História Notas sobre ela - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camila Cabello, Camren, Lauren Jauregui, Lésbica
Exibições 36
Palavras 2.120
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Orange, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá!
Sei que o dia já está acabando, mas queria dedicar esse capítulo a uma pessoa que está se tornando universalmente maior de idade hoje.
Mesmo que você tenha 21 anos e não saiba lavar suas roupas sozinha ou fazer miojo sem queimar, eu queria que soubesse que é a pessoa mais incrível que já conheci. Incrivelmente caótica e constrangedora as vezes, mas ainda assim incrível. Happy birthday, baby 💙

Capítulo 7 - Improváveis probabilidades


Fanfic / Fanfiction Notas sobre ela - Capítulo 7 - Improváveis probabilidades

Notas sobre ela: em um mundo onde todos são lagoas rasas, ela é o oceano.



Meus olhos vagaram irritantemente pelo refeitório, mas eu já sabia que ela não estaria lá. Camila costumava almoçar no pátio, em uma das mesinhas de pedra que ninguém usava por conta das folhas que caiam da árvore gigantesca, cujos galhos altos sombreavam boa parte do gramado. Ela combinava com aquele cenário. Parecia pertencer à paisagem, com seus suéteres em tons neutros e botas de couro. Ela sempre estava sozinha, na companhia apenas de seus fones de ouvido. Perguntei-me que tipo de música ela costumava ouvir. Será que ela gostava de bandas antigas tanto quanto eu? Perguntei-me por que ela sempre estava sozinha. Seria eu a única a perceber a misteriosidade instigante de Camila Cabello?

- Não vai querer sobremesa? - indagou Normani. 

Percebi que encarava fixamente os potes de pudim de chocolate, sabe-se lá por quanto tempo. Peguei um com um suspiro e segui para a nossa mesa costumeira, no fundo do refeitório. 

A comida parecia ainda mais insosa do que de costume. Remexi o conteúdo do prato, desanimada. Minha mente era povoada por uma pessoa, um único rosto que se repetia continuamente. Camila. O modo como seus olhos me devoravam, o desejo que eu sentia de ser devorada e o que isso queria dizer.

Eu nunca questionara a minha sexualidade. Tudo bem, achava mulheres bonitas, mas nunca chegara a sentir desejo por uma. Até ela aparecer... Pegava-me perdida em suas curvas, imaginando como seria despir-lhe o corpo, sentir sua pele contra a minha, tocar-lhe os lábios e passear os dedos por seus cabelos...

Franzi o cenho para a minha salada de tomates. Aquilo não podia querer dizer que eu era... Lésbica. Não, não fazia nenhum sentido.

- Credo, Jauregui. Parece até que descobriu a cura pro câncer. Volta pra Terra.

Obriguei-me a olhar para minha amiga que mastigava preguiçosamente um pedaço de lasanha. 

A cura para o câncer. Ri internamente. Era uma piada de humor negro. Verídica, ao mesmo tempo que ria de si mesma em sua própria equivocação. Camila era como um câncer agressivo que se espalhara rapidamente por todo o meu corpo, afetando meu cérebro, meu coração e todo o meu sistema nervoso. Contudo, ao mesmo tempo que corroía meus órgãos internos, era a morfina que me poupava da dor de estar morrendo lentamente.

- Vamos, conte-me o que está te perturbando. É o Tyler? - insistiu, avaliando-me com aquele olhar de mãe que lê os pensamentos da filha.

Tomei um susto com a menção do nome. Meu estômago afundou. A rapidez com que a dor de ser magoada por meu ex namorado fora substituída pela dor constante de desejar Camila era quase vertiginosa. Sim, eu desejava Camila. Desejava e não podia tê-la. Principalmente agora que a realidade me atingira como um raio bem na cabeça. Se qualquer coisa acontecesse entre nós, isso destruiria Tyler, e eu não podia destruir Tyler, pois de alguma maneira totalmente altruísta e masoquista, eu ainda o amava.

Não, meu problema não era Tyler. Meu problema era sua prima com mania de peculiaridade, vinda diretamente do México no avião da perdição para virar meu mundo pelo avesso.

Normani arqueou as sobrancelhas. Ainda esperava uma resposta. Resposta essa que minha provável expressão estupefada não poderia dar.

- Eu... - comecei, mas não sabia o que falar, como definir o nó que engasgava minha garganta como se eu tivesse ingerido uma bola de gude grande junto com o suco de laranja no café da manhã. - Eu preciso sair daqui.

Levantei de um salto e joguei a mochila por sobre um ombro. Quase corri para fora. Meus olhos ardiam, mas eu não sentia vontade de chorar. Queria gritar e socar uma parede, e eu não era uma pessoa violenta. Minhas pernas guiavam-me erronicamente, e quando percebi para onde estava me dirigindo já era tarde demais.

A garota só ergueu os olhos quando larguei a mochila com um baque em cima da mesa.

- Você não pode fazer isso! Eu não posso fazer isso, Camila - ela ergueu o rosto, sobressaltada e tirou um dos lados do fone de ouvido. Arraquei o outro, exasperada - Eu não posso querer beijar você, não está certo. O Tyler foi a única pessoa que já me beijou e agora eu quero beijar você! Isso é confuso demais, você é prima dele e vem com toda essa peculiaridade pra cima de mim... Eu...

Levei ambas as mãos às laterais de minha cabeça, como se tivesse medo de ela explodir a qualquer momento. Estava hiperventilando. Cometi um erro. Um erro que rasgou brutalmente os últimos fios de minha sanidade. Ergui o olhar, hesitante, e lá estava ela, me fitando com o mundo nos olhos, com cores escondidas por trás do castanho, com mil palavras saltando-lhe das pupilas dilatadas. Palavras quase tão sólidas quando o chão sobre meus pés, que, contudo, insistiam em se esvair todas as vezes que eu me esforçava para focaliza-las.

Camila não se moveu. Não falou e não esboçou nenhum gesto insano de entendimento. Apenas me observou, com uma curiosidade infinita, uma curiosidade que eu não conseguia compreender. Por que eu? Por que, com todas as incontáveis possibilidades, ela resolvia me olhar daquele jeito? Todas as as prováveis respostas para meus questionamentos pareciam assustadoramente improváveis, e eu me sentia perdida, sugada para dentro do universo que a garota estática a minha frente era, desejando conhecer cada uma das estrelas de suas incontáveis constelações, estudar cada um dos anos luz que a fizeram ser quem era, e ser o tubo de oxigênio que a mantinha viva. Que a mantinha pulsando.

Segundos se transformaram rapidamente em minutos, e o silêncio se prolongava, sem que qualquer uma de nós ousasse quebrá-lo com as palavras erradas. 

Costumam dizer que gestos valem mais do que mil palavras, entretanto, nunca me deixei levar por tal filosofia de vida. Palavras eram tudo o que eu tinha. Não sabia como lidar com grandes gestos de afeto, grandes gestos de desgosto. Mas com as palavras, ah, com elas eu me dava muito bem! Ali, parada, com a boca idiotamente aberta e os olhos idiotamente perdidos nos dela, percebi que nada do que eu pudesse dizer seria o suficiente para desfazer a confusão que rondava meu cérebro. E essa realização fez todos os meus muros despencarem.

Totalmente entregue ao meu coração trôpego e irresponsável, sentei de frente para ela, com as pernas descansando uma de cada lado do banco frio de pedra. Camila virou-se de lado, de maneira que nossos olhos criavam uma ligação direta. 

Com uma delicadeza quase inquietante, Camila ergueu a mão esquerda, pairando-a a poucos centímetros da minha pele antes de tocar-me com a ponta de seus dedos frios. Primeiro, tocou minha testa, afastando algum fio de cabelo trazido pelo vento, e então desceu por meu nariz, indo parar em meus lábios. Ela se demorou ali. Seus olhos me fitavam com uma adoração que eu não conseguia entender. Ela não parecia acreditar que estava me tocando, e eu não conseguia acreditar em quanto tempo isso demorara para acontecer e em quão breve foi o gesto. 

Com um suspiro prolongado, daqueles que parecem durar séculos, Camila deixou que sua mão caísse de meu rosto para repousar sobre minha mão direita. Uma leve pressão foi exercida sobre meus dedos. Olhei para baixo, notando como as cores de nossas peles ficavam bem juntas, e então também notei que o contato de sua carne com a minha espalhava um calor gostoso por todo o meu braço, todo o meu corpo. Não o tipo de calor que queima, era mais do tipo que aquece. Camila me aquecia.

- Eu sei, Lauren - murmurou.

Fechei os olhos após ouvir sua voz. Eu poderia passar o dia todo ouvindo-a falar. Reabri-os após alguns segundos para encontrar seu olhar urgente, buscando uma confirmação de minha parte. Respirei fundo e maneei a cabeça positivamente, um gesto tão pequeno que apenas Camila, com sua proximidade calculada poderia ver.

- Eu sei, Camz. - repeti, esquecendo completamente da fúria angustiada que habitara meu ser pouco tempo antes.



Camila

O tempo pareceu passar de forma diferente depois de meu breve encontro com Lauren. A música que soava em meus fones de ouvido era triste e melancólica. Lembrava-me dela e de toda a impossibilidade de nossa situação. Situação está que, até onde eu sabia, podia ser apenas obra de minha imaginação. Contudo, lá estava eu, sonhando entre as folhas secas sobre o que poderia ser, sobre o beijo que deveria ter sido, e concluindo que, se pudesse, voltaria no tempo apenas para aproveitar aqueles breves segundos de felicidade irresponsável antes que a vida real me acordasse com um apito agudo de trem.

Eu não podia me dar ao luxo de ter meu coração ferido outra vez.

E era tão claro como água, Lauren Jauregui, com seus olhos capazes de mover montanhas, poderia tanto me proporcionar momentos de alegria extrema ou deixar-me em cacos espalhados pelo chão. A segunda alternativa me assustava muito.

Enquanto voltava para casa, acelerando perigosamente o veículo de duas rodas na rua vazia de meus tios, tive apenas duas certezas:

1) Lauren queria me beijar tanto quanto eu queria beijá-la;

2) No momento em que eu beijasse Lauren, tudo estaria perdido.



Camila

Podia parecer besteira para todos os outros seres no universo, mas tomar café da manhã em família era imprescindível para os Yohn, e mesmo que eu não me considerasse e nem me sentisse parte dessa família em questão, resignei-me a bravamente acordar as oito e meia de um sábado, para às nove em ponto estar ao redor da farta mesa na varanda daquela casa exageradamente bonita e exageradamente, bem... Exagerada.

- Bom dia, Mila - cumprimentou Riley.

Escolhi sentar-me ao seu lado. Baguncei-lhe os cabelos escorridos e alcancei uma tigela de cereal.

- Dormiu bem? - indaguei, querendo parecer gentil enquanto picava uma banana junto com o cereal e o leite.

Nossa breve conversa polida logo foi interrompida pelo resto da família, que não permitia falatórios desnecessários à mesa. 

Comi o mais rápido possível, tentando não parecer alvoroçada. Meu plano era voltar para a cama em seguida e dormir até um horário razoável, isto é, até as onze horas.

Levantei-me sorrateiramente para levar a louça suja na cozinha.

- Vamos sair em uma hora, Camila.

Parei como que pega no flagra. Virei-me lentamente para a mesa, de onde quatro pares de olhos me encaravam.

- Desculpe? - fiz em tom de pergunta. 

Era impressão minha ou o "vamos sair em uma hora" me acrescentava automaticamente?

- Vamos almoçar no parque. Lembra? Avisamos no jantar - explicou tia Audrey pacientemente, como se eu tivesse algum tipo de retardo mental.

- Eu... - vasculhei rapidamente em minha mente a lista rápida de evasivas guardadas para ocasiões como aquela - Tenho prova de física na segunda. Preciso mesmo estudar.

- Nem pense nisso - cortou meu tio, nem um pouco convencido - É o único sábado que teremos em família. Você pode estudar de noite ou amanhã.

Suspirei e assenti. Era inútil discutir com meus tios quando o assunto era manter a imagem de família perfeita e feliz. Mesmo que apenas um sábado por mês. 

Subi para trocar de roupas e, uma hora depois, munida de meu livro preferido, óculos de sol e fones de ouvido, posicionei-me no banco de trás do carro, espremida entre um Tyler alto e mais e uma Riley sonolenta demais.

O parque não era tão ruim, no fim das contas. Haviam árvores abundantes para que eu me protegesse do sol, a visita ocasionais de cãe que passeavam por ali e a visão estonteante das nuvens de algodão refletidas no lago.

Comemos sanduíches de pasta de amendoim e geléia com suco de groselha, e então observei enquanto Tyler golpeava masculamente o ar com um taco de baseball, meus tios conversavam baixinho como dois namorados e Riley saltava repetidamente no ar, treinando seus gritos de torcida. 

Aquela talvez fosse a família perfeita. Pais que se amavam, filhos bons e educados, nada de problemas anormais, nada de terapeutas e nada de uso de drogas ilícitas. É, eles realmente eram um model...

Foi então que a vi. 

Os raios cálidos de sol faziam seus cabelos dourados cintilar. Ela caminhava pacificamente, trazendo um cachorro pequeno e de farta pelagem branca preso a uma coleira.

- Aqui, Mia! - ouvi-a falar, abaixando-se para entregar algo na boca do animal. - Boa menina.

Tranquei o ar, na esperança de que isso me fizesse morrer e me misturar à terra antes de ser notada pela garota loira. Contudo, como sempre, minhas preces não foram atendidas.

Os olhos negros encontraram os meus e senti todas as minhas feridas se abrindo de dentro para fora, rasgando minha pele e minha alma.

- Camila?!

Fechei os olhos por menos de um segundo. Por aquele leve respirar, permiti-me ser a Camila frágil que se deixara destruir, e então, quando os reabri, havia me protegido com o mais forte dos materiais. 

- Sidney - constatei em tom resignado.


Notas Finais


Oi de novo!
Preciso mesmo saber o que acharam, a historia está começando a engrenar agora e é bem importante pra mim saber se vocês estão gostando. Não tenham medo de comentar, vou adorar responder a todos.
Até semana que vem!
-A


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