História O cara da sala ao lado - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Grey's Anatomy, Nick Bateman, Nina Dobrev, The Vampire Diaries
Personagens Alexander "Alex" Karev, George O'Malley
Tags Comedia, Drama, Originais, Romance, Suspense
Exibições 28
Palavras 2.519
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Comédia, Festa, Ficção, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Capítulo 1


Fanfic / Fanfiction O cara da sala ao lado - Capítulo 2 - Capítulo 1

Parecem que pássaros cantam na minha janela. Seria isso, se eu não morasse na garagem da minha irmã e não tivesse, especificamente uma vista lá de fora. Tenho um pequeno arranjado de madeiras com um vidro meio fosco, para eu não morrer de calor, aqui dentro. Apesar disso, gosto de morar aqui. Gosto, mas não mais do que onde Jonathan e eu vamos morar — nossa própria casa.

Meu peito acelera ao pensar que em um mês vou estar com uma aliança no dedo, de casamento dessa vez. Eu sei que nós atrasamos nosso casamento, mas agora é real. Vai dar certo. 

Termino meus afazeres em casa e Jon me manda mensagem para sairmos no começo da noite.

 

Jonathan:

O que vai fazer mais tarde? 14h08

 

Anna:

Oi amor, já acabei tudo e estou livre 14h09

 

Jonathan:

Passo aí depois das seis, a gente precisa conversar 14h09

 

Anna:

Ok, beijos 

Te amo 14h10

 

Precisamos mesmo conversar. Tem tanta coisa à ser decidida e o tempo está correndo contra nós. Há tanta coisa para se resolver, ainda, que parece inacreditável que a cerimônia seja apenas um dia, mas demore seis meses para ser programada.

Ele tentou parecer sério e enigmático na mensagem, como se eu precisasse me preocupar por alguma coisa, mas eu sei que não. Jon é assim, as pequenas coisas são muito grandes, mas eu sempre posso resolver. Ele sabe disso. Então nem me preocupo.

A noite começa a cair e abro meu armário, olhando para minhas roupas umas mil vezes. Talvez, se eu ficar olhando para elas, uma roupa pule na minha mão e uma roupa nova apareça. Ou alguém saia de dentro do armário com figurinos de outro mundo ou uma fada madrinha vai aparecer e me vestir em cinco segundos. Essa ideia da fada madrinha seria demais. Dou risada comigo mesma e pego algo casual para vestir — jaqueta e camisa pretas, com uma jeans e bota. O tipo de roupa que você pode ir em qualquer lugar, já que ele nem me convidou para um lugar específico, para começar.

Saio da minha bolha, digo quarto e vou até a sala, para ver se Kate, minha irmã, precisa de algo com a pequena Lucy. Ontem ela completou um mês e já está tão esperta, que não parece aquele pequeno anjinho que precisava de ajuda o tempo todo e ficávamos desesperados sem entender seus choros. Mentira, ainda ficamos, mas está melhorando.

 

— Tudo bem por aqui, Kate? — Me sento com ela enquanto Lucy tenta adormecer.

— Tudo. Onde vai tão bonita assim? — Sorriu, maliciosa ao revisar meu figurino.

— Eu também não sei! Jon apenas disse que ia passar aqui. — Ri, mas tentei ficar séria logo. — Mas se você precisar, nós ficamos.

— De jeito nenhum, Annie. Você precisa se divertir. Além do mais, o patrão do Carter finalmente vai dar o mês de folga que estava devendo. — Fez uma pausa e o sorriso voltou. Nos parecemos mais quando ela sorri. — Além do mais, hoje pode ser o dia que ele finalmente irá te dar a aliança de noivado!

— Ah... Será? — Meu sorriso envergonhado ao olhar minha mão demonstra a dúvida. — Não sei, Kate, ele me disse para escolher entre uma cerimônia bonita ou um anel daqueles de revista. Você sabe...

— Mas também disse que tentaria não deixar passar em branco e falta um mês! É o Jon, Anna, ele arruma jeito para tudo.

 

Suspirei.

Não vou me iludir.

Não. Vou. Me. Iludir.

Droga!

Ele vai me dar o anel. Por isso fez tanto suspense, para que eu nunca pensasse nessa ideia. É hoje! 

Sorrio para ela ao ouvir a buzina e ela me cutuca com o cotovelo, para que eu não o faça esperar muito. Dou uma espiada no carro, pela janela e o motor parece estar ligado, ainda.

Normalmente, ele gosta de entrar e conversar com Kate ou ver alguma parte de qualquer jogo, mas não hoje. Ele deve realmente estar nervoso.

Kate grita para eu ir logo e ambas caímos na risada quando, antes de abrir a porta, aponto minha mão, balançando o dedo onde o anel vai ficar.

 

— Traga esse anel para mim, baby! — Kate grita nas minhas costas.

— Mensagem recebida, chefe! — Brinco de volta.

 

Desço os poucos degraus da parte da frente de casa e entro no carro, rapidamente. Roubo um curto beijo de Jon e sinto sua mandíbula tensa, mas eu acho que é comum. Ele vai me pedir, oficialmente, para casar com ele. Eu também ficaria nervosa.

Espio o carro em um olhar disfarçado, mas não há nada que me dê uma pista. Nem seu bolso, que está tão liso como o meu. Jon está muito casual e bonito, hoje, com uma camisa escura e jeans. Seu cabelo meio molhado faz uns mini cachos perto da testa e eu adoro ficar brincando com eles. Seus olhos azuis ficam ainda mais vivos quando os faróis se acendem por um instante ao ele dar a partida. 

Vejo minha casa se distanciar de nós pelo retrovisor, mas ele ainda não diz para onde vamos. Não é a primeira vez que faz isso, então não me preocupo. Jon quer me agradar e posso esperar para que seu plano saia perfeito. É sempre assim, ele é um homem de planos. Não teria comprado uma casa antes dos trinta se não planejasse cada passo.

Cerca de dez minutos depois, estaciona perto de umas casas que não fazem o menor sentido. Não há bares e restaurantes nessa parte do bairro e pela movimentação não há sequer uma festa pelos arredores.

Estreito os olhos e o encaro por um tempo. Agora sim, eu estou nervosa. Ele não pode, simplesmente, me dar uma aliança no meio desse lugar, pode? Corre pelo meu corpo a estranha ideia de ele estar mesmo querendo falar sério comigo e meu coração dispara. O silêncio continua correndo por aqui e ele passa a mão no rosto, suspirando. Não posso mais esperar nenhum minuto, então quebro o momento mudo de tortura.

 

— O que está acontecendo, Jon? — Abaixo as sobrancelhas, desconfiada.

— Anna, olha... — Suspirou outra vez, fazendo círculos na testa com o indicador. — Eu não sei como te dizer.

— Deu alguma coisa errada nos preparativos? A casa não vai ficar pronta a tempo, não é? Eu sabia, te disse! — Respirei fundo, falando sem parar. 

— Não. Não é isso, mas é sobre o casamento ou algo assim. — Curvou seu corpo próximo ao meu e retirou uma caixa do porta luvas. — É sobre isso aqui.

— Ah, não acredito! É o que eu estou pensando? — Levei as mãos até a boca, ansiosa. Sorri, relaxando os nervos do meu corpo.

— Sim. É a aliança de noivado. Eu comprei há uns dias e... Analisando tudo, quero que fique com ela. — Abriu a caixa e a repousou no meu colo.

— Não era bem o que eu esperava ouvir. Ficar com ela? Você não vai colocar em mim, hoje? Prefere fazer um jantar? — Lá estava o sentimento estranho, outra vez. Anna, case-se comigo. Vamos, diga isso.

— Anna... — Isso, agora diga. — Não vai ter jantar. Acabou.

— Como assim? Acabou? Você me dá uma aliança para dizer que acabou? — Fiz uma careta e balancei a cabeça. Isso era incompreensível.

— Eu comprei e ia te dar, mas aconteceram coisas e, bem, quero que fique com isso. Pode conseguir um preço bom por ela. Quem sabe até alugar algo por aqui? — Arriscou um meio sorriso e sua voz parecia à de um psicólogo.

— Aconteceram coisas? — Cruzei os braços e me neguei a responder o resto.

— Eu te traí. — Desviou o olhar. — Estava nervoso, preocupado com esse casamento e quando me dei por mim, tinha feito.

— Um deslize? Uma vez só e por estresse? — Ergui as sobrancelhas, tentando evitar que as lágrimas aparecessem, agora.

— Um deslize. Várias vezes, nas últimas duas semanas.

 

Meu mundo parou por instantes e tudo que conseguia fazer, era olhar a cara de pau bem sentada do meu lado. Jonathan também não tem palavras. Ele parece nervoso, mas não arrependido. Estaria se tivesse parado antes, certo?

As lágrimas ameaçam cair e tento me recompor, respirando fundo várias vezes e olhando para cima — isso funciona, de verdade. O silêncio chega a ser ensurdecedor, mas eu não consigo dizer uma palavra. Até abro a boca, mas o que dizer para quem não quer ouvir?

Seu plano havia saído perfeito, como sempre.

 

— Vou te levar para casa. — Suspirou, puxando a marcha, antes de ligar o carro.

— Me levar? Como um prêmio de consolação? Já não bastava me dar um anel que nunca vou usar? — Ri, rolando meus olhos. — Não, obrigada.

— É o meu dever! Além do mais, está escuro, é perigoso. — Girou a chave e eu subi a trava de proteção da porta.

— Não comece à falar como se você se importasse ou fosse meu namorado, porque, que coincidência! Você acabou de terminar comigo! — Gritei e abri a porta. Eu estou parecendo uma louca, mas não estou ligando nem um pouco.

— Anna! Eu já disse que levo, deixe eu prestar um último favor, é o certo a se fazer. Feche a porta!

— O último favor que você deveria ter feito por mim, era ter me contado logo que aconteceu, para que eu parasse com os preparativos, mas você não fez! Você... Me beijou esses dias. — Puxei o ar, como se a última frase tivesse me dado um tiro. — Esse "favor" que você quer fazer é para que as pessoas não falem mal ao seu respeito, mas, surpresa! Eles vão! Boa noite.

 

Saio do carro, levando meu anel de consolação e bato a porta. Ele ainda me grita algumas vezes e tenta me seguir, mas começo à andar rápido e entro em uma rua na contramão. Seu carro sai, cantando os pneus e por fim meu corpo relaxa, despejando as lágrimas que eu não aguentava mais segurar.

 

•••

 

Chego em casa depois de um longo tempo, com as pernas formigando e com os olhos delatando tudo que chorei.

Kate está no sofá, dessa vez sem Lucy enquanto Carter pega algo na cozinha. Não o tinha visto, até escutar sua voz, mas não fazia muita diferença. Uma hora ele iria saber.

 

— Aqui está seu anel, Kate. — Coloco a caixa sobre o seu colo e tento sair quando as perguntas começam.

— Meu anel? Seu anel! Anna, por que está chorando? — Estreitou os olhos e deixou a caixinha na mesa ao levantar.

— Anna, está tudo bem? — Carter perguntou de longe, mas eu não tinha palavras para isso, então continuei.

— Eu quero que você guarde esse anel e use caso Lucy precise de qualquer coisa. 

— O que está acontecendo? — Os dois perguntaram juntos.

— Eu... — Coloquei as mãos nos bolsos e encarei os dois. — Jonathan e eu terminamos, não vai mais ter casamento. Eu sinto muito.

— É só uma briga, não é? Casais brigam antes do casamento, sentem dúvidas... Não pense que tudo acabou sem mais, nem menos. — Kate acariciou meu ombro e voltei a chorar.

— O que ele te fez, Anna? — Carter parecia mais irritado do que nunca, mas eu não conseguia responder. Ele parece ter entendido sozinho, então. — Eu vou quebrar a cara dele!

 

Minha irmã pediu para que não fizesse, mas ele se recusou a ouvir, como sempre e saiu, batendo a porta. Eu não ligo. Mesmo.

Fiquei nos braços de Kate por um tempo, até que decidi ir para o meu quarto e me enfrentar. E essa, é a parte mais difícil.

Quando eu decidi vir morar aqui, foi porque ele tinha conseguido uma boa proposta de emprego e, segundo ele, conseguiríamos comprar nossa casa. Eu deixei tudo em Los Angeles para morar em um projeto de quarto. Para incomodar minha irmã e cunhado que haviam acabado de casar. E para completar, aqui não há muitas possibilidades para uma comunicadora social, como eu. Aproveitei para estudar mais, mas continuei sendo um peso para todos. Um saco pesado que as pessoas carregam de um lado para outro, porque não tem nada melhor.

O problema é que agora ele tem algo melhor enquanto eu sigo presa no mesmo lugar. 

Isso não pode continuar assim. Começo à juntar minhas coisas e a colocar na mesma mala que eu as trouxe. Não quero pensar muito, só preciso dar o fora daqui. Quero me livrar dos olhares piedosos, dos que vão pensar que eu não fui suficiente ou que eu tive culpa de qualquer coisa.

Se tem uma coisa que eu aprendi é que a outra pessoa nunca tem culpa se você decide trair e não tem desculpas para isso, menos ainda quando os erros se repetem — o que me faz pensar que talvez algumas pessoas já soubessem e a lenta sou eu.

Meus olhos se enchem e eu os seco o mais rápido que posso. Não dá para pensar nessas possibilidades, sem sentir uma faca cruzando o peito, então resolvo deixar para lá. 

Depois de um tempo, sento na cama e olho o quarto já com menos decoração e a maioria das coisas dentro da mala. Não sei quanto tempo passei fazendo isso, mas estou decidida. Todos estão vivendo e eu também preciso. Agora eu vejo que perdi tudo por seguir o sonho de outra pessoa que nunca ligou para o meu. 

Se eu tivesse notado isso um pouco antes... 

Estava tão focada no casamento que não pensei o que seria de uma Anna solteira e sozinha por aí, mas eu vou descobrir. Suspiro e olho meu celular na mesinha improvisada próxima à minha cama e o pego. Acender a tela de bloqueio e ver nossa foto me mata um pouco, mas eu a troco rapidinho antes de fazer outra coisa. Giro o polegar enquanto desço minha lista de contatos e depois de apagar o dele, estou pronta para o meu próximo passo.

Eu vou me mudar para New York.

Pressiono o dedo no contato da Rachel e ligo. Ela já fez isso antes. Se mudou logo que terminou com o James e isso fez tão bem para ela que talvez eu tenha sorte, também. Ou talvez só tenha um pouco mais de vida e um trabalho, que já é o suficiente. 

Os dias que passei com ela por lá, meses atrás, me fizeram sentir única e viva. Sentir que gostavam de estar comigo e que eu pude ajudá-la com a sua dor também me fizeram sentir necessária. Sem contar aquele cara que só tinha olhos para mim. Jonathan nunca me olhou daquele jeito, na verdade, ele mal me olhava nos últimos tempos. Só tinha controle sobre mim... Mas Ryan? Esse sim, me olhou de um jeito que eu nunca esqueceria. Acho que é sempre bom se sentir assim. Desejada ou saber que desperta curiosidade.

Após alguns toques, a voz forte de Peter atende o celular da minha amiga e logo ouço o porque, ela está com Lola, a filha dos dois. Eu poderia ligar mais tarde, mas depois da minha voz rouca, acho que o alarmei e ele não me deixa desligar, então entendo, comigo mesma, que é realmente a hora de começar à mudar minha vida.

 

— Alô?

— Alô, Peter? É a Anna. Tudo bem?

— Tudo e você? Aconteceu alguma coisa?

— Vai ficar... Escuta, será que Rachel pode conversar agora? É que eu preciso avisar uma coisa...



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