História O Clã da Baleia Azul - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jungkook, Personagens Originais, Suga, V
Tags Anorexia, Ansiedade, Automutilação, Bulimia, Depressão, Gatilho, Ineedyoukook, Suícidio
Visualizações 232
Palavras 3.286
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Drogas, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Primeiramente, quero pedir desculpas pela demora. Este capítulo foi um pouco mais difícil de escrever, espero que entendam!

Segundamente (?), MUITO obrigado pelos 186 favoritos <3 Significa muito pra mim que apoiem essa ideia tão louca que eu tive.

AVISO LEGAL
- Esse plot é repleto de gatilhos do início até o final. Se você tem problemas com esse tipo de conteúdo, eu sugiro que não leia.
- Essa história não é uma romantização de transtornos psicológicos, e não tem, nem de longe, a intenção de apoiar ou incentivar nenhuma das coisas que o Jeongguk faz ao longo da história.

* Este capítulo possui gatilhos de auto-mutilação.

Boa leitura~

Capítulo 4 - Quarta Tarefa


Fanfic / Fanfiction O Clã da Baleia Azul - Capítulo 4 - Quarta Tarefa

But all they see, is someone that's not me...

 

Quando abro os olhos no que acredito ser o horário de sempre em que meu celular me desperta, percebo que não estou escutando o som irritante e repetitivo do despertador. Minha expressão se torna confusa; embora eu não possa ver meu próprio rosto, sei que minha confusão está estampada nele. Por que não escuto o despertador? Não foi ele que me fez acordar?

 

À medida que minha mente desperta totalmente, percebo o ambiente de meu próprio quarto. Mais especificamente, noto que está muito mais claro do que normalmente está quando acordo, e é isso que me causa mais estranheza.

 

Mexo em minha própria cama e alcanço meu celular, no pequeno móvel que fica imediatamente ao meu lado esquerdo. Pressiono um botão qualquer para acender a tela, e fico completamente surpreso e assustado quando vejo no visor que são quase dez horas. Isso indica que já perdi as três primeiras aulas da manhã.

 

Mas como?

 

Abro o aplicativo do despertador, e confirmo que sim, eu o havia programado corretamente ontem, e sim, ele despertou no horário indicado. Mas eu não acordei, nem mesmo nas próximas duas tentativas do aplicativo de repetir o despertador, cinco, e depois dez minutos depois do primeiro. E minha mãe também não veio me acordar aos gritos, dizendo que eu iria me atrasar se não levantasse logo, o que me faz pensar que ela ainda está chateada comigo, ao ponto de realmente não vir até meu quarto.

 

Ela falou sério quando disse ontem que não queria olhar para mim e ver minha cabeça raspada em um dos lados.

 

Flashback; Noite anterior

 

Depois de passar quase quarenta minutos garantindo que não ficaria nenhum fio de cabelo pelo banheiro da suíte de minha mãe, dou a última conferida, enfim decidindo que fiz um bom trabalho. Saio do banheiro, depois do quarto, e vou ao meu próprio, buscando roupas limpas em meu armário antes de ir para o banheiro tomar um banho rápido. Quero tirar de mim todos os pequenos fios raspados, porque eles pinicam absurdamente.

 

Não acendo a luz, como sempre, e a pressa de tomar banho logo para me livrar do incômodo me impede de gastar tempo rechaçando minha própria silhueta no espelho, como eu normalmente faço depois de tirar minhas roupas. Entro direto no chuveiro, lavando rapidamente meu cabelo recém modificado já duas vezes e meu corpo, logo pisando para fora do box para me secar e vestir as roupas que uso para dormir.

 

Noto então, assim que me sento em minha cama e alcanço o celular, que minha mãe não deu notícias ainda. Um pouco preocupado, decido lhe mandar uma mensagem, perguntando se ela virá para casa hoje. Sou surpreendido com a resposta que chega pouco tempo depois, dizendo que sim, e decido que irei esperar acordado por ela, para me certificar de que ela está bem.

 

Vou até a sala e me sento no sofá, buscando pelo controle da televisão para ligá-la. Agora que estou relaxado, sinto meu estômago começar a reclamar de fome, e a sensação é irritante. Deito no sofá e foco no programa aleatório sobre carros que está passando, até acabar cochilando.

 

Acordo com o som da porta da frente sendo aberta, e me levanto para ir receber minha mãe. Assim que ela entra em meu campo de visão, noto como ela está visualmente acabada. As olheiras abaixo de seus olhos indicam como está cansada, e os orbes vermelhos acusam que ela chorou um monte.

 

Imediatamente fico preocupado. Por mais indiferente que eu seja com a minha própria vida - se é que posso chamá-la assim -, quando se trata de minha mãe, a coisa muda de figura. Aproximo-me mais, enquanto ela termina de trancar a porta, e a chamo sutilmente, para não assustá-la.

 

— Mamãe? Está tudo bem?

 

Ela se vira para me encarar, começando a abrir o típico sorriso de mães que querem dizer aos filhos que está tudo bem, mesmo quando não está. Eu estou pronto para lhe sorrir de volta e abraçá-la, enquanto ela diz que está tudo bem, como sempre acontece quando ela passa o dia fora e volta chorando para casa.

 

Mas então, assim que ela me coloca em seu campo de visão, seus olhos são inteiramente atraídos para a lateral direita da minha cabeça, de onde eu raspei até o mais curto permitido por aquela máquina velha os fios avermelhados. Seus orbes arregalam o máximo que o inchaço pelo choro permite, antes de ficarem inteiramente confusos e raivosos, quase que ao mesmo tempo.

 

— O que raios é isso? — Ela questiona, gesticulando o rosto para apontar para meu cabelo, com uma expressão completamente irritada.

 

— É… — Eu tento responder, mas o olhar dela me surpreende tanto que eu sinto as palavras entalando em minha garganta, e minha voz morre. Então respiro fundo para tentar novamente. — Eu só achei que fosse… ficar legal…

 

— Achou que fosse ficar legal raspar a própria cabeça? — A cada palavra, o tom de voz dela aumenta. — Achou que fosse ficar legal ficar com a aparência desses adolescentes ridículos, revoltados, que não têm um pingo de educação em casa? Achou, Jeongguk?

 

Eu me encolho um pouco, assustado com aquelas palavras gritadas com tanta raiva, os olhos de minha mãe arregalados e a boca seca tornando sua expressão ainda mais intensa. Não achava que ela fosse pensar que um cabelo raspado é grande coisa, acho que isso ajuda minha surpresa tão desagradável.

 

— Mas… Isso não é nada, mamãe. — Minha voz sai muito mais baixa do que eu pretendia, imagino que por causa do meu estado surpreso e assustado, enquanto a de minha mãe não parece diminuir nem um pouco enquanto ela continua a esbravejar coisas sobre eu estar querendo aparecer e chamar a atenção dela, sobre a vida dela já estar desandando o suficiente para ela ter que lidar com um filho revoltado.

 

Ela está tão nervosa, tão brava, que nós ainda nem saímos do lugar. Ela ainda está parada logo à frente da porta da sala, na verdade, está dois passos mais distante dela apenas, e eu também, mas continuo de frente para ela, ouvindo-a gritar. Gritar sobre o quão ingrato eu sou para chegar ao ponto de fazer isso com ela. De recebê-la, depois do dia de merda, cansativo e estressante que ela teve, com a cabeça raspada, como se eu fosse um garoto qualquer, que anda com outros garotos quaisquer que usam drogas pelas ruas, sem educação em casa, sem pai e sem mãe.

 

Ela está tão nervosa, tão brava, que seus olhos já inchados e vermelhos estão voltando a se encher de lágrimas, que aos poucos escorrem por suas bochechas. E ver e ouvir toda essa cena está me deixando abalado, triste e assustado de uma forma que eu não imaginei que aconteceria, logo, não me preparei e nem me vejo muito capaz de lidar com isso.

 

Me sinto tão atordoado que não consigo sequer dizer nada. Minha boca abre repetidamente, mas meus lábios não se movem para formar sílabas e minhas cordas vocais não vibram para soltar minha voz, então todas as vezes que parto os lábios, volto a fechá-los quase que imediatamente.

 

Mal estou me mexendo, fico apenas parado enquanto encaro minha mãe com olhos assustados. Até que, tão repentinamente que demoro alguns segundos para processar, ouço as palavras mais duras que minha mãe poderia dizer a essa altura.

 

— E suma da minha frente. — Ela dita seca, depois de finalmente parar de gritar e respirar fundo. — Não quero ficar olhando para essa besteira que você fez no próprio cabelo. Vá já para o seu quarto!

 

Desta vez, eu nem tento abrir meus lábios para dizer alguma coisa. Ao invés disso, meus olhos passam a fitar o chão uma vez que minha cabeça se abaixa, e eu me viro lentamente, com medo de que ela possa brigar ainda mais comigo se eu não fizer tudo com a mais completa calma. Então começo a andar, diretamente para o meu quarto, e uma vez lá dentro, fecho a porta com as mãos trêmulas e as pernas bambas.

 

Percebo então que meus pulmões estão queimando, desesperados por oxigênio. Fiquei tão abalado pelo que acabou de acontecer, que me esqueci de respirar enquanto andava até meu quarto. Inspiro forte e fundo, uma, duas, três vezes, e então, na medida em que meus pulmões se acalmam, são meus olhos que começam a queimar.

 

Lágrimas quentes e doloridas caem pelo meu rosto, e o fluxo não parece diminuir, por mais que eu pisque ou esfregue os olhos com as mangas compridas da minha blusa. Minhas pernas trêmulas movem-se devagar, cuidadosas para não falharem enquanto me levam até minha cama, e então, desabo sobre o colchão, com o rosto enterrado nos travesseiros, e continuo a chorar.

 

Faz muito tempo desde a última vez que chorei tanto por causa de minha mãe. Nos últimos anos, aprendi a ignorar as brigas dela com meu pai enquanto eu tento dormir, as vezes em que ela me obriga a comer mais do que eu tenho planejado - até porque, quando acontece, só preciso ir até o banheiro e vomitar toda a comida que não queria ingerir, os dias em que ela chega tarde em casa, como hoje, porque foi brigar mais uma vez com meu pai, que mais uma vez, está fora de casa há dias ficando com outra mulher.

 

Sempre fui um bom aluno na escola, raramente falto aulas e minhas notas são sempre boas ou, pelo menos, aceitáveis. Então nunca brigamos por causa disso, pelo menos. Mas também não conversamos nada a respeito; ela só pergunta eventualmente como estão indo as coisas, eu digo que estão bem, e então ela pergunta sobre notas, e eu conto brevemente sobre as últimas provas. Nada mais que isso.

 

Acho que é por causa disso que estou tão chocado e ferido pelo que acabou de acontecer. Meus dedos apertam com força o travesseiro, e estou soluçando, ao que meus olhos insistem em chorar incessantemente. Tento me acalmar, mas estou assustado, atordoado, confuso e sentido, e os soluços consequentes do choro me deixam mais nervoso ainda.

 

Sei que já está muito tarde, que já passou muito da hora em que normalmente vou dormir. Já era noite quando minha mãe chegou; ela passou um bom tempo falando todas aquelas coisas, e agora já se passou um bom tempo desde que comecei a chorar. Minha cabeça dói, tanto minhas têmporas quanto minha testa e a região atrás dos meus olhos. Meus orbes ardem, minha garganta também, e meu diafragma já reclama de dor a cada soluço.

 

Até que, em algum momento que eu nunca vou ser capaz de adivinhar, eu caio no sono. A exaustão pelo choro, pela dor de cabeça e pelo aperto que sinto no peito se fazem fortes demais, e então meu corpo cede e eu apago.

 

Flashback off

 

Às dez e meia termina a terceira aula da manhã. Depois disso, temos trinta minutos de intervalo, antes das duas outras aulas, ou três, dependendo do dia. Hoje é uma sexta-feira; temos três.

 

Fico ponderando se vale a pena ir para a escola para assistir a apenas metade das aulas do dia. Não sou do tipo que falta muito, e já perdi um dia inteiro de aulas na terça-feira desta mesma semana, mas o processo de me trocar é sempre demorado, porque passo minutos demais encarando cada centímetro do corpo que tanto odeio, desejando que ele fosse diferente, gordo e magro nos lugares certos, e sem cicatrizes.

 

Já tentei parar de me cortar antes. Muitas pessoas dizem por aí que é só simplesmente nunca mais fazê-lo; eu queria muito mesmo que fosse assim. Mas pessoas que dizem isso não são pessoas que se cortam, são pessoas que acham que sabem, e que entendem a situação pela qual nós passamos. Mas é muito óbvio que elas não entendem.

 

Quando me corto, a dor que tenho acumulada dentro do peito, que me sufoca e me causa fortes dores de cabeça é substituída pela sensação ardente e gelada da lâmina em minha pele. Todas as palavras de ódio, rejeição e frustração que eu dirijo a mim mesmo se acumulam nas pequenas gotas de sangue, até que escorrem pela minha pele, levando consigo uma pequena parte do peso que me impede de ter forças para me mover e fazer qualquer coisa que seja.

 

Então a sensação passa rápido demais, porque um único corte é muito pequeno para todo o peso que carrego dentro de mim. Por isso eu logo faço outro, depois outro, e assim vou fazendo, dependendo do quanto eu preciso me sentir mais leve. Às vezes são poucos, mas há dias em que o interior de minhas duas coxas não tem espaço suficiente.

 

Mas como os cortes só têm efeito imediato, em questão de poucas horas toda a dor volta, e soma-se à dor incômoda das feridas, mais ao incômodo da coceira que permanece ali enquanto elas se transformam em mais uma série de cicatrizes junto das outras. E é por isso que fico algum tempo sem cortar o mesmo lugar, mas eventualmente, eu acabo recorrendo novamente às lâminas. É um ciclo vicioso. Um ciclo que, aos olhos dos outros, obviamente não vai fazer sentido. Mas eu parei de ligar para os outros há muito tempo, mesmo.

 

As únicas pessoas para quem eu atualmente ligo são Jimin, Taehyung, Hoseok, minha mãe, e as pessoas do clã. Embora eu ainda não conheça ninguém de lá pessoalmente, nem sequer tenha recebido muito mais que algumas informações sobre eles, eu sei que eles se importam comigo. Eles me entendem, e querem me ajudar a acabar com toda a angústia que vivo todos os dias. E é só isso que me importa.

 

Quando penso neles, lembro-me de que ainda não conferi qual é a tarefa de hoje. Alcanço meu celular novamente e percorro o curto, embora cauteloso, caminho até o aplicativo do clã. Assim que o abro, aparece em minha tela uma notificação do mesmo horário de sempre, e eu a toco para descobrir o que preciso fazer hoje.

 

4. Faça 3 cortes em cada um dos tornozelos, formando um triângulo.

 

Solto uma risada baixa logo que meus olhos reconhecem a frase formada por aquelas palavras. Não é exagero nenhum quando digo que as pessoas do clã são as únicas que entendem o que eu vivo todos os dias, e as únicas que sabem como me ajudar. Deixo o celular sobre o móvel ao lado da cama e me levanto, buscando no fundo das gavetas de minha escrivaninha por alguma das minhas lâminas. A primeira que aparece é uma que pertenceu a um velho apontador.

 

Vai ser ela mesmo.

 

Vou até o banheiro, como normalmente faço, e tranco a porta depois de fechá-la. Acho que minha mãe nem está em casa, mas me habituei a fazer sempre da mesma forma, e seguir uma ordem me deixa mais confortável sempre que vou fazer isso.

 

O próximo passo em ordem é pegar alguns pedaços de papel higiênico. Já experimentei pegá-los apenas depois, mas o sangue que escorre dos meus cortes acaba sempre sujando minhas roupas ou o chão, o que é extremamente problemático - especialmente com as roupas. Então tomo por lei que devo pegar o papel antes de me sentar, para me limpar antes de me levantar.

 

Com o papel em mãos, eu me sento no chão mesmo. Acho mais confortável apoiar as costas contra a parede; coisa que não tem como fazer se me sentar sobre o vaso. Deixo os pedaços de papel ao meu lado e então foco na lâmina que trouxe comigo. Ela me acompanha há bastante tempo, já me ajudou a deixar ir embora muito da dor e da mágoa que se acumula diariamente em mim. É uma grande amiga.

 

Então eu ergo as barras do tecido da minha calça de moletom, exibindo meus tornozelos, para depois fechar as pernas em borboleta - dobradas, com os dois pés juntos no centro, exibindo assim o interior de minhas pernas. Depois, finalmente, seguro a lâmina com firmeza, levando-a primeiro ao meu tornozelo esquerdo; tudo porque, como sou destro, é mais fácil e limpo cortar o lado esquerdo primeiro, assim minha mão fica longe do sangue dali enquanto corto o direito.

 

Quanto mais limpo, melhor. Quanto mais bagunçado, mais problemático. Foi o que aprendi ao longo do tempo.

 

Pressiono a lâmina contra a minha pele e a arrasto com a mão firme, fazendo um corte reto e preciso, muito diferente dos primeiros que já fiz; com as mãos inexperientes, trêmulas e hesitantes, os cortes sempre ficavam tortos e mais feios que o necessário, e nunca sangravam por igual. Era estranho, além de que doíam bem mais, do jeito errado.

 

Agora eles doem do jeito certo. É uma ardência profunda e latente, muito diferente do ardor superficial que ficava antes em algumas áreas. Agora sinto meus vasos sanguíneos pulsarem enquanto o sangue escapa para fora, como se a cada pulso, um pouco de mim mesmo fosse embora, e isso é tudo de que realmente preciso.

 

Depois do primeiro corte, tiro a lâmina dali e vejo meu sangue emergindo em pequenas gotículas, que se unem e se tornam gotas maiores. Pressiono novamente a lâmina, e faço o segundo corte, formando a segunda aresta do triângulo. Novamente, o pulsar dos meus vasos e a ardência latente faz com que eu me sinta mais leve, e consigo até respirar fundo em alívio. Então, finalmente, repito o mesmo processo em outro ângulo, completando assim o primeiro triângulo.

 

Três lados. Não muito iguais, mas retos e precisos. Um triângulo bem bonito.

 

Não limpo meu tornozelo imediatamente. Gosto da visão das gotas colorindo o desenho que acabei de fazer, então deixo que continuem enquanto passo minha atenção para meu tornozelo direito.

 

Um.

 

Dois.

 

Três.

 

Três lados. Não muito iguais, mas retos e precisos. Outro triângulo bem bonito.

 

Agora tenho dois triângulos escalenos, tingidos de vermelho como aquarelas em minha pele. Cada gota que os colore está pesada, carregando uma parte de mim que eu há muito queria jogar fora.

 

Antes de me limpar, lembro-me de pegar meu celular, deixado no chão ao meu lado, para registrar que realizei a tarefa de hoje. O aplicativo do clã ainda está aberto, preciso apenas acionar a câmera e focalizar meus tornozelos, e então tiro a foto, direcionando-a para a aba da quarta tarefa.

 

Só depois disso é que pego o papel higiênico, dividindo a tira em duas, pressionando uma contra cada um dos triângulos que acabei de fazer. Seguro-as ali por alguns segundos, com força e paciência para parar o sangramento, e depois de ter certeza de que realmente parou, jogo o papel no vaso, dando a descarga para que não fiquem evidências do que fiz.

 

Por fim, levanto-me do chão e alcanço o rolo de esparadrapos que tenho guardado atrás de todas as minhas toalhas, junto de um maço de algodão. Sei que ainda irei sangrar um pouco, e não posso sujar minhas roupas, por isso faço dois pequenos curativos, cada um cobrindo um triângulo. E só depois de me certificar se fiz tudo certo, destranco a porta do banheiro e saio dali, guardando a lâmina de volta na gaveta que deixei aberta antes.

 

Confiro a hora na tela bloqueada do celular, e vejo que são dez e dezessete. Decido que vou me trocar rapidamente e ir para a aula, antes que minhas faltas acabem notáveis e cheguem ao conhecimento de minha mãe.

 

Obviamente, há uma tonelada de mensagens de Taehyung e Jimin perguntando se estou bem, então antes de me trocar, deixo uma mensagem para ambos.

 

Eu: Perdi a hora >< Chego no final do intervalo!

 

Enviada a mensagem, deixo o celular sobre a cama e me concentro em me arrumar para ir para a escola.


Notas Finais


Me sigam no Twitter :) @ineedyoukook

Se você se identificou com qualquer coisa lida neste capítulo, saiba que você é incrível e importante, e que eu te amo!
Minha DM tá sempre aberta pra quem quiser desabafar, e eu recomendo fortemente que busque ajuda profissional. Você vale a pena!

Enfim, espero que tenham gostado, que tenha valido a pena esperar por esse capítulo, e que aguardem pelo próximo com carinho.
Não deixem de dizer o que estão achando ;v;

Boneco de Cera
https://spiritfanfics.com/historia/boneco-de-cera-7235026

Aquarela dos Seus Olhos
https://spiritfanfics.com/historia/aquarela-dos-seus-olhos-9471950

Amo vocês <3 Até a próxima~


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