História Nossa história - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Ino Yamanaka, Kakashi Hatake, Mebuki Haruno, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Drama, Naruto, Pósguerra, Romance, Sasusaku
Visualizações 220
Palavras 5.902
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Voltamos! (╯°□°)╯





*Todos os personagens e universo são de autoria de Masashi Kishimoto ®

Capítulo 17 - O desastre


Fanfic / Fanfiction Nossa história - Capítulo 17 - O desastre

 Uma fina camada de suor cobria toda a extensão de sua pele, alguns fios de cabelo escaparam da bandana e estavam grudados nas laterais do rosto.

 Sakura praguejou baixinho.

Sasuke, que corria poucos metros à frente, lançou-lhe um gesto rápido de interrogação, ela balançou a cabeça em negativa. Fazer um trabalho tão arriscado não passou pela cabeça dela até aquela manhã. Após o fim da guerra as coisas se acalmaram, pôde se dedicar com mais atenção ao Hospital de Konoha, desenvolver pesquisas, aprimorar suas técnicas, ainda tinha muito o que aprender.

Mas o fim da guerra não significou o fim dos nukenin. Nas últimas semanas alguns shinobi desapareceram durante as missões sem deixar rastros, a situação preocupou o Hokage, e quando Kakashi lhe perguntou se poderia ajudar na investigação, claro que concordou. A parte difícil era ter que fazer isso justo com ele. Foi como uma bomba em sua cabeça.

Havia muitas formas de como aquilo poderia acabar, antes mesmo de deixarem a vila pensou nos finais possíveis para a jornada com seu parceiro, e de uma coisa tinha certeza: todos eles eram desastrosos, no mínimo. Kakashi não estava bem a par da situação entre ela e Sasuke, um Hokage tinha problemas bem maiores para se preocupar do que um romance que deu errado.

Passaram a maior parte do caminho em silêncio, saltando por entre as árvores. Embora ele fosse extremamente rápido, Sakura nunca o perdia de vista, apenas mantinha certa distância, além de evitar qualquer interação. Zero interações, só o necessário. E este era o ponto, ele parecia não respeitar sua decisão.

Ele fez uma manobra repentina de desvio e olhou para trás, alertando-a para um imenso arranjo de espinhos à frente, Sakura o ignorou e contornou os obstáculos sem dificuldade.

Odiava a forma condescendente com que a esteve tratando desde que partiram, sendo cordial, cortês, como se isso pudesse suavizar as circunstâncias. Soava como um prêmio de consolação e não gostava nada da ideia. Mais um pouco e diria a ele que suas tentativas ridículas de ser amigável só a irritavam e que já podia parar com o teatrinho. Não queria a ajuda ou a pena dele, não precisava que fizesse absolutamente nada por ela.

— Vamos parar. — Sasuke se materializou ao seu lado.

Seu coração tropeçou, sempre acontecia quando ele chegava perto demais. Evitava olhar diretamente nos olhos dele, assim, qualquer coisa se tornava um ponto de concentração, uma árvore, o chão, até as próprias mãos, menos os olhos dele, nunca os olhos dele. Não encarar alguém podia significar sinal de fraqueza, medo. Que fosse, não estava nem aí.

— Não. A gente descansa quando chegar lá. — quanto mais tempo perdessem, mais demoraria para estar livre de uma vez.

— Chegaremos amanhã.

Suspirou, desgostosa. Não se lembrava de Kakashi ter dito que levaria mais de um dia de viagem. “Amanhã”, em outras palavras, uma noite inteira com Sasuke Deus sabe onde. Pôde sentir todos os órgãos rejeitando a ideia.

— Conheço uma hospedaria a alguns quilômetros, suficiente para uma noite. — comunicou ele.

A notícia da hospedaria lhe agradou imensamente, a pele estava grudenta e nem queria pensar na situação caótica dos cabelos. Um banho e uma boa noite de sono seria perfeito para renovar as forças.

 

Os tímidos raios de sol anunciavam o fim do dia, entremeando-se por entre as árvores. O caminho serpenteou cada vez mais fundo na floresta, esquerda, direita e em frente, parecia já não ter mais fim quando Sasuke parou, e logo adiante dele, notou um vilarejo pacato.

— Vamos nos apresentar como um casal. Dividiremos um quarto.

QUÊ?

Sakura sentiu a garganta fechar, ardendo e congelando ao mesmo tempo. Com os olhos arregalados cravados no chão, processou a últimas palavras, sem crer no que ouvira.

Ele não disse aquilo, não podia ser.

“Como um casal.” Dividir um quarto com Sasuke estava fora de questão, por tudo que era sagrado na terra e no céu, preferia dormir ao relento do que junto dele. Todo seu corpo começou a tremer em espasmos de nervosismo.

— De jeito nenhum. — respondeu ela, tamanha era sua incredulidade e desprezo que quase riu.

— Esse lugar recebe pessoas de toda parte, não é seguro.

Sakura revirou os olhos e não fez questão de esconder.

— Não vai dar certo. — Deus, me ajude! — Podemos dizer que somos irmãos.

— Não somos parecidos e temos que ficar juntos — ele fez uma pausa — no mesmo quarto.

Alguma coisa torceu bem no meio do peito de Sakura, junto a uma traquicardia digna de atenção médica. Qual demônio irritou para merecer tanta desgraça?

O desgraçado tinha razão, não se pareciam irmãos nem de longe, nem um cego acreditaria. Os dois viajando sem possuir laços representava um prato cheio para os curiosos. Estavam correndo grandes riscos.

— E se usar um genjutsu?

Ele olhou para o outro lado. Ninguém precisou dizer que era uma péssima ideia.

— Podemos nos transformar. — ela sugeriu. Uma técnica simples que exigia apenas constante emissão de chakra e concentração mental para manter a forma de outra pessoa.

— Perigoso.

Se alguém lhe contasse, não acreditaria jamais que aquilo estava acontecendo. Seu maior pesadelo se tornando realidade sem que pudesse fazer nada para impedir. Estava muito cansada, suada e com fome demais para continuar, não via outra solução a não ser se render ao absurdo e se jogar de vez naquele precipício.

— Se não tem jeito.

— Vai ter que trocar de roupa, coloque algum... vestido.

— Vestido? Tô em missão, não numa porcaria de lua de mel. — cuspiu pra ele e se arrependeu assim que fechou a boca.

Houve um silêncio incômodo, a tensão que se formou entre eles pesava uma tonelada, Sasuke sustentou os olhos nos dela apenas por alguns segundos antes de se afastar. Se jogar de um precipício não era nada comparado ao que estava vivendo.

Teria que sobreviver àquilo sem perder a sanidade, só não sabia como. Seus sentimentos estavam tão misturados, pânico, raiva, ódio, pânico, mais raiva. Com as mãos trêmulas pegou a primeira roupa que encontrou na mochila, pois se o senhor Sasuke queria um disfarce, ela daria a ele um disfarce.

— Vou me trocar. — anunciou ela, como um aviso claro.

Sakura se encolheu atrás de uma árvore e desceu o zíper do colete verde, olhando ao redor.

Durante as missões preferia usar peças íntimas mais largas e compostas, o que facilitou muito sua vida dadas as circunstâncias. Só não mudava o fato de que estava seminua a menos de dois metros de Sasuke. Podia ver a cabeça dele inclinada, e seus ombros cobertos por aquele poncho idiota. Ela jogou a blusa por cima da cabeça rapidamente e abotoou o calção.

Ok, você consegue.

— Acabei.

***

Ela prendia os cabelos quando Sasuke se virou. Alguns fios escapavam do nó, caindo sobre o pescoço. O uniforme jounin dera lugar a uma camiseta e jeans muito curtos, mas ajustados perfeitamente às suas curvas.

— Pareço uma turista comum agora.

Ela avaliava a si mesma, alisando as roupas. Sasuke não soube interpretar pela entonação da voz, se ela estava perguntando ou afirmando, de qualquer forma gaguejou um “sim” em resposta.

Uchiha Sasuke nunca gaguejava.

Quando criança fora ensinado a enunciar, a pronunciar cada palavra de forma clara e definitiva, a falar com eloquência. Fora educado a proferir sentenças inteiras, com a gramática correta e jamais hesitar. Mas todo o seu rigor aristocrático desmoronava quando tratava dela, apenas Sakura possuía a incrível capacidade de arruinar sua austeridade, de tirá-lo do eixo.

Passaria com facilidade como turista, sem dúvida, mas não comum, nunca houve nada de comum nela. E mesmo com aquelas roupas improvisadas estava nada menos do que extraordinária.

***

Assim que acertaram a primeira parte do pagamento na hospedaria, foram levados ao quarto.

O dormitório era simples, mas limpo e aconchegante. As paredes velhas exibiam a pintura descascada de um dragão em toda sua extensão. Encostada no canto direito havia uma mesa escura com duas almofadas, uma de cada lado. Dois colchões finos achavam-se estendidos no centro, a poucos centímetros um do outro. Sobre um deles, havia um par de kimonos com estampas ridiculamente iguais.

Ah, claro.

Estavam ali como um casal.

Não vou usar isso nem morta.

Seus pulmões murcharam, passaria a noite com Sasuke, de verdade, naquele quarto longe de tudo e de todos, sua mãe não podia nem sonhar. Muito consciente da presença dele, Sakura se ajoelhou próximo a parede com a mochila nas mãos sem ter a menor ideia do que fazer depois disso. Ele entrou por uma porta no canto do quarto, ali provavelmente seria o lavabo privado do quarto de casal. Em casa, tinha o próprio banheiro, não dividia essa intimidade com ninguém, mas não estava em casa, no aconchego da sua privacidade, muito pelo contrário.

— Leve o tempo que precisar. — ele indicou a porta atrás de si — O jantar virá daqui a pouco.

 

 

Enquanto ele tomava banho, Sakura jantou, depois arrastou seu futon para o canto do quarto, onde se deitou virada para a parede. Sasuke era silencioso, não deixava nada cair nem tropeçava nos móveis como ela, cada barulhinho do outro lado despertava uma curiosidade imensa. De todas as horas terríveis daquele dia, a última foi de longe a pior. Odiou o caminho dos seus pensamentos quando sabia que estavam separados apenas por uma fina parede de madeira, e que ele estava provavelmente sem roupas, pois, claro, as pessoas tiram suas roupas para tomar banho...

Deus!

Sacudiu a cabeça para espantar a imaginação perversa. Uma revoada de vento frio agitou as cortinas, o quarto ficou congelado em questão de segundos. Levantou-se e tentou empurrar as venezianas mas elas nem se mexeram.

— Essas *empurra* janelas *empurra* velhas — e desistiu.

Sasuke saiu do banheiro em seguida, vestindo um kimono preto, os cabelos molhados penteados para trás, longe do rosto, muito diferente da máscara negra habitual.

— Está um pouco frio... tentei fechar... acho que ficou presa... — tagarelou, um pouco nervosa.

— Talvez se girar o trinco, ali. — ele apontou para um o pequeno ferrolho camuflado na armação.

— Ah. — e foi o mais próximo de um “obrigada” que pôde oferecer.

 

 

Respirava lentamente, olhando para as vigas e encaixes da madeira no teto às sombras. Um clarão irrompeu no quarto através das paredes seguido por um trovão, não demorou muito para começar a chover. Gotas d'água começaram a pingar sucessivamente no assoalho, salpicando em seu rosto, obrigando-a a arrastar o futon para outro lugar.

— O que houve? — perguntou a voz rouca e sonolenta vinda da escuridão.

— Nada, é só uma goteira.

— Quer ajuda?

— Não. — Quero que você morra.

— Hn. Volte a dormir.

Eu mereço.

Acomodada outra vez e, completamente exausta, adormeceu.

***

Não sabia direito o que fazer.

Já deveriam ter saído, mas ela ainda dormia profundamente, tão profundamente que nem o barulho dos seus passos fortes e propositais a despertou. O nariz estava vermelho por causa do frio; a pele, um pouco pálida. Os lençóis brancos a cobriam até a metade dos ombros. Sasuke se aproximou e apoiou um dos joelhos no chão para observá-la de perto.

Se ainda houvesse algo puro e sem maldade no mundo, certamente se pareceria com ela. Mesmo enquanto dormia, exalava uma paz genuína. Até o leve respirar dela acalmava sua alma atormentada. Cuidadosamente, afastou uma mecha de cabelo que pendia sobre os olhos dela, mas logo se retraiu.

— Sakura — chamou, quase como um sussurro.

— Hmmm... Hmmm... — ela fez uma careta e se aninhou ainda mais fundo no travesseiro.

— Ei, temos que ir. — dessa vez mais firme.

Sasuke já estava do outro lado do quarto quando ela se levantou, pisando duro pelo quarto, mexendo em suas coisas. Reclamou por não ter sido acordada antes, reclamou do frio e de outras coisas. Talvez estivesse mal-humorada. Ele notou pequenas linhas vermelhas abaixo de sua mandíbula no lado direito, naturalmente causadas pelo travesseiro.

— Pode esperar lá fora? — ela atirou — Sei que tô atrasada mas ficar aí parado me olhando não ajuda.

— Claro.

 

 

O clima declinou novamente ao passar das horas, enquanto seguiam com cautela por um vale cercado por rochedos íngremes e ameaçadores. Entre eles apenas o trovoar de nuvens ao longe e o rumor contínuo do vento cortando as fendas das rochas.

A vereda montanhosa os guiou a uma bela floresta de faias, pela encosta beirando o rio, chegaram a uma cachoeira. Em toda sua extensão, o solo era recoberto de grama verde que mais parecia um tapete gigante colocado por alguém com muita dedicação. De onde estavam, podiam ver os peixes no lago, tão cristalinas e límpidas eram suas águas. A sensação de bem-estar daquele refúgio cativou a ambos, e como se não tivesse com pressa de chegar em algum lugar, ficaram observando a paisagem por um tempo.

Já era fim de tarde quando finalmente avistaram a antiga construção. Um médico ninja com óculos de grau e um grupo de shinobis os aguardava na entrada.

— Sou Ichinose, é uma grande honra recebê-la, Sakura-san. Pena que em circunstâncias tão graves.

Desconsiderando completamente a presença de Sasuke, o médico a cumprimentou e, sem tirar os olhos dela, os conduziu pelo interior da residência.

Depois de alojados, foram levados até os aposentos principais. A cama, no centro do quarto, estava cercada de aparelhos ligados ao corpo do velho. Sem perder tempo, Sakura começou a examiná-lo. Ela segurou as pálpebras do homem e as iluminou uma de cada vez, com uma pequena lanterna ao mesmo tempo em que bombardeava os outros médicos com perguntas que ele jamais seria capaz de responder.

— Quero ver todos os exames que fizeram até hoje. E refaçam todos eles... o acúmulo líquido vai aumentar a pressão intracraniana cada vez mais... A pressão sanguínea está treze por dez, bem alta, mas considerando o estado dele, isso é bom, ainda consegue empurrar nutrientes para o cérebro...

Os médicos e enfermeiros se agitaram seguindo as instruções imediatamente. Toda a atenção estava voltada unicamente para ela, até os yriou-nins mais velhos a observavam atentos.

Ela massageou o abdome inchado do homem, que gemia de dor. Sasuke assistia a tudo, olhando para os lados, sentindo-se deslocado e inútil. Um odor fétido e ácido invadiu suas narinas, provocando uma súbita ânsia no estômago. Impulsivamente levou o punho à boca para controlar a ânsia.

Percebeu que Sakura olhava para ele, com um sorriso torto, mas não sorria para ele. Estava rindo dele.

Vendo que não era muito útil para nada ali, se retirou do quarto.

***

Sakura auscultou o coração cansado do Daymiou, era mais grave do que pensava. Conversou com a equipe médica e conferiu os resultados, porém não encontrou nada. Os exames não acusaram qualquer substância anormal no organismo. Os órgãos apresentavam sinais de insuficiência, as células de defesa pareciam confusas e desorientadas. Seja lá o que fosse, o mataria dentro em poucos dias.

Os negativos da radiografia mostravam acúmulo de fluido cerebral nas cavidades ventriculares como havia pensado, então decidiu fazer uma pulsão para liberar a compressão.

Fez um orifício no terceiro ventrículo, atravessando as meninges com uma agulha fina até a cavidade. O excesso de líquido correu pela sonda e a pressão intracraniana caiu quase no mesmo instante. As células libertas da pressão recuperaram o metabolismo normal, eliminando, pouco a pouco, as toxinas acumuladas.

A cirurgia fora precisa, cinco horas mais tarde, Sakura retirava suas luvas. Administrar alguns fármacos paliativos que ela mesma havia desenvolvido em Konoha foi tudo o que pôde fazer depois do procedimento. As drogas ajudariam o sistema imunológico a reagir, e também serviam para desacelerar o metabolismo e retardar a morte das células, assim o corpo resistira por algum tempo, até descobrir a verdadeira causa.

Ela caminhava pelo corredor vazio e silencioso, fazendo anotações mentais. Tentou se lembrar qual daqueles poderia ser o quarto reservado para sua estadia, quando Sasuke surgiu do lado oposto, vindo ao seu encontro.

— Me pergunto quem estaria interessado em matá-lo.

— Não faço a mínima ideia. — respondeu ela com sinceridade.

— É impossível que uma das Grandes Nações esteja por trás disso.

— Não pode ser. — concordou com ele. A relação entre os países era sólida, não via por que um deles arriscaria perdê-la.

— Foi um ataque isolado pelo que entendi, encontrou algum ferimento no velho?

Ela negou com cabeça e olhou para os lados, Sasuke se aproximou um pouco mais.

— Não há ferimento, nem um só arranhão. Esquadrinhei o homem, ninguém tocou nele. Se fosse um dardo, mesmo que pequeno, ficaria no corpo ou no chão. Eu saberia. É estranho, não sei o que pensar.

— Precisamos de mais tempo. — o Uchiha encerrou.

Fitaram um ao outro por um breve momento. Seus pensamentos estavam sincronizados, mas ainda era muito cedo para deduzirem qualquer coisa.

Deu-se conta que aquela fora a primeira conversa que tiveram sem que sentisse vontade de esmurrar a cara dele. Seu coração sacudiu, tão forte e audível que talvez Sasuke pudesse ouvir.

Se afastou, sobressaltada.

— Tudo bem?

— Para com isso. — ela o cortou, com aspereza.

Lá estava ele perguntando mais uma vez se estava tudo bem. Mudou de ideia,. queria sim esmurrar a cara dele, mais do que nunca.

— O que eu fiz?

O que eu fiz? Nem sabia por onde começar, mas o fato dele agir como um imbecil hipócrita sem dúvida era o que mais detestava naquele momento. Lançando um olhar de ódio para ele, o ignorou e saiu batendo o pé, mas ele a seguiu pelo corredor.

— Olha, espera...

— Não.

— Sakura...

— PARA. — disse ela e continuou andando.

— Ei — Sasuke fechou os dedos em volta de seu cotovelo, com uma delicadeza insuportável. O calor do toque subiu pelo braço dela numa reação involuntária, soltou-se dele e explodiu:

— O que é? Tem alguma coisa pra dizer, Sasuke? Tem certeza? Por que se vai me perguntar se estou bem, eu não estou, e não precisa fingir que se importa.

Ele abriu a boca mas foi interrompido no instante em que a camareira surgiu da porta atrás deles.

— Tudo pronto, Sakura-san. — a mulher se curvou para o dois.

Arigatou gozaimasu. — Sakura devolveu o gesto.

A respiração de Sasuke estava pesada, e o rosto, muito vermelho, porém, não disse nada.

— É, foi o que eu pensei. — encerrou ela, sumindo para dentro do quarto.

Se alguém deveria ter raiva, esse alguém era Sakura. Mal podia olhar para ele sem imaginá-lo com a outra, num colchão imundo em um lugar qualquer. Seu peito afundou e ficou enjoada.

Ele que fosse para o inferno.

 

 

Em três dias o Daymiou manifestou uma pequena melhora, conseguiu abrir os olhos e conversar, causando euforia em todos. Ele segurou a mão da Haruno e disse umas poucas palavras de agradecimento. Sakura, entretanto, sabia que as drogas apenas retardariam o inevitável. Seguiu estudando as amostras minunciosamente, pesquisando e consultando seus livros e anotações em busca de respostas. Sasuke praticamente desapareceu, às vezes, o via durante as refeições no salão principal sentado em uma mesa do lado oposto, sozinho, e depois voltava a sumir. Pelo menos assim ela conseguiria trabalhar em paz, sem distrações.

Os resultados de seus esforços logo começaram a surgir. Foi durante uma inspeção no corpo senhor feudal, que uma pequena formação de prurido no canto das unhas chamou a atenção da Haruno.

— Ichinose-kun, venha até aqui, veja.

—Sakura-san? — ele não compreendeu. Parecia uma inflamação sem importância, inflamações daquele tipo eram comuns, principalmente em pacientes acamados por vários dias.

— Eu estava esperando por isso. Vamos fazer umas amostras. Deve haver mais sinais de inflamação iguais a este, procure primeiro nas extremidades e mucosas. Estou com bons pressentimentos.

E não eram bons pressentimentos apenas. Se estivesse certa, e claro que estava, acabara de descobrir a causa do mal que assolava a vida do chefe de seu país.

***

— Ela é a herdeira!

— Sem dúvidas ela é a próxima Tsunade-sama.

Sugoi!

— Sakura-san é incrível!

O ambiente espaçoso e alto do corredor ressoava o eco do falatório de vozes que se sobrepunham umas às outras. Sasuke logo soube a razão do alvoroço. Seus olhos vaguearam pelo quarto lotado de pessoas em busca de uma só.

— Não comemorem tão cedo, precisamos esperar o corpo responder ao antitóxico. Vamos ver como ele passa esta noite.

Sasuke conhecia bem aquele olhar. Apesar da cautela de suas palavras, exibia o semblante orgulhoso e altivo. Ela sabia o quanto era boa.

Não havia se aproximado após o episódio no corredor. Apesar de suas tentativas ridículas de manter uma convivência amigável ou ao menos civilizada com Sakura, ela continuava a rejeitá-lo. Entretanto, precisava conversar com ela sobre o que descobrira. Estava sempre ocupada e cercada de médicos, ou encarando-o com uma expressão, que claramente dizia para manter distância, e isso complicava um pouco as coisas.

 

 

Na manhã seguinte os aparelhos apitaram, o velho teve um ataque cardíaco. Ela deu uma surra no coração até ele finalmente voltar a bater. O Daymiou tinha piorado, mesmo com as sucessivas tentativas de Sakura de continuar o tratamento, ele sempre voltava a piorar.

— Não entendo...

Viu quando os olhos dela ficaram úmidos e viu que ela os enxugou antes que ninguém percebesse. O clima era de silêncio aterrador se propagou pelo lugar. As suspeitas de Sasuke estavam certas. Precisava agir e como ela não saía de perto da cama, teve que chamá-la. As roupas dela estavam amassadas, fora de ordem, e não prendeu o cabelo direito naquele dia. De perto, Sasuke percebeu seus olhos semicerrados pelas noites de sono perdidas enquanto cuidava do doente. Sasuke se aproximou da cama ao lado dela.

— Preciso falar com você.

— Agora não, estou ocupada.

Ele a tocou no braço, e a julgar pelo modo como o encarou, tinha conseguido toda sua atenção.

— Por favor, Sakura.

***

Mais tarde, naquela noite, depois de esperar tudo ficar silencioso, Sakura deixava o quarto, na ponta dos pés, caminhando entre as pilastras. Entendeu perfeitamente as instruções de Sasuke, surpreenderiam o infiltrado em flagrante.

A substância rara e extremamente danosa que encontrou sob a epiderme do homem era sintética. Não acusava nos exames pois uma absorvida pelo organismo se diluía ficando praticamente invisível. Ficou tão focada nos exames e análise que não prestou atenção nos detalhes ao redor. Bem debaixo do seu nariz.

Alguém estava injetando o veneno às escondidas e podia ser qualquer pessoa. Havia descartado essa hipótese no começo devido ao rigor da segurança do lugar, seria impossível alguma infiltração, mas com algum jutsu de ilusão poderia acontecer.

— Está na hora. — Sasuke surgiu ao seu lado.

Uma emoção ansiosa pressionava seu coração como se quisesse sair. Havia dois shinobis na porta, aparentemente fazendo a guarda, Sakura sabia que ambos estavam sob ilusão, fez sinal para Sasuke. Os homens dormiam, hipnotizados, assim como os enfermeiros dentro do quarto.

Ela havia medicado o Senhor Feudal com o ativo antitóxico e ele receberia a próxima dose na manhã seguinte, os enfermeiros teriam apenas que monitorar seus sinais vitais e tinham ordem para chamá-la no caso de qualquer mudança. Ao entrarem no quarto, um médico ninja segurava a seringa prestes a aplicar seu conteúdo no moribundo. Sasuke sacou a katana, Sakura apertou o punhos.

Não havia escapatória para o assassino.

***

Sasuke sondou a consciência do jovem médico desacordado e constatou que se tratava mesmo de um genjutsu. Ele estava sendo manipulado por algum doujutsu muito poderoso, havia uma figura pairando nas memórias. O rosto fora cuidadosamente mascarado, mas pôde ver claramente os olhos vermelhos como sangue. O chakra estava impregnado de ódio e vingança. Não conhecia a origem daqueles olhos estranhos, mas sentiu o poder assustador através deles. E se Kakashi tinha suspeitas de que havia um genjutsu envolvido nos desaparecimentos de shinobis em Konoha, aquilo não seria mera coincidência.

— Rastreei o chakra até certa distância, mas desapareceu. A pessoa por trás disso pode estar longe, não significa que desistiu. Tudo foi relatado ao Rokudaime, ele tomará providências. Assim que o Daymiou se recuperar totalmente, deixem este lugar. Usem o selo no caso de um novo genjutsu e fiquem atentos. — Sasuke explicou ao grupo de shinobis.

Wakarimashita. Entendido.

***

— Quase.

Precisava dizer em voz alta, precisava assumir que tremeu diante da possibilidade de ter errado em seu diagnóstico. Em seus poucos anos no Hospital jamais cometera um erro médico que causou a morte de um paciente, direta ou indiretamente. E é certo que, quando acontecesse, se acontecesse, certamente seria o dia mais triste de sua vida.

O Daymiou precisou de mais uma cirurgia, mas se recuperava bem, sem doses extras de toxinas, a droga pôde fazer efeito. Toda a desordem e reviravoltas daqueles dias tremulavam em sua mente cansada enquanto ela se preparava para dormir. Depois que as coisas se acalmaram, surgiram ainda mais perguntas sem respostas, e com as informações que reuniram ali, tão logo voltassem para a aldeia teriam muito a investigar. Agradecida por finalmente poder dormir, afundou nas mantas macias, cobrindo-se, mas três batidas na porta anunciaram sua perdição.

Sasuke.

Ficou parada. Pensou que se ficasse quieta ele fosse embora. Não havia mais nada que precisassem falar. Ficaram o dia todo juntos procurando pelo homem dos olhos vermelhos, reunindo as últimas informações para finalmente voltarem para a Vila.

Por mais que devesse ficar quieta, algo dentro dela movia seu corpo, algo dentro dela queria abrir a porta. Ele estava ali, não estava? Na porta de seu quarto. E se fosse algo importante? Uma informação nova. Talvez tivessem encontrado o tal homem. Andou no quarto de um lado para o outro, roendo as unhas. Estava desesperada demais... Em todos os dias em que estiveram ali, Sasuke nunca a procurou em seu quarto. Inspirou todo o ar que pôde e entreabriu a porta.

Sasuke pairava como um fantasma no corredor

— O que você quer? — Sakura disparou.

— Fique atenta esta noite, o desconhecido pode voltar.

Então era isso. O fantasma acenou e se retirou calmamente.

Sakura se encostou na porta, uma onda de culpa a inundou, ainda relutando, sentiu-se mal por ter sido tão grosseira. Mesmo com seus conflitos, trabalharam juntos e conseguiram salvar o Daymiou, não era tão infantil a ponto de não reconhecer isso.

 

 

Devia voltar, devia dar meia volta e sair dali correndo, mas sua mão se fechou em punho e bateu na porta de Sasuke. Perplexa consigo mesma, sentiu o fôlego sumir quando a porta revelou a pessoa do outro lado.

Não foi a primeira vez que o viu usando apenas calças, mas era como se fosse. Acompanhou o formato dos músculos desde o peito até as leves curvas que desapareciam no cós do tecido escuro. Podia ver as sombras e contornos desenhados pela fraca luz das luminárias.

Estava tão inquieta, tão desestabilizada que a única coisa que passara pela sua cabeça antes de sair do quarto era que precisava vê-lo. Estava com raiva dele. Raiva por estar tão confusa a ponto de bater em sua porta sem ao menos saber o que dizer. Raiva por ele mexer tanto com ela com meia dúzia de gestos.

— Eu queria... — as palavras saíram antes que percebesse — Me desculpe por antes. Fez um bom trabalho.

— Não se desculpe. Se não fosse você, ele já estaria morto.

— Então, nós fizemos um bom trabalho. — corrigiu ela.

Ele a fitou com uma expressão estranha. Somente Sakura entendia o inferno de ter seu coração destroçado, um pouco mais a cada dia. Só ela compreendia a tristeza de saber que ao retornarem para casa, ele voltaria para Karin. Mas não queria ser essa pessoa rancorosa e amarga para o resto da vida.

— Eu estou sendo ridícula, a verdade é que eu só estou com raiva.

***

Sasuke ficou surpreso por ela ter aparecido, e preocupado.

Se distanciou tanto quanto fosse possível dela e manteve-se perfeitamente imóvel. Seus músculos estavam paralisados, rígidos. Tentou ignorar que os cabelos dela estavam úmidos, como a noite em dormiram na hospedaria e tinha o mesmo perfume adocicado que lhe causava reações físicas embaraçosas. Ela usava um yukata branco, muito discreto e decente, mas, mesmo assim, quis sentir o tecido e a pele embaixo dele. Não conseguia parar de olhar para a barra roçando o topo dos pés descalços.

Não foi capaz de tirar os olhos dela, não conseguia fazer nada para evitar, ainda que estivesse visivelmente angustiada. Geralmente ela desviava o olhar, envergonhada, mas não o fizera desta vez. Através das íris verdes viu sua obstinação em derrotá-lo.

Havia outras coisas que Sasuke gostaria de dizer, mas não faria diferença. Nunca deveria ter concordado com a missão, em primeiro lugar, sendo obviamente impossível estar com Sakura e não se preocupar com ela, não por piedade como ela havia dito, ou por duvidar de suas capacidades, apenas fazia parte dele, era uma necessidade dele protegê-la. Ela era uma necessidade dele.

— Não é fácil sentir tanto e não poder falar, não poder gritar pra você. E isso dói, Sasuke, isso dói. Saber que agora você tem uma família e eu não faço parte dela, saber que você não me escolheu...

A voz dela embargou.

A força de suas palavras o esmagaram sem misericórdia.

Uma lágrima caiu dos olhos de esmeraldas e, instintivamente, Sasuke levou a mão para capturá-la. Seu rosto não combinava com lágrimas.

Vergonha. Vergonha pra você, Sasuke.

Ela não deveria chorar. Nunca. Foi excruciante vê-la assim quando sabia que sempre fora o causador de tudo aquilo.

Ela fechou os olhos, vacilante. Não deixou de tocá-la e não emitiu mais um único som. Não fez mais nada além de observá-la. Seus dedos formigaram pelo toque com a bochecha molhada.

O único som audível era a respiração de ambos. Ela estava tão parada, tão inerte. Tão inacreditavelmente linda. Cada nervo embaixo da sua carne se agitou, então, o impossível se tornou inevitável. Com o coração quase saindo pela boca, se deu conta de que não havia como parar. Dessa vez o que contava não era o seu controle, o seu sacrifício ou a sua culpa. Dessa vez o que contava era ele.

E ele ia beijá-la.

***

Sakura não fez menção de protesto.

Uma pulsação forte martelava em seus ouvidos. Foi a ideia mais estúpida, com certeza, a mais estúpida de toda sua vida. O que estava pensando quando invadiu o quarto dele? O que estava pensando quando disse aquelas coisas? Tinha desistido, já estava pronta para acabar de vez com aquela burrice sem precedentes. Mas tornou-se incapaz de falar, de pensar, de fazer alguma coisa além de respirar. Entendeu, com uma intensidade esmagadora, do quanto o queria por perto, ao contrário de tudo o que dissera antes. E admitir aquilo para si mesma foi doloroso como uma faca a cortá-la.

O contato dos dedos em seu rosto bagunçou tudo por dentro, fechou os olhos porque já não podia suportar encará-lo tão próximo.

O toque era tão leve, tão suave como em um sonho, acariciando sua última gota de resistência. Depois de alguns segundos, abriu o olhos. Ele estava vidrado em seu rosto, o tempo pareceu estar suspenso, passando muito devagar, torturando-a, pois Sasuke a viu se derreter por causa de um simples toque.

Em algum lugar, nos recantos mais nebulosos de sua mente, sabia que era errado, mais do que errado, era insano. Mas sua consciência estava inebriada demais para reagir. Não poderia ter se movido nem se as labaredas do inferno estivessem lambendo seus pés.

Estava hipnotizada, atônita. Permitiu à sua mente dividir as coisas na cabeça e encarar a realidade, a verdade escancarada por trás de toda aquela bagunça: o amava, era louca por ele. Estava praticamente engolindo a boca de Sasuke com os olhos e nem ao menos tentou disfarçar. Seus pulmões se encheram com o perfume dele e não lhe restou forças para tomar qualquer atitude, tampouco fez qualquer tentativa de se afastar. Apenas prendeu a respiração e esperou.

Os lábios dele deslizaram sobre os seus bem devagar, umedecendo-os pouco a pouco. Pensou que nunca mais sentiria a febre daquele beijo.

O calor do peito dele se espalhou na seda de seu vestido, braços sólidos envolveram sua cintura e não havia outro lugar para ir senão de encontro a eles. Como poderia se defender de uma vontade que estava dentro dela e a dominava? Seu corpo inteiro aqueceu pela familiaridade do abraço, revivendo memórias, buscando desesperadamente consolo para sua saudade.

Sem nenhum aviso, a língua dele estava em sua boca, e o gosto era tão maravilhoso que Sakura quis chorar.

Tudo acontecia muito rápido em sua mente — em seu corpo — para que pudesse refletir sobre as consequências. Não lembrava mais como havia chegado lá, não sentia mais o vazio e frio daquele quarto, apenas ele em toda parte preenchendo todos os espaços. Ele a apertou tão forte que poderia se quebrar ao meio, como se quisesse despedaçá-la ainda mais, e tudo o que pensava era obrigada, obrigada, obrigada...

***

Alívio foi exatamente o que encontrou nos lábios dela, como se estivesse respirando outra vez depois de muito tempo ser ar. Os lábios dela eram mais macios do que qualquer coisa que Sasuke já conhecera, macios como morder algodão-doce. Doces sem fazer esforço, como na última vez.

Ela enraizou os dedos em seu pescoço, um ruído escapou da garganta dele. Sakura o destruía, do início ao fim, aquela garota não tinha ideia do que fazia com ele. Se apenas o cheiro dela foi suficiente para levá-lo ao colapso, agora mal podia raciocinar. As coisas era diferentes para um homem, afinal. Se continuassem assim, não seria capaz de parar.

***

Sakura acariciou as costas de Sasuke e, a cada movimento, a respiração dele ficava mais urgente.

Esperava que a qualquer momento ele dissesse o quanto sentiu sua falta, o quanto se importava com ela mesmo sendo mentira. Esperava vê-lo sofrer, respirando com dificuldade, morrendo por dentro e por fora assim como morria por ele.

Não se tratava de um engano, não tinha como fingir, sabia o que estava fazendo. Apenas se concentrou no peso pressionado ao seu e na vontade rebelde de continuar. Sasuke estava diferente, muitos anos os separavam. Às vezes, nem o reconhecia e isso a magoava mais do que qualquer coisa. Queria ouvir suas histórias, memorizar cada cicatriz, queria fazer parte da vida dele e ser para ele o que ninguém tinha sido. Percorreu uma cicatriz com os dedos, murmurando uma prece de agradecimento por ele estar vivo.

Cambalearam juntos, um se movendo contra o outro. A voracidade com que escalavam o beijo fazia parecer como se ambos estivessem extraindo o máximo antes do momento acabar. Porque sabiam que acabaria.

O yukata de Sakura caiu pelos braços e as mãos dele foram as responsáveis. Mãos perfeitas, gentis e carinhosas. Uma delas desceu pela lateral de seu quadril, onde nunca fora tocada antes e ela suspirou na boca dele.

Sasuke se recolheu e a encarou por um momento, ofegante. A vergonha incendiou peito de Sakura, todo o sangue do corpo correu em fluxo para o rosto, sabia que estava tão vermelho quanto possível. Ficou simplesmente inebriada enquanto Sasuke a olhava, alternando entre seus olhos e sua boca. No segundo seguinte ele a beijou novamente, mas não parecia estar mais com pressa.

Havia um nervosismo no estômago de Sakura, uma energia incontrolável e nova se movendo em suas veias. Não mudaria nada naquele momento, absolutamente nada. Começaram a embalar uma ladeira escorregadia e arriscada, aonde ela os levaria era apavorante e fantástico demais para pensar a respeito. Não queria pensar, apenas descer mais fundo, usufruir das migalhas de Sasuke e mostrar a ele que podia ser tão boa quanto qualquer outra, tão boa quanto Karin.

Ele abandonou seus lábios e se deteve por um minuto eterno, em silêncio, parado, apenas respirando. O aperto do corpo dele em torno do seu se afrouxou, e ela odiou a sensação. No mesmo instante seus olhos encheram-se.

— Eu realmente sinto muito. — disse Sasuke.

E então a deixou para trás, completamente sozinha.


Notas Finais




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