História O Cupido me odeia - Capítulo 3


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Categorias As Provações de Apolo (The Trials of Apollo), Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Eros (Cupid), Quíron
Exibições 13
Palavras 1.236
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Boa leitura!

Capítulo 3 - Beijos ruins


Estou caindo, despencando... Em direção ao mar. Grito, grito e grito, mas continuo caindo. Abaixo de mim, só se vê o azul escuro da água. Quando estou prestes a tocá-la, sinto alguém me sacudindo e acordo.

— Tia?!

— Você está bem? Estava gritando.

Suspirei e esfreguei os olhos. Minha cabeça doía muito.

— Foi só um pesadelo.

Ela me olhou preocupada e saiu do quarto. É assim todas as manhãs.

Esfreguei a cabeça que latejava de dor, fui ao banheiro e depois desci para cozinha, à procura de um analgésico. Foi quando a companhia tocou. Abri a porta, ainda com o copo d’água na mão depois de tomar o comprimido e...

— Daniel? O que você está fazendo aqui?!

Ele me olhou de cima abaixo com um sorriso malicioso. Eu estava só com uma blusa branca e uma calcinha box. Me inclinei para trás da porta, escondendo a parte debaixo do corpo.

— Não conte a ninguém que me viu assim!

— Por que? Você está sexy.

Ele foi entrando na casa, mesmo sem convite, e se aproximando de mim.

— Como você descobriu onde eu moro? – fui recuando até a bancada.

Ele dá de ombros. – Perguntei por aí.

Agora ele estava tão próximo que seu fedor de fumaça exalava para todo lado e estava difícil respirar.

— Daniel...

— O que? — sussurrou, com a voz inebriante.

— Você...

— Eu...?  — ele me prensou contra a bancada.

— Fede.

Ele parou e riu. Riu alto. Eu larguei o copo na bancada e o empurrei para longe, correndo até a janela á procura de ar puro.

— Clara?! — minha tia apareceu na cozinha. – Você está bem?!

A encarei já pensando no sermão que iria ganhar, mas ela parecia apenas preocupada. Ela não devia estar perguntando “quem é esse rapaz que estava quase te agarrando?”. Então olhei para Daniel, mas... Ele havia desaparecido.

— Clara? Fala comigo! – minha tia se aproximou e me sacudiu pelos ombros. – O que você tem?!

A encarei e em seguida senti tudo revirando no meu estômago. Corri para o banheiro e vomitei, com minha tia segurando meus cabelos. Passei o resto do dia de cama, até chegar à noite e me arrumar para sair com Tiago e Sabrina.

Todo sábado nós vamos ao cinema. Só tem um shopping na cidade, e é tão pequeno e sem graça, e cinema tão ruim, que os donos se veem obrigados a baixar o preço dos ingressos para dez a inteira e cinco a meia.

— Onde você pensa que vai? – minha tia perguntou.

— Sair com a Sabrina e Tiago. Cinema. Fazemos isso todo final de semana, há exatamente essa hora.

— Não, a senhorita não vai a lugar nenhum.

— Por que não?

— Por que você passou mal, Clara.

— Mas já estou melhor!

— É mesmo? E já se olhou no espelho? Está pálida feito um cadáver!

É verdade, eu percebi, mas quem se importa? Vai estar escuro lá! E hoje nós vamos assistir terror, o tema favorito do Tiago. E o melhor de tudo é que ele sempre segura a minha mão pra que eu não fique com medo, e quando tomo susto e o abraço, ele apenas ri ao invés de estranhar. Em que outra situação eu poderia ficar de mãos dadas e abraça-lo a hora que eu bem entendesse?

— Mas tia...

— Não.

Suspirei. Até parece que eu vou perder a oportunidade de contato físico com Tiago. Sem chance.

— Ok. Vou dormir então. Estou cansada.

— Ótimo. – ela suspirou já mais tranquila. – Quer tomar outro remédio pra dor de cabeça?

— Quero sim.

Deixo que ela me empurre um copo d’água com analgésico. A bem da verdade, minha cabeça ainda dói um pouco, mas desejo boa noite e vou para o quarto. Monto os travesseiros debaixo dos lençóis, pra dar a impressão de um corpo e então vou até a janela.

Como nossa casa só tem um andar, não foi difícil pular a janela e fecha-la por fora, sem trancar. E quando abri o portão simples de ferro, o fiz tão silenciosamente que quase não emitiu som. Caminhei até a praça, onde meus amigos estavam sentados à minha espera, discutindo. Sabrina, com seu cabelo channel ruivo super liso, olhos azuis aguados e aquelas sardas em torno do nariz. Tiago usava um moletom vermelho, jeans e All Star. O cabelo preto estava com mais caracóis do que nunca, por causa do vento. Como um ser humano pode ser tão lindo?

— Não sei, tem algo errado com aquele cara...  Ele não parece humano.

— Você acha que é um monstro? – perguntou Sabrina, em tom de confidência.

— Acho. Acho sim. E estou preocupado, ele anda cercando muito a Clara.

— Ou será que você não está com ciúmes?

— Fala sério, Sabrina! Quantas vezes vou ter que te dizer que eu e ela não temos nada a ver?

De repente Sab me viu e arregalou os olhos.

— O que foi?

Ela o cutucou e eles se viram pra mim. – Ah... Clara?

— Oi... – digo, sem emoção alguma.

— Er... vamos? – ele se levantou. – Nossa sessão começa daqui a pouco.

— Claro...

Sabrina me olhou com solidariedade, passou o braço pelo meu e começou a tagarelar, pra quebrar o gelo. Nós caminhamos até o shopping, que ficava pertinho da praça, e fomos comprar os ingressos. Eu já estava a ponto de mandar Sabrina calar a boca, por que ela não parava de falar, quando vi Daniel.

— E foi assim que eu cheguei à conclusão de que... Caramba, Clara, você está pálida!

Me lembro de como Daniel desapareceu de repente. Será que ele correu e eu não ouvi? Como ele fez isso tão rápido? E meu Deus, como ele está gato... Usa um suéter cinza e o cabelo preto está jogado de lado. E ele vinha na minha direção! Subitamente senti os dedos de Tiago se entrelaçando nos meus e olhei para ele irritada. Ele parecia... preocupado. Soltei minha mão da dele e fui cumprimentar Daniel.

— Oi, gatinha – disse ele, me abraçando.

Prendi a respiração, e quando ele terminou o abraço, tentou me beijar e de novo eu virei o rosto. Por que os lábios dele são tão gelados?

— Daniel – disse Tiago, passando um braço por sob os meus ombros. – Quer parar de dar em cima da Clara?

— Por que? Que eu saiba, vocês não tem nenhum compromisso.

— Temos sim.

— Que compromisso? – indago, me soltando dele.

Tiago me olha como se não soubesse o que dizer.

— Olha cara – Daniel ri. – Ela não parece muito á fim de você.

Tiago olhou para ele irritado e, se voltando pra mim, me beijou. Eu fiquei tão surpresa que nem tentei virar o rosto. E olha, não foi nada do que eu imaginei (tantas e tantas vezes). Eu estava tentando empurra-lo, mas ele me segurava pela cintura e eu não conseguia sair de seus braços. Parecia que ele estava tentando provar algo. Na verdade foi horrível. O pior beijo que já dei na vida. Finalmente consegui empurra-lo para longe e lhe dei um belo tapa.

— O que diabos deu em você?!

Tiago não respondeu. A bochecha dele tinha a marca vermelha da palma da minha mão. Me olhava espantado... meio decepcionado. Eu não entendi.

Então ouvimos a risada de Daniel. Ele se aproximou de mim, mas o empurrei também e saí andando, furiosa. Sabrina me chamou de volta, mas a ignorei. Chorei um pouco no percurso para a casa, admito, mas foi de raiva. Entrei pela janela e fui pra cama, sem conseguir dormir. Foi então que ouvi uma voz dizer na escuridão do meu quarto:

— Oi, gata...



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