História O diabo veste terno - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Lana Parrilla
Personagens Lana Parrilla
Tags Flana, Fred Di Blasio, Lana Parrilla, Once Upon A Time
Visualizações 21
Palavras 1.848
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sadomasoquismo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Ps: Leiam as notas finais após o capitulo, obrigada.

O executivo esta trancafiado em seu escritório, a casa silenciosa e um objeto incomum o faz mostrar um lado diferente, sensivel...

Capítulo 3 - A gaveta


Fanfic / Fanfiction O diabo veste terno - Capítulo 3 - A gaveta

                                                                       A GAVETA

 

                                                                           FRED

 

       Sentia-se cansado após um dia intenso de trabalho. Suas costas queimavam e o pescoço estava condenado no dia seguinte. Os dedos doloridos pelo teclado e a cabeça levemente desconcertada. Horas mais tarde a enxaqueca o perturbaria.

- Deus! – Ele pôs as mãos sobre o rosto e se sentou.

       Mexia nos cabelos e massageava as têmporas na tentativa de aliviar o latejar de seu cérebro. Girou os ombros e retirou o paletó, nesse instante, um molho de chaves caiu do bolso interno da roupa social. Ele olhou rapidamente para as chaves sobre o tapete e se agachou para pega-las. Parecia um senhor, suas costas limitavam seus movimentos e o deixava mais lento. Com muito esforço segurou as peças de metal e as suspendeu juntamente com seu corpo.

        O interesse nas chaves era mundano. Elas pareciam não ter importância, até ele prestar mais atenção em uma delas. A menor de todas, envelhecida e enferrujada, porém ainda abria o único compartimento que fora forjada a destrancar. Ele segurou a pequena chave entre os dedos e a observou, prestando atenção na tipografia delicada e minimalista. E sobre a chave um “M” grotesco rabiscado.

        Ele sabia exatamente a que fechadura em sua casa o objeto encaixaria: A gaveta esquecida do seu escritório. A essa altura a madeira estaria desgastada e intocada. As memórias dentro dela estariam paralisadas no tempo, velhas e mofadas, mas estavam lá, pedindo para serem revividas.

        O executivo se encontrava aflito, pois não se lembrava daquela chave. Nem sequer sabia que ainda possuía o artefato. Ela surgiu como um estalo no meio das outras chaves, como se fosse hora certa para aparecer. Enquanto olhava a pequena peça em suas mãos ele pensava o estrondo que ela poderia causar, o quanto remexeria em seus sentimentos e que provavelmente iria chorar se a usasse.

        Levantou-se de sua poltrona e procurou no escritório. “Émile Durkheim, atrás de Émile Durkheim” – Ele se lembrou. Foi até sua estante e passou os dedos sobre a lombar dos livros.

- Sócrates, Karl Marx, Bossuet... – Procurava na seção de filosofia -... Cadê você? – E como num passe de mágica, “O suicídio” de Émile Durkheim, surgiu entre os outros – Aqui!

        Ele puxou o livro sem o menor cuidado, em seguida foi puxando os outros, revelando a parede por trás da estante. E lá estava: A pequena gaveta embutida ao concreto, com a madeira gasta e envelhecida. O cheiro de mofo o fez espirrar por alguns segundos. Com os pulmões recuperados, olhou para chave em sua mão em seguida para gaveta, depois achou isso ridículo e voltou a recolher os livros do chão para devolvê-los a estante. Mas foi convencido a parar e larga-los no tapete novamente.

- Você nem se lembrava, pra quê mexer nisso? – Ele conversava consigo mesmo – Passado, o passado é uma besteira, Fred! – Ele largou o livro no chão e se virou para estante, como se dissesse a gaveta: “Ok, você venceu”.

        Segurou a pequena chave com firmeza e se dirigiu a estante, enfiou seu braço entre os livros e alcançou a fechadura. A última vez que enfrentou a si mesmo e encarou o passado conturbado, foi há três anos enquanto organizava a seção de filosofia. Foi a pior coisa que decidiu fazer e veja só, está repetindo o mesmo erro.

        Tomado pela curiosidade ele destrancou a gaveta. Não contente em observar de longe ele a retirou do suporte, se sentou no chão e sentiu o peito pesar, não pelo pó e sim pelas lembranças. Dentro da caixa de madeira: muitas fotos amareladas e manchadas, outras dezenas de moedas enferrujadas, um isqueiro, um peão de madeira e uma flor morta.

       Ele vasculhou e retirou todos os objetos dentro da gaveta, espalhando pó pelo tapete branco. E no fundo da gaveta a pior das memórias, a pior das lembranças... Um revolver. Calibre 22, numeração raspada. O aço da arma estava gasto, riscado e salpicado de pontos vermelhos... Sangue seco.

        Ele sentiu um buraco negro o engolir. As imagens começaram a serem jogadas sobre seus olhos assustados, as vozes sondavam seus ouvidos. No fundo da gaveta, junto ao revolver, uma fotografia, nela uma mulher jovem, saia midi plizada, uma blusa florida e um lenço sobre os cabelos. Com as mãos trêmulas ele virou a imagem ao contrário. No fundo branco manchado, algumas palavras: AMÉLIA DI BLASIO 1979.

       A jovem de 26 anos na foto era Amélia Di Blasio, esposa de Ângelo Di Blasio e mãe de Fred Di Blasio. Ela se suicidou em 1981 aos 28 anos com um tiro de um revolver calibre 22 na cabeça, após o marido ter sido encontrado morto na piscina de casa com indícios de alcoolização. O objeto tinha a numeração raspada, o fornecedor não foi encontrado, os policiais acreditam que pertencia a Ângelo e anos mais tarde, com muita insistência a polícia entregou o revolver a família Di Blasio. Por longos anos a arma ficou sobre o cuidado da vó e após sua morte por um derrame, a arma passou para Fred.

        O sangue ainda se encontrava no revolver, ninguém teve coragem suficiente para limpa-lo e o sangue pareciam encrustado no objeto. E aos dezesseis anos ele convivia com uma arma letal no fundo do guarda roupa, podendo usa-la a qualquer momento, assim como sua mãe fez. Mas ele pensava diferente, com raiva ele se remoía. Não iria usa-la de forma alguma, não em seu corpo. Não queria que as pessoas ao seu redor lutassem contra o fantasma da perda, apesar de sentir vontade de apertar o gatilho contra o próprio peito e fazer as pessoas esgoelarem seu nome da mesma forma que fez com o corpo da mãe em uma poça de sangue.

        Mas veja só, ele esta aqui, com seus 38 anos de pura frieza, arrogância e rancor. Resistiu como uma árvore foi forte o suficiente e “venceu” seus obstáculos. Pelo menos é o que parece. Ele se mostra destemido e poderoso, mas longe do terno e da gravata ele é apenas uma criança carente que viu a mãe se suicidar e cair desfalecida no chão. Alguns anos atrás ele riria disso, porem a sensação de fraqueza retornou tão límpida quanto uma espada.

       Nervoso ele empunhou o calibre 22 em uma das mãos. Levou até a cabeça e pressionou contra os cabelos. Em seguida sentiu uma lágrima descer como uma âncora sobre as bochechas, mas seu rosto não era triste, era sério e determinado. Um dos dedos envolveu o gatilho e delicadamente ele apertou. Um estalo ecoou por seu escritório...

        A arma disparou... Sim ela disparou, disparou tristeza, pó, ferrugem, nada além do velho. Seus cabelos ficaram cobertos de fuligem e pólvora. Nenhum projetil balançou o comprimento do revolver, mesmo se quisesse ele já perdeu á função de ferir fisicamente, emocionalmente ele ainda cortava como uma faca.       

       Mentalmente abalado, o executivo abaixou a arma e a depositou sobre o tapete. Observou todos os outros objetos em sua volta. Sentindo-se derrotado pelo passado se deitou. Seu rosto encostou delicadamente no chão e ele se juntou as fotografias, as moedas, ao peão, o isqueiro e a flor, claro, a flor...

      A rosa que um dia fora vermelha agora se encontrava morta e com as pétalas retorcidas. Tal flor devia estar debaixo da terra, sobre o caixão da mãe. O pequeno não teve a oportunidade de dar um ultimo adeus. Estava internado no Nebraska Hospital. O projétil  que retirou a vida da mãe atravessou a camada óssea, 13 centímetros de massa cinzenta e por fim atingiu a lateral de seu peito.

     Fred aos seis anos conheceu muitas dores, uma delas marcou seu peito. Na lateral esquerda do tórax, abaixo do seio ele possui uma cicatriz, cerca de 10 centímetros. Ele já pensou em tentar remove-la, mas quem disse que agendava uma visita a um cirurgião plástico? Não tinha disposição para isso, nem coragem de atentar novamente contra sua pele.

     Os anos se passaram e ela se suavizou, porem é tão visível quanto antes. Muitas vezes ele pode jurar que a sentia doer e até sangrar. Procurou um psiquiatra, pois achou que estava enlouquecendo, mas o médico olhou para ele estupidamente e recomendou alguns remédios que não foram tomados corretamente pelo executivo.

      Poucas vezes procurou motivos que o deixasse triste, que fizessem sua vida perder o sentido. Porem os motivos surgiam, as memórias pediam para serem revividas. Ninguém, ninguém, nem mesmo os filhos já presenciaram seus  momentos de fraqueza. Ele sempre foi o patriarca forte,, o BOSS da família. As vezes as pessoas usam mascaras e armaduras, as vezes elas se escondem atrás de um terno bem passado, as vezes elas aparentam ser as mais fortes...

       Se sentido estúpido ele se sentou. Mexeu nos cabelos e expulsou a fuligem. Juntou as moedas enferrujadas uma por uma e as jogou dentro da gaveta. A flor ele a amassou nas mãos fortes, deixando as pétalas em migalhas sobre o chão. Depois se levantou e foi até sua mesa, agachou e pegou o lixo de inox debaixo dela.

         A raiva e o stress em seu rosto eram notórios, carrancudo ele rangia os dentes furiosamente.

        Depositou o cilindro de metal sobre o tapete e olhou para o isqueiro (Sentiu um prazer corroer seus nervos). Rapidamente juntou as fotografias em um bolo só nas mãos e as jogou dentro do cilindro. Fez o mesmo com as flores e o peão. Se virou para trás e viu um pequeno vidro de álcool em gel sobre a mesa de seu escritório, andou até ela e bruscamente tomou o pequeno vidro em suas mãos.

         Sabia que mais cedo ou mais tarde se arrependeria do que está fazendo, mas se não mandasse essas porcarias pro espaço, não se veria livres dos fantasmas, dos seus fantasmas. E por instinto destrutivo ele derramou o vidro inteiro dentro do lixo de inox, deixando as fotografias, as migalhas das rosas e o peão de madeira que ganhara do pai afogados em álcool. Se agachou e pegou o isqueiro, com o polegar fez o metal ranger e as chamas subirem.

        Com uma espécie de demônio nos olhos ele observou o fogo, gostava do fogo. Fogo é destruição, o elemento incontrolável, indomável, que causa dor e transforma tudo  que toca em cinzas. “Não deve ser diferente” – Pensou a respeito dos objetos virando brasa.

        A mão que segurava o isqueiro se abriu, os dedos se esticaram e lá se foi. As chamas tocaram o álcool e o verdadeiro fogo saiu da boca do cilindro de metal. Sorrindo e sentindo um prazer imensurável, ele observou com algumas gotas pingando dos olhos suas memórias virando brasa. Não conteve um sorriso psicopata nos lábios, aquilo de fato o tirou de órbita.

       O revolver e as moedas ainda vão ficar sobre sua posse por algum tempo, não se sabe quanto. Talvez até ele resolver recarregar o calibre e fazer alguma besteira... Não se sabe ao certo o que se passa em sua mente depressiva e perturbada, mas dentro de suas sinapses a algo que posso afirmar: A loucura sempre tem espaço, darling. "Amanhã o diabo está de volta, queridos funcionários" - Pensou o executivo com um sorriso doentio nos lábios.

         


Notas Finais


Espero que tenha gostado e entendido um pouquinho do território inexplorado que são os pensamentos e o passado do nosso devil. Pretendo explorar um pouco mais da infância do Fred, dos seus sofrimentos dores e um pouco do seu lado doentio, da maldade.
Sobre os pais do Fred a história foi bem superficial, essa era minha intenção. Em um dialogo mais pra frente retomaremos com profundidade o assunto. Até o próximo fim de semana.


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