História O Beijo Das Sombras - Versão Naruto - Capítulo 3


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Palavras 4.196
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oieee! To aqui com mais um capitulo! Obrigado pelos favoritos!

Capítulo 3 - Três


Mandar-nos direto para a sala de aula logo depois da reunião seria mais do que cruel, mas foi exatamente isso o que Tsunade fez. Hinata foi levada para longe, e eu assisti a isso contente, porque o laço que nos unia me permitiria continuar medindo sua temperatura emocional.

Eles na verdade me mandaram primeiro para um dos orientadores educacionais. Era um velho Moroi, e eu me lembrava dele de antes da fuga.

E honestamente não podia acreditar que ele ainda estivesse circulando por lá. O sujeito era tão absurdamente velho que já devia ter se aposentado. Ou morrido.

A reunião não levou mais do que cinco minutos. Ele não disse nada sobre a minha volta e fez algumas perguntas sobre quais matérias eu estudara em Chicago e em Portland. Comparou-as ao meu antigo histórico e rabiscou apressadamente um novo horário. Eu o apanhei mal-humorada e segui para a minha primeira aula.

 

1° tempo Técnicas avançadas de combate para guardiões

2° tempo Teoria de guarda-costas e defesa pessoal III

3° tempo Treinamento de peso e condicionamento

4° tempo Linguagens artísticas avançadas (aprendizes)

Almoço

5° tempo Comportamento dos animais e fisiologia

6° tempo Pré-cálculo

7° tempo Cultura Moroi IV

8° tempo Arte eslava

 

Ai! Eu esquecera como o dia letivo era longo na São Kagyua. Aprendizes e Moroi tinham aulas separadas na primeira parte do dia, o que significava que eu só veria Hinata depois do almoço – se tivéssemos alguma aula juntas na parte da tarde.

A maior parte delas eram matérias regulares do último ano do ensino médio, então achei que minhas chances eram grandes. Arte eslava me parecia uma eletiva na qual ninguém se matriculava, então tive a esperança de que a tivessem posto nessa aula também.

Neji e Anko me escoltaram até o ginásio dos guardiões para o primeiro tempo, os dois ignorando solenemente a minha existência. Percebi, enquanto caminhava atrás deles, que Anko usava um corte de cabelo curto estilo duende, o que deixava à mostra sua marca da promessa e suas marcas molnija.

Muitas guardiãs faziam isso. Para mim não fazia muita diferença agora, uma vez que na minha nuca não havia qualquer tatuagem ainda, mas eu queria nunca ter que cortar o meu cabelo.

Ela e Neji não disseram nada e caminharam juntos como se aquele fosse um dia comum. Quando nós chegamos, a reação dos meus colegas indicava que era tudo, menos um dia comum. Eles estavam montando os equipamentos para a aula quando entramos no ginásio, e, exatamente como acontecera no refeitório, todos os olhares se voltaram para mim. Não sabia se me sentia como uma estrela de rock ou como uma figura de circo. Tudo bem, então. Se eu teria de ficar presa ali durante algum tempo, não devia mais me comportar como se tivesse medo deles todos.

Hinata e eu já tínhamos conquistado o respeito da escola uma vez, e estava na hora de lembrar a todos disso. Passando os olhos pelos aprendizes que me encaravam boquiabertos, procurei por rostos familiares.

A maioria deles era de garotos. Um deles cruzou o olhar com o meu e eu mal pude segurar um sorriso.

— Ei, Lee, limpe a baba escorrendo da boca. Se você vai ficar me imaginando nua, faça isso num horário só seu.

Alguns risinhos e risos reprimidos quebraram o silêncio de reverência, e Rock Lee saiu do estado catatônico e me lançou um sorriso torto. Com seus cabelos pretos que viviam lisos como se tivessem sido lambidos e olhos negros, ele era bonitinho, embora não fosse exatamente um gato. Ele era também um dos caras mais engraçados que eu conhecia. Tínhamos sido bons amigos no passado.

— Esse é o meu horário,Mitsashi. Eu vou liderar a sessão de hoje.

— Ah, vai? — retruquei. — Hum. Bom, acho que esse é um bom momento para me imaginar nua, então.

— Sempre é um bom momento para imaginar você nua — acrescentou alguém que estava ali por perto, quebrando ainda mais a tensão.

Chouji Akimichi. Um outro amigo meu.

Neji balançou a cabeça e saiu andando, murmurando alguma coisa em russo que não parecia um elogio. Mas quanto a mim... bem, simples assim, eu voltei a ser uma das aprendizas novamente.

Eles formavam um grupo fácil de lidar, menos preocupados com pedigree e hierarquias do que os alunos Moroi. A turma partiu para cima de mim, e, quando me dei conta, estava rindo e revendo aqueles de quem eu quase me esquecera.

Todos queriam saber por onde nós andáramos; parece que Hina e eu tínhamos nos tornado verdadeiras lendas. Não pude contar a eles por que nós fugíramos, é claro, então lancei vários comentários provocativos e disse coisas do tipo vocês-não-iam-querer-saber. E isso funcionou muito bem.

A confraternização durou ainda alguns minutos antes que o guardião adulto que supervisionava o treinamento assumisse a liderança e repreendesse Lee por negligenciar suas responsabilidades.

Ainda com um sorriso largo no rosto, ele latiu ordens para todos, explicando que exercícios dariam início ao treinamento. Desconfortável, me dei conta de que não conhecia a maior parte deles.

— Venha, Mitsashi— disse Lee, pegando-me pelo braço. — Você pode ser minha parceira. Vamos ver o que você andou fazendo durante todo esse tempo.

Uma hora depois ele teve a resposta.

— Não andou treinando, hein?

— Hum — grunhi, de repente incapaz de enunciar uma fala normal.

Ele estendeu a mão e me ajudou a levantar do tatame no qual me derrubara umas... cinquenta vezes.

— Odeio você — disse a ele, esfregando uma mancha na minha coxa que ia virar um hematoma feio no dia seguinte.

— Você me odiaria ainda mais se eu tivesse pegado leve com você.

— É. Isso é verdade — concordei, cambaleando para longe enquanto os outros arrumavam os equipamentos.

— Você se saiu bem, na verdade.

— O quê? Acabei de levar uma surra das boas.

— Bom, é claro que você levou. Dois anos sem treinar. Mas, olhe só, você ainda está andando. Isso já é alguma coisa. — Ele sorriu, debochando.

— Eu já disse que odeio você?

Lee me lançou um outro sorriso, que logo se desmanchou, e o seu rosto ganhou uma expressão mais séria.

— Não leve a mal... você é realmente uma guerreira, mas não vai ter jeito de passar nos testes na primavera...

— Vão me fazer ter aulas práticas extras — expliquei.

Não que isso tivesse importância. Eu planejava tirar Hinata e a mim mesma dali antes que essas aulas de fato acontecessem.

— Estarei preparada para os testes.

— Aulas extras com quem?

— Com aquele cara alto. Neji.

Lee parou de andar e me encarou.

— Você vai ter aulas particulares com Belikov?

— Vou, e daí?

— O cara é um deus.

— Não acha que está exagerando, não? — perguntei.

— Não, estou falando sério. Ele é geralmente todo na dele e bem antissocial, mas quando está lutando... Uau. Se você está com dor agora, vai estar morta quando ele tiver acabado com você.

Ótimo. Mais uma coisa para animar o meu dia.

Dei uma cotovelada nele e segui para o meu segundo tempo.

Essa disciplina cobria tudo a respeito de como ser um guarda-costas e era obrigatória para todos os alunos do último ano. Na verdade ela era a terceira parte de um assunto que a gente começava a aprender no primeiro ano do ensino médio. Isso significava que nessa matéria eu também estava atrasada, mas tinha esperanças de que a prática de proteger Hinata no mundo real tivesse me dado algumas dicas.

Nosso instrutor era Asuma Sarutobi, a quem nós nos referíamos simplesmente como “Asuma” quando ele não estava presente, e como “Guardião Sarutobi” quando falávamos formalmente. Era um pouco mais velho do que Neji, mas bem mais baixo, e parecia estar sempre zangado. Naquele dia, o seu semblante se intensificara quando ele entrou na sala e me vira sentada ali. Seus olhos se arregalaram, fingindo ter sido surpreendido enquanto dava a volta na sala e se punha de pé ao lado da minha carteira.

— Mas o que é isso? Ninguém me contou que teríamos uma palestrante convidada aqui hoje. Tenten Mitsashi. Que privilégio! Que grande generosidade da sua parte ceder algum tempo da sua agenda tão cheia de compromissos para dividir um pouco do seu conhecimento aqui conosco.

Senti minhas bochechas arderem, mas, mostrando grande capacidade de autocontrole, eu me segurei para não mandá-lo ir para o inferno. Tenho certeza, no entanto, de que a expressão do meu rosto me traiu, pois o tom sarcástico de Asuma aumentou. Ele, então, fez um gesto para que eu me levantasse.

— Bom, vamos, vamos. Não fique aí sentada! Venha para a frente e da sala para me ajudar a dar a aula.

Eu me afundei na cadeira.

— Você não está falando sério...

O sorriso sarcástico desapareceu.

— Estou falando muito sério, Mitsashi. Vá para a frente da sala.

Um silêncio pesado envolveu o ambiente. Asuma era um instrutor aterrador, e a maioria da turma ainda estava petrificada demais para rir da minha desgraça.

Eu me recusei a demonstrar fraqueza. Fui pisando firme até a frente da sala e me virei para encarar a turma. Olhei para todos corajosamente e joguei os cabelos sobre os ombros, torcendo para que me viessem alguns sorrisos de solidariedade dos amigos.

Percebi então que eu tinha um público maior do que o esperado. Alguns guardiões – incluindo Neji – permaneciam no fundo da sala. Fora da Escola, os guardiões se concentravam em uma só pessoa para proteger. Ali, os guardiões tinham muito mais gente para proteger e ainda tinham de treinar os aprendizes. Então, em vez de seguir uma só pessoa o tempo todo, eles trabalhavam em turnos, tomando conta da escola como um todo e monitorando as aulas.

— Então, Mitsashi— disse Asuma alegremente, caminhando com firmeza para a frente da sala, onde eu estava. — Instrua-nos com as suas técnicas de proteção.

— Minhas... técnicas?

— É claro. Pois seria de se esperar que você tivesse algum tipo de plano que todos nós não pudemos compreender quando você levou uma Moroi da realeza, menor de idade, para fora da Escola e a expôs a constantes ameaças dos Strigoi.

Eu estava ouvindo novamente o sermão de Tsunade, só que, dessa vez, com um número maior de espectadores.

—Nós nunca esbarramos com nenhum Strigoi — respondi com firmeza.

— Evidentemente — disse ele, com um riso maldoso. — Eu já havia concluído isso, uma vez que vocês duas ainda estão vivas.

A minha vontade foi gritar que eu poderia ter derrotado um Strigoi, mas que, depois de ter levado uma surra na aula anterior, suspeitava agora que não poderia sobreviver a um ataque de Lee, muito menos ao de um verdadeiro Strigoi.

Como eu não disse nada, Asuma começou a caminhar de um lado para o outro na frente da turma.

— Então, o que você fazia? Como você se certificava de que ela estava a salvo? Vocês evitavam sair durante a noite?

— Às vezes.

Isso era verdade, principalmente no início. Nós relaxamos um pouco depois de alguns meses sem nenhum ataque.

— Às vezes — repetiu ele, elevando o timbre da voz a um tom agudo, e fazendo com que a minha resposta parecesse incrivelmente idiota. — Bem, então, eu imagino que você dormia durante o dia e ficava em estado de alerta durante a noite.

— É... Não.

— Não? Mas esta é uma das primeiras lições mencionadas no capítulo sobre como proteger sozinho uma só pessoa. Ah, não, você não conhece esta lição, pois você não estava aqui.

Engoli mais alguns palavrões.

— Eu examinava a área todas as vezes que nós saíamos — disse, pois precisava me defender.

— Mesmo? Bom, isso já é alguma coisa. Você usou o Método Carnegie de Fiscalização Quadrante ou preferiu a Fiscalização Rotacional?

Eu não disse nada.

— Ah. Imagino que você tenha usado o Método Mitsashi Dá-Uma-Olhada-Em-Volta-Quando-Você-Lembrar.

— Não! — exclamei com raiva. — Isso não é verdade. Eu a protegi. Ela ainda está viva, não está?

Ele veio andando em minha direção e se inclinou para perto do meu rosto.

— Porque você teve sorte.

— Os Strigoi não estão escondidos em todas as esquinas lá fora — eu atirei de volta. — Não é como nos ensinam aqui. É mais seguro do que vocês fazem parecer.

— Seguro? Seguro? Nós estamos em meio a uma guerra contra os Strigoi! — gritou Asuma. Ele estava tão perto que eu pude sentir o cheiro do café em seu hálito. — Um deles poderia ter ido direto até você e quebrado seu lindo pescocinho sem que você sequer chegasse a perceber a presença dele, e não derramaria nem mesmo uma gota de suor fazendo isso. Você pode ser mais veloz e mais forte do que um Moroi ou do que um humano, mas você não é nada, nada, se comparada a um Strigoi. Eles são letais e poderosos. E você sabe o que os torna mais poderosos?

Eu não ia deixar aquele babaca me fazer chorar nem a pau. Tentei me concentrar em alguma outra coisa, olhando para longe dele. Meus olhos pousaram em Neji e nos outros guardiões. Eles estavam assistindo à minha humilhação, sem qualquer expressão facial.

— Sangue Moroi — sussurrei.

— O que foi que você disse? — perguntou Asuma em voz alta. — Eu não ouvi.

Eu me virei de volta para olhar diretamente para ele.

— Sangue Moroi! É o sangue Moroi que os fortalece.

Ele fez um sinal afirmativo com a cabeça, satisfeito com a resposta.

— Exatamente. O sangue Moroi torna-os mais fortes e mais indestrutíveis. Eles matam e bebem sangue de humanos e de dampiros, mas o que eles anseiam mais do que qualquer outra coisa é o sangue Moroi. Eles o buscam. Eles se voltaram para o lado negro para ganhar imortalidade, e querem fazer o que for preciso para manter essa conquista. Strigoi desesperados já atacaram Moroi em público. Grupos de Strigoi já tomaram de assalto escolas exatamente como esta. Existem Strigoi que viveram durante milhões de anos alimentando-se de gerações de Moroi. É quase impossível matá-los. E é por isso que o número de Moroi está diminuindo. Não são fortes o suficiente, mesmo com seus guardiões, para se protegerem. Alguns Moroi não veem nem mesmo mais por que continuar fugindo e estão simplesmente transformando-se em Strigoi por escolha. E se os Moroi desaparecerem...

— Os dampiros desaparecem também — completei a frase dele.

— Bem — disse ele, tirando com a língua as gotas de cuspe do lábio. — Parece que você aprendeu alguma coisa, afinal. Agora vamos ver se você consegue aprender o suficiente para passar nesta matéria e se qualificar para a experiência de campo no próximo semestre.

Ai.

Eu passei o resto daquela aula horrível – na minha cadeira, graças aos céus – reprisando aquelas últimas palavras na minha cabeça. A experiência de campo do último ano era a melhor parte da educação escolar de um aprendiz. Nós não tínhamos mais nenhuma aula durante metade do semestre. Em vez de aulas, cada um de nós seria responsável por um aluno Moroi, por mantê-lo a salvo e segui-lo onde quer que fosse. Os guardiões adultos nos monitorariam e nos testariam com ataques ensaiados e outras ameaças. A atuação de um aprendiz durante essa experiência de campo era quase tão importante quanto todas as suas demais notas somadas. Poderia inclusive influenciar na escolha do Moroi de quem você seria o guardião depois da formatura.

E quanto a mim? Havia apenas uma Moroi que eu queria.

 

 

Duas aulas depois, finalmente consegui meu merecido intervalo durante o horário de almoço. Enquanto eu mancava pelo campus para chegar ao refeitório, Neji surgiu no meu caminho. Não estava exatamente semelhante a um deus – a não ser por suas feições, belas como as de um.

— Imagino que você tenha visto o que aconteceu na aula de Asuma — perguntei, sem me preocupar com formalidades no modo de tratamento.

— Vi.

— E você não acha que foi injusto?

— Ele não estava certo? Você acha que estava inteiramente preparada para proteger Hinatisa?

Olhei para baixo, para o chão.

— Eu a mantive viva — murmurei.

— Como você se saiu hoje, lutando com os seus colegas de classe?

A pergunta foi cruel. Eu não respondi e sabia que não precisava fazê-lo. Tivera outra aula de treinamento depois da de Asuma, e sem dúvida Neji me vira levar outra surra.

— Se você não consegue lutar contra eles...

— Eu sei, eu sei — respondi de mau jeito.

Ele diminuiu a velocidade dos seus passos largos para acompanhar o meu ritmo, diminuído pela dor.

— Você é forte e veloz por natureza. Só precisa continuar em forma. Você não praticou nenhum esporte enquanto esteve fora?

— Claro. — Eu dei de ombros. — De vez em quando.

— Não chegou a fazer parte de nenhum time?

— Dava muito trabalho. Se eu quisesse praticar tanto assim, teria ficado aqui.

Ele me lançou um olhar exasperado.

— Você nunca será capaz de realmente proteger a princesa se não aperfeiçoar as suas habilidades. Ficará sempre faltando alguma coisa.

— Eu saberei como protegê-la — disse com firmeza.

— Não há qualquer garantia de que você vá ser a escolhida para protegê-la, sabe, seja durante a sua experiência de campo seja depois da formatura.

A voz de Neji era baixa e sem qualquer sinal de arrependimento. Eles não me indicaram como mentor alguém caloroso e pouco claro.

— Ninguém quer desperdiçar o laço, mas ninguém vai dar a ela uma guardiã inadequada também. Se quiser ficar ao lado dela, terá de se esforçar para conseguir isso. Você tem as suas aulas. Tem a mim. Pode fazer uso de nós ou não. Você é a escolha ideal para ser a guardiã de Hinatisa quando ambas se formarem, caso você de fato prove ser merecedora de exercer essa função. Eu espero que você o faça.

— Hinata, chame-a de Hinata — eu o corrigi.

Ela odiava seu nome inteiro, preferia o apelido americanizado. Ele se afastou dali, e, subitamente, eu não me senti mais tão temperamental. Mas, àquela altura, eu havia perdido tempo demais saindo da aula. Quase todos já tinham corrido para o refeitório para almoçar, loucos para usar ao máximo seu momento de socialização. Eu estava quase chegando quando uma voz sob o portal me chamou.

—Tenen?

Olhei para o lugar de onde vinha a voz e vislumbrei Inochi Yamanaka, a expressão gentil do seu rosto sorrindo para mim enquanto ele se apoiava numa bengala perto da parede do prédio. Seus dois guardiões estavam parados de pé mantendo uma distância educada.

— Senhor Inochi, quero dizer, Sua Alteza. Olá.

Corrigi-me bem a tempo, quase me esquecendo dos termos usados para a realeza dos Moroi. Eu não os usara enquanto estivera vivendo entre os humanos. Os Moroi escolhiam seus governantes dentre doze famílias reais. O mais velho da família ganhava o título de “príncipe” ou “princesa”. Hinata ganhara o título porque era a última que restara de sua linhagem.

— Como foi o seu primeiro dia? — perguntou ele.

— Ainda não acabou. — Tentei pensar em algo para dizer. — O senhor está aqui de visita por um tempo?

— Irei embora esta tarde, depois de falar com Ino. Quando soube que Hinatisa e você estavam de volta, tive de vir vê-las.

Fiz que sim com a cabeça, sem saber o que mais dizer. Ele era mais amigo de Hinata do que meu.

— Eu queria dizer a você... — disse ele, hesitante. — Entendo a gravidade do que você fez, mas acho que a diretora Tsunade falhou quando não reconheceu uma coisa. Você de fato manteve Hinatisa a salvo durante todo esse tempo. Isso é impressionante.

— Bom, não cheguei a ter de enfrentar um Strigoi nem nada semelhante — respondi.

— Mas você teve de enfrentar algumas coisas?

— Com certeza. Uma vez, a escola mandou cães de caça paranormais.

— Extraordinário.

— Não muito. Foi bem fácil me livrar deles.

Ele riu.

— Eu já cacei com eles antes. Não são tão fáceis de iludir, são muito inteligentes e poderosos.

Isso era verdade. Cães de caça paranormais são uma espécie entre as muitas criaturas mágicas que vagam pelo mundo, criaturas das quais os humanos nunca tomaram conhecimento e nem sequer acreditam que possam ter visto realmente. Os cães de caça andam em matilhas e possuem uma espécie de comunicação telepática que os torna uma ameaça particularmente letal para suas presas, assim como o fato de eles se parecerem com lobos mutantes.

— Você enfrentou mais alguma coisa?

Dei de ombros.

— Umas coisinhas aqui e ali.

— Extraordinário — repetiu ele.

— Sorte, eu acho. Na verdade, estou bastante atrasada em todas as matérias de guardiões. — Neste momento, eu parecia estar repetindo Asuma.

— Você é uma garota inteligente. Vai alcançar os colegas. E além disso, você tem também o seu laço.

Eu desviei o olhar. Minha capacidade de “sentir” Hinata fora um segredo durante tanto tempo que parecia estranho outras pessoas saberem da nossa forma peculiar de ligação.

— A História está cheia de contos sobre guardiões que podiam pressentir quando seus protegidos estavam em perigo — continuou Inochi. — O estudo dessas histórias e de alguns dos hábitos dos antigos tornou-se um hobby para mim. Soube que essa é uma habilidade e tanto.

— Parece.

Dei de ombros.

“Que hobby mais chato”, pensei, imaginando-o debruçado sobre histórias da Idade da Pedra em alguma biblioteca cheia de mofo, coberta de teias de aranha.

Inochi inclinou a cabeça para o lado, a curiosidade tomando-lhe todo o rosto. Tsunade e os outros tinham feito a mesma cara quando mencionamos a nossa conexão, como se fôssemos ratos de laboratório.

— Como é? Se você não se importa que eu pergunte.

— É... eu não sei. Eu simplesmente convivo sempre com uma espécie de sussurro de como ela se sente. Geralmente são só emoções. Não podemos mandar mensagens uma para a outra, ou coisas desse tipo.

Não contei a ele sobre aquilo de entrar na cabeça dela. Essa parte do laço até para mim era difícil de entender.

— Mas o contrário não acontece? Ela não consegue sentir você também?

Eu balancei a cabeça em sinal negativo. O rosto dele brilhou maravilhado.

— Como foi que isso aconteceu?

— Não sei — disse, ainda desviando o meu olhar do dele. — Isso simplesmente começou a acontecer há dois anos.

Ele franziu o cenho.

— Perto da ocasião do acidente?

Fiz que sim com a cabeça, hesitante.

O acidente não era um assunto sobre o qual eu tivesse vontade de conversar, disso eu tinha certeza. As lembranças de Hinata já eram terríveis demais sem que eu juntasse a elas as minhas próprias.

Lataria retorcida. Uma sensação de calor, depois de frio, depois novamente de calor. Hinata gritando perto de mim, gritando para eu acordar, gritando para os pais e a irmã dela acordarem. Nenhum deles acordou, só eu. E os médicos disseram que fora um milagre. Disseram que não tinha como eu ter sobrevivido.

Inochi pareceu sentir o meu desconforto e deixou passar o assunto. Voltou para a questão que o interessara antes.

— Eu mal posso acreditar nisso ainda. Aconteceu há tanto tempo. Se isso acontecesse com mais frequência... Imagine como essa habilidade poderia ser útil para a segurança de todos os Moroi. Se outros pudessem ter essa experiência também. Eu terei que pesquisar mais sobre isso e ver se podemos repetir algo assim com outros.

— Ah, é.

Eu estava ficando impaciente, apesar do quanto eu gostava dele. Natalie divagava muito, e estava bem claro que fora do pai que herdara aquela característica. A hora do almoço estava terminando, e, embora os Moroi e os aprendizes se juntassem para as aulas do período da tarde, Hinataa e eu não teríamos muito tempo para conversar. Talvez nós pudéssemos...

Ele começou a tossir, um ataque de tosse forte que fez todo o corpo dele estremecer. A sua doença, a Síndrome de Sandovsky, tomava os pulmões enquanto arrastava o corpo para a morte. Lancei um olhar ansioso para os guardiões encarregados da segurança dele, e um deles veio até nós.

— Sua Alteza — disse ele, educadamente — o senhor precisa entrar. Está muito frio aqui fora.

Inochi fez que sim com a cabeça.

— Claro, claro. E tenho certeza de que Tenten está querendo ir comer alguma coisa. — Ele se virou para mim. — Obrigado por conversar comigo. Nem sei como enfatizar o quanto significa para mim o fato de Hinatisa estar a salvo, e de você ter ajudado a mantê-la segura. Eu prometi ao pai dela que cuidaria dela se alguma coisa acontecesse a ele, e senti como se tivesse falhado quando vocês fugiram.

Uma angústia tomou o meu estômago enquanto eu o imaginava torturado pela culpa e pela preocupação por causa do nosso desaparecimento. Até aquele momento eu não tinha pensado sobre como os outros se sentiram com relação à nossa partida.

Nós então nos despedimos e eu finalmente consegui entrar na escola. Como sempre acontecia, eu senti a ansiedade de Hinata cravar em mim. Ignorando a dor nas pernas, apertei o passo até chegar ao refeitório. E quase esbarrei direto nela.

Hinata, no entanto, não me viu. E nem as pessoas que estavam de pé à sua volta: Kiba e a garotinha com jeito de boneca. Eu parei e fiquei ouvindo, peguei apenas o final da conversa. A garota se inclinava em direção a Hinata, que parecia estar mais atordoada do que qualquer outra coisa.

— Para mim, parece que isso veio de uma lojinha de coisas usadas. Eu pensava que uma preciosa Hyuuga tivesse elevados padrões a seguir. — A palavra Hyuuga saiu de sua boca respingando desprezo.

Agarrei aquela boneca pelos ombros e a lancei longe. Ela era tão leve que tropeçou a um metro e quase caiu.

— Ela tem, sim, padrões elevados — disse eu — e é exatamente por isso que a sua conversa com ela acabou.


Notas Finais


Valeu a quem leu, desculpe os erros e até o proximo!


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