História Bipolar. - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama Romance Sexo
Exibições 49
Palavras 2.213
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Lemon, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Terceira Noite.


  Na manhã seguinte simplesmente fui olhada de cima a baixo pela moça do caixa quando fui transferir o dinheiro pra conta dos meus pais, ela me fez uma série de perguntas “você ta a muito tempo aqui?“ “quanto ganha no seu emprego?“ “más, você não acha que isso é pouco tem pra ter juntado tanto dinheiro?“ No fim das contas, tive que dizer (de uma forma discreta) que consegui o dinheiro de uma maneira mais “fácil“, ela entendeu perfeitamente, tanto que passou a me tratar com um ár de nojo depois disso.

···

  Cheguei na loja com cara de poucos amigos, torcendo pra que ninguém chegasse ali hoje, já havia sido humilhada naqueles últimos dias por uma vida toda. Más, como a vida não é fácil pra ninguém, meu chefe, o sr. Walk estava na loja naquela manhã, logo que entrei notei que ele estava diferente das outras vezes que o vi.

  — Bom dia, sr. Walk.

  — Bom dia, Samantha. — me respondeu ele, secamente.

  — Esta tudo bem por aqui?

  — Está, mas fomos assaltados.

  Fui pega de surpresa pela notícia, parei de estrépito atrás do balcão encaixando meus cabelos pra dentro do boné idiota que era obrigada a usar.

  — Nossa. Assalto? E o quê levaram? — perguntei, passando os olhos pela loja e ainda lutando com o boné.

  — Sim. E parece que foi a noite. Levaram o dinheiro do caixa e oito mil do cofre lá dos fundos, um master prejuízo de dez mil dólares, Samantha.

  Dez mil dólares? Era uma coincidência tremenda, naquele momento temi que me acusassem de algo.

  — sr. Walk, eu realmente sinto muito.

  Notei que Walk estava se segurando pra não chorar. Pegou seu chapéu, pois na cabeça e saiu, chegando à porta disse algo a Dan, que apenas concordou com a cabeça.

···

  — Dan? Você pode vir aqui um momento?

  Dan entrou na loja todo ponposo, ele adorava sentir que alguém precisava dele, na maior parte do dia ele apenas ficava sentado naquela cadeira com os braços cruzados sobre a enorme barriga.

  — O quê foi, Sam? Esta tudo bem por aqui? — ele deu uma olhada pela loja, que no momento estava vazia.

  — Na verdade nada... eu só queria saber; vocês já têm alguma pista sobre o ladrão?

  — Ah, é isso... bom, não temos nenhuma, os caras foram realmente habeis, levaram o dinheiro todo sem deixar rastro algum.

  — Muito estranho isso. Não posso deixar de ter medo de ficar aqui depois disso.

  — Ah, Sam. Relaxa, eu estou aqui. — ele disse e saiu pela porta.

  Que ótimo, eu estava mesmo muito segura, tinha um segurança sedentário pra me ajudar caso um ladrão entrasse ali, mas pelo menos tínhamos uma arma.

···

  Já estávamos na metade da tarde, aquele dia estava calor em Londres, e a loja nesse horário estava abarrotada de gente de todos os tipos comprando sorvetes, Walk veio repor o estoque logo depois das quatro.

  — Não têm de chocolate com café? — perguntou uma mulher, que devia ter uns trinta e cinco anos.

  — Não, só temos esses sabores no momento, senhora. Vendemos todo o resto por conta do calor.

  A mulher, loira e alta, cabelos lisos e volumosos preso em um rabo de cavalo, seios grandes e quadril largo, pegou o celular e discou um número.

  — Alô, Oldman? Não têm esse sabor de sorvete, pode ser de chocolate apenas?

  Ao ouvir o nome de Oldman meu coração disparou, cheguei mais próximo de onde ela estava na tentativa de ouvir algo.

  — Ah, claro, querida. — o homem respondeu, e era a voz dele.

  — Ok. — e ela desligou o telefone.

  Será possível? Ele era casado e sua mulher era linda, será que era tão doente à esse ponto?

  — sete e cinquenta, senhora.

  Eu disse à ela, depois de passar seu sorvete e por em um saco de papel. Ela agradeceu e foi embora.

···

  O resto do dia fiquei pensando naquela mulher, no assalto, na minha família e no quanto estar em Londres estava me custando. Até agora (tirando as noites com Oldman, quando por poucos minutos ele parecia estar gostando de ficar comigo) tudo estava sendo terrivelmente triste, nunca me senti tão suja, insignificante quanto me sentia agora.

  Com a ajuda de Dan, liguei os 4 sistemas de alarmes novos que Walk mandou instalar e fomos pra casa.

  Chegando à frente do prédio onde ficava o apartamento de Jassy, notei que nunca havia estado na rua ao lado, lá ficava a entrada do prédio de Oldman, o apartamento que tinha uma janela virada pra janela de Jassy, (segundo Oldman). Decidi então passar por lá, pra ver se via alguma coisa, a mulher dele ou algum dos filhos.

  Passei discretamente pela calçada do outro lado da rua, parece que duas pessoas vinham descendo a escadaria, resolvi me esconder atrás de uma árvore.

  La estava Oldman, com a mesma mulher loira da loja, ela lhe deu um beijo no rosto e foi embora em um carro branco. Senti tanta raiva e nojo daquele homem, que quase perdi a cabeça e fui até lá bater na cara dele. Com essa mulher ele agia assim e comigo parecia um louco? Seria ela só mais uma de suas aventuras? Então, que ficasse com ela. Convertido pra reais, os dez mil e cem dólares que mandei pros meus pais pagavam quase toda a divida de vinte mil reais que meu irmão tinha com o tal bandido, eu poderia arrumar um emprego à noite pra juntar o restante mais rápido, só sei que não tornaria a ser daquele nojento.

···

  Não foi surpresa alguma chegar em casa e ver um bilhete de Jassy dizendo que estava na casa de Bruce, eles brigavam e voltavam com a mesma frequência que chovia em Londres. Achei ótimo, pois a última coisa que eu queria era conversar com alguém. Fui até o fax e la estava a confirmação, meus pais haviam sacado o dinheiro e o bandido havia concordado em esperar o restante da grana.

  ···

  Eram dez horas da noite, eu estava enfiada em um shorts velho que Jassy me deu, com um sutiã desbotado e me afundando em um pote de sorvete pra tentar espantar o calor, quando a campainha toca me assustando. Caminhei até a porta e olhei pelo olho mágico, era Oldman. Me afastei da porta e a campainha tornou a tocar. Fui até a TV nas pontas dos pés e a desliguei, a campainha voltou a tocar. Fui até lá novamente e o vi esfregando a testa incomodado. Fui até meu quarto e fechei a porta sem fazer barulho, finalmente Oldman desistiu de tocar a campainha. Deitei na cama ainda com meu sorvete e agora mais chateada que nunca, ele havia acabado de passar a tarde com uma mulher e já estava procurando outra?

···

  Já era meia noite, não havia pregado os olhos nem um momento sequer, resolvi tomar um banho pois o calor ainda não havia dado uma trégua. Ao sair do banho, notei que a porta do meu quarto estava entreaberta e seria capaz de jurar que a deixei fechada. Voltei até o banheiro e peguei um vaso de cristal que ficava ao canto, com uma flor artificial. Se ali tivesse um bandido, ia perder um bom pedaço da cabeça.

  — Pare onde esta. — eu disse, entrando no quarto de repente.

  — Ei, abaixe isso.

  — O quê você esta fazendo aqui, seu maluco? Como entrou?

  — Você não abriu a porta e eu tive que usar a minha chave, isso aqui já foi meu um dia.

  — Você não é mais dono disso, se não sair agora eu chamo a polícia, e acho que você não vai gostar, não é mesmo?

  — Olha, garota, eu sabia que estava aqui, só vim ver se estava bem.

  — Estou ótima, vá embora.

  — Não posso, nós temos um trato.

  — Não temos mais, saia daqui.

  — À menos que você queira que eu de um jeito de Walk saber que você mandou dez mil reais pros seus pais, exatamente na manhã após o assalto, acho que temos sim.

  Parei de repente deixando o vaso cair, nem se quebrou, mas meu coração sim, ele estava me ameaçando.

  — Como você sabe disso?

  — Olha, Samantha, não quero fazer nada disso, só quero que cumpra com nosso trato.

  — Você está me ameaçando, isso é baixo, não é atitude de homem.

  — Samantha, por favor, eu te imploro, pare de fazer isso.

  — Fazer isso o quê? Quem esta fazendo alguma coisa aqui é você. Entrando na casa de Jassy, querendo que eu faça algo que não quero e ainda me ameaçando por isso.

  — Não, não. — ele agora puxava os próprios cabelos. — Você não entende.

  — O quê? Quê você é um louco? — prendi mais a minha toalha e fui até a minha mochila, peguei o frasco de remédios dele e joguei em sua direção. — Você não toma isso, toma? Se tomasse não seria assim tão perturbado.

  Oldman pegou o frasco que caiu no chão, olhou fixamente o objeto e depois voltou os olhos pra mim.

  — Onde você achou isso? — ele veio pra cima de mim, me segurou pelo pescoço e depois me apertou contra a parede.

  — Me solta, seu louco, ou vou gritar. — eu disse com dificuldade e ele apertou ainda mais meu pescoço.

  — Me fala, de onde tirou isso? — ele gritou, eu podia sentir o hálito quente no meu rosto.

  — Achei qui. No chão da sala. Agora me solte.

  Oldman me soltou, o rosto dele parecia mudar de uma hora pra outra, agora eu via ali uma criatura meiga, quase que amável. Ele olhava pras mãos, como se não acreditasse no que elas fizeram, se encostou na parede do quarto e se deixou deslizar por ela até cair sentado com as mãos no rosto e o corpo convulsionando, ele estava chorando.

  — Oldman, acho melhor você ir embora, você esta muito descontrolado.

  — Não, por favor, me deixe ficar. — ele se arrastou até mim e agarrou as minhas pernas, tive que segurar a toalha pra não cair.

  — Por favor, pare com isso.

  Ele parou de repente e se levantou, passou os braços pela minha cintura e pousou a cabeça em meu ombro, eu não sabia o que fazer, então não retribui.

  — Me abrace, por favor.

  E então o abracei, pelo que me pareceram dois minutos, fiquei abraçada à ele até que parasse de soluçar.

  — Oldman? — peguei seu rosto entre as minhas mãos e olhei em seus olhos. — Porquê esta assim?

  — Eu não sei.

  — Você têm que tomar seus remédios.

  — Não, eles me deixam grogue.

  — Old, você é bipolar? — ele tentou se desvencilhar de meus braços, mas não deixei. — Me responda?

  — Sim, sou. — e virou os olhos cerrados pro lado, tentando prender as lágrimas.

  — Você não têm que ter vergonha disso, você têm é que tomar seus remédios pra se controlar. Achei que você fosse me matar.

  Ele voltou a me olhar.

  — Me perdoe, Sam. Eu não sabia o que estava fazendo.

  — Eu te perdoe. Mas, espere aqui.

  O deixei no quarto e fui até a cozinha buscar água, quando voltei ele ainda estava na mesma posição. Peguei um comprimido e dei a ele com a água, ele tomou.

  — Obrigada. — ele disse.

  — Eu realmente acho melhor você ir pra casa, Old. Vai ser melhor você estar la quando o remédio te deixar grogue.

  — Não, Sam. Eu quero ficar aqui com você.

  — Mas...

  — Mas nada, me deixe ficar aqui com você essa noite. Só quero sua presença, eu juro.

  Oldman me olhava com um olhar suplicante, mas eu sabia que não podia me deixar levar por isso, ele mudava de uma hora pra outra, mas dessa vez ele estaria medicado.

  — Esta bem, Old. Você pode ficar.

  — Obrigada, muito obrigada. — ele me abraçou.

  — Bom, vamos ter que nos ajeitar por aqui, não seria legal você dar de cara com a Jassy, então não vai dar pra você dormir no sofá. — ele acentiu. — E tenho que me vestir, espere aqui que vou até o banheiro.

  Peguei meu pijama velho, notei que Oldman me observava remexer nas poucas roupas que havia na cômoda, cheguei a me constranger. Me troquei no banheiro e depois voltei, Oldman estava deitado na cama encolhido como se fosse uma criança.

  — Old? — chamei, mas ele não me respondeu.

  Desliguei a luz, fui deitar junto à ele e ali adormeci, ao lado da outra face de Oldman.


Notas Finais


Gente, se estiverem gostando comentem, por favor. Se não eu acho que não vale a pena escrever se ninguém esta lendo nem gostando.


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