História Nosferatu: O mundo dividido - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Amizade, Amor, Aventura, Comedia, Drama, Família, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Morte, Original, Romance, Sexo, Suspense, Tragedia, Vampiros, Violencia
Exibições 17
Palavras 5.006
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Ficção, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Super Power, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Ola para você meu caro que decidiu me acompanhar.... Como disse no ultimo capitulo eu volto a dizer neste.

Não faço a menor ideia de como vou postar se será de modo semanal ou mensal, portando vamos apenas curtir este capitulo lançado de forma aleatória ok? kkkk

Capítulo 2 - Aqueles que não deveriam existir. Surge uma nova ameaça?


Se pudesse ser descrito com uma única palavra seria magnifico. O quarto era grande, repleto de cômodas próprias para sua vasta coleção de livros, três cadeiras rodeavam o que deveria ser uma pequena mesa redonda da mesma decoração que qualquer outra coisa de seu quarto: Marfim.

Poucos metros a frente da mesinha duas portinholas levavam qualquer um que a atravessassem para a varanda do quarto, do ultimo andar da fortaleza era possível ver a movimentação de vários homens e mulheres, alguns treinavam arduamente com espadas e arcos, outros se empenhavam em simplesmente conversar e apreciar a presença do jardim digno de reis.

Contudo o “rei” a quem tudo aquilo pertencia se movia de um lado para o outro de sua cama, todo o seu corpo era coberto por uma grossa coberta esbranquiçada, devido ao frio das cadeias de montanhas esta pessoa exigia cobertas o suficiente para que não se incomodasse durante seu sono. Por isso era de se estranhar os cobertores que mais se pareciam uma grande caçada a ursos brancos espalhados pelo chão. Por sorte sua cama era grande o suficiente para que apenas os cobertores caíssem.

Não aguentava mais. Seus olhos se fechavam com maior força enquanto as memórias ressoavam em sua mente, a chuva, os gritos, o sangue. É como se um feixe de luz força-se aqueles momentos repetidas vezes, testando sua determinação e sanidade.

Foi então no meio de seu pesadelo que arremessou a ultima “proteção”. Como se a natureza estivesse à espera desta única chance enviou uma fraca corrente de ar frio, suficiente para acorda-la. A partir de seus finos e delicados pés o frio subiu, passando entre sua camisola de rendas brancas parou assim que atingiu seus lábios finos e rosados. A mulher então esfregou os dedos magros diretamente nos olhos, bufou inchando suas bochechas levemente rosadas ao passo em que se sentava, cruzando uma das pernas ela esticou ambos os braços e espreguiçou da melhor forma possível. Devido à péssima noite de sono deveria fazer o possível para não parecer tão “ruim” a frente de seus seguidores.

Coçou o embaralhado cabelo dourado, quando em um súbito movimento estapeou a face com ambas as mãos –O que é passado, fica no passado, você precisa seguir em frente, sempre em frente, independente dos problemas ... Você deve isso a ele garota- Com um sorriso abobalhado ao se lembrar do mais velho ela saltou da cama, se desfez do pijama e rumou a suíte, devia se juntar aos outros logo.

[...]

O primeiro andar, geralmente o mais lotado, estava agora vazio. Porque? É algo que muitos que os conhecem perguntariam, famosos pelas bebidas de altíssima qualidade atraiam a atenção até mesmo de pessoas de fora.

É claro que não é apenas a bebida que chama a atenção, o charme único do andar dava um toque familiar, com uma boa quantidade de mesas e cadeiras muito bem posicionadas o local possuía quatro grandes janelas, todas elas eram devidamente cobertas por cortinas avermelhadas para manter o contraste com os tijolos acinzentados, no balcão vários barris desde vinhos a cervejas eram enfileirados, cada um com sua própria torneira. Como regra da casa toda a sexta a noite a serventia era livre, e esta manhã era uma manhã de sábado. Por isso apenas duas pessoas sentavam lado a lado nas banquetas. Um homem e uma mulher.

O homem trajava um grande e único sobretudo negro, os fundos se mostravam azuis por ele sempre deixar a exagerada gola a mostra, uma camiseta negra aberta até seu peitoral ocultava parte dos músculos de seu torço, seu cabelo e boca quase não eram visíveis devido ao chapéu de couro negro digno de cowboys e o pano negro que partia de seu pescoço até a boca amarrado por trás da cabeça, cruzou uma das pernas quanto a calça social negra se dobrava aos poucos, a cada movimento das pernas, as esporas negras trincavam em ressonância com seus pés. Em sua mão esquerda uma grande pistola prateada era habilmente polida pelo pano branco de sua mão direita, no melhor estilo ele continuou enquanto fitava a mulher ao lado, arqueou uma das sobrancelhas e decidiu acabar com o silêncio- Você não se cansa de ficar bêbada Eva?- Abafando uma risada indagou sorrindo para a companheira.

Ela então tragou toda a bebida do copo, como se não fosse nada, a mulher apenas suspirou de prazer, seus curtos cabelos platina caiam para o lado, possuía uma pele tão branca quanto o cabelo e olheiras tão negras quanto o tecido de suas calças apertadas, exibia um ar de “mais velha do que parece” devido ao péssimo vício, como se fosse um tipo de saia de uma altura de baixo de seus avantajados seios um tecido negro se estendia até quatro dedos de sua coxa, para finalizar utilizava uma camisa branca de decote aberta e apertada. Visível somente na área do peito era de um tecido branco assim como o casaco suspenso em suas costas, o mesmo possuía poucas decorações em dourado, como nas mangas e ombros. Quando tempo o suficiente passou para que o cowboy considera-se ter sido ignorado ela lhe perguntou  apontando o dedo- E você? Não cansa de segurar na pistola Ed?

Mesmo com a voz arrastada e alterada pela bebida Edward pode perceber a ironia nas palavras da grisalha, e então simplesmente parou, com sua arma ainda em mão encarou a mulher que já o encarava, segundos mais parecidos com anos se passaram enquanto nenhum dos lados desviou o olhar. Como se estivessem prontos pra se atacar a qualquer instante ambos desabaram em meio a risadas.

O moreno então se recuperou- Tem razão-Ele falou, rodando habilmente a pistola no indicador esquerdo ele a guardou no coldre preso frente a seu estomago- Agora que deixei de lado minha pistola, é sua vez de deixar a birita de lado... Afinal a chefe logo vai descer por aquelas escadas-Com um maroto sorriso apontou para a escadaria no fundo do andar, e mesmo que Evangeline estivesse relutante quanto a entregar seu “café” se lembrou de que a ultima conversa com ela sobre as bebedeiras matinais tinham vindo da boca da própria líder.

 Chegou a ponderar por alguns instantes, o que era melhor, a deliciosa e eletrizante sensação de vodca invadindo sua garganta ou o feliz e satisfeito sorriso da loira? Era uma escolha difícil, e ela sabia que Edward não a estar auxiliando era porque ele adorava ver sua face indecisa. Até que finalmente cedeu, não por ter chego a uma conclusão e sim por seus afiados ouvidos terem captado o apressado choque dos saltos logo à cima-Droga... É melhor eu não me arrepender- Resmungou enquanto via o amigo virar seu copo e o arremessar com precisão na pia alguns metros a frente deles.

Ao chegar no primeiro andar não pode deixar de se surpreender, ao contrario do que ela esperava tinham ao menos duas pessoas no salão, estes eram dois de sua legião de Brancos - Edward Hawkshot e Evangeline Walker- Disse enquanto se aproximava da dupla, ao contrario de quando levantou seu curto cabelo agora estava devidamente penteado e caído completamente para a direita, a blusa sem manga porém com as sempre presentes golas brancas deixavam visível seu busto em um decote semiaberto, se alguém fosse capaz de encara-la por muito tempo seria capaz de observar uma pequena parte do sutiã negro, ao contrario de Evangeline suas calças eram coladas sim, porém começavam três dedos depois da cintura e se estendiam até a ponta de seus dedos, como sapatilhas as pontas eram douradas e finas como a lâmina de uma espada, um par de luvas negras torneavam suas mãos enquanto que o único assessório presente em sua cintura era o cinto dourado adjacente a perna direita e esquerda um estranho rosário era presente no “inicio” do cinto, como de praxe um casaco permanecia preso em seus ombros por uma pequena corrente em sua nuca, era grande ao ponto de suas pontas de ouros se arrastarem no chão, as mangas possuíam uma grande linha dourada que paria de seus ombros até as mãos, uma fofa e aconchegante pelugem negra envolvia o local que deveria ser sua “touca”. Por fim logo por cima dos ombros do casaco uma dupla de pequenas e aparentemente inofensivas pistolas só fora percebido por Edward e sua apurava visão dinâmica- Vocês não deveriam estar descansando?- Perguntou, fingia certo nível de raiva enquanto os olhos dourados fuzilavam a dupla, principalmente a grisalha.

- Bom, quanto a isso Crista, se nós seguir prometo mostrar que temos uma ótima desculpa por termos desobedecido a suas ordens- Edward rapidamente rumou a saída enquanto seguido pelas outras. Estava aliviado mais um pouco e ela descobriria que Eva tinha bebido e enquanto o efeito ainda não passasse ele deveria se certificar de que elas trocariam o menor numero de palavras possíveis, por isso recuou certa quantidade de passos até ficar no meio das mulheres.

- Já que insiste, vamos- Se já o estava acompanhando, porque negar alguma coisa?- Mesmo que esteja falhando em me ocultar o atual estado da Eva- Pensou enquanto passavam pela entrada principal, decorada com grandes e rústicos pilares do período jônico as quais esbanjavam elegância e admiração, um lustre gigante de cristal era o responsável pela constante iluminação, em suas centenas de pontas brilhava com intensidade a luz prateada, ao fim o trio se deparou com a anormal porta em forma de arco, grande demais para qualquer ser humano, parecia que fora feita para gigantes. Forçando seus braços o moreno a empurrou, seus olhos por breves instantes foram invadidos pela luz, porém ao ter seus olhos libertos do potente feixe de luz surpresa era a ultima palavra a passar por sua cabeça- Agora tudo faz sentido- Suspirou ao pressionar os dedos nas têmporas.

Uma comoção de homens se reunia no pátio central, mesmo que a área verde tivesse como um charmoso adorno uma fonte de mármore, aquilo que mais despertava a atenção era a excessiva quantidade de bonecos de treino, feitos inteiramente de palha alguns eram cortados de ângulos e formas diferentes, outros eram alvejados por virotes os quais ocupavam qualquer local possível. Uma pequena cabana ao sul poucos metros ao lado do portão principal era encarregada por guardar todos os materiais de treino.

E a empolgação que antes podia ser vista do quarto de Crista estava praticamente morta, todos os homens e mulheres lá presentes se agrupavam para abrir o portão.

No entanto dispensando qualquer ajuda a porta fora simplesmente empurrada pela palma do jovem. Seus cabelos platinados e bagunçados caiam de modo desgovernado para qualquer direção do couro cabeludo, se os olhos de Crista eram como pequenos sóis o dele eram como duas luas próprias, tão platinas quanto seu justo e curto casaco remendado por varias formas de ondas azuladas, as quais contrastavam perfeitamente com a “armadura” presente nas pernas. Ocultando qualquer vestígio de suas calças ele tinha revestimentos de placas de prata únicas, parecendo escamas colocadas pelo melhor dos artesãos finalizando-se apenas rente as botas de couro grosso e azul claro, em suas costas duas bainhas de espadas que viram a ser conhecidas como “katana” se cruzavam formando um “X”- Oi gente-Saudou a todos, sorria e acenava de frente para a entrada, sem qualquer exagero o brilho de seu sorriso poderia cegar alguns, quanto fascinar outro, um feito que apenas aquele capaz de cumprimentar cada um daqueles que o vieram receber, aos poucos a antiga comoção era deixada enquanto a grande maioria atravessava o portão para mais um dia de trabalho.

Aqueles que escolhiam voltar para dentro da fortaleza passavam por Crista a respeitando em reverenciando tal qual seu titulo exige. É claro que ela não deixaria nenhum deles se sentir ignorado, por isso os cumprimentou também, até que voltou o olhar para a dupla que ainda se mantinha a seu lado, sorriu de canto, não poderia negar que de todos os seus eles eram definitivamente os mais leais- Ed, Eva, podem ir tenho alguns assuntos a tratar com Valeth- Ainda mantendo seu sorriso ela recebeu apenas um assentimento de ambos, aparentemente Evangeline já estava sobrea, isso era bom, não teria de se preocupar com a segurança deles que assim como os demais atravessaram o portão- É... Ser um explorador não é nem um pouco fácil, eles levantam às oito da manhã e retornam só deus sabe quando- Não gostava muito da ideia de envia-los mundo a fora, porém o que eram suas vontades frente ao peso de ser uma líder? E como tal, deveria impor a vontade de todos por cima da sua, ainda mais com o atual estado do mundo- Tomem cuidado com a travessia da Renerre e também não se esqueçam de evitar o Cânion de Durkein ele é território daquele cara. - Gritou recebendo um positivo de Eva enquanto que Edward ajeitava seu chapéu e acenava ainda de costas.

- Uau, eles são mesmo uma dupla inseparável não- A voz descontraída e jovial de Valeth surgiu ao lado da loira, mesmo que já estivesse acostumada com a mania do mais novo de sempre esgueirar para o lado dos outros tinha que confessar- A minha presença zero é incrível não? Digo não estou me gabando nem nada, mas devo dizer que com ela minha vida fica muito mais fácil- Refletia enquanto seus dedos remexiam o queixo de modo sapeca e sorria se lembrando de todas às vezes em que a assustou.

Nos primeiros instantes ela apenas o deixou aproveitar o próprio ego, precisava disto para reorganizar seus pensamentos- Mesmo sendo minha "Estrela de platina" no fim, não passa de uma criança, precisamos dar um jeito nisso logo... Mas ainda assim ele continuaria sendo tão amado pelos outros? Isso realmente seria o melhor para ele? - Poderia reflexionar por horas mas nunca chegaria a uma conclusão, então optou por seguir o dialogo recente- Sim, eles são, e não é atoa que nunca falharam em nenhuma recuperação, desde a liderança de meu pai- Cruzou seus braços, se tinha algo em que se orgulhava verdadeiramente era seu velho, tudo o que construiu e criou foi para continuar seu legado, contudo mesmo que se orgulhe não gosta muito de se lembrar, não basta-se suas péssimas noites de sono e até mesmo quando tem controle dos pensamentos ela deveria se permitir cair em uma maldita visão? Mas é claro que não, por isso forçou sua mão contra a cabeça do mais novo.  Seus 1,85 de altura superavam em muito 1,77 do jovem prateado –E mesmo que sua benção seja incrível você não pode se esquecer de que se por um acaso seu inimigo repetir as mesmas palavras que você recita terá o efeito anulado. Ou seja trabalhe duro para não ficar  dizendo o nome da técnica toda hora do contrario menos uma grande vantagem para você.

- C-certo- Encabulado respondeu, levou as mãos à cabeça, mesmo que tivesse 15 anos ainda assim era tratado como criança sempre pela mesma pessoa, sempre por Crista. Este não era o melhor momento para isto então desfez-se que qualquer sensação de outrora e fitou a líder, fora enviado em uma missão sigilosa a qual apenas ela conhecia e abandonando qualquer rodeio disse de forma que apenas ela escutasse- Eles começaram a se mover.

Não esboçou reação alguma, seus olhos não perderam o brilho natural e tão pouco o ambiente se tornou ofensivo, o que era extremamente estranho para o garoto, esperava que ao mínimo ela fosse explodir em uma fúria interior, porém estava calma, mais do que em seu dia a dia. A calmaria de Crista era apenas aplacada pelos berros fervorosos dos homens, como se fosse um tipo de sinal ela se virou, seu casaco branco pareceu maior ainda com a repentina corrente de ar- Vamos conversar na minha sala. – Finalizou enquanto que Valeth a seguia prontamente.

Seja lá o que fosse acontecer, isso mudaria tudo, mudaria toda a guerra que se estende por mais de 20 anos-Finalmente algo para parar a loucura dos vermelhos- Pensou.

[...]

-Uau- Um homem exclamou enquanto observava fracamente o dialogo entre os dois- Pelo modo como ela agiu, eu chuto que Valeth fez alguma cagada- Este homem em especial era um dos encarregados da guarda principal, trajava um robe tal qual seu grande chapéu pontudo, uma túnica marrom em sua mão direita uma cajado, não muito maior que seu antebraço era inteiramente feito da madeira de um carvalho envelhecido, na ponta uma orbe brilhava fracamente e como se servisse de proteção para o frágil objeto três pequenas lâminas curvas o circundava, uma no meio e as outras em seus respectivos lados como  garras de uma fera.

- Não- A mulher a seu lado corrigiu, sua voz era arrastada e tão marota quanto a do outro- Se fosse isso White já estaria em prantos nos braços da Serena –Diferente do outro ela portava um manto capaz de ocultar todo seu torço para baixo, sua parte de cima era mais “exposta”, algo que para alguém com a posição seria uma grave falha, nada era além de um simples capricho, duas assas negras erguidas para cima serviam como ombreiras, as pequenas asas também ligavam-se com o traje que tratava de cobrir seus seios e parte do peitoral, de resto um charmoso par de luvas de couro negro adornavam seus braços, cada uma subia até o cotovelo, no coldre direito uma cimitarra banhada em ouro negro, enquanto sua mão esquerda apoiava no chão o cajado maior que seu próprio corpo, era feito de um material inteiramente negro com poucos adornos acinzentados, possuía inclinações e alterações que davam certo ar “perigoso” para qualquer um que vislumbra-se o pequeno abutre de bico esverdeado na ponta de cima- Sinceramente ele poderia segui o exemplo do Jack, mesmo sendo uma criança de apenas dez anos ele exibe uma atmosfera séria, objetiva, intelectual, tão... Tão fofo- Fincando o cajado no chão a feiticeira levou ambas as mãos ao rosto, tentava em vão abafar seus “pensamentos”.

- Shafell eu nunca vou te deixar sozinha numa sala com ele- Com um olhar sério ele a respondia, no entanto sua tonalidade sarcástica entregava o quão seriamente Shamell estava levando aquele conversa- Mas digamos que por um acaso eu deixe você não faria nada né Senhoria três oitão?

- Mas é claro que não- Fungando após cruzar os braços ela olhou para o lado- Não sou um monstro a ponto de forçar alguém a algo que não queira... Mas nada me impede de esperar alguns vinte anos. Afinal até lá eu poderei ser considerada algum tipo de MILF?

- Você já não é um tipo de MILF?- Cortando qualquer chance do irmão responder, uma voz grossa e completamente autoritária fez-se presente nas costas dela, ele trajava um roupa de características militares de cor brancas e torneada em suas ombreiras com um leve azul marinho, mangas longas alcançavam seus pulsos tomados por uma grossa luva de couro negro, uma longa calça justa branca era coberta em exatos quatro dedos abaixo do joelho pelas batas de cano médio negras, seu rosto era o completo contrario da voz, um sorriso divertido brotava na pele branca, seus longos cabelos loiros envoltos pela boina branca de pequenos detalhes dourados, preso em sua cintura de modo a decorar ele tinha um fino punhal.

- Major!-Saudaram os irmãos, endireitaram a postura desleixada de forma a demonstrar respeito inflaram o peito. Isso era o mínimo que poderiam fazer pelo mestre armeiro, aquele responsável por todas as defesas da fortaleza invernal, como também o único abaixo de Crista Giantrider.

 - Podem descansar- Abanando as mãos ele respondeu meio sem jeito- Não é como se vocês devessem prestar continência ou mudar seu tom de voz apenas em minha presença, nós conhecemos a muito tempo além de que sendo um dos oito ao menos você Shafell , pode se dirigir a mim de forma mais “confortável”

- Espera um minuto ai...- De certa forma curioso o mais novo arrastou sua fina voz- Porque raios essa velha safada pode falar com você como quiser e eu não? Digo sendo um dois oito ela não deveria parar de colocar o pequeno do Jack como um objetivo nem um pouco educativo- Apontava para a irmã enquanto observava com descrença o loiro.

Cerrando os dentes devido ao tabu que Shamell mais uma vez quebrou, ela girou seu grandioso cajado acima da cabeça e o apontou em direção do outro que de imediato fora envolvido por um brilho esverdeado, suas ultimas palavras forma como um pesado gemido enquanto que a irmã olhava triunfante para o local que antes ele estava- Entre para a mesa, e então nós poderemos conversar sobro o que eu posso e não posso maninho- Logo depois se isolou nos pensamentos -Se fosse outra situação, com outras pessoas Major já teria tomado as devidas providencias como também dado uma verdadeira bronca por um mago utilizar seus poderes de forma tão desnecessária e mesquinha mas...

- Eu estou tão acostumado com isso que nem mesmo me preocupo mais, acredito que seja boa para todos nós a relação de vocês, um alivio para todos os dias difíceis- Ajeitando a boina ele fitou os céus ensolarados- Para onde você o mandou desta vez?

- Ah, bem acredito que seja a mesma localização de Edward e Evangeline, na montanha Exaltada de Bei, ou ao menos onde eles devem estar chegando. Teletranporte não é muito meu forte- Abanou as mãos, a essa altura não existia mais nada que ela pudesse fazer- Então... Como andam os recrutas?

Surpreso com a pergunta ele deu espaço para que ela pudesse olhar por trás de suas costas. Era uma visão e tanto para a morena- Muito melhor do que ano passado, é claro que temos aqueles que desistiram no meio do treino mas de trezentos o numero cair para duzentos inscritos é algo ótimo, se continuarmos nesse ritmos vamos ter que encontrar um muquifo maior- Com um sincero sorriso ele fitava os homens e mulheres que treinavam de modo árduo por mais de duas horas, levantamento de peso, corridas, flexões, testes de magia, testes de combate. Todos estavam ocupados demais para se preocupar com o fato de estarem sendo observados pela grande maioria dos Brancos. Aqueles que foram aceitos um ano antes é quem coordenavam os testes, claro que com a supervisão completa de Major.

- Pois é... E pensar que alguns anos atrás não passávamos de um bando de imbecis que não conseguiam parar de chorar pela perda do líder- Sorrindo de canto ela conjurou duas cadeiras juntamente de uma mesa para apoio, e sentou-se. Acompanhada do loiro continuou- Ainda é difícil acreditar que aquela garotinha metida a macho reconstruiu tudo do zero... Sem contar que ela ficou linda no processo.

Divertido com as “prioridades” da companheira, Major sorriu enquanto observava o treino de seus promissores recrutas-Confesso que se não fosse por ela todos nós estaríamos perdidos, muitos podem pensar que eu deveria ter assumido a liderança naquele dia, mas se eu tivesse feito com certeza teria sacrificado as gêmeas para proteger Zarda, naquela época eu não me importava muito com o processo, apenas com o resultado, e hoje quinze anos depois percebo o quão errado estava. Não consigo parar de pensar... E se fosse o eu de agora? Eu seria capaz de pensar em algo para salvar tanto Zarda quanto suas filhas?- Ao contrario de antes sua voz era carregada de dor e culpa, como se a atmosfera tivesse sido drasticamente golpeada seus olhos pareceram perdidos em meio à confusão e medo.

- Não seja assim, nós somos humanos e mais frágeis e falhos do que qualquer outra coisa, você de todos os Brancos naquele dia foi o único a agir, o único que tentou proteger o legado do chefe -Esta não era a primeira vez que o homem questionava a si mesmo, porém era a primeira vez que ela dava uma resposta como essa, nas ultimas vezes apenas seu silêncio permeava contra as palavras dele, porém agora era diferente agora ela tinha a rara oportunidade de livrar o peso nas costas dele, e o faria de qualquer jeito. Mesmo que tenha ferido muitas pessoas em seu passado, você também ajudou muitas outras, pois é assim que o mundo funciona, por muitas vezes machucamos aqueles que não conhecemos pelo bem daqueles que amamos. E mesmo que você não seja capaz de perdoar a sí mesmo, lute e caminhe cada dia de sua vida contra aquilo que um dia foi, prove para Crista e para todos os outros quem é o Major da segunda geração, prove quem você é agora.

Nem sequer uma palavra proferida, sentia que qualquer coisa que fosse falar acabaria estragando o belo discurso de Shafell, por isso decidiu apenas observar atentamente o espetáculo a  frente, agradecimentos eram desnecessários, ela já sabia o quão grato ele estava somente pelo abobalhado sorriso branco largado na bela face.

[...]

Os trilhos de aço trincavam a cada segundo, vagão por vagão era juntada a estrada de ferro, seria preciso percorrer cerca de quinze das grandiosas e luxuosas “estadias” antes que pudessem chegar ao primeiro e único, aquele que sustentava todo o caminho eliminando a fumaça dos carvões pela parte de cima a locomotiva era continuamente abastecida pelos homens sujos pintados pela cor negra.

Realmente o artificio da magia era algo que poderia ajudar e em muito estes homens. Porém não é algo que esteja ao alcance de todos, primeiramente  para atingir o estado inicial de um mago eram precisos anos de meditação e estudo continuou de Gaia, para que então este homem ou mulher seja capaz de se conectar com o próprio limbo. Sendo assim poucos eram capazes de sequer compreender a imensidão de tais atos, por isso o paradigma de poder  tido como “magos” eram reclusos a apenas três organizações. Os Brancos, Os vermelhos e Os Neutros.  Nem mesmo a própria corte de Tetras conseguia se comprar com o alto calibre dos magos destas organizações. Por isso o atual rei Gahnor fazia o possível para se manter em boas condições com seus respectivos lideres, até mesmo dando certos benefícios.

E devido a um destes benefícios a dupla agora sentada no acolchoado banco vermelho olhavam um para o outro enquanto passavam com rapidez por uma clareira repleta limpa de arvores e com somente o longo tapete de gramas verde, ao fundo uma cadeia de três montanhas seguindo da menor a esquerda, a mediana a deita e a maior no meio.

- Sinceramente Eva Eu não gosto muito dos benefícios que o rei nos dá, digo além de nos sermos vistos pela população como: Potências de guerra, não vai demorar muito até que pensem que estamos de alguma forma chantageando o Gahnor para fazermos atrocidades vis e cruéis- Bufou ao passo em que esticava os longos braços na poltrona, sem seu chapéu seu cabelo teimava em cair como uma franja em seu olho esquerdo, e por isso adquiriu o péssimo ato de sempre balançar os cabelos para arrumar- Bom eu esperaria isto se eles estivessem pensando nos vermelhos, eles é quem fazem as cagadas. Nós é que quase sempre temos que arrumar, Lembra quando o desgraçado do Vernon deu cabo de uma vila inteira de Lycans? Quem teve que formar um acordo de “paz” com aquele bando de feras mesmo?

- Crista –Respondeu a mulher que ao menos agora se mantinha sóbria ocupando seu lábios com um forte suco de uvas-  Mas não é como se nós fossemos faxineiros das merdas deles. Longe de mim querer defender aquele narcisista cretino, mas você por um acaso se esqueceu que estes mesmos Lycans simplesmente sumiram com metade de um orfanato?-Edward balançou sua cabeça em concordância as palavras da parceira, se fosse ele não teria feito diferente.

- E no fim, descobrimos que eles tinham adquirido o habito de se alimentar de humanos, e como crianças órfãs ninguém daria falta delas- Cólera era presente no seu tom de voz, serrou involuntariamente uma das mãos enquanto fitava o chapéu no canto da mesa de centro- Chega de falar disso-Dando um basta em seus pensamentos pegou um pequeno pergaminho enrolado por debaixo do casaco.

- Nisso você tem minha concordância sininho-Sorrindo para o moreno ela o provocou, sabia o quanto era irritante para ele ter o cabelo atrapalhando a visão, e o quão envergonhado ele ficava quando os outros percebiam. Por isso sorriu quando ele corou.

-E-é, n-não que eu fique n-nervoso quando você me chama assim, m-mas i-isso não passa de uma s-súbita vontade de espirrar- Enrolado no meio da própria encenação ele rapidamente levou o chapéu a cabeça assim ocultando boa parte de seu rosto quando o abaixou.

- Ei, não faça isso, você fica tão fofo quando envergonhado- Se apoiando na mesa ela levantou o chapéu de forma que Edward o puxa-se novamente para si, segurando as gargalhadas ela o deixou em paz, não que estivesse cansada, mas sim pelo fato de ter percebido a aproximação de alguém-Uma garçonete talvez?- Indagou mentalmente quanto de soslaio observava o moreno se ajeitar.

[...]

O grisalho Valeth sentou-se então, a ceira era de madeira escura porém facilmente iluminada pela luz do sol que invadia por meio da janela, ao contrario do quarto dela esta sala era especialmente feita para Crista firmar contratos ou receber informações que nem mesmo seus oito lideres poderiam. Por isso ela mesma quem cuidava da proteção, assim envolvendo todo o ambiente em uma cúpula a qual não permitiria a audição para terceiros e também fortificava cada canto das paredes, assim seriam muito mais resistentes que o normal.

- Então...-Estava nervoso, esta era a primeira vez que a loira o fitava de forma tão séria e objetiva- Nosso informante estava correto, algumas das pesquisas de Zarda foram roubadas da Fortaleza de Outono anos antes de chegarmos para limpar tudo.

- E que pesquisa era essa?- Temendo pelo pior ela serrou os olhos, torcia para que suas expectativas fossem arruinadas, no entanto os arregalou quando o jovem continuou, de tantos porque eles? Porque justo aqueles que não deveriam existir? O mundo parecia em câmera lenta, leu seus lábios e completou junto a ele em pensamentos- Os bestiais.   

   


Notas Finais


Comenta ai quem vocês mais gostaram até agora? Dependendo eu posso explorar ainda mais e claro quem sabe futuros casais não estejam vindo por ai? Bom eu não sei huehuehuehue.

Hawkshot: Disparo falcão- Inglês

É isso, vlw flw e até a próxima


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...