História Novos Sentimentos - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Magi: The Labyrinth of Magic
Personagens Ja'far, Sinbad
Tags Amorzinho, Fofura, Ja'far Adolescente, Pesadelos, Puberdade, Sinbad/jafar, Sinja
Exibições 31
Palavras 2.229
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fluffy, Shonen-Ai
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi, gente!! Então, esse capítulo é sobre o Ja'far de 14 anos tendo problemas para entender os próprios sentimentos.
Espero que gostem... Tem uma parte bem melosinha <3
Boa leitura ;)

Capítulo 1 - Capítulo Único


Ja’far encarou, desgostoso, o próprio reflexo. Nada ali o agradava. Com catorze anos, parecia possuir, no máximo, onze. Mesmo tendo crescido alguns centímetros, as crianças já o haviam passado. Sua pele era muito clara e livre de qualquer vestígio da puberdade (nada de espinhas ou pelos); e, para completar, aquelas malditas sardas.

  Suspirou enquanto tocava as bochechas. Os pontinhos que maculavam seu rosto só o faziam parecer ainda mais novo, com uma estúpida carinha de bebê. Como alguém o levaria a sério?

  No entanto, a aparência era o menor de seus problemas.

  Nos últimos tempos, vinha sendo tratado de um jeito esquisito pelos amigos. Sempre que uma jovem bonita se aproximava, eles faziam comentários estranhos e piadinhas, incentivando o mais novo a agir. Ja’far não entendeu nas primeiras vezes, achou simplesmente que os outros estavam ficando malucos, ou que tinham bebido demais. Mas, então, eles começaram a ser mais diretos, quase jogando o pobre garoto para cima das mulheres. Atitude que deixava Ja’far extremamente constrangido e irritado. Sinbad e Mystras eram os piores, mas até Drakon estava participando daquilo.

  O ex-assassino acabava por se enterrar no trabalho e nos estudos, só parando quando Rurumu o obrigava. Sempre que chegava em seu quarto, estava vazio, o que significava que Sinbad e os outros deviam estar em algum bordel... Era para ser um alívio, certo? Não teria que ouvir comentários estúpidos sobre sua falta de interesse pelas garotas ou aquelas risadinhas irritantes. Mas, sempre que imaginava Sinbad com uma mulher, seu estômago começava a se revirar. Era estranho, e ele não entendia o porquê.

  Mas, se ficava enjoado pensando em Sinbad com prostitutas, pior era quando o via conversado com a princesa Serendine. Eles estavam cada vez mais próximos, e isso fazia o coração do pequeno doer.

  Ja’far estava muito confuso, na verdade. Não compreendia o que sentia por Sinbad. Era só preocupação com seu amo e amigo, certo? Não queria que ele se machucasse ou ficasse mal visto por conta de seu comportamento. Claro, deveria ser só isso. Mas também tinha o seu desinteresse por mulheres... ele realmente não sabia o motivo daquilo. Sempre tentava se convencer de que tinha muito trabalho e nenhum tempo para essas coisas. Ele só queria... Droga, ele só queria...

  Não sabia o que queria. Mas era tudo culpa daquelas malditas sardas!

  (...)

  O pesadelo começou como de costume.

  Ja’far tinha seis anos novamente. Podia ver as lâminas afiadas, maiores que suas mãos.

  - Mate-os, Ja’far. – Mandou a voz. Podia escutar as súplicas de sua mãe. Implorava que ele realmente os matasse. Era necessário. Então, o pequeno garotinho o fez. As lágrimas escorrendo por seu rosto assustado.

  Sangue.

 Ja’far podia sentir o líquido viscoso em todo o seu corpo, além da poça que ia se espalhando pelo chão, ensopando seus pés descalços. O cheiro metálico ficaria para sempre guardado em sua mente. Os lábios do pequeno abriram-se, mas não emitiram som. Já’far estava paralisado, chocado e aterrorizado demais para gritar.

  Logo passou a reviver todos os assassinatos que cometera, um a um. Via o rosto apavorado de suas vítimas, podia sentir seu medo.

  Ele mantinha-se consciente em seu sonho, e aquilo era comum. Já estava acostumado. Quando a última pessoa morta por suas mãos desapareceu, sentiu a conhecida onda de alívio. Era o fim, ele acordaria...

  Mas não foi o que aconteceu. O sonho simplesmente mudou.

  Ja’far andava pela companhia, estava escuro, muito escuro. Seus passos descalços eram silenciosos, da forma como só um assassino sabia ser.

  O que estava acontecendo? Ele nunca sonhara com aquilo.

  Então ele a viu. A bela mulher escondia-se por trás de um pergaminho, os cabelos brilhando à luz das velas.

  “Não”, pensou o jovem. “Ela não... Por favor”.

  Mas continuou se movendo, não tinha controle sobre o próprio corpo.

  - Ja’far! – Assustou-se ao vê-lo tão próximo. – Que susto você me deu, querido... Ainda acordado? Algum problema? – Ela, então, soltou um arquejo de surpresa. Ja’far estava coberto de sangue, as lâminas afiadas pendiam de suas mãos. - Ja’far, o que está acon..? -  Com uma velocidade assustadora, o assassino acertou sua garganta. Ouviu o som da carne rasgando, e pôde ver quando a luz deixou os olhos daquela que considerava uma mãe.

  Para o seu desespero, o sonho não parou ali. Ele também se viu matando Hinahoho, Vittel, Mahad, Masrur, Sharrkan, Serendine... A lista era infinita e, a cada morte, seu coração parecia despedaçar. Por quê? Por que estava fazendo aquilo? Era um monstro nojento e asqueroso! Mas, por mais que sua mente gritasse em agonia, seu corpo continuava o trabalho.

  Foi quando chegou a um certo corredor que sentiu o mundo inteiro desabar.

  “Não... Por favor, não... Chega, por favor...”, pensou em desespero. Mas seus pés não obedeciam. Ele sabia o que estava por vir. Sem fazer qualquer som, abriu uma das portas.

  Lá estava ele. As pernas cruzadas preguiçosamente sobre uma mesa, a cabeça pendendo para o lado enquanto roncava sonoramente.

  Ja’far sentia a adrenalina fluir por seu corpo, como sempre acontecia quando cometia um assassinato.

  “Por favor...”, sua mente repetia, o coração doendo. Ele queria chorar. Queria gritar. Mas não conseguia, não podia fazer nada, a não ser assistir enquanto seu próprio corpo matava aquele que mais amava.

  Encostou a arma no belo pescoço de Sinbad...

  (...)

  Sinbad finalmente voltava para o quarto. Era tarde, ele sabia, mas não conseguiu resistir quando Mystras o chamou para beber em um dos bordéis da cidade.

  Um grito horrível o tirou de seus pensamentos. O que era aquilo? Então, ouviu mais uma vez. Vinha do quarto do...

  - JA’FAR – Chamou ao abrir a porta com uma força desnecessária, fazendo com que a madeira batesse na parede com um som horrível. Estava tão preocupado, nunca ouvira o mais jovem gritar daquele jeito.

  O que viu o deixou apavorado. Ja’far estava sentado na cama, mais pálido do que Sinbad julgava ser possível, a respiração ofegante. Os cabelos claros grudavam em sua testa, e todo o corpo tremia violentamente. Mas o pior era o seu rosto. Este era uma máscara de puro pavor.

  - Ja’far – O moreno chamou com urgência, mas não obteve resposta. O outro nem dava sinal de ter notado sua presença. Ele continuava respirando com dificuldade, olhando para o nada. Parecia que aquilo estava ficando pior a cada segundo. Mas, foi quando Ja’far soltou um terrível lamurio de dor, que Sinbad pareceu descongelar. – Shhhh... Tudo bem – Ele disse enquanto corria para a cama. Abraçou o mais jovem com força e afagou seus cabelos.

  Ja’far finalmente percebeu que seu amigo estava ali. Agarrou as vestes do mais velho com tanta força que Sinbad pensou que poderia rasgá-las com as unhas afiadas.

  - Está tudo bem. Foi só um pesadelo... – Adivinhou. Puxou o garoto mais para perto, sem nunca deixar de afagar as mechas alvas e macias. O corpo magro de Ja’far ainda tremia, ele estava molhado de suor.

  O ex-assassino sentiu o aroma que emanava de Sinbad. Cheiro de mulher... Aquilo foi o estopim. Seu coração, já fragilizado pelo sonho, recebia mais esse golpe. As lágrimas começaram a rolar. Logo estava soluçando.

  - Shhh... Está tudo bem. – O moreno repetia, como um mantra. Nunca havia visto Ja’far daquele jeito. Parecia tão frágil, tão pequeno... Vulnerável.

  Permaneceram naquela posição por muitos minutos, até o mais jovem se acalmar.

  - Sin... – Ele finalmente disse. A voz estava fraca.

  - Ei, está se sentindo melhor? – Sinbad perguntou, ainda bastante preocupado. Sentiu Ja’far assentir. – Quer conversar sobre isso?

  Não houve resposta. Por um momento, o moreno pensou que o mais novo tinha caído no sono. Mas, por fim, ele disse:

  - Eu não quero... Sin, eu não quero matar você. – Ja’far soluçou. – Não quero matar nossos amigos. Não quero matar... você.

  - Então era esse o seu pesadelo? – Sinbad suspirou, os dedos afagando agora a bochecha macia do mais jovem. – Está tudo bem, Ja’far. Você não é mais um assassino. Isso tudo está no passado.

  - Mas... E se não estiver? Foi tão real. – As mãos dele voltaram a tremer.

   Sinbad afastou-se do amigo e o segurou pelos ombros.

  - Ja’far, por favor, não diga isso. – Encarou os olhos verdes do mais jovem. – Todos vimos você se transformar em uma pessoa maravilhosa. É o meu amigo mais fiel e a pessoa em que mais confio. Por favor, não duvide de si mesmo.

  O ex-assassino não respondeu, mas seu olhar revelava a gratidão que sentia.

  - Agora, vamos, você deve estar exausto. Sei que eu estou... – Sinbad riu e puxou Ja’far para os seus braços novamente, enquanto deitava-se.

  - Sin, o que está fazendo? – O pequeno corou.

  - Vou ficar aqui com você, é claro! No caso de ter mais um pesadelo e ser assomado por pensamentos estúpidos. Vai ser como nos velhos tempos! – Ele riu e voltou a afagar o cabelo do mais jovem.

  Ja’far sentia seu rosto ficando quente, mas se esforçou ao máximo para esconder. Não tinha forças para discutir com Sinbad, não naquela noite. Então, apenas suspirou e relaxou sobre o corpo do moreno.

  - Sin, posso te perguntar uma coisa?

  - Claro...

  - Onde estava essa noite?

  - Eu... Bem, eu saí com Mystras e os outros. – Respondeu, parecendo um pouco envergonhado. Ja’far já sabia, é claro. Ficou em silêncio por um tempo, e então, perguntou:

  - Por que vocês gostam tanto de passar noites com essas mulheres nos bordéis?  - A pergunta foi tão direta, que pegou o moreno de surpresa.

  - Bem... – Sinbad teve de pensar por um minuto. – Acho que é apenas uma necessidade. Mas você entende, não é?

   Silêncio.

  -  Não. – Ja’far finalmente sussurrou. – Eu não entendo, Sin. Você, o Mystras, até o Drakon... Implicam comigo por eu nunca parecer interessado em alguma garota.

  - Tsc, Ja’far. É só brincadeira. Nós não queríamos perturbá-lo de verdade. Você ainda é novo...

  - Tenho 14 anos. – O ex-assassino lembrou. – Com 14 anos você já vivia correndo atrás de mulher. Eu só... não consigo, Sin. Nunca me senti atraído por qualquer uma delas. Não sinto desejo, ou vontade de tocá-las. Nem mesmo a mais bonita das mulheres. Eu não sinto nada.

  - Ja’far... – Sinbad tentou interrompê-lo, pois o amigo parecia um tanto perturbado. Mas Ja’far continuou.

  - Eu juro que tentei sentir. Eu tento, mas não consigo. – O menor, então, ergueu o olhar. A confusão e o desespero eram tão nítidos ali, o coração de Sinbad pareceu partir em mil pedaços. – O que há de errado comigo?

  - Não há nada de errado com você. – Puxou-o de volta, abraçou-o com tanta força que temia tê-lo machucado. Mas Ja’far não reclamou.

  - Sinto falta de conversar com você, Sin.

  Sinbad também sentia. Antes, quando tinham insônia, ele e o amigo ficavam muitas horas conversando. Agora, o mais velho quase nunca estava. Sempre saía com os outros para beber, procurar mulheres... Ele pensou que estivesse tudo bem, que Ja’far iria acompanhá-los eventualmente. Aparentemente, estava enganado. Sentia-se culpado por deixar o menor sozinho.

  Ja’far aconchegou-se ali, no abraço do moreno. O calor fazia o pequeno corpo todo formigar, sentia coisas estranhas, mas tão boas. Sentia-se seguro, feliz. Seu coração estava aquecido.

  A verdade é que tudo o que deveria sentir por garotas, Ja’far só sentia por Sinbad. Ele estava apaixonado pelo amigo, agora tinha certeza.

  Tentou se prender ao momento, inebriando-se com o cheiro do moreno e aproveitando a proximidade. Sabia que jamais teria mais que aquilo. Mas tudo bem... Desde que pudesse continuar ao seu lado.

(...)

  Do alto de sua janela, Sinbad conseguia ver o mar. Ainda estava escuro, mas logo o Sol daria seus primeiros sinais. Uma brisa agradável vinda da praia fazia com que os belos cabelos púrpura farfalhassem.  Sentia um cansaço maravilhoso, uma doce sensação de completude que só poderia ser alcançada após uma noite de amor com Ja’far.

   Virou-se quando ouviu um ruído vindo de sua cama. O conselheiro remexia-se durante o sono.

  O rei de Sindria poderia ficar uma eternidade observando o mais novo dormir, era simplesmente fascinante, além de também ser uma raridade, visto que Ja’far sempre saía antes que ele despertasse.

  O conselheiro estava coberto até a cintura com os lençóis, odiava ficar exposto, mesmo após todos aqueles anos. Era o oposto de Sinbad que, naquele momento, sentava-se nu no parapeito da janela.

  O rei voltou a observar o mais jovem. Sua pele clara era linda, tão lisa. Se não fosse a maciez, poderia jurar que Ja’far era feito de porcelana. As pequenas sardas salpicadas em seu rosto eram a única imperfeição, mas o deixavam ainda mais atraente. Único.

  A visão dos cabelos - que possuíam quase o mesmo tom da pele - fazia as mãos de Sinbad formigarem, ansiosas por afagar os fios sedosos. As pálpebras, fechadas, escondiam olhos verdes brilhosos e cheios de vida, que contrastavam com toda a palidez de sua figura.

  Em manhãs como aquela, Sinbad se pegava pensando no quanto era sortudo por ter Ja’far ao seu lado. Ele não o merecia.

  Suspirando, satisfeito, voltou para a cama.  Beijou a pele quente e suave do pescoço do mais jovem, e foi subindo até alcançar sua bochecha.

  - Sin... – Ele sussurrou. Mas o rei tinha certeza de que o outro ainda dormia.

  Sorrindo, Sinbad aconchegou-se ali. Abraçou o corpo do mais jovem pensando que, daquela forma, seria mais difícil para ele escapar. Era inútil, claro. Ja’far sempre dava um jeito de fugir para seu escritório. Mas... Ele sempre poderia tentar.


Notas Finais


Amaram? Odiaram? Deixem comentários!! Elogios e críticas são sempre bem-vindos!! ^^


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...