História O Caminho da espada. - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Exibições 2
Palavras 1.352
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Magia, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Mais um quarto, por favor.


 Ela corria pela floresta o mais rápido que podia e ainda sim estava mais lenta do que gostaria. Sua mestra poderia acordar a qualquer momento, e consequentemente encontra-la, então ela tinha que ir até a cidade mais próxima e conhecer o máximo de pessoas e fazer a maior quantidade possível de coisas.

Estava preocupada, porém feliz. Era a primeira vez que se aventurava sozinha tão longe de casa, os cabelos aos ventos quando corria, o clima sereno da noite, tudo sem a preocupação de treinar ou se esconder dos outros. Seu sonho de vida finalmente realizado, mesmo durando apenas uma noite de sono.

Não estava muito longe da cidade, já estava no meio do caminho, contudo ela ainda se recusava a diminuir o ritmo. Seu corpo era bem a cima da média, talvez dez vezes mais forte e resistente que a maioria dos soldados do rei. Nesse passo chegaria ao seu destino em menos de uma hora. Mas algo chamou sua atenção.

No início, era só um vulto preto no chão, achou que fosse um tronco e continuou indo reto, mas aí veio o cheiro de sangue fresco e o leve gemido de ajuda. Quando deduziu que era alguém muito machucado ela mudou seu curso 180 graus e disparou em uma velocidade absurda em sua direção.

Quando chegou achou um garoto mais ou menos na sua idade , entre 16 e 17 anos, coberto de sangue , ferimentos no corpo e ossos quebrados. Com uma análise inicial ela viu que o jovem tinha algumas costelas quebradas, uma fratura exposta na perna e muitos hematomas por queda. Tentou usar um feitiço de cura, porém só estancou parte do sangramento e aliviou os roxos no corpo.

A garota olhou para trás e depois em direção a cidade. Nem sua mestra tinha certeza de cura-lo, ela conhecia os limites da magia e medicina e eles poderiam não abranger as necessidades desse garoto. Mas mesmo assim ela o colocou nos ombros e correu o mais rápido que já correu na vida.

Sentia um leve toque de mágoa por não ter conseguido realizar sua grande escapada, porém a vida qualquer ser valia mais que uma noite de farra. A volta foi bem mais rápida que o percurso inicial, a adrenalina levava seu corpo a absoluta perfeição, corria como uma flecha e gastava menos energia, e assim, em menos da metade do tempo, tinha voltado a cabana da qual havia partido.

A cabana era relativamente pequena, feita de madeira e pregos enferrujados, com algumas janelas nos lados. Qualquer um que passasse por lá talvez não desse tanta atenção, mas se olhassem com mais cuidado veriam que ela emitia uma aura mágica, quase como se escondesse algum segredo. E como ela escondia.

Primeiro que ela era bem maior por dentro do que por fora, coisa comum nas casas de magos e pessoas mais ricas, mas isso não era tudo. Seus quartos e portas estavam interligados com vários locais espalhados pelo mundo como: vulcões, cavernas e até moradias em grandes cidades. Todos esses lugares tinham suas próprias histórias com sua mestra e guardavam uma parte de seus tesouros.

Ela ouviu todas essas histórias e viu todos esses tesouros, cultivou dentro de si um amor imensurável pelo mundo e suas possibilidades.

Essa noite deverias ser pequeno aperitivo para esse sonho, mas não podia deixar alguém morrer na sua frente sem fazer nada.

Chutou a porta de madeira com tudo e gritou com todo o ar que tinha nos pulmões:

-Karina! Rápido! Por favor!

Do outro lado da casa uma pequena porta de madeira se abriu e revelou o que parecia ser uma jovem de vinte e tantos anos, cabelos curtos e negros, bem baixa para a idade aparente. Vestia uma camisola de seda azul escuro com vários pontos luminosos que se mexiam, imitando o espaço.

- Mas o que foi agora Violeta? – A segunda reclamação que Karina tinha preparado não saiu, ao invés disso seus olhos cansados se acenderam, seu pijama se tornou uma capa de mesma estampa, acompanhada de roupas simples de couro e ela correu o mais rápido que pode em direção a sua aprendiz. Pegou o corpo, limpou uma mesa que usava para fazer experimentos, e o jogou em cima.

Violeta olhou tudo aquilo com a calma que tinha aprendido a manter durante casos graves. E se manteve atenta a quaisquer ordens que fossem direcionadas à ela.

- Pegue minha caixa de ervas e meus livros de feitiços, rápido! Traga também água e panos limpos. – Violeta não questionou, sua mestra era mais habilidosa que ela em casos urgentes.

Depois de pegar os itens requeridos e leva-los até a mesa ela foi dispensada com um sinal de mão. Tentou argumentar que queria ajudar e que poderia apreender muito com esse caso em específico, porém isso lhe foi negado somente com um olhar raivoso. Ele dizia algo como “ você já ajudou” ou talvez “ você só iria atrapalhar” ou os dois.

Logo após sua aprendiz se retirar e ir descansar, Karina retirou seu olhar firme e determinado e o substituiu por um de pena. Demorava menos de cinco minutos para analisar o estado de um corpo adulto normal com o auxílio de magia, obtendo assim um resumo de suas doenças e condições especiais. Ela já havia analisado aquele garoto mais de cinco vezes, e nenhuma delas mostrava qualquer chance de sobrevivência.

Tentou aplicar alguns feitiços e ervas raras mas nada que tenha feito diferença. Ele iria morrer, esse era o real motivo para ter dispensado Violeta. Olhou mais uma vez para o jovem em sua mesa, com batimentos cada vez mais fracos e face cada vez mais branca, era realmente uma pena que fosse partir tão cedo. Quando de repente a mão dele se moveu.

Não somente um espasmo, mas sim um aperto forte no pulso de Karina, como se precisasse dizer algo. Ela por sua vez tentou se afastar no susto mas foi aprisionada pelo aperto. Logo após isso o garoto abriu seus olhos e eles brilhavam com um dourado forte e majestoso.

E como uma barragem que acabara de ser destruída, sua mente se encheu de novas informações. Feitiços a muito tempo perdidos, poções que nunca foram pensadas e segredos que sequer sabia que existiam, tudo isso em um milissegundo, desaparecendo logo em seguida. Karina vasculhou sua mente e não conseguiu se lembrar do mar de informação que tinha acabado de sentir. Com exceção de um feitiço complexo de cura e uma fórmula estranha de poção .

Ela anotou a receita e o feitiço com uma mão e a fabricou com a outra, tinha medo que elas fosse desaparecer como as demais. Era um elixir bem simples sem ingredientes raros ou métodos de preparo extravagantes, só um punhado de ervas misturadas com água purificada, ela duvidava que fosse ajudar, mas tentou mesmo assim. E não se decepcionou.

A maioria das feridas foram curadas em segundos depois que a poção foi ingerida , nenhuma mágica que ela tinha aprendido até hoje podia aumentar a regeneração a esse ponto. Aproveitando o ânimo do sucesso, usou o novo feitiço no seu paciente e os efeitos foram ainda mais potencializados. Isso era simplesmente insano!

Ainda abismada encarou o jovem agora totalmente saudável em sua mesa. Analisou seu corpo e até mesmo suas veias mágicas, responsáveis por transportar magia pelo corpo, e tudo estava em perfeita condição. Aliás estava tudo incrivelmente bem. Suas veias eram fortes e resistentes assim como seu corpo, era como se ele tivesse renascido como um deus!

Olhou em transe para a fórmula que tinha anotado e se deixou cair no chão de exaustão. Quantas vidas ela poderia ter salvado na guerra com apenas um cantil desse remédio misterioso? Não existiam magos capazes de sequer pensar em algo desse nível, não nessa época. Muitos diziam que ela era a melhor maga dessa geração, que tivera feito atos que seus antepassados somente haviam sonhado, e mesmo assim ela se sentiu intimidada por aquela pequena lista de ervas e pedras mágicas. Depois de um tempo ela conseguiu se levantar e gritou para Violeta.

- Querida! Mais um quarto, por favor.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...