História O Amor é Azul - Capítulo 56


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Exibições 494
Palavras 7.470
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Esporte, Festa, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


EEE eu volteeei.
Gente, sobre esse capítulo:
1. nem tudo é flores, se a vida real fosse fácil as coisas seriam mais felizes.
2. Ser do meio LGBT+ é muito mais que própria aceitação e aceitação da família, ser você mesmo é até perigoso em uma sociedade como a nossa, e claro que eu precisava mostrar esse medo neles agora que já se aceitaram.
3. Família é algo complicado, não é da noite pro dia que tudo fica bem.
4. nesse capítulo tem lemon- e está bem diferente de tudo que já escrevi, espero que gostem. Vou deixar um link lá embaixo se quiserem ouvir o que eu tava ouvindo quando escrevi o lemon. Pra mim isso dá um clima kk
5. A fic ta acabando, depois do próximo cap vem o epílogo e depois só extras.
6. Comentem gente, por favor. São os comentários de vocês que me fazem continuar com meu sonho de escrever.
Perdoem qualquer erro, sempre evito, mas tenho preguiça de revisar. Me avisem os graves.
Espero que gostem,
boa leitura.

Capítulo 56 - Capítulo 48- Marco


 

-Certo- Daryl suspirou, ajeitando os cabelos loiros em frente ao espelho- Isso está mesmo acontecendo?

-Está- Confirmei pela décimas vez naquela noite, seu reflexo sorriu para mim.

-Deveria parar de perguntar isso, mas parece tão surreal.

-É só nosso baile de formatura.

-É, só o encerramento do nosso ensino médio e a primeira vez que vou encarar as pessoas das escolas desde... Você sabe. O Jogo.

Ergui uma sobrancelha.

-É assim que vamos chamar o evento épico em que você me beijou na frente de todo mundo? O Jogo?

-Isso, O Jogo- Daryl voltou a encarar o próprio reflexo, arrumando a gravata borboleta. Até hoje não consigo imaginar o que ele tanto arrumava. Para mim estava perfeito- Estou ansioso, Marco. Como consegue ser tão calmo?

-Não ligo para nada, é fácil ser calmo assim- Dei de ombros- é só ligar o foda-se e dá tudo certo.

-Esse é um talento que não tenho- Daryl se aproximou da beirada da cama, onde eu estava sentado e ajeitou meu cabelo (e eu concordava que não estava perfeito, mas acho que ele só estava fazendo isso para se distrair)- Quero muito te beijar agora.

-Daryl, somos só você e eu, no seu quarto. O que está esperando.

-Não quero amassar minha roupa e as meninas estão nos esperando há horas. Precisamos ir.

-Há horas? Mais que isso. E foi você quem demorou a se arrumar.

-Porque alguém me atacou no banheiro- O garoto revirou os olhos- Precisamos ir, não quero me atrasar dessa vez.

Sorri, levantando da cama e segurando sua mão, entrelaçando nossos dedos enquanto descíamos para a sala.

-Você nunca chega na hora quando está comigo.

-Eu sei. Isso é irritante.

-Tudo é irritante para você.

Daryl soltou minha mão, parando no meio da escada e cruzando os braços, com o bico mais fofo do mundo no rosto.

-Não está me levando a sério.

-Desculpe, não dá para te levar a sério com essa carinha- Ri, levantando a mão para apertar sua bochecha afetuosamente, mas o loiro estapeou minha mão antes que eu o fizesse- Ei!

-Nem doeu, criança. Estou ansioso, Marco. E nervoso. Eu sei que é difícil para você entender, mas a visão que as pessoas têm de mim me interessa- Ele fechou os olhos, suspirando.

Foi minha vez de cruzar os braços.

-Se arrependeu?

-Não!- Seus olhos se arregalaram- É só que... É a primeira vez que vou encarar pessoas que eu conheço como a pessoa que realmente sou e isso está me deixando em desespero.

Sorri.

-Está com medo do que vão dizer?- Daryl olhou para os próprios pés, suas bochechas estavam adoravelmente coradas.

-Não é medo, aceito o que precisar passar para estar com você. Só estou surtando um pouco, só isso. Mas vou ficar bem.

Balancei a cabeça, sorrindo ainda mais, por algum motivo vê-lo tão nervoso me deixou animado.

Era fofo, adorável, como uma criança tentando se mostrar mais forte que realmente era. A única diferença era que Daryl realmente era forte, mas insistia em não notar. E o mais fofo nisso tudo, era que, apesar de estar nervoso, não queria voltar atrás. Estava me dizendo, me pedindo apoio, e isso comparado com o Daryl orgulhoso que eu costumava conhecer... Nossa, era uma puta mudança.

Abri os braços, sem dizer nada, sem deixar de sorrir, e por um instante Daryl ergueu a sobrancelha, como se dissesse que eu era idiota- ele dizia isso com tanta frequência que sei rosto já denunciava antes mesmo que abrisse a boca-, mas também sorriu e me abraçou, escondendo o rosto em meu pescoço.

O segurei perto de mim, com uma mão em sua cintura e a outra acariciando os cabelos macios, enquanto ele me apertava, precisando de algo- ou alguém- para segurá-lo, um apoio maior. Sinceramente, me sentia o homem mais feliz da terra em poder ser este apoio.

-Vou te dar um spoiler- Sussurrei- As pessoa irão olhar, irão apontar, irão cochichar, e sabe por que irão?

-Por que somos um casal?

-Porque somos lindos. Por favor, olhe para nós dois. Somos os mais gatos das quatro escolas, admita.

Daryl riu alto, ainda me abraçando, sorri, estava ficando surpreendentemente bom em fazê-lo rir em momentos tensos. Ele precisava disso.

-Você é idiota, Marco- Viu? Ele realmente diz isso com muita frequência.

-Esse é seu jeito de dizer que me ama?

Daryl me encarou por um segundo, então sorriu e me beijou na testa.

-É sim. Amo você.

-Também te amo.

-Eu juro que se vocês continuarem com esse grude, vou enfiar uma caneta na minha garganta- Jessie gritou do quarto, o que nos fez rir.

-Deixe de ser invejosa, Jess- Daryl revirou os olhos, continuando o caminho até a sala, onde Paige digitava algo rapidamente no celular.

-Jessie não vai com a gente?- Perguntei e Paige deu de ombros.

-O namorado vai busca-la.

Daryl cruzou os braços.

-Eles ainda não namoram.

-Ciumento- Cantarolou a mulher dos cabelos roxos e se levantou do sofá, ajeitando o vestido prateado- Ei, Gid, os rapazes estão prontos.

-Certo, certo- Meu sogro saiu da cozinha, com uma taça de vinho na mão- Eu dirijo?

-Pai, estava bebendo?

-Só um pouco. Ao contrário de certas pessoas, sei que não é saudável tomar garrafas de vinho em uma noite só- O homem sorriu brincalhão e Daryl corou.

-Haha, sem graça.

-Foi um pouco divertido- falei, ignorando o olhar frio do loiro.

-Vamos logo, quero comida de baile- Paige rolou os olhos, então tirou uma câmera fotográfica da bolsa- Vocês dois, se abracem, hora da foto de casal. Sempre tiramos na formatura.

-Abraçar?- Daryl ergueu uma sobrancelha- Isso não faz uma boa foto de casal- Disse ele, então me puxou pelo smoking, me beijando com força e se afastando tão rápido quanto se aproximou- Isso faz uma boa foto de casal.

-Faça isso de novo e não vamos ao baile- Mordi o lábio inferior, pelo sorriso provocante no rosto do meu namorado.

-Meninos- Gideon chamou, massageando a testa como se estivesse com uma forte dor de cabeça- Na minha frente não, por favor.

Paige bufou, encarando o irmão com um olhar raivoso.

-Não seja babaca, Gideon.

-O que foi? Não sou obrigado a ficar vendo pessoas se beijando na minha casa...

-Quando era você e suas garotas tudo bem, certo?- Daryl falou sem se controlar, seus olhos estavam um pouco vermelhos, mas ele não nos deu a chance de olhá-lo por muito tempo, e saiu de dentro da casa.

Olhei para Gideon com o mesmo olhar assassino que Paige exibia, embora o dela fosse muito mais feroz.

-Você não está nem mesmo tentando, não é?- Falei com desprezo- Vou à frente, com Daryl. Deem alguns minutos para ele se acalmar, depois vão. Tem mais de um carro nessa casa mesmo.

-Talvez seja melhor eu...- Gideon começou, mas o interrompi.

-Não. Você tem que ir, é importante para ele que esteja lá.

-Não acredito que está cogitando faltar à formatura do seu filho- Paige passou as mãos no rosto, bagunçando toda a maquiagem, embora estivesse muito nervosa para se importar- Sério, Gideon? Um beijo? Por causa de um beijo vai estragar a grande noite da vida dele?

-Qual é Paige, ainda estou tentando me acostumar.

-Não está. Marco está certo, sequer está tentando- A mulher roubou a taça da mão do irmão, tomando tudo que tinha dentro-Vá à frente, garoto. Vamos logo.

Assenti, olhando para Gideon uma última vez.

-Se está tentando me fazer ir embora, saiba que nada do que diz me atinge. Atinge Daryl, sim. Mas ele não vai me mandar embora. E eu não tenho medo de lutar por ele- Falei e saí da casa, indo em direção ao carro vermelho de Daryl.

O loiro estava quieto, com os braços cruzados, encostado na porta do motorista.

Não se surpreendeu quando o beijei na bochecha, embora não tenha dado nenhum sinal de ter visto minha aproximação. Sua cabeça não estava ali.

-Vamos?- Sorri, e meu garoto também sorriu.

-Claro- Disse ele, me beijando outra vez e entrando no carro.

Não me importava de ser passageiro quando era ele que dirigia, além disso ter controle em algo quando estava chateado- e tudo parecia fora de controle- o deixava mais calmo.

-Tomou seus remédios antes de sair.

-Tomei.

-Não vai beber nada alcóolico, certo?

-Não prometo...

-Daryl!

-Certo- Ele riu- Não vou beber, prometo.

-Ótimo alguém precisa dirigir.

-Sem chances- O loiro contestou- Se não vou beber, você também não vai.

Joguei a cabeça para trás, com um grunhido manhoso, encostando-me no banco.

-Isso já é maldade- Daryl sorriu pelo meu comentário, mas foi só isso. Suspirei olhando o teto do carro. Aquele pobre carro vermelho era tão novo e já vira tantas DR’s... Estava prestes a ver mais uma- Não vou deixar que passe uma das noites mais importantes da nossa vida chateado assim. Encoste o carro, vamos conversar um pouco.

Mais uma mudança importante na nossa vida depois que Daryl se assumiu: meio que viramos confidentes um do outro.

Certo, isso é normal em relacionamento, mas sempre tivemos essa vontade maior em proteger um ao outro do que sentimos ao invés de fazer um sentir à dor do outro. Então era bem foda abrir o coração, sabe? Deixar tudo no “ei, estou bem, relaxa” era muito mais fácil. E foi aí que nosso relacionamento foi para a puta que pariu.

Não foi um acordo, pelo menos não esse, em um momento estávamos escondendo coisas, no momento seguinte logo na primeira pergunta a resposta era sincera e dolorosa.

Por esse motivo, apesar de estar visivelmente hesitante, Daryl encostou o carro e tirou o cinto, escondendo o rosto nas mãos.

-Querido?- Chamei, tocando suas costas em uma tentativa de consolo e o loiro ergueu o rosto cansado.

-Minha mãe está em um resort. Sabia? Depois que eles viajaram, meu pai decidiu que talvez fosse melhor ela não voltar para casa por um tempo- Daryl bateu a mão no volante, ele estava tremendo- E é por minha causa. Ela não quer me ver. Está perdendo a formatura da Jessie por minha causa.

-Daryl...

-Fico feliz que meu pai tenha aceitado, mas é óbvio que ele preferia mil vezes quando fingíamos sermos só amigos. Mas eu não posso fazer isso, não somos amigos, não posso fingir mais. Nem mesmo para agradar meu pai. Meu vô me ligou há alguns dias. Ele não está feliz comigo, nem o restante da minha família. Estão com raiva do que eu fiz com o nome Noer e meu pai está tentando segurar a barra pro meu lado.

-Eu não sabia disso, você não me disse- É, parece que ele ainda tenta me proteger das coisas.

-Me desculpe você estava tão animado com o baile nos últimos dias que não deu para contar. Fiquei chateado quando precisou voltar para casa, estava tão bem quando estava cuidando de mim- Daryl sorriu tristemente- Não me arrependo de nada, caso ainda reste dúvidas. Não tenho medo do que pode acontecer comigo, só queria que não doesse tanto.

O encarei, naquele momento era tudo que conseguia fazer.

-Por isso estava tão nervoso com o baile- Afirmei- Não quer ver os olhares das pessoas da escola, não depois do show que fez...

-Eles me odeiam. Só não nos expulsaram porque tecnicamente já estamos fora.

-E porque ninguém quer irritar seu pai.

-É, por isso também- Ele encostou a cabeça no banco, mas seus olhos se voltaram para mim- As pessoas estão certas quando dizem que casais gays correm riscos em todos os lugares. Nunca sei quando vão me desprezar. Como você, Uriah, Connor e Lind aguentaram tão firmes? Como consegue ter toda essa pressão e não ceder?

-Nós nos unimos. Só eu sei quantas vezes vi Uriah chorar desde que saiu da casa dos pais adotivos. Até hoje ele chora, afinal não os vê há dois anos. Connor e Lind não tiveram problemas em casa, mas sempre sentiram na pele o desprezo das pessoas ao redor- Sorri- E por incrível que pareça, saí com mais garotas que Thomas e Christian juntos. Só estou sentindo mesmo como as pessoas odeiam pessoas como nós agora que estou com você. A diferença é que não me importo e sempre tive a minha família para fazer uma barreira contra as pessoas de fora. Você não tem isso, seu nome é um alvo e, bem, você meio que colocou pisca-pisca de natal nesse alvo.

Daryl riu.

-Você também sente isso?

-Sinto mais por você que por mim, mas aguentamos até aqui, na aguentamos? O pior já passou, isso é algo que infelizmente vamos ter que nos acostumar com o passar dos anos.

-Com o que? Insegurança? Desprezo?

-Maldade, o risco de ser agredido na rua a qualquer momento- Suspirei, não tinha nenhuma piada que fizesse aquele momento menos tenso.

-Não quero que ninguém te machuque, amor.

-Eu também não quero que ninguém te machuque.

-Acho que agora estou com medo.

Ficamos em silêncio, ele olhando os carros passando por nós, eu o encarando sem conseguir desviar o olhar.

Eu também estava com medo.

Um medo profundo e frio de algum dia alguém o ferir por estar comigo, por me amar. Nunca senti esse medo por ninguém, e realmente era algo doloroso demais.

Pela primeira vez realmente entendi o que se passava na cabeça dele durante todo esse tempo que estávamos juntos, e era uma sensação aterrorizante.

-Daryl- O chamei sem acreditar no que estava dizendo- Daryl, ainda dá tempo de desistir. Não vou te odiar por isso.

O loiro fez uma careta.

-O que está sugerindo?

-Estou sugerindo que não se arrisque. Fala sério, eu não valho a pena- Sorri com tristeza- Sou pobre, sou idiota, não posso te garantir nada além do meu amor, mas vamos ser sinceros. Nunca é o suficiente.

Para minha surpresa, Daryl não ficou chateado, nem com raiva, nem chorou como pensei que faria. Ele riu.

-É o suficiente para mim. Marco, não posso desistir de nós. Amo você. Isso, o que nós temos, é muito puro. Vale a pena. E você é incrível, não se rebaixe por motivos tão ridículos.

-Não quero que sofra...

-Vou sofrer sem você. Já fizemos isso uma vez, foi pior para os dois. Vamos aceitar, nascemos para ficar juntos. Se isso significa morrer com você, eu aceito.

E nesse momento- mais que durante o dia todo- me surpreendi demais: porque eu comecei a chorar.

Não sei dizer se era um choro de alívio, de dor, de pânico ou algo assim, só sei que eu precisava daquilo.

Já me meti em muita encrenca, em muitos relacionamentos, e nunca tive medo de me machucar, nunca temi consequências. Até que me apaixonei por ele e passei a temer por ele. Nunca amei alguém assim, nunca protegi alguém assim e nunca conheci alguém disposto a morrer para defender seu amor por mim.

Acha que estamos exagerando?

Infelizmente, não estamos.

Pessoas machucam casais homossexuais o tempo todo, estupram lésbicas, matam trans e agem como se tudo estivesse certo.

Em vários momentos da minha vida senti medo disso atingir Uri ou Lind, mas pensar que poderiam machucar Daryl por estar de mãos dadas comigo? Um tiro doeria menos. Qualquer coisa doeria menos.

Como se bastasse ter problemas na família, na escola, conflitos internos, problemas para conseguir empregos em muitos casos, precisávamos ter medo de morrer por amar alguém.

Era absurdo, era ridículo, mas era um medo real. É um medo real.

Daryl me abraçou, e fiquei feliz por isso, precisava ter certeza de que ele estava ali, estava comigo.

-Porque sempre brigamos ou conversamos sobre coisas ruins antes de algum evento? Estraga a animação- Disse ele sorrindo- Não chore, eu sou o sentimental entre nós.

-Daryl, o que eu faço se perder você?

-Me encontre outra vez, não é o que sempre faz?

-Meu coração bate por você.

-E o meu por você- Daryl se ajeitou no banco do motorista, observando enquanto eu enxugava minhas lágrimas.

-Já podemos ir- Falei quando tive certeza de que ficaria bem.

-Certo- Daryl ligou o carro, voltando para a estrada- Marco, quando chegarmos lá, quero que segure minha mão bem forte e não solte.

-Por quê?

-Porque assim não fico nervoso.

Sorri.

-Não vou soltar.

Ficamos em silêncio pelo restante do caminho.

Claro que ele ainda sentia pela família, uma conversa não apagaria isso tão facilmente, e é claro que este era só um dos primeiros problemas que teríamos que conviver se quiséssemos ficar juntos, os outros eram mil vezes piores. Realmente valia a pena?

Spoiler?  Valia sim, qualquer amor que dure tanto quanto o nosso dura, vale totalmente a pena.

E acho que fomos percebendo isso aos poucos.

Quando um relacionamento começa tudo é muito intenso e lindo, então as pessoas se conhecem melhor e brigam- afinal são pessoas diferentes com ideias diferentes, é normal-, alguns casais aguentam firme, outros terminam, outros terminar e se renovam- como nós fizemos-, a questão é que quando é verdadeiro, permanece, e chega um momento que tudo está em um furacão, tudo está uma turbulência, mas seu coração está calmo.

Essa calmaria demora, mas a partir do momento que você a nota, ela não solta mais.

A nossa começou em um campo de futebol e a cada momento crescia.

A escola escolhida para sediar o baile foi o Colliseum, mais que justo já que venceram o campeonato, e fiquei surpreso em como o salão de baile era enorme para comportar as quatro escolas em deixar ninguém para fora.

Emma nos recebeu logo na entrada, com Lind ao lado- ela havia sido a convidada de Emma, claro e as duas não se largavam por um segundo sequer.

Vimos Thomas e Laureen logo depois, mas não deu para falar com eles porque:

Estavam se pegando. Muito. Como se não tivesse ninguém ao redor.

Daryl desviou do caminho até Laureen assim que a viu.

Suspirei.

-Qual é, Daryl...

-Não, não quero falar com ela, ou com Carl. Só Emma porque ela é um amor. Não quero conversa com Laureen. Nunca mais.

-Mas ela é nossa amiga...

-Não minha. E não vamos brigar por isso agora, okay?

-Okay. Prefiro não brigar nunca.

-Seria bom- Ele sorriu, apertando minha mão.

Realmente as pessoas no lugar olhavam para nós, mas também olhavam para Emma e Laureen, e para alguns outros casais LGBT que eu nunca tinha visto na vida.

-Acho que... O jogo- Falei, lembrando de como Daryl chamara mais cedo- Abriu portas para outros alunos. Você é tipo Moisés, abrindo o mar vermelho do preconceito.

-Um Moisés gay- Daryl refletiu – Essa foi a coisa mais bizarra que já me disse.

-Não, já disse piores, mas essa com certeza entra para os dez mais.

-Vou anotar mais tarde.

-Ei gente- Emma se aproximou, Lind estava um pouco atrás dela e parecia já estar muito bêbada- Estão se divertindo?

-Acabamos de chegar- Daryl deu de ombros- Onde pego um refrigerante?

-Refrigerante?- Pulei de susto, Stacey parecia ter surgido do além- Rapazes, esse é o baile de formatura.

-Infelizmente não posso beber por um tempo- Daryl se justificou.

-E nem fazer outras coisas...

-Soube que fez uma cirurgia no coração- Disse Sebastian, ignorando totalmente o que eu disse.

-É, estou tentando não me matar por um tempo.

-Boa sorte, cara- Thomas também tinha o talento de surgir do nada, e, assim como Lind, parecia muito bêbado- Duvido que fique sem álcool por muito tempo.

-Pelo jeito consigo mais tempo que você.

-Nós apostamos quem ia ficar bêbado primeiro- Lind riu- Aí enchemos a cara, mas eu me esqueci de ligar o cronômetro.

-O cronômetro estava na minha mão, querida.

-Ah é. Eu ganhei?

-Claro querida- Emma sorriu, então olhou para Daryl e eu, fazendo que não com a cabeça. Seguramos firme para não rir.

Thomas se apoiou nos ombros do melhor amigo.

-Sabe o que devíamos fazer? Apostar quem fica bêbado menos devagar.

-Já fizeram isso, Thommy.

-Não, nós fizemos quem fica bêbado primeiro- Disse o loiro em tom de deboche- E aí o que acham?

-Achamos que você já está bêbado. Olá gente- Jessie acenou, com o braço entrelaçado no de Jared.

-Olá moça linda- Thomas sorriu safado.

-Thommy!- Daryl se irritou- É minha irmã, cara.

-Ah, merda.

-Você não está com a Laureen?- Perguntei

-O lance deles é mais pegação casual- Esclareceu Emma, tentando impedir que Lind mordesse os sapatos que tinha tirado do pé.

Daryl empurrou Thomas, que custou a ficar em pé sozinho, mas conseguiu.

-É horrível ser o único casal que não vai beber- Ele murmurou- Hey, Jess, tia Paige já está aqui?

-Quando saí de casa ela ainda estava brigando com o papai. Falando nisso, lamento pelo que aconteceu irmão. Ele vai se acostumar.

-Espero que sim. Mas tudo bem, nós meio que aprendemos a conviver com isso. Marco, vamos dar uma volta ficar no meio de tanta gente bêbada está me deixando enjoado.

Achei estranho, Daryl não era o tipo de pessoa que se afastava dos amigos por não poder beber com eles, mas concordei e seguimos para fora do salão.

Eu já não lembrava porra nenhuma do Colliseum, mas Daryl conhecia mesmo que o lugar estivesse um tanto escuro. A escola só havia deixado o salão acesso, não entendi se pretendiam manter as pessoas no salão com isso, ou se queriam facilitar quem quisesse transar ali. De qualquer forma, a segunda opção funcionava melhor.

-Onde vamos? Está tudo bem?

-Está- Daryl sorriu- Quero só ir ao lugar em que fico mais confortável no mundo.

-Achei que fosse minha cama.

-Também, mas agora estou falando do campo.

-Ah, certo- O segui até entrarmos no campo, entendia o que ele sentia, era a mesma sensação de entrar em uma pista de skate para mim.

Daryl sentou na arquibancada, com o rosto apoiado na mão, me olhando.

-Amo você.

-Também te amo- Ergui uma sobrancelha- Ray, está tudo bem mesmo?

-Está.

-Por que quis vir aqui? Estava mesmo desconfortável lá dentro?

-Não- Daryl se levantou, ficando de frente para mim, tirando o paletó do smoking e provavelmente meu olhar foi hilário, porque o sorriso dele foi incrível- Só queria ficar sozinho com você um pouco.

-O que?- Por que eu estava agindo de um jeito tão bobo? Até hoje não sei, Daryl já tinha agido de diversas formas comigo, mas nunca daquele jeito.

Ele arrancou a gravata borboleta e jogou em qualquer lugar na arquibancada, seus olhos estavam fixos em mim, e eu não conseguia desviar dele.

Só tirei meus olhos dos seus quando Daryl se aproximou o suficiente para nos beijarmos, e... cara, ele estava feroz.

Talvez fosse pelo tempo que não fazíamos nada, mas o loiro estava literalmente faminto, não estávamos fazendo nada demais, pelo menos não ainda, ele estava me enlouquecendo com um simples beijo.

Se a intenção era me levar para um lugar isolado e me provocar, ele tinha conseguido.

O separei de mim abruptamente, Daryl me encarou confuso, sem entender porque o tinha afastado.

Sorri, beijei sua testa e me sentei na arquibancada, o puxando pela cintura até que estivesse em meu colo, então voltamos a nos beijar, seus lábios eram gentis e suaves, ao mesmo tempo fervorosos e agitados.

Suas mãos seguravam minha cabeça, tudo que eu conseguia pensar era em como o queria mais perto, então o puxei mais para mim, gemendo pelo contato mais intenso, ao mesmo tempo que ele voltava a me beijar com mais voracidade, mordendo meus lábios, se afastando quando eu queria mais, me dominando de forma incrível e excitante.

-Daryl- Suspirei, é meu talento ser estraga prazeres- Achei que...

-Que eu não pudesse- Ele riu, me beijando outra vez- E não posso, mas não ligo. Quero você, não aguento mais me segurar.

Sorri.

-Então me dê tudo que tem.

Daryl corou, um flash do antigo e tímido Daryl que eu costumava conhecer, mas logo o rubor deu lugar a um sorriso provocante e senti sua aproximação lenta em meu pescoço, senti seus lábios molhados tocando minha pele quente, senti meu corpo estremecer e suspirar sem minha aprovação.

Seus lábios deslizaram pelo meu maxilar em mordidas fracas, minhas mãos passearam por baixo de sua camisa branca, pela sua bunda, pelas coxas, sem poder parar de tocá-lo, de me mover contra ele e apertá-lo contra mim só para senti-lo suspirar em minha pele.

Mais uma vez sua boca encontrou a minha, minhas mãos trêmulas abriram os botões da sua camisa, livrando seu corpo de mais uma das peças incômodas, e me livrei da minha própria gravata e paletó, deixando minhas mãos livres para tocar seu corpo, senti-lo se movendo em meus dedos, o choque agradável de sua pele contra a minha era extasiante.

Me coração estava a ponto de explodir no peito, meu corpo todo pulsava chamando por ele, pedindo por mais.

Desci meus lábios pelo se pescoço, sabia muito bem que era uma área sensível para ele, mas naquela noite ele não estava disposto a ceder a mim.

Seus lábios tomaram os meus outra vez, uma de suas mãos tocou meu membro por dentro da calça me fazendo suspirar contra seus lábios, mas Daryl, não satisfeito, riu, continuando os movimentos leves em meu membro, ao mesmo tempo em que movia seu corpo contra o meu.

Gemi alto, segurando-o em meu colo com tanta força que provavelmente deixaria as marcas dos meus dedos.

O encarei, sem desviar o olhar enquanto ele me tocava, seu olhar era intenso, seu sorriso enlouquecedor, me fazia imaginar- e desejar- coisas que nem mesmo a intimidade que tínhamos me permitia pedir.

Eu não entendia, não entendia as ações dele, porque estava daquele jeito, mas não queria que parasse.

-O que houve?- Perguntei entre suspiros, o beijando- O que deu em você?

-Nada- Daryl sorriu, mordendo meu pescoço com força. Mais uma vez, não controlei os sons que saíram de minha garganta. Ele estava tentando me enlouquecer?

-O que você quer Daryl?

-O que você quer Marco?

-Eu quero você.

-E eu quero que você me tenha.

Me irritei, seu sorriso presunçoso estava me dando nos nervos.

Tirei suas mãos de mim, segurando as duas e o deitei na arquibancada.

Seu sorriso não tinha sumido, pelo contrário, estava pior.

O beijei com força, segurando suas mãos e o impedindo de qualquer tentativa de tomar o controle outra vez.

Já sem paciência para qualquer outra coisa, o despi da calça e da boxer escura, o puxando de volta ao meu colo, o penetrando com cuidado, ouvindo seu gemido tão próximo do meu ouvido.

Pelo jeito, ele também estava sem paciência, já que logo começou ase movimentar em meu colo, cavalgando em mim, subindo e descendo, lentamente, rapidamente, me enlouquecendo, mais uma vez tomando o controle.

Arranhei suas costas, gemendo de pelas ondas de prazer que tomavam meu corpo.

Não me importava onde estávamos, na verdade pensar que alguém poderia entrar ali e nos ver me excitava ainda mais. Não tinha nada a perder, e, céus, aquilo estava mais divertido que qualquer baile de formatura idiota.

Voltei a deitá-lo na arquibancada, beijando-o, voltando a tomar as rédeas dos movimentos, me curvei sobre ele, sentindo suas mãos se segurarem na pele quente das minhas costas por dentro da camisa, e o estoquei com força, seu rosto estava corado, seus gemidos diminuíam se se elevavam, dependendo da minha força e velocidade.

Daryl me puxou mais contra ele, me pressionando com tanta força que chegava a doer, mas eu amava, eu o amava, e amava sentir qualquer coisa que mostrasse que era real, que nós dois estávamos ali, juntos, sem medo.

Era incrível.

-Marco...- Daryl suspirou, antes de gemer alto mais uma vez e me beijar apesar dos movimentos bruscos. Ele afastou sua boca da minha- Amo você.

Não respondi, o máximo que podia fazer era sorrir, e eu sorri, aumentando a força e passando a tocá-lo. Seus olhos se fecharam, o rubor em seu rosto aumentou e Daryl cobriu a boca, sem o menor sinal de seu sorriso presunçoso de antes.

-Marc...- Sua voz não passava de um sussurro, mas seu corpo me dizia tudo que eu precisava saber, o beijei, deixando que mordesse meu lábio inferior com força ao se desfazer contra o meu corpo.

Me movimentei mais algumas vezes, sem evitar os gemidos e suspiros, antes de me desfazer dentro dele com um gemido alto, então me separei dele, ofegante, bagunçado, entorpecido. Eu queria mais.

Daryl riu.

-Sempre quis fazer isso na minha formatura.

O encarei um tanto surpreso.

-Então transar na arquibancada não era um fetiche só meu?

-Não- O loiro deu de ombros- Mas eu precisava te segurar enquanto pudéssemos ser expulsos.

-Você sujou minha roupa- Reclamei e ele sorriu.

-É por isso que, antes de transar, as tiramos.

-Não sei, eu não ficaria confortável nu em um campo de futebol- Falei o encarando.

-Não é tão ruim, para falar a verdade. Precisamos fazer isso mais vezes.

-Ótima ideia. Vestiário?

Daryl fez uma careta.

-Agora?

-Porque não? Prefere voltar para os nossos amigos bêbados?

O loiro pensou um pouco.

-Bem, pelo menos posso tomar um banho- Ele sorriu e me beijou- Vamos?

...

Quando voltamos para o salão, todos já estavam bêbados demais para reparar dois garotos de cabelos molhados entrando ali, pelo menos não as pessoas comuns, porque assim que chegamos ao nosso grupo de amigos que estava sentando em um canto- e quando digo em um canto, eram uma rodinha no chão- Lind e Thomas estreitaram os olhos.

-Cabelos molhados, roupa molhada, os dois estão sem o paletó e a gravata- Disse Thomas e Lind sorriu me olhando.

-Vestiário?

Dei de ombros.

-Também.

-Você me enche de orgulho, tigrão.

Daryl revirou os olhos e Jessie riu.

-Enquanto vocês transavam em sabe-se lá quantos lugares, ocorreu todo o evento da formatura, rei e rainha do baile e blá, blá. Paige e papai te procuraram, agora acho que até já foram para casa.

-O que vale é a intensão- Daryl riu- Podemos ir embora? Não tem mais nada de interessante para fazer aqui.

-Podemos ver o Uri? Ele não pôde vir já que não é da escola, nem par de ninguém- Pediu Lind- E ele anda muito preocupado com as preparações para a faculdade e tudo mais.

-Vamos- Sorri- Vai ser divertido chegar na casa dele tarde assim e do nada.

Não foi divertido chegar na casa dele tarde assim e do nada, Uriah nos xingou de tudo que é nome por tê-lo acordado e fechou a porta na nossa cara. Depois abriu, ciente de que seus amigos eram doidos e passariam o dia todo ali se precisassem.

-Da próxima vez que surgirem assim do nada, vão ficar mesmo aí fora- Ele resmungou, vestindo uma camisa e pegando Ghost no colo.

Connor era muito sonolento, levava muito tempo para acordar de verdade, então tenho certeza que ele não estava entendendo porra nenhuma do que estava acontecendo.

-Desculpa, queríamos te ver?- Lind se jogou no sofá, sem se importar se seu vestido tinha levantado.

-Não deviam estar em um baile- Connor coçou os olhos e Tommy riu.

-Sim, mas aí Daryl e Marco se divertiram até ficarem entediados e quiseram vir embora.

Uriah fez uma careta.

-Na escola? Nojento.

-Eu acho excitante- Lind deu de ombros e Emma corou.

-Não que já tenhamos feito isso. Não fizemos.

-Ninguém citou você, querida.

-Vocês fazem algo além de segurar as mãos uma da outra?- Fiz uma careta- Meu Deus, Emma. Estou chocado.

-Você não tem direito de falar nada, Marc.

-Tenho sim, que eu sou safado todo mundo sabe. Emma é um anjo.

-Ele tem um ponto- Uri concordou e tentei não levar isso para o pessoal.

-Vieram aqui só encher o saco mesmo?- Os olhos de Connor estavam tão pesados que eu duvidava que conseguisse enxergar algo.

-Vivem aparecendo na minha casa em horários inusitados- Resmunguei- Não reclamem.

-Deixe-os em paz, Connie- Uriah estava sorrindo- Vou sentir falta disso, quero aproveitar.

-Vamos dormir juntos, nós três, como fazíamos quando éramos menores?- Pediu Lind- Por favor gente, estou nostálgica.

-Marco vai dormir comigo- Daryl cruzou os braços.

Thomas revirou os olhos.

-Vocês são tão gays.

-Dãh? Não é óbvio?- Uri riu- E acho que vai ter que ficar para outro dia. Connor está parecendo um gatinho manhoso, precisa voltar em paz para a cama antes que fique com raiva.

-Não pareço um gatinho- Connor fez bico. Ás vezes eu me questionava se ele era mesmo o mais velho da relação.

Uriah deitou a cabeça do namorado em seu colo, brincando com seus cabelos castanhos, com um sorriso terno no rosto.

Sorri e olhei para Daryl, ele também olhava para mim e percebi que pensamos no mesmo: o amor deles era lindo, e o nosso também.

-Porque estão se olhando desse jeito?- Thomas ergueu uma sobrancelha- Esquisitos.

-Isso se chama olhar apaixonado- Emma riu- Você não conhece. Afinal, onde está Laureen, Jessie e Jared?

-Da última vez que vi Laureen, ela estava se pegando com um cara bonitão no baile. E Jessie provavelmente aproveitou que Lind está aqui para ir à casa do Jerd- Thomas bocejou- A cara do Connor está começando a me dar sono.

-Acho que deveríamos ir para casa- Daryl disse, ainda me olhando.

-Sua casa ou a minha.

-Sua. Depois converso com Tia Paige, ela deve estar chateada.

-Ela é incrível- Sorriu Lind- Essa mulher é foda.

-Claro, é minha parente- Daryl sorriu e eu revirei os olhos.

-Bem, estamos indo- Beijei Uriah na testa, Emma no rosto e Lind virou o rosto na hora errada, mas para mim não tinha problema algum dar um selinho acidental na minha amiga. Era até fofinho.

-Voltem aqui amanhã. Quando estivermos acordados, sabem?- Uriah deu de ombros- Vou precisar ir no próximo fim de semana ver como estão as coisas por lá e não sei se vou voltar antes do início das aulas.

-Ah não- Cruzei os braços emburrado e o moreno riu.

-Me desculpe, preciso ir. Quero aproveitar meu tempo com vocês.

-Prometa que vai voltar para o natal ou vou ter que te buscar. É tradição.

-Se tudo der certo, volto sim. As coisas estão corridas, Marc.

-Ei, abaixa a bola, só eu chamo ele assim- Daryl resmungou e nós rimos, nos despedimos do pessoal e fomos para casa.

Eu poderia dizer como foi o restante da semana, mas não houve nada demais.

Por conta das férias, fiquei em casa quase que 24 horas por dia cuidando das minha irmãs espoletas.

Como minha mãe ainda precisava trabalhar e alguém tinha que cuidar da casa, era Daryl quem as mantinha ocupadas a maior parte do tempo. Foi unir o útil ao agradável, Daryl sempre perto de mim e menos chateado com o pai por conta da sua reação escrota.

Sabia que o loiro ainda remoía isso, era bom fazê-lo pensar em outra coisa.

Visitamos Ron e Eli quase todas as tardes, um dia levei minhas irmãs comigo e foi uma loucura, no outro decidimos levar Jessie e nunca vi a garota chorar tanto.

Eli a amou, disse que sua tia parecia uma princesa.

A melhor parte disso era ver o sorriso orgulhoso de Daryl, como ele ficava confortável com as crianças e como as amava mesmo ainda não tendo as adotado.

Eli entendia que, por sermos menores de idade, ela ainda teria que esperar pelo menos até o meio do ano seguinte, e não ficou chateada. Dona Maribel sabia como deixar outros casais longe das minhas crianças e Rose... bem, ela ainda olhava para Daryl e eu com um olhar de desprezo, mas gostava da companhia dele.

Fazer o que, Daryl é uma pessoa muito encantadora.

E quando o fim de semana chegou todas as coisas boas da semana praticamente desapareceram da minha mente.

Naquela manhã Daryl me acordou muito cedo- era oficial, não conseguia mais dormir sem ele. Nossos pais já nem estranhavam mais se sumíssemos de casa durante a noite, sabiam onde nos procurar- fomos ao aeroporto, claro, não deixaria meu melhor ir embora sem estar presente.

Uriah estava com a cabeça deitada no ombro de Connor quando chegamos e se levantou rapidamente ao me ver, me abraçando com força o suficiente para me sufocar. Não reclamei, sentiria falta das poucas vezes que Uri ficava realmente animado com algo.

Ele se separou de mim com um sorriso.

-Não acredito que estou indo para a faculdade sem você comigo.

-Agora sabe o que senti quando não fez a prova no Paternon.

O moreno de olhos azuis riu.

-Já pedi perdão, vai jogar isso na minha cara para sempre?

-Provavelmente.

Ele riu ainda mais e abraçou Daryl.

-Estou feliz que também tenha vindo. Gostei muito de te conhecer.

-Não fale assim como se fosse embora para sempre- Daryl retribuiu o abraço- Ainda vai voltar para o natal.

-Vou tentar.

-Tentar é o caralho, vai voltar sim- Connor resmungou- Vai voltar junto comigo.

Decidi não comentar como Connor estava adorável com os olhos vermelhos e uma voz magoada. Era até engraçado, contando que ele ia junto ajudar Uri se instalar, mas provavelmente estava sofrendo por antecedência como todos nós.

-Achei que Lind, Chloe e todo mundo estaria aqui também- Comentei e Uri deu de ombros.

-Lind odeia despedidas, não a culpo por não vir. E é fim de ano, todo mundo fica ocupado nessas épocas. Mas tudo bem, todos me mandaram mensagens e querem que eu volte para o natal. Se eu voltar, vou embora só depois do ano novo, aí sim tenho certeza que todo mundo vem. As pessoas sempre aparecem quando pensam que vão perder uma pessoa.

-Ou quando estão sentindo muita saudade e são muito orgulhosas para aparecerem, então precisam aproveitar uma viagem estupida- Uriah empalideceu ao ouvir a voz de Amanda.

A garota de cabelos castanhos-acobreados correu para ele, o abraçando, com o pequeno Art ao seu lado.

Uri a abraçou com força, mas logo seus olhos se voltaram para as duas outras pessoas que vieram com ela: um homem alto, com os cabelos grisalhos da cor dos de Amanda, e uma mulher gordinha de cabelos vermelhos que chorava.

Assim que Amanda se afastou, a mulher correu, abraçando o filho que não via há dois anos e até eu tive que me segurar para não chorar quando Uriah começou a consolá-la.

-Mãe- Ele sussurrou- Você está aqui, está comigo.

-Senti tanto a sua falta, filho. Achei que não queria mais nos ver- A mulher o soltou, segurando seu rosto pálido entre suas mãos pequenas- Está tão diferente, tão grande e bonito.

Uriah soluçou, Connor se levantou imediatamente, parando ao seu lado com uma mão em seu ombro. O garoto de olhos azuis encarou o homem.

-Oi pai- Ele sorriu e o homem se aproximou, também o abraçando, mais brevemente que a mãe, e dando-lhe dois tapinhas no ombro.

-Sua mãe tem razão, está muito diferente.

-Estou surpreso que esteja aqui- A voz de Uriah era triste- Achei que tivesse deixado claro que não queria mais me ver e que eu não era seu filho.

Fechei minhas mãos em punho, me lembrava  muito bem de como Uri ficou estilhaçado quando isso aconteceu, a presença de seu pai era uma ferida aberta e ele não precisava daquilo.

Daryl segurou minha mão, percebendo minha irritação, o que me deixou um pouco mais calmo.

-Filho, por favor. Isso foi há anos, um momento de medo, de raiva, foi da boca para fora.

-Se foi da boca para fora, por que nunca o procurou?- Falei- Por que foi mais fácil fingir que realmente não tinha um filho?

Calvin Trend me olhou com tristeza, houve uma época que amei aquele homem como um segundo pai, quando ele fazia parte da minha infância, então ele partiu o coração de Uriah e nunca mais consegui amá-lo da mesma forma. Sequer conseguia gostar dele.

-Olá Marco. Se parece muito com seu pai.

-Isso não responde as minhas perguntas- Senti Daryl acariciar minha mão, um sinal de que eu estava perdendo o controle, mas não dava para deixar passar. Era a felicidade do meu melhor amigo que ele havia tirado.

-Achamos que Uriah não queria mais nos ver depois do que fizemos- Florence, a mãe adotiva de Uri, falou, segurando o braço do marido- Nunca consegui me perdoar por não intervir por ele.

-Sequer tentaram falar com ele? Amanda o procurou, e vocês?

-Marc, chega- Daryl sussurrou- Eles já estão abalados o suficiente.

-Não, fiquei anos vendo Uriah quebrado para ficar quieto agora. E seus pais estão fazendo o mesmo com você- Desabafei- Não aguento, é injusto.

-Está tudo bem- Uriah suspirou- Já os perdoei há muito tempo. Então é isso? Não me odeiam mais?

-Nunca te odiamos- Calvin, colocou uma mão no ombro do filho- Entenda, é muito difícil para os pais lidarem com algo assim...

-Para os meus foi bem fácil- Connor falou com desprezo, acho que era a única pessoa ali que estava mais puto com os Trend que eu. O casal sempre o desprezou, nunca o trataram bem e faziam de tudo para tentar intimidá-lo.

Amanda suspirou, ela também havia ficado chateada e sempre tentou colocar panos quentes, mas era difícil para Connor esquecer como o casal sabia ser maldoso.

-Meu avião vai sair- Uriah interrompeu a discussão- Me liguem se quiserem conversar... Connor e eu precisamos de um tempo para pensar...

-Não. Não pode ir sem que isso seja resolvido, filho. Já se passaram anos, algo precisa ser feito. Eu amo você, Uri, não interessa se não tem meu sangue, você é meu filho. Fui um pai assustado e covarde, deixei que partisse e achei que ficaria melhor sem mim, agora estou disposto a fazer o que precisar para me redimir. O que querem? Que eu assuma que era um homofóbico filho da puta? Eu era. Querem que eu abençoe o namoro? Vocês têm minha benção se estiverem felizes. Não da para fugir de quem somos e fui um babaca em esperar que pudesse se moldar ao que eu acho normal- Calvin encarou Connor- O que quer de mim?

-Só quero que nunca o abandone outra vez.  Nenhum de vocês. Uriah é incrível demais e já sofreu abandonos demais- Evans respirou fundo- Inclusive por minha parte. Só quero ter certeza que o ama e se orgulha dele, e nunca ouse deixa-lo outra vez.

Calvin sorriu.

-Não estou dizendo isso só porque quero me redimir, mas... Connor, te ouvindo agora, acho que nenhum homem ou mulher no mundo seria melhor para meu Uriah que você. Estou feliz que estejam juntos. Até prometo se quiserem, não vou deixar meu filho outra vez.

-Espero que cumpra o que diz. Parece que pais têm talento para mostrar as garras depois- Soltei e Daryl suspirou.

-Também doeu em você, não foi?

-Tudo que te machuca me machuca, Daryl. Quando vai entender isso?

-Eu realmente preciso ir- Uriah beijou a testa da mãe e do pai- Eu amo vocês, não posso ficar bravo por mais tempo, sempre quis que voltassem a conversar comigo. Mas eu não mudei, ainda amo Connor, ainda sou gay e espero que mostrem que isso não importa. E Manda- Ele estendeu os braços, abraçando a irmã- Obrigado por não desistir de mim.

-Não pode desistir da família- Art sorriu, segurando a perna da mãe- Família significa nunca abandonar ou esquecer. É de um filme da Disney.

Uriah bagunçou os cabelos do sobrinho.

-Mantenha isso em mente sempre, Arthur. É importante- O moreno s aproximou de mim e mais uma vez me abraçou, dessa vez ele parecia mais leve, ainda assim era ruim pensar que em breve ele iria por anos. Era difícil pensar que não poderia visita-lo a algumas ruas de distância- Vou sentir sua falta- Uri sussurrou- Talvez até mais que de Connor. É ruim deixar para trás um pedaço tão grande da minha vida.

-Eu sei, estou me segurando muito para não chorar.

-Não chore- Uri soluçou- Ou vou acabar chorando também.

-Você já está chorando- Sorri e ele beijou meu rosto.

-Eu sei, não precisa jogar na cara. E você- Meu melhor amigo apontou para Daryl, cuide bem desse cabeça dura. É a única pessoa que confio o suficiente para isso.

-Vou cuidar, prometo.

-E cuide da Ghost. Tenho certeza que PT vai gostar da companhia.

-Se ela for chata como você, acho que não tanto.

-Eu te odeio- Uri revirou os olhos.

-Vamos, precisamos entrar no avião- Connor segurou sua mão e os dois foram para o avião acenando despedidas.

Ficamos alguns minutos parados, em silêncio, até que Daryl olhou para os Trend e para mim, então suspirou.

-Não posso esperar por anos- Disse ele, do nada, tirando o celular do bolso e mexendo nele rapidamente antes de colocar na orelha- Hey, tia Paige- Disse ele alguns segundos depois. Acha que conseguimos organizar um jantar para amanhã? Não, não é para muita gente. Só você, eu, Marco, Jessie, a mãe, o pai, Jenna, Karin e Tess. Já passou da hora de apresenta-los, meus pais precisam de um exemplo de como uma verdadeira família funciona.


Notas Finais


Música: https://www.youtube.com/watch?v=zzSQ67fhk6g&index=1&list=RDzzSQ67fhk6g
Sobre os nomes dos pais do Uri: eu estava ouvindo Calvin Harris - Sweet Nothing ft. Florence Welch. Minha criatividade não funciona o tempo tdo. Não sei pq quis compartilhar isso, achei engraçado.
Pessoal, os comentários de vocês têm me deixado muito feliz e em um deles me perguntaram qual personagem me identifico mais e a resposta é daryl.
Sério, sou o Daryl mulher, só que pobre e feia. Vou explicar mais sobre isso no epílogo. Façam mais perguntas desse tipo, é legal.
Sabiam que eu planejo vários detalhes que não tenho motivos para colocar na fic, mas existem? Resolvi colocar alguns aqui, se já se perguntaram algo assim alguma vez, me falem.
1- Marco e Daryl se conheceram há quatro meses, mais ou menos, nesse momento na fic.
2- Eles se conheceram em Setembro, agora estão em dezembro ( fim de aulas e tudo mais).
3- Os dois fazem aniversário exatamente com um mês de diferença. Marco faz em Setembro e Daryl em Outubro. Juro que nunca pensei muuuito sobre isso, mas sempre que pensei uma data a primeira que vinha na mente era dia 23. Vai saber, deve ser esse o dia do aniversário deles.( para os loucos em signos, nesse caso Marco é de Libra e Daryl de Escorpião. Combina? Não sei.
4- assim como ron, Uriah foi encontrado no orfanato, já tinha alguns meses, então ninguém sabe quem são seus pais verdadeiros ou sua idade. Ele comemora a data que o acharam, em dezembro.
5- Jessie tbm é de dezembro, por isso entrou um pouco tarde na escola e está no mesmo ano que Daryl.
6- Apesar de fazer parte da turma, Chloe passa a maior parte do tempo em festas de outros amigos, só aparece nos rolê deles ás vezes, por isso parece um tanto ausente.
7- Por mais que as pessoas comparem o Marco com o pai dele, a maior parte da personalidade rebelde veio da mãe, inclusive era ela quem gostava de skate na adolescência.
8- Karin não reconhece o pai em fotos, para ela é só uma pessoa.
9-Tess também tem um melhor amigo de infância, os dois não se largam na escola.
10- Gideon já ficou com caras na adolescência. Pq eu sei disso? Sei lá, mas já rolou.
11- Tinha esquecido dessa: já pararam para pensar no nome da Tess? Sempre chamam ela de Tess ou Tessa, mas o nome dela não é Tessa. O nome dela é Tessalia. Não tem nenhum significado, é só um nome que eu gosto.
Sim, são coisas irrelevantes para a fic, mas são detalhes que existem.
Devem ter outros que não to lembrando, perguntem se tiverem curiosidade.
Já enrolei demais hoje né?
Espero que tenham gostado e comeeeeenteeeem por favoooor
Kissus,
Ghost Queen.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...