História Notas sobre ela - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camila Cabello, Camren, Lauren Jauregui, Lésbica
Exibições 101
Palavras 2.522
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Orange, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Vejo vocês lá embaixo!

Capítulo 3 - Breu


Fanfic / Fanfiction Notas sobre ela - Capítulo 3 - Breu

     Notas sobre ela: é uma jogadora nata. O mundo é seu tabuleiro, e as pessoas são as peças.

     Os dias passavam rápido, e quando me dei conta, o fim de setembro chegara, trazendo consigo folhas avermelhadas pelas calçadas por onde andava e toneladas de trabalhos e exames para o último ano da Miami Springs High School.
     Batuquei com a parte de trás da caneta no pesado livro de álgebra, os olhos perdidos na árvore amarelada do outro lado da rua.
     - Como vão os estudos?
     Lancei um olhar para minha mãe, que trazia uma bandeja com biscoitos e leite morno.
     - Nada bons - suspirei, esfregando os olhos - Quem inventou os números e o que essa pessoa tinha na cabeça?
     Mergulhei um cookie no leite fumegante antes de levá-lo à boca.
     - Deveria dar uma pausa. - sugeriu, dobrando algumas roupas que eu largara na cama mais cedo. - O Tyler não está jogando hoje?
     Assenti mecanicamente, pensando em como a escola e faculdade de Tyler estavam afetando o nosso relacionamento. Só nos víamos na saída. Seu jipe azul estava lá me esperando todos os dias, e então ele dirigia até minha casa, enquanto ambos reclamavamos dos trabalhos e aulas que tiveramos naquele dia. Se tivesse sorte, ele me acompanharia até a porta.
     Parecíamos um casal de velhos.
     - Por que não vai vê-lo? Aposto que ele gostaria da surpresa...
     Fiz uma careta para as complicadas fórmulas à minha frente.
     - Mas e a prova de álgebra?
     - Vai conseguir se concentrar se continuar estudando? - neguei tristemente com a cabeça - Então vá, vá logo se arrumar!
     Encarei o livro por mais alguns segundos antes de me render.
     - Mãe! - chamei quando ela ia saindo - Posso pegar seu carro emprestado?
     Clara riu.
     - Boa tentativa. Deixo o dinheiro do taxi encima da mesa.
     Bufei e revirei os olhos. Bom, era melhor do que nada.

     O estádio da Miami College estava lotado. Tive muita sorte de conseguir um ingresso antes que eles esgotassem por completo. Pessoas com os rostos pintados gritavam alucinadas e as líderes de torcida finalizavam sua apresentação quando eu, Normani e Dinah Jane tomamos nossos assentos, espremidas na primeira fila.
     - Os americanos levam baseball muito à sério - gritou Dinah para sobrepor a balbúrdia, fazendo uma careta quando o mascote da Miami College atravessou o campo executando uma dança obcena.
     Concordei com a cabeça vasculhando os jogadores que entravam em campo em busca de Tyler. Ele tinha o número dois na parte de trás do uniforme branco, juntamente com seu sobrenome em letras maiúsculas e azuis.
     Coloquei-me de pé, acenando mas meu grito se perdeu em meio ao urro da multidão. O árbitro apitou e a partida começou.
     Dizer que eu não entendia nada de baseball era pouco. Meus olhos corriam de um lado para o outro do campo, tentando entender os gritos dos jogadores entre sí e os lançamentos complicados da pequena bola que era repetidamente rebatida pelo enorme taco que Tyler empunhava, marcando pontos para o time da casa.
     O intervalo veio e as líderes de torcida voltaram ao campo com seus mini uniformes e pom-pons. Uma música animada soou pelos auto-falantes espalhados pelo estádio.
     - Lauren, vou comprar bebidas. Quer algo também? - disse Mani, berrando em meu ouvido.
     - Só uma água. - pedi.
     Normani saiu, se equilibrando nos saltos altos enquanto a loira a seguia de perto, murmurando algo no ouvido de minha amiga que fez ambas rirem espalhafatosamente.
     Ajeitei o boné que Tyler me dera com a logotipo do time quando senti um cutucão insistente nas costas.
     - Está sozinha, princesa? - falou um garoto que cheirava a cerveja de forma enrolada. Seus rosto tinha as iniciais MC pintadas em azul e branco, uma em cada bochecha.
     O jogo recomeçou.
     - Tá vendo o número dois, Yohn? - apontei com um sorriso - É meu namorado.
     O garoto se retirou xingando baixo. Ri comigo mesma, sentindo uma pontada de orgulho ao ver Tyler rebatendo a bola com força o suficiente para atravessar o campo todo.
     No decorrer do jogo comecei a ter uma vaga ideia do que se tratavam os passes e comemorava com a torcida sempre que o time de Tyler marcava um ponto. Sempre que a bola era rebatida três vezes seguidas, o rebatedor tinha o direito de avançar uma das nove bases. No final o time que tivesse avançado mais vezes, seria o vencedor.
     O Miami College e o time de Manhattan estavam empatados quando, faltando 40 segundos para o apito final, Tyler rebateu a terceira bola com maestria, e finalizou o jogo com uma corrida perfeita até a última base.
     - Yohn, Yohn, Yohn! - gritavam todos em uníssono quando outros oito jogadores de azul e branco se empilharam por cima de Tyler numa comemoração brutal da vitória.
     Meu coração batia muito rápido. Olhei em volta sorrindo, para só então perceber que Dinah e Normani ainda não haviam voltado com as bebidas. Procurei-as nas arquibancadas de cima e no corredor de saída antes de discar o numero em meu celular.
     - Alô - atendeu Normani ofegante no terceiro toque.
     - Onde vocês estão? O jogo acabou - afastei-me da algazarra para poder ouvir.
     - Hum, a Dinah não estava se sentindo bem então viemos para o carro.
     Risadinhas soaram do outro lado da linha, seguidas de um "saí daí Dinah!" abafado. Franzi o cenho para a minha imagem refletida no espelho do banheiro.
     - Ah, está tudo bem? Quer que eu vá até aí?
     - Não! - respondeu prontamente - Quer dizer, vou só levar ela pra casa. Vai lá comemorar com o Ty.
     Ela desligou antes que eu pudesse protestar. Encarei a tela do celular, desconfiada. O que as duas estavam aprontando? Anotei mentalmente que deveria falar com Normani sobre a ligação estranha num outro momento.
     Minha atenção se voltou para a garota do espelho. Refiz cuidadosamente o rabo de cavalo que usava por baixo do boné e amarrei o casaco ao redor cintura antes de ir em direção aos vestiários.
     Um segurança me parou na entrada.
     - Não pode passar daqui, mocinha - avisou se pondo na minha frente.
     - Eu posso falar com o Tyler Yohn rapidinho? - pedi sorrindo com orgulho ao acrescentar - Sou a namorada dele.
     O homem me encarou com ironia.
     - É claro que é. - caçoou.
     Cruzei os braços, unindo as sobrancelhas.
     - Eu sou namorada dele. Pode ir lá perguntar. Me chamo Lauren Jauregui.
     - Só pessoas autorizadas podem entrar aqui. - insistiu, irrefutável - Se quiser vê-lo, espere aí fora.
     Bufei, sem acreditar. Aquilo não podia estar acontecendo. Recusava-me a acreditar que saíra de casa numa sexta a noite para ser barrada por um segurança arrogante e metido a besta.
     Fui pisando firme para fora do prédio de vestiários. Encontrei um banco ali perto e sentei contrariada. A raiva fazia meu sangue ferver.
     Quando eu falasse com Tyler iria contar o que o segurança fez. Eu iria...
     Vozes no corredor calaram minha fúria silenciosa.
     - Vamos, cara! Vai estar cheio de gatinhas lá - dizia uma voz masculina, ecoando pelo espaço vazio - As garotas da torcida vão, e as Kappas também. Aquela gostosa que tá afim de você. Como se chama mesmo? Ah, a Hanna. Ela vai também.
     - Eu não sei, Dave. Eu... - aquela voz... Eu conhecia aquela voz.
     Prendi a respiração para ouvir melhor.
     - Você o quê, irmão? - fez o primeiro rindo - Só pode ser viado, se é solteiro e de maior, por que fugir de sexo e bebidas grátis?
     - Não sou viado, seu mané - defendeu-se o segundo - Tá, eu vou na droga da festa.
     Soltei o ar. Não podia ser ele, por que Tyler certamente não era solteiro e muito menos gay.
     Mas então seu rosto entrou em meu campo de visão, e foi como se uma flecha em chamas me atingisse em cheio no peito. Tyler.
     Levantei para ir embora sem ser vista, contudo, tropecei em uma lata de lixo e chamei a atenção dos dois garotos.
     Os olhos azuis de Tyler se arregalaram ao recairem sobre mim.
     - Lauren! Espera...
     Neguei com a cabeça, sem forças para emitir som algum. Minhas pernas se moveram por vontade própria. Corri às cegas pelo campo, e então pelas arquibancadas, até o estacionamento.
     "... Se é solteiro e de maior, por que fugir de sexo e bebidas grátis?"
     As palavras sarcásticas se repetiam em minha cabeça quando fiz sinal para um taxi parar.
     "... se é solteiro e de maior..."
     Abri a porta de trás do carro quando uma mão agarrou-me pelo braço.
     - Lauren, me escuta amor - pediu ofegante.
    Meu estômago se contraiu.
     - Não me chama assim. - soltei-me com um puxão - Acho que já ouvi o bastante por uma noite.
     - Você entendeu tudo errado, Laur - insistiu tentando me abraçar. Desviei-me. Tinha a séria impressão de que iria vomitar ali mesmo - Deixa eu explicar, por favor.
     O ar saiu com força de meus pulmões.
     - Você tem um minuto. - murmurei com a voz trêmula.
     - Vai entrar menina? - indagou o taxista impacientemente.
     - Liga o taxímetro - devolvi rudemente.
     Tyler passou a mão pelos cabelos. Não conseguia olhar em seu rosto. Não conseguia.
     - Eu... Menti pra eles, pro pessoal do time - disse baixinho. Pude ouvir a vergonha em sua voz. - Aqueles caras são uns babacas. Sabe o quanto pegariam no meu pé se soubessem que estou com uma garota mais nova?
     Eu definitivamente ia vomitar.
     - Então tem vergonha de mim?  - cuspi sem conseguir controlar o volume de minha fala - Por que o único ano que nos separa fere a sua masculinidade, Tyler? Devia ter vergonha de sí mesmo.
     Seu rosto se contraiu.
     - Você está certa! Eu fui um idiota. Não há porque ter vergonha de você. Eu amo você, Lauren.
     A bile subiu, queimando minha garganta.
     - Não adianta dizer que me ama, Tyler - devolvi exausta. Meu corpo parecia pesar uma tonelada - Você precisa provar.
     Entrei no taxi, trancando a porta antes que ele pudesse dizer mais qualquer coisa. Observei sua figura parada no meio do estacionamento iluminado por postes enquanto o carro se afastava.
     Só permiti que as lágrimas que vinha prendendo rolassem livremente pelo meu rosto quando já não podia mais vê-lo.

     A noite de começo de outono estava fria. Saí do taxi há poucos metros de casa. Precisava me acalmar. Não poderia chegar daquele jeito, mamãe ia me encher de perguntas as quais eu não saberia responder naquele momento. Só queria esquecer aquela noite, esquecer Tyler e a dor em meu peito, pelo menos até que aquele dia acabasse.
     Andei vagarosamente, forçando minhas pernas a se moverem. Esquerda, direita. Para frente.
     As coisas não faziam sentido em minha cabeça. Tyler era a minha calma, meu porto seguro, minha única certeza. Por que doía tanto? Por que sentia aquele vazio enorme na boca do estômago? Por que...
     - Lauren? É você?
     Limpei discretamente uma lagrima antes de me virar para a voz.
     - Camila - falei fraquinho, odiando a rouquidão de minha voz. -Oi.
     Parei onde estava e esperei que a garota chegasse até mim.
     - Você está bem? - indagou avaliando-me cuidadosamente.
     Assenti, forçando um sorriso. Seus lábios se repuxaram nos cantos.
     - Sabe, você é uma péssima mentirosa, Lauren.
     Franzi o cenho.
     - Eu realmente não quero falar sobre isso, Camila - retruquei friamente.
     Suas mãos se ergueram no ar em rendição. A manga de seu casaco escorregou um pouco.
     - Tudo bem.
     - Tudo bem - repeti sem me mover.
     Nos encaramos por longos minutos. Seus olhos pareciam vasculhar cada canto de mim, cada pedaço do meu ser, enquanto eu procurava e procurava, sem conseguir passar daquele muro que ela construíra. Eu sabia que havia algo por trás daquela barreira. Talvez esse fosse o motivo de meu coração bater tão forte.
     - O que você está fazendo aqui? - perguntei, incomodada com o silêncio e com o que ela poderia saber sobre mim simplesmente por me observar daquela maneira.
     - O que você está fazendo aqui? - devolveu com uma risadinha que percorreu todo o meu corpo como um tremor.
     Arqueei uma sobrancelha.
     - Perguntei primeiro, Camila.
     Ela sorriu, pendendo a cabeça para o lado.
     - Vamos fazer um trato. - propôs - Respondo à sua pergunta se me acompanhar numa caminhada.
     Ponderei por breves segundos.
     - Parece justo. - concordei por fim.
     Camila estendeu-me o braço teatralmente. Aceitei-o, desviando os olhos ao ser atingida por uma onda de seu perfume.
     - E então, não vai responder? - insisti, o olhar fixo em meus All Stars vermelhos e em suas botas pretas que andavam sincronicamente.
     Um suspiro fez seu corpo tremer. Estava perto do meu. Muito perto.
     - Saí para tomar um ar. - explicou - Gosto de caminhar a noite. O céu está lindo hoje.
     Ergui a cabeça. Lá estavam elas, todas as estrelas e astros. Aquela era uma certeza. Tudo estaria lá enquanto eu vivesse.
     - Minha vez de perguntar.
     Enfiei as mãos nos bolsos, sem desemendar nossos braços.
     - Vá em frente.
     Paramos, e então percebi que estava na frente de casa. Como havia chegado até ali tão rápido?
     Meus olhos se costuraram aos de Camila. Por um momento, acreditei que jamais conseguiria respirar outra vez.
     - Por que olha pra mim desse jeito, Lauren? - questionou mordendo o canto do lábio inferior. Por algum motivo maior do que eu, senti minha boca se encharcar de saliva com o gesto.
     Soltei o ar cuidadosamente e engoli em seco.
     - Por que quero descobrir o que você esconde, Camila - respondi automaticamente.
     Seu rosto enrijeceu. Pude jurar que o castanho de seus olhos se tornou breu por um segundo.
     - Eu disse algo errado?
     Camila piscou e seu rosto se transformou outra vez. Lá estava o brilho de sarcasmo e o meio-sorriso provocante.
     - Não, você não disse - tranquilizou-me gentilmente - Está tarde. Chega de jogos por hoje.
     - Mas...
     As palavras se perderam quando Camila aproximou o rosto. Seus olhos penetravam tão fundo os meus que senti-me completamente nua. Seus lábios ressecados tocaram demoradamente a pele em minha bochecha, sua mão agarrava delicadamente o tecido de meu casaco na cintura.
     Não conseguia respirar. Não queria respirar, piscar ou mover um único músculo. Meu coração cavalgava freneticamente em meu peito. Eu não queria que ela se afastasse nunca.
     - Boa noite, Lauren - murmurou perto do meu ouvido com aquela voz que parecia música.
     Seu braço se desvencilhou do meu. Ela se afastou alguns passos sem se virar.
     - Boa noite, Camila - consegui sussurrar tão baixo que mal fazia som.
     Mas sabia que ela ouvira, pois o meio-sorriso estava lá quando ela virou de costas para mim.
     Observei enquanto ela ia embora. Mil perguntas e dúvidas giravam em minha cabeça como um tornado, destruindo tudo de conhecido pelo caminho. Mas a maior e mais urgente delas era clara como se estivesse escrita com tinta brilhante bem na frente de meu rosto.
     Quem era Camila Cabello?
    
  


Notas Finais


Bu! O que acharam? Não sejam leitores mudos por favoor, os comentários me deixam muito feliz mesmo. Favoritem a fic pra eu saber se estão gostando 💙
See ya.
-A


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