História O Acordo - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Asuma Sarutobi, Fugaku Uchiha, Hidan, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Jiraiya, Jiroubou, Kakashi Hatake, Kimimaru, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Sai, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Shino Aburame, Tayuya, Temari, Tsunade Senju, Yamato
Tags Clichê, Naruto, Romance, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Sasusaku
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Palavras 3.708
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Opa opa, olha que voltou!

Em primeiro lugar, queria dizer que fiquei muito surpresa com a quantidade de favoritos e comentários só com o prólogo! Uau, pessoal!! Vocês são os melhores leitores do mundo.Sabem disso, não é mesmo?!

Então, como uma forma de agradecimento por tudo, fica aqui o segundo capítulo adiantado pra vocês :)

Boa leitura e espero vê-los nos comentários!

Capítulo 2 - Capítulo 2


- Sua mãe nunca te ensinou a tomar cuidado com as coisas dos outros? - A voz séria ao meu lado disse e me virei somente para  ver os orbes negros presos a mim.

 

- Caramba, aquela pasta era sua? Mil desculpas. Eu estava meio eufórica e... – Tentei explicar, mas sua feição era impassível e austera, me fazendo sentir vontade de calar a boca e apenas olhar para frente a fim de fugir daqueles olhos que me matavam mentalmente.

 

Ele nada disse, apenas murmurou algo e se virou para a janela. Logo pude sentir os motores sendo ligados. Foi quando me lembrei o quanto odeio voar, mas infelizmente é um mal necessário. Pelo menos seriam poucas horas até Osaka e eu já havia me preparado psicologiamente para aquele sofrimento.

 

- Finalmente. – Ele sussurou impaciente olhando para o relógio.

 

Graças ao meu atraso, o vôo partiu  quase que 20 minutos depois do marcado. Não era muito no final das contas, mas ainda assim ele parecia realmente aliviado por estarmos decolando.

 

Pra minha sorte, eu ainda teria um bom tempo antes do evento para passar no hotel e deixar minhas coisas. De repente até comer alguma coisa com calma. Comer.

 

Me lembrei que não havia comido nada desde que acordei naquela correria. Olhei para os corredores em busca de alguma aeromoça, mas nenhuma delas estava em meu campo de visão. Mordi o lábio inferior por nervosismo quando pude ouvir o primeiro ronco do meu estômago. Percebi que foi mais alto do que eu esperava e senti os orbes negros em cima de mim novamente.

 

Corei imediatamente, pois me senti sem graça naquela situação constrangedora. Evitei olhá-lo e apenas me abracei como forma de consolar meu estômago pela falta de comida. Já estávamos no ar, mas as luzes para que não retirássemos os cintos de segurança se mantinham acessas. Ou seja, eu sequer poderia ir para a parte traseria da aeronave e implorar por qualquer biscoitinho. Teria que esperar, não tinha jeito. Mas, por mais que minha mente tivesse aceitado, meu estômago definitivamente não era tão paciente.

 

E logo um novo ronco se fez presente e eu apenas resmunguei enquanto me encolhia e fazia uma careta involuntária.

 

- Ei. – Uma voz rouca me chamou e eu arregalei os olhos levemente confusa se deveria olhá-lo ou não. – Toma.

 

De repente um pequeno saquinho com alguns biscoitos caseiros entraram em minha visão, me deixando surpresa e completamente ansiosa para comer cada um deles.

 

- Se não pegar agora, eu não vou oferecer de novo. – Ele disse e eu apenas agarrei o saquinho como se fosse uma parte vital para a minha sobrevivência.

 

- Muito obrigada! – Agradeci aliviada olhando-o de soslaio e rapidamente me deliciei com aquelas pequenas maravilhas de baunilha recobertas de chocolate.

 

Senhor, o que era aquilo? Eles derretiam na minha boca de uma forma maravilhosa que eu poderia pensar que estava nos céus. Mas, eu estava de fato nos céus.  

 

De qualquer maneira, muitas coisas poderiam acontecer naquele vôo, mas pelo menos eu não morreria de fome, e isso era o essencial.

 

Meu desespero era tanto que eu colocava uns três biscoitos na boca por vez. Eram realmente deliciosos e odiei o fato de não ter um saco enorme dessas maravilhas para levar pra casa e comer durante o resto da semana.

 

- Uau, isso é muito bom! – Admiti e o ofereci um sorriso enquanto comia mais alguns e o devolvia o resto com vergonha de ter devorado mais da metade.

 

- Pode comer tudo. Não gosto de doces. – Explicou e minha sobrancelha arqueou-se na mesma hora.

 

- Quem na face da Terra não gosta de doces? – Perguntei desconfiada. “Provavelmente alguém muito infeliz, amargurado, de alma azeda”, pensei comigo mesma.

 

- Hum. – Ele apenas murmurou e deu de ombros, voltando seu olhar para a janela mais uma vez.

 

- Se não gosta de doces, porque tinha esses biscoitos? – Questionei sem pensar o quão inconveniente poderia estar sendo, ainda mais com um desconhecido que não me deve qualquer satisfação, principalmente depois de eu quase ter destruído sua pasta de documentos.

 

- Mães podem ser muito persistentes às vezes. – Afirmou e pude ouvir uma pequena risada, mesmo que seu rosto estivesse para o outro lado.

 

Concordei e continuei me deliciando com os doces. Bendita seja a mãe daquele homem!

 

Ficamos em silêncio até que o avião alcançou uma altura estável e as aeromoças já circulavam livremente pelos corredores, oferecendo bebidas e pequenos lanches. Não resisti e comi mais alguns biscoitinhos que elas ofereciam, mas dessa vez salgados.

 

Minha fome era algo meio incontrolável, ainda mais quando estava ansiosa dos pés à cabeça. Naquela tarde eu teria a primeira reunião com o dono da rede de hospitais mais famoso de todo Japão. Nosso objetivo era nos tornaramos o único laboratório a lhe revender remédios e equipamentos hospitalares. Um contrato exclusivo e cheio de benefícios.

 

Estávamos no topo do mercado, pois investíamos especialmente em qualidade. Mas levou-me quase dois anos para conseguir chegar até este homem tão ocupado. Seus horários eram confusos e complicados, volta e meia estava em uma cidade ou até mesmo um país diferente. Bom, se eu também fosse tão rica assim, dificilmente ficaria parada em um lugar só.

 

Mas, com alguns pauzinhos, consegui descobrir que o empresário estaria nesse congresso da área de saúde em busca de novidades no ramo. Precisei fazer muitas ligações e usar de toda a influência que meu laboratório usurfruia para conseguir uma horinha com o empresário. E isso era só o que eu tinha. Uma hora, durante um almoço. E caso ele se interessasse pela minha proposta, só nos restaria finalizar as cláusulas do acordo e algumas questões burocráticas.

 

Eu não poderia errar, precisava levar esse contrato assinado para o escritório. Afinal, eu precisava do dinheiro para pagar o aluguel e minhas contas, que definitivamente não eram poucas.

 

Só consegui sair de casa com 26 anos, quando alcancei um cargo que me permitiria uma vida confortável e sem grandes sufocos. Porém, um aluguel é sempre algo caro, ainda mais quando se mora completamente sozinha. E eu contava com meus bônus no trabalho para bancar o resto das minhas dívidas.

 

Mas, como qualquer pessoa do comercial, o extra só chega se você der a vida por ele. Se eu fechasse esse acordo, não precisaria mais me preocupar com dinheiro por um bom tempo, pois era mais do que o suficiente para quitar o aluguel por quase um ano inteiro e ainda me permitir dar entrada em um carro novo, quem sabe. Eu ainda estava pensando sobre o assunto.

 

Comecei a arquitetar em minha mente minhas formas de abordagem, assim como havia tido feito nas últimas semanas em frente ao espelho. Eu precisava ser impecável, não deixar qualquer dúvida sobre o quão boa seria aquela parceria para ambos. Não poderia esquecer de explicar nenhuma vantagem que os hospitais da rede teriam se fossem nossos clientes exclusivos.

 

Com certeza era uma parceria que valia a pena, visto que estávamos oferecendo um preço bem justo por uma qualidade superior ao que eles estavam acostumados, mesmo que os preços fossem levemente maiores que os dos concorrentes. Por fim, o meu papel era convencê-lo de que gastar um pouco a mais o traria um melhor retorno no final do ano.

 

Mas, quando se fala em dinheiro, o que os homens querem é gastar o menos possível. Só que existem muitas outras questões que devem ser levadas em consideração, e o meu papel era apresentá-las de forma convincente. Comecei a repetir meu discurso mentalmente, formulando as melhores frases de efeito que eu conhecia a fim de impressionar meu cliente.

 

Eu estava completamente concentrada em meus pensamentos. Até que, de repente, ouvi um ressonar perto do meu ouvido e algo quente recostado sobre meu ombro. Virei meu rosto com certa rapidez pelo susto e pude ver que o homem que não gostava de doces se encontrava no décimo sono, usando-me como um travesseiro. Ri de leve com a minha constatação, tentando não acordá-lo com meu divertimento.

 

Olhei-o de soslaio e só então me senti confortável para fitá-lo mais minuciosamente sem o medo de ser pega pela minha indiscrição. Era um homem incrivelmente bonito, não nego. Deveria beirar os 30 anos e não mais do que isso.

 

Os lábios finos e os cílios longos o deixavam bem charmoso, além do nariz que emoldurava perfeitamente seu rosto másculo. Os cabelos eram tão negros quanto os olhos e levemente arrepiados. Estavam tão perto de mim que não pude deixar de sentir o cheiro do shampoo e do perfume amadeirado que exalava de seu corpo. Senti vontade de tocar os fios, mas me contive, pois não queria parecer uma psicopata caso ele acordasse com o toque.

 

Achei graça de quão intimidante ele poderia ser com os olhos abertos ao mesmo tempo que se tornava tão pacífico com os mesmos fechados. Ele parecia realmente cansado e não me importei em doar-lhe meu ombro para que descansasse. Afinal, era o mínimo que eu poderia fazer após ter quase destruído sua pasta e documentos, além de ter comido todo o seu lanche, claro. Será que a mãe dele estaria disposta a me vender algumas... toneladas daquelas delícias?

 

Inconscientemente olhei para suas mãos e não vi nenhuma aliança. Mas logo me repreendi pelo meu ato. Isso definitivamente não era da minha conta. Então tentei apenas esquecer o fato de         que aquele pedaço de mal caminho estava absurdamente perto de mim e voltei a me focar na reunião que teria em algumas horas.

 

Não demorou para que o piloto informasse que estavámos prontos para pousar. E quando o pedido para que as poltronas retornasse à posição vertical foi feito, eu achei melhor acordar o homem ao meu lado antes que uma aeromoça o fizesse.

 

- Ei, dorminhoco. – Eu falei baixinho, mas só pude ouvir uns resmungos de sua parte.

 

O moreno não me parecia muito disposto a acordar e pude senti-lo se aconchegar ainda mais em meu braço esquerdo. Achei graça daquilo e ri baixinho achando incrivelmente encantador como ele parecia estar confortável.

 

Porém, mesmo desejando estender seu cochilo e nosso contato, não tive outra opção se não tentar uma investida mais ousada para que o mesmo despertasse.

 

- Já chegamos, você precisa acordar. – Expliquei tocando-lhe os cabelos como em um carinho, assim como minha mãe fazia todas as manhãs antes de eu ir para a escola.

 

Seus olhos se abriram devagar e tomei um susto quando ele se ajeitou na cadeira de forma meio brusca.

 

- Desculpe. – Falou enquanto levava as mãos nos cabelos freneticamente e depois as passava pelo rosto exausto.

 

- Tudo bem. O que é um ombro quando em troca se ganha biscoitos, não é mesmo?! – Tentei deixar a situação mais descontraída e pude vê-lo dar um pequeno sorriso.

 

Se ele soubesse o quão bonito fica quando mostra os dentes brancos e alinhados, provavelmente não seria tão comedido quanto a isso.

 

- Se essa é a sua linha de pensamento, acho que você me deve muito mais pelos papéis amassados que constam em minha pasta. – Falou em uma mistura divertida e irônica, que me deixou levemente constragida.

 

- Se você precisar, meu outro ombro está livre. – Respondi brincando e oferecendo um sorriso amarelo, tentando amenizar o clima.

 

Sua boca se abriu para me responder, mas a voz do piloto nos dando boas-vindas à Osaka veio primeiro. E assim que nos foi liberado, todos se levantaram para pegar suas bagagens de mão. Peguei a pasta jogada no compartimento e a estendi para o homem com um sorriso culpado.

 

- Desculpa mesmo por isso. – Disse sem graça enquanto ele pegava o objeto da minha mão e ajeitava as folhas amassadas, que ficavam logo em uma parte sem zíper e meio folgada da pasta. Ele com certeza não fora muito inteligente ao colocar os papéis ali...

 

- Sasuke.

 

- Hã? – Perguntei confusa.

 

- Meu nome é Sasuke. – Explicou.

 

- Ah, Sakura! Me chamo Sakura Haruno. – Respondi com um sorriso gentil e pude vê-lo arquear uma sobrancelha.

 

Ele apenas assentiu com um meio sorriso debochado, e tudo o que pude fazer foi desviar meu olhar para não me perder naquela imensidão que eram seus olhos. Vi que o corredor já estava liberado para a minha saída, então apenas peguei minha mala e o olhei novamente.

 

- Foi um prazer, Sasuke. – Disse sincera.

 

- Ainda estou pensando se realmente foi, Sakura. – Respondeu com um tom rouco que fez os pelos de minha nuca arrepiarem.

 

Abri a boca tentando entender o que aquilo queria dizer, mas vi o olhar impaciente de uma aeromoça em minha direção, já que eu estava travando o caminho de outros passageiros.

 

- Certo...tchau. – Murmurei e apenas saí pelos corredores até chegar ao gate, sem olhar pra trás.

 

Olhei para o relógio ainda me sentindo confusa pelas palavras de Sasuke. Mas dei de ombros, afinal, provavelmente nunca mais o veria de novo e eu tinha coisas mais importantes para pensar do que um homem bonito.

 

Peguei um taxi e fui direto para o hotel. Fiz o check-in sem delongas e pude deixar meus pertences em meu quarto. O congresso começaria em aproximadamente uma hora e eu já havia me empanturrado de biscoitos há pouco tempo atrás. Pensei em tirar um pequeno cochilo, mas achei perigoso.

 

Logo me lembrei de colocar o maldito celular para carregar e assim o fiz. Quando o aparelho ligou, pude ver milhares de mensagens do meu chefe confirmando minha chegada e o horário da reunião com Fugaku Uchiha, da Rede de Hospitais Sharingan.

 

Respondi explicando que meu celular havia morrido, mas que já estava no hotel e os planos seguiam como o combinado. Disse para Kakashi que não se preocupasse, pois eu não iria decepcioná-lo.

 

Sua mensagem de incentivo me animou ainda mais. Ele era um bom chefe, mesmo que muito rígido. Desde que eu entrei na empresa há quatro anos atrás, Kakashi Hatake se tornou meu mentor e me ensinou tudo o que eu poderia precisar saber sobre negociações. Ele era mais que um mestre, formamos uma amizade de confiança além do profissional. E aquela era a primeira vez em que eu fecharia uma parceria sem sua presença, já que Mei, sua esposa, estava prestes a dar à luz e ele não poderia sequer cogitar a ideia de sair da cidade.

 

Sabendo do meu potencial, Kakashi chegou a admitir que caso eu trouxesse a Rede de Hospitais Sharingan para o nosso laboratório, o cargo de Gerente Comercial estaria reservado para mim. Era uma grande promoção, ainda mais sabendo que existiam outras pessoas que cobiçavam essa oportunidade que estava sendo entregue com confiança em minhas mãos.

 

Sabia que tanto ele quanto todo o laboratório estavam contando comigo e eu levaria aquele contrato assinado de qualquer maneira, não importava o que precisasse fazer.

 

Eu estava disposta a tudo por aquela conta de ouro.

 

Assim que minha bateria atingiu 100% e o retoque da minha maquiagem estava pronto, peguei minha bolsa e caminhei até o local do evento. Por sorte, meu hotel ficava somente há aproximadamente 10 minutos andando.

 

O relógio marcava um pouco depois das 11h da manhã e isso significava que eu ainda teria tempo até o almoço de negócios. Aproveitei para fazer o credenciamento e buscar novidades no mercado que estariam sendo expostas no congresso.

 

Por ser um evento patrocinado pelas maiores empresas do país, haviam milhares de standes que variavam de laboratórios conceituados à empresas tecnológicas voltadas para o ramo. Alguns eram concorrentes diretos, outros eu via como possíveis parcerias integradas a fim de oferecer um serviço ainda melhor e mais forte.

 

Troquei alguns cartões de visita e tive boas conversas sobre as dificuldades do mercado na atualidade. Cheguei até mesmo a assistir uma palestra antes de perceber que já estava na hora de ir até o restaurante que ficava na parte externa do segundo andar do prédio de conferências.

 

Pedi uma mesa para dois ao garçom e me permiti aproveitar o sol morno que batia em meu rosto. A vista era incrível, visto que dava para um enorme parque bem ao lado do local. A brisa fresca do meio-dia fazia cócegas em meu rosto e me senti como se o mundo conspirasse ao meu favor, me garantindo que tudo daria certo e eu conseguiria uma resposta positiva para meus objetivos.

 

- Senhorita Haruno. – Uma voz conhecida se fez presente em minhas costas e eu franzi o cenho ainda sem me lembrar de quem a pertencia.

 

Me virei levemente desconfiada e tamanha foi a minha surpresa ao ver Sasuke se aproximando.

 

- O-oi. –Gaguejei e me repreendi mentalmente pelo ato. – Não esperava encontrá-lo aqui.

 

- Posso me sentar? – Perguntou direto.

 

- Na verdade, eu estou esperando uma pessoa. – Expliquei com um sorriso amarelo.

 

- Eu sei. Você está me esperando. – Disse enquanto desabotoava o terno escuro e sentava-se à minha frente enquanto levantava a mão para chamar o garçom.

 

Minha feição era de clara confusão. Aquilo não fazia o menor sentido. Eu iria me encontrar com Fugaku Uchiha, um homem de 50 e tantos anos que eu já havia decorado o rosto pelas minhas pesquisas sobre a sua pessoa.

 

Cheguei até mesmo a me inteirar pelos seus gostos pessoais a fim de tentar uma aproximação mais descontraída. Mas não era Fugaku Uchiha que estava na minha frente, então... quem era?

 

- Eu vim em nome do meu pai. – Virou-se para mim, encarando-me de forma séria. – Agora, vamos tratar de negócios. – Ordenou e eu me ajeitei na cadeira desconfortável com a surpresa inesperada.

 

Eu realmente iria tentar fechar o contrato da minha vida com o homem que me viu chegar atrasada para um vôo, quase destruir suas pasta e ainda precisou me dar seus biscoitos para meu estômago parar de gritar? Kami, as primeiras impressões dele sobre mim com certeza foram as piores possíveis! Eu estava completamente ferrada.

 

O garçom que nos atendeu já trazia um vinho para a mesa de acordo com a escolha de Sasuke. Já havíamos feito o pedido dos pratos e eu apenas pude suspirar fundo diante da situação inusitada. Ativei meu modo comercial e comecei a proferir meu discurso, tentando não pensar no quanto ele deveria me achar irresponsável e mal-educada.

 

Falei sobre a empresa e nossos objetivos, os custos e o retorno que a parceria exclusiva traria para a rede de hospitais. Sasuke se mantinha impassível, com os cotovelos apoiados na mesa e as mãos entrelaçadas em frente à boca. O que fatalmente era péssimo para mim.

 

A maior tática de alguém que trabalha no comercial é poder ouvir o que o outro lado tem a dizer, suas ideias e expectativas. Para fechar um bom negócio necessita primariamente de troca de informação, contato, perguntas e respostas, interesse de ambos os lados.

 

Mas Sasuke não dizia sequer uma sílaba. Ele ouvia cada palavra que eu proferia sem me interromper nem mesmo uma vez. Sua atenção estava totalmente em mim, e não pude deixar de me sentir levemente constrangida pelo seu olhar tão intenso e compenetrado.

 

Não estava muito satisfeita com um rumo daquela conversa, que estava mais para um monólogo meu. Me senti uma máquina despejando toda a minha pesquisa em cima dele, e ainda assim sua feição neutra me deixava ainda mais nervosa por não conseguir lê-lo de forma clara.

 

Era comum para mim que eu pudesse ler meu cliente pela forma em que se portava ou falava. Mas Sasuke não me dava nenhuma brecha para sequer cogitar o que se passava em sua mente. Dessa forma, eu ficava sem saber ao certo por qual estratégia seguir para um resultado positivo.

 

Portanto, deixei que meus instintos falassem por mim e tentei ser o mais convincente possível. Sabia que se ele ao menos pensasse sobre o assunto, a vitória seria minha. Mas, para isso, ele precisaria se interessar primeiramente para depois perder alguns minutos do seu tempo a fim de avaliar a proposta.

 

- Bom, como pode ver, seria uma ótima parceria para ambos os lados. – Concluí satisfeita com meu desempenho, ainda que nervosa por sua réplica. Com certeza Kakashi sentiria orgulho de mim, pois usei todas as formas de persuasão que aprendi nos últimos anos.

 

- Hum. – Foi a sua resposta, me desconcertando por completo. O que diabos aquele "hum" significava?

 

Os pratos chegaram e comemos em silêncio. Me senti completamente desconfortável por sua falta de resposta. Martelava em minha cabeça em que momento ele poderia ter pedido o interesse ou se eu havia feito alguma falha irreparável.

 

Mas repassando toda a conversa, ou monólogo no caso, eu não era capaz de enxergar nenhum erro grotesco. Muito pelo contrário...

 

Assim que terminamos o almoço e os pratos foram retirados, Sasuke finalmente me deu o prazer de ouvir sua voz.

 

- O Laboratório Shimura me fez exatamente a mesma proposta hoje mais cedo. – Disse colocando o contrato do nosso maior concorrente em cima da mesa para que eu conferisse que realmente não havia sequer diferença entre o que ambos laboratórios ofereciam.

 

- Mas... como? – Sussurei abismada. Era a mesma proposta, com as mesmas palavras. Não haviam dúvidas, alguém interno repassou nossos planos para os Shimura, comprometendo completamente os Laboratórios Hatake.

 

- O que vocês podem nos oferecer além do que eles já nos ofereceram, senhorita Haruno? – Perguntou puxando o papel para si novamente.

 

Eu ainda estava atordoada com a surpresa pelo vazamento de informações. Abri a boca, mas as palavras não vinham. Eu realmente não esperava por aquilo. Somente pessoas de extrema confiança tinham acesso àquela proposta. Como poderia ter sido repassado sem que ninguém soubesse?

 

- Bom, então não há mais nada para mim aqui. – Disse enquanto solicitava a conta ao garçom.

 

Entregou as notas para o homem e me olhou uma última vez.

 

- Até, Sakura. – Falou se levantando, e como num ato inconsciente eu levei minha mão até a sua, puxando-a para que se sentasse novamente.

 

- O que você quer pra fechar esse contrato comigo? – Perguntei tentando segurar o nervosismo em minha voz.

 

- O que você está disposta a fazer? – Sua voz saiu calma, mas um sorriso malicioso se fez presente, deixando todos os meus sentidos em alerta.

 

- Qualquer coisa. – Admiti convicta com o cenho franzido pela determinação.

 

Voltar com as mãos vazias e ainda por cima entregar o maior cliente do Japão para os Shimura não era uma opção. Eu não desistiria tão facilmente. 


Notas Finais


Sakurinha está com um grande problema em mãos, heim?!
Será que ela vai convencer Sasuke a fechar o contrato com ela?

Não deixem de comentar, estou doida pra saber o que acharam do capítulo e o que esperam para o próximo ❤

Nos vemos na semana que vem no mesmo Bat-horário e no mesmo Bat-canal 😘


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