou os olhos. Tudo bem, talvez sua aparência não fosse exatamente feminina, mas ela não ligava muito para isso. Não se importava se seu sobretudo vermelho e suas calças de couro a deixavam sensual, mas sim se a deixava confortável. De todo modo, não dava pra lutar de vestido.

Mas havia algo em sua aparência que a enchia de orgulho. Os belos e sedosos cabelos cor de rosa, cortados na altura dos ombros, exalavam um doce perfume. Era a parte de si que mais apreciava.

- De frente ela não é muito diferente - disse Kiba, provocando-a.

- Te desafiaria a dizer isso novamente, mas ambos sabemos que você não é muito bom em desafios, não é irmãozinho?

As pessoas ao redor soltaram gargalhadas e Kiba ruborizou. Todos se lembravam do épico dia em que o rapaz desafiou Sakura para uma luta e foi vergonhosamente derrotado em minutos.

A moça terminou a bebida e levantou-se, querendo evitar outra briga com seu irmão postiço. Pegou a caixa com os pergaminhos que deixaram próxima ao balcão e se dirigiu a saída. A brisa refrescante do lado de fora refrescou um pouco do calor que sentiu dentro do estabelecimento.

- Onde vai, Sakura? - perguntou Naruto.

- Levar isso para a biblioteca e receber o pagamento. Não se preocupe, volte lá para dentro.

- Tem certeza que não quer ajuda?

- Tenho sim - respondeu, sorrindo - Ah, Naruto. Vá falar com a Hinata, está bem?

- Por quê?

- Apenas vá. Futuramente você vai me agradecer. Agora eu tenho que ir antes que escureça.

Sakura ajeitou a caixa nos braços e partiu para a biblioteca do palácio. Não devia demorar muito a chegar, então caminhou tranquilamente, absorvendo o clima da cidade. As crianças brincavam nas ruas enquanto suas mães corriam atrás delas, insistindo em um banho.

O comércio prosperava, percebera. A guarda na cidade havia diminuído, sinal de que eram bons tempos. Um sorriso brotou no rosto da garota. Ver outras pessoas vivendo bem trazia felicidade à seu coração.

Passando por um guarda, perguntou-lhe para quem deveria entregar a caixa com os manuscritos. Foi informada que devia falar com o chefe da guarda, que lhe daria o devido pagamento. Dirigiu-se ao castelo.

O lugar era um tanto sombrio, pensou. Parecia extremamente militar, como se estivesse pronto para um ataque a qualquer momento. O que não era ruim, ponderou.

Chegando na biblioteca, entregou a caixa para o responsável pelos livros reais, que ficou imensamente agradecido, e foi encontrar o chefe da guarda, tarefa que se mostrou bastante fácil. Um bando de soldados se divertia bebendo ali perto e um deles parecia dar ordens aos outros.

- Olá! - disse ela - É com o senhor que eu falo para receber um pagamento por serviços prestados à Coroa?

- É sim, benzinho. Não quer prestar um serviço à mim? - respondeu o guarda, dando uma piscadela. Seus colegas riram e Sakura ficou furiosa quando percebeu que o comandante tentava olhar o seu decote.

- Dispenso - respondeu secamente.

- Ora, então saia daqui.

- Eu vim receber pelos meus serviços… Senhor.

- E que serviços seriam esses? Atendimento domiciliar especializado? - disse o homem, provocando mais risadas.

- Senhor! Exijo que trate uma dama com mais respeito!

- Não estou vendo dama nenhuma.

Essa foi a gota dágua para Sakura. Tomou a bebida das mãos do repugnante comandante e jogou na cara dele.

- Talvez isso ajude a clarear sua visão - disse, sorrindo como um anjo.

- Sua vagabunda! Eu vou te mostrar como tratar um superior! - gritou o homem, tentando pegar sua espada enquanto tirava desajeitadamente a bebida dos olhos.

A moça sacou sua espada. Contando rapidamente, percebeu que teria que enfrentar seis inimigos e escapar do resto da guarda para não ser presa. E ainda não receberia o dinheiro! Pior: se fosse presa novamente teria pedir a ajuda e a influência de Sasori mais uma vez e não gostava nada da ideia de dever outro favor à ele. Malditos bêbados tarados.

Antes que pudesse dar o primeiro golpe, entretanto, uma voz cortante ressoou no lugar.

- Mas que diabos vocês estão fazendo? Vou ter que mudar de castelo para conseguir um pouco de paz?

O dono da voz era um rapaz jovem com cara de poucos amigos. Sua expressão denunciava que estava extremamente insatisfeito com a situação.

Os guardas bêbados congelaram assim que o viram. A fúria daquele indivíduo não era algo que estavam dispostos à enfrentar.

- Ninguém te chamou aqui. Volte para o buraco de onde saiu! - disse ela, sem sequer se virar. Seus olhos encaravam o comandante com fúria.

- Senhor! Esta… Jovenzinha começou a nos atacar sem motivo algum!

- Pro inferno que foi sem motivo! Vocês não só ofenderam minha honra como também se recusam a me pagar! Pilantras!

O jovem ponderou. A moça diante de si parecia bastante enfurecida e, dada à reputação dos guardas ali presentes, ela com certeza devia ter motivo. Ou vários deles, pensou.

- Isso é verdade, Neji? - perguntou o rapaz, dirigindo-se ao chefe  da guarda.

- Senhor, essa moça está exager-

- Isso é verdade, Neji? Não me obrigue a perguntar mais uma vez. E não ouse mentir - disse num tom gélido.

- S-sim, majestade.

Majestade? Sakura sentiu o queixo cair. Ah não, por Deus, não!

- Peço desculpas, senhorita. Você receberá o pagamento, com bônus que sairão dos salários desses brutamontes, diretamente de mim. Venha comigo.

Embora as palavras fossem amigáveis, o par de olhos pretos que agora a encarava não parecia nada amistoso.
   


Notas Finais


Tentei postar o mais rápido possível! Espero que vocês gostem. Beijos!


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