História O Caminho do Sol - Capítulo 18


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Categorias Bleach
Personagens Byakuya Kuchiki, Grimmjow Jaegerjaquez, Ichigo Kurosaki, Izuru Kira, Rangiku Matsumoto, Rukia Kuchiki, Shunsui Kyouraku, Shuuhei Hisagi, Urahara Kisuke, Uryuu Ishida
Tags Bleach, Ichiruki
Exibições 159
Palavras 2.177
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 18 - Discrição


            I

 

Os primeiros raios de sol daquela manhã de verão em Karakura entravam pela janela causando incômodo em um jovem pai de família, que tentava permanecer no mundo dos sonhos. Grimmjow agarrou-se com mais força na cintura de sua esposa, trazendo-a mais para perto e sentindo o odor cítrico de seus cabelos ruivos.

            Nath espreguiçou-se preguiçosamente, sentindo-se acordar aos poucos. A russa aconchegou-se no corpo nu do marido, que passara a perna por cima de seu quadril, prendendo-a em um abraço quente. Com a visão turva pelo sono, ela olhou para o relógio despertador em cima de seu criado-mudo, que marcava 7h30 da manhã.

            — Preciso ir trabalhar... — Murmurou, tentando livrar o corpo das garras de Grimmjow, que a apertou com mais força entre os braços.

            — Vai não — Ele falou ainda meio dormindo, tentando impedir a esposa de sair da cama.

            A ruiva o empurrou para longe, fazendo-o quase cair da cama.

            — Ai porra, puta que pariu, não dava pra ser mais carinhosa?

            A mulher, que já estava na metade do caminho para ir ao banheiro do quarto, parou por uns segundos e voltou-se para encarar o cara de cabelos azuis esparramado pela cama do casal.

            — No banho, talvez. — Ela piscou um olho e voltou para seu caminho, sendo seguida por um Grimmjow que ficara subitamente feliz.

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            Após um banho quente e demorado, Nath remexia em uma bolsa de remédios em cima do balcão de sua cozinha, sendo observada por Grimmjow e o filho, que permanecia nos braços do pai brincando com seu cabelo.

            — Não se esquece de tomar os remédios no horário, ok? — A ruiva falou enquanto colocava as cartelas de medicamento em cima da tampa de mármore do balcão, anotando em um papel o horário em que deveriam ser tomados.

            — Bobagem isso aí, eu já to bem — Grimmjow falava emburrado, enquanto balançava o filho no colo.  Nath respondeu o comentário com um olhar de reprovação, que foi prontamente entendido por ele.

            A ruiva contornou o balcão indo em direção ao marido e fazendo menção de pegar o pequeno Hiroshi no colo, que se agarrou no pescoço do pai para não o largar.

            — Vem, tá na hora de ir pra creche. — Ao passo que tentava pegar a criança pela cintura, Hiroshi ia apertando os braços gordos em torno do pescoço de Grimmjow, quase o sufocando.

            — Deixa ele ficar hoje em casa, Ná — Grimmjow pediu, enquanto a criança puxava seu cabelo e gritava “papai”, como se implorasse para ficar com ele.

            — Nem pensar — A ruiva continuou tentando pegar Hiroshi de seu colo, que chorava copiosamente, agarrando-se cada vez mais forte no cara de cabelos azuis. — Você mal sabe se cuidar sozinho.

            Grimmjow fechou a expressão de pronto, ofendido. Ele dava até razão à esposa, pois de fato não era a pessoa mais responsável do mundo, mas duvidar de sua capacidade de cuidar do próprio filho era meio demais para ele.

            — Valeu pelo voto de confiança.

            A russa suspirou pesadamente, não queria começar uma guerra em casa logo no primeiro dia dele fora da clínica. Olhou novamente para os dois homens de sua vida e ambos pareciam chateados com ela. Não era exatamente isso que Nath esperava para o tão esperado retorno de Grimmjow para o convívio com a família. Talvez dar uma chance para ele não fosse doer tanto.

            — Tá bom... — Ela cruzou os braços, dando-se por vencida. — Qualquer coisa me liga ou liga pra sua mãe. — A ruiva apressou-se até a mesa da cozinha e pegou sua bolsa. Depositou então um beijo rápido nos lábios do marido e depois afagou os cabelos ruivos do filho.

            — Você acha mesmo que eu não dou conta de cuidar do Hiroshi? — Ele perguntou, enquanto abria a porta da entrada para que ela passasse. Nath apenas sorriu, antes de sair para o trabalho.

            — Acho.

            Grimmjow fez cara de poucos amigos, sabendo que dali para frente teria muito que provar para ter de volta a confiança de sua mulher.

 

II

 

            Rukia encaminhava-se para seu quarto, após o café da manhã, na intenção de escovar os dentes e chamar a colega de quarto, que não dera as caras desde que acordaram. Luna descera e fora direto para o consultório de Urahara e aparentemente pulara a primeira refeição do dia.

            Ao chegar na porta do quarto, a morena deparou-se com uma mala aberta sobre a cama da colega e roupas jogadas para todos os lados. A loira permanecia sentada ao lado de sua bolsa, guardando alguns pertences.

            — Luna? O que tá fazendo? — Rukia entrou no quarto e logo se sentou na própria cama, observando atentamente a loira.

            — Finalmente eu vou sair daqui — Luna vira-se rapidamente para a morena, esboçando um sorriso de contentamento.

            — Sério? — A Kuchiki ergue as sobrancelhas em sinal de surpresa, recebendo como resposta um aceno positivo de cabeça. — Nossa, que bom! Seus pais vêm te buscar?

            — Meus pais não são exatamente a favor da minha saída... — A loira comentou com a voz baixa, tentando não se desanimar e continuando a arrumar suas coisas. — Eles não vêm.

            Rukia abaixou a cabeça e olhou para os próprios pés, incerta do que falar. Ela sabia muito pouco sobre a família de Luna e não tinha coragem de entrar no assunto, com a insegurança de que isso poderia chateá-la. Lembrou-se de ter visto um senhor entrando na sala de Byakuya acompanhado de Luna e Urahara e imaginou que fosse pai da loira, mas não tinha como saber e não perguntaria.

            — Mas não se preocupe, Rukia-chan — Luna continuou diante do silencio da outra. Virou-se mais uma vez em sua direção e não conseguiu conter mais uma vez um sorriso. — Tenho alguém pra me acompanhar.

            — Rukia? — Ambas olharam em direção de uma voz que soara da porta, vendo Byakuya parado olhando para a irmã mais nova. O moreno mantinha sua expressão imparcial de costume, porém a loira que estava dentro do quarto sabia que ele provavelmente fervia por dentro.

            — Sim, Nii-sama?

            — Venha, quero falar com você.

            Luna e Rukia trocaram um olhar rápido e a italiana tentou não se entregar pelo olhar. Sabia que o assunto era entre irmãos e não se meteria mais do que já se metera quando no dia anterior tentou acalmar os ânimos do psiquiatra. Entretanto ela não deixou de lançar um olhar de reprovação ao moreno, que fingiu não notar.

            Os irmãos Kuchiki seguiram calados pelo curto caminho entre os quartos do segundo andar e o consultório no primeiro. A morena notou que seu irmão mais velho parecia incomodado, mas preferiu ignorar o fato e continuar em silêncio.

            Ele abriu a porta para que ela entrasse e, antes de fechá-la atrás de si, deixou claras instruções à Inoue que gostaria de não ser incomodado. Byakuya encaminhou-se para sua mesa e sentou-se calmamente, observando Rukia que já estava acomodada em uma cadeira.

            — O que está acontecendo entre você e o Kurosaki? — Foi direto.

            Rukia prendeu o ar, não querendo acreditar na pergunta que seu irmão mais velho acabara de fazer. Ela o conhecia melhor que ninguém, sabia de seu apresso bizarro por regras e não queria em hipótese alguma que ele soubesse do que vinha acontecendo entre ela e Ichigo.

            — Somos amigos, só. — Respondeu tentando parecer convincente. Pela expressão que o moreno fazia no momento, ela deu-se conta de que falhara.

            — Não minta.

            — Nii-sama... — Rukia abaixou a cabeça, sentindo um emaranhado de pensamentos tomarem sua mente. Não queria mentir para o irmão, mas também não queria prejudicar o ruivo. Entretanto parecia que Byakuya já estava bastante convencido do que acontecia. — O Ichigo precisa terminar o tratamento, não faça nada contra ele, por favor.

            — Então realmente há algo. — O psiquiatra constatou o que para si já era claro. Ele viu a irmã abaixar o rosto uma segunda vez, parecia envergonhada. Achara louvável sua tentativa de proteger Ichigo, entretanto desde o começo decidira que não faria realmente nada a respeito. Primeiro porque passara a tarde inteira ouvindo Luna ameaçá-lo de diversas formas, segundo porque sua preocupação era outra. — E quanto ao seu problema com Kaien?

            Rukia voltou a fitar o outro com a expressão confusa. Não esperava que a preocupação do irmão com o fato de estar iniciando algo com o ruivo tivesse a ver com o ex-namorado.

            — O Kaien morreu, não tenho mais o que fazer a respeito.

            Byakuya ergueu uma das sobrancelhas, desacreditado do que acabara de ouvir. Ele mesmo presenciara Rukia chorando diversas vezes a falta dele e achando que a vida não faria mais sentido de sua morte para frente. Por alguns momentos ele acreditara que ela não teria mais jeito, mas aparentemente estava enganado.

            — Ele é agora uma boa lembrança. — Rukia prosseguiu, tentando não vacilar nas próprias palavras. Estava tentando ser o mais sincera possível e, por algum motivo, aquilo parecia aliviar o peso em seus ombros. — Eu não sei como foi acontecer, mas é isso.

             — Rukia. — A morena segurou o ar mais uma vez, pronta para o que se seguiria. O psiquiatra não era conhecido por ser a pessoa mais maleável do mundo, mas ela faria qualquer coisa para livrar Ichigo dos problemas que viriam a seguir. — Tente ser mais discreta.

            A Kuchiki arregalou os olhos em descrença. Nem em mil anos imaginaria Byakuya mancomunando com um desrespeito às regras como aquele, ainda por cima em seu local de trabalho. Entretanto ela não reclamaria, era melhor aproveitar seu momento de desatino antes que fosse tarde.

            — Er... Hai.

            — Era só isso, pode ir.

            Rukia levantou apressada, despedindo-se do psiquiatra antes de deixar o consultório. Aquele dia mal começara e já esgotara a conta de bizarrice familiar para o resto do ano.

            O Kuchiki observou a irmã confusa deixar a sala. O tamanho da surpresa da morena em relação à reação dele era proporcional a sua própria surpresa quanto ao que estava se desenrolando com ela. Ele, que se auto recriminara tanto por fazer Rukia se internar naquela clínica, começou a acreditar que não fora assim de todo o mal. O resultado estava muito melhor do que esperava.

            Mas a partir dali era prudente que um ruivo começasse a ficar atento, pois teria um par de olhos acinzentados o observando e esperando o momento certo para poder trucidá-lo.

 

 

III

 

            Luna terminava de abraçar seu último colega de internação, pronta para finalmente deixar aquela clínica. Durante seus cinco meses ali, tivera a oportunidade de conhecer diversas pessoas e de aprender um pouco com a história de cada uma. Sabia que muitos deles jamais reencontraria, mas tinha certeza que eles também carregavam um pouco de sua própria história. Algumas coisas na vida eram simplesmente passageiras.

            — É isso, gente... — Ela olhou para os pacientes em sua volta, que pareciam em um misto de desanimo e entusiasmo. Seus olhos então caíram em Byakuya, que terminava de pegar seu prontuário com Urahara. Ele carregava sua mala em uma das mãos, pronto para levá-la para casa. Seus pais não apareceriam, mas ela sabia que teria alguém para acompanhá-la dali para frente. Algumas coisas na vida eram simplesmente permanentes.

            — Vamos? — O psiquiatra chegou perto dela, tocando em seu ombro e indicando a saída. Ela apenas concordou com um aceno de cabeça e virou-se mais uma vez para os colegas.

            — Tchau! — Abanou sorrindo e seguiu para a porta, sendo acompanhada por seu ex-médico. Todos acenaram em resposta, vendo-a afastar-se aos poucos e sumir portão a fora.

            Os internos começaram a dispersar, uns seguiram para o refeitório, pois era quase hora do café da tarde, e outros foram para a área comum da piscina. Rukia, porém, permanecia parada olhando para a porta com a expressão confusa.

            — O que foi aquilo? — Ela virou-se para Ichigo, que estava ao seu lado, com o cenho franzido.

            — Aquilo o que?

            — O Nii-sama... e a Luna — Falou com a voz baixa, não querendo causar alarde.

            Ichigo riu, passando um dos braços pelas costas da morena até tocar em seu ombro. Ele notara o que estava acontecendo há uns dias, mas preferiu guardar para si o que desconfiava afinal todo mundo ali era inocente até que se provasse ao contrário.

            — Você é mesmo cega. — Comentou ainda rindo.

            Rukia nada disse, permaneceu parada processando o que acabara de presenciar e as palavras do ruivo. Então era por aquilo que Byakuya não lhe dera a bronca do século? Anotou mentalmente para um dia agradecer a loira o favor prestado, mesmo que de forma inconsciente.

            — Oe, Rukia... — Ichigo chamou novamente a atenção da Kuchiki para si, que o olhou de pronto. Ele parara de rir e olhava sério para a porta de saída da clínica, com vários pensamentos correndo em sua mente. — Logo é você passando por essa porta.

            — É...

            — O que será que vai acontecer? — Rukia sabia exatamente ao que o ruivo se referia, mas não tinha mais dúvidas. Ela alcançou a mão dele, que estava em seu ombro, e manteve a voz firme.

            — Vou voltar à minha vida normal. — Ele a olhou, com a dúvida estampada em seus olhos. — Só que você vai fazer parte dela.

           Um pequeno sorriso brotou no rosto de Ichigo, que achara a resposta da outra bastante agradável. Ao que parecia, agora aquele caminho para o sol seria trilhado pelos dois, juntos.

 


Notas Finais


Esse foi, sem dúvidas, o capítulo mais difícil de escrever o_o.
Ele está realmente parado, mas têm muitas resoluções necessárias pro andar da carruagem \o\
Aliás, a fic ta perto de terminar (mais uns 5 caps no máximo, acho). Espero contar com o apoio de vocês até lá! ^___^~
Obrigada à todos pelos comentários e favoritos, fico muito feliz :3
Até o próximo o//


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