História O Colecionador de Fios - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Chanyeol, D.O, Sehun, Xiumin
Tags ?2concursoexofanfics?, Chansoo, Dtehospital, Sesoo
Exibições 50
Palavras 4.983
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Musical (Songfic), Slash, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olaaaaaaa, chegou uma das integrantes do bonde dos atrasados.
Bom esse é o primeiro concurso que participo em toda minha vida, não se assustem com a minha inexperiência hahaha
Boa Leitura.

Capítulo 1 - Damnatorum


Kyungsoo acordou atordoado com o barulho estridente do despertador que as quatro da manhã ladrava sem parar avisando-o que havia chegado a hora de um importante compromisso. Sair naquele horário enfrentando a fria madrugada de Portland não parecia muito convidativo; mas tinha uma encomenda grande para entregar, algo que não poderia mais esperar.

 

Escorregou para dentro do casaco mais grosso e pesado que habitava em seu closet e em seus pés calçou várias meias e uma bota de couro para proteger seu pequeno e aparentemente frágil, corpo do frio. Em uma mochila preta acomodou sua carteira, notebook, bem como o uniforme que precisaria vestir quando assumisse o posto de enfermeiro chefe de um dos maiores hospitais do estado do Maine, daqui a exatas uma hora e cinquenta minutos.

 

Desceu as escadarias de vidro de seu luxuoso apartamento, se encaminhando de forma ágil até a saída, em sua "profissão" pontualidade era essencial, um deslize e tudo iria por água abaixo, e Do Kyungsoo não era do tipo que tolerava erros, consequentemente para ele, não existiam objeções que justificasse qualquer deslize que o mesmo pudesse cometer. 

 

Assim que saiu do elevador que o levou até o térreo do prédio, destravou seu carro e entrou dentro do mesmo, largando sua mochila no banco traseiro, saindo em alta velocidade logo em seguida, afinal precisava chegar logo ao seu destino, o famoso porto de Portland. 

 

Kyungsoo cruzava as ruas da cidade a 120 k/h, sem se importar com sinais vermelhos ou qualquer outra coisa que tirasse sua atenção de seu objetivo principal. No som do carro Welcome To The Jungle - Guns N' Roses, ecoava pelo ambiente no volume máximo, o menino Do gostava daquela música porque para ele a mesma era a espécie de uma síntese de sua vida de tempos atrás, tempo em que sua vida era uma selva cheia de perigos, tendo que lutar com todas as suas armas para sobreviver, mas graças a sua perspicácia conseguiu vencer todas as dificuldades e hoje era como um verdadeiro rei. Kyungsoo não era mais como um menininho assustado perdido na selva, agora ele era como um trem da noite, pronto para destruir e queimar.

 

Assim que chegou ao porto, guiou o carro por entre aquelas espécies de ruelas tentando se aproximar ao máximo do ponto de encontro combinado mais cedo. Estacionou o veículo e desceu do mesmo amaldiçoando o tempo volúvel da Costa do Maine, ao perceber que o céu avisava que uma chuva cairia daqui há alguns minutos. 

 

— Do Kyungsoo, a quanto tempo. — Ecoou por entre os ouvidos de Kyungsoo uma voz conhecida, quebrando o silêncio da fria e pacata madrugada. 

 

— Ramirez, é realmente um prazer revê-lo. — Disse Kyungsoo virando-se para encarar a face envelhecida do velho parceiro de negócios. 

 

— Então, tem algo bom para mim dessa vez? — Indagou o velho.

 

- Quando eu não tenho? — Respondeu Kyungsoo sorrindo ironicamente, abrindo o porta malas do carro, revelando as várias caixas que trazia consigo.

 

Ramirez se aproximou apenas o suficiente para alcançar uma das caixas, verificando superficialmente o material que havia encomendado a Kyungsoo. O velho pigarreou, franzindo o cenho em seguida, parecendo avaliar de forma bastante crítica o material lhe oferecido, irritando assim, o impaciente e atarefado Do.

 

— Daqui à exatas uma hora eu preciso estar no hospital. - Disse Kyungsoo, verificando as horas em seu relógio de pulso, tentando evidenciar a sua pressa.

 

— Você é um rapaz bastante hábil, quem imaginaria que um mero enfermeiro é um dos maiores contrabandistas de medicamentos dos Estados Unidos Da América, realmente um disfarce perfeito.

 

— Você tem certeza que quer ficar aqui desperdiçando a "porra" do meu tempo tagarelando sobre minhas habilidades especiais? Porque eu realmente não estou disposto.

 

— Alejandro, venha até aqui, leve essas caixas para o carro. — Ordenou o velho a um de seus capangas que o acompanhava.

 

— Espero que possamos nos ver mais frequentemente. — Disse Ramirez, sorrindo exibindo seus dentes amarelados.

 

— Se algum dia eu me cansar do frio de Portland, não hesitarei em passar uma temporada no México. — Disse Kyungsoo, forçando uma simpatia que geralmente não carregava consigo.

 

— Eu esperarei. — Disse o outro, apertando a mão do mais novo e lhe entregando uma maleta prata abarrotada de dólares. 

 

— A propósito, Alejandro deixou em seu porta-malas algo de seu interesse considere isso como um agrado de um velho amigo. — Disse Ramirez, lançando a Kyungsoo um sorriso condescendente. — Agora eu tenho que ir, você sabe o meu tempo é curto.

Do viu o mais velho se virar e sair acompanhado de seus “funcionários”, logo se ocupou em ver o que havia dentro da nova caixa que seu carro guardava, apesar de já imaginar do que se tratava. Abriu a mesma e confirmou suas suspeitas, a caixa estava abarrotada até o topo de um fármaco narcótico muito semelhante a morfina, porém cem vezes mais potente. Ao invés de aliviar dores severas, aquele liquido transparente contido naqueles pequenos vidros, era capaz de aliviar as dores de uma pessoa para todo o sempre, e o melhor, sem deixar rastros, o que era perfeito para um sorrateiro colecionador de fios.

 

 

 

¬¬

 

 

As seis horas da manhã Kyungsoo bateu ponto, dando início a sua jornada de doze horas seguidas como enfermeiro chefe do Maine Medical Center. Enquanto andava por entre aqueles extensos corredores, à primeira vista Kyungsoo não passaria de um enfermeiro dedicado, que levava uma vida tão simples quanto sua aparência demonstrava. O fato é que por trás da aparência de “bom moço” se escondia um criminoso frio e cruel, que contrabandeava todos os tipos de fármacos para várias partes do mundo, negociando principalmente com traficantes de órgãos que necessitavam dos medicamentos para fazer suas cirurgias clandestinas. 

Incapaz de reter qualquer sentimento de culpa, sua frieza o levou cada vez mais longe, destruindo, matando e condenando para alcançar seus objetivos. Com o tempo, se firmou como um dos maiores contrabandistas que o EUA já havia visto, nutrindo ainda mais a sensação de domínio de tudo e todos que o menino Do carregara consigo desde que se reconhece como um ser vivente. Assim sendo, tinha o total direito de tomar decisões por todos, afinal, se Deus não existe, Kyungsoo sim, e ele é quase um.

— Bom dia senhor Do — Cantarolou a sempre sorridente Emilly, ao ver o mesmo entrando na ala de urgência e emergência.

 

— Bom dia minha cara Emilly, como estão as coisas por aqui? — Indagou Kyungsoo, cordialmente.

 

— Por enquanto tudo está tudo correndo na mais perfeita tranquilidade. – Inferiu Emily, incapaz de imaginar o que estava por vir.

 

— Senhor Do, um engavetamento acaba de acontecer nas vias de acesso à cidade, envolvendo onze carros e um caminhão que transportava gás tóxico, os feridos estão sendo enviados para cá neste exato momento. — Disse Kim Minseok, o novo e apavorado estagiário.

— Certo, mobilize todos os enfermeiros, médicos e anestesistas disponíveis. — Ordenou Kyungsoo, que teve sua vontade atendida quase que de me imediato.

 

Assim que as palavras deixaram a boca de Kyungsoo, o som da sirene de várias ambulâncias invadira os ouvidos de todos os presentes, anunciando o caos que aquele hospital enfrentaria. Logo várias macas contendo pessoas feridas invadiram o local, quebrando o silêncio por completo. 

 

— Emilly, prepare as pulseiras de risco e me acompanhe. — Disse Kyungsoo, que logo iniciou sua apressada caminhada por entre as várias macas, logo seguido por Emilly. 

 

— Relatório inicial? — Indagou Kyungsoo ao socorrista. 

 

— Sarah Roberts, 33 anos, ferimento profundo na cabeça, possível traumatismo craniano. — Respondeu-lhe o socorrista, esbaforido e suado.

 

— Ok, pulseira vermelha. Heiden! Avise o centro de traumatologia. — Gritou Kyungsoo para o outro enfermeiro que se encontrava do outro lado da sala, realizando o mesmo procedimento que Do.  

 

— Próximo. — Disse Kyungsoo, ao se aproximar de outra maca, que dessa vez guardava o corpo de um jovem cheio de escoriações pelo corpo.

 

— Park Chanyeol, 23 anos, ele afirma não estar sentindo suas pernas.

 

— Certo, Chanyeol eu sou o enfermeiro Do Kyungsoo, consegue me enxergar e me ouvir bem? — Questionou Kyungsoo, direcionando um olhar terno ao jovem choroso e assustado, tentando lhe transmitir calma.

 

— Sim, mas não sou capaz de sentir minhas pernas, faça alguma coisa eu preciso delas, eu sou um atleta, eu preciso delas. — Disse o jovem, entrado em um estado de colapso nervoso agarrando Kyungsoo pela gola de seu jaleco e o sacudindo com força.

 

— Senhor Park por favor se acalme, faremos o possível para que o seu bem estar seja completamente reestabelecido. — Disse Kyungsoo sem em nenhum momento perder a compostura.

— Vocês sempre dizem isso, seus inúteis! É por isso que odeio hospitais, malditos médicos! — Berrava Chanyeol enquanto era levado para a ala de ortopedia do hospital que era integrada ao centro traumatológico.

 

Logo os berros de Park Chanyeol tornaram-se inaudíveis, e Kyungsoo continuou sua sabatina, despachando os pacientes mais graves para as suas áreas correspondentes e realizando alguns procedimento simples de emergência nos pacientes de situação menos grave. Kyungsoo gostava da sensação de ter a vida daquelas pessoas em suas mãos, sabendo que se demorasse talvez um segundo a mais poderia ser tarde demais, por isso escolhera aquela profissão para mascarar suas reais atividades. Dessa forma trabalhar naquele hospital não era como carregar um grande fardo em suas costas, mas sim, uma forma muito divertida de fazer novas vítimas de suas exóticas vontades.

 

 ‘Enfermeiro Do Kyungsoo, a doutora Hans solicita com urgência sua presença no centro de pediatria.’

 

Kyungsoo ouviu o chamado que ecoava pelos alto falantes espalhados por quase todo o hospital, e saiu da ala de urgência e emergência apressadamente, até ter seus passos rápidos interrompidos por um forte puxão que recebera. Sehun arrastou Kyungsoo por alguns metros trancafiando os dois dentro de uma sala minúscula que guardava materiais de limpeza. O calculista Kyungsoo bufou para Sehun indicando que o que o mais novo havia feito era um ato muito muito falho, digno de punição.

 

— Você perdeu o juízo? O que acha que irão pensar se pegarem o enfermeiro Do trancado na sala de limpeza junto com o doutor Oh Sehun.

 

—Tudo, menos que estamos aqui acertando os últimos detalhes de um assalto a um navio cargueiro lotado de fármacos, Kyungsoo você pode parar com a sua neurose compulsiva por pelo menos um minuto? — Exigiu Sehun. 

 

— Foi essa maldita neurose compulsiva que me deixou rico, foi o meu perfeccionismo exacerbado que me transformou em um Deus. É por isso que todos dos dias me pergunto porque ainda permito que trabalhe junto comigo, você consegue ser pior do que mais desastrado de meus assaltantes. — Disse Kyungsoo, esbanjando toda a sua prepotência.  

 

— Talvez porque eu seja o corpo que você adora arranhar e agarrar, talvez porque seja o meu nome que você adora gemer a noite toda. — Provocou Sehun, roubando um selar de lábios de Kyungsoo. 

 

— Acho melhor parar com a graça — Disse Kyungsoo, empurrando Sehun contra a prateleira repleta de utensílios de limpeza. — Ou você quer ter uma bela parte do seu corpo adicionada a minha coleção? — Indagou Kyungsoo, em um tom ameaçador.

 

— É claro que não. — Disse Sehun abaixando a cabeça e tremendo ao lembrar-se da bizarra estante que Kyungsoo adorava polir durante suas horas vagas. 

 

— Bom menino. — Disse Kyungsoo, afagando os cabelos e Sehun em seguida puxando-os obrigando Sehun a se inclinar, assim sendo capaz de depositar um beijo demorado e avido nos lábios do mais jovem.

 

— Avise aos outros que é melhor serem impecáveis esta noite, pois dessa vez não tolerarei erros, e você sabe o que eu faço com aqueles que erram não é mesmo Hunnie? — Disse Kyungsoo, destrancando a porta e se esvaindo do local como se nada tivesse acontecido. 

 

 

 

¬¬

 

 

O plantão de Kyungsoo já estava quase acabando e depois daquele dia infernal no hospital, tudo que queria era ir para casa tomar um bom banho e se jogar na cama, mas não para dormir e sim para ficar monitorando através do notebook e um celular cada passo de seus comparsas. Além do mais ele era o líder e o arquiteto de cada plano, cada assalto, entrega de encomenda, era ele quem comandava absolutamente tudo, dessa vez não seria diferente, pelo menos era o que ele esperava, até receber uma ordem nada conveniente. 

 

— Eu preciso que você cubra o turno da noite. — Disse Doutor Kester, chefe da ala de traumatologia.

— O que? Mas eu passei o dia inteiro aqui. — Inferiu Kyungsoo, sentindo uma indignação descomunal, não por ser injusto trabalhar por mais de doze horas seguidas, mas sim por ter seu plano meticulosamente arquitetado atrapalhado por um qualquer por conta de qualquer coisa.

— Eu sei Kyungsoo, sei também que é definitivamente errado pedir isso para você um cara que sempre executa suas funções diligentemente, mas hoje por conta desse acidente terrível que ocorreu pela manhã a ala de traumatologia está repleta de pacientes em estado grave, eu não quero deixa-la nas mãos de um enfermeiro inexperiente, sim?

— Claro, eu entendo, e agradeço muito sua total confiança em mim e no meu trabalho. — Disse Kyungsoo, forçando um sorriso mais uma vez naquele dia. 

— Eu que agradeço por sua compreensão. — Disse Kester, afagando um dos ombros de Kyungsoo, e saindo em seguida.

 

Apesar de se sentir fatalmente irritado por ser obrigado a ficar preso naquele hospital ao invés de fazer coisas mais importantes, prometeu a si mesmo que aquela noite não seria desperdiçada, e que talvez aquele fosse um chamado do destino o convidando para uma festa recheada de pura satisfação e prazer, porque sim, para Kyungsoo nem mesmo o próprio sexo era mais prazeroso do que ver a vida de alguém se esvaindo por entre seus olhos. 

 

 

¬¬

Quando seu turno chegara ao fim, Kyungsoo ganhara o direito a uma hora de descanso antes de iniciar seus trabalhos na ala traumatológica. Aproveitou para avisar a Sehun que não poderia monitorar a ação de logo mais por conta das horas extras que fora obrigado a fazer, deixando para o amante o trabalho de liderar toda a ação, pois apesar de não falar/demonstrar Kyungsoo sabia que Sehun era de extrema confiança afinal o mesmo praticamente o venerava e sempre atendia a todos os seus pedidos/ordens.

Após a rápida conversa que tivera com Sehun Kyungsoo se dirigiu para o vestiário dos enfermeiros, onde os mesmos iam para trocar de roupa, descansar, comer e banhar-se; ávido por uma boa ducha Do logo despiu-se e enfiou-se debaixo do chuveiro tomando um longo e relaxante banho, podia até mesmo sentir os nós de seus dedos se desfazendo e seus músculos se livrando de toda a tensão acumulada durante o dia. 

Terminou seu banho e apenas com uma toalha enrolada em seu corpo encaminhou-se até o seu armário, abrindo o mesmo e sorrindo enquanto fitava o presente que Ramirez havia lhe dado mais cedo, guardado ali, no meio de seus pertences. Seus olhos brilharam quando imaginou que poderia voltar a fazer o que tanto amava agora que seu estoque estava renovado. Tentado por seu desejo de injetar aquele liquido em alguém, Kyungsoo pegou uma seringa e despejou ali o material contido em um dos vários pequenos vidrinhos, observando com grande pesar a seringa gotejando o liquido que lhe proporcionava tanto prazer. 

Quase como se um sétimo sentido estivesse lhe avisando de um perigo eminente Do sentiu uma presença além da sua naquele vestiário virando-se rapidamente para encarar um Minseok que carregava consigo um olhar curioso mas ao mesmo tempo assustado.

— O que é isso senhor Do? — Disse a rapaz de pele alva apontando para o objeto que Kyungsoo segurava em sua mão. 

— Meu doce Minseok você quer mesmo saber o que é isso?  — Disse Kyungsoo mordendo o lábio e se aproximando lentamente do menino Kim.

— Sim, eu gostaria de saber o que tem dentro dessa seringa. — Disse Minseok, cada vez mais envolvido pelo jogo corporal que Kyungsoo, como um bom manipulador, sabia executar com perfeição, afim de envolver mais e mais o alvo em sua conversa barata.

— Eu não deveria fazer isso Minseok, mas o destino te mandou para cá neste exato momento, quem sou eu para contrariar ordens de forças superiores?

— Do que você está falando? — Disse Minseok, sentindo toda sua curiosidade se esvair, dando lugar somente ao medo que sentira quando firmou seus olhos no olhar gélido e sem vida de Kyungsoo.

 

Kyungsoo gargalhou ao notar que Minseok tentava institivamente se afastar dele, mas o fato era que ninguém jamais poderia fugir das teias de Do, nada era mais pegajoso e envolvente, você sabia que iria morrer, mas mesmo assim fazia questão de aceitar o veneno que o outro lhe oferecia, porque Do tinha a capacidade de te fazer acreditar que a morte é boa e que a vida na verdade não tem o menor sentido ou graça.

 

— Não vai doer nada, eu prometo. — Disse Kyungsoo, finalmente encurralando Minseok como um caçador encurrala sua presa, levando os seus lábios gélidos até a testa de Minseok depositando ali um “beijo de boa noite” como sempre fizera. O pequeno e frágil Minseok a essa altura já suava frio, sentindo sua respiração falhar e seu corpo sucumbir aos encantos de Do.

— Senhor Do... — Sussurrou Minseok.

— Shihhhhhh — Disse Kyungsoo, unindo seu rosto suado ao de Minseok, e inserindo a seringa lentamente na jugular do menino Kim.

 

Kyungsoo já sabia o que aconteceria dali para frente, por ter feito a inserção na veia jugular o liquido se espalharia mais rápido pelo corpo de Minseok, o possibilitando uma morte igualmente rápida, ideal para o lugar e situação em que se encontravam. Minseok foi escapando das mãos de Kyungsoo lentamente ao deslizar suas costas pelos armários por simplesmente não sentir mais forças em suas pernas. Seus olhos se dilataram e o ar se tornara como um gás toxico a qual Minseok não conseguia de forma alguma inalar.

 

— Senhor Do por favor me salve, eu estou morrendo, o que você fez? O que está acontecendo? — Disse Minseok agarrando-se as pernas de Kyungsoo como se o mesmo fosse sua fonte de vida, sua última esperança, sim, esperança.

 

— Eu não ofereço salvação, apenas redenção. — Disse Kyungsoo, soltando os magros braços de Minseok de si, e o forçando a deitar-se no chão.

As batidas do coração de Minseok estavam tornando-se progressivamente mais lentas, já não era mais capaz de enxergar o lugar onde estava, e o senhor Do havia se tornado apenas um vulto indistinguível. Sua pele que estava quente resfriou-se em segundos e de repente não era mais capaz de sentir o atrito de seu corpo com o chão, e com o último sentido que ainda lhe restava ouvira as últimas palavras de sua vida.

 

— Boa noite Kim Minseok.

 

 

 

¬¬

 

 

 

 

 

— Eu não acredito que você fez isso, como você pode agir de forma tão leviana Kyungsoo. — Disse Sehun, que caminhava por entre os corredores do hospital ao lado do amante, despejando toda sua frustração de forma discreta para não chamar a atenção dos outros.

 

— Eu não agi de forma leviana Sehun, tomei todos os cuidados que costumo tomar, e como sempre nunca descobrirão nada.

 

— Nada além de alguns fios recentemente cortados não é mesmo. — Disse Sehun, fazendo com que Kyungsoo parasse abruptamente de caminhar. — Onde estão?

 

— Sehun ninguém nunca descobrirá que estão comigo, que eu os peguei, que os cortei porque tenho fascínio em fazer isso. — Disse Kyungsoo se esforçando ao máximo para não perder o controle e começar a gritar ali mesmo na frente de todo mundo. — Agora vá para casa tome um banho e faça seu trabalho direito.

 

— Onde você está indo? — Questionou Sehun, segurando o braço de Kyungsoo para que o mesmo não se esvaísse.

 

— Para a ala de traumatologia ora, você sabe muito bem que o meu plantão esta noite será exclusivamente lá.

 

— Kyung, o hospital já estava um caos por conta do acidente ocorrido esta manhã e ainda por cima acabaram de encontrar um de nossos enfermeiros morto no vestiário, você acha mesmo que precisa cumprir este plantão? — Repreendeu Sehun.

 

— Porque eu não cumpriria? Eu não sei se você sabe mas... eu não tenho nada a ver com isso. — Disse Kyungsoo sorrindo e continuando sua caminhada logo em seguida.

 

 

¬¬

 

 

 

Após mais alguns minutos de caminhada Kyungsoo pegou o elevador, finalmente chegando ao 6° andar do enorme prédio, onde Kester lhe esperava atordoado por conta da notícia que recebera de que haviam encontrado um dos enfermeiros do hospital morto no vestiário masculino.

 

— Kyungsoo! Graças a Deus ­— Exclamou o experiente médico ao ver Kyungsoo adentrando o ala traumatológica.

 

— Eu sei que me atrasei e sinto muito por isso, mas eu não pude deixar de chocar-me por conta da notícia da morte de Minseok, consequentemente parei para lamentar o ocorrido na presença de um amigo. — Justificou-se Kyungsoo.

 

— Sim, eu entendo perfeitamente, afinal me sinto igualmente abismado.  O importante é que você chegou; nós temos dez pacientes gravemente feridos, este número pode aumentar caso algum paciente saia do CTI o que eu acho pouco provável neste curto espaço de tempo. Dentre estes dez pacientes que você irá supervisionar quero que dê uma atenção especial a Park Chanyeol, a pouco confirmamos sua paraplegia irreversível para o mesmo, e ele se encontra a beira de um colapso, o que é perigoso no estado frágil em que se encontra. — Advertiu Kester.

 

— Certo, darei atenção especial ele.

 

— No quarto de cada paciente encontram-se as fixas com informações e os remédios que você deve aplicar durante o resto da noite e toda a madrugada, e não se preocupe com desgaste físico, eu conversei com o diretor e o mesmo lhe concedeu dois dias de folga. — Disse Kester, sorrindo alegremente.

 

— Muito obrigado por sua benevolência. — Disse Kyungsoo curvando-se para o mais velho.

 

— Sabe eu adoro esse costume asiático de se curvarem para agradecer ou cumprimentar as pessoas, maravilhoso. — Disse Kester, saindo apressadamente logo em seguida.

 

Kyungsoo fitou a movimentação do local por um tempo, a ala estava tranquila, a maioria dos médicos ou já haviam ido embora ou estavam se preparando pra fazê-lo. Do calmamente visitou todos os quartos verificando a ficha dos pacientes anotando em um bloco os remédios que precisaria aplicar em cada interno. Após uma ida rápida até a farmácia do hospital, Do retornara aos quartos com um carrinho, próprio para o serviço, lotado de soros, seringas, analgésicos, curativos e mais uma infinidade de fármacos que aplicaria nos pacientes.  

E assim começou o seu trabalho de forma dedicada e cuidadosa, trocando curativos, aplicando soros e remédios para dores. Com sua incrível capacidade de mascarar sua verdadeira personalidade, Do conversava com os acompanhantes dos pacientes sempre tentando transmitir a tranquilidade necessária para momentos delicados como este. Toda essa dedicação sempre lhe rendia elogios vindo de mães preocupadas com seus filhos que agradeciam ao enfermeiro como se o mesmo fosse o portador do dom da cura capaz de salvar seus entes queridos.

 

 

Dessa forma para Kyungsoo não existia outro destino a não ser o triunfo.

— Boa noite senhor Park, como se sente? — Disse Kyungsoo adentrando o quarto do nervoso e barulhento paciente de mais cedo.

 

— Como as pessoas se sentem em um hospital? Não faça perguntas estúpidas. — Disse Chanyeol com a cara emburrada.

 

— Certo. Bom eu vim aplicar os remédios e trocar seus curativos. Vamos começar com a limpeza de seus machucados, huh? — Disse Kyungsoo cordialmente.

 

— Cuidar dos ferimentos me fará voltar a andar? Ou dentro desse carrinho tem algum remédio milagroso que faça isso? Se não, não encontro motivos para curar o resto. Eu agora sou um condenado. — Disse Chanyeol derramando lágrimas enquanto se questionava o porquê de tamanha desgraça ter lhe acometido desta forma.

 

— Isso chore, ficar paraplégico realmente é uma desgraça, ainda mais para um atleta como você. — Disse Kyungsoo dando início aos jogos ao perceber que Chanyeol era claramente uma presa fácil.

 

— O quê? — Indagou Chanyeol, surpreso pelo comportamento do enfermeiro.

 

— Eu conheço você, sei que é um dos astros de um time de basquete lá para as bandas de Nova York. Imagino que todos ficarão chocados quando tomarem conhecimento de sua condição.

 

— Você quer me desesperar ainda mais? Você quer terminar de me matar? Você é um enfermeiro deveria estar se ocupando em me salvar não o contrário.  — Disse Chanyeol arregalando seus grandes olhos, indicando sua irritação.

 

— Não sou do tipo de enfermeiro que se utiliza de eufemismos para tranquilizar meus pacientes, lidar com a realidade pode ser bem mais difícil, mas é a melhor forma de se acostumar mais rápido com ela e seguir em frente... ou não. — Disse Kyungsoo fitando os grandes olhos de Chanyeol, lhe sorrindo de forma travessa em seguida.

 

— Você é mau, seus olhos e seu sorriso te entregam, te denunciam. — Disse Chanyeol após um bom tempo fitando as expressões faciais do enfermeiro enquanto o mesmo tratava de suas feridas.

 

— Você também não me parece ser boa pessoa, pois se fosse este hospital estaria cheio de pessoas preocupadas com o seu estado de saúde, e até agora o número de pessoas que vieram procurar por você é nulo. — Disse Kyungsoo soltando uma risada em escarnio. — Aposto que você é daquele tipinho rico e famoso, que carrega consigo apenas arrogância e prepotência, além do peso de seu próprio ego.

 

— Nossa você parece tão bom em julgar Do Kyungsoo. — Disse Chanyeol levando uma de suas mãos até o crachá do mesmo fitando o nome e a foto ali expostos.

 

— Eu também sou muito bom em decidir, e ao contrário do que você pensa eu não sou uma má pessoa, pessoas más não oferecem aos condenados uma forma de se libertarem do mal que sofrem. — Disse Kyungsoo, largando os curativos e partindo para a aplicação dos remédios, como se o que falasse fosse algo naturalmente normal.

 

— Engraçado, você fala como se tivesse poder sobre alguma coisa. — Disse Chanyeol, balançando a cabeça em negação. — Você é apenas um enfermeiro, ponha-se no seu lugar.

 

— Eu posso te dar aquilo que você tanto deseja neste momento... Chanyeol. — Disse Kyungsoo sussurrando no ouvido do outro, fazendo com cada pelo do corpo de Park se arrepiasse.

 

— Como pode ter tanta certeza do que eu quero Kyungsoo? — Disse Chanyeol, agarrando-se aos cabelos de Kyungsoo impedindo-o de afastar.

 

— Você era um atleta em ascensão, agora não passa de um invalido, eu sei e até as paredes deste hospital sabem que você preferia ter morrido naquele acidente do quer ter que viver neste estado deplorável.  — Disse Kyungsoo, em seguida se esforçando para se soltar das mãos de Chanyeol, quando finalmente conseguiu se afastar vários fios de cabelo do menino Do foram arrancados pelas mãos de Chanyeol, e então Kyungsoo fitou aqueles fios nas mãos do outro sentindo a necessidade de acabar logo com aquilo.

 

— Você tem razão eu desejo profundamente morrer, mas não somente por estar paraplégico, na verdade eu venho desejando morrer a muito tempo. — Disse Chanyeol sentindo uma profunda necessidade de desabafar com o estranho enfermeiro. — Eu vim de Seul para Nova York quando meus pais morreram, eu tinha só dezessete anos, cacete, eu não tinha que passar por isso, adolescentes não tinham que passar por este tipo de merda. Meu tio me convidou para vim para os Estados Unidos viver com ele, e bem, eu não tinha muita opção. Eu pensei que nunca mais voltaria a sorrir, meus pais eram os melhores pais do mundo sabe, eles eram tudo para mim, portanto ser obrigado a viver sem eles era um martírio. Foi quando Kris apareceu para mim, como um anjo saca?

 

— Quem é Kris? — Indagou Kyungsoo, curioso com a história do rapaz.

 

— O cara que me tirou do buraco, me apresentou o esporte, o cara por quem eu me apaixonei perdidamente. Mas a vida ama me foder, você sabe porque eu estava em Portland? eu estava no enterro do Kris o meu Kris, como que pode isso? Ele era tão jovem, tão cheio de sonhos.

 

— Eu sinto muito. — Disse Kyungsoo, enxugando com as mãos as lágrimas de Chanyeol, sentindo um estranho e desconhecido calor em seu coração, seria compaixão?

 

— Eu sobrevivi as morte de meus pais, mas não sobreviverei sem ele, você me entende? Eu não conseguirei, não dá, é inviável.

 

— Eu entendo.

 

— Portanto já que você pode me livrar de minha dor, por favor me liberte, me liberte. — Disse Chanyeol sem conseguir parar de chorar.

 

— Eu posso te livrar, farei isso por você. — Disse Kyungsoo, tirando do bolso de seu jaleco a seringa que já havia preparado antes de sair dos vestiários.

 

Chanyeol fitou o liquido contido naquela seringa, e tudo que conseguiu enxergar ali foi uma porta que o levaria direto para um mar de alívio, onde as águas curariam seu coração em pedaços. Muitos diriam que a morte não é a melhor solução, que sempre existe uma saída, uma salvação, mas Chanyeol não queria salvação, Chanyeol não queria seguir em frente; Chanyeol queria mergulhar em sua dor, sentir tudo que ela poderia lhe proporcionar até o momento que ela lhe consumiria por completo.

 

O momento havia chegado.

 

Kyungsoo pela primeira vez sentiu suas mãos tremendo enquanto fazia a incisão em Chanyeol, e quando todo o liquido havia sido inserido, Kyungsoo ocupou-se em observar sua vítima morrer, como sempre fizera. Chanyeol passou pelo mesmo processo que Minseok só que de forma mais lenta, mas igualmente indolor, e aos invés de Kyungsoo dizer as últimas palavras que sua vítima ouviria, dessa vez foi o contrário.

— Você é um condenado Do Kyungsoo, estará sempre acorrentado por seus vícios, por esse desejo que pulsa descontroladamente nas tuas veias, eu sei e até mesmo as paredes deste hospital também sabem. Mas não tiro sua razão, a morte realmente tem seus fascínios. — Disse Chanyeol sorrindo, e então finalmente fechando seus grandes olhos para sempre.   

 

Após um tempo absorvendo tudo aquilo, Kyungsoo deixou de lado todo aquele sentimentalismo que pela primeira vez na vida lhe acometera, e seguiu sua sina, angariando uma tesoura e cortando algumas mechas do cabelo de Chanyeol. Essa era a graça de morrer pelas mãos de Kyungsoo, você seria eterno enquanto sua estante carregada de vários potes de vidro com fios de cabelo, durasse. Mais tarde Chanyeol se juntaria a todos os outros que se foram por conta da porção mágica de Kyungsoo, onde seria eternamente amado por um exótico colecionador de fios.  

 

 


Notas Finais


Bom gente é isso.
Confesso que quando eu estava plotando a historia parecia bem mais legal,
no entanto agora não me sinto tão satisfeita assim.
Espero que a leitura não tenha sido tão tediosa.
Beijos e obrigada por ler :)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...