História O Acordo - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Ação, Amor, Aventura, Drama, Família, Originais, Original, Policial, Romance
Visualizações 5
Palavras 1.902
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Policial, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Nesse capítulo vocês vão perceber um pouco de um problema de uma personagem que será explorado melhor na sequência :)

Capítulo 6 - Um teste de confiança


PDV Lena

A fuga custa muito de mim. Tenho que usar todo o meu sangue frio, minhas experiências em luta e com tiro. Preciso machucar pessoas, ameaçar e mentir, mas não podia continuar do jeito que estava. Na verdade, desde que ouvi que iria para uma prisão federal, fiquei com dores no meio do peito, com minha alma sofrendo. Lembrei do que aconteceu com minha mãe quando foi presa e também transferida para longe.

Toda vez que penso nela me desestabilizo. Lembro dos contornos de seu rosto, seus olhos acinzentados sempre brilhantes, seu cabelo preto, curto e lisinho, parecido com o meu. Ela tinha um sorriso doce e gentil, mas que não escondia a tristeza que a consumia por dentro. Sinto tanta a falta de como ela me abraçava, como ela piscava pra mim quando tínhamos um segredo. Ela está em meus pensamentos todos os dias. Meu maior desejo é ter uma vida melhor que a dela, de poder ser feliz como ela não foi. Mas se eu permanecesse naquela delegacia, isso nunca aconteceria. Pelo contrário, eu terminaria como ela terminou.

Sei que pensar na minha mãe não me faz bem, mas é inevitável e eu não consigo afastar. Eu tento, mas não dá. Fico nervosa. Esqueço de Gabriel dirigindo assustado ao meu lado, esqueço da estrada e esqueço até que não posso ter uma crise na frente dele. Ela vem naturalmente.

Começa com a minha respiração se alterando. Fico ofegante, meu peito subindo e descendo rapidamente. Logo meu corpo começa a tremer: minhas mãos, meus dedos, minhas pernas. Meus dentes de baixo se chocam com os de cima fazendo barulho.

– Lena? – ouço Gabriel me chamar.

Solto um gemido baixo. Não é de dor, é medo. Me sinto aterrorizada sempre que esses ataques me atingem. Fecho os olhos para tentar me concentrar e me acalmar, mas vejo a imagem de minha mãe. Começo a gritar.

– MÃE! MÃE!

Ela está chorando. Está suja, nua, machucada. Me pede ajuda. Mas eu não posso fazer nada por ela. Me encolho no banco, tampo meus ouvidos com as mãos para não ouvi-la chorando. 

– Vai embora! –  eu peço àquela imagem. Mas ela não vai e eu grito mais, tremo mais.

Não consigo perceber quanto tempo fico sofrendo ali. Só sei que diminui quando ouço uma voz externa me pedindo para voltar. Essa voz chama meu nome, diz que está tudo bem, me pede para abrir os olhos. E eu obedeço.

Lentamente consigo levantar as pálpebras e encontrar os olhos de Gabriel. Olho para os lados e para trás. A imagem tinha ido mesmo embora.

Ele tinha parado de dirigir no meio de uma estrada com terras e plantas, tinha saído de seu lugar e vindo para o meu lado. Abriu a porta de carona e estava ajoelhado, falando comigo. Ele suspira aliviado quando vê que eu reajo. Seu tom de voz é calmo, mas ele parece preocupado.

– O que você tem? –  pergunta.

– Nada. – eu me ajeito no banco e respiro fundo. A tremedeira em minhas mãos já está diminuindo. – Eu só me senti mal.

– Parecia algo pior.

Droga. Eu nunca podia ter tido essa crise na frente dele. Agora vai pensar que eu sou uma maluca, que não deve confiar em mim. Escondo meu rosto com as mãos enquanto penso no que ele vai pensar de mim.

– Isso já aconteceu antes? Você... você sabe o que houve?

– Sei. – admito. – Isso acontece quando fico nervosa.

– E você não se trata?

Eu nunca havia pensado nisso. Não parece ser algo tão grave. Acontece poucas vezes. Nas piores vezes.

– Nenhum médico pode me ajudar.

– Bom, eu gostaria de te ajudar. Vamos a um hospital.

– Não, não! – eu falo alto. – Se entrarmos em um hospital seremos presos.

– É melhor isso do que você piorar.

Ele não está sendo sincero. Acho que só quer voltar para não fugir comigo e contar aquela historinha de sequestro pro amigo delegado dele.

– Eu estou ótima, Gabriel. – forço o meu melhor sorriso e saio do carro. Fico dando alguns passos pela estrada enquanto minha respiração se acalma.

–  O que você quer comigo, afinal? – ele pergunta, vindo atrás de mim.

Acho ótimo falar disso. Esqueço a crise e lhe explico logo o que faremos.

– Quero que me ajude a provar que somos inocentes.

– Isso eu poderia fazer se estivéssemos lá.

Paro de andar e me viro em sua direção. Ele também para.

– Seja sincero, eles não vão acreditar em nada. O dinheiro sumiu.

– Eu também acho que não vão, mas você está sendo muito rebelde.

– Vamos fazer um acordo. –  eu o interrompo. –  Eu te ajudo a provar que não desviou nenhum dinheiro da delegacia se me ajudar a provar que não estou com o dinheiro do roubo.

Ele levanta uma sobrancelha e pergunta:

– Como eu faço isso?

– Hm, eu não sei. Você que é delegado, só me dizer o que precisa que eu faço.

– E como você me ajuda?

– Conheço um lugar em Montana que tem acesso a internet sem restrições. – digo com cuidado para não revelar o que não devo. –  Você pode entrar em qualquer site e ver esses documentos que dizem que você assinou. E lá você pode ver a data, ver se foi modificado ou não. Isso ajuda, né? – pergunto.

– Sim, ajuda. Mas que lugar é esse?

– Um lugar que conheço muito bem.

Ele me olha tão estranho. Parece estar duvidando ainda mais.

– Isso não vai prestar.

– Me diz o porquê?

– Um lugar em Montana? Essa viagem dura dias! –  ele argumenta. – Não temos dinheiro nem comida, só um carro roubado que vai precisar de gasolina em breve.

– Eu sei como conseguir dinheiro.

– Quem você vai roubar agora?

– Ninguém, meu Deus! – eu respondo com raiva. – Vou pedir ao meu tio.

– Você não poderia ter pedido ao seu tio para te emprestar dinheiro em vez de assaltar a loja? Com certeza nada disso estaria acontecendo! – ele rosna e me vira as costas, andando de volta para o carro.

Eu corro de volta e paro na sua frente.

– Olha, eu também estou muito arrependida, mas não tenho muitas opções. Não posso voltar, eu não posso correr o risco de ser transferida. 

– Não confio em você.

– Só finja que confia! – respiro fundo. – Se nada disso der certo, juro que assumo toda a responsabilidade. Assino qualquer documento de culpa e confesso que te sequestrei.

A expressão dele melhora. Ele inclina o rosto e coça o queixo, e depois olha pra mim.

– Por que você faria isso?

– Você é a minha única saída.

– Eu até faria isso, Lena, mas preciso ter certeza de que você é inocente. E ainda não tenho.

Dou um passo para a frente, diminuindo o espaço entre nós, e balanço os ombros.

– Me pede qualquer coisa. Eu faço para te dar essa certeza. Ou pelo menos pra você duvidar menos.

– Qualquer coisa mesmo? – noto que ele percorre meu corpo com os olhos.

– Sim. Pede.

– Sei que ficou com a faca que usou para abrir a cela. – ele diz, sério. – Me entregue pra eu ter certeza que você não vai sair por aí abrindo coisas que não são suas.

Eu rio. Que cara esperto. Não era o que eu estava imaginando mas, sim, eu posso fazer isso.

– Ok. – digo e, em seguida, viro o braço para pegar a faca que estava escondida dentro da gaze que protegia meu corte. Estico na direção dele, que a pega e a segura na mão.

– É um bom começo. – diz Gabriel.

– Sim. – eu concordo.

– Não me faça duvidar de você. – ele pede.

Eu levanto as duas mãos. Ele sussurra algo que não entendo e volta a andar. Me viro e o sigo. 

Entramos no carro e Gabriel dirige. Eu lhe explico o caminho até a casa do meu tio, que não ficava perto, mas a gasolina duraria até lá. Chegaríamos pela manhã.

 

PDV Mike

Um som estridente me acorda do sonho mais lindo que eu tive nos últimos dias. Sonhava que conseguia dormir. Pego meu celular e noto que ainda são duas e meia da manhã. Não é a hora de acordar, e não é o despertador que está tocando, mas o próprio celular. É uma ligação da delegacia.

Meus olhos ainda estão meio fechados quando atendo a ligação e coloco o celular na orelha direita.

– Alô?

– Delegado... – reconheço a voz de Andrew, meu melhor policial. – Eu sinto muito por acordá-lo a essa hora, mas temos problemas. Os criminosos fugiram.

– Criminosos? – eu pergunto pra ter certeza se ouvi direito. Só tinham duas pessoas presas lá. – Como assim?

– A criminosa Lena fugiu e o delegado Gabriel foi junto.

Nem paro para ouvir o resto. Isso é muito grave. Pulo da cama, visto a mesma roupa que tirei quando fui dormir, agarro as chaves do carro e saio de casa como um foguete. Dirijo rapidamente e chego à delegacia em cinco minutos. Morar perto do trabalho quando se é um delegado sempre me pareceu vantajoso porque eu estava ali, sempre por perto. Mas essa história me deu tanta raiva que imaginei que gostaria de morar no Japão.
A delegacia está toda acesa. Duas viaturas com as luzes brilhando estão paradas na porta. Eu cumprimento os policiais de fora antes de voar pelos corredores e chegar na minha sala.

Entrando lá, vejo o policial Victor, o mais experiente que temos, sentado numa cadeira com um copo de água na mão. Ele treme e chora. Andrew está à sua frente, com o uniforme completamente sujo e amassado.

– Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? – pergunto com um grito.

– Delegado... – começa Andrew. – Eles armaram tudo! A criminosa se feriu e o Victor a levou para a enfermaria e retornou com ela para a cela. Mas depois ele disse que ouviu Gabriel gritando e quando foi ver, ela estava solta.

– E por que você não a segurou? – pergunto.

– Eu não consegui. – Victor fala com dificuldade enquanto chora.  –  Nós lutamos e ela me desarmou.

– E o Gabriel? – pergunto com mais curiosidade.

– Foi junto. – Andrew responde, simplesmente.

Olho para o chão. Não consigo acreditar que meu amigo está mais envolvido do que parece com aquela criminosa. Isso simplesmente não entra na minha cabeça.

– Ele é inocente! – Victor aumenta a voz e eu me acalmo. Gabriel jamais me decepcionaria. – Aquela vaca o ameaçou com a arma. Ele está do nosso lado. Foi ele que pediu para que ela não atirasse em mim.

– Ela sequestrou o meu amigo. – digo com raiva.

– O que faremos? – pergunta Andrew.

Olho para o policial Victor e ele também olha pra mim. Ele sabe o que vou dizer. Sabe o que acontece com policiais que falham com tamanha gravidade.

– Victor... – eu começo, mas sou interrompido.

– Delegado, não me afaste. – ele pede. – Eu sou um velho e cada dia estou pior, mas não tenho nada além da minha profissão. Me dediquei a vida toda a ela. – ele enxuga uma lágrima. – Me dê uma chance para me redimir. Eu mesmo vou atrás dessa mulher e vou prendê-la.

Me pareceu uma boa ideia a princípio, mas estou muito nervoso para tomar qualquer decisão.

– Prometo que vou pensar no seu caso. – respondo. – Mas agora vá pra casa, descanse e volte mais tarde.

Ele agradece, me cumprimenta e sai da sala.

Tenho tantas coisas para fazer. Organizar uma equipe para começar as buscas, avisar aos pais de Gabriel que estão em Nova Iorque, fazer retratos da criminosa e pedir que fossem divulgados, estabelecer valores de recompensa, entregar documentos... E, claro, não me esqueceria de procurar uma casa no Japão.


Notas Finais


Espero que gostem! Beijos :)


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