História O Beijo Das Sombras - Versão Naruto - Capítulo 2


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oiee! Aqui mais um capitulo procês!

Capítulo 2 - Dois


Apesar do meu ódio, tive de admitir que Neji Beli-sei-lá-o-quê era muito inteligente. Depois que nos levaram à força para o aeroporto e nos puseram dentro do avião particular da Escola, ele nos viu sussurrando uma com a outra e ordenou que nos separassem.

— Não as deixem falar uma com a outra — avisou ele ao guardião, que me escoltou até o fundo do avião. — Juntas, em cinco minutos elas arquitetam um plano de fuga.

Lancei-lhe um olhar altivo e saí andando com raiva pelo corredor.

Não importava o fato de estarmos realmente planejando um meio de escapar. As coisas não pareciam mesmo estar nada boas para os nossos heróis – ou melhor, heroínas. Uma vez voando, nossas chances de fuga diminuíam mais ainda. Mesmo supondo que acontecesse um milagre e eu conseguisse derrotar todos aqueles dez guardiões, ainda teríamos de enfrentar o desafio de sair do avião.

Imaginei que eles tivessem paraquedas a bordo em algum lugar, mas, no caso improvável de eu conseguir fazer algum deles funcionar, havia ainda uma outra pequena questão, a da sobrevivência, uma vez que nós muito provavelmente pousaríamos em algum lugar nas montanhas Rochosas.

Não, nós não podíamos sair daquele avião antes que pousasse no interior do estado de Konoha. Eu tinha, então, que pensar em alguma coisa. Algo que nos levasse a conseguir escapar da vigilância mágica da Escola e de um número dez vezes maior de guardiões.

Certo. Sem problemas.

Embora ela estivesse sentada na parte da frente do avião com o sujeito russo, o medo de Hinata atravessava todo o corredor e chegava até mim, pulsando dentro da minha cabeça como um martelo. Minha preocupação com ela interrompeu a fúria que eu estava sentindo. Eles não podiam levá-la de volta para lá, não para aquele lugar.

Como era de praxe, as emoções dela ficaram tão fortes que, por um momento, eu fiquei desorientada pela sensação de estar sentada na sua poltrona – na sua pele até. Isso acontecia às vezes, e sem muito aviso. Ela me puxava para dentro da sua cabeça.

A figura alta de Neji encontrava-se ao meu lado, e minha mão – a mão dela – pegou uma garrafa d'água. Ele se inclinou para a frente, para apanhar alguma coisa, revelando seis pequenos símbolos tatuados em sua nuca: marcas molnija.

Elas pareciam dois riscos entalhados em forma de raio que se cruzavam num X. Um para cada Strigoi que ele matara. Acima deles havia uma linha serpenteada, meio como uma cobra, que provava que ele era um guardião. A marca da promessa.

Piscando os olhos, lutei contra ela e voltei para a minha própria cabeça contorcendo o rosto. Eu odiava quando isso acontecia. Sentir os sentimentos de Hinata tudo bem, mas escorregar para dentro dela era uma coisa que nós duas desprezávamos. Ela via isso como uma invasão de privacidade, então eu geralmente não lhe contava quando acontecia. Nenhuma de nós conseguia controlar isso. Era uma consequência a mais do laço, um laço que nenhuma de nós duas entendia bem.

Existem lendas sobre conexões psíquicas entre os Moroi e seus guardiões, mas as histórias nunca mencionaram algo como aquilo. Desajeitadamente, nós procurávamos lidar com aquilo da melhor maneira que podíamos.

Perto do final do voo, Neji veio até onde eu estava sentada e trocou de lugar com o guardião ao meu lado. Eu intencionalmente virei a cabeça para a janela e fiquei olhando para fora com ar distraído.

Vários momentos de silêncio se passaram. Finalmente ele disse:

— Você ia mesmo atacar todos nós?

Não respondi.

— Fazer aquilo... protegê-la como você fez... foi uma coisa muito corajosa. — Ele fez uma pausa. — Estúpida, mas corajosa, de qualquer maneira. Por que você ainda assim tentou?

Olhei rapidamente para ele, com ar superior, afastando o cabelo que me caía sobre o rosto para que eu pudesse olhar para ele de igual para igual.

— Porque eu sou a guardiã dela.

Virei-me novamente para a janela. Depois de outro momento de silêncio, ele se levantou e voltou para a parte da frente do avião.

Quando pousamos, Hinata e eu não tivemos escolha. Fomos obrigadas a deixar que o comando nos levasse até a Escola.

O carro parou no portão, e nosso motorista falou com os guardas, que se certificaram então de que não éramos Strigoi prontas para fazer uma grande matança. Depois de algum tempo, deixaram que passássemos pela vigilância e subíssemos até a Escola. O sol estava se pondo – o início do dia para os vampiros – e o campus achava-se envolto em sombras.

Estava provavelmente igual, vasto e gótico. Os Moroi eram fiéis às tradições; nada mudava nunca para eles. Aquela escola não era tão antiga quanto as europeias, mas fora construída no mesmo estilo. Os prédios tinham uma arquitetura elaborada, quase de igreja, com torres altas e pedras esculpidas. Portões de ferro trabalhado encerravam pequenos jardins e vãos de entrada aqui e ali.

Depois de morar num campus universitário, pude apreciar com outros olhos o quanto aquele lugar se parecia mais com uma universidade do que com uma escola típica de ensino médio. Nós ficávamos no campus secundário, que era dividido entre a escola de ensino básico e a de ensino médio. Cada escola fora construída em volta de um enorme pátio quadrangular a céu aberto, decorado com caminhos de pedras e gigantescas árvores centenárias.

Estávamos indo em direção ao pátio da escola de ensino médio, que tinha prédios de salas de aula de um lado e dormitórios de dampiros e salas de ginástica do outro. Os dormitórios dos Moroi ficavam no final de um dos lados, e em frente a eles estavam os prédios da administração, onde também funcionava o ensino básico. Os alunos mais novos moravam no campus do primário, mais além, a oeste. Em volta de todos os campi havia espaço, espaço e mais espaço. Afinal de contas estávamos em Konoha, a quilômetros de distância de qualquer cidade grande.

O ar entrou suavemente pelos meus pulmões e cheirava a pinho e a folhas soltas e molhadas. Florestas excessivamente grandes contornavam os perímetros da Escola, e, durante o dia, era possível ver montanhas se erguendo ao longe.

Enquanto caminhávamos para a parte principal da escola de ensino médio, escapei do meu guardião e corri até Neji.

— Ei, camarada.

Ele continuou andando e não olhou para mim.

— Quer conversar agora?

— Você está nos levando para a Tsunade?

— Diretora Tsunade — me corrigiu ele.

Do outro lado dele, Hinata lançou-me um olhar que dizia: “Não comece nenhuma confusão.”

— Diretora. Que seja. Ela continua sendo uma velha convencida, aquela piran...

Minha fala foi interrompida quando os guardiões nos fizeram atravessar uma série de portas que davam direto nos refeitórios. Suspirei. Essas pessoas eram tão cruéis a esse ponto? Havia ao menos uma dúzia de caminhos para chegar ao escritório de Tsunade, e estavam nos fazendo passar bem no meio do refeitório. E era o horário do café da manhã.

Guardiões aprendizes – dampiros como eu – e Moroi estavam sentados juntos, comendo e conversando, com os rostos acesos, curiosos por qualquer que fosse a fofoca que estivesse em alta na Escola. Quando entramos, o barulho alto das conversas parou imediatamente, como se alguém tivesse desligado um interruptor. Centenas de olhos se voltaram para nós. Eu devolvi o olhar dos meus ex-colegas de classe com um sorriso preguiçoso, tentando ver se alguma coisa mudara.

Não. Nada parecia ter mudado.

Karin Ukumaki mantinha o ar afetado, piranhazinha perfeitamente arrumadinha, eu bem me lembrava, ainda era a mesma que se autonomeara líder da panelinha da realeza dos Moroi da Escola. Mais para o lado, a quase-prima tola de Hinata, Ino, observava tudo com os olhos arregalados, tão inocente e ingênua quanto antes. E do outro lado da sala... bem, isso era interessante.Kiba. Pobre, pobre Kiba, que sem dúvida ficou com o coração partido quando Hinata foi embora. Continuava tão bonitinho como sempre – talvez um pouco mais agora – com aqueles mesmos cabelos castanhos que complementavam os dela tão bem. Os olhos dele acompanhavam todo e qualquer movimento de Hinata. É. Definitivamente não a esquecera ainda.

Isso era bem triste mesmo, pois Hinata nunca fora assim tão apaixonada por ele. Acho que saía com ele apenas porque isso parecia ser o que se esperava dela.

Mas o que eu achei mais interessante foi que Kiba, pelo visto, encontrara uma maneira de passar o tempo sem a companhia de Hinata. Ao seu lado e segurando a sua mão, havia uma garota Moroi que parecia ter uns onze anos, mas que devia ser mais velha, a não ser que ele tivesse se transformado numa espécie de pedófilo durante a nossa ausência. As suas pequenas bochechas gorduchas e os cachos dourados nos cabelos davam-lhe um ar de boneca de porcelana. Uma boneca de porcelana muito zangada e má.

Ela apertou bem a mão dele e lançou para Hinata um olhar cheio de um ódio tão violento que me deixou perplexa. Mas por que diabos aquilo me incomodou? Tratava-se de alguém que eu nem conhecia. Era só uma namorada ciumenta, pensei. Eu também ficaria zangada se o meu namorado olhasse para outra garota daquele jeito.

Nossa humilhante caminhada, graças aos céus, chegou ao fim, embora o novo cenário – o escritório da diretora Tsunade – não tenha melhorado muito as coisas.

A velha bruxa mantinha a mesma aparência de quando nós fomos embora, nariz pontudo e cabelos loiros . Era alta e magra, como a maioria dos Moroi, e sempre me lembrou um abutre. Eu a conhecia bem pois já passara muito tempo em seu escritório. Quase todos os guardiões que nos escoltavam saíram depois que Hinata e eu nos sentamos, e eu me senti um pouco menos como uma prisioneira. Ficaram apenas Anko, a capitã dos guardiões da Escola, e Neji. Eles se posicionaram estrategicamente contra a parede, estoicos e aterrorizantes, exatamente como exigia a função que desempenhavam.

Tsunade fixou os olhos raivosos em nós e abriu a boca para começar um discurso que sem dúvida seria uma grande sessão de reclamações.

Uma voz profunda e gentil a interrompeu.

— Hinatisa.

Espantada, eu me dei conta de que havia mais alguém na sala. Eu não tinha notado. Um descuido para uma guardiã, mesmo para uma aprendiza.

Com grande esforço, Inochi Yamanaka levantou-se de uma cadeira no canto da sala. Príncipe Inochi Yamanaka.

Hinata levantou num pulo e correu em sua direção, atirando os braços em torno do frágil corpo dele.

— Tio — sussurrou ela.

Parecia estar à beira das lágrimas ao abraçá-lo com ainda mais força.

Com um leve sorriso, ele gentilmente lhe deu um tapinha nas costas.

— Você não tem ideia de como estou feliz em vê-la a salvo, Hinatisa. — Ele voltou o olhar para a minha direção. — E você também, Tenten.

Em resposta, fiz um sinal afirmativo com a cabeça, tentando não demonstrar o quanto eu estava chocada. Ele já estava doente quando nós fugimos, mas aquilo... aquilo era horrível. Ele era o pai de Ino, tinha apenas quarenta anos ou um pouco mais, mas aparentava o dobro da idade. Pálido. Debilitado. Com as mãos trêmulas. Fiquei com o coração partido ao vê-lo daquele jeito. Com tantas pessoas horríveis no mundo, não era justo que logo aquele homem tivesse uma doença que iria matá-lo tão cedo e que, em última instância, não permitiria que se tornasse rei.

Embora não fosse de fato seu tio – os Moroi, especialmente os da realeza, usam termos familiares de maneira bastante abrangente – Inochi era um grande amigo da família de Hinata e se esforçara ao máximo para ajudá-la depois que seus pais morreram. Eu gostava dele; era a primeira pessoa que eu gostava de ver ali.

Tsunade os deixou à vontade mais alguns minutos e depois fez duramente com que Hinata voltasse para a sua cadeira. Hora do sermão.

Foi um bom sermão – uma das maiores qualidades dela era saber dizer alguma coisa. Era mestra em sermões. Tenho certeza de que esta foi a única razão que a levou para a administração da Escola, porque eu ainda não pude registrar qualquer evidência de que ela realmente gostasse de crianças.

O discurso abordou os tópicos usuais: responsabilidade, comportamento inconsequente, egoísmo... blá, blá, blá. Imediatamente me vi divagando, ponderando, ao contrário, sobre a logística de uma fuga pela janela do escritório dela. Mas quando o discurso se voltou para mim – bem, foi aí que comecei a prestar atenção nele.

— Você, senhorita Mitsashi, quebrou a promessa mais sagrada entre nós: a promessa que um guardião faz de proteger um Moroi. É uma imensa responsabilidade. Responsabilidade que você violou ao egoisticamente levar a princesa para longe daqui. Os Strigoi teriam adorado acabar de uma vez com os Hyuuga; você quase lhes deu a chance de fazer isso.

— Tenten não me raptou — disse Hinata antes que eu pudesse interferir, com a voz e o semblante calmos, apesar de sua inquietação. — Eu quis ir. Não a culpe por isso.

A diretora Tsunade nos olhou decepcionada e andou pelo escritório com as mãos cruzadas atrás das suas costas retas.

— Senhorita Hyuuga, pode ter sido você quem orquestrou o plano inteiro, como posso imaginar, mas, ainda assim, a responsabilidade de se certificar de que você não levasse o plano a cabo era dela. Se ela tivesse feito o seu dever, teria reportado esses planos a alguém. Se ela tivesse cumprido com o seu dever, ela a teria mantido a salvo.

Eu me revoltei.

— Eu cumpri com o meu dever! — gritei, levantando de um salto da minha cadeira.

Neji e Anko se sobressaltaram, mas me deixaram livre uma vez que eu não estava tentando bater em ninguém. Ainda.

— Eu a mantive a salvo, sim! Eu a mantive a salvo quando nenhum de vocês... — fiz um gesto largo abrangendo todo o escritório — pôde manter. Eu a levei embora e a protegi. Fiz o que eu tinha de fazer. Vocês certamente não iriam protegê-la.

Através do laço, senti Hinata tentando me mandar mensagens de calma, tentando me impedir mais uma vez de deixar que a raiva tomasse conta de mim.

Tarde demais.

Tsunade me encarou com uma expressão vazia.

— Senhorita Mitsashi, perdoe-me se eu não pude perceber a lógica que a levou a concluir que tirar Hinata de um espaço altamente seguro, magicamente guardado, significava protegê-la. A não ser que exista algo que você não esteja nos contando.

Mordi o lábio.

— Compreendo. Bom, então. Pelas minhas estimativas, o único motivo que as levou a irem embora... tirando, evidentemente, a curiosidade pelo novo que havia nisso... foi evitar as consequências daquele golpe horrível e destrutivo que você lançou pouco antes de desaparecer.

— Não, isso não é...

— E isto torna as minhas decisões muito mais fáceis de serem tomadas. Como uma Moroi, a princesa deve permanecer aqui na Escola para a sua própria segurança, mas nós não temos nenhuma obrigação com relação a você. Você será mandada embora assim que for possível.

A minha insolência murchou.

— Eu... o quê?

Hinata levantou-se ao meu lado.

— A senhora não pode fazer isso! Ela é a minha guardiã.

— Ela não é nada disso, principalmente porque nem guardiã de verdade ela é. É ainda uma aprendiza.

— Mas os meus pais...

— Eu sei o que os seus pais desejavam, Deus guarde as suas almas, mas as coisas mudaram. A senhorita Mitsashi é descartável. Ela não merece ser guardiã, e ela irá embora.

Encarei Tsunade, incapaz de acreditar no que eu estava ouvindo.

— Para onde a senhora vai me mandar? Para ficar com a minha mãe, em Suna? Será que ela sequer deu pela minha falta? Ou será que a senhora está pensando em me mandar para junto do meu pai?

Os olhos dela se aguçaram ao ouvir esta última palavra. Quando falei novamente, minha voz soou tão fria que mal a reconheci.

— Ou talvez a senhora tente fazer de mim uma prostituta de sangue. Tente isso, e nós estaremos bem longe até o final do dia.

— Senhorita Mitsashi— sibilou ela. — Você está saindo da linha.

— Existe um laço entre elas.

O sotaque e a voz baixa de Neji quebraram a tensão pesada que havia no ambiente, e todos nós nos voltamos para ele. Acho que Tsunade se esquecera de que ele estava lá, mas eu não. A presença dele era poderosa demais para ser ignorada. Ele continuou de pé contra a parede, uma espécie de caubói sentinela metido naquele casaco exageradamente longo que usava. Ele olhou para mim, não para Hinata, seus olhos claros voltados em minha direção como se não me enxergassem.

— Tenten sabe o que Hinatisa sente. Não sabe?

Eu pelo menos tive a satisfação de ver Tsunade baixar a guarda quando olhou para mim e para Neji.

— Não... isso é impossível. Há séculos algo assim não acontece.

— É evidente — disse ele. — Eu suspeitei logo que comecei a observá-las.

Nem eu, nem Hinata respondemos, e evitei trocar olhares com ele.

— Isso é um dom — murmurou Inochi, do canto onde estava sentado. — Algo raro e maravilhoso.

— Os melhores guardiões sempre tiveram este laço — acrescentou Neji. — Nas histórias...

A revolta de Tsunade voltou.

— Histórias que têm centenas de anos — exclamou ela. — Certamente você não está sugerindo que a deixemos permanecer na Escola depois de tudo o que fez.

Ele deu de ombros.

— Ela pode ser malcriada e desrespeitosa, mas se tem potencial...

— Malcriada e desrespeitosa? — interrompi. — Quem é você, afinal? Algum tipo de ajuda terceirizada ?

— O guardião Belikov é o guardião da princesa agora — disse Tsunade. — O seu guardião sancionado.

— A senhora contratou mão de obra barata vinda do estrangeiro para proteger Hinata?

Fui bem cruel ao dizer isso – principalmente porque a maioria dos Moroi e seus guardiões são descendentes de russos ou de romenos – mas o comentário pareceu mais inteligente no momento em que foi feito do que realmente era. E quem era eu para dizer aquilo? Eu fora criada nos Estados Unidos, mas meus pais haviam nascido fora do país. Minha mãe dampira era escocesa – tinha os cabelos ruivos e um sotaque ridículo – e me contaram que meu pai Moroi era turco. Por causa dessa combinação genética, minha pele tinha a cor da parte de dentro de uma amêndoa, e a isso se somavam as feições de uma princesa meio exótica do deserto, ou era assim que eu gostava de me ver. Grandes olhos negros e cabelos de um castanho tão escuro que muitas vezes parecia preto. Eu não teria me importado de ter herdado os cabelos ruivos, mas temos que gostar do que nos coube.

Tsunade lançou as mãos para o alto em exasperação e depois voltou-se para ele.

— Está vendo? Completamente indisciplinada! Um laço psíquico e um potencial muito bruto não valem esta insolência. Ter um guardião sem disciplina é pior do que não ter guardião algum.

— Então ensine-a a ser disciplinada. As aulas acabaram de começar. Coloque-a de volta na Escola e recomece o seu treinamento.

— Impossível. Ela inevitavelmente continuaria atrasada com relação aos seus colegas.

— Não, eu não vou ficar atrasada — argumentei.

Ninguém me ouviu.

— Então dê a ela sessões de treinamento extraclasse — disse ele.

Eles continuaram a discussão enquanto nós assistíamos à troca de ideias como se fosse uma partida de pingue-pongue. Meu orgulho ainda estava ferido por causa da facilidade com que Neji nos encurralara, mas me ocorreu que ele bem que podia me manter ali com Hinata. Melhor ficar nesse buraco de inferno do que ficar sem ela.

Através do nosso laço, eu pude sentir as gotas de esperança que vinham dela.

— E quem vai se encarregar do tempo extra? — disse Tsunade com autoridade. — Você?

O argumento foi como uma freada brusca para Neji.

— Bom, não era isso o que eu...

Tsunade cruzou os braços com satisfação.

— É. Era o que eu imaginava.

Claramente perdido, ele franziu o cenho.

Seus olhos hesitaram entre mim e Hinata, e me perguntei o que ele estaria vendo. Duas garotas patéticas, olhando para ele com olhos arregalados e suplicantes? Ou duas fugitivas que tinham furado o bloqueio de uma escola altamente segura e roubado metade da herança de Hinata?

— Sim — disse ele finalmente. — Eu posso ser o mentor de Tenten. Eu lhe darei sessões extras, complementando as suas aulas regulares.

— E então? — contrapôs Tsunade, com raiva. — Ela fica sem castigo?

— Encontre outra maneira de castigá-la — respondeu Neji. — O número de guardiões diminuiu demais para que possamos nos arriscar a perder mais uma. Principalmente uma garota.

As palavras não ditas dele me fizeram estremecer, me fazendo lembrar do que eu dissera antes sobre “prostitutas de sangue”. Poucas garotas dampiras se tornavam guardiãs agora.

Inochi subitamente disse algo de onde estava.

— Estou inclinado a concordar com o guardião Belikov. Mandar Tenten embora seria uma pena, um desperdício de talento.

A diretora Tsunade olhou para fora pela janela. Estava inteiramente escuro lá. Com a agenda noturna da Escola, manhãs e tardes eram termos relativos. Acrescente-se a isso o fato de as janelas serem pintadas para bloquear o excesso de luz.

Quando ela se voltou novamente, Hinata cruzou seu olhar com o dela.

— Por favor, diretora. Deixe Tenten ficar.

“Ai, Hina”, pensei. “Cuidado.” Usar compulsão numa outra Moroi era perigoso – especialmente na frente de testemunhas. Mas Hinata estava usando apenas um bocadinho, e nós precisávamos de toda a ajuda que pudéssemos obter. Felizmente ninguém pareceu perceber o que acabara de acontecer. Eu mesma nem sei se a compulsão fez alguma diferença, mas, finalmente, Tsunade suspirou.

— Se a senhorita Mitsashi ficar, então as coisas funcionarão da seguinte maneira. — Ela virou-se para mim. — A manutenção da sua matrícula na São Kaguya é estritamente probatória. Saia da linha uma só vez, e você estará expulsa. Você vai frequentar todas as aulas e os treinamentos exigidos para uma aprendiza da sua idade. Você também será treinada pelo guardião Belikov em todas as horas vagas que tiver, antes e depois das aulas. Tirando essas atividades, você estará banida de todas as atividades sociais, com exceção das refeições, e ficará no seu dormitório. Se falhar em cumprir com qualquer uma dessas exigências, você será mandada... embora.

Dei uma gargalhada ríspida.

— Banida de todas as atividades sociais? A senhora está tentando nos manter distantes? — indiquei com a cabeça para a direção de Hinata. — Está com medo de que nós fujamos novamente?

— Estou tomando precauções. Como estou certa de que você se recorda, você nunca foi devidamente punida por ter destruído propriedades da Escola. Você tem muito o que compensar. — Ela apertou os lábios finos formando uma linha reta. — Estou lhe oferecendo um acordo bastante generoso. Sugiro que você não deixe sua arrogância pôr isso em risco.

Comecei a dizer que a oferta não era nada generosa, mas logo vi o olhar de Neji. Foi difícil decifrar. Ele podia estar tentando me dizer que acreditava em mim. Podia estar tentando me dizer que eu era uma idiota de querer continuar brigando com Tsunade. Eu não soube decifrá-lo.

Desviei de seu olhar pela segunda vez durante a reunião e olhei para o chão, consciente da presença de Hinata ao meu lado e de seu encorajamento queimando através do nosso laço.

Ao fim e ao cabo, suspirei e olhei de volta para a diretora.

— Tudo bem. Eu aceito.


Notas Finais


Ta ai o cap, espero que tenham gostado.
De novo, se encontrarem algum nome nada a ver, ignorem.
Valeu a quem leu e até o proximo!
Ah e desculpem meus erros!


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