História D E M Ô N I O - Capítulo 3


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Categorias Amor Doce, Originais
Personagens Ambre, Castiel, Dimitry, Iris, Leigh, Nathaniel, Nina
Visualizações 15
Palavras 1.520
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção Científica, Hentai, Luta, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Self Inserction, Sexo, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Eu já havia postado nessa estória e seu antigo nome era; O Demônio de Sara. Sara já não mais existe, pois fora um momento negro em minha vida, e, sim, eram dores e passares reais de minha vida. Estava eu com uma profunda depressão e tendo um acompanhamento psicológico, a terapeuta incentivou-me a escrever. Fedora ainda sou eu, com seus medos e falhas. Isso é um releitura do que estou vivendo. Espero que gostem, boa noite!

Capítulo 3 - Sem estrada restante: UM.


Fanfic / Fanfiction D E M Ô N I O - Capítulo 3 - Sem estrada restante: UM.

DEFRONTE A SEU INFERNO A MOÇOILA SE DELEITA NA MAIS LINDA DOR, sem mesmo ter a noção. Embora seja por fora uma guerreira amazona provinda de confiança, bravura e frieza Fedora se esvai em silêncio por amargos prantos – ela possui não somente a beleza como também a fragilidade de um cristal. A maior de suas faltas lhe trinca a formosura. Poucos são sensíveis a ponto de lhe notarem a áurea funesta que há em si, tão pobremente talhada por sangue pútrido. Incapaz de aceitar e mui menos dar um novo sentido a falta, ela se faz chata ao lamentar de suas dores insolúveis. Trovadores alucinam com o testemunho de sua paixão, fracassam ao senti-la em afrouxadas notas de seus instrumentos. Em suma, o peso do mundo está sobre ela. Fedora fora uma criança meiga, audaciosa e sonhadora, contudo ao passar das dores, a vida lhe forjou uma armadura de inércia talhada detalhadamente por amarguras, desconfiança e misantropia. 

 Íris de Alencar além do notar pode criar um forte vínculo com Fedora, a única fadada a poder ouvi-la em suas lamentações sem enlouquecer ou esbravecer-se. No mais, não há quem.

 O furor da jovem para consigo é lançada à ruiva de orbes azuis: – Meu reino é sujo e não vale o esforço! Você aponta para meu demônio e eu não consigo LHE DAR com seus berros profanos. Eu sinto uma dor irreal, mas que é tão real, e perco-me nela. Por quê? É como se eu fosse usável bem como qualquer outro objeto. Todos o fazem, sou a trouxa dos demais e por que me permito? Culpo-me por ama-lo tanto a ponto de dar “boas-vindas” a solidão, em verdade ressentindo com a falta. Sou usada assim como uso e uso perversamente como Narciso o faria! Há alguém para suprir o que não me fora suprido? Quem é bom o bastante para enterra-lo de vez em nas profundezas de meu inconsciente? Ninguém a não ser eu! Cabe a mim o fardo. Porra, não sei LHE DAR com isso. Com este “não” malsucedido. Ele trava-me e não consigo lutar contra e tampouco o vê-lo de outra maneira. Ando gritando e proferindo palavras rudemente porque há algo em mim esguelhando, mas ainda assim não consigo ouvir sua voz. Não há como decifrar. De qualquer forma, – dei exaustos curtos gargalhos – sei que é um pedido de socorro, acho. – assumo minha queda com olhos baixos e chorosos. – Se Dante submetera meu coração a um trinco árduo e herético, Castiel o tornara em pós desgostosos. Não há saída a não ser colocar no buraco uma cópia fajuta de um coração em ouro “puro”, assim poderei disfarçar a dor enquanto os demais me admiram com o brilho falso desde ouro de tolo. Meu legado os cegarão e eu me manterei grande, sem mais! Todavia nunca soube LHE DAR.

 Seus atos falhos.

 A sala cheira docemente, o culpado: difusor de cerejeira. Íris, lhe dá o momento de silêncio e apenas a observa. Fedora intimida a ruiva com uma postura ereta seduzindo-a com suas pernas cruzadas – apoia seus braços numa almofada de veludo preto, mania a qual ainda não perdera desde a pequenez quando se sente subjugada, fraca. Arqueou o sobrolho direito olhando-a por entre seus poucos cílios tentando de forma grotesca manter a guarda. Todavia, ela baixará mesmo sem pretextos ou resistência alguma, basta somente um questionamento simplório: por quê? Íris é empoderada o bastante para ler-lhe a alma e deduzir seus enigmas de tal modo que perceba os balbucios do demônio da jovem mulher. Fedora está à sua mercê.

 – Lhe dar... – Fedora a olha com incerteza, temendo o furo vindouro. – Lhe dar a quê?

  – A alguém... – uma resposta ligeiramente acusadora e todo o mais vêm à tona. 

 

 PERGUNTE-ME O QUE RELATO E A DIREI QUE SE TRATA DE UMA BIOGRAFIA DE MAU GOSTO. Tenho uma truculência n’alma, fétida como carne pútrida. Nas linhas tênues do tempo sou descrita numa incógnita em escarlate enquanto a grande maioria é uma exclamação cinza. Edvard Munch, no seu mais singelo prenuncio, pintou-me em suas obras mais terríveis e melancólicas. O Grito. Ansiedade. Amor e dor. Eis que sou uma poetisa em gozo do martírio e o que dizer a não ser que: sou uma faltante à mercê da psicose no deleite da neurose. Relutante a ser nem puta e nem santa, apenas eu: a incompreensão mais saborosa possível. Jovem com espirito velho, adulta de sonhos infantis. Menina mulher. Engano-me com o exato quando bem sei que o humano é mais cabível. Se queres um romance falso que supre vossa ideia, saia enquanto a tempo. Negue-me atendimento. Em mim jaz dor, amor, erros, culpas. O real do mais real. Nada de amores joviais ou rebeldias inconsequentes, apenas escolhas e consequências. Apertura de uma vida adulta. Lamentações de uma qualquer.

 E eu? Pintarei de vermelho esse cinza!

 Ainda aprecio por demais tempos assim, chuvas torrenciais em friorentas noites. Era junho, um mês adorável, e fui-me para o outro lado da rua debaixo de um céu vermelho sangue. Chuvisco pisoteavam a brisa gelada – caíam em minha fronte em sua vez tentando, pois, aviva-la. Sem estrelas, só um fino e jeitoso tapete de neblina cobria o chão. Percorri caminhos em que grafites e pichações me saudavam com sentimentos dos poetas das ruas, cochichavam rebeldia. Calçadas cinzentas ameaçava-me com seus buracos. Caminhei. Caminhei. Caminhei e caminhei. Carros atordoavam-me com os roncos de seus motores baratos, mas que também me agradavam quando os pneus cantarolavam os deliciosos sons da aquaplanagem. Sons de gotas sendo massacradas, gritos de terror. Andarilhei com passos largos e irritadiços refugiando minhas mãos no bolso do moletom escuro até sossegar no ponto de ônibus. Como a grande a maioria dos pontos da cidade, estava em ruínas. A rua se encontrava estranhamente quieta, afinal era a grande São Paulo. Como pudera haver sossego naquele momento? Aflige-me ainda tal questão. Pensei por um momento que talvez eu estive morta e meu espírito vagueava noite a fora, quiçá não tivesse forças para enxergar os viventes. Só que não! Crendo ou não, estive viva. Parada e sem direção questionei-me: como fui ficar tão para atrás?

 Meus medos e falhas, desaponto-me novamente. Ainda hoje, procuro pela perfeição, por quê? Nada mudara desde então, porquanto é o mesmo martírio. Bem sei que jamais a encontrarei em nada terreno. A quietude fez-me correr até ela, seduziu-me. Estuguei até que me derrubara e não tive mais fôlegos ou caminhos para onde ir. Perdi há muito minha noção propositalmente, mas quando? Será que posso reconquistar o que está perdido por dentro? Sinto que mereço isso, mas por quê? Por que a dor parece com meu orgulho?

 Mas não há arrependimento e nem caminhos para onde correr, sou uma fodida!

 A cautela daquele meu desanimo fora bonito, pois virei inocentemente para minha mochila de couro preto a abrir delicadamente o zíper prateado de espessura notável. O som vacilante que gaguejara. De lá peguei meu smarthphone voltando a endireitar-me frente a um prédio em construção. Segurei o aparelho como faria se fosse um filhote de cachorro – duas mãos fomentaram uma concha. Cerrei os olhos com a claridade e murmurei alguma palavra profana, fui logo colocando em minha playlist. Tive a necessidade de ouvir um bom som no qual me trouxesse nostalgia, Sabotage – Mun'Ra. Ah, que foda! Gozei intensamente na poesia cantada, n’alma em forma de música. Fui-me para a quinta dimensão. Arrepiei. Fechei os olhos apreciando o mano Sabota, que perda não? O rap nacional ainda chora sua morte. Peguei-me cantando no exato ritmo, gesticulando, falhando numa dança que movia a cabeça de cá para lá. Joelhos flexionavam junto ao ritmo. Um Branco e um Preto unido, respostas que cala o ridículo. Estava eu em pé, carrancuda, dançando. O capuz preto tapava um pouco daquela angustia encarnada, pude enfim transpor-me para meu mundo sem sentir culpa alguma. Meu recanto de mentiras. A aversão a minha mente era tão comum quanto respirar, quisera eu poder desacelerar as coisas para melhor controla-las. Uma outra história das amargas pílulas da vida, aquieto o coração para lhe narrar memórias mortas. Recordo de lamentar em prantos silenciosos o mistério que me assolava, a questão a torturar-me e a música a soar em meus fones de ouvido.

Se pá, ele contemplou de camarote meu constrangimento.

Estive sob juramento de seus lindos olhos cinzas, constrangeu-me por instantes quando o vi. Fitei seus belos olhos cerrados e transgredi a ele meu temor e raiva. Castiel viu-me indefesa como filhote. A fragilidade por detrás do adamantium de Logan. O tempo congelou dando-me o desprazer do infinito momento. O bater de meu coração era fraco e pomposo. Avermelhei com sua ilustre inerte observação que me despia a alma. Castiel pode ver minha nudez. A rua que estava preguiçosamente alumiada suscitada em rabiscos poéticos, deu-me a perfeita cena de horror. Me pus em uma batalha d’onde eu me enfrentaria sem armamento algum, perderia desonrosamente. Lábios secos. Gélidos suores. Espasmos involuntários no canto da boca. Estava a cair num abismo sem fim. Perdi a guerra, sem mais farsas. Algum estranho sentira minhas fraquezas provadas em lágrimas e nada pude fazer.

 Era muito mais do que eu podia carregar.


Notas Finais


Auribus teneo lupum


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