História O Beijo da Serpente - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Palavras 3.505
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fantasia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Terror e Horror, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Depois de meses, olha quem resolveu aparecer (╯°□°)╯
Perdão pela demora, eu tava maluca estudando pras provas da faculdade. Espero que gostem desse capítulo! ✿

Capítulo 2 - Dois.


 - Puta que pariu! – Jonathan resmungava consigo mesmo enquanto atravessava apressadamente o corredor do colégio. Havia se esquecido de ajustar o despertador na noite passada e acabara perdendo completamente a noção do tempo. Quando acordou, já eram quase 9h. Teria sorte se ainda conseguisse pegar o segundo horário de aula. Pegou as £5 que tinha no bolso e gastou com o ônibus mais próximo de casa que conseguiu encontrar. Depois de muito esforço, conseguiu chegar à escola às 9h45m.

 Sentiu uma leve dor de cabeça ao lembrar que o professor daquele horário era Charles Ward, um senhor boçal que, assim como a maioria dos professores, parecia ter uma cisma contra o garoto. Sim, estava longe de ser um aluno exemplar, mas nada que justificasse a antipatia exasperada que os mais velhos tinham com ele.

 As várias passagens da escola se transformavam em um labirinto de pedras. O moreno deu um suspiro aliviado ao finalmente avistar a sala 306, onde era a aula de biologia. Abriu a porta com força, que fez um pequeno estrondo ao se chocar com a parede.

- ...hã? – disse impulsivamente ao entrar.

 Com exceção de algumas garotas sentadas no fundo, a sala estava praticamente vazia. Na cadeira onde deveria estar sentado o velho Charles Ward havia um homem que devia ter entre 20 ou 25 anos, com uma camisa branca surrada e uma expressão de desinteresse em seu rosto. O jovem, que tinha os olhos presos em um livro que carregava nas mãos, rapidamente desviou o olhar de sua leitura e olhou Jonathan de cima a baixo.

- Olá – disse com uma voz entediada, voltando a folhear seu livro logo em seguida.

- Cadê o sr. Ward? – a frase mal conseguiu sair da garganta ofegante do garoto.

- Ele não pôde vir. – o sujeito respondeu de forma seca. Ao notar o descontentamento no silêncio de Jonathan, deu um sorriso amarelo para o mais novo – Vocês ficaram com o horário vago. Os outros garotos estão lá fora.

 Ainda arquejando de cansaço, a atenção do moreno foi tirada por uma risadinha distante. Virou-se na direção do som, deparando-se com o grupo de meninas do fundo da sala. Enquanto quase todas o encaravam em uma expressão de visível desdém, uma delas cobria a boca com as mãos em uma risada abafada, metade de seu rosto escondido por volumosos cachos loiros. Erina era seu nome, certo? Algo assim. Seu sorriso se desmanchou assim que seu olhar se cruzou com o de Jonathan, virando a cabeça para o lado com as bochechas coradas de vergonha.

 O garoto arqueou uma das sobrancelhas. Não tinha a mínima paciência com aquela panelinha de meninas mimadas que não faziam nada além de julgar os outros de longe, mas que se encolhiam de medo ao serem confrontadas. Se não fossem garotas, já teria resolvido aquela situação com os punhos.

- Bem, obrigado pelo aviso – disse ao jovem de camisa branca, o qual só então percebera ter um crachá escrito “estagiário” em sua blusa, e se retirou da sala. Antes de fechar a porta, deu uma última olhada nas meninas, que cochichavam animadamente entre si. “Tsc. Garotas estúpidas”, pensou consigo mesmo.

 Puxou de dentro da mochila uma barra de cereais e uma edição surrada de Monstro do Pântano que tinha acabado de comprar (mas que parecia ter anos de tão desgastada que estava) e rumou em direção ao terraço da escola, onde geralmente ficava nos horários vagos. Não lhe restavam muitas outras opções; Jonathan não era exatamente o que se chamaria de “garoto popular” - a menos que ser conhecido no colégio inteiro como o garoto que só se metia em brigas contasse como tal coisa – então não tinha muitos amigos com os quais passar o tempo livre. Mas não se importava. Simplesmente não tinha interesse nas relações sociais frívolas que a vida escolar lhe proporcionava. Para ele, seus colegas eram apenas isso: colegas. Não amigos.

 Nas poucas ocasiões em que pensava seriamente em sua vida escolar, não conseguia evitar ser invadido pelo marasmo que ela lhe causava. Estava no último ano do colegial e ainda não tinha a mínima ideia do que fazer com sua vida. O futuro, aquele ser misterioso que sempre lhe pareceu tão distante, agora batia em sua porta com força, podendo entrar a qualquer momento.

 Por isso fugia para um universo alternativo dentro de sua mente, um mundo de histórias em quadrinhos e filmes trash. Um mundo sem responsabilidades, sem os sermões de seu pai e a boçalidade de seus professores. Sabia que aquele pequeno paraíso não duraria para sempre, mas por enquanto aquilo lhe bastava. Caminhando distraidamente enquanto lia Monstro do Pântano, não se deu conta dos dois garotos que passava por perto, que sussurravam nervosamente entre si.

- Você viu no jornal? – um deles dizia – O professor Ward do último ano desapareceu também.

- Não é muito cedo pra dizer que o cara desapareceu? – o segundo completou -     Ele só tá sumido há três dias, não é tempo suficiente.

- As outras vítimas do maníaco também foram dadas como desaparecidas antes de serem encontradas mortas. Isso não pode ser coincidência!

- Nesse ponto você está certo. Mas ainda acho que é cedo demais pra pensar nessa possibilidade. Seja como for, tomara que o Sr. Ward apareça logo.

- Ele não vai voltar – o garoto disse com firmeza. - Escuta o que eu tô falando, cara. Tem alguma coisa sinistra acontecendo. E isso é só o começo.

***

 A beleza dos pássaros ao voar sempre fascinou Erina. Abrir as asas e seguir rumo às nuvens, ao desconhecido. Fazer do céu a sua morada. Algo tão simples e ao mesmo tempo tão encantador. Enrolando as pontas de seus cabelos dourados com os dedos, a menina se perdia em mais um de seus devaneios diários, com seus olhos nos melros-pretos que cantavam alegremente do outro lado da janela da escola.

- Não concorda, Erina? – uma voz suave a puxou dos céus primaveris de Londres de volta para a terra.

- Hm...? – a loira se virou para o lado de forma indolente, como se tivesse acabado de acordar de um longo sonho.

- Você não ouviu nada do que eu disse? – a voz se contorceu em um leve tom de frustração. Grace, a garota que sempre sentava a seu lado nas aulas de química, se deu conta de que passara os últimos minutos falando com as paredes. - Você não tem jeito, Erina – disse enquanto afagava delicadamente a cabeça da amiga.

- Desculpa! Eu sempre viajo nas aulas de física...

- Tem alguma aula na qual você não viaje? – a morena riu, recebendo uma careta como resposta. – Vou te perdoar dessa vez. Essa aula tá um saco. – disse com um suspiro entediado.

- Posso saber do que você estava falando?

- Eu não deveria te contar...- Grace disse fingindo estar com raiva – Mas como sou uma ótima amiga, vou dizer. Estão correndo boatos de que o Damien da outra sala gosta de você!

  Silêncio.

- ...e? – a loira respondeu em um tom indiferente, para a surpresa da amiga.  

- Não fica nem um pouco animada de saber que tem um garoto caidinho por você?

- Sei lá – Erina deu de ombros - Eu nem conheço ele direito.

- Hmmm... – a morena disse com um olhar sugestivo. – Será que você está dizendo isso porque já tem outro menino em mente? – ela riu ao ver as bochechas de sua colega enrubescerem.

- Claro que não! – a garota exclamou, visivelmente envergonhada, virando a cara de volta para a janela. Os melros-pretos que a menina observara há minutos atrás permaneciam no mesmo lugar.

- Calma! Era brincadeira! – Grace sorriu – Mas você tem que admitir que tem alguns meninos bem atraentes aqui no colégio. O Jacob, o Thomas, aquele garoto que veio de intercâmbio da Turquia...temos muitas opções.

-...e o Jonathan? – Erina disse despretensiosamente, apoiando o rosto na mão.

- Quem?

- Aquele garoto que sempre se mete em confusão. O que chegou atrasado hoje.

- Credo! O que tem ele?

- Eu acho ele bonitinho – a loira disse, seguida de um longo silêncio. Estranhando a súbita quietude, a garota tirou os olhos da janela, dando de encontro com um olhar que misturava preocupação e desaprovação vindo de Grace.

- Me diga, por favor, que você está brincando – a morena a encarava incredulamente.

- Eu tô falando sério! – Erina disse com um risinho tímido – Se ele não fosse tão...digamos, intimidador, eu falaria com ele sem problema nenhum.

- Você viu como ele te olhou no primeiro horário? Parecia que ia te matar – disse com uma clara expressão de desprazer – Aquele garoto é um selvagem. Você devia manter distância dele.

- Não fico surpresa. Eu faria a mesma coisa se pegasse alguém rindo de mim.

- Você está louca, Erina!

- Algum problema aí atrás, senhoritas? – a voz grave do professor cortou a conversa como uma faca. Erina sentiu a frase que estava prestes a dizer morrer no fundo de sua garganta. As duas se viraram bruscamente, seguidas por todos os olhares da sala.

- H-hã... – Grace gaguejou com um sorriso amarelo – Eu só estava tirando uma dúvida da minha amiga!  Não é, Erina? – a loira, incapaz de responder, apenas concordou com a cabeça.

- E será que você poderia nos contar essa dúvida, senhorita Pendleton?

 Silêncio. A turma estava tão quieta que poderia se ouvir um alfinete caindo e se chocando com o chão. Temerosa, a jovem abriu a boca para falar, mas o barulho estridente da campa do colégio invadiu a sala antes que qualquer som saísse de sua garganta. Os alunos, outrora entretidos com o visível embaraço da loira, agora arrumavam suas mochilas apressadamente, esbarrando uns nos outros enquanto tentavam sair da sala. Logo não havia quase ninguém no recinto além de Erina, Grace e o professor.

- Acho que vamos ter que deixar isso para a próxima aula – a garota sorriu desdenhosamente.

 O professor resmungou emburrado, como se estivesse admitindo sua própria derrota. Triunfantes, as duas amigas se levantaram de cabeça erguida e se retiraram da sala. Assim que o professor sumiu de vista, ambas soltaram uma ruidosa gargalhada.

- Você viu a cara dele? – Erina riu.

- Que otário! – Grace completou.

 Entre conversas e risadas, as duas seguiram despreocupadamente pelos corredores do colégio. Eram aqueles pequenos instantes que faziam Erina realmente feliz. A garota não tinha muito do que reclamar: era uma jovem belíssima, cercada de amigas e até de alguns pretendentes. Porém, diferente de suas companheiras (as quais até a própria Erina achava serem vãs demais em alguns momentos), sabia que as aparências não eram o mais importante na vida. A garota prezava pela simplicidade, pelos momentos pequenos passados entre amigos, pela felicidade em seu sentido mais cálido.

- Ah! – a loira disse em um estalo – Lembrei que preciso passar no mercado. Não vou poder ir pra casa com você.

- Poxa! – Grace respondeu – Tudo bem então. Nos vemos amanhã! – Antes que pudesse terminar a frase, Erina já corria esbaforida pela calçada. A morena deu um leve sorriso. Já estava acostumada com o jeito abobado e sonhador da amiga, que sempre lembrava de compromissos na última hora. Com um semblante calmo, seguiu seu caminho para casa.

 Enquanto isso, do outro lado da rua, Erina desajeitadamente metia a mão no bolso tentando encontrar o dinheiro que sua mãe havia lhe dado pela manhã. Antes de sair para o colégio, a mãe fizera questão de lembra-la de passar no mercado para devolver o dinheiro que estava devendo a uma das feirantes. Pegando as cédulas nas mãos, a menina começou a contar as notas enquanto caminhava. “Ainda bem que eu me lembrei disso”, pensava consigo mesma. “Se eu não passasse no mercado, mamãe com certeza iria me mat...”.

- Oi, gracinha – uma voz vinda de trás a pegou de surpresa, interrompendo seus pensamentos. Assustada, Erina virou-se rapidamente, enfiando o dinheiro de volta no bolso. Era Morgan, um bully do 12° ano. Um garoto vulgar que não sabia fazer nada além de intimidar os outros, ato ao qual ela abominava. Apesar de ter vários amigos em comum, os dois raramente se falavam; a menina não podia evitar sentir nada além de desdém por um tipo tão pateticamente cruel quanto ele. “Bom, é menos pior do que um ladrão”, pensou.

- Oh. – a garota fez questão de dizer com desprezo – O que você quer, Morgan?

- Calma! – ele riu – Só queria saber o que uma menina tão bonita faz caminhando sozinha em uma rua quase deserta.

 A loira revirou os olhos.

- Desculpe, mas não é da sua conta. Agora com licença – disse friamente e tentou seguir pela rua com um passo apressado, mas sentiu a manga de sua blusa sendo bruscamente puxada.

- Não seja assim, Erina – apesar de seus lábios sorrirem, os olhos de Morgan revelavam um tom ameaçador – Somos amigos.

 Ao ficar tão próxima dele, percebeu o quão mais alto e mais forte o ruivo era próximo dela. Seu coração começou a bater mais rápido, tomado por um súbito nervosismo.

- Nós não somos amigos! – disse tentando se livrar do aperto do garoto, que agora segurava seu braço com força. – Me larga!

- Não adianta você gritar. Não tem ninguém aqui.

 Os olhos da menina se encheram de lágrimas.

- Me larga!

- Vai chorar? Não acredito.

- Deixa ela em paz. – uma voz que Erina prontamente reconheceu chegou a seus ouvidos. Do outro lado da calçada estava Jonathan, que se aproximava dos dois a passos lentos. Apesar da expressão séria e até um pouco indiferente que sempre levava no rosto, a loira via em seus olhos o mesmo brilho pulsante com a qual ele a olhara mais cedo. As palavras de Grace ecoaram em sua mente: ele parecia capaz de matar alguém.

- Joestar? – o garoto disse surpreso – Você é amigo da Erina?

- Não. Mas não vou deixar você a maltratar.  

- Salvando a “donzela em perigo”, hein? – Morgan riu – Eu odeio caras assim. Vou acabar com você.

- Vamos ver se você consegue – o moreno sorriu. Antes que Morgan pudesse desviar, acertou um soco no queixo do garoto, que cambaleou para trás com o impacto, soltando o braço de Erina. Logo em seguida deu-lhe um chute no estômago, que o derrubou no chão. – Isso é o suficiente pra você? – disse puxando-o pela gola da camisa.

 Percebendo que não conseguiria sair da luta vitorioso, o ruivo levantou as mãos num sinal de desistência.

- Calma, cara! – balbuciou – Eu só estava brincando com a Erina. Eu nunca faria mal a uma garota!

- Tsc – o moreno disse ao largar a blusa de Morgan, que caiu desajeitadamente no chão. – Some daqui.

 O garoto, nitidamente apavorado, mal se levantou e se pôs a correr até sumir de vista, deixando Erina sozinha com Jonathan na rua vazia.

 - Ele te machucou? – o moreno virou-se para ela, o brilho assombroso de outrora agora havia desaparecido de seus olhos castanhos.

 - Hã? – a loira, que até então não conseguira fazer nada além de observar boquiaberta, quase não conseguia formar as palavras tentando processar o que havia acabado de acontecer. – N-não! Eu estou bem.

- Ótimo. Então estamos quites. Tome cuidado quando voltar pra casa. – e sem dizer mais nada, passou por Erina como se nada tivesse acontecido.  

- Espera! – a menina ergueu a mão no ar, tentando alcança-lo - Obrigada. Se você não tivesse aparecido eu nem sei o que poderia acon...

- Eu não fiz isso por você. – o garoto a interrompeu.

- O que...?

 Jonathan virou-se na direção da jovem, encarando-a por alguns segundos, como se estivesse esperando que o silêncio falasse por si só.

- Um homem de verdade não fica parado quando vê alguém que precisa de ajuda. Ele enfrenta o perigo, mesmo que esteja em desvantagem. – disse em um tom sério. – Não se sinta na obrigação de ser gentil comigo só porque eu te ajudei. Isso não teve nada a ver com você. – e deu as costas à menina, seguindo seu caminho rua adentro, acompanhado pelo sopro delicado do vento da primavera.

 Erina silenciosamente o assistiu desaparecer por entre os arvoredos no horizonte, sem saber o que pensar. Por que aquele garoto, que não tinha nada senão motivos para odiá-la, havia a ajudado? Pra que se meter em uma briga com alguém maior e mais forte em nome de uma menina que horas mais cedo havia rido da cara dele? A loira não conseguia entender o que se passava na mente de Jonathan. O garoto era um verdadeiro enigma.

 Sorriu para si mesma ao pensar nisso. Talvez no final das contas, o jovem Joestar fosse um garoto bom.

***

 Não demorou muito para que a noite cobrisse a cidade com seu véu negro.  Vozes coléricas saíam da televisão e atravessavam a sala de Jonathan, como presságios de algo ruim que se aproximava. Na TV, no rádio, em qualquer lugar que o garoto olhasse não havia nada além de mensagens desesperadas sobre pessoas desaparecidas e um possível assassino assombrando a cidade. Irritado, levantou-se do sofá e desligou o aparelho.

- Ei! Eu estava assistindo! – George disse do outro lado do cômodo.

- De que adianta assistir? – o garoto respondeu, jogando-se de volta no sofá – Ninguém tem pistas. Nem sequer sabem se os assassinatos e os desaparecimentos estão ligados. É um monte de desinformação.

 O pai revirou os olhos. À essa altura já deveria ter se acostumado com o temperamento forte do filho, mas ainda assim se encontrava chateado em momentos como aquele. Um silêncio desagradável tomou conta do aposento, como aquele que antecede uma discussão.

 - Acho que vou dar uma volta – Jonathan disse de súbito, quebrando o remanso nauseante que havia empesteado o ambiente.

- A essa hora? Já está escuro lá fora.

- Só vou tomar um ar. Prometo que não demoro. – o moreno, que até então estava olhando para o teto, virou-se na direção do pai, avistando uma expressão de preocupação. – Qual é, acha que o assassino vai me pegar?

- Jonathan, isso é um assunto sério. – o pai disse com severidade, desfazendo o sorriso no rosto do filho.

- Eu vou voltar. Pode deixar.

 George suspirou.

- Tudo bem. Só coloque um casaco, deve estar frio na rua.

 O garoto se levantou com um pulo, pegando uma jaqueta e um agasalho que estavam estendidos próximo dali. Antes de sair, olhou para o pai uma última vez, como se quisesse dizer silenciosamente que o outro não deveria se preocupar. Estava tão acostumado com as brigas que às vezes se esquecia de como ser gentil com aquele homem, que apesar dos pesares ainda era sua única família. Fechou a porta suavemente, inalando o ar frio das 19h.

  As casas perfeitamente enfileiradas do quarteirão davam a impressão de um pequeno labirinto naquele horário. Por todos os cantos, não se via nada além dos canteiros perfeitamente alinhados, praticamente encaixados uns nos outros. Todas as luzes estavam acesas, trazendo um pouco de vida às ruas desertas. Ventos gelados uivavam pela noite, sendo o único som perceptível a atravessar aquela via.

 A calmaria acolhedora do bairro naquele horário causava sentimentos mistos em Jonathan. O jovem reconhecia mais do que ninguém que tinha uma boa vida. Uma casa para voltar, uma escola para estudar, um pai que mesmo com seus problemas o amava incondicionalmente. Sentia-se culpado por não estar satisfeito levando uma vida pela qual muitos dariam tudo para ter. Mas aquilo por melhor que fosse simplesmente não lhe era suficiente. Ansiava por algo mais. Algo que o fizesse sentir realmente vivo.

 Seu pior medo era se tornar alguém como o pai ou como seus professores, um adulto hipócrita que vivia para trabalhar ao invés de trabalhar para viver. Mas à medida que o tempo passava, esse pequeno pesadelo parecia se tornar mais próximo da realidade. Em um futuro não muito distante, provavelmente estaria num bairro como aquele, em uma casa como aquela, vivendo uma vida enfadonha da qual fingia gostar junto de um filho que o odiava. Era um ciclo natural inquebrável de infelicidade.

 Geralmente o moreno tentava não pensar nisso devido a raiva que o acometia sempre que refletia sobre o assunto. Mas naqueles momentos sozinhos, onde não tinha nenhuma companhia senão a noite, esses pensamentos pareciam rastejar do fundo de sua mente para assombra-lo. Lentamente sentiu-se possuído pela raiva. Raiva do pai, dos colegas, de todos. Raiva daquela falsa paz, daquele contentamento fabricado que os outros ao seu redor fingiam sentir. Frustrado, chutou uma pedra no chão, que quicou bobamente pelos ladrilhos da rua antes de parar mais uma vez.

 Insatisfeito, foi atrás da pedra para chutá-la mais uma vez. O pequeno pedregulho novamente saiu quicando por entre o cascalho do chão antes de parar. Quando se preparava para chutar a pedra uma terceira vez, o garoto se desequilibrou e caiu de joelho no chão.

- Merda! – gritou ao vazio.

- O que você está fazendo? – disse uma voz aveludada.

 Jonathan ergueu a cabeça. Ao seu lado, um pouco atrás de onde estava, havia um garoto loiro o observando. Seus olhos cor de âmbar pareciam emitir uma luz dourada na escuridão.


Notas Finais


Sou meio ruim escrevendo cenas de ação, não reparem rsrs


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