História Nostalgia - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Lesbicas, Romance Lésbico, Yuri
Exibições 222
Palavras 6.631
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


oooooiiii galeraaaaaa alo vocessss
cheguei!

demorei mais mesmo pq ia postar ontem mas só terminei tipo 4 da manhã
quer dizer
4 da manhã eu fui mexer no capítulo, na verdade

sabe um capítulo que tem tudo? acho que é esse
espero que surtem

Capítulo 17 - A Verônica é da Paola!


Pov Paola

- Você é mesmo o moleque mais inteligente que eu já conheci! – falei, apertando ele no abraço.

- E você é a irmã mais linda que eu tenho! – ele disse, todo empolgado. Por algum motivo, o garoto, filho da minha mãe, me adorava já antes de me conhecer. Talvez minha mãe gostasse de falar bem de mim mesmo que não estivesse nem aí pra mim.

Falando nela, estava nos observando, feliz da vida por nos darmos bem.

Mas não tinha como não gostar de um um garoto tão fofo e engraçado como o Rodrigo. Ele conversava sobre tudo e era realmente um amor.

- Mãe, eu preciso entrar. Quero ver como está tudo.

- Vem pra cá, Rodrigo. Sua irmã precisa trabalhar.

- Poxa... – lamentou, abraçando minhas pernas.

- Mas olha, amanhã a gente vai se ver, e brincar muito. – falei, abaixando pra ficar na altura dele. – Vou te levar pra tomar um sorvete, cola comigo?

- Colado! – batemos um high-five e ele abraçou minha mãe antes do pai dele levá-lo embora. O cara foi simpático comigo, apesar da aparência abatida de quem sofre um drama e uma perda.

- Daqui a pouco você vai poder entrar, mãe. Papai te acompanha. – ela assentiu e foi ficar perto dele.

Entrei no teatro, vendo o cenário maravilhoso e pronto, os atores aquecendo, alguns claramente nervosos, Rob dando dicas, e Verônica. Sentada no centro do palco, trajando seu figurino da primeira cena, que era: calcinha e sutiã descombinados, sutiã preto e calcinha roxa. E uma espécie de roupão por cima, porque estava meio frio ali.

Ela estava meditando, eu acho. Mas logo levantou e ajeitou o cabelo para um levemente bagunçado como a cena pedia, andando um pouco pelo palco.

Tudo o que eu conseguia pensar era nela na minha cama semana passada. No jeito que fodemos.

Tive flashes dela me jogando na cama e me olhando, me beijando, me chupando. Os gemidos, toques, abraços, beijos e palavras desconexas que faziam todo o sentido.

Eu nunca havia feito um sexo tão certo e tão sem propósito ao mesmo tempo. Estávamos apenas fodendo porque queríamos, porque bloqueamos a vontade tempo demais e não dava mais pra ignorar, mas… não era como fazer algo que ainda bem, já vai acabar e vai ser uma boa memória. Era muito diferente, era perfeito.

Como nos beijávamos e nos abraçávamos, compartilhávamos um nível de excitação altíssimo e fodemos com força, não perdendo o carinho nem na hora dos tapas.

Eu apanhei.

Parei de contar depois do meu quinto orgasmo. Verônica… meu Deus. Eu a fiz ejacular.

Preciso parar de falar disso ou vou atacá-la de novo.

- Paola! – esse grito é ouvido por algumas vozes, sou bem recebida. Alexandre, o garoto que interpretaria Marcelo, o namorado da Melissa (que morre) já estava desfilando de cueca e veio me abraçar e me carregou no abraço.

Verônica olhou pra mim e gargalhou com a cena. Depois fez uma cara que eu entendi como “preferia que fosse eu e não o macho, né?” e eu quase gritei pra ela vir pros meus braços.

Ambas concordamos em deixar toda essa poeira baixar e conversar sobre sentimentos assim que a peça fosse o sucesso que planeja-se, pela primeira apresentação estar esgotada.

Mas não tinha nada pra conversar. Todo lugar que eu ia, algo me lembrava ela e lembrar dela me lembrava do sexo e eu ficava viajando nisso. Era muito fogo por ela.

Abracei todo mundo, desejei boa sorte, agradeci pela dedicação deles, e depois pedi encarecidamente que Verônica desse atenção ao que eu falava, arrancando risadas de todos. Ela disse que escutou tudo mesmo do palco, e veio correndo me abraçar, pulando em mim.

Seminua.

- Isso que vocês fazem é uma fofura mesmo. – disse a Luísa. Verônica apertou mais as pernas na minha cintura.

- E aí, como se sente, pequena? – perguntei.

- Um pouco nervosa, mas maravilhosa! Feliz demais. – falou, olhando nos meus olhos. Mais uma vez, fui profundamente atraída. – Você está deslumbrante nesse vestido!

- Será que eu poderia beijar você?

- Não na frente de todo mundo. – mas me deu um selinho rápido e desceu do meu colo. – Por que quis me beijar? – não fazemos isso desde aquela noite. Mas só nos vimos uma vez depois daquilo.

- Pra dar boa sorte.

- Falta meia hora, pessoal! – alguém gritou e o povo já começou a se agitar mais.

- Vamos ver a maquiagem da Melissa, Paola. – em segundos eu estava nas coxias.

- Não posso ficar aqui. – ela riu e me levou até uma porta, a única parte do pequeno corredor depois das coxias que estava iluminada.

- Você já está indo embora. – me empurrou contra a parede ao lado da porta. E me beijou, apertando minha cintura com força toda vez que eu puxava um pouco seu cabelo.

- Não estou não. – troquei as posições, agora ela estava na parede. Uma das minhas coxas pressionando o meio das suas pernas.

- Paola, se eu ficar molhada vou ter que me apresentar molhada, esqueceu? Isso aqui é um figurino... – gemeu comigo beijando seu queixo e pescoço, descendo seu roupão pelos seus ombros.

- Esqueci. Desculpa. – diminuí o ritmo, mas não parei.

- Quero matar você por colocar a cena íntima do Marcelo com a Melissa no roteiro. Mataria por uma rapidinha antes de começar isso. – sorri pra ela e fiquei de joelhos.

Que bom que meu vestido longo me permitia isso.

Verônica arregalou os olhos.

- Tira essa calcinha que a gente resolve. – deslizei as mãos pelas suas coxas, sentindo sua pele macia, ela gemeu baixinho. – E sinto lhe informar que você já está molhada.

- Ai, porra… sim, me chupa. – ela falando isso quase me fez gemer.

- Tem certeza que ninguém vai chegar aqui?

- Não, mas... – ela soltou o ar. – Levanta, Paola. – segurou minhas mãos, que estavam em suas coxas e me ajudou a levantar, me abraçando pelo pescoço em seguida.

- Melhor a gente deixar isso pra depois, né? – falei, roçando o nariz no dela. Vero tirou o roupão e jogou num canto. Fiquei hipnotizada.

- Um caralho. Você não tem o direito de me tirar do sério e sair. – ela me puxou pela mão e entramos no breu completo, acho que fizemos algumas curvas, sei lá, só me deixei levar. Verônica parou e largou minha mão, eu a procurei no escuro, tocando seu ombro. Ela colocou algo na minha mão. Um tecido de algodão, eu acho. Pequeno.

- É o que eu estou pensando, Verônica?

- Prefiro deixar que a sua imaginação conclua. – riu e abriu uma porta. Ou pelo menos soava como uma porta. – Entra aqui.

- Não enxergo nada. – liguei a lanterna do celular.

- Desliga essa porra, não podemos ficar aqui! – ela sussurrou, mas estava quase gritando. A obedeci.

- Eu realmente estou com a sua calcinha na mão. Não dá pra acreditar. – sussurrei. Ela me puxou pra dentro de uma salinha onde tinham materiais de cenário e uma mesa de madeira sintética, eu acho. Foi o que pude ver nos segundos com a luz acesa. – É bom lugar pra discutir relação. – a sala cheirava a papel emborrachado.

- Primeira vez que entrei aqui, pensei em sexo. – e me empurrou na porta depois de fechá-la. Troquei as posições mais uma vez, beijando seu pescoço só pra sentir seu cheiro. – Gosto de lugares apertados, por algum motivo. Me deixam excitada. – falou ofegando, ansiosa. Como se eu já não soubesse disso.

- Aham, eu sei. – ela riu, selando nossos lábios. – Que tal uma conversa? Lábios nos lábios. – não dei tempo dela responder e ajoelhei novamente, beijando seu ventre só pra ela saber onde eu estava.

- Sim, agora. – coloquei uma perna dela sobre meus ombros. Verônica não podia ser tão cheirosa. – Rápido, Paola.

- Eu não consigo tratar você de qualquer jeito, Vero. – falei antes de beijá-la onde ela mais queria. Percebi que ela se arrepiou e gemeu, manhosa, acariciando meu cabelo. Que delícia, meu Deus.

Verônica estava toda molhada, não sei como ela pensou em entrar no palco daquele jeito.

Pov Verônica

Mais uma vez, eu não acredito que estava fazendo aquilo.

Mas eu não podia vestir calcinha na frente de um teatro lotado estando molhada daquele jeito.

Chame do que quiser, hoje eu vou chamar de: unir o útil ao agradável.

- Rápido, Paola. – se a peça atrasasse eu não sei como ia proceder.

Mas do jeito que eu estava, gozaria rápido. Igual a uma virgem.

- Eu não consigo tratar você de qualquer jeito, Vero. – a voz ficou mais rouca por sussurrar meu nome, eu arrepiei toda. Tanto pela frase, quanto por ter sido dita diante do meu sexo. Quis que ela estivesse falando de um campo muito maior do que o sexual. Mas não deixei esse pensamento dominar minha cabeça, ou ficaria triste. Ela não disse mais nada antes de beijar meu sexo com carinho.

Prendi a respiração momentaneamente, mas logo soltei o ar junto com um gemido longo, mas não alto. Levei a mão direita ao cabelo dela, incentivando-a. E praticamente rebolando na boca dela.

Se eu tivesse esse equilíbrio todo, estaria sim me esfregando nela.

- Caralho, essa boca. – sussurrei. Ela sorriu na minha boceta e mordeu de leve meu nervo antes de chupá-lo pra dentro da boca. – Paola… puta que pariu. – quando ela afastou a boca, um som de estalo se fez ouvir. E ela voltou com a língua, me levando a todos os paraísos possíveis.

Paola é a melhor pessoa que eu já conheci com a boca entre as minhas pernas. Porra, ela chupava tão gostoso. Ela fazia com que eu me sentisse gostosa. Como se ela não tivesse nunca provado algo melhor.

Não só isso, ela não dizia nada, se dedicava àquilo completamente. Queria que ali tivesse luz pra que eu pudesse vê-la me lambendo e chupando como estava sentindo. Meu corpo todo esquentou, aquele quartinho parecia uma fornalha.

- Paola…

- Mais rápido?

- Respira um pouquinho... – eu só não queria gozar imediatamente assim. Tínhamos mais tempo do que isso.

Ela suspirou, sem querer soprando no meu sexo, mais um arrepio.

- Acho que me viciei em você. Já sinto falta. – acariciou meu clitóris, o rosto encostado em minha coxa. Tremi, louca pra sentir logo esse orgasmo que fazia pressão no meu ventre.

Senti-me presa por aquele sutiã.

Minha mente vagava na visão dela entre minhas pernas fazendo a mesma coisa na cama dela, naquele dia. De como eu gozei e ela não teve nenhuma piedade de mim e me fodeu até que eu viesse outra vez. De todas as vezes que repetimos.

Nem conseguia respirar direito. Estava entregue aos sentidos, em especial ao tato. Porque não tinha visão.

- Você quem precisava respirar um pouquinho, não é? – assenti, só que ela não podia ver. Cuidado com a burra.

Na verdade, eu estava meio desnorteada, só conseguia pensar nela ali e nada mais.

- Não quero gritar. – senti seu sorriso na minha coxa. Ela voltou ao que fazia, penetrando a língua em mim. – Isso, Paola… Porra!

Eu gozaria até se não quisesse.

- Goza pra mim, Verônica. – disse, substituindo a língua por dois dedos entrando e saindo bem rápido e forte.

- Ah! – depois desse gemido, eu esqueci como emitir sons enquanto me derramava na boca dela, que estimulava o meu nervo e limpou tudo quando eu terminei.

Foi um orgasmo forte pra caralho, e os meus apoios pra não cair foram a mesa, e a cabeça dela, que eu provavelmente devo ter machucado com os puxões no cabelo.

Ela certificou-se de que eu poderia ficar em pé e levantou também. O cheiro de sexo se misturava com o cheiro do hidratante que eu passei e agora estava saindo, porque eu estava toda suada.

- Queria olhar seu rosto agora. Você é maravilhosa depois de gozar. – ri, ainda meio tonta. – Linda demais.

- Agora sim eu posso trabalhar. – sussurrei no ouvido dela.

- Sim. Estou louca pra te ver lá.

- Quanto tempo temos? – ela pegou o celular, que iluminou nós duas e o minúsculo ambiente. A boca dela brilhava, o cabelo estava bagunçado… Paola estava uma delícia.

Peguei minha calcinha em cima da mesa e vesti, sem sair da posição, colada na porta, Paola na frente.

- Quinze minutos. – segurei o queixo dela, tirando sua atenção do celular e a beijei. – Vamos sair daqui. Por favor. Está um forno. – ela disse, contra meus lábios, depois de sorrir com o beijo.

- E o cheiro de sexo? – ri, desencostando da porta pra abri-la.

- É o cheiro do seu sexo. E é uma delícia. – me abraçou por trás enquanto eu saía e beijou meu pescoço. Fui andando desse jeito com ela até as coxias, porque o povo já havia começado a entrar no teatro.

- Você sumiu, menina, tomei um susto! – Alexandre falou. Ele estava engraçado pra lá e pra cá de cueca, pronto pra nossa primeira cena. Muito simpático e bonito ele, vamos ser francas.

- Eu estava... – sem uma boa desculpa.

- Vero teve um mini-surto. Ficou suando e nervosa. Tá suando ainda. – riu Paola, deixando de me abraçar pra mostrar que eu estava mesmo suando.

- Mas já estou ótima, obrigada. – falei pra ela.

- Pronta? – ele perguntou, sorrindo e me estendendo a mão.

- Pronta. – peguei a mão dele. Paola pegou minha outra mão e não me deixou ir com ele. Voltei pra ela, largando o Alexandre.

- Devo dizer pra você quebrar a perna?

- Acho que eu ficaria honrada. – ela me abraçou com força. Eu queria era um beijo.

Acho melhor desacelerar minhas intenções e conter essas minhas vontades.

- Quebre a perna. – sussurrou no meu ouvido e mordeu minha orelha rapidamente. Empurrei ela, rindo.

- Vai logo que a gente tem que começar.

- Até a plateia. – ela disse, saindo. Aquele vestido, mesmo longo, deixou a bunda dela uma delícia.

- Podemos? – perguntei, me aproximando da Luísa e do Alexandre.

- Vocês estão juntas, né? – Luísa me perguntou.

- Não, não temos nada. – queria poder dizer que tínhamos tudo, mas paciência. Eu ainda desconfiava que me machucaria, mas estar com Paola era tão maravilhoso que eu esquecia disso.

- Ela te abraçando, parecia que estavam de chamego. – ele disse.

- Foi um abraço encorajador.

- Tô dizendo quando ela tava te abraçando lá atrás.

- Somos amigas carinhosas uma com a outra, que coisa. Vão os dois cuidar da própria vida, e deixem isso pra lá.

- Hmm... – tive que ignorar o Alexandre, né.

- Tá bom, Vê. – me abraçou de lado e beijou minha testa.

Pov Paola

- Que demora foi essa, viada? – Mariana quase berrou assim que eu cheguei ao meu lugarzinho maravilhoso e vip ao lado dela, da namorada dela e do Cris.

- Tava dando o rabo. – ele disse.

- Fale isso baixo, porra. – falei quando sentei. Eles falando essas coisas e os meus pais sentados na fileira de trás. – Eu fui dar uma força pro pessoal e estava com a Verônica.

- Não falei? Dando o rabo. – Laila gargalhou. Dei um muxoxo.

- Depois conto o que aconteceu. – todos os três sabiam que eu havia ficado com Vero lá em casa. Mariana me deu um tapa.

- Fala pra mim agora o que teve lá atrás dessa cortina.

- Atrás dessa cortina? Foi lá embaixo, num lugar que eu nunca iria se estivesse sozinha. Escuro pra caralho. – sussurrei.

- Não acredito que fodeu dentro do teatro. – ela disse mais alto do que eu disse antes, mas não foi alto e o burburinho impediu que nos dessem atenção.

- Só repare na felicidade e leveza que a Verônica vai estar em cima desse palco. – ela conteve a gargalhada.

- É só olhar pra sua cara de feliz, otária. Apaixonada.

- Cala a boca. Ainda estou vendo no que a Verônica vai dar. – era verdade, mas eu já tinha uma ideia, né.

- Você tá completamente otária já. Se é que um dia deixou de ser, porque…

- Paola? – interrompe nossa conversa. E parece que todo mundo calou pra olhar. – Oi, não… quis interromper nada.

- Não, tudo bem. Oi, Isabella. – levantei pra cumprimentá-la. Ela me beijou no rosto, fiz o mesmo e a abracei.

- Não podia perder a estreia.

- Eu não iria gostar se não viesse, sabendo o quanto gosta de teatro. – estava sendo sincera. – Como você tá?

- Sei lá. E você? Parece ótima. – foi a primeira vez que eu me preocupei se ela tivesse escutado algo.

- É, tô bem. – a última chamada pra gente sentar tocou. Fiquei sem saber o que falar, mas achei que devesse, então me voltei à minha mãe. – Mãe, essa aqui é a Isabella. – Bella levantou as sobrancelhas.

- Prazer, Cecília. – disse a minha mãe, sem se mover muito. Estava um pouco mais fraca do que antes, hoje.

- Prazer, Isabella. – ela deu a volta e foi dar dois beijinhos na minha mãe. E voltou. – Eu vou pro meu lugar ali. – e apontou o lugar. Apontou porque o assento ao lado dela estava vazio.

Eu poderia ir sentar do lado dela. Mas não faria sentido, por um milhão de motivos.

Pra começar, eu conhecia Isabella e muito bem, sabia que se fosse sentar ao lado dela, se ela não começasse a conversar comigo sobre nós durante a peça (ou em todas as cenas que Verônica passasse, só pra provocar), depois da peça ela faria isso. O seguinte é que Isabella queria (talvez fosse inconsciente) que eu me afastasse da Verônica e tentava fazer isso o tempo inteiro, só que sem nunca dizer “não quero que fale com a Verônica”.

Ela sempre foi sutil. Mesmo dizendo a torto e a direito que a Verônica não voltou pra coisa boa, que eu deveria ter cuidado e tudo mais.

Bella é uma namorada sensacional. Mas se ela ia me alfinetar e me tirar do sério por elogio ou menção que eu fizesse a Verônica, só porque ela é minha ex, não ia dar certo mesmo (considerando que eu não tivesse sentimento algum por Verônica).

Tudo bem, eu estava mesmo encantadíssima pela Vero, mas eu nem estava dando atenção a isso. Isabella sabia disso. E resolveu insistir nesse ponto até que eu desse a atenção devida às coisas que estavam dentro de mim.

Ainda bem que ela fez isso. Porque aconteceria, eu e a Verônica.

Eu não desliguei meus receios porque estava solteira. Simplesmente desliguei e a beijei. Fiz o que eu queria e minha mente praticamente me obrigou a fazer. Se acontecesse sem que eu pudesse controlar, eu a trairia e seria horrível, eu estaria morrendo de arrependimento agora.

O que quero dizer é que só tá tudo bem comigo hoje porque a Isabella é desse jeito e tinha esse ciúme chato. E mesmo que ciúme seja algo péssimo, o dela a protegeu de uma queda maior. E protegeu a mim e a Verônica também, querendo ou não.

- Tudo bem, vai lá. – ela sorriu sem mostrar os dentes e foi. As luzes abaixaram e eu tratei de sentar no meu lugar, sentindo uma ansiedade que não sabia de onde vinha.

- Que climão. – comentou a Mari.

- Nada, tá tudo bem. Ela vai ficar bem.

A primeira cena era Melissa e o namorado na cama. Por isso as roupas íntimas.

Claro que não era nenhuma cena sexual, até porque eu não começaria meu livro com sexo hétero, imagina a peça. É só uma insinuação de que eles são íntimos e por isso transam.

Ele a abraçava, e ela dormia enquanto ele a acariciava e a observava, completamente apaixonado. E falava algumas coisas, lindíssimo, até o Cris fez um pequeno comentário sobre o quanto ele era gostoso, mas eu não prestava atenção nisso.

Eu olhava para a mulher nos braços dele. Mesmo que ela ainda não tivesse feito nada, eu sentia um orgulho enorme dela. Acho que choraria quando realmente começasse.

Logo os dois começam a conversar, se vestir e eu só falto babar por ver meus personagens com vida. E ver Verônica. Tão linda dizendo “eu sou Melissa e nada me derruba”, e depois tropeçando fofamente em algo no chão, quis pegá-la no colo.

E quis mais ainda quando ela ficou triste e chorou a morte do namorado.

Verônica estava maravilhosa. Quando ela chorou, doeu muito. Quando ela ria, eu sorria boba. Ver a Melissa no corpo da Verônica me fez feliz como há muito eu não ficava.

Mas infelizmente, já estava acabando.

- Perfeita. – sussurrou a Mariana pra mim. – A Vero tá perfeita.

- Concordo plenamente.

- Você tá apaixonada.

- Deslumbrada. Encantada. Te deixo chamar como quiser.

- Apaixonada.

- Pode ser.

Uma música instrumental começou a tocar, Melissa e Larissa dançaram.

Aquela mesma dança que eu vi entre as duas e enxerguei Verônica e Luísa.

Era Melissa e Larissa. E mais ensaiadas, sincronizadas e conectadas do que nunca. Maravilhosas.

Se naquele dia eu soubesse que isso seria uma cena da peça, eu não sentiria ciúmes.

Na cena final, Larissa se senta na beira do palco, e Melissa a observa. Um holofote a ilumina.

- Não acredito que estou finalmente tirando isso do meu peito. Ela parece um sonho, e ela me ama! E eu a amo! Achei que isso só acontecia uma vez na vida, e já tinha acontecido comigo. – Melissa suspira e volta a falar. – Mar, meu amor, sei que onde estiver, está a favor de nós duas. E se não estiver, bom, você nos apresentou, a culpa é sua. – riu. – Você foi maravilhoso e é insubstituível, eu vou te amar pra sempre. Mas não consigo mais conter, ou esconder, ou fingir que não existe eu e a Lari. – Verônica olhou pra mim, suspirando como estava no script.

- Eu vou chorar. – falei baixinho. Ela sorriu, mas isso não tava no script, então ela tentou conter. Mas não deu certo.

- O amor acontece com as pessoas. Aconteceu comigo duas vezes. Não sei se é normal ou se é pra sempre, se acontecerá outra vez ou nem pensar. Mas eu faço de tudo pelo amor. Eu amo. E eu te amo. – disse, olhando pra Larissa, que olhou pra ela e a chamou com a mão. Sem saber de nada que Melissa havia dito.

- Por que estava parada ali, Mel? – Melissa sorriu, olhando pra ela. E nada disse, apenas a beijou.

A plateia gritou e eu também.

Sim, permiti que as duas se beijassem na peça, coisa que não fiz no livro, e inclusive escrevi essa cena final.

As duas sorriram uma pra outra no beijo.

E a cortina fechou devagar.

Os aplausos começaram, e antes que a cortina fechasse por inteiro, Luísa beijou Verônica várias vezes. Vários selinhos.

Digo, Larissa beijou Melissa.

Aliás, foi a Luísa sim, se aproveitando pra beijar a Vero. Tirou vantagem, com certeza. Safada.

Mas foram poucos segundos, logo aquela merda fechou e só me restou aplaudir, porque eu estava muito feliz.

E orgulhosa. Os aplausos eram, em parte, pra mim também.

- Arrasou, amiga. Só não mais que a Vero. – concordei com a Mari, agradecendo. A cortina abriu novamente, todos agradeceram e acabou.

Levou alguns minutos até que o espaço já estivesse quase completamente vazio, eu recebia o elogio e a aprovação dos meus amigos e parentes que vieram. Também da mãe da Verônica e do Daniel, que me abraçaram. A mãe dela até agradeceu pela chance que eu estava dando à filha dela (de trabalhar na peça), eu disse a ela que não fiz nada, o talento de Verônica fez.

Minha mãe adorou. E disse ter visto a minha empolgação com a Verônica, mesmo me vendo de costas. Não pude deixar de rir e fazer a sonsa.

- Paola. – Isabella me chama. - Podemos conversar? – fui até ela.

- Claro.

- É sobre nós. – ela fez uma cara meio “vai conversar mesmo, né?”. Pela primeira vez nas nossas vidas Isabella me deu opção sobre conversar alguma coisa. Olha só.

- Já imaginava. Senta aí. – indiquei os lugares atrás de mim, um pouco distantes de onde eu estava. Sentamos juntas.

- Quero saber como se sente.

- Muito feliz com o que acabou de acontecer. Mas em relação a nós, sinto que… tomei a decisão certa. – ela assentiu. – Semana passada a minha mãe voltou dizendo que estava morrendo e pediu perdão. Eu me desestabelizei completamente mais uma vez. Mas juntei os pedaços, e… foi bom o que fiz. Você se machucaria muito mais se continuássemos.

- É, acho que sim. Então está com a Verônica?

- Não sei. Talvez seja algo.

- É algo com certeza. Não precisa esconder de mim.

- Mas… não foi intencional, sabe? Fazer isso com você. E não foi um lixo o tempo que passamos juntas. Você é maravilhosa, tem uma voz linda, é muito gata, uma namorada excelente e dedicada, apesar de muito insistente. Mas eu gostava até disso. Obrigada por compartilhar esse tempo comigo.

- Você é perfeita, Paola. – ela não é muito certa não. – Eu já imaginava que isso fosse acontecer. Sinceramente, vou sofrer pra caralho, mas não estou com raiva de você como estive de todas as minhas ex no dia em que me deixaram. – soou como se fossem muitas, mas nem eram. – Até isso você conseguiu anular. Se Verônica não enxergar ou valorizar a mulher que tem do lado, me chama que eu dou um sacode nela.

- Parece até que é valentona. – ri.

- Não mesmo, mas sei intimidar, né? – sorriu, tímida. Essa menina é linda demais, que merda, eu a fiz sofrer.

Mais uma que eu fiz sofrer. Dessa vez, eu preciso fazer tudo certo com a Vero.

- Sabe. Qualquer coisa chamo você pra dar um susto na Vero. – ela riu.

- Você foi a primeira mulher que conseguiu me deixar apaixonada. – suspirou. Acariciei a mão dela que eu já estava segurando há um tempo.

- Cuidei bem de você, não é?

- Muito. Me fez feliz pra caramba. Você é uma ótima companhia. Até teve paciência quando eu estava um pé no saco, o que agradeço.

- Eu deveria ser premiada por isso. – rimos.

- Deveria sim, com certeza. A peça foi linda. E eu vi seu sorriso bobo pra ela.  

- Ahn…

- Não, sério, felicidades pra vocês. E força pra sua mãe, ok?

- Ok.

- Já vou.

- Tchau, Bella. – ela me abraçou com força, a abracei de volta, triste pelas lembranças que eu tive, feliz por terminar aquele ciclo com ela.

- Tchau.

Pov Verônica

- Eu amo vocês! – gritou a Luísa. – Foi lindoooooo!

- Foi mesmo. – falei, emocionada. Não acredito que foi perfeito.

- Sua boca é muito boa.

- Eu percebi que você gostou, Luísa. Nem vou te dizer nada.

- Me dá mais um beijo.

- Não.

- A Verônica é da Paola! – ela gritou. – Eu tava certa, gente!

- Vai se foder, só tá falando isso porque eu não quis beijar você!

- Vero querida, a gente só aguarda você e a Paola assumirem isso aí.

Eu fiquei lá mais um pouco com eles, mas pensando nessa frase. Que eu não lembro nem quem foi que disse.

Logo desci pra falar com o pessoal. Fui abraçada por todo mundo. E quando desci, a Mariana quase me amassou com seus quase dois metros (1,73). Todo mundo me parabenizou, meus pais, meu irmão me abraçou com toda a força dele, e eu me senti maravilhosa, feliz demais.

É, mas a Paola nada de aparecer.

- Dessa vez a Paola fez algo que preste. – disse o meu pai. Quase bati na testa. Daniel segurou o riso. Ele sabia que eu tinha transado com Paola.

Papai que sonhasse com um negócio desses.

- O trabalho dela foi sensacional. – falei. A mãe da Paola me chamou pra sentar com ela.

- O que essa mulher quer com você? – meu pai perguntou. Dei de ombros. – Ela não foi embora e largou a filha? – papai querendo saber dos babados.

- Depois te explico, pai. – fui até os amigos da Paola. – Cadê a Pá? – Mariana me abraçou pelos ombros e me beijou na testa. Eu tinha saudades de conversar com ela, era só rir o tempo todo.

- Ali com a… Isabella. – respondeu o Cris, amigo da Pá. Quando olhei, as duas estavam sentadas, a Paola segurando a mão da Isabella.

Mas que porra, viu?

- Ah, ok. – falei. E fui sentar com a mãe dela. Que começou a falar um monte, mas eu só dei atenção a poucas partes porque infelizmente estava pensando na cena Paola X Isabella que estava acontecendo atrás de mim e eu queria virar pra olhar como estavam as coisas, se elas já estavam no colo uma da outra.

Quando dei ouvidos, ela dizia sobre estar arrependida também pela forma como me tratou, e sobre achar que eu era o melhor pra filha dela.

- Não sei se ela acha o mesmo.

- Acha sim. Mesmo que ela demore um pouquinho com isso, ela acha. Paola vai lidar com o que sente melhor a partir de agora.

- Já está lidando. Sério, ela avançou bastante. – apesar de que eu considero ela ter me beijado aquele dia na praia um retrocesso. Porque eu tinha acabado de escutar sobre a sua confusão e do nada estávamos aos beijos. E mesmo assim, eu não freei a Paola em nenhum momento. Tenho minha parcela de culpa porque perdi a porra do controle e estava ainda desejando Paola em níveis alarmantes. E estava percebendo que não estava apenas no âmbito sexual, a coisa.

Mas eu já sabia que ia ficar desse jeito. E me machucar também.

Então pula isso.

- De verdade, eu lembro como você tomou conta da minha filha quando eu dei as costas pra ela. Essa outra menina que estava com a Paola parece ser ótima também, mas eu ainda prefiro você.

- É engraçado isso. A senhora me odiava. – ela riu. A conversa seguiu agradável. Acho que ela era uma pessoa legal se a gente desse uma chance. Porém falava muito.

- Já estão as duas falando mal de mim? – Paola chega, com um sorriso enorme. Por algum motivo, olhei pra onde a minha família estava, meu pai com os braços cruzados fuzilando a Paola, e Daniel pronto pra ter um ataque de riso por causa da reação do meu pai ao ver que eu e a Paola nos relacionamos, tipo conseguimos conversar uma com a outra. 

- Estava contando pra Verônica daquela vez que você achou um brinquedo sexual em casa e não sabia o que era... – gargalhei.

- Mãe! Sério isso?

- Não. – ri mais ainda da cara que a Paola tava fazendo e do alívio estampado no seu rosto agora. – Mas nesse dia, ela jurou que nunca ia fazer sexo na vida. – a mãe dela disse, se voltando pra mim. Gargalhei de novo.

- Ai mãe… Eu vou tirar a Verônica de perto de você. – me estendeu a mão, morta de vergonha. E eu morrendo de rir.

- Eu não vou, sua mãe é ótima!

- Mas eu quero falar com você, Vero.

- Eu tô aqui há um tempão. Por que não veio antes?

- Eu estava conversando com a Isabella.

- Pois é.

- Mas eu precisava me resolver com ela.

- Eu não estou dizendo nada sobre sua conversa com ela. Mas fiquei esperando vir falar comigo até ver você lá com ela.

- Faça as coisas com ela direito, Paola. – a mãe dela disse, só pra provocar. Não ri pra não quebrar a pose de séria que eu tava.

- Ok, já chega. Bora, Vero. – e me puxou pelo braço. Como resisti, meu corpo chocou com o dela. Empurrei Paola.

- Você é muito grossa. Deus me livre. Eu levantaria com toda a classe e iria.

- Tá brincando?

- Não brinquei quando disse que te esperei pra vir falar comigo. – cruzei os braços.

- Eu vim fazer isso agora. Dar parabéns à minha Melissa mais linda do mundo. – me abraçou e me carregou. Deitei no ombro dela quando fui carregada. – Você estava deslumbrante, perfeita, maravilhosa. Melhor do que tudo o que eu poderia imaginar. Só não gostei da Luísa te beijando com a cortina quase fechada. – me pôs no chão.

- Ok, foi melhor do que os outros me elogiando, obrigada.

- Claro, Verônica. Pra escrever eu tenho que ser boa com palavras. E além disso, eu não tirei os olhos de você a noite inteira.

- Tirou sim.

- Eu precisei conversar com a Bella. Terminamos de vez.

- Já não tinham feito isso?

- Se você continuar com essas perguntas e essa carinha de menina ciumenta, eu vou beijar você na frente desse povo que tá xeretando nossa conversa de longe. – o que eu diria pro meu pai? – E eu vi os olhares feios do seu pai. Desde que desci pra cá ele me olha desse jeito. Logo depois que eu voltei. Mal sabe ele que eu estava chupando você bem gostoso…

Porra de mulher filha da mãe, olha essa boca, falando que me chupou… Inferno.

- Para. – ela riu.

- Se ele não estivesse afim de me matar desde o dia em que me viu na porta dele, eu diria que ele sabe de algo.

- Se ele soubesse, uma de nós duas já estaria morta.

- Eu.

- Sim, você.

- Vamos contar pra ele? – perguntou como quem pergunta “tá com fome?”, eu me perguntei se ela estava se sentindo bem.

- Como quer contar pro meu pai se nem sabemos o que estamos fazendo?

- Estamos recomeçando. – deu de ombros. – Não é importante que ele saiba disso?

- Você não lembra o inferno que foi pra ele lidar com o fato de que eu estava namorando você?

[Flashback On]

- Pai, preciso falar algo... – sentei com ele no sofá. Domingo de manhã, Fórmula 1 na TV, papai de pijama e eu também, mas já pensando em terminar com isso pra poder passar o dia com Paola.

Completamos três semanas de namoro ontem.

- O que foi, filhota?

- Mamãe já sabe, e eu queria que ela te contasse, mas ela não quis, insistiu que eu deveria. Pai, nunca procurei de fato isso, mas sempre tive essa desconfiança em mim mesma… Ia acontecer de qualquer forma.

- Vá direto ao ponto, Verônica. – meu nome é muito grande, odeio quando meu pai o fala porque ele nunca usa algum apelido ou qualquer coisa pra suavizar.

Aí eu já fico intimidada.

- Eu estou apaixonada… E namorando.

- E por que dessa vez não contou quando começou a ficar com esse menino? Esperou começar a namorar pra me contar? – sim, eu contava pro meu pai quando começava a ficar com alguém. Porque eu tinha medo dele me pegar no flagra com a pessoa e me encher o saco depois, então eu falava logo.

- Pois é… não é um menino.

- Você está me dizendo que é lésbica? Que começou a namorar outra menina sem me contar nada?

- É, exatamente isso…

- Não, Verônica. Está brincando, né?

- Não, é sério. Ela me faz feliz, eu…

- Eu não aceito isso. Você não vai fazer isso. Eu quero ter netos, Verônica.

- Eu não sou estéril até onde sei e você também tem o Daniel, pai.

- Não acredito que sua mãe permitiu isso. Eu não permito, Verônica!

- Mas pai, eu não estou pedindo permissão… eu me apaixonei, não foi porque eu quis chatear o senhor ou qualquer coisa assim. Eu realmente amo a Pá.

- Essas meninas que fazem isso… adoram influenciar as outras, ela entrou na sua cabeça. Filha, você não tem nem jeito disso. É tão delicada...

- O que tem a ver? Ah, que preconceito ridículo.

- É que eu não quero que a minha filha seja discriminada. E isso nem é certo. O homem e a mulher são complementares.

- Se não quer que eu sofra preconceito, deveria começar não sendo preconceituoso comigo. Se eu tivesse escolha, não me apaixonaria pela Paola. – mentiraaaaaaa

Eu estava nas nuvens agora, me apaixonaria sim.

- É aquela menina que apareceu aqui de madrugada?

- É. A mãe dela destruiu os sentimentos dela. Disse coisas horríveis. Ela quis se matar. Tive que pedir à mamãe pra ir buscá-la antes que alguma tragédia acontecesse. Por isso tive que contar.

- Eu disse algo que possa te fazer querer se matar?

- Não, pai. Mas eu queria que não fosse preconceituoso.

- Não estou sendo. Apenas não entendo como isso aconteceu. E não quero que você fique falada.

- Século XXI, pai. Ninguém liga mais pra opinião alheia.

- Eu vou tentar processar isso direito. Pode ir pro seu quarto se arrumar pra onde você falou que iria.

- Sair com a Paola. – ele deu um muxoxo e não disse mais nada.

[Flashback Off]

Ele ficou foi com medo de que eu me matasse.

E quando teve certeza de que eu não faria isso, tomou antipatia da Paola. Não gostava que ela aparecesse lá em casa, e todas as vezes que me via suspirando pelos cantos fazia algum comentário ligeiramente desagradável.

Eu e minha mãe tivemos outra conversa com ele, porque depois de mais de um ano de relacionamento eu não aguentava mais isso.

E ele tentou incluir a Pá no seleto grupo de pessoas com quem ele é simpático e amoroso sempre (família). Deu certo, ela começou até a ir aos almoços em casa nos domingos, até que terminamos.

A maneira como terminamos fez meu pai pintar Paola como o Satanás em forma de mulher. Pronta pra causar o mal à filhinha dele.

- Lembro, mas hoje ele já está ciente de que a filhota gosta de mulher.

- E você é a única que não é permitida nem ser citada lá em casa.

- Ele deve ter algum trauma comigo.

- Você sabe porque ele te odeia, Paola, não faz a sonsa. – ela assentiu.

- É que contigo aqui, perto, comigo, eu tento ao máximo não pensar no passado. E na maioria do tempo consigo. – acariciou meu rosto. – Porque penso em você.

- Eu também faço isso, Pá.

- Tenta não pensar no passado ou pensa em mim? – ela ainda estava com a mão no meu rosto, fazendo carinho.

- Ambos.

- Você é… linda demais. – meu coração errou a batida.

“Verônica, nunca ouviu um “você é linda” antes?”

Já. Claro, inclusive dela. Mas Paola suspirou enquanto falava, acho que ela pensou isso, disse mais no automático do que qualquer coisa. Soou completamente apaixonada. Por um momento eu me senti dominando-a. No bom sentido, e fora da cama. Dominando seus pensamentos.

- Foi bem bobo isso, não foi?

- Muito. – segurei a mão dela e entrelacei nossos dedos. – Mas eu nunca fui contra a sua bobeira. E eu sei que a boba do relacionamento sou eu. Você só foi boba antes de mim, dessa vez. – ela sorriu. – Dá um beijo?

- É, você é mesmo a boba desse relacionamento.

Mas pelo menos eu tenho agora um pouco mais de segurança e a boca dela pra beijar.

E um pai pronto pra fazer picadinho de Paola também.

- Quero passar a noite com você. – quero passar a vida com vocêeeee

- Dá pra sair de fininho?

- O que é que a gente consegue fazer de fininho? – ri.

- Vamos fingir que não fizemos isso, nos separar e mais tarde a gente se encontra lá em casa.

- Mais tarde já vai ser de madrugada...

- E qual o problema?

- O que vamos fazer na sua casa? – fingindo inocência, claro.

- Comemorar, Paola. Foi uma noite muito boa.

- Não foi. Não acabou ainda. – selou nossos lábios. – Veste aquela lingerie preta, por favor? Não consigo esquecer dela. – falou enquanto eu me afastava dela. Poxa, eu estava com uma vermelha hoje.

- Fica aí esperando me achar vestida quando chegar lá.

- Porra…


Notas Finais


é o seguinte manas, vocês usam spotify? eu, a louca das playlist, uso e fiz uma playlist pra essas duas, que tô curtindo pra caramba
eu só tenho playlist grande, acho que todas as minhas tem mais de duas horas, então aceito sugestões de músicas que fazem vocês pensarem nessas duas ou que vocês ouviram enquanto liam e acharam legal, eu coloco lá as músicas sugeridas
quem quiser dar uma olhada, ouvir, aqui o link https://open.spotify.com/user/22mv5rbuom6pahkyjr3q6itla/playlist/2XZIv7XbmpkpaEtlPW87oy
quem quiser me seguir tbm ou dar uma olhada nas minhas (mil) outras playlists, à vontade

até mais pessoal, amooooor no fim de semana!


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