História O Devorador de Crianças - Capítulo 4


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Palavras 1.486
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Sobrenatural
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Mais um capítulo da história, espero que gostem.

Capítulo 4 - Terebrarh


Fanfic / Fanfiction O Devorador de Crianças - Capítulo 4 - Terebrarh

            Patrick Bennett

Vila da Sereia podia não ser a maior das vilas, mas era com certeza a mais inquieta. Desde que estivera com Bill, Patrick já havia visto duas brigas, três discussões e quase uma morte. Ainda assim, nem sinal de seu pai, muito menos alguém que dissesse algo útil a seu respeito.

A região era um tanto quanto sinistra, pra onde quer que se olhasse, não se via nada além de matas e mato. A vila em si também não agradava aos olhos ou ao nariz. Cheirava a estrume e urina e o cheiro dos moradores era ainda pior. As casas, que não passavam de casebres, eram feitas de madeira e colmo, levando Patrick a crer que um dia ensolarado bastaria para que pegassem fogo. Bom, talvez um pequeno incêndio ajudaria a diminuir toda aquela sujeira.

Patrick encontrou uma taverna à oeste da vila. Não era muito grande, mas parecia limpa o bastante para uma bebida. Ao entrar, ele viu um velho homem cantarolando algo ao limpar o balcão.

- Oi - disse Patrick, tentando chamar sua atenção.

Patrick sentou-se no banco e o homem o olhou com certo receio, como se o estudasse com os olhos. O velho deu uma longa tossida.

- Em que posso ajuda-lo?- perguntou ele.

- Que tal uma cerveja?

- Deseja algo para comer?

- Não, obrigado.

O velho trouxe-lhe a cerveja e Patrick não pôde deixar de notar o quão vazio estava o lugar. Uma vila sem bêbados pela a tarde, não podia indicar boa coisa.

- O senhor me parece familiar- disse o dono da taverna.

- Não sou daqui – disse Patrick ao tomar um gole da cerveja. - Mas talvez o senhor conheça meu pai. Calebe Bennett. Já ouviu falar?

- Fala do caçador?

- Sim - e provou mais um gole.- Ele esteve aqui a mais ou menos uma quinzena.

- Ele esteve aqui, chegou a vir nesta taverna. Estava acompanhado de um homem. Parecia ter mais ou menos a minha idade.

- Desculpe-me, senhor. Mas se puder me dizer algo a respeito deles. Qualquer coisa...

- A essa altura, eles já são homens mortos.

Patrick sentiu um arrepio a percorrer-lhe o corpo. Já imaginava que esse fosse o destino de seu pai, mas a concretização da notícia não seria algo tão fácil.

- O senhor sabe o que aconteceu a eles? – perguntou Patrick, temendo pela resposta.

O velho voltou a tossir.

- Desculpe-me, este frio... sabe como é. A respeito de seu pai, talvez só Deus possa dizer ao certo. Mas o que sei é que ele e seu amigo entraram no bosque. Não retornaram mais.

- E ninguém buscou por eles?

O velho homem deu uma longa gargalhada, que transformou-se numa longa tosse.

- Ninguém é louco de entrar naquele bosque, garoto.

- O que há de tão ruim nesse maldito bosque?

O velho parou o que estava fazendo – que na verdade não era nada – e o olhou com uma dura expressão.

- O senhor não deve ser mesmo daqui, senhor Bennett. Se fosse saberia que aquele lugar é amaldiçoado. Ir para o inferno deve ser melhor que pisar naquelas terras.

- Achei que ninguém fosse louco de pisar lá. Como sabem que é perigoso?

- Começamos a desconfiar quando as pessoas pararam de voltar pra casa.

- De quantas pessoas estamos falando? Duas? Três?

O homem sorriu com desdém.

- Quase cem. Mais da metade crianças.

O estômago de Patrick pareceu embrulhar.

- Meu Deus. Não pensei que...

- Parece que o senhor não pensou em muitas coisas, senhor Bennett. Não pensou em quantas famílias foram destruíram. Em quantos pais não puderam nem sequer enterrar seus filhos. Não vamos chorar pelo seu pai, estamos ocupados com nossas próprias perdas.

- Me desculpe – disse Patrick, bebendo mais um pouco de sua cerveja.– Mas não vou parar de procurar meu pai. Também não deviam deixar de procurar por sua gente. Como conseguem dormir sabendo que tanta gente desapareceu?

- É difícil, senhor Bennett. Mas receio que ninguém possa fazer algo para mudar.

- E não podem tentar?

- Já tentamos – o olhar do velho se tornou distante, tão distante que era como se ele tivesse se transportado dali.

- E o que aconteceu?

- Fazem mais ou menos seis meses – disse o homem, apesar de apenas o seu corpo e a sua voz estarem realmente ali. – Dez homens de coragem estavam dispostos a se arriscar... Entre eles, Hobby e Rick, ambos meus irmãos mais novos. Eu não devia ter deixado...

Patrick tentou bebia ao ouvir a história. Era difícil ver os olhos tristes e cansados do homem, que prosseguia.

- Todos eles eram jovens e imprudentes. O mais velho, Alamir, um ex-cavaleiro de um feudo qualquer, liderou a missão. Nenhum deles voltou.

O velho esfregou os olhos, como se isso fosse afasta-lo da dor. Patrick não sabia o que dizer.

- Senhor Bennett, não sei o que de fato o trouxe aqui, mas se acredita que de alguma forma encontrará seu pai... Desista.

Patrick se levantou e colocou algumas moedas no balcão. Olhou para o velho que o encarava de volta.

- Sinto muito. Desistir não é do meu feitio.

- Imaginei que não – disse o velho deixando transparecer um sorriso - A propósito, chamo-me Heitor Terebrarh.

- É um prazer.

E assim Patrick partiu, deixando Terebrarh sozinho com seus pensamentos.

Ao voltar para igreja, Patrick encontrou Bill, do lado de fora a cortar lenha. Pela sua expressão, Patrick poderia jurar que seu amigo estava há horas fazendo aquilo.

- A quem está tentando impressionar? – perguntou com certo desdém.

Bill jogou o machado de lado, limpou o suor da testa e caminhou na direção de Patrick.

- Vejo que conseguiu se manter vivo.

- Pelo meu próprio bem.

- Algo sobre seu pai?

- Nada que valha a pena ser dito. Mas e quanto ao padre? Falou com ele?

- Ele ainda não voltou. Soube que foi a casa dos Carigon. Lorenzo, aquele cujo a perna você quebrou, teve uma infecção, corre sério risco de perder a perna.

- Quero mais que se fodão os Carigon. Homens que não sabem respeitar uma mulher, não merecem ser chamados de homens.

Bill lhe enviou um olhar duro.

- A vida não é um conto para crianças, Patrick. Mulheres não são donzelas e homens não são paladinos.

- Que seja. Mas ver uma mulher apanhar não combina comigo.

Bill aproximou-se deixando sua mão pousar no ombro de Patrick.

- Apenas peço-lhe que não se arrisque por pouco. Odiaria ter que lhe enterrar, Patrick.

Alguns instantes passaram-se em silêncio até este ser quebrado pela voz de Ágata, que os chamava da igreja.

- O padre Anthony pode vê-los agora – disse ela.

- Acho melhor irmos – disse Patrick.

O padre os aguardava em seus aposentos, uma espécie de quarto-sala tão grande quanto a maioria dos casebres da vila. Haviam vários quadros espalhados pelas paredes e uma enorme escultura de Jesus, crucificado.

O padre os recebeu num banco no meio do quarto-sala.

- Como passaram o dia? – perguntou o padre.

- Bom – disse Patrick. – Eu gostaria de falar sobre meu pai...

- Sentem-se.

Os dois se sentaram e o padre os serviu chá quente em um aparelho de chá feito de prata.

- Ah... obrigado – disse Patrick ao pegar a xícara. – Senhor Anthony, eu ouvi histórias sobre o bosque e...

- Desculpe-me, senhor Bennett, mas não é para falar sobre isso que chamei-os aqui.

- Mas padre...

- Patrick – disse Bill com seu olhar de repreensão. – Talvez devêssemos ouvi-lo.

O padre mexia seu chá com uma colher.

- Acredito que possamos tratar de seu pai e assuntos do bosque em outro momento. Temos um assunto mais urgente agora.

Patrick podia ver nos olhos de Bill e na dureza no tom da voz do padre, que não se tratava de algo bom.

- Está lembrado de ontem e do pequeno incidente entre o senhor e os Carigon, não está?

- Mas é claro.

- Talvez tenha ouvido falar na infeção na perna de Lorenzo. Tudo leva a crer que ele irá perde-la.

- Lamentamos muito – disse Bill, apesar de Patrick não saber se concordava. – Se houver algo que possamos fazer...

- O ideal seria que lhe conseguissem uma nova perna, mas como não é possível, podem começar pagando pelo tratamento.

- Tudo bem – disse Patrick largando a xícara intocada de chá sobre a mesinha. – Se é dinheiro que querem, é o que terão.

- Patrick, por favor – indagou Bill.

- Eu lamento que não seja o bastante – disse o padre. – Para evitar futuras intrigas, o senhor precisa se desculpar com eles, senhor Bennett.

Patrick deixou uma risada escapar.

- Faremos o que for preciso – disse Bill que olhava com dureza para ele. – Onde podemos encontra-los?

Padre Antony tomou o último gole de seu chá e se levantou.

  - Os levarei até a casa deles pela manhã. É perigoso andar a noite.


Notas Finais


Espero que tenha gostado, por favor, comente.


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