História O ar que ele respira || Shameron Version - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Aaron Carpenter, Cameron Dallas, Hayes Grier, Matthew Espinosa, Shawn Mendes, Taylor Caniff
Personagens Cameron Dallas, Shawn Mendes
Visualizações 69
Palavras 1.602
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 14 - Capítulo 11 (Parte I)


Shawn P.O.V

3 de abril de 2014

Quatro dias antes do adeus


De pé na varanda dos meus pais, eu observava a chuva forte que caía no balanço feito de pneu que eu e meu pai tínhamos feito para Charlie. Ele ia e voltava, batendo contra a moldura de madeira.

— Como você está? — perguntou meu pai, aproximando-se de mim.

Estava acompanhado de Zeus, que logo encontrou um canto seco para se deitar. Virei-me e olhei para ele, um rosto muito parecido com o meu, apenas mais velho e mais sábio.

Não respondi e continuei observando a chuva. 

— Sua mãe comentou que você não está conseguindo escrever o obituário —  continuou ele. — Posso ajudar.

— Não quero sua ajuda. -resmunguei, minhas mãos se fechando, as unhas  cravadas nas palmas. Eu odiava sentir a raiva aumentar com o passar dos dias. Odiava culpar pessoas próximas pelo acidente. Odiava aquela pessoa fria que eu estava me tornando a cada momento. — Não preciso de ninguém.

— Filho... — Ele suspirou, colocando a mão no meu ombro.

— Só quero ficar sozinho — respondi, me afastando.

Ele abaixou a cabeça e passou a mão pela nuca.

— Tudo bem. Estarei lá dentro com sua mãe. — Ele se afastou e abriu a porta de tela. — Mas, Shawn, só porque você quer ficar sozinho, não significa que esteja sozinho. Lembre-se disso. Sempre estaremos aqui quando você precisar.

Ouvi a porta se fechar e respirei fundo.

Sempre estaremos aqui quando você precisar.

A verdade era que o “sempre” não durava para sempre.

Coloquei a mão no bolso e peguei o pedaço de papel que eu estava encarando há três horas. Eu tinha terminado o obituário de Jamie de manhã, mas o de Charlie ainda estava em branco, apenas com o nome dele escrito.

Como eu poderia fazer aquilo? Como eu escreveria a história de sua vida, quando ele nem teve a chance de viver?

A chuva começou a cair no papel, e as lágrimas, dos meus olhos.

Pisquei algumas

vezes antes de enfiá-lo de novo no bolso.

Eu não ia chorar.

As lágrimas que se fodam.

Meus pés desceram os degraus da varanda, e em segundos eu estava encharcado da cabeça aos pés, me tornando parte da tempestade que caía.

Precisava de ar. Precisava de tempo. Precisava escapar.

Precisava correr.

Comecei a correr descalço, sem pensar, sem ter uma direção.

Zeus veio correndo atrás de mim.

— Volta pra casa, Zeus! — gritei para o cachorro, que já estava tão molhado quanto eu. — Vai embora! — berrei, querendo ficar sozinho. 

Corri mais rápido, mas ele me acompanhou. Fiz tanto esforço que meu peito parecia queimar, e respirar se tornou essencial. Corri até minhas pernas não aguentarem mais e desabei no chão. Os raios caíam acima de nós, riscando o céu como se fossem cicatrizes, e comecei a soluçar de maneira inconsolável.

Eu queria ficar só, mas Zeus estava bem ali. Ele acompanhou minha loucura e ficou do meu lado quando cheguei no fundo do poço. Ele não ia me abandonar.

Chegou perto de mim e lambeu meu rosto, demonstrando seu amor, me dando seu apoio quando eu mais precisava.

— Tudo bem. — Suspirei, as lágrimas caindo enquanto eu o abraçava. Ele uivou, como se também lamentasse. — Tudo bem — repeti, beijando sua cabeça e afagando-o.

Tudo bem.

xXx

Eu adorava correr descalço.

Correr era algo que eu fazia muito bem.

Gostava de sentir meus pés no chão quando corria.

Gostava de sentir a pele rasgando, de vê-la sangrar com o impacto dos meus pés no concreto da rua. Gostava de me lembrar dos meus pecados através das dores do meu corpo. 

Eu adorava me machucar.

Mas só a mim. Adorava me ferir. Ninguém mais precisava sofrer. Fiquei longe das pessoas para não machucar ninguém. Machuquei Cameron, mas não foi de propósito.

Sinto muito.

Como eu poderia me desculpar? 

Como poderia consertar o estrago que fiz? Como apenas um beijo pôde me fazer recordar? Ele caiu por minha causa. Poderia ter quebrado um osso. Poderia ter batido a cabeça. Poderia ter morrido...

Morte.

Jamie.

Charlie.

Lamento tanto.

Naquela noite, corri ainda mais. Corri pelo bosque. Rápido. Mais rápido. Com força. Mais força.

Vai, Shawn. Corra.

Meu pé sangrou.

Meu coração chorava, batendo no peito, confundindo minha cabeça, envenenando meus pensamentos, desenterrando as lembranças. Ele podia ter morrido, e a culpa seria minha. Eu seria o responsável.

Charlie.

Jamie.

Não.

Tentei não pensar neles.

Senti a dor atravessando meu peito. Era uma dor boa. Seja bem-vinda. Eu a merecia. Mais ninguém, só eu.

Sinto muito, Cameron.

Meu pé doía. Meu coração doía. Tudo doía.  A dor era assustadora, perigosa, real, boa. Eu me sentia muito bem, de uma forma terrível.

Céus, como eu adorava aquilo. Muito.

Porra, eu adorava a dor.

xXx

A noite foi ficando mais escura. Sentei no galpão, pensando num jeito de pedir desculpas sem que ele quisesse ser meu amigo. Pessoas como ele não precisavam de pessoas como eu para  complicar suas vidas.

Pessoas como eu não mereciam amigos.

Mas o beijo dele...

O beijo dele me fez recordar. Por um momento, a recordação foi boa, mas eu  estraguei tudo, porque é isso que eu faço. Eu não conseguia tirar da cabeça a imagem de Cameron caindo. Qual era o meu problema?

Talvez eu sempre acabasse machucando as pessoas. Talvez por isso eu tenha perdido tudo o que tinha. Mas eu só queria que ele parasse de falar comigo, só queria evitar que ele se machucasse.

Não deveria ter dado aquele beijo nele. Mas eu queria beijá-lo. Eu precisava  do beijo. Eu fui egoísta.

Não saí do galpão até a lua estar bem alta. Quando saí, ouvi um barulho...alguém estava gargalhando?

Vinha do bosque.

Eu não devia ter me importado. Devia cuidar da minha vida. Mas, em vez disso, segui o som e encontrei Cameron cambaleando entre as árvores e rindo  sozinho, segurando uma garrafa de tequila.

Ele era bonito. Na verdade, quis dizer que ele era lindo. O tipo de beleza que não precisava de muito esforço, que não era difícil de manter. O cabelo castanho estava com um tooete, e ele usava uma skinny preta que parecia ter sido feito  somente para o corpo dele. Eu odiava achar que ele era bonito, porque a minha Jamie tinha aquele mesmo tipo de beleza.

Cameron dançava, tropeçando pelo bosque. Um valsa bêbada.

— O que está fazendo? — perguntei, chamando sua atenção.

Ele dançou até mim, na ponta dos pés, e colocou a mão no meu peito.

— Olá, olhos sombrios.

— Olá, olhos castanhos.

Ele riu novamente, com desdém.

Estava completamente bêbado. 

— Olhos castanhos. Gostei disso. — Ele encostou o dedo no meu nariz. —  Você tem algum senso de humor? Você é sempre tão sério, mas aposto que pode ser divertido. Diga algo engraçado.

— Algo engraçado.

Ele gargalhou bem alto. Era quase irritante. Mas não, não era nada irritante.

— Gosto de você. Nem sei por que, seu cabeça-dura. Quando você me beijou, eu me lembrei do meu marido. O que é ridículo, porque você não se parece nada com ele. Steven era tão carinhoso. Ele sempre cuidou de mim, me abraçava e me amava. E quando me beijava, era porque ele queria me beijar. Quando parava de me beijar, era só pra tomar fôlego e continuar. Ele queria que eu ficasse grudado nele. Mas você, olhos sombrios... quando se afastou, pareceu ter nojo de mim. Você me fez ter vontade chorar. Porque você é cruel. — Ele tropeçou de novo, quase caiu para trás, e segurei-o pela cintura. — Hum, pelo menos dessa vez você evitou meu tombo. — Ele riu. 

Eu me senti mal quando vi o machucado e o corte em seu rosto, provocados pela queda.

— Você está bêbado.

— Não. Estou feliz. Não dá pra perceber que estou feliz? Estou demonstrando todos os sinais de felicidade. Estou rindo, gargalhando, bebendo e dançando. É iiiiiiisso que pessoas felizes fazem, Shawn. — retrucou ele, afundando o dedo no meu peito. — Pessoas felizes dançam. 

— É mesmo?

— Siiiim. Eu não esperava que você entendesse, mas vou tentar explicar.—  disse, a fala engrolada. Ele fez uma pausa, se afastou, tomou um gole da tequila e começou a dançar novamente. — Quando você está bêbado e dançando, nada mais importa. Você fica rodando, rodando, rodando, e o ar fica mais leve, a tristeza diminui e você consegue esquecer um pouco seus sentimentos.

— E o que acontece quando você para?

— Ah, veja bem, só tem um pequeno problema quando a gente dança. Quando você para de dançar... — Os pés dele pararam, e ele soltou a garrafa, que se espatifou no chão. — Tudo desmorona.

— Você não está tão feliz quanto diz.

— É só porque parei de dançar.

Lágrimas escorreram de seus olhos, e ele começou a se abaixar para pegar os  cacos de vidro.

Agachei, tentando impedi-lo.

— Eu pego.

— Seus pés estão sangrando — comentou ele. — Você pisou na garrafa?

Olhei para baixo, para meus pés machucados e cortados por causa da corrida.

— Não.

— Bem, então, infelizmente, você tem pés muito feios. — Eu quase ri. Ele estreitou os olhos. — Não estou me sentindo bem, olhos sombrios.

— Bom, você bebeu tequila suficiente para embebedar uma pequena multidão. Vamos lá, vou pegar água. — Ele assentiu antes de vomitar nos meus  pés. — Ou então pode vomitar em mim, você que sabe.

Ele riu ao limpar a boca com as costas da mão.

— Acho que é o seu carma, porque você foi muito babaca. Agora estamos  quites.

Parecia justo, afinal.


Notas Finais


Vocês tão ficando muito mal acostumados com atualizações todos os dias dbxjdjd.
Talvez, TALVEZ eu poste o proximo hj
PS: desculpem qualquer erro


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