História O Amor é Clichê - Capítulo 6


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Categorias Cristiano Ronaldo, Gareth Bale, Karim Benzema, Marcelo Vieira, Sergio Ramos
Personagens Cristiano Ronaldo, Gareth Bale, Karim Benzema, Marcelo Vieira, Personagens Originais, Sergio Ramos
Tags Balé, Benzema, Clichê, Comedia, Cr7, Cristiano Ronaldo, Futebol!, Gareth Bale, Gb11, Karim Benzema, Kb9, M12, Marcelo Vieira, Real Madrid, Romance, Sergio Ramos, Sr4, Universidade
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Palavras 2.411
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Escolar, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Acabei de escrever e resolvi postar. Espero que gostem, boa leitura.

Capítulo 6 - Flagra no shopping e consolo inesperado


FLAGRA NO SHOPPING E CONSOLO INESPERADO

 

A BIBLIOTECA VIRA nosso esconderijo, três vezes por semana, após os treinos da equipe de futebol. Karim assume com o treinador o compromisso de que fará o possível para deixar para trás Cálculo I e, finalmente, cursar o II no próximo semestre; e eu assumo com ele – por pura e espontânea chantagem – o compromisso de ajudá-lo a honrar sua promessa.

São quase quatro da tarde e rolo os olhos após conferir as horas no relógio de pulso das Tartarugas Ninjas que adquiri pela internet. Aquisição que me deu muito orgulho, mas que Karim faz parecer estúpida ao sentar na cadeira ao meu lado e fitar o objeto com timbres debochados.

“Relógio legal”, fala, retirando da mochila, que passou a usar por muita insistência minha, o material da aula anterior. “Não recomendado para maiores de 8 anos”, completa e me encara esperando que eu responda a provocação. Simplesmente o ignoro, porque tenho planos para antes das seis e espero me ver livre dele em tempo.

“Fez os exercícios que eu passei?”, pergunto, com o meu melhor tom ‘não sou afetada por você, idiota’, e ele coça a nuca como se soubesse que eu lhe daria um sermão.

“Não consegui resolver alguns”, externa, um tanto insatisfeito com o próprio desempenho. “Posso marcar belos gols, driblar defensores adversários, fazer jogadas incríveis, mas matemática é algo com o qual não tenho afinidade”, sua voz é sincera o que faz com que eu quase me compadeça. Quase.

Ao menos tentou?”, sondo.

Pra caralho, porém essa encrenca não me desce.”

“Então por que está cursando administração?”, pergunto, começando a crer que talvez seja inútil ele permanecer no curso, e trocar o quanto antes minimizaria alguns estragos.

“É complicado”, se limita, e tateia umas folhas do caderno, dobrando-o quando encontra a desejada.

“Aprendo rápido”, respondo. “Por que não descomplica?”, sou solícita, porque sei que às vezes precisamos somente de um ombro amigo para desabafar. Não que eu vá me oferecer de divã para ele em outro momento.

“Por que não se limita a fazer o que combinamos?”, rebate, impaciente. “Não conseguindo resolver essas derivadas por Regra da Cadeia. Você deveria me explicar de novo. Dessa vez com um pouco mais de calma.”

 Não prolongo o assunto.

Empenho-me em fazer com que ele compreenda a resolução, e observo-o de longe, quando ele decide por contra própria que já era o bastante. Aponta o lápis e concentra-se no desafio, e por dentro, eu rio um pouco orgulhosa de conseguir mantê-lo engajado, ao menos por enquanto.

O sol se despede da capital espanhola quando finalmente acabamos, e constato que minha ida ao shopping para comprar blusas novas será adiada, pois tudo o que meu corpo sugere, silenciosamente, é que eu vá para casa, tome um banho, engula algo calórico e hiberne até a manhã seguinte.

À saída da biblioteca, nos deparamos com seus amigos de time, que passam pela gente rindo, descontraídos, contudo cessam seus movimentos ao detectarem certa fluidez que escorre na conversa que discorro com Karim.

“Oh, olha para vocês”, Cristiano exalta, “nem parece que se odiavam.”

“Ainda nos odiamos”, Karim se defende e eu faço um ‘joia’ com o polegar confirmando que ele está correto.

“É, nos odiamos demais, mesmo”, falo algo que deveria ter engolido porque partir na defesa de Karim e endossar sua afirmação só me faz soar mais patética. Coisa que venho conseguindo com pouco esforço, desde que saí do útero materno.

“Pois eu apostaria no oposto. Vocês até parecem bons amigos”, Bale acentua e Karim acelera a respiração, visivelmente desconfortável. Sei que ele odeia ser visto em minha companhia.

“Não somos amigos”, esclareço. “Só temos estudado para Cálculo”, Karim vira o pescoço e me observa com um grande ‘cala a boca e não me entrega’ esculpido na face. “Ele tem me ajudado”, digo, rezando para conseguir interpretar o papel referente a uma exímia mentirosa.

“Karim te ajudando?”, Marcelo pergunta, desconfiado. “Isso é a piada do século. Ele repetiu essa joça tantas vezes, como pode explicar a matéria para alguém. Você também pretende reprovar?”

“Por isso mesmo sou muito capaz de ensinar para a novata”, se intromete, suplicando para que eu confirme nossa versão improvisada. “Né, Grinch?”

“Pois é”, sorrio incomodada. “Ele resolveu bancar o bom samaritano e socorrer essa caloura perdida”, dou dois tapinhas no ombro de Marcelo, ajeito minha bolsa nos ombros, e preparo-me para ir para casa. “Tchau, garotos”, despeço-me, e conforme me distancio escuto os murmurinhos ressonando atrás de mim.

“Larguem do meu pé”, ouço Karim dizer. Então, o espaço entre eu e o grupo de caras populares se torna grande demais para que eu capte algo além disso.

 

 

MATEO TERMINA DE PENTEAR o cabelo, encarando-se no espelho do seu enorme quarto. Um demorado ritual de amor-próprio. Não o invejo, entretanto gostaria de ter ao menos uma pitada de sua autoconfiança e talvez assim eu pudesse estreitar a amizade que tenho com Sergio, transformando-a em algo mais.

O caminho até o shopping é lento. O trânsito não coopera e desembarcamos do ônibus muito depois do que cogitamos. A escada rolante se torna nossa diversão momentânea, quando decidimos subir e descer por pura distração. Mateo me carrega até uma das suas lojas favoritas e insiste que eu experimente alguma coisa.

Dou uma olhada pelas araras e torço o rosto quando Mateo saltita até mim com cabides exibindo saias mais coloridas do que o alto astral dele. Obviamente, me recuso a prová-las. Percorro a loja à procura de algo ‘usável’ para que minha ida até ali não se transforme numa total perda de tempo, todavia, o que chama minha atenção é um casal que aparentemente discute com veemência na praça de alimentação.

“Mateo, Mateo”, desloco-o da seção masculina e o arrasto a entrada, para que possamos espiar melhor. “Sergio e Paola”, murmuro, como uma tola, porque obviamente eles não conseguem nos ouvir, já que estão muito mais focados em trocar ofensas verbais e gesticular incontrolavelmente.

“Parece que o leite azedou”, Mateo profere e eu imediatamente crio hipóteses a respeito de qual seria a razão que fomenta a briga. Nada lógico me vem à cabeça, o que é normal, afinal minha mente é um constante turbilhão de coisas sem sentido. Paola derrama um copo de suco sobre Sergio que, em choque, vê ela sair pisando firme, e lhe mostrando o dedo médio. Olha para baixo analisando a própria camisa, e confere que está encharcado. Murmura vocábulos que não estou apta a distinguir e lança um fuzilar perdido para a mulher que some do seu campo de visão. “Você deveria ir até lá”, Mateo salienta.

“Fazer o quê?”, pergunto, porque sua dica é tão descabida que me deixa indignada.

“Consolá-lo, ué”, afirma, julgando sua ideia óbvia.

“Você está louco?”, indago.

“Ele não disse que quer sua amizade?”, rebate. “Então, essa é a hora para você provar o seu valor, para ser uma boa amiga.”

“Mas é claro que eu não vou...”, caio para fora de loja, antes que eu tenha sequer a chance de argumentar, devido ao empurrãozinho que Mateo me dá, o que mais se assemelha a um arremesso, um voo suicida. 

Minha queda chama a atenção de Sergio que levanta do assento e vem na minha direção.

Nota sobre mim 16: Tudo ilustra que ultimamente estou desenvolvendo uma relação amorosa com o chão, pois quando menos espero me dou conta de estar agarradinha a ele.

“Alice”, profere, enquanto eu me esforço para ficar em pé. “O que está fazendo aqui?”

“Comprando roupas”, rio, encabulada.

“Onde estão as sacolas?”, aponta para minhas mãos vazias e meu rosto se aquece por chamas da humilhação.

“Não gostei de nenhuma”, digo, e não contenho a checada que dou em sua camisa úmida.

“Longa história”, argumenta, percebendo o meu conferir. “Karim me disse que você está ajudando ele com Cálculo”, desconversa, indicando que eu não devo fazer perguntas. O que para mim me parece ótimo, já que eu nem gostaria de estar onde estou.

“Na verdade é o contrário”, desminto, mentindo, o que é tão irônico quanto incomum, pois não sei qual é a versão que Karim anda espalhando sobre nossa reaproximação, e fora esse o embasamento que eu usei diante de seus outros amigos.

“Não precisa fingir, não há segredos entre Karim e eu. Sei que o treinador está na cola dele, e nós dois sabemos que ele não leva jeito para matérias exatas”, profere, convicto, e eu ergo os ombros, numa menção de encolhimento porque fui pega no meio de uma lorota. “Muito legal da sua parte ajudá-lo apesar de tudo o que ele te fez”, passa as mãos na minha bochecha e seu toque deixa um rastro de fogo. Fecho os olhos por milésimos de segundos, sorvendo a anestésica sensação.

Suas palavras demonstram que Karim se manteve leal ao pacto que acordamos, e que não lhe contou o real motivo de eu lhe prestar socorro. O que é um grande alívio, porque seria torturante ver Sergio me desprezar e ilustrar o quão ingênua sou por alimentar em segredo a paixão que nasce em meu peito e que emerge rumo a ele.

“Ah, aí está você!”, Mateo reaparece com a cara lavada, como se não fosse ele o culpado pela conversa com Sergio discorrer. “Achei um macacão que é a sua cara”, me conta, empolgado. “Oi, capitão”, sorri para Sergio exibindo mais dentes do que eu julgo necessário.

“Oi, fã do Ronaldo”, Sergio responde e Mateo alarga o sorriso externando que a simpatia lhe abraçara como uma amente ciumenta. “Vamos, Alice? Vamos escolher algo decente para você!”, praticamente ordena e me puxa, retornando para a loja.

Sergio me dá um tchau e nos encara, e a imagem da sua deliciosa existência repercute por meu limbo no momento em que Mateo lança várias peças de roupas sobre mim.

“Ai!”, protesto quando um cabide me atinge em cheio no nariz.

 

 

ESQUENTO A BARRIGA na chapa, ao preparar uma porção de calabresa para um cliente que toca uma gaita velha num dos cantos mais escuros do bar. Coloco as cebolas picadas na superfície aquecida e aspiro o cheiro da caramelização adentrar minhas narinas expandindo consideravelmente meu apetite. Dou uma mexida nas rodelas com duas espátulas, e coloco todo o conteúdo ali contido num prato. Cato uma cerveja do freezer e vou entregar o pedido.

“Espero que goste”, falo e o homem retira o instrumento dos lábios para me lançar um olhar de agradecimento. “Me chame se precisar”, digo e ele murmura um ‘obrigado.’

Estou imersa num caça-palavras e noto sutilmente a aproximação de outro freguês. De esguelha, vejo ele puxar uma banqueta próximo do balcão, e estender o braço que agora arranca o jornal de domingo das minhas mãos.

“Grinch”, profere, e bufo por saber exatamente de quem se trata, porque ele facilitara consideravelmente a charada, ao usar o apelido com o qual tem me tratado.

“Bocó”, respondo. “O que você quer? Ainda tem dúvidas quanto a Regra da Cadeia?”, sondo, pois penso que a dificuldade com Cálculo I é a causa que lhe traz até ali.

“Não. Preciso de uma bebida”, explica. Os olhos tristonhos e vazios me contemplam, e detecto uma espécie de dor que ele luta com afinco para manter enclausurada.

Nota sobre mim 17: Quero abraçá-lo, contudo optaria por amputar meus braços antes de admitir isso, antes de ceder a isso.

“Não tem outros bares em Madri?”, provoco, já que prefiro lidar com sua acidez do que confrontar o enigma que se emoldura em sua face.

“Tem, mas conheço o caminho desse aqui”, sorri, sem humor. “Sabe como é, né? Piloto automático e esse tipo de coisa” explica e eu deposito uma cerveja na sua frente. Ele abre a garrafa com os dentes e dá um gole generoso.

“O que está pegando?”, sondo. “Sei que não sou a melhor pessoa para conversar com você, sei que não sou amiga, mas poxa, posso ser uma boa ouvinte se você quiser”, argumento e Karim me mira analiticamente.

“Por que está sendo legal comigo?”, inquire. “Por que age dessa maneira? Quer dizer, eu morro de vergonha de ser visto contigo, e você sabe. Por que é amável?”

“Não tenho culpa se minha natureza é adorável”, digo, e ele ri torcendo a fisionomia em negativa.

“Qual é, ela é adorável sim!”, Oprah se intromete.

“Tanto faz”,  Benzema fala, “não é como se você fosse entender. Ninguém entende.” Beberica o líquido e bate a garrafa no balcão. “Outra!”, exige e eu lhe entrego uma segunda cerveja.

“Você deveria tentar, antes de supor qual será meu posicionamento”, defendo-me porque a covardia dele em falar de si mesmo testa minha resistência psíquica.

Ele fica em silêncio, e vasculha o bar, atendo-se aos demais frequentadores que estão imersos em seus próprios devaneios.

“Meu pai”, diz, por fim.

“O que tem ele?”, averiguo, satisfeita por ele me dar um voto de confiança, apesar de saber que aquilo pode me custar caro.  Karim não me responde. “Hein, Karim?”, insisto. “O que tem o seu pai?”

“Ele quer que eu me transforme em algo que não sou”, comunica, a voz num timbre embargado. “Quer que eu administre a empresa da família, que eu seja um homem de negócios, mas eu nem consigo me imaginar fazendo isso no futuro”, declara, ressentido. “O meu sonho é ser jogador de futebol do Real Madrid. Amo o Real Madrid desde menino, desde a época em que nós morávamos na França”, explica, e pressiona os olhos com as mãos, contendo o quer que deseja fugir dos globos oculares. “Sei que estou velho, mas eu sou muito bom com a bola. Por que não consigo ter uma chance? Será que é errado acreditar que um dia eu largarei a Liga Universitária e me tornarei um jogador profissional? Sonhar que eu defenderei o time que eu amo?”, encara-me, com os orbes avermelhados. “Que mal há nisso, Alice?”, indaga, e eu fico tocada.

Rompo a promessa feita para mim mesma e elevo os pés o suficiente, apoiando o corpo no balcão, para envolvê-lo num abraço. Karim não recusa o gesto, e acomoda a cabeça em minha clavícula.

“Eu só queria ser livre para fazer minhas escolhas sem causar um colapso familiar”, murmura, e os lábios se movem pela minha pele, soltando um vórtice de eletricidade que flagela minha anatomia.

Nota sobre mim 18: Tê-lo inacreditavelmente perto, de forma tão genuína, íntima e despido de arrogância, é indescritivelmente bom.

“Alguém vai perder os bracinhos, querida”, Oprah ressurge, pois me atormentar é o que ela faz com vasta perfeição.

 


Notas Finais


E então, o que acharam? Alice tá tendo uma quedinha pelo Karim, ou o Sergito é o rei surpemo?
Vocês são #teamSergio ou #teamKarim?

Beijos, inté mais! <333


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