História O Amor Supera. . . - Capítulo 17


Escrita por: ~

Exibições 19
Palavras 4.106
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 17 - Dezessete


Fanfic / Fanfiction O Amor Supera. . . - Capítulo 17 - Dezessete


Quinta feira a noite. Três depois de eu me acabar em lágrimas pelo Rick. Três dias depois de eu me dar conta que eu estava ferrada me apaixonando pelo Rick, três dias depois de eu me dar conta que ninguém merecia minhas lágrimas, três dias depois de eu ouvir palavras duras saírem de seus lábios, que rasgaram meu coração como uma faca afiada.

Contei tudo na mesma noite para as meninas, que se sentiram culpadas por ter deixado ele me levar, Fernanda faltou ir atrás dele, segundo ela, tirar esse jeito cafageste com as unhas, mas a gente não à deixou ir.
Com o seu jeito doido, me fez até rir.
Bianca até ficou tentada, mas eu e Ale as não deixamos nem sair do quarto.

Bianca me aconselhou dizendo que o pior castigo é a indiferença, eu devo transparecer confiança e que isso não está me abalando. Mas é difícil, porque está me abalando, mais do que poderia imaginar.

Nesses três últimos dias suas palavras rodam minha cabeça, quando eu estou na aula e todos estão caladas fazendo suas coisas, parece que sua voz na minha cabeça fica mais alta.
Quando estou deitada na minha cama sem conseguir dormir, vem a recordação de toda a semana e da afirmando que eu estou agindo como uma vadia.

Essa é a parte que mais me dói, eu sabia que o quê estava fazendo era errado, mas ele fazia parecer tão certo, que eu deixei as coisas aconteceram.

Não contei dos meus sentimentos para as meninas, mesmo Ale se dando conta que eu estava omitindo algo, Bianca até tentou arrancar de mim, mas como sempre Ale disse que eu não precisava contar.

Ale sempre foi assim, sempre nos apoiou sem julgamento, ela fica mais calada nos ouvindo, do que propriamente fala.

E por isso, ontem garotas da minha sala começaram a zoar com ela, ontem elas começaram a fazer brincadeiras idiotas quando Ale chegou, elas disseram que Ale não tem vida própria, que fica escondida atrás da gente, que nunca vai ser protagonista da própria história, sendo coadjuvante de outra.

Disseram mais coisas ofensivas, Ale só baixou a cabeça e ficou calada como sempre, Bianca e Fernanda que começaram a bater boca com elas, eu fiquei observando Ale, mesmo ela não dizendo, sei que ficou triste, fui até ela e a abracei; apertei seu corpo contra o meu e disse palavras de conforto em seu ouvido.

As meninas estavam quase se batendo, mas o professor chegou e acabou com a confusão, cada uma matando a outra com o olhar.

Essa garota é a vadia da nossa sala, se joga para cima de todos os garotos, e se acha melhor que todos ali, com o seu bando de vagabundas.

Não sei porquê em todo lugar tem que ter uma de vadia na turma!

Aff, será que em todo lugar tem piranhas?

Na nossa outra escola também pegavam no pé da Alerrandra pelo seu jeito, ela sempre foi assim, mais de ouvir do que falar e as pessoas não entendem que nem todos são espontâneos e elétricos. Ale é uma ótima amiga e te apoia em tudo, prefere te ver feliz, do que a si mesma.

O resto da aula Ale ficou mais calada que o normal e eu fiquei super triste, eu e as meninas tentamos de tudo para fazer ela se animar, mas nada adiantava.

A noite escutamos ela chorar baixinho enrolada em seus cobertores, e eu sofri mais ainda.

Fomos até lá e abraçamos ela, todas juntas, todas chorando, todas de alguma forma sentido o sofrimento da outra. E como eu também já estava sofrendo pelo Rick, tudo se misturou e passamos horas da madrugada chorando abraçadas.

Depois de calmas, cada uma foi para sua cama tentar dormir pelo menos um pouco até a hora da aula.

De manhã todas nós estávamos com olheiras, mas melhores, parece que as lágrimas de ontem lavaram nossas almas, até eu senti que as palavras do Rick pararam de ecoar pela minha cabeça.

Agora estamos no nosso quarto, cada uma largada em sua cama mexendo no celular, menos Bianca que está com o note book em cima das pernas.

Já jantamos, e é por volta das 9:00 da noite, já que não temos nada melhor para fazer, a não ser isso.

Estava falando com minha mãe pelo Skype, e aproveitei e troquei algumas palavras com a Vera, brinquei pedindo que ela caprichasse  na torta de limão para sábado, mas parece que mamãe não entendeu a brincadeira, pois ela ficou brava e me deixou falando sozinha, pode isso?

Eu e Vera começamos a rir muito, ela disse que papai estava tomando banho depois do jantar, eu até iria esperar mas depois dessa da minha mãe, me despedir de Vera e disse que depois ligava.

-Vocês acreditam que minha mãe saio da frente do computador, depois que eu brinquei dizendo que queria torta?-perguntei para as meninas sentando na cama sorrindo.

As meninas levantaram os olhos dos seus aparelhos e riram comigo.

Todas já estávamos de pijama, eu com um conjunto de camisola de ceda rosa bebê, que era um short curto e uma blusa de alcinha.

-Só a tia mesmo.-Bianca disse sorrindo e balançando negativamente a cabeça.

-Eu até iria falar com o meu pai, mas achei melhor não.-eu disse fingindo um medo.

-Mas também, com o que você aprontou no final de semana, até eu ficaria brava.-disse Fernanda sorrindo  sobriamente.-Nunca esperei isso de você Esther, você me desapontou.-ela disse com drama e com a mão no peito.

Lhe joguei meu travesseiro, mas ela pegou no ar e me olhou com um olhar desafiador levantando da cama.

-Você não devia ter fei...-ela disse caminhando até minha cama e eu fiquei de pé, mas parou ao escutar alguém batendo na porta.

Ela parou no lugar e olhou para a porta, assim como eu.

-Quem será a essa hora?-Ale perguntou com testa franzida deixando o celular de lado.

-Eu não sei.-eu disse caminhando rumo a porta.

-Salva pelo gongo!-Fernanda disse de cara amarrada e se jogou na minha cama de bruços.

-É o destino!-eu disse sorrindo em tom de brincadeira, mas meu sorriso morreu quando eu abri a porta e vi quem estava atrás dela.- Júlia?-perguntei um pouco em choque.

-Quem?-ouvi as meninas perguntarem dentro do quarto com a mesma reação que a minha.

Fernanda levantou tão rápido da cama ao me ouvir falar o nome do ser a minha frente que caio no chão, soltando um grito alto e xingamentos ao levantar do chão, se fosse em outro momento eu riria, mas com Júlia me olhando desse jeito, não dá.

Ela me encarava séria com os braços cruzados e parecia com tédio, mas eu poderia encontrar raiva em seus olhos. Usava uma blusa de moletom azul escura com mangas longas, e um short curto de tecido preto.

-Júlia. A que deve a sua visita?-falei quando encontrei minha voz gentil e sorri, mas logo parei porque ela não retribuio.

-Não vim aqui para papo furado Esther, eu quero falar com você, e é em particular!-ela disse sem paciência e um pouco grossa.

-Oh, é...-falei meio surpresa e olhei para as meninas que estavam atrás da porta precisando de um apoio moral.

Todas elas estavam também surpresas, de olhos arregalados, e Ale com a mão na boca. Bianca negou com a cabeça, Fernanda parecia indecisa e Ale confirmou com a cabeça.

Voltei a olhar para Júlia e ela estava começando a ficar irritada, batendo o pé no chão e uma mão na cintura.

-Tudo bem Júlia.-falei sorrindo sem me importar com sua cara insuportável.- Eu só vou pegar um roby e já volto.-falei e fechei a porta e olhei com os olhos arregalados para as meninas.-Ah meu Deus!-falei demonstrando meu medo, falando baixo para Júlia não ouvir.

-O que ela quer?-Ale perguntou se aproximando de mim também assustada.

-Não vai Esther, vai que ela dar uma de louca e te machuca de novo.-Bianca disse séria, até um pouco nervosa.

-Não, ela parecia séria, eu vou.-eu disse confiante indo até meu guarda-roupa tirando um roby de lá.

-E também a Esther já provou que sabe se defender muito bem.-Fernanda disse sorrindo e eu também sorri.

-Me desejem sorte!-falei tentando esconder minha apreensão com um sorriso nervoso fazendo um coque no meu cabelo.

-Boa sorte.-sussurraram em uníssono e eu dei um abraço rápido nelas e sair do quarto colocando o roby.

Fechei a porta atrás de mim e Júlia estava encostada na parede de braços cruzados e com a cara pior do que a de alguns segundos atrás.

-Finalmente.-ela disse revirando os olhos e se afastando da parede.

Não disse nada e comecei a andar com ela ao meu lado.

Esperei ela dizer alguma coisa, mas ficamos em um silêncio insuportável por alguns minutos. Eu não sabia o que fazer, só ficava olhando para os lados e com as mãos entrelaçadas na outra, mexendo sem parar.

Pigarreio.

-É, você não vai começar?-perguntei sem graça.

-Sim, só estava esperando você tomar a iniciativa. Mas eu acho melhor a gente chegar a algum lugar que podemos nos sentar, para que eu possa te dizer tudo que tenho para dizer.-ela disse com sua voz irritada, com desprezo.

Só assentir e continuamos a andar em silêncio.

***

Chegamos ao refeitório e sentamos em uma das mesas, uma de frente para a outra. O refeitório estava vazio, iluminado só com uma luz acima de nós que ligamos quando entramos.

Cruzei as mãos em cima da mesa e olhei para os lados, começando a ter um pressentimento ruim.

Júlia sorrio de lado e me olhou com um olhar superior.

-Você deve está curiosa para saber o porquê eu te chamei aqui, certo?-ela disse com um pouco de nojo na voz olhando as unhas, unhas não, as garras pintadas de vermelho vibrante, como não respondi ela continuou.-Vim tirar de uma vez por todas essa história a limpo.-ela disse largando suas unhas e se curvando para frente na cadeira e eu assentir engolindo a seco.-Esther vejo que você é uma garota legal, você devia encontrar um cara do seu jeito, mais careta.-ela disse e fez careta.- Não como o Rick. Rick gosta de mulher de verdade, que pode lhe dar algo a mais, sabe? Não uma menina que vai dizer "Eu não estou pronta" e bla, bla.-ela disse fazendo aspas com os dedos e com uma voz fina sorrindo.- Esther eu e o Rick nos entendemos, não é a toa que desde que entramos aqui estamos juntos.-ela disse com desdém.-Ele só está irritado porque eu assustei o novo briquedinho dele.-ela disse como se não fosse nada.

Com essa eu não aguentei.

-Você terminou?-perguntei séria.

Ela pareceu surpresa e desfez um pouco do seu sorriso. Ela não respondeu, então resolvi continuar:

-Eu não me importo com o que você pensa de mim e do Rick, não me importo com o que você acha de mim, não me importo com a relação que você tem ou não com o Rick. Mas se você é tão boa como diz, por quê o Rick fica com várias garotas?-perguntei com um meio sorrindo, mas senti minha voz falhar no final ao imaginar Rick com outra.

Júlia ficou furiosa e levantou da cadeira e bateu com força na mesa, com o rosto já vermelho de raiva.

-Quem você pensa que é, sua pirralha? Você devia ficar no seu lugar, e procurar um garoto da sua idade!-ela disse alterada com veneno na voz, quase gritando.- NÃO UM HOMEM COMO O RICK, VOCÊ NUNCA PODERIA DAR PARA ELE O QUE ELE QUER, SUA GAROTA ESTÚPIDA!-ela disse gritando muito brava.

Levantei também e me aproximei de seu rosto.

-Eu sei, eu sei que não posso dar o quê o Rick quer, e não quero. Fique com ele Júlia, faça bom proveito.-eu disse firme com a respiração acelerada e me afastei dela e comecei a andar, mas parei e disse sob o ombro.-Mas tome cuidado quando passar na porta, os galhos podem impedir.-eu disse como se fosse um conselho e ela ficou sem entender por um minutos, mas depois ela me olhou com ódio e vinha na minha direção, mas a essa altura eu já estava no corredor.

Que garota lerda, pensei enquanto ria.

Mas Júlia tem razão, eu não quero isso para mim. Não quero virar a maior chifruda do colégio.

Os corredores dessa vez estavam todos escuros, iluminados só com uma luz superficial que entravam pelas janelas de vidro, deve já passar das dez, porque eles apagam as luzes esse horário. Como eu disse, não gosto de escuros.

Comecei a andar mais rápido e cheguei ao corredor que levam ao dormitório masculino, ouço um barulho, de passos atrás de mim. Olhei para trás e não vi ninguém.

Ah meu Deus, é fantasma.

Senti os passos se aproximarem e não tive coragem de olhar dessa vez. Só rezei baixinho e fechei os olhos com força. Me virei para trás e comecei a dizer sem parar:

-Por favor, seu fantasma não me leva. Eu estou muito nova para morrer, meus pais não tem ninguém, a não ser a mim, quem vai cuidar da empresa quando eles não tiverem aqui? O Clark que não é!-falei sem parar e pensei um pouco nessa possibilidade fazendo uma careta em seguida, já quase chorando- Por favor eu ainda nem conheci meu príncipe, tenho muito o que viver!-pedi implorando com as mãos ainda de olhos fechados.

Escutei uma gargalhada.

Espera, fantasmas não riem, riem?

Eu poderia jurar que eu conhecia essa risada, senti ele ou sei lá o que se aproximar ainda rindo, apertei mais meus olhos e segurou no meu rosto com as duas mãos.

Fantasmas não tem mãos, isso eu tendo certeza.

-Pode abri os olhos Esther, sou eu, Rick .-ele disse com a voz calma próxima ao meu rosto.

Podia sentir suas mãos quentes segurando meu rosto e sua respiração batendo no meu nariz, senti o cheiro de outra coisa no seu hálito, parecia álcool.

Senti todo o meu corpo se relaxar e minha pulsação se normalizar.

Primeiro abri um olho, e era mesmo o Rick, abri os dois e respirei aliviada.

Rick se afastou de mim e cruzou os braços.

-Então que dizer que você ainda quer encontrar seu príncipe?-ele perguntou voltando a rir da minha cara.

Eu baixei a cabeça sentido meu rosto esquentar de vergonha, ainda bem que estamos no escuro.

-Eu costumo falar besteira quando estou com medo.-eu disse com a voz baixa.

-Fantasma? De onde você tirou isso? Fantasmas não existem Esther!-ele disse claramente se divertindo com o meu mico.

-Existe sim!-afirmei convicta levantado o rosto, Rick arqueou as sobrancelhas.-Eu costumo ver coisas com o medo.-eu disse soltando o ar pela boca e dei de ombros.

-Foi muito engraçado ver você apavorada aí.-ele disse voltando a rir.

Eu fingir uma risada e cruzei os braços revirando os olhos.

Agora que passou o susto pude reparar mais nele, ele estava arrumado demais para quem estava no colégio. Usando uma calça jeans apertado ao corpo preta, uma camisa branca com um grande X nas extremidade, um gorro preto na cabeça e um sapato marrom.

E reparando no seu rosto, eu podia ver um corte acima da sua sobrancelha esquerda, onde escorria sangue.

-O que aconteceu?-perguntei preocupada e me aproximei.

-Não foi nada.-ele disse meio frio.

-Como não foi nada? Você está ferido.-falei tocando de leve seu rosto.-Você andou brigando?-perguntei olhando nos seus olhos.

-Não precisa se preocupar Esther, só foi um pequeno corte.-ele disse e segurou nas minhas mãos tirando do seu rosto.

-Sem essa, você tem kit de primeiros socorros no seu quarto?-perguntei apertando suas mãos na minha.

Ele suspirou e assentiu. Agarrei sua mão e o puxei para o seu quarto.

Eu sei que estou com raiva dele, mas ele está machucado, faria isso por qualquer um.

-Você saio?-perguntei andando sem olhar para ele.

-Sim.-ele disse apenas.

-Como você conseguiu?-perguntei curiosa.

-Não posso dizer.-ele disse impassível.

-Ah...-fiquei sem graça e me calei.

Cadê o cara que agora pouco estava rindo da minha cara?

Decidir ficar quieta o resto do caminho, Rick estava sério, parecia até um pouco irritado, mas não soltou minha mão hora nenhuma, até apertava, as vezes, parecendo com medo que eu soltasse sua mão.

Definitivamente ele está mais estranho que o normal.

Talvez foi ruim a escolha de ter vindo para cá com ele, eu não estou recuperada, e agora ficou mais difícil sabendo que estou apaixonada por ele.

Chegamos na porta do seu quarto e ele a abriu me conduzindo para dentro.

Renan estava na frente sentado na mesa do computador e nos olhou confuso, trocou um olhar cheio de significados com Rick e desligou o computador e foi até seu guarda-roupa tirando um casaco de lá.

-Bom, eu vou dar uma volta.-Renan disse me pegando de surpresa colocando o casaco e sorriu de forma maliciosa.-Depois conversamos.-disse para Rick com um sorriso de deboche e veio até mim.-Fique a vontade pequenina Esther, mas não demais.-ele disse com malícia e eu corei, quando ele me chamou assim ouvimos Rick rosnar do meu lado fazendo Renan gargalhar.-Você é hilário Rick.-ele falou sorrindo e deu um soco de leve no ombro de Rick antes de nos deixar.

-Renan è um idiota!-ele disse bravo.

Eu só sorri e o conduzir até sua cama e o fiz sentar.

-Onde fica o kit?-perguntei soltando sua mão.

-No banheiro.-ele disse e se acomodou melhor na cama.

Assentir e fui até o banheiro achando o kit no armário da pia. Voltei e coloquei o kit ao seu lado na cama, já aberto e trouxe a cadeira de rodinhas que Renan estava sentado agora pouco, a colocando na sua frente e sentei nela.

-Você bebeu?-perguntei pegando um pouco de algodão e molhando com álcool.

-Um pouco.-ele respondeu olhando nos meus olhos.

-Com quantos você brigou?-eu voltei a perguntar e limpei de leve seu machucado com o algodão.

-Ai.-ele reclamou e levantou a mão para me impedir, mas eu segurei sua mão no ar com a minha mão que não estava ocupada.-Com uns dois.-ele deu de ombros.

-Presumo que os outros estejam pior.-eu disse sorrindo e ele também sorrio.

-Claro.-ele disse convencido.

-Por que?-perguntei séria concentrada no meu trabalho.

-Por que o quê?-ele perguntou sem entender.

Parei por um momento e olhei para os seus olhos verdes que me fitavam com curiosidade.

-Por que você brigou?-perguntei com calma e ele desviou o olhar levantando da cama, ficando atrás de mim.

-Foi por besteira.-ele disse meio nervoso, e eu tenho certeza que é mentira.

Virei a cadeira e olhei para ele de braços cruzados e o cenho franzido.

-Não se briga por besteira!-eu disse esperando que ele contasse.

Ele suspirou e passou as mãos nos cabelos, se ajoelhou na minha frente e segurou minhas duas mãos.

-Esther, me desculpa. Me desculpa por ter sido um imbecio com você naquele dia, eu não quis dizer o que eu disse. A raiva falou mais alto, e eu disse sem pensar.-ele disse parecendo atordoado e eu fiquei surpresa por ele tocar nesse assunto logo agora.-Eu só fiquei bravo por você ter saído daquele jeito, sem me ouvir. E quando eu fui atrás de você e te vi com aquele cara, eu não consegui pensar, eu fiquei com ciúmes, admito, ciúmes ao ver aquele cara tocando em você. Tocando na minha pequenina!-ele disse sério e culpado, e apertou minhas mãos.

Eu fiquei em silêncio avaliando suas palavras, e por fim arregalei os olhos chocada.

Ele disse mesmo o que eu ouvir ele dizer? Ele teve ciúme de mim? De mim?

Meu coração se encheu de alegria e falhou uma ou duas batidas.

-Esther? Você não vai dizer nada?-ele perguntou nervoso.

-Ah, é...-acordei do meu pré transe e olhei para seus olhos.-Senta aqui, eu vou terminar de limpar seu machucado.-eu disse o puxando para que ele fique em pé.

Rick suspirou cansado e voltou a sentar no mesmo lugar de antes. Voltei a virar a cadeira para sua frente e peguei novamente o algodão.

-Rick, eu não sei o que te dizer. Eu gosto de conversar com você, e realmente me magoou as suas palavras, elas ainda ecoam por a minha cabeça, e eu não sei se eu vou poder esquecer.-eu disse voltando a limpar seu machucado de forma calma e meiga.-Mas eu aceito seu pedido de desculpas, mas em relação a gente, espero que entenda que podemos ser só amigos.-eu disse terminando o que fazia e respirei fundo antes de tirar um curativo do kit.

Rick levou uma mão até meus cabelos e desfez meu coque, fazendo eles caírem um pouco nos meus olhos, ele tirou com a mão os cabelos do meu rosto e levantou meu queixo me fazendo olhar em seus olhos.

-Se for o preço que eu tenha que pagar para ficar perto de você, eu faço.-Ele disse sorrindo de forma gentil e eu sorrir de orelha a orelha.

Eu coloquei com cuidado o curativo na sua testa ainda sorrindo feito idiota.

-Mais algum machucado?-perguntei meio tímida e coloquei uma mexa de cabelo atrás da orelha.

-Aqui.-ele apontou para o canto da sua boca que estava levimente ferida com um sorriso malicioso.

-Oh, é...-eu fiquei sem graça e corei.

Peguei outro algodão com um pouco de álcool e me aproximei mais dele, minha respiração já acelerou com a proximidade. Comecei a limpar e dessa vez ele não reclamou, só continuou com os olhos em mim.

-Esther...-ele sussurrou com a voz rouca olhando para meus lábios.

Parei com o que eu fazia e olhei para ele, que estava mais próximo do que eu imaginava.

-O que?-perguntei também sussurrando.

-Você é tão linda.-ele disse e acariciou minha bochecha com o polegar e eu não tive como não sorri.

Rick se aproximou mais e colou nossas testas, roçando nossos narizes de leve e eu fechei meus olhos e deixando a boca entreaberto em de ar.

Senti seus lábios tocarem nos meus, mas eu levantei da cadeira e fiquei de costas para ele, pois eu sei que não resistiria a ele se ficasse mais um segundo ali.

-Bom, você já está bem e já está ficando tarde. Eu já vou.-eu disse olhando para ele um pouco nervosa.

Rick só sorriu e passou as mãos na calça antes de levantar e veio até mim.

-Tudo bem.-ele disse sério e eu tomei uma porção de ar pela boca e soltei pelo nariz.

Me aproximei dele e acariciei seu rosto com a minha mão, por um momento ele fechou os olhos para sentir meu toque.

E eu amei saber que ele se sentia assim perante a mim.

Ele abriu os olhos e eu sorri, dei um beijo demorado na sua bochecha e ele segurou a minha cintura me mantendo no lugar.

-Boa noite, pequenina.-ele sussurrou no meu ouvido com a voz sexy e rouca, e eu senti meu corpo estremecer.

Fui levar minha mão para sua camisa, mas ele me afastou pelos ombros antes me deixando atordoada e sem entender.

Acho que ele percebeu meu estado, porque ele sorriu de forma debochada e maliciosa.

-Boa noite.-falei meio atordoada e caminhei até a porta com o coração na mão e sentindo minhas costas quentes com o seu olhar.

-Gostei do pijama.-ele disse sedutor e eu parei no lugar.

Olhei para a minha roupa e fiquei mais que corada, esse roby não cobre quase nada, só a minha blusa, mas minhas pernas estavam todas de fora.

Rick gargalhou, e curvou o corpo para frente de tanto rir.

-Para Rick!-pedi sentido meu rosto pegar fogo.

Ele respirou fundo inúmeras vezes e mordeu os lábios controlando o riso.

Voltei a andar com as mãos no rosto, olhei uma última vez para trás e ele acenou com a mão sorrindo, acenei de volta nervosa e saio de lá fechando a porta atrás de mim, podendo finalmente respirar de forma normal.

Ah meu Deus, se eu ficasse mais um minuto lá dentro ia esquecer desse negócio de amigos.

Ele me afastou dele, mas se bem que foi eu que impus essa distância, mas eu não pensei que ele iria seguir tão a risca assim.

Caminhei pelos corredores escuros da escola até meu quarto, e quando entrei já estava tudo escuro e as meninas dormindo, ainda bem, porque eu não conseguiria falar nada agora.

Tirei meu roby e deitei na cama ainda pensado como essa noite foi estranha.

Primeiro Júlia que veio encher o saco e depois o Rick com seu jeito encantador e maravilhoso.

Mas e o pior, é que eu senti falta do seu jeito cafageste e sedutor, ele continua sedutor, é claro, mas...

Será que uma menina não pode querer tudo?

Não, não pode. E eu sabia disso quando tomei essa decisão.



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