História O Cativo das Sombras - Capítulo 15


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Categorias O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings), O Silmarillion
Personagens Personagens Originais, Sauron
Tags 2 ª Era, Mordor, Númenor, Sauron, Terra Media, Tolkien
Exibições 1
Palavras 1.459
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Mistério, Misticismo, Survival, Suspense, Violência
Avisos: Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 15 - Tempestades e Sementes


Fanfic / Fanfiction O Cativo das Sombras - Capítulo 15 - Tempestades e Sementes

Já era meio dia. O Sol estava em seu zênite, e pela primeira vez em muitos meses, Elohas sentia a força da luz solar em sua pele. Estava na grande embarcação do Rei, olhando sobre o parapeito na proa do navio. Estava sozinho, pois muitos se baqueteavam e se protegiam do Sol quente. A sua frente, a leste, o oceano interminável se estendia. Apesar do tempo firme, nuvens pesadas se erguiam no céu ao longe. Alguns raios podiam ser vistos, e o som de trovões ecoavam como se viessem de uma memória distante.

A imagem, por mais aleatória que fosse, refletia perfeitamente o estado mental de Elohas. Uma grande perturbação o corroía, e ele não conseguia expô-la. Ja pensou em falar com o Rei, com Ehador, e até com o irmão (apesar que, os dois últimos compartilhava da indecifrável sensação que ele sentia), mas não conseguia se explicar. Aos outros, e principalmente para Vecydes que era mais extrovertido, isso poderia ser normal. Dada a sua natureza reservada, Elohas estava acostumado a ouvir os outros farar e balbuciar o que viesse às suas bocas, mas não ele. Ele tinha o costume de voltar-se para si mesmo, para sua mente, e decifrar lentamente suas emoções e suas sensações, conforme elas passavam em sua consciência. De fato, já estava acostumado com um nível alto de autoentendimento.

Apesar de tudo, por mais que refletisse, não conseguia exprimir-se, não conseguia decifrar sua inquietude. Sabia, é claro, que uma grande conspiração, seja por Númenor ou por Sauron, ocorreu naquele planalto. Sentia-se como um espectador, limitado a poucas informações e detalhes rasos, tentando agarrar alguma pista que estava sempre fora de alcance.

Seu devaneio foi interrompido pelo som de botas na madeira do chão. Ao olhar para trás, viu o irmão, Vecydes, ao lado de Ehador e Razos.

– Sente-se melhor irmão? – perguntou Vecydes.

– Tirando a fraqueza, dores de cabeça, e alguns pesadelos a noite, estou quase voltando ao normal.

Elohas, ao voltar se integrar ao resgate e voltar a se alimentar como antes, se surpreendera com o quão pouco estava sobrevivendo. Tinha se esquecido do gosto da maior parte dos alimentos, e ficou feliz ao lembrar-se dos sabores das carnes e de uma bebida com gosto. Espantou-se, ao olhar seu reflexo na armadura do irmão, o quanto emagrecera nos últimos meses, tendo dificuldades para se reconhecer enquanto analisava o próprio rosto.

– Só mais algumas semanas com dois desjejuns diários que você voltará ao normal – brincou Vecydes.

Elohas sorriu. Não sorria fazia tempo. Mas enquanto os músculos de sua face relaxavam, não conseguiu esconder o manto de preocupação que o cobria a poucos minutos. Nesse momento, o General Isolmë se aproximou em silêncio. Tinha o rosto preocupado, mas tratou de aliviar sua expressão ao cumprimentar os colegas.

– Como vai o Chanceler, General? – perguntou Vecydes.

Todos os outros olharam para Isilmë. Ao longo da viajem, todos descobriram que, ao embarcar, o Chanceler de Númenor, Sayfosy, havia sofrido um surto mental. Começara a delirar e gritar como se estivesse em chamas. Uma cena horrível, principalmente para Vecydes e Adryos, que tiveram uma primeira impressão do chanceler de um homem austero e controlado. A loucura de Sayfosi, com seu início gradual e ápice súbito, deixou uma estranha sensação em Vecydes, e este, ao explicar tudo o que passou desde Umbar, passou para o irmão a mesma estranheza.

– Vai mal. Não dorme e quase não comem. Os homens que o vigiam dizem que ele pode morrer de fome voluntária.

Todos pararam por um instante. Elohas não conseguiu esconder a preocupação que o instigava minutos atrás. Isilmë o encarou, reflexivo.

– Ainda está pensando no que viu naquela Torre, rapaz? – O tom seguro e confortável deixou Elohas aliviado. Isilmë realmente tinha um tom ponderado e sábio em cada palavra.

Elohas ficou mudo por alguns segundos. Olhou para o céu, este já sendo invadido pelas nuvens de tempestade. Não queria tentar se exprimir sem saber como, mas sentia que devia arriscar.

– Na verdade não. Sabe.. – disse com o olhar baixo, pensando em como construir a próxima frase. – Vou ser sincero com vocês. Não estou confortável com a situação. Alguma coisa me soa extremamente estranha, e, apesar de não saber explicar o porque, sinto que estamos agindo da forma que Sauron quer.

– Está falando sobre aquele mapa que vocês viram na torre? Estou tentando falar com o Rei para informá-lo sobre o que todos os prisioneiros testemunharam em Barad-Dûr. – perguntou Isilmë. – Mas ele não quer ouvir agora. Disse que em Númenor vai montar um julgamento para Sauron. Prometeu-me que a sentença de morte era certa.

– Acho difícil isso acontecer, General – disse Elohas, preocupado. – Vi nos olhos do Rei o quanto ele parece ser influenciado por aquela criatura, mesmo que queira parecer que não.

– Então, o que você acha que ele deveria ter feito lá? – interrompeu Ehador, curioso quanto ao que Elohas pensava. Ele sempre se sentira estranho quanto ao resultado do conflito, mas sempre disse não conseguia ver resultado melhor. – Queria que o Rei executasse Sauron ali, na frente dos homens?

– Amigos, pensem – Elohas estava sem palavras. – Apenas olhem toda a história dele, tudo o que ele já fez e como ele transformou aquela terra num inferno. Vocês realmente acham que ele deixaria que Ar-Pharazôn o matasse ali? – Todos ficaram pensativos. – Então! Alguma coisa está errada. Ele se submeteu, ele se humilhou, e tenho certeza de que tem algo por trás disso. E respondendo a sua pergunta, não acho que o rei deveria ter tomado essa decisão. Acho que deveríamos escoltá-lo até Valinor, e deixar que os Valar cuidem dele.

– Isso seria o mais correto, realmente – disse Isilmë.

– Então… – disse Vecydes, impondo sua voz. – Todos concordamos que algo de estranho aconteceu, e que, provavelmente, essa prisão seguiu os designos de Sauron, correto? Então, onde discordamos? Só estamos teorizando sobre a motivação dele, mas, no fundo, temos a mesma opinião. A questão é, o que pode acontecer? E o que faremos?

Durante um minuto todos ficaram em silêncio. Um trovão soou bem acima de suas cabeças, mas a chuva parecia estar longe. Elohas foi o primeiro a falar.

– Eu acho que ele está manipulando o Rei, jogando com sua confiança. Não vai demorar até que ele deixe o cativeiro e passe a aconselhar a coroa.

– Eu acho o mesmo – disse Vecydes. – E vocês?

– Não tenho certeza, mas juntando o que disseram ter visto em Barad-Dûr com o que eu vi na frente da Torre, acho isso muito provável. Apesar de ainda ter um pouco de fé no bom senso do Rei – disse Isilmë.

– Eu concordo – disse Ehador. – E tenho certeza de que isso vai acontecer, não só porque ele manipulará o Rei, mas principalmente porque o Rei vai ver alguma vantagem na aliança. Vocês lembram o que ele disse sobre “conquistar a imortalidade”? Aposto que isso está ecoando na cabela do Rei até agora.

Todos assentiram.

– Eu também acho que isso faz sentido – disse Razos. – Mas torço para que esse julgamento seja mais justo do que promete ser.

– Ótimo, todos nós concordamos – disse Vecydes, no centro do grupo. – Agora a questão é: o que vamos fazer?

– Não tem o que fazer – disse Ehador. – Seja o que for, já está escrito. O Rei – nesse ponto ele baixou a voz – é um pomposo mimado, e se ele se dobrar para Sauron, estamos mortos.

– Acho que existem algumas coisas para se fazer – disse Isilmë, refletindo. – Amandil… Amandil pode nos ajudar. Vou falar com ele assim que chegarmos. Podemos montar um grupo no conselho e lutar para que a influência de sauron não prevaleça nunca, e este seja mandado para Valinor o mais rápido possível.

– Acha que isso pode acontecer? – perguntou Elohas, incrédulo.

– Não tenho certeza. Mas se nos movermos rapidamente, antes que o rei possa sofrer qualquer influência, pode ser mais fácil de vencermos. Ele tem um filho e dois netos influentes que podem nos ajudar.

– Bem, só digo uma coisa: se parecer que essa coisa vai is de mal a pior em Númenor, volto pra Terra Media – disse Ehador, jocosamente. Todos riram.

Elohas se virou para o oeste. As nuvens cobriam as primeiras faixas de terra de Númenor. No horizonte, pôde ver que duas grandes faixas se afunilavam, dando caminho para o porto de Rómenna. A alguns quilômetros de distância, o povo do porto, incluindo os pais de vecydes e Elohas, aguardavam ansiosamente a chegada da armada do Rei.

Chegavam vitoriosos, orgulhosos, confiantes. Traziam consigo um prisioneiro jamais capturado antes. Sua força prevaleceu contra o maior inimigo da terra. O povo estava feliz, realizado. Junto com as velas das centenas de navios que se aproximava, um vento quente vinha do leste. Uma grande nuvem se aproximava da ilha da estrela, uma tempestade, uma semente; trazia trovões e relâmpagos, tais como esta frágil faixa de terra nunca viu antes.


Notas Finais


Aqui termina a história de Elohas e Vecydes. Qualquer um que tenha lido o Silmarillion, O Senhor dos Aneis, ou os Contos Inacabados, tem ideia de como a história continua.

Muito obrigado por lerem!


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