História O Despertar do Tigre - Capítulo 6


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Categorias A Maldição do Tigre
Personagens Alagan Dhiren Rajaram (Tigre Branco "Ren"), Durga, Kelsey Hayes, Lokesh, Nilima, Personagens Originais, Sohan Kishan Rajaram (Tigre Negro), Sr. Kadam
Exibições 14
Palavras 2.310
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Eai pessoal!
Sei que eu tinha prometido esse capitulo para semana passada, mas eu estava em provas e foi meio complicado pra terminar ele. Só que vamos pensar positivo: eu não demorei uma eternidade pra postar! EEEEEEEE.
Enfim, o próximo capitulo já está no forninho e em breve sai, enquanto isso, aproveitem mais um pouco do nosso tigre preferido: Nick.
Espero que gostem, vejo vocês nas notas finais!!

Capítulo 6 - Lidando com um Tigre Barulhento


O tempo começou a andar bem mais rápido do que eu esperava. Em apenas quatro dias eu já tinha me acostumado com a rotina louca de trabalho do zoológico. Parecia estranho que até alguns dias atrás trabalhar ali parecia ser um tipo de pesadelo banhado em sangue e morte, mas percebi que aquele tigre do qual eu tive tanto medo no inicio não era mal como eu imaginava.

Entrei na sala em que ficava a jaula correndo, com uma jaqueta preta e um gorro de lã cor de rosa totalmente encharcados por causa do temporal que estava caindo lá fora. A chuva caia incansavelmente desde à tarde do dia anterior, parecia que o mundo estava se acabando em água.

Nick ergueu a cabeça assim que me ouviu chegar.

-Eu sei que eu gosto de chuva. – comecei a me lamuriar para o tigre. –Mas não da daqui, ela é muito fria e até parece que é mais úmida. – falei enquanto o frio me fazia tremer.

Tirei a jaqueta e o gorro úmidos, jogando-os em cima da grande bancada ao lado do freezer. Peguei a tigela de Nick, enchendo-a com a carne que Michael deixava preparada todas as manhãs. Já com a comida dele pronta, apertei o botão que descia a grade de segurança e digitei a senha no painel, abrindo a porta da jaula e colocando a tigela com cuidado no chão. Ainda não me sentia tão confiante a ponto de dar às costas ao sair dali, então fui voltando devagar, sempre olhando o tigre a minha frente, que agora comia tranquilamente.

Sentei em um banco no canto da sala, cruzando as pernas em seguida, uma mania que eu tinha desde pequena. Peguei meu livro dentro da bolsa, tinha trazido alguns na viagem com o objetivo de ler durante as férias, mas até o momento não tinha nem tocado em nenhum deles; na mesma hora, o tigre parou de comer e caminhou até o canto da jaula que ficava mais próximo ao banco e deitou-se, colocando a cabeça entre as patas, os olhos fixos em mim.

Franzi as sobrancelhas com a estranha atitude, mas decidi ignorar e abri o livro. Fui correndo os olhos pelas palavras quando um barulho quase me fez cair do banco. Olhei assustada para o Nick, que estava com a boca escancarada e os olhos estreitos, foi quando entendi o que tinha sido aquele barulho.

-Você rugiu pra mim? – perguntei, com o coração quase saltando pela boca, sem entender.

Depois de um momento encarando o tigre e só recebendo silêncio como resposta, voltei meu olhar para o livro. O resultado foi mais um rugido gutural vindo da garganta do tigre. Lancei um olhar assustado para ele, comecei a encara-lo, na esperança de entender o por quê dele estar agindo daquele jeito. Tinha lido na minha pesquisa que tigres são extremamente territorialistas, então pensei que talvez ele me considerasse como uma ameaça ao seu território, o que não fazia muito sentido, já que eu vinha todo dia dar a comida dele e isso nunca tinha acontecido antes; sendo assim, me afastei um pouco mais da jaula, indo me sentar na outra extremidade do banco. Olhei uma última vez para o tigre, que estava aparentemente quieto, e continuei minha leitura, mas mais uma vez fui interrompida pelo rugido do animal.

-Já acabou? – perguntei já começando a me irritar.

Várias tentativas frustradas se sucederam na minha tentativa de ler meu livro, sempre por culpa dos rugidos do animal.

-Que saco! – falei e aumentei a voz. –“Aqui é a terra de Nárnia: tudo que está entre o lampião e o grande castelo de Cair Paravel, nos mares orientais”. – comecei a ler o livro em voz alta, então parei e ergui o olhar, Nick estava com a cabeça entre as patas e tinha os olhos fechados, sorri.

Ganhei! Finalmente vou poder ler em paz, pensei. Voltei a ficar em silêncio. Não demorou muito para que o tigre despertasse e começasse a fazer sua barulheira novamente.

Soltei um suspiro, já cansada.

-Tudo bem. O que você quer, exatamente? – perguntei largando o livro do meu lado e olhando nos olhos dourados do tigre. Só que ele não estava mais me encarando, olhava fixamente para o livro, segui seu olhar e voltei a olha-lo.

-Quer que eu leia pra você? – minha pergunta não saiu mais que um sussurro, e no mesmo instante me senti meio idiota por perguntar isso para um tigre, mas mudei de opinião assim que o vi fechar os olhos e deitar de novo a cabeça, como se estivesse pronto para ouvir uma história antes de dormir.

Dei de ombros.

-Vou fingir que isso foi um sim.

                   ***

Os dois dias que se seguiram foram chuvosos. Aproveitei a chuva para terminar os livros que eu tinha trazido na viagem, sempre lendo em voz alta, pois Nick parecia realmente entretido com eles. Talvez passar tanto tempo ao lado da minha tia estivesse me fazendo surtar, mas ele sempre parecia bufar quando algo dava errado ou ronronar baixinho quando iam bem. Já estávamos no quinto livro de “As Crônicas de Nárnia”.

-“Não houve grande dificuldade em resolver a questão. Ao perceber...” – lia quando fui interrompida por um barulho vindo da porta.

Max entrou no cômodo, fechando a porta em seguida, seus cabelos negros estavam encharcados de água, assim como suas roupas. Pelo visto ele também tinha enfrentado a tempestade.

-Sua tia me disse que você estava aqui. – ele falou enquanto tirava a jaqueta e a colocava em cima do balcão ao lado da minha.

-Não dá pra fazer muita coisa com essa chuva.

-É... – ele ficou parado, com as mãos nos bolsos e olhando pro chão.

-Tá tudo bem? – perguntei, olhando pra ele.

-Sim! – ele falou e começou a vir na minha direção, sentando do meu lado no banco.

Vi pelo canto do olho que o Nick se mexeu, levantando.

-É que... – Max parecia inquieto. -Eu estava pensando que... Quer dizer... Talvez...

-Talvez...?

-É que já vai fazer uma semana que você está em Seattle. – ele falou.

-Eu sei, passou bem rápido. – falei e ele concordou.

-E você passa quase o dia todo aqui no zoológico.

-Você também. – retruquei.

-É, mas não sou eu que deveria estar de férias.

Fiquei em silêncio.

-Amanhã nós dois estaremos de folga.

Olhei pra ele sem entender.

-Sério?

-Sua tia que falou. – ele deu de ombros. –E eu pensei que, sei lá, a gente talvez pudesse sair pra algum lugar, tipo um cinema, o que você acha?

Ele olhou pra mim, me dando um sorriso envergonhado.

Abri a boca para responder, mas fui interrompida por Nick, que deu o maior rugido que eu já tinha ouvido até agora, me fazendo levantar de um pulo e Max também. Olhamos atônitos para ele, que agora estava em posição de ataque, com os dentes à mostra e os pelos eriçados. Mesmo assustada com a situação, já que fazia um tempo que ele não rugia, agradeci mentalmente ao tigre, pois não fazia ideia da desculpa que ia dar a Max.

Depois de um momento, Max olhou pra mim e sorriu.

-Nossa! Acho que Vince vai gostar de saber que ele já está com toda essa animação. – isso só fez com que o tigre rugisse com ainda mais força... e não parasse mais.

-Dá pra parar de irritar ele? – falei com as mãos tapando os ouvidos, me afastando até a bancada.

Ele me olhou sem entender.

-Mas eu não fiz nada.

-Então, você – apontei para o tigre – pode parar com isso.

Max riu.

-Está tentando mandar nele agora?

-Não gosto quando ele faz isso, me assusta. – respondi cruzando os braços. –Ele tinha parado de rugir toda hora há uns dois dias atrás.

Max estreitou os olhos.

-Que estranho, ele não dava um pio quando chegou aqui. – comentou, olhando para a jaula.

-É, mas agora parece que ele se revelou. 

Max ia dizer alguma coisa quando o Sr. Vincent entrou na sala todo molhado. Ele ia comentar alguma coisa, talvez sobre a chuva, quando mais um rugido foi ouvido.

-Graças a Deus o senhor está aqui, será que tem como fazer ele parar? – pedi olhando esperançosa para o Sr. Vincent, só que ele parecia tão aturdido quanto nós.

Agora Nick caminhava inquieto dentro da jaula, os dentes ainda a mostra, sem parar com a barulheira. Eu já estava ficando preocupada e levemente irritada.

-O que está acontecendo aqui? – perguntou Sr. Vincent.

-Eu não sei, mas já estou ficando com dor de cabeça. – falei.

-Que estranho, ele nunca fez isso antes. – ele falou, confuso.

-Eu disse a mesma coisa. – Max disse se aproximando.

-Esse comportamento é normal? – perguntei, agora apoiada na bancada, olhando preocupada para dentro da jaula.

-Bem... não, - começou o Sr. Vincent – a menos que tivesse um motivo para ele estar assim.

-Não aconteceu nada pra ele ficar desse jeito. – Max respondeu.

Sr. Vincent franziu as sobrancelhas.

-O que você está fazendo aqui embaixo, Max? – perguntou, como se finalmente reparasse na presença do garoto na sala.

-Eu? Na-Nada. – ele se enrolou e recebeu um olhar acusador do Sr. Vincent, então continuou. –Bem, eu só vim aqui pra convidar a Merliah para ir ao cinema, só isso.

Max olhou na minha direção e eu corei, desviando o olhar na mesma hora e voltando a observar o tigre, que parecia me encarar de volta.

-E essa algazarra já tinha começado antes de você chegar?

-Bem... não, acho que não. – Max olhou novamente na minha direção, pedindo ajuda e confirmei o que ele falou.

-É, foi um pouco depois de ele chegar.

-Foi na hora que ele chegou? - Sr. Vincent perguntou.

-Não, foi quando... ele sentou no banco, eu acho. - respondi, embora não entendesse aonde ele queria chegar.

-E onde você estava exatamente?

Franzi as sobrancelhas diante da pergunta.

-No banco, lendo. - falei, mesmo continuando sem entender nada.

-Interessante. – Sr. Vincent respondeu colocando a mão no queixo, pensativo, e caminhando pela sala.

-O que é interessante? – perguntei.

-Eu acho que ele se sentiu ameaçado com a presença de Max aqui.

-É, eu tinha pesquisado sobre isso, disputa de território, certo?

-Mais ou menos. – ele parecia encabulado.

-Como assim “mais ou menos”?

-Eu acho que ele não está defendendo o território em si, mas sim, você.

-O que? – perguntei, boquiaberta.

O Sr. Vincent sorriu com a minha reação.

-Sabe, às vezes é normal que animais criem vínculos com seus cuidadores, não é algo tão impossível assim.

-Mas eu só dou a comida dele. – falei, atônita.

Ele deu de ombros.

-Você vem bastante aqui.

-Mesmo assim, não faz sentido. – discordei, cruzando os braços. –Talvez ele esteja doente, é melhor falar com a Dra. Alexia sobre isso.

-Tem razão, vou falar com ela depois. – disse, embora não parecesse muito convencido do que falava.

Ele se virou para Max.

-De todo jeito, Max, é melhor você subir, acho que Michael está precisando de ajuda lá em cima.

Ele entendeu aquilo como uma deixa para se retirar, se aproximou do balcão e pegou a jaqueta, indo na direção da porta em seguida. Antes de sair, se virou para mim.

-Até mais, Vince, Merliah. – ele acenou e eu retribui, embora sem muita vontade.

Depois de ouvir a porta se fechar, Nick finalmente parou de se mexer pela jaula e foi se deitar na mesma posição que estava antes de Max aparecer.

-Acho que o problema foi resolvido. – Sr. Vincent sorriu. –Pelo visto você estava entretida com sua leitura, - ele lançou um olhar para o livro abandonado no banco e eu corei - só passei para saber se estava tudo bem por aqui, já estou de saída.

-Obrigada pela ajuda, Sr. Vincent. – agradeci sinceramente.

Ele já estava quase na metade da escada quando se virou e sorriu.

-Não foi nada. – ele disse e comecei a me virar, indo na direção do banco. –Ei, Merliah – me voltei para ele - pode me chamar apenas de Vince.

Com essas palavras ele abriu a porta, entrando no temporal.

Soltei um leve suspiro e me encaminhei para o banco, sentando-me em seguida. Olhei para o tigre, que me encarava de volta, com um olhar que parecia ser de preocupação.

Sorri encabulada, pegando o livro e abrindo-o.

-“Não houve grande dificuldade em resolver a questão. Ao perceber...”.

                           ***

No horário de ir embora, peguei meu casaco e conferi uma última vez se a porta da jaula estava realmente trancada. Dei meia volta, estava quase com um pé na ponta da escada quando estaquei. Voltei meu olhar para o tigre, que agora tinha voltado ao seu canto habitual no fundo da jaula. Os olhos dourados dele me encaravam de volta. Me senti mal por deixar ele sozinho.

-Olha, amanhã eu não vou estar aqui, mas tenho certeza que minha tia vai mandar alguém bem legal para cuidar de você. – sorri, ele continuava a me olhar. –Te vejo segunda de manhã, ok?

Antes que começasse a me sentir pior, dei às costas ao tigre e parti em direção a porta.

A chuva tinha dado uma trégua, embora ainda fizesse muito frio. Afundei minhas mãos nos bolsos do casaco e fui andando até o estacionamento, onde pretendia encontrar minha tia. Estava chegando à saída quando ouvi Max me chamando.

Me virei a tempo de ver ele correndo.

-Oi! – ele disse com um sorriso envergonhado. -É que com tudo o que aconteceu, nem deu tempo de você responder minha pergunta.

Congelei. Pensei que tinha me livrado dessa, mas aparentemente só fingir que tinha esquecido não ia adiantar dessa vez. Resolvi tentar do mesmo jeito.

-Que pergunta? – perguntei com um sorriso que deve ter parecido mais uma careta.

-Se por acaso você não quer ir ao cinema comigo amanhã? – ele disse e seu sorriso vacilou um pouco.

Tudo bem, Merliah. É só fingir que não tem um dedo da sua tia nessa história e ir na onda, pensei.

-Claro, - consegui dizer depois de um momento. –Que horas?


Notas Finais


Vejo vocês no próximo capitulo, até mais!!
Beijo no coração.


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