História Nos passos do destino - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Annie Leonhardt, Armin Arlert, Eren Jaeger, Erwin Smith, Farlan Church, Hange Zoë, Historia Reiss, Isabel Magnolia, Kalura Yeager, Levi Ackerman "Rivaille", Mikasa Ackerman, Personagens Originais, Petra Ral
Tags Ballet, Dança, Eren, Ereri, Escola, Levi, Rivaille, Seme, Snk, Uke
Exibições 162
Palavras 6.543
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Artes Marciais, Drama (Tragédia), Escolar, Esporte, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá amorecos :3
Tô fofa hoje porque tô feliz ksksks
Postando hoje porque estou sem net em casa. Desculpem se tiver algum erro, é que estou sem tempo de corrigir. Fugi da aula pra postar kkkk ><

Espero que se deliciem! ;)
Boa leitura!

Capítulo 7 - Quando tudo começa em festa


Fanfic / Fanfiction Nos passos do destino - Capítulo 7 - Quando tudo começa em festa

"Pra nós, todo o amor do mundo
Pra eles, o outro lado
Eu digo mal me quer."
Los Hermanos - Morena

 

 

- Se você não tira-lo de casa, terei que fazer isso. – Dizia a ruiva para a amiga.

- Ei! Calma! Relaxa... O Armin e eu vamos pensar em alguma coisa. – Dizia Christa tentando tranquilizar a amiga que nem podia pensar em sair, pois tinha acabado de passar por mais uma sessão de quimioterapia.

- Sejam rápidos. Em pleno domingo ele quer ficar em casa. Que absurdo! – Petra estava indignada com a ideia, especialmente depois que recebeu a ligação de Irwin Smith.

  Ela não era amiga do juiz, porém se lembrava de como ele ajudou quando a esposa de Eren faleceu, sua melhor amiga.

  Irwin ligou para dizer a ela o que estava acontecendo, pois desconhecia o fato de que ela estava doente, assim que soube, se arrependeu por incomodá-la, mas o estrago estava feito e Ral fazia de tudo para que o moreno não se perdesse novamente na tristeza.

- Liga pra Annie, ela vai saber contar aquelas piadas idiotas e pervertidas que ele não resiste. – Petra sorriu tristemente. – Eu queria poder sair de casa e fazer alguma coisa, mas estou presa nessa maldita cama. – Suspirou.

- Não se preocupe com isso, já disse. Por acaso acha que somos incompetentes? Lembra que nós também somos amigos dele e faremos de tudo pra que fique tudo bem. Agora descansa que eu vou ligar pra Annie e pro Armin. Depois vamos pra casa do Eren, ele não vai ter escolha a não ser sair com a gente. – A loira desligou a chamada e discou o número de Annie.

  Em uma hora os três estavam na porta da casa de Eren, tocando a campainha.

- O que vocês estão fazendo aqui? – Ele questionou ao ver os amigos parados na porta. Parecia abatido.

- Nada demais. – Dizia Christa animada. – Só ficamos sabendo que certas pessoas estavam na bad e é claro que não vamos permitir.

- Claro que não. – Concordou Annie. – Viemos te buscar pra achar uns paus por aí. – Ela sorria discretamente e Eren espelhou essa reação.

- Não estou com vontade de...

- Te perguntamos alguma coisa? – Armin reagiu. - Não perguntamos se você queria, se estava com vontade ou alguma dessas merdas. Você vai e pronto. Como a Annie disse, imagine quantos paus estão por aí esperando por nós. E você ainda tem uma vantagem sobre nós: é bissexual. Pode pegar geral! – Disse Arlert rindo da situação.

  Jaeger não podia evitar se divertir com aquele grupo de pervertidos, no entanto não tinha a menor vontade se sair. De qualquer forma, sabia que eles nãos o deixariam em paz, portanto se arrumou e estavam prontos para ir quando recebeu a ligação de Petra.

-... Nunca te perdoarei se não se divertir. – Ela brincou bem humorada, mas claramente exausta.

- O que fez hoje? – Indagou desconfiado.

- Isso não importa agora. Venha amanhã antes da aula e podemos conversar sobre o que quiser. – Tentou desviar a atenção dele.

- Ok. Fique bem. – Desligou.

  A boate era um pouco barulhenta demais para o gosto de Eren, mas não reclamou e após alguns drinques, a dança possuiu seu corpo. Ele dançou como se sua vida dependesse de sua diversão. Sorria junto com os amigos e logo os viu pelos cantos com pessoas aleatórias, porém não se importou com isso. Estava bem na pista de dança. Em dado momento sentiu mãos em sua cintura, acompanhando o ritmo de sua dança. Ele não se importou, enquanto fosse apenas uma dança, estaria tudo bem. As luzes verdes confundiam a cor dos seus olhos que não distinguiam muito bem a realidade. Estava bêbado.

  A pessoa dançante atrás de si o virou e beijou. Eren só fechou os olhos e curtia o momento. A língua invadia sua boca. Era realmente uma invasora, não havia delicadeza ou vontade do prazer, era apenas uma possessão sem sentido. Jaeger afastou o rapaz que o olhou sem entender a reação repentina.

  Estava errado. Aquilo estava completamente fora do lugar. Ele se livrou dos braços que parecia tentáculos de um polvo e ia saindo da boate sozinho quando Armin se deu conta e o seguiu correndo, deixando pra trás alguém da qual queria fugir por fazê-lo se lembrar de Marco, porém Christa passou em sua frente e disse que cuidaria do moreno. Armin foi até o outro lado da multidão e pediu mais um drink, decidindo deixar que a loira tentasse remediar algo que ele não sabia muito bem se conseguiria.

- O que houve? – Indagou Christa, já do lado de fora da boate.

- Nada... – Eren balbuciou. Sua voz estava engrolada, então a amiga notou o quanto o moreno estava bêbado.

- Vamos embora.

- Não vamos. Eu preciso esquecê-lo. – Disse Jaeger.

- Quem? Aquele cara? Você nem o conhece. – Argumentou a loira.

- Não... Ele não... O Levi. – A voz de Eren era fraca.

- Hã? O Aluno novo? Olha só... - Christa sorriu. – Eu disse que você estava mexido com isso. – Comentou. – Mas o que ele tem demais?

- Ele... – Eren abaixou a cabeça e parecia chorar, ainda que não o fizesse realmente. – Ela... Ai meu Deus...

  Um detalhe importante é que Christa nunca conheceu a esposa de Eren. Apenas viu algumas fotos em revistas e nelas a mulher não costumava mostrar completamente o rosto.

- O que tem? – Ela estava ficando preocupada. – Eren?

- Ele... A Mikasa... – Ele se sentou no paralelepípedo da calçada. Christa se sentou ao seu lado.

- É ela, Eren. – Corrigiu a garota.

- Você não entende! – Ele reclamou.

- Então explica, porra!

- Ele, o Levi... Ele se parece muito com ela!

  Christa considerou essa opção, talvez fosse possível. Nas poucas fotos que viu, os cabelos da mulher eram tão pretos quantos os de Levi, mas apenas isso não podia fazer dos dois pessoas parecidas.

- Acho que precisamos ir embora. – Ela julgava que Eren estava bêbado demais ou voltara a ter alucinações na época após a morte de Mikasa.

- Não estou louco Chris. Por favor... O Armin vai te dizer se estou louco... – Ele parecia sonolento e Christa percebeu que era o momento de chamar os amigos. Deixou Eren em um dos bancos do bar, debruçado sobre o balcão e reuniu Annie e Armin, depois foram embora.

- Ele disse que o Levi era xerox da Mikasa. Acho que isso está mexendo com ele. – Comentou a loira ao chegar em casa e pôr o moreno pra dormir, visto que ninguém conseguiu fazê-lo tomar um banho.

- Pode ser... Ainda não vi o cara, só notei quando passou um pouco distante de mim no primeiro dia de aula.

Mas esclareço isso ainda essa semana.” Decidiu Arlert.

 

**

  No dia seguinte, Jaeger acordou de ressaca e teve que suportar as piadas dos amigos com relação à sua dança quase erótica na boate e o porre que tomou. Christa resolveu esperar para tocar novamente no assunto Levi-Mikasa. Armin decidiu não falar nada, só queria confirmar tudo ao ver o jovem aluno.

  O moreno tomou um comprimido para ajudar a curar a dor de cabeça e praticamente expulsou os amigos de casa. Achou que poderia voltar a dormir, mas era segunda feira ele recordou-se que neste dia tinha que dar aulas particulares, que era o que pagava suas despesas sem que tivesse que usar o dinheiro que ganhou dançando no exterior, pois o guardava para ter uma vida estável quando não pudesse mais trabalhar. Teria que estar na casa de uma aluna dali a quarenta minutos, então começou a arrumar tudo para dirigir até lá. Amaldiçoou cada objeto que derrubou durante esse processo e seguiu sua rotina.

  Segunda... Terça... Quarta... Os dias passaram sem que Eren tivesse muito tempo para pensar, pois estava chegando exausto em casa e mal conseguia comer. Como num piscar de olhos, se viu no salão da escola esperando Levi chegar para a aula. A turma inteira já estava presente e o moreno se perguntava se o novo aluno iria aparecer, dadas as circunstâncias e ainda queria saber se o jovem manteria sua postura de quem não sabia o que tinha acontecido.

  Ele estava observando os alunos quando notou que uma das meninas não estava fazendo um movimento corretamente, então a corrigiu educadamente e começou a falar para a turma.

- Leve... – Falava para todos. - Essa coreografia é simples e limpa, sua execução deve ser levada da mesma forma. – Ele acompanhava a música andando de um lado para o outro, parecia contente ou pelo menos em paz na companhia dos jovens alunos.

  Levi o observava da porta e quando deu por si, estava sorrindo um pouco.

É um bom professor...” Ele se distraiu até que Eren notou sua presença.

- Venha até aqui. – Jaeger chamou o baixinho que logo se aproximou.

  O moreno analisou o outro. O uniforme ficava bem nele, destacava os músculos. Usava roupas pretas. Uma camisa sem mangas, não muito justa, mas não chegava a ser larga. Uma meia-calça preta que não revelava muita coisa da pele branca e shorts curtos. A sapatilha estava adequada e Eren parou um pouco mais ao notar que os pés de Levi eram muito pequenos, delicados como os de uma garota.

Puta que pariu...” Pensava o moreno ao notar cada forma que os braços, pernas e abdômen do baixinho tomavam sob a roupa justa. Notou especialmente as proporções pequenas que davam a ele uma aparência forte, porém delicada. Era uma junção incomum.

- Estou aqui. Não está vendo? – Indagou o jovem emburrado cruzando os braços, visto que Eren não disse nada quando se aproximou e apenas o analisava de cima abaixo.

- Sim... É claro que estou vendo. Er... – Ele gaguejou. - Vamos começar logo com os alongamentos. – O mais velho apontou para o chão e Levi obedeceu sem reclamar. – E você está atrasado. – Comentou ele e viu pelo espelho que Levi revirou os olhos. Foram apenas alguns minutos que Levi perdera para se livrar de Hanji que queria entrar na escola a todo custo, pois ela o levou até o portão de entrada.

  Após os alongamentos eles foram para a barra fixa.

  Armin saiu do salão superior deixando a turma um pouco com Christa, pois estava ajudando a amiga naquele dia. Desceu as escadas rapidamente ao ver que o aluno novo estava com Eren. Tinha que confirmar o que Christa lhe disse sobre a conversa com o moreno. Ainda que estivesse bêbado, não podia estar inventando aquilo, no máximo estaria aumentando.

  O loiro já conhecia a turma de Eren e devolveu alguns sorrisos que recebeu dos alunos ao vê-lo. Era uma pessoa querida por todos, considerando que não era um funcionário fixo, mas estava sempre pronto a ajudar no que fosse necessário. Costumava ser gentil e engraçado nos momentos livres em que estava com as turmas na escola. Todos o consideravam mais como um amigo do que como professor, apesar do profundo respeito que nutriam por ele enquanto bailarino.

  Eren e Levi estavam na barra, após todos os outros alunos, no fim da “fila”. Ao ver o reflexo no espelho, Armin sentiu o sangue fugir de seu rosto.

Puta que pariu... É o mesmo olhar. A mesma expressão.” Ele se surpreendeu com a semelhança. Não era como se fossem gêmeos ou realmente tivessem características idênticas além dos cabelos, mas a semelhança era grande e concordou que não tinha como não se lembrar de Mikasa ao ver aquele jovem, apesar de que ele parecia muito menos delicado que a Ackerman em questão. Mas pelo que soube, também foram histórias de vida e criações completamente diferentes.

  Eren sorriu ao vê-lo, mas logo veio a pergunta.

- A turma está sozinha? – Questionou ele, sempre muito exigente quanto à qualidade das aulas.

- Foi só por um instante que saí. Além disso, a Christa está lá. – Respondeu como se não fosse nada.

- Algum problema? – Indagou o moreno por perceber que Arlert estava um pouco lívido.

- Não... Está tudo bem. Vou subir. – Ele saiu como quem foge de alguém.

Ele nem deve se lembrar do que disse no domingo... Também, estava bêbado como um cachorro.” Pensou o loiro.

  Subiu as escadas novamente e pensou que realmente não tinha como Eren não ficar perturbado com a presença de Levi. Era uma semelhança com alguém com quem esteve casado por algum tempo. Estavam começando a construir uma vida juntos quando aconteceu o acidente. Arlert admitiu o esforço que Jaeger devia estar fazendo para manter-se mentalmente sadio.

  Em momento algum os amigos cogitaram a possibilidade do moreno ter voltado a tomar os remédios. Nem sequer se deram conta do motivo para a baixa de humor do amigo até o acontecimento na boate, exceto Armin. Ele se recordou imediatamente da conversa que tiveram na cafeteria...

“- Não quero dizer para a Petra, Christa, Annie ou minha mãe, mas voltei a tomar os remédios. Sei que isso é uma coisa muito séria, mas não quero preocupar a Petra. A Christa tem muito trabalho e minha mãe está vivendo bem agora, não quero perturbar o sossego de ninguém com meus problemas.” A voz de Eren lhe parecia antiga nessa frase e Armin se sentiu muito culpado.

  Como não percebeu antes a gravidade das coisas? Como pôde deixar o amigo sozinho nisso? Daria um jeito de ajudar. Mas como?

  Sua mente começou a funcionar em prol disso e a primeira atitude seria falar sobre o assunto com Eren, então precisava ficar sozinho com ele.

  No fim do dia, Armin voltou a propor ao amigo que fossem na cafeteria para conversarem um pouco, assim aproveitavam para levar um cappuccino para Petra e tranquiliza-la, visto que ambos sabiam o quanto ela estava preocupada com o moreno, visto que não puderam esconder dela os acontecimentos.

  Eren não fugiu das perguntas do amigo, mas sentia-se exausto para pensar em tudo.

- Eu não sei o que dizer. Ele mexe comigo em todos os sentidos. Me sinto atraído e não sei pelo que! Talvez seja a semelhança. Mas ele é tão... Grosseiro, malcriado e estúpido! A Mikasa nunca foi assim, mesmo sendo muito mais reservada que todos nós e as vezes era tida como mal educada. – Ele suspirou.

- É claro. – Armin riu e procurou as palavras certas. – Acho que o que você precisa fazer é deixar o tempo passar um pouco mais. Pense que ele não tem nada a ver com ela. Não tente comparar de forma alguma. Separe a imagem dos dois na sua mente e tente descobrir se mesmo assim, ainda que ele não tivesse nada de parecido fisicamente, ainda se sentiria atraído. – Arlert orientou. – Talvez você esteja realmente interessado no Levi, mas a figura da Mikasa está te bloqueando de novo. Você sabe que isso tem acontecido ano após ano.

- Eu sei. – Eren concordou, sem ânimo para discutir.

O Levi é uma boa pessoa... Talvez seja bom saber um pouco mais sobre ele.” Jaeger aceitou a possibilidade. Decidiu esperar, na oportunidade certa ele tentaria se aproximar do aluno.

  A semana terminou tranquilamente e as duas aulas foram carregadas de olhares entre professor e aluno, mas nada de especial aconteceu, assim como nas duas semanas seguintes.

  Hernando não retornou as ligações de Hanji, mandou apenas alguns torpedos se desculpando. Petra fez mais uma sessão de quimioterapia, passou mal diversas vezes e foi apoiada por Eren. Armin retornou algumas vezes no salão para observar a interação entre Eren e Levi, comprovando que qualquer um podia sentir uma tensão entre eles, aquilo era mais que atração por semelhança.

  Quanto à Levi, continuava sendo acusado por Zackley de estar se vendendo para Irwin ou Eren, pois o loiro voltou a visita-lo no trabalho para verificar se estava indo bem na escola, percebendo que o baixinho ficou um tanto inquieto ao falar de Eren.

  Esse último trocou a angústia pela satisfação. Levi era um aluno dedicado, apesar de ter deixado claro algumas vezes que sua paixão era o jiu jitsu. O professor acompanhava de perto a evolução do jovem e pretendia ensinar-lhe muito mais coisas, Além de Levi, o moreno tinha os amigos que não o deixavam em paz um dia sequer e mantinham seu humor em alta, fazendo com que não tivesse tempo para voltar ao passado e pensar em coisas ruins.

**

  Hanji iria enfrentar seu primeiro dia de aulas. Convocou seu trio de amigos para acompanha-la.

- Aiiin... ‘Tô tão nervosa. – Comentava enquanto caminhava entre Levi e Farlan.

- Relaxa. Tu vai se sair bem. – Encorajou o baixinho.

- Claro. Uma sabe-tudo dessas, vai tirar de letra! – Farlan a abraçou pelos ombros e picou pra ela.

- Quem disse que meu nervosismo é por causa do curso? Sei que não vai ter nada que eu não possa aprender. – Disse ela completamente ciente de suas capacidades. - Os problemas são os colegas! Será que vai ter algum gatinho? – Ela brincou e os amigos suspiraram em uníssono.

- Pelo amor de Deus, se manca quatro-olhos! Você vai estudar! Isso aqui não é um parque de diversões. – Repreendeu Levi.

- Ué, nada me impede de arrumar um boy delicia por aqui né! – Ela sorria e seus olhos brilhavam delirantes.

- Nada te impede, amiga. – concordou Isabel.

  Eles entraram na Universidade e não demorou muito para encontrarem a sala da morena, então a deixaram e foram para um bar ali perto.

- Então, Levi, está gostando das aulas de ballet? – Questionou Isa, que estava um pouco desinformada por ter sumido por algum tempo; sentia uma vergonha imensa de Levi.

- Claro que não. – Ele mentiu. – Aquilo ali não é pra mim.

- Mas tem ido sem reclamar. – Comentou Farlan.

- Hum... Significa que tem alguma coisa mais importante. Por acaso tem algo que lhe interessa por lá? Talvez... Alguém? – Ela o analisava.

  Ah... As mulheres. Sempre tão perceptivas com relação aos sentimentos.

- Claro que não! Quem poderia me interessar num lugar como aquele? Está cheio de garotas vestindo rosa e brigando pra ver quem consegue ficar na ponta primeiro e por mais tempo, quem tem a sapatilha ou o tutu mais bonito, ou quem ficará com o melhor papel na próxima apresentação. – Comentou ele com escárnio.

- Mas pelo que soube, você abrigou o professor na sua casa, sendo que o conhecia há pouco... Ai! – Ela reclamou ao receber uma cotovelada de Farlan.

- Tsc, vocês são uns fofoqueiros. O que esperava que eu fizesse, Isa? Era pra deixar o cara jogado na rua no estado em que ele estava? – Ele fuzilou o loiro com o olhar. – Espero que sua fonte informações, mais conhecida como fofoca, tenha te explicado que o Eren estava em estado de choque.

- Ah... Eu não sabia. – Ela respondeu sem graça.

- Claro que não. – Ele encarou Farlan com raiva.

- Mas vamos mudar de assunto... – Ela começou a falar sobre a loja de suplementos que encontrou no centro, onde a proteína estava muito mais barata que onde costumavam comprar.

  Após algumas cervejas, eles resolveram ir embora, mas tiveram que pedir mais uma rodada quando Hanji ligou, perguntando onde estavam, pois estava saindo da aula.

- Tão cedo? – Indagou Farlan assim que ela os encontrou.

- Claro. Eu disse que não seria muito diferente. É como na escola, primeiros dias são sempre pra apresentações. Nada demais.

- Pelo seu desânimo, não tem gatinhos na sua sala. – Comentou Isabel divertida.

- Até que tem uns três.

- E qual é o problema? – Indagou a amiga sem entender.

- Recebi uma mensagem. – A morena respondeu desviando o olhar para que não percebessem seu desânimo repentino.

  Hernando tinha dito que precisavam conversar, marcou um encontro que ela não sabia se queria ir.

  Ser decepcionado uma, duas ou até três vezes é tolerável pra quem alimenta um sentimento forte, porém a morena tinha passado por aquilo diversas vezes, então não sabia se realmente valia apena tentar de novo.

  Lamentava que um simples torpedo tivesse o poder de estragar sua alegria por conta da primeira aula.

**

  Aquela era a semana do aniversário de Eren.

- Vamos preparar uma surpresa pra ele. – Christa falava baixo num dos salões da Lunar, enquanto seus alunos ensaiavam e Eren estava no salão de baixo, sob o olhar dos amigos.

  A loira tinha convidado Annie para tomar um café ao fim da aula. O trio de loiros incluía Armin, que se encontrava junto com as amigas perto da entrada do salão.

- Não vou com vocês. Se eu for, ele vai desconfiar. Combinem alguma coisa e depois a Christa me conta e eu conto para a Petra. – Argumentou Armin e viu as amigas concordarem.

- Você pode cuidar do resto da aula? – Indagou Christa.

- Posso. – Armin olhou torto. – Mas você me deve uma. – Ele brincou.

- Mais uma né! – Os três riram.

  As amigas foram para o Flying biscuit, a lanchonete favorita de Christa. Elas discutiram sobre a forma como fariam a festa de Eren.

- Tem que ser na casa da Petra. – Christa disse.

- Não! Como assim? Fazer festa em casa? É mega chato! – Annie retrucou.

- Mas então...? – Christa temia que não conseguissem tirar a amiga de casa.

- Deixa comigo, eu convenço a dona Lena de que a Petra não corre riscos saindo de casa. Posso dizer a ela que iremos pra perto. Além disso, a magrela precisa sair. Puta que pariu! Já faz semanas que ela só vai para aquela clínica monótona e depressiva e volta pra casa, se enfurna naquele quarto e não há quem tire. – A loira que usava seu clássico coque improvisado revirou os olhos. – Exceto nós, é claro. – Ela sorriu.

- Verdade. – Admitiu a amiga.

- Então.

- Podemos arrastar o Eren pra uma balada. – Sugeriu Christa.

- Aí sim é demais pra Petra.

- É mesmo.

- Restaurante? – Propôs Annie.

- Paraaado...

- Já sei! – Annie tinha os olhos azuis expectantes. – Abriu uma pista de patinação aqui perto, podemos leva-lo até lá com a desculpa de ser caminho pra outro lugar. Acho que tem uma pizzaria logo depois. Podemos dizer que vamos comprar pizza e ir pra casa da Petra, sendo que ela já vai estar lá na pista. Acho que seria divertido.

- É uma boa. – Christa concordou.

  Elas ligaram para Petra e com uso do alto falante, combinaram os detalhes com ela, entretanto no fim, decidiram que era melhor ir para lá, visto que a ruiva dissera que Eren não passaria por lá naquele dia.

  Não foi fácil, porém Annie convenceu Lena a deixar Petra ir sem que ela estivesse presente. Combinaram de busca-la de carro e levar de volta sã e salva.

- Seria melhor se fosse durante o dia. – Ainda retrucou a mãe coruja.

- Mas a pista só abre durante a noite. – Disse Annie.

- Hum... – Lena olhou desconfiada, mas logo em seguida se deixou contagiar pela animação das meninas em enganar Eren. Pregar-lhe uma peça. – Só não permitam que a Petra invente de dançar, sabem como é teimosa.

- Mãe, não fale de mim como se eu não estivesse aqui ou fosse alguma criança de cinco anos. – Retrucou a ruiva.

  No dia seguinte, fora a própria Annie quem contou ao amigo loirinho os planos gelados para o aniversário de Eren.

- Show! Vocês são fodas mesmo! – Ele elogiou tão animado quanto Annie do outro lado da linha.

- Então estamos combinados. Agora preciso ir. Te ligo de novo antes da solene ocasião. – Ela brincou e desligou em seguida.

  A data cairia em plena segunda feira, portanto os amigos planejaram tudo para o domingo. Dessa forma poderiam passar a primeira hora do aniversário com Eren e ele desconfiaria muito menos do que se o convite fosse feito no dia seguinte.

  Annie, Christa e Armin foram buscar Petra de táxi e a levaram até a pista de patinação. Em seguida foram para o ponto onde marcaram com Eren.

- Vamos passar na pizzaria porque hoje é dia de encher a cara na casa da Petra e tem que ser regado à pizza. Pelo amorrr... – Annie pediu.

- Ué, por que vocês não falaram antes? – Jaeger questionou.

- Combinamos de última hora. – Christa completou. – Vamos logo. A outra rua está fechada, então vamos parar naquela perto da praça e atravessamos a pé.

  Quando todos desceram, Eren passou a desconfiar, mas já era tarde.

- Por que todo mundo tem que ir? Posso buscar pizzas sozinho ou com o Armin. Não sou um velho inútil. – Revirou os olhos. Estranha mania que as pessoas têm de fazer isso.

- Você não sabe escolher nada. Da última vez tivemos que ficar horas no telefone explicando os sabores. Nós vamos com vocês. – Declarou Annie e já saiu andando com Christa seguindo-a de perto.

  Eren tomou um susto ao ver Petra sentada numa cadeira. Estava sob luzes azuis de neon.

- O que você ‘tá fazendo aqui? – Ele a analisou fisicamente para saber se não havia nada de errado.

- Estou bem. Para de me tratar como se eu fosse um vegetal. – A ruiva reclamou. – Hoje não vai ter pizza. – Ela sorriu.

- Não creio... – A ficha dele caía e nesse instante algumas pessoas foram aparecendo.

  Carla, Lena, – que decidiu ir de surpresa, pois não queria correr o risco de deixar a filha sozinha perto de um salão onde se podia dançar - Irwin, Armin, Annie, Christa, Marco, Jean, Ryko, alguns funcionários da Lunar e alunos rodearam a pista de dança, começando a bater parabéns. Hitch estava lá.

  Enquanto isso uma dançarina entrou pela pista vazia empurrando uma mesinha redonda com um bolo modesto no centro. Ela usava um traje azul cheio de brilhos e um coque elegante; levou o doce até o centro e dançou em volta dele. A coreografia fora impecável e Eren mal sentia o chão sob seus pés. O bolo tinha um bailarino no topo e levava uma cobertura verde clara com alguns decorativos em forma de notas musicais. Quando as típicas músicas de aniversário terminaram e as palmas cessaram, ele voltou-se para os amigos próximos de si.

- Vocês não...

- Nem reclama porque não vai adiantar. Agora aproveita! – Annie já estava pegando uma bebida na bandeja de um dos garçons que pareciam ter brotado do chão. Ao olhar em volta Eren percebeu que a festa inteira parecia ter brotado do chão, pois à exceção de alguns balões, todo o resto tinha sido colocado durante os poucos minutos em que todos cantavam o ‘parabéns’. As amigas pensaram em tudo, como sempre. Christa era excepcionalmente a festeira de plantão, assessorada de perto por Annie, que não se negava a entrar numa surpresa ou qualquer tipo de festa.

  Ele estava boquiaberto com o quanto aquilo era surpreendente, no entanto não demorou a se envolver no clima. Óbvio que logo algumas pessoas que ele sequer conhecia começaram a aparecer também, ainda que as amigas tivessem pedido para fecharem a pista para a ocasião. Ele andou entre elas até encontrar quem procurava.

- Mãe! – Ele a abraçou e perguntou sem solta-la: – A senhora fez parte disso?

- Eu soube hoje. Não me deixaram sequer ajudar a organizar. – Ela parecia ter o orgulho ferido.

- Oh, isso é mesmo horrível. – Ele fingiu compartilhar do sentimento de revolta, no entanto sorria. – Eu estava com saudades. – Disse ele sinceramente, sem se preocupar em separar o abraço.

- Ainda moro no mesmo lugar. – Carla sorriu e apertou o filho um pouco mais, distanciando-se em seguida.

- Eu tenho tido muitos problemas, não quis envolve-la nisso. – Disse ele apagando o sorriso.

- Você sempre pode contar com a sua mãe. – Ela sorriu e lançou a ele um olhar acolher que sempre trazia à Eren a sensação de estar envolvido num casulo de proteção, onde nada poderia machuca-lo.

- Eu sei, mãe.

  Annie obrigou o moreno a calçar uns sapatos próprios para dança no gelo e presentear os convidados com uma magnifica dança em parceria com a dançarina contratada.

  Os aplausos pareciam simples até Eren avistar uma presença inesperada.

  Apoiando-se nos pequenos muros de proteção da pista estava Levi. Ele parecia absorto em algo mágico e Jaeger não pôde evitar um sorriso rasgado.

  Assim que a dança acabou e o moreno se viu livre dos sapatos, voltando a usar os próprios, ele caminhou até Levi, parecia que muitos quilômetros o separavam, entretanto estavam perto. Quando estavam quase ao alcance do toque um do outro, Hitch Dreyse apareceu em sua frente como um demônio detentor de velocidade sobre-humana.

- Hitch? O que está fazendo aqui? – Eren perguntou, claramente irritado com a interrupção, também não entendia por que a garota estava de volta a cidade, mas não se importava. Na verdade, ele descobriria mais tarde que teria convidado aquela criatura para a comemoração e tal pessoa não iria ouvir boas coisas.

  Faz-se necessário explicar os motivos para que Eren, assim como todos os amigos odiassem Hitch Dreyse.

  A loira fora aluna da Lunar assim que o projeto se concretizou. Tinha talento e era bonita, além de que seus pais tinham muito dinheiro e status. A garota não começou a frequentar a escola pelos mesmos motivos que os outros alunos, que eram pobres e viam na Lunar uma chance de ter uma atividade saudável, social e até profissionalizante. Hitch só queria se aproximar do professor. Suas habilidades eram inegáveis e ao fazer parte do mundo do ballet, ela pesquisou quem seria o melhor partido do Rio de Janeiro, que estivesse no mesmo campo que ela; foi assim que encontrou Eren numa revista cara de fofocas. Dreyse não se aproximava dos colegas, nem dava importância para as cantadas que recebia, só queria chamar atenção do professor. Tudo parecia bem, até que ela passou dos limites ao tentar beijá-lo durante um ensaio. Óbvio que Eren a repreendeu e negou seu pedido por um relacionamento, então ela disse para o pai que o professor tinha tido más intenções e atitudes para com ela e o homem a tirou da escola, assim como parou de fazer as constantes doações ao projeto; não antes de ir até a Lunar e dizer coisas das quais Jaeger jamais imaginou ouvir.

  Hitch foi embora do país, ainda que tivesse se arrependido do que fez ao ver a maneira como o pai ficou furioso e jurou arruinar a vida de Eren, portanto ela esclareceu o “mal entendido”, revelando que Jaeger nunca a viu de outra forma e que tinha sido tudo um terrível engano. Todavia ela sentiu vergonha de retornar, pois na escola todos sabiam o que ela tinha feito e com certeza iriam rir de sua fraqueza e paixonite, então foi embora e de repente resolveu retornar, pois não conseguia esquecer o professor de forma alguma.

- Nada demais, Eren. – Ela estava parada diante do olhar sanguinário do moreno. – Eu só queria te ver. Ouvi a Christa convidar alguns alunos quando fui até a escola e decidi aparecer.

- Não te ensinaram que não é educado aparecer na festa alheia? – Indagou ele, arrependendo-se em seguida, pois não gostava de ser mal educado, ainda que a jovem em questão não merecesse um pingo de consideração. Ela tinha sido uma de suas alunas favoritas por muito tempo e nutria um grande carinho por ela, entretanto sua atitude já mencionada fez com que o moreno sentisse pena de uma pessoa vazia que dependia desse tipo de artimanha para conseguir alguém. Ainda que fosse assim, Eren não a odiava.

- Eu sei. – De repente ela parecia séria. - Eu só queria me reaproximar, pedir desculpas.

- Considere que suas desculpas foram aceitas, Dreyse. Agora se me dá licença, há alguém com quem prefiro falar.

  Ele ia saindo, porém ela ainda o segurou pelo braço.

- Queria saber se posso voltar a ter aulas na sua escola.

  Jaeger juntou as sobrancelhas. Era uma surpresa ouvir tal disparate.

- Sabemos que você não precisa, portanto volte para a sua vida e me deixe em paz. – Ele puxou o braço, mas ela voltou a colocar-se em seu caminho.

- Por favor! Prometo que não farei nada. Só não quero mais ficar... Sozinha.

  Eren a observou com calma. Estava novamente com botas pretas até os joelhos, porém usava um vestido de tecido grosso cinza e um colar que deveria custar milhões. Ela viu o semblante da garota ficar entristecido e apesar de sua língua moldar um não, a resposta foi diferente.

- Tudo bem. Converse com a Christa.

- Obrigada. – Ela sorriu e soltou o braço do moreno, que entretanto, olhou para onde Levi estivera e não o viu mais.

**

Flashback

  Logo após desligar a ligação com Annie, Armin decidiu que Levi estaria na festa de Eren.

  Tinha prometido para si mesmo ajudar o amigo e conviver com Levi fora da escola poderia ser uma solução, visto que ele precisava perceber que Levi era Levi e Mikasa foi Mikasa. Existia uma diferença muito grande e Armin notava a atração e perturbação de Eren quanto ao aluno, mas talvez tivesse medo por causa da semelhança e da relação professor-aluno, levando em consideração a situação que acontecera com Hitch, além que não é ético ter relacionamentos amorosos com alunos.

  Arlert tinha que amenizar todos esses pudores e quebrar o gelo fazendo com que eles convivessem fora da escola.

  No dia seguinte ele entrou na secretaria/escritório de Eren e encontrou a ficha de Levi, conseguindo seu número ali.

- Estamos convidando os alunos mais próximos ao Eren para sua festa de aniversário. – Disse ele ao jovem do outro lado da linha.

- Não sou próximo dele. – Disse o baixinho sendo taxativo.

- Ainda assim, insisto pela sua presença, é importante para ele que seus alunos estejam na festa.

  Houve um momento de silêncio em que Levi pensou se era certo participar de um momento pessoal do professor, mas tinha vontade de vê-lo mais e mais, ainda que jamais dissesse isso em voz alta ou admitisse dentro de si.

- Tudo bem, talvez eu vá. – Disse ele, mesmo sabendo que iria, ainda mais depois que Irwin descobriu que ele iria e foi até busca-lo para que não desistisse da ideia. Na verdade, Smith queria marcar território, estar sempre por perto e não podia correr o risco de deixar Eren sozinho com o jovem, mas Levi não se dava conta disso.

Fim do flashback

**

 

  Chegando ao local, sentia-se deslocado, conhecia apenas Irwin e os professores da escola, mas não queria ficar com eles, pois considerava invasão demais do espaço alheio, coisa que o baixinho odiava.

  Assim que Eren começou a dançar, algo o chamava para a pista, aquele corpo movendo-se de forma tão graciosa o fazia querer observá-lo para sempre. Era como uma força que o levava a se alimentar daquela magia em movimento. Levi queria entrar ali e dançar com Eren ao invés de vê-lo com a mulher que fazia par com o moreno. Distraiu-se observando a ponto de esquecer que estava rodeado de pessoas que poderiam notar o quanto estava babando em seu professor dançando na sua frente, especialmente Irwin, que estava estranhamente quieto desde que chegaram. Quando a dança terminou, Levi viu Eren sorrir em sua direção.

Ele está... Feliz em me ver?!” Surpreendeu-se o jovem.

  Pensou em ir embora quando viu que a dança tinha terminado, pois Irwin tinha sumido em algum momento que ele não percebeu e não queria ficar sozinho, entretanto notou que o professor vinha em sua direção, então o aguardou, sentindo a intensidade de seu olhar. Quando o moreno se aproximou e Levi pensava em ceder ao impulso de elogiar sua dança, viu uma moça se enfiar entre eles.

  O professor e a jovem começaram a conversar e Levi sentiu-se esquecido.

Eu não devia estar aqui.” Pensou ele e saiu do local, procurando Irwin no meio de pessoas demais pro seu gosto, entretanto não o encontrou e decidiu achar um garçom, precisava de alguma bebida para aguentar aquilo.

  Eren achou que Levi tinha ido embora e isso o deixou desesperado. Ele não sabia os motivos para a reação exagerada, entretanto sentia como se Levi precisasse dele e tentava encontra-lo. Esgueirava-se entre as pessoas como um lunático e não tinha esperanças de reencontrar Levi quando o viu pegando uma taça de um drinque da bandeja de um dos muitos garçons que circulavam ali.

  Jaeger correu até Levi e insanamente o abraçou, derrubando a taça da mão pequena do jovem.

- Você ‘tá doido?! – Levi perguntou irritado. Quase sujara a camisa com o drink azul.

- Me desculpa. Me desculpa... Me desculpa. – Eren repetia como um louco e Levi, apesar de achar muito estranho, apenas se deixou abraçar e cogitou que aquela fosse mais uma reção inexplicável do professor.

O que esse cara tem? Será que é louco? Tem problemas psicológicos sérios...” Pensava o baixinho. De repente, percebeu que seu coração batia acelerado demais. Sentia sua pele queimar. Estava calor ali, entre aqueles braços, mas era um calor bom, algo que o fazia sentir vivo.  Era estranho ter vontade de socar Eren para que se afastasse e ao mesmo tempo querer se aconchegar naquele pescoço perfumado que se encontrava perto do nariz branco de Levi.

Ele é tão... Pequeno.” Eren pensava enquanto sentia o corpo de proporções menores dentro de seu abraço. Era como envolvê-lo com tudo que sentia.

- Você vai me soltar algum dia? – Levi tentou ser mal criado, mas sua voz saiu doce, reconfortante.

- Se você me afastar, eu vou. – Disse Eren, sorrindo e inspirando o cheiro do aluno.

  Levemente, Levi o empurrou pra longe. Aquilo estava errado, não queria se envolver.

- Me desculpe. – O moreno balbuciou e saiu dali, indo encontrar sua mãe e amigos. Levi queria segurá-lo, manter aquela presença forte perto de si, mas não podia evitar o medo, a estranheza e tudo mais.

  O baixinho procurou por Irwin, porém foi o loiro quem o encontrou e o jovem acabou pedindo que o levasse embora. Smith não escondeu sua satisfação em afastar sua paquera do rival.

  A festa de Eren fora divertida, sendo que o moreno não podia deixar de sentir a presença de Levi em seus braços e sempre acabava tentando afastar os pensamentos de sua mente para que ninguém percebesse sua distração, porém uma pessoa notou tudo, pois estava acompanhando cada detalhe.

  Armin estava encostado à uma das colunas que sustentavam a cobertura da pista de patinação, fugira de Marco durante toda a noite e dividia-se entre isso e observar a interação entre Eren e Levi, notando como o moreno estava a suspirar desde o abraço meio louco que o loiro presenciou. Talvez as coisas fossem dar certo.

  Ao fim da festa, já durante a madrugada, em casa, Eren olhava as fotos de seu casamento com Mikasa pela centésima vez.

Será que devo queimar?” Ele se perguntava vez após vez, mas nunca tinha coragem. Era difícil abandonar uma lembrança tão forte. Era como jogar sua história no lixo, negar aquilo que viveu tão intensamente, assim como tudo nele. Precisava deixar o passado onde estava, porém uma história parecia se enlaçar na outra, puxando o passado para o presente e fazendo com que os sentimentos voltassem.

  Além de tudo que já foi comentado, havia uma história que nem seus amigos sabiam, exceto Petra, e que ele nunca viu motivos para comentar, mas de repente esse motivo surgiu bem na sua escola e estava tendo aulas de ballet com ele duas vezes por semana e passariam a ser três, caso o baixinho aceitasse a futura proposta do professor.


Notas Finais


Obrigada!
Sua leitura e opinião são muito importantes pra mim!
Espero vocês nos comentários e nos próximos motivos para paradas cardiorrespiratórias. Enxuguem o sangue do nariz :v
Tiau :*


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