História O APRENDIZ DE UM ESTRANHO - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Doutor Estranho, Motoqueiro Fantasma, Quarteto Fantástico, Thor, X-Men
Personagens Dr. Henry "Hank" McCoy (Fera), Fandral, Personagens Originais, Stephen Vincent Strange / Doutor Estranho, Thor, Victor von Doom (Dr.Destino)
Tags Doutor Estranho, Heróis, Luta, Magia, Marvel, Monstros, Quarteto Fantastico, Vingadores, X-men
Exibições 40
Palavras 3.499
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Crossover, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Saga, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Alguns nomes foram retirados dos quadrinhos...

Capítulo 4 - Adeus Lógica


Fanfic / Fanfiction O APRENDIZ DE UM ESTRANHO - Capítulo 4 - Adeus Lógica

 Sabe quando você acorda de um sonho, porém continua achando que está nele?

 A partir do momento em que entrei naquele local, foi como se nada fosse real. Claro que era apenas minha mente tentando colocar sentido nas coisas que eu ainda não podia entender. Começando pela segunda frase de Strange.

-Wong, eu acabo de repelir inconscientemente uma fina onda de calor transmogrificado de alguma dimensão desconhecida. Isso é algo pra se preocupar?

 Eu tinha acabado de dar alguns passos na direção do centro do cômodo e olhava cada detalhe ao meu redor, incrédulo de que eu tinha conseguido mesmo entrar ali. Notei que havia algo errado e ao olhar para baixo eu estava completamente seco, como se não houvesse estado na chuva ou sido encharcado pelo taxista maluco. Eu não sei como aquilo era possível, mas era algo muito útil. O ambiente todo parecia ser absurdo, como se o próprio tempo e espaço do local fossem diferentes da realidade do lado de fora. Ainda tentando entender como tudo ali parecia não combinar, mesmo combinando, meus olhos fitaram a capa novamente. Se existe algo que eu não entenderei nunca, é aquela capa. Ela é uma coisa viva, com símbolos nos detalhes dourados da borda, que se move para qualquer ado a qualquer momento sem nenhum aviso prévio. Porém, tem uma ligação extremamente forte com o mago, como se fizesse parte dele.

-Não se preocupe. – Uma voz abafada pela parede vinha de algum lugar do outro lado de um pequeno corredor a direita do local. Eu imaginei que fosse esse tal Wong. – Está tudo sob controle. A onda de energia é apenas o que restou de um -(não entendi o nome da coisa que ele falou nessa hora)- que invadiu o andar superior a cerca de duas horas.

 Strange respirou fundo olhando para o teto e deu de ombros em seguida. Ele fez um gesto com a cabeça para que eu o acompanhasse e saiu flutuando para o corredor oposto ao de Wong.

-Quem é...

-Wong? – Ele se virou.

-Isso.

-São muitos adjetivos para descrevê-lo, mas eu te garanto que você terá o prazer de falar com ele em algum momento.

-Tenho outra pergunta. Como você sabia o meu nome?

 Strange parou por um segundo. Seus pés desceram lentamente até tocar o chão que parecia ter sido feito com blocos de madeira, mármore e vidro. - Eu sou o Doutor Estranho. Eu sei absolutamente tudo. – Ele se virou e começou a caminhar.

 Dei uma última olhada para trás e travei ao notar que não existia mais uma porta. Aonde deveria estar a saída existia agora uma enorme estante com centenas de livros e alguns bonecos de madeira com cerca de dez centímetros. Pode ter sido minha imaginação, mas os pequenos objetos pareciam conversar seriamente sobre algo.

 Após caminhar por alguns segundos e passar por algumas portas trancadas nós entramos em uma passagem a direita. Tudo era completa escuridão e eu quase não notei os degraus quando entrei. O cheiro ficou totalmente diferente. Era como cevada e pinho queimado, mas os odores se combinavam de alguma forma, o que tornava o ambiente agradável.

-Fandazar. – A voz de Strange ecoou e centenas de pequenos pontos se acenderam no teto, que estava a uns quinze metros de altura. Claro que aquilo também não fazia o menor sentido já que eu imaginei que estivéssemos em uma espécie de porão, mas a essa altura tentar pensar lógicamente já não era uma ideia tão lógica. No momento em que as luzes se acenderam percebi que aquilo era uma biblioteca, com estantes pelo menos vinte vezes maiores que aquela na entrada. Milhares de artefatos, relíquias e objetos diferentes estavam organizados entre e em cima dos livros. Comecei a pensar que em qualquer lugar mágico que você vá, sempre existirá uma biblioteca.

 As luzes do ambiente eram pequenos círculos que piscavam no gigantesco teto curvo que possuía uns trinta metros de uma ponta a outra. Em alguns pontos, raízes surgiam e desciam alguns centímetros, como pequenas árvores luminosas de ponta cabeça. Consegui contar seis estantes do mesmo tamanho formando fileiras. Uma mesa redonda estava entre as duas centrais, em um espaço de oito metros.

 A mesa, por mais absurdo que pareça, era normal. Strange andou até ela e pegou duas luvas amarelas que estavam penduradas na borda. Depois de vesti-las ele olhou para o ambiente ao redor e sentou-se em uma cadeira ornamentada e encrustada que estava em uma das bordas.

-Totalmente seguro. – Seus dedos se entrelaçaram e ele cruzou as pernas e ergueu uma das sobrancelhas. – A minha biblioteca particular é um dos únicos ambientes onde você pode simplesmente fechar os olhos e não temer que algo te acerte. Ou que alguma coisa te coma vivo. Ou um compartimento se abra em algum lugar e te leve pra algum buraco negro ou outro planeta.

-O que?

-É brincadeira. – Ele riu. - Ela não é tão segura assim.

 Andei devagar até uma cadeira parecida com a dele, e me sentei. Embora eu tivesse certeza de que ela seria sólida, foi como sentar em algodão, o que me assustou um pouco. Olhei para o distante outro lado da biblioteca e só consegui ver névoa e feixes de luz. Tudo era estranho, mas pela milésima vez em dez minutos ouvi um som que realmente não fazia sentido naquele lugar.

-Isso é água?

 Strange parou por um segundo. – Água? Ah, sim. –Sua mente clareou.- É tão barulhento aqui dentro que as vezes eu esqueço que existe um riacho entre as estantes cinco e seis a sua esquerda. Toda a água sai de um portal entre os vaga-lumes no teto. O riacho sustenta um pé de amoras fosforescentes que por sua vez sustenta uma família bem grande de sapos jantromeiros. Claro que eles são famosos entre os asgardianos, por cantarem em norueguês, mas eu os comprei por motivos pessoais. Mesmo sendo hilário ouvi-los à noite. – Ele sorriu por um tempo. Até arregalar os olhos. – Que tipo de anfitrião eu sou? Você está com sede ou gostaria de experimentar algo? Se for escolher uma coisa não muito comum seja bem especifico ou...

-Não. Eu estou bem, obrigado. Você disse que o teto é de vaga-lumes?

 Strange abafou um pequeno grito. Ele se contorceu por um momento e voltou à posição original. - Estou com um parasita interdimensional perto do meu pâncreas. – Ele forçou um sorriso rápido - Nada que o pavê de Hurkrals do Wong não resolva. Obviamente, você não faça ideia do que é isso, e eu espero que nunca prove. Mas, enfim, é algo horrível. O que traz um garoto de quinze anos aos meus aposentos, afinal?

 Saltei da cadeira. Tudo havia sido tão rápido e diferente que por um segundo eu quase havia me esquecido do guia de Guartherion na minha mochila. – Pra falar a verdade – Abri a mochila - eu vim... O que? – não havia nada no maior bolso. Ele estava vazio. Eu não podia acreditar. Como aquilo era possível? Será que havia caído? Ou o taxista de alguma forma conseguiu pegá-lo? Eu abri todos os bolsos e virei à mochila de cabeça para baixo. Apenas caíram alguns papéis de bala e moedas. O chão os absorveu como areia movediça.

-Ok. Como você conseguiu isso?

-Eu não... – Olhei para Strange do lado oposto da mesa. Tranquilamente, ele folheava o guia e olhava os seus símbolos e desenhos. A única coisa que me deixou mais surpreso do que o livro ter aparecido ali, era ele estar simplesmente flutuando e girando na frente do mago supremo. O brilho e as linhas de energia nunca haviam estado tão fortes. Era como se o objeto estivesse feliz em rever o dono.

-Por mais que eu saiba algumas coisas sobre você – Strange terminou de folhear e o livro, que se fechou caiu na mesa. - Eu não sei absolutamente tudo como eu disse. Ainda preciso de informações, como por exemplo, você é parente de Quon?

-Não. – Me lembrei do acordo feito com o dono da loja. – Eu nem sei quem é.

 Sorrindo novamente, ele se inclinou para frente e me olhou nos olhos. Aquilo era algo muito poderoso.

-Primeiro. Nunca minta pra mim. Segundo. Quon pensa que eu não sei onde ele guarda os outros guias, mas o mesmo ancião que me treinou, deu os livros ao avô dele. Por mais que aquele arrogante ache que esconde algo, sou eu quem protege aquela biblioteca secreta dos Garzikans que moram embaixo dela. –Strange se levantou e assoviou. No mesmo instante o guia voou alguns metros até se colocar em um dos locais mais altos da enorme estante. – Enquanto você me conta a incrível história de como se apossou do meu guia, eu irei resolver um problema que acabo de lembrar não ter terminado ontem. Espero que você não se importe. – Ele ergueu uma das sobrancelhas e bebeu algo em uma enorme xícara transparente que eu não faço ideia de onde havia surgido.

-Isso é chá?

-Meu dia melhoraria muito se eu pudesse beber novamente um chá. Isso é um pouco mais forte. – Strange fechou os olhos e ficou em silêncio por alguns segundos. O objeto pendurado em seu pescoço emanou um brilho dourado muito forte. Ele fechou os olhos e sua testa brilhou. – Me acompanhe, por favor. Farei uma abertura com o cone conjurado.

 O mago ergueu a mão esquerda fazendo o sinal do rock e fez um movimento giratório com a direita. No mesmo instante a parte inferior de uma das prateleiras começou a se desfazer, como areia. Livros, algumas taças, amuletos e bonecos se tornaram poeira em alguns segundos. Uma abertura retangular da altura de Strange ficou visível. Era como uma porta, mas por dentro o ambiente era um show de cores fortes. Tons de amarelo e vermelho tomavam conta do local que parecia ser infinito. A testa do Doutor começou a brilhar mais forte e ele parecia enxergar mesmo sem abrir os olhos. Tranquilamente o mago adentrou o local que iria se fechar se eu não saltasse rapidamente para dentro.

 Ok, se algo realmente não faz sentido na vida, não adianta tentar entender. Apenas observar tudo é suficiente. E foi isso que eu fiz naquele momento.

-Espero que não se assuste, e olhe muito bem por onde anda. Se você se perder aqui, provavelmente levarei um bom tempo para te achar de novo. – As botas dele pisavam suavemente em pura luz. Uma energia que mudava de cor a cada contato. Nesse momento nós andávamos de ponta-cabeça por uma fina ponte de vidro que se iniciava de uma esfera laranja do tamanho do meu prédio. Essa esfera tinha incontáveis pontes saindo por todos os lados. Pontes essas que se conectavam a incontáveis esferas de outras cores, que originavam novas pontes. Aquilo parecia ser infinito e ia até onde meus olhos conseguiam ver. – A mudança de plano físico repentina pode trazer certa tontura. Mas fique tranquilo, ela passa.

-Ok. – Falei tentando manter o café da manhã na minha barriga. – O que é isso?

-Não é o que, e sim quem. – Strange saltou para outra ponte que mudou de cor quando suas botas a tocaram. Ele ainda não havia aberto os olhos o que me deixou meio apreensivo quando ele fez omovimento. Mas entre um mago que tem uma capa voadora e faz incontáveis feitiços e um garoto com tontura, estava claro com quem eu deveria me preocupar. – Tudo que você está vendo é parte de Zongrallfir. Ele é um ser primordial para a existência desse plano, chamado dimensão ragométrica.

-Então estamos dentro dele?

-Sim. Eu acho que esse espaço é pra ele, o que uma célula é pra você.

 Eu teria desmaiado. Juro que teria, mas nesse instante um ser muito estranho apareceu. Não da pra explicar direito o que ele era, mas tente imaginar uma minhoca gorda com pernas peludas de aranha e um olho em espiral que girava como se quisesse te manter em um transe. Essa coisa apareceu a uns cem metros de nós. Ele (ou ela, tanto faz) destruía com as gigantescas patas as pontes transparentes que rachavam em milhões de pedaços e viravam fumaça.

-Você pode começar a história quando quiser Mitchell. Se me da licença, irei destruir esse parasita, mas ainda assim, continuarei te ouvindo. Só peço que não se aproxime demais. – Ele fez alguns movimentos muito rápidos com as mãos e antes que eu notasse uma espada vermelha brilhava em sua mão.

-Ahnn... Certo. – Observei ele dar alguns saltos e mortais até alcançar as patas daquela coisa. Não tinha certeza se deveria ficar falando sozinho, mas se o Doutor Estranho havia mandado, quem era eu para não fazer aquilo. - Um monstro sem olhos chamado... – (Strange destroçou uma das patas da coisa.) -... Zgut, apareceu a alguns dias na minha varanda. Estava havendo uma espécie de batalha entre os Vingadores e outra coisa, eu acho... – (Não consigo explicar o golpe que ele desferiu, mas tenho certeza que a criatura deu um berro.) - Eu estava na varanda da minha casa desenhando, quando ele apareceu com o guia. Eu perguntei o que era e ele disse ser um livro seu que ele havia roubado. Mas era inútil já que não conseguia usar. Então antes que eu pudesse devolver, ele foi embora porque alguma coisa o chamou. Foi assim que eu fiquei com o guia.

-O que? – Strange parou no ar no meio de um movimento em que usava a capa e a espada ao mesmo tempo. Um círculo verde girava em sua mão e absolutamente tudo a minha volta estava parado. Desde o monstro com patas decepadas até os cacos de fumaça. Tudo parou a não ser o mago e eu. – Eu senti, no momento em que olhei o guia, que alguém o usou. Mas se você não é filho de algum feiticeiro, ou aprendiz de um xamã, como conseguiu conjurar a abertura de H’unnir? – Strange me olhava de ponta cabeça incrédulo.

-Hmm... Eu ia levar uma surra se não fizesse algo. Claro que eu nunca tinha visto um desse então provavelmente fiz errado, mas eu estava com medo e...

 No mesmo instante o circulo desapareceu da mão de Strange e ele bateu uma palma. O som se espalhou pelo ambiente e estourou uma das esferas. A criatura se contorceu, diminuindo e entrando em si mesma. Até que ela virou uma gosma minúscula e estourou fazendo um som de pandeiro.

-Acaba de me ocorrer um pensamento. – Strange se aproximou voando e reabriu o portal. – Irei te deixar com Wong por um instante. Não pergunte sobre a Lisa, ele ainda está um pouco triste.

-Quem? - Com um empurrão dele, passei pelo portal e comecei a cair sem parar. Vi a cidade de Nova York, que já estava uma loucura como sempre. Nesse momento me perguntei qual seria o horário atual, mas antes de me preocupar com isso continuei caindo e entrei em um lugar sub aquático. Baleias nadavam por todos os lados, assim como golfinhos faziam aquele som estranho e lulas disputavam um peixe. Tentei olhar para os lados, mas estava caindo muito rápido. Até que, depois de passar por um ambiente completamente rosa, onde seres quadrados se batiam e rachavam, eu sai por um portal, e ao contrário de antes, eu estava subindo. O local era uma cozinha antiga com detalhes diversos e um cheiro horrível. Eu subi quase três metros e despenquei no chão. Antes de perder a consciência, consegui ver um chinês careca que vestia uma roupa estranha e verde. Ele me olhou sem se assustar e sorriu.

-Outra vítima dos portais descontrolados de Strange.

 

 

 

 

 

 

 

 

 Eu nunca havia imaginado que alguém pudesse ser tantas coisas da maneira que o Wong era. De acordo com o próprio, além de chefe de cozinha, instrutor de artes marciais, guardião místico, zelador e curandeiro oculto, ele ainda era um guia do Sanctun Sanctorum e claro, um aventureiro insaciável.

-Por favor, me fale novamente que lugar é esse. – eu estava sentado confortavelmente na mesa da cozinha. Wong havia me preparado um chá para dor de cabeça e nesse momento partia batatas azuis no ar, enquanto escolhia um molho na estante. Alguns Waffles quentes estavam esfriando em um prato perto de mim. O mais incrível era que tudo havia sido feito em menos de dois minutos.

-Como você deve ter observado – Wong jogou alguns grãos brancos na sopa. – Esta casa não é nada comum. Todos os cantos possuem segredos e você tem que tomar cuidado em cada ambiente, porque ao abrir a porta errada é possível soltar o inferno na terra. Literalmente. - Era impossível descobrir a idade de Wong apenas olhando para ele. Sua voz e o seu jeito eram calmos, mas ele demonstrava um certo perigo em seus olhos. Imaginei que se ele havia ensinado Strange a lutar, com certeza era o chinês mais perigoso que eu já havia visto. – Nem eu sei exatamente a história deste local. E muito menos Stephen. Mas em resumo, o lugar se iniciou como um ponto amaldiçoado. A muito tempo quando a casa caia ou era queimada, sempre crescia novamente e voltava a forma original. Este andar já foi cortiço para videntes e hippies, além de um notório boteco para bacanais. Mas claro que a história tem sua parte sombria e boatos dizem que já foi um clube super secreto de satânismo e lar de um caçador de bruxas puritano que torturava imigrantes no porão. Porém, antes mesmo disso tudo a casa era uma vala para pobres oleiros reclusos da penitênciaria de Nova York, que ficava ao longo do rio Hudson. E finalmente, no início, foi usada pela tribo wappani para missões de vidência. O fato é que abaixo da fundação existe um centro poderoso de linhas de Ley. Para o Punho de Ferro elas são linhas do dragão. Faixas que correm o mundo todo como veias de um poder místico inigualável.  E usando as palavras do próprio homem-coisa, esse é o maior ponto de convergência do mundo.

-Uau. Que resumo. É bastante coisa pra processar. – falei mordendo o waffle. – Como o Doutor Estranho veio parar aqui?

-Ele comprou o local há alguns anos. Sinceramente, acho que a aura de energia do Sanctun o atraiu.

-Os vingadores sabem dessas coisas?

Wong me olhou sério, e em seguida começou a rir. - Os vingadores não conseguem cuidar da própria torre. Jamais conseguiriam imaginar o que se passa aqui dentro. Além disso, nem mesmo nós entendemos já que a cada minuto um novo cômodo é criado e outro desaparece ou muda de lugar.

 Pensei por um tempo. Na manhã daquele dia eu nem sabia se conseguiria entrar ali. Agora, eu sabia mais sobre a história do local do que os heróis da cidade.

-Qual é a parte mais perigosa?

-Do Sanctum inteiro?

-Sim.

 Wong parou por um instante. Uma garra tentou sair de dentro da panela, mas o cozinheiro bateu a colher de pau nela, que retornou com um grito. - A florestado sótão é um lugar perigoso. Igual a parte noroeste do salão das escadas ou a banheira pessoal do Strange. Mas definitivamente a adega é um local que não deve ser visitado. Aquele ambiente trás más memórias além de guardar coisas realmente estranhas. Stephen até muda de personalidade quando algo acontece lá.

-Falando nisso – terminei o waffle. Provavelmente nunca comerei outro como aquele. – Eu achei que Stephen fosse alguém...

-... Mais sério? Todos acham. Mas não se engane. Ele é o mago supremo, e todos os magos supremos tem um dever gigantesco nos ombros. Qualquer erro pode acarretar na destruição global. Por isso ele parece estar quieto, mas seu plano astral escuta, vê e sente tudo ao redor. Seu plano astral nem mesmo dorme.  Apenas seu corpo.

-Por isso ele toma essas coisas?

-Sim. A alimentação é tão forte que as vezes eu não sei se ela ajuda ou o mata cada vez mais. Como cozinheiro eu tento melhorar o sabor das coisas, mas ele anda por cantos tão sombrios da realidade ectoplasmática que as vezes não há opções além de ingerir... Coisas. – Wong terminou de mexer a sopa e se sentou ficando de frente para mim. Ele estralou os dedos e se preparou para comer. - Agora que eu falei da minha casa fale um pouco sobre a sua. Eu notei que você parece ser alguém normal demais para estar aqui.

-Não há muito o que saber sobre mim na verdade. Eu só vim devolver um guia.

-Sempre há o que saber, sobre todos nós. Onde você mora?

-Na Bedford, número 76ª. Meu tio cuida de mim desde que eu me lembro. Meus pais... – Lembrei do sonho que tive, e agora eu já não sabia o que dizer.

-WONG! – A voz de Strange ecoou pelos cômodos. Wong já ia se levantar quando ele entrou na cozinha voando com uma garota nos braços. Ela devia ser um pouco mais velha que eu. Sangue escorria pelo seu corpo e seus olhos estavam completamente azuis. A expressão assustada de Strange não me assustou mais do que suas mãos, que tremiam. – Precisamos de um médico. Rápido.

 


Notas Finais


Queria ter sapos jantromeiros.


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