História O Bardo e o Gêmeo - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Aventura, Magia, Medieval, Rpg, Sexo
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Palavras 4.316
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Hentai, Magia, Saga, Violência, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - S2


Leandro se despedia dos anfitriões que o acolheram desde a tragédia de seus dezesseis anos que o separou de seu irmão gêmeo. Deixou o casal de idosos com lágrimas nos olhos, pois se consideravam os tardios pais de mais um garoto. O sexto, precisamente. Assim ele deixou para trás a cidade rural de Udareste na província de Domburdon, após terminar o treinamento básico de cavaleiro, apesar de dispor apenas o bastante para adquirir um escudo de madeira de carvalho escuro, uma espada de ferro um pouco cega e umas roupas de pele de urso, sem contar as provisões na mochila de couro pendurada em seu ombro.

A princípio, o seu objetivo era o vilarejo de Perineu, um pequeno recanto entre as montanhas da fronteira norte, o último lugar onde vira o irmão com vida. Precisaria, no entanto alcançar a cidade de Cardino, além da estrada da planície na qual caminhava, afim de pegar alguma forma de transporte para a cidade de Domburdon.

 

Além da pequena ponte sobre o sulco seco na terra onde uma vez escorria um antigo rio havia um grupo de rapazes não muito mais velhos que Leandro. À esquerda a estrada se dividia, indo dar em uma vila humilde. Parados, ele imaginou que os jovens esperavam por um companheiro. Leandro se aproximou displicentemente, imaginando que seria  uma ideia auspiciosa juntar-se a um grupo maior.

- Estão esperando algum camarada? Eu gostaria de ir com vocês.

- Não. Estamos esperando o seu dinheiro, que  gente gostaria muito de dividir - disse um deles, apontando uma faca para a pequena sacola presa ao cinto de Leandro.

 Eram uns cinco ou seis, então Leandro imaginou quera mais sábio ceder aos bandidos do que arriscar um ferimento grave. Ali deixou a maior parte de seu dinheiro, e por conta disso quase voltou atrás na sua decisão, porém estava mais próximo de Cardino do que de Udareste, o que o fez chegar em tal cidade já de noite e esbaforido sem nem poder pagar um leito onde esticar o seu corpo jovem.

 Entrou na taverna no centro da vila mesmo assim. Sentou no meio do salão, numa mesa solitária se perguntando quanto tempo demoraria até alguém descobrir que ele não pagaria por ela.

 O som gracioso de uma viola o fez esquecer-se das recentes desventuras. Seguiu-o com a vista. Esperava encontrar uma virgem encantadora de cabelos vermelhos, mas achou outro garoto. Loiro, pálido e de olhos azuis, comicamente vestido como o bardo caricato que ele era. Francis piscou para Leandro, o deixando encabulado. Pouco depois Francis tocava praticamente em cima dele, com um dos pés repousado no suporte das pernas da cadeira.

- Francis já vai papar outro! - Disse o homem atrás do balcão, secando um copo, seguido por risadas  vindas de todo lugar.

 Novo encabulamento. Ao fim da canção, ao fim dos aplausos, Francis perguntou a Leandro se ele precisava de um quarto. É claro que ele precisava. Mas sabia que não viria de graça. Subiram as escadas, fez Leandro entrar no estreito muquifo sem portas e com um retângulo aberto para o céu negro sem janelas após tirar os calçados, para que não sujasse a cama  de terra mais do que já estava suja de poeira. Francis subtraiu Leandro de sua mochila, largando-a em cima de um baú, abraçou-o pelas costas, grudou sua virilha na nádegas vestidas dele, e começou a beijá-lo no pescoço. 

- Então esse é o preço... - pensou Leandro com sigo mesmo.

Sem demora, já estava deitado de costas, desnudo, com Francis o rasgando profundamente de pernas arqueadas, se projetando para frente e para trás, ignorando os gritos de dor do menino, suas lágrimas, ou os transeuntes do corredor que quase pisavam nos pés do companheiro estendido como uma tábua.

 De uma maneira, porém, Leandro sentiu muito conforto: Após o merecido sono que chegou assim que Francis finalmente explodiu, deixando uma sensação pegajosa onde ele não imaginava que dava pra sentir qualquer coisa, acordou no frio da manhã que entrava pela janela eternamente aberta, aquecido por um pesado cobertor de couro e pelos braços, pernas e torço de Francis, ambos de lado, ainda inserido em seu corpo,e  uma das mãos acariciando o seu cabelo. Leandro nunca havia se sentido tão suave, um relaxamento tão doce em toda a sua vida. Descobriu com surpresa que o tecido grosso em volta de sua barriga e coxas também se encontrava um tanto besuntado.

- Quando olhou pra mim naquela hora, achei que você fosse o André, que finalmente tinha voltado pra mim - Sussurrou Francis.

- Pode me chamar do que quiser - Leandro não queria se dar por vencido. Seu traseiro ainda doía muito e demandava que ele sentisse raiva, e logo puxou o canal de Francis para fora do calor das suas entranhas.

- Ah, deixa ele aí... mas eu vi logo que você não era ele. A sua pele é bem mais amarela do que a dele e o cabelo é maior também. O dele mal saía do crânio, já o seu vai até os ombros. Mas mesmo assim são muito parecidos. Você tem certeza de que não são irmãos?

 

Ainda era manhã. Os dois meninos andavam pelo bosque ao leste da cidade, beirando uma lagoa. Leandro estava mais confuso do que nunca antes. A vida lhe parecia uma sucessão de eventos aleatórios, especialmente os últimos dias. Deixara a sua família, fora assaltado por um bando de rufiões, quando deu por si perdia o cabaço para um bardo de fala mansa, e agora o seguia na floresta apenas pela vaga possibilidade de ele possuir uma vaga pista do paradeiro de seu irmão gêmeo.

 Pararam para descansar.

- Eu sei que você quer encontrá-lo, mas pra isso você precisa de dinheiro.

- E como vou conseguir dinheiro? Dando o cu pra você enquanto toca viola pelos bares, ou pegando trabalho aleatoriamente no mural de tarefas?

- A segunda opção - Francis parecia um pouco incomodado - Vamos dividir o lucro. Uma moeda de prata não é de se jogar fora. No máximo consigo quinze de cobre por noite rasgando os meus dedos!

Mas Leandro já não o ouvia. Estava distraído olhando para uma flor feiosa, murcha e cheia de espinhos que atraíra a sua atenção por algum motivo. Voltou ao passado, aos picos elevados de Perineu, na noite em que seu irmão fora levado em seu lugar. Ele não era mais puro e Leandro sabia disso. Uma noite havia flagrado Alonzo praticando atos impuros no seu quarto de irmãos, e mesmo assim deixou que o levassem em seu lugar e por isso o ritual falhou e transformou a próspera cidade num reino de trevas onde apenas os mortos rondavam. Mas o que poderia fazer? Já vira meninos da sua idade  passando pelo mesmo fado, e nenhum deles sobrevivera. Leandro não queria ter a sua garganta cortada e muito menos se transformar numa árvore de pêssegos, maçãs, uvas e quaisquer sorte de frutas. Subitamente, uma mão pálida e feminina de unhas belas e longas pousou ao redor da planta e a tomou. Levou-a à frente de um belo rosto encapuçado, tentando tocar a face dele com a outra.

- Banshee!- Gritou Francis, e uma força misteriosa o atirou no chão. Leandro, por sua vez, saltou para trás, escapando do toque doloroso do fantasma, mas não escapou de seu grito, que atordoou-o por tempo o bastante de ter a bochecha raspada de leve pelas unhas do belo monstro. Seu duro treinamento de guarda, no entanto, o manteve de pé e bastante acordado. Sacou a espada, à qual recebeu uma risada de deboche em resposta. Um riso prematuro, pois em segundos o ferro ordinário perfurou a sua barriga.

 Incrédula, a criatura se limitou a agarrar a lâmina e a se contorcer.

"Mago?" sussurrou, enquanto se desmanchava em um fétido ectoplasma no chão, junto com o broche que os rapazes foram contratados para encontrar e mais outros pequenos tesouros, entre eles um colar  de prata redondo com uma bolinha de  safira escura no meio que Leandro prontamente pendurou em seu pescoço. Abaixou-se e acordou o colega, que jazia esparramado no chão. 

 Naquele mesmo fim de tarde, Francis, nu, e o outro quase pelado, salvo pela tanga branca e colar, já se encontravam em uma taverna um pouco mais custosa que a anterior rememorando os espólios da batalha. Francis, na cama de madeira, tocava música na sua nova viola com detalhes em prata enquanto Leandro fumava um rolinho de maconha, deitado no chão sobre um tapete fino forrado por um cobertor xadrez e alguns travesseiros.

- Sério, cara, me passa a sua espada - disse Francis, parando de tocar para afinar o seu instrumento.

 Jocosamente, Leandro pôs a mão sobre tanga e investiu contra o ar. Ambos riram. Talvez a fumaça da erva também estivesse afetando Francis. Em seguida, Leo levou o pedido a sério e esticou o braço, tomou a arma e passou para seu inesperado  amigo.

- Como é que esse ferro velho matou um espírito? Não é de prata e nem tem um encantamento! Deve ter um pouquinho de magia presa nesse cu aí...

 Leandro riu sem saber bem o porquê. 

- Deve ser por causa de Perineu. Todo mundo que nasce lá tem um pouquinho de magia correndo dentro do corpo.

- Sério cara? Você nasceu naquela cidade fantasma? Aquele lugar tá amaldiçoado faz uns quatro anos. Tu nasceu lá? O que aconteceu com aquele raio de lugar?

- Você ainda não me disse como conheceu o meu irmão, então eu também não te conto isso.

- Onde cê tá indo? - Perguntou Francis quando o outro se levantou e passou-lhe o resto da erva.

- Sei lá, acho que vou comprar uma espada nova e depois procurar um rabo quente pra me enfiar dentro - E vestia-se devagar.

- Você não deixou aquele bicho te tocar, né? Mesmo o cuspe de uma banshee já te deixa jurado de morte.

 Ao invés de responder, Leandro já atravessava o umbral da porta. Precisava se apressar se pretendia alcançar os mercados abertos. O fumo levou Francis a uma fome arrasadora, e depois a um sono profundo. Quando acordou na manhã seguinte, haviam duas novidades no quarto: uma espada cintilante e uma mulher, cujos seios nus serviam de travesseiro e chupeta a Leandro, e as coxas grossas, de casa e brinquedo.

 

O loiro saiu do recinto para dar mais espaço ao casal. Retornou com outra ordem de serviço um acompanhante: um rapazinho de doze anos de cabelos castanhos que adquirira no mercado de escravos. Vestia uma calça de saco e umas  sandálias velhas, o torço nu. Já sozinho, Leandro ficou consternado com a novidade.

- O que você vai fazer com essa criança? Vai traçar ele?

- Eventualmente...

Fredo tentava manter sua face de indiferença, como havia sido adestrado, mas estava encontrando dificuldes para tal.

- Você é mais doente do que eu pensei! - Leandro tomou as suas coisas e saiu do quarto.

- Leo! Espera, Leo? - Francis correu atrás do menino, seguido pelo seu escravozinho. O alcançou já na praça - Pelo menos olha isso!

 E Francis enfiou a ordem de tarefa na cara de Leandro. Este o tomou.

- Entrar numa mansão abandonada pra achar uma gema do tamanho de um... que ninguém ainda conseguiu encontrar?

- Ninguém conseguiu encontrar porque todo mundo que entra lá foge com medo das almas penadas. Mas nós sabemos como se livrar delas!

- Nós sabe? Você só quer me usar pra ficar rico, e agora vai usar esse menino também!

- Mas pensa no pagamento! Você fala do Fredo, mas eu comprei uma espada curta de prata pra ele.

 E Fredo ergueu o seu presente com orgulho, sorrindo, buscando a apreciação de Leandro. E conseguiu. Isso tocou-o de certa maneira, pois meia hora depois desceram de uma carroça na frente da mansão no meio da estrada, onde não havia mais nada além de pradaria e capim de ouro por cerca de um quilômetro. Francis ficou num chamego só com o seu pagem. Ficaram abraçados, beijou o pescoço e o rosto do menino de leve várias vezes e em uma se arriscou até a dar um selinho em sua boca. Leandro estava nauseado com aquilo tudo. Já Fredo, não dava pra saber. Não dava pra saber se ele genuinamente gostava do chamego de Francis ou se o seu treinamento de escravo o fazia tolerar  a tudo com ares positivos para agradar o seu sinhô.

 Ao olhar para o casebre, no entanto, uma ideia nova passou pela mente de Leandro. Focava-se no que viera fazer e ignorava o resto. Usava um manto azul claro com bordados dourados para tapar o frio.

- Você disse que todos fugiram da mansão de mãos abanando?

- Isso mano.

- Talvez seja porque eles tenham ido direto pra mansão, pra começar.

 E se dirigiu para o jardim, passando por cima do portão caído, reclamado pela natureza com ervas cheirosas. Fredo colheu algumas.

- Não põe isso na boca... - Disse Francis, genuinamente preocupado. O menino confirmou com a cabeça, gemendo em concordância - Vou te dar outra coisa pra por na boca mais tarde - e então Fredo riu, e Leandro fez que ignorou.

 Os três se puseram a virar o que uma vez fora um jardim de cabeça pra baixo. Leandro pediu pra que ficassem de olho nas coisas que parecessem fora do lugar. E foi nessa que Fredo encontrou um lindo e saudável girassol no meio de um tapete de plantas que pareciam que já nasciam mortas. Se abaixou, furando as calças nos vários espinhos e tomou a bela flor, no instinto humano de matar tudo aquilo que ele acha belo. De repente, o chão começou a tremer e todos correram pra terra firme, pro mesmo lugar embaixo de um carvalho. Um retângulo de escuridão e alguns degraus apareceram no lugar das plantas mortas. Uma cripta.

- Bom trabalho! - Leandro afagou os cabelos da criança. Sacou a espada com a direita e ergueu a esquerda diante do rosto, onde surgiu uma luz branca que se tornou uma esfera e logo lançou para o ar, brilhante como uma lanterna - Isso, armas saquem as armas. Agora estamos prontos.

- Eu não falei que tinha magia nesse cu! - Francis preparou duas facas de arremesso de prata, ambas presas com fios de magia em seus dedos. Ele mesmo também tinha alguma magia, afinal.

- Cala a boca, Francis! Eu eu sei só alguns truques.

Leandro ia na frente, seguido por Francis à sua esquerda, só alguns centímetros atrás, e Fredo ia ao fundo. Mal desceram o ultimo degrau quando meia duzia de esqueletos surgiram das sombras, precedidos pelo ranger de ossos. Leandro gritou com uma ira fabricada, chamando a atenção dos inimigos e erguendo o escudo. Distraiu as abominações e derrubava uma ou outra com a espada e pancadas de escudo enquanto Francis as exterminava à distância, atirando as facas com maestria. Um ou outro esqueleto conseguia escapar já ferido apenas para cair na mercê de Fredo que retalhava o ar com a sua pequena espada quase cegamente. Avançaram até fim do sepulcro, parando diante de uma porta velha de madeira ao fim de um longo corredor. Francis teve a decisão tática de abri-la com cuidado enquanto Leandro se mantinha em guarda. Se depararam com um homem bem vivo em mantos negros, dentro de um salão. Examinava diversos corpos em vários estados de decomposição, estirados sobre mesas de pedra.

- Três meninos? - Disse, admirado que dentre tantas invasões, justamente eles conseguiram encontrar o seu esconderijo - Foi o clero que mandou vocês?

- Bem que eu vi a sua cara no quadro de tarefas... Mas a gente tá aqui pela opala.

- Eu não tenho cobiça pelos bens materiais... minha cabeça está em outro lugar... no conhecimento além do mundo dos corpos!

- Foram homens como você, que queriam estender a mão além do mundo dos corpos, que condenaram a minha cidade e o meu irmão...

Francis olhou de leve para o amigo, sentindo um pouco de pena. Ele era mesmo parecido com o André... 

- Intrigante... Eu conversaria um pouco com você sobre isso, mas estou ocupado - o necromante abriu uma gaveta de uma estante velha e tomou a pequena joia multicolor, herança do chefe da família que um dia gozava daquele recanto já gracioso. Exigiu que o pequenino, o aparentemente mais inofensivo dos rapazes viesse até ele para buscá-la - e vejo que também passaste por uma banshee... Seus dias estão contados. Eu cuidaria disso, mas acredito que um sacerdote bitolado poderá poupar-me disso.

 Francis olhou Leandro outra vez, agora preocupado. Já próximo de seu negociador, Fredo também olhou, mas, por sua vez, para os corpos ao seu redor. Vários deles eram de pessoas indesejadas, boa parte dos indesejados, escravos aleijados pelo trabalho. Meio que sem pensar, Fredo deixou cair a polidez e apunhalou o homem, que em resposta teve tempo de executar uma reanimação em massa antes que Francis estraçalhasse o seu pescoço com o par de facas e as linhas afiadas. Caiu no chão, sem forças. Os três meninos se apressaram em saquear a câmara antes que os mortos acordassem por completo. Depois de pegarem poucos itens, saíram correndo de lá pelo longo corredor. Francis fazendo-os tropeçar para atrasá-los na perseguição e, Leandro, chamuscando-os com fracos mísseis  de fogo que mais atordoavam que qualquer outra coisa. Uma vez à céu aberto, Fredo atirou o girassol sobre a fenda no chão, o que a fez fechar-se formidavelmente. Ali, fizeram uma checagem dos seus inventários e logo partiram

 Sem carroça, iam de volta pra cidade a pé. Conseguiam lidar com um lobo ou outro ou um goblin ou uma fada, mas não contra uma banda de ladrões, então foram por dentro dos matagais. Decidiram enfim levantar acampamento ao pôr do sol, na beira de uma fonte termal, onde os meninos finalmente se despiram e se lavaram, se apertando contra as rochas. Comeram, beberam, e brincaram e enquanto se secavam ao vento e ao sol, se puseram de pé ombro a ombro, à beira da água, chacoalhando as suas joias preciosas pra ver quem esguichava mais longe, valendo a parte maior dos frutos do trabalho. Fredo ganhou, seguido por Leandro e Francis.

- É que o seu tá muito gasto, e o do Fredo é quase virgem ainda - Francis não estava satisfeito. Se sentaram nas pedras mais uma vez. Fredo já vestia a roupa de baixo. O loiro então notou que algo faltava em suas possessões. 

- Cadê o sanduíche de cervo? - Perguntou, com uma expressão sombria no rosto.

Fredo esfregou as mãos na barriga, como quem dissesse que Francis demorara muito para juntar-se ao banquete.

- Seu safadinho! - Enunciou Francis, disfarçando o desgosto. Se aproximou do menino e começou a fazer cócegas por todo o corpo dele. Leandro fechou o rosto, já totalmente consciente do que estava para acontecer, mas mesmo assim não faria nada para impedir. As cócegas se tornaram beijos, que se tornaram em carícias, que disfarçaram um estrangulamento. No início Fredo pensou que era parte do brinquedo, mas logo ficou alarmado quando começou a faltar o ar. Apalpou a lama e a pedra atrás da sua lâmina, mas não encontrou. Francis a jogara para o lado para abrir o espaço para o namorico.

 A língua de Fredo saltou para fora, suas mãos cravadas nos pulsos de Francis. Sacudia as pernas para todos os lados, e, gradualmente, a sua tanga de saco foi encharcada de urina e parcialmente rasgada pelo paroxismo. No fim do esforço, quando o corpo todo parecia resignar-se, o joelho direito continuava flexionado como se sua vida dependesse disso, o pequeno falo era quase visível no tecido molhado apontando para o céu, e espasmos ainda reviravam os braços cujas mãos já haviam desistido. Quando o corpo todo parou, Francis abriu a barriga do menino com uma de suas facas e encontrou a opala. Precisaria pensar num esconderijo menos perigoso. 

 Francis foi tomado por uma crise de lágrimas seguida por catatonia. Leandro pegou o rapaz e o levou para dentro da barraca, deixando o corpo onde estava. Lavou toda a pele de Francis com uma esponja e tentou fazer de tudo para trazê-lo de volta. Até mesmo fizeram amor. 

 

 Francis só estaria totalmente recuperado de manhã, quando se deu conta de que o cadáver havia desaparecido, deixando para trás apenas um rastro meio cilíndrico e dois pares de pegadas. Não permitiria que alguém desrespeitasse o corpo de seu amigo. E seguiu a trilha sem pensar em nada, desnudo e desarmado. Leandro, também sem muito ponderar, foi atrás dele. Se viram dentro de uma caverna úmida, com ossos limpos de animais e homens largados para todo lado, e o cadáver de um menino no meio, tendo sua coxa direita devorada por duas crianças ferais pouca coisa mais novas que ele. Quando deram conta os intrusos, correram na direção deles, gritando tal qual  animais acometidos pela raiva, o da esquerda tentou atacar Francis, e o da direita partiu para cima de Leandro. Este tentou consumo-lo com suas fracas chamas, mas aquele tratou de capturar uma pedra e um pedaço e osso com as suas linhas de energia. Empalou a barriga de um, e partiu o crânio de outro. Recapturaram o que restara de Fredo, e partiram às pressas para a cidade, rezando para que o privilégio dos mais altos dos aristocratas, a ressurreição, se estendesse para aquele escravo. O Clero cobrou todas as economias dos dois rapazes, salvo a opala devidamente escondida no reto de Francis, mas ainda assim não garantiu que conseguiria cumprir o milagre, já que o corpo estava por demais avariado. Suplicaram que os dois voltassem um outro dia, ou que esperasse ser chamados quando o ritual terminasse. Antes de partir, Francis pediram para que retirassem o mau olhado de Leandro, ao que o clérigo designado respondeu que não conseguiu detectar nenhum.

- Taí porque tu disse que não sabe por que fez aquilo, Francis... O muleque tava amaldiçoado. Eu passei o troço pra ele. Não foi sua culpa. Estávamos os dois sob o efeito de feitiçaria.

 Francis abraçou os ombros dele, com ternura. De lá partiram em busca de outro trabalho para ocuparem as suas cabeças. A opala e o preço sobre a cabeça do necromante, juntos, praticamente reembolsaram o que o Clero e os seus privilégios sobre a vida e a morte sugou.

- Onde será que anda o Místico de Gneses? - Perguntou ao Leandro quando iam se aproximando do quadro de serviços, na praça desviando das crianças brincalhonas - Ele ajudaria o nosso menino, de graça e bem melhor que esses parasitas.

- Não sei se é uma boa ideia... Gneses está sendo procurado pelo Clero... Francis apontou na direção de um panfleto de trabalho, oferecendo recompensa a quem matasse o famoso milagreiro ou o capturasse vivo, preferivelmente.

- Eles estão preocupados... Esse cara curou o meu avô uma vez, sem nenhuma penitência, quando o clero não fez nada porque somos pobres sem poder algum...

- De qualquer forma, ele não foi visto por aqui nos últimos dias. Eu perguntei. Ele não pode nos ajudar agora. Mas este outro trabalho do Clero aqui pode.

 E Francis tomou um panfleto sobre a cabeça de um integrante das demarcações indígenas, famoso ladrão de gado e colheitas que parecia ter uma preferência peculiar pelas posses do Clero, mesmo quando alvos infinitamente mais fáceis e menos perigosos estavam disponíveis.

Não foram de imediato, no entanto. Apesar da vontade de esquecer seus corpos também pareciam chocados por tudo aquilo. Decidiram voltar ao seu atual hotel favorito e passaram as duas semanas seguintes debruçados sobre os livros que encontraram no serviço anterior, dedicados as suas respectivas habilidades arcanos ou de outra origem, no intuito de se ocuparem enquanto esperassem pelo mensageiro do Clero e de refinar suas técnicas.

  - O André não falou que tinha um irmão? - perguntou Leandro, em seroulas, em seu tapete sem levantar os olhos.

- Ele não disse. Não falava muito - respondeu Francis, desnudo, também imerso no treinamento, ajustando a textura de suas linhas de magia.

 O outro riu. 

- Bem o jeito dele. Eu queria saber por que ele tem outro nome agora.

 

O Místico de Gneses, ou simplesmente Gneses, nome advindo da cidade de seu primeiro milagre, subia a rampa que se erguia até a colina da muralha do Castelo da cidade de Domburdon, a capital do país de mesmo nome. O manto verde claro esvoaçava parcialmente de suas costas. Preferia evitar a realeza, e oferecer os seus serviços aos camponeses  pobres ou baixos burguses. A nobreza ja tinha todo o Clero a seu serviço, graças ao acordo governamental. Mas ainda assim haviam além de seu alcance algumas coisas que apenas alguém não atado à Grande Corrente da Criacao, ou à sacrossanta burocracia poderia desatar.

 Afinal até mesmo homens ricos mereciam um pouco de piedade, ou neste caso, o filho pequeno de um homem rico. Para ser ainda mais preciso, de uma mulher, a Imperatriz. Deixou a máscara de jade envelhecida, o manto e a farsa de velhisse na antessala. A muralha de vidro que pusera ao seu redor não tinha sentido em visitas domiciliares.

- Não, não é hemofilia. O seu médico está equivocado. Ou pelo menos não somente isso.

Ambos sussurravam diante do berço, alguns criados farfalhavam ao seu redor.

- Mas você ainda pode curá-lo, André? 

- Infelizmente não, majestade. Veja: - com um movimento de mão, Gnesis fez uso da luz reveladora, e um símbolo amaldiçoado surgiu no abdome do bebê, extraindo gemidos de disgosto das pessoas ao redor. Uma maldição de sangue. Está diretamente atada à força vital da pessoa que a conjurou. Enquanto ela estiver viva, o seu filho correrá risco de morte.  Felizmente o traço do feitiço é distinto e o rastro de magia ainda corre no ar. Posso localizar da doença e neutraliza-la.

(Continua)

 

 

 

 

 

 

 

 



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