História O Diário de Anna - A Verdadeira História Por Trás do Mito - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Lendas Urbanas
Personagens Personagens Originais
Exibições 14
Palavras 1.865
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 1 - Achado


Fanfic / Fanfiction O Diário de Anna - A Verdadeira História Por Trás do Mito - Capítulo 1 - Achado

Sábado, 12 de novembro de 1987

Querido Diário...

Acabamos de nos mudar. Papai não disse por que mamãe teve que ficar para morar com Jules, apenas que daqui para a frente seríamos só eu e ele. Nossa casa é muito grande e bonita. Meu quarto fica no segundo andar e tem uma varanda com uma vista incrível para o mar. Ela é cercada por uma floresta que me assusta um pouco à noite.

 Domingo, 13 de novembro de 1987

Querido Diário...

São 6:50 P.M., papai foi à cidade fazer compras. Estou sozinha em casa. Aquela floresta faz muitos barulhos estranhos... Tenho medo de andar pela casa e as vezes escuto as portas rangerem como se estivessem se abrindo. Vou me trancar no quarto até papai chegar.

  Ai, ai, pobre Anna. Se ao menos ela houvesse tido a sorte de passar por isso agora, poderíamos ter feito algo por ela.
- Uau! Então... É assim que ele perseguia as pessoas antigamente?- diz a garota de cabelos alaranjados e olhos azuis ao meu lado.
- Quieta, Haley! Se ele a ouvir somos garotas mortas! - digo tomando cuidado para manter o tom firme e ao mesmo tempo baixo.
- Mals...
Gostaria de dizer que não sinto nada com essa história, que ela não chega nem a dar uma sequer pontadinha de tristeza ou preocupação com essa tal de Anna, mas não consigo evitar. Porque assim como Haley, um dia essa também já foi minha história. Senti cada arrepio, senti o meu corpo estremecer com sua chegada, o desconforto e paralisia causados por seu olhar curiosamente sério e penetrante. Ainda lembro da sensação, como se minha "biblioteca interna" particular com os livros que continham todos os meus segredos, medos e sonhos fossem vasculhados e desvendados apenas o encarando por alguns segundos. Lembro do nó na garganta ao mencionar seu nome toda vez que alguma amiga ou colega de escola se preocupava em perguntar o por que de minha ansiedade constante e cautela ao olhar de canto de olho para o matagal do outro lado da rua e, até mesmo me recusar à ir nos passeios com a família para acampar e de como a expressão "Como o diabo fugindo da cruz" era constantemente usada nesses casos. Também me lembro dos pesadelos que me mantinham acordada durante dias. Até mesmo fechar os olhos era perigoso, porque toda vez que o fazia, sua imagem estava lá para me assombrar.
Após acharmos o diário próximo à um riacho bem distante da cidade, Haley e eu voltamos para a floresta tendo como guia somente a luz prateada da lua. No caminho, observamos todos os detalhes e silhuetas que ela formava com as árvores. Haley sempre foi mais conectada à lua e às estrelas do que as outras meninas, tem apenas quatorze anos e está conosco à um. Além de ser a mais nova do grupo, por sua paixão pelas estrelas, ela consegue se orientar por elas à noite. Por esse e outros motivos que ele a designou para ser minha dupla depois do insidente com a Sarah; Sei me orientar pela floresta durante o dia e ela durante à noite, assim, enquanto uma procura o caminho de volta, a outra pode proteger ambas das coisas ruins e perigosas que habitam as florestas ou as usam como camuflagem para seus feitos.
- Lynn.
- Sim? - Respondo enquanto olho vagamente para uma coruja que se mistura de forma majestosa junto as árvores.
- Devemos dizer à ele que encontramos o diário?
- Não será necessário. Assim que chegarmos ele saberá.
- Ah, sim. - Diz enquanto solta um breve suspiro.
Apesar de fazer um ano, Haley ainda tem muito que aprender e principalmente se acostumar. Há algum tempo ela já sabe que ele pode ler mentes, mas mesmo assim ainda faz perguntas como essa. Na grande maioria das vezes ela faz isso apenas para puxar assunto já que falamos muito pouco e, logo após sua chegada mostrou ser uma verdadeira tagarela. Mas eu não a culpo. Com a família que ela tinha, qualquer pessoa seria assim. Eu estava com ele em todos os dias em que ela era observada para saber se poderia ser uma de nós. E com relação a isso eu não sei dizer se é porque já estou há tanto tempo com ele e longe de sentimentos mas, confesso que a achei muito infantil chorando porque jamais veria seu cachorro novamente.
Após alguns quilômetros mata à dentro, nós chegamos. Mesmo a floresta tendo muitos espaçamentos entre as árvores e estarmos perto de um tipo de cachoeira, estava quente.
- É a lua - disse Haley, percebendo uma gota de suor escorrendo pela minha testa -, como ela reflete a luz do sol, quando está completamente cheia torna as noites bem quentes.
- Entendo.
- Onde estão todos?
- Se escondendo das suas perguntas infinitas. - digo, dando um leve sorriso de lado.
- Ué, eu nem faço tantas perguntas assim, faço?
- Você acabou de fazer uma pergunta.
- Ah, mas essa não conta.
- Bom, de qualquer forma, faça o que te oriento a fazer desde que chegou: observe e escute.
- Certo. Mas, você sabe que eu não consigo...
- Shh - A interrompo na esperança de ouvir o silêncio pela primeira vez depois que resolvemos sair e explorar a floresta.
E consigo.
Entrego o diário à ela e ando em direção à cachoeira para beber um pouco d'água e fingir uma distração para o caso de alguém estar nos observando. Afinal, estávamos em uma clareira e cercadas por árvores e uma cachoeira com água limpa.
Um lugar perfeito para uma parada.
Como ele deve ter pensado. Mas pelo tempo que estive vivendo em florestas, sei que um lugar assim, mesmo que longe, é muito bem vindo para pessoas que costumam acampar ou caçar. Caçar. Caçadores. O pior tipo de seres que se pode encontrar à noite em uma floresta por duas razões: a primeira é que se ele for idiota o bastante, pode te confundir com qualquer que seja o animal que esteja atrás; a segunda é que os caçadores são do tipo que adoram usar armas. Então se ele desparar, a floresta inteira ouvirá e não será nada bom.
Meus pensamentos são interrompidos por um som de movimento vindo do outro lado da cachoeira.
Olho para trás para confirmar a palidez e a respiração ofegante de Haley, que envolve o diário com seus braços e pressiona-o contra o peito. Volto minha atenção para alguns arbustos cheios de espinhos estranhamente amontoados na direção em que ouvi o som. Sinto um calafrio percorrer minha espinha, em seguida me preparo psicologicamente para o que quer que esteja atrás dos arbustos e então, espero.
Após alguns minutos de muita tensão, uma cabeça é erguida de trás dos arbustos, o suficiente para deixar seus olhos à mostra. Era um garoto. Não exatamente um garoto, um adolecente. Não devia ter mais que 17 anos.
- Q-quem são vocês? - pergunta com a voz rouca e em seguida engole em seco.
- Quem quer saber? - respondo com outra pergunta, cerrando os punhos.
- M-meu nome é Jimmy. Eu não quero confusão.
- Nunca querem.
- Não, você não entende. Minha amiga precisa de ajuda. Por favor.
Reflito um pouco sobre a situação antes de responder.
- O que houve?
- Fomos atacados por uma... - ele faz uma pausa, respira fundo e continua - Por uma coisa...
Olho para Haley novamente, desta vez, meu olhar pedia para ela continuar em silêncio.
- Que coisa? - Digo, me virando para ele novamente.
- Era... Era... Olha, por favor, precisamos de ajuda.
- Que coisa, Jimmy?!
- Eu não sei! Era algum tipo de monstro ou sei lá! Eu, eu não quero mais ficar aqui. Mas não podemos ir embora com ela no estado em que está.
Sinto sinceridade em seu tom de voz, mas ainda estou em dúvida se devo ajudar. Se ele os atacou deve haver um motivo.
- Eu talvez possa ajudar se você me contar o que houve antes. Por que foram atacados?
- Bom, nós estávamos perdidos quando vimos uma garota de pé bem aí onde você está. Ela tinha cabelos castanhos, usava um vestido preto e estava descalça. Daí nós tentamos chegar perto pra falar com ela e quando eu estava atrás dela, ela me viu e correu para trás de uma árvore. Mas quando me dei conta, percebi que não era uma árvore. Olhei para cima e, de tão alto, ele se curvava para poder me ver. Nós nos encaramos por um tempo... Mas era como se eu não conseguisse me mover. Então ela gritou. Foi quando ele bateu nela com aqueles braços enormes. Ela caiu em cima de umas pedras que estavam aqui no chão e a perna dela começou a sangrar e eu tive que carregá-la para longe.
- E eles? Para onde foram?
- Não vi. Eu juro. Tudo o que eu queria era sair daqui.
Há essa altura, Haley já estava de pé ao meu lado e colocava sua mão esquerda em cima do meu ombro me dizendo que estava tudo bem.
- Certo. Me mostre onde está sua amiga. Vou fazer apenas um torniquete e vamos embora. Ela só vai precisar descansar hoje e amanhã já poderá andar.
- Está ótimo. Muito obrigado.
Jimmy nos levou por um caminho com pedrinhas brancas que ele mesmo colocou para não se perder de novo. Sua amiga estava sentada com as costas apoiadas numa árvore. Ela gemia de dor e seu ferimento estava exposto.
- Nossa. Que belo trabalho, hein.
- Obrigado.
- Isso não foi um elogio.
- Mas...
- Vem aqui. - o interrompo, enquanto ajoelho para cuidar da perna de sua amiga que ainda sangra.
- É só me dizer o que fazer. Faço qualquer coisa.
- Tá. Me dá o seu braço.
Ele estica o braço para mim e eu puxo a manga da sua camisa inteira.
- Ei!
- Quieto. Não está em posição de reclamar de nada. Sua amiga poderia ter morrido do jeito que você a deixou aqui. - dito isso, puxo a outra manga.
- Certo... Tem razão.
- Você tem algum pedaço de pau ou algo do tipo?
- Tenho. Só um minuto.
Ele se levanta e vai para trás da árvore que serve de apoio para as costas da amiga. Enquanto isso, percebo que ela está mais fraca e "sonolenta". Tento puxar assunto para que ela não feche os olhos nem por um minuto.
- Qual é o seu nome?
-R... R... - ela tenta dizer algo mas sua voz falha
- R...?
- Ro... Ro...
- Calma. Respire fundo.
Ela obedece e esquece um pouco da dor latejante causada pelo corte.
-Ro... Se... Rose...
- É um prazer, Rose. Eu me chamo Lynn.
- Achei. - diz Jimmy, erguendo um pedaço de madeira que deve ter arrancado da árvore.
- Ótimo. Vai servir.
Amarro uma das mangas um pouco acima do corte, junto com o pedaço de madeira e enrosco até o sangramento parar. Em seguida, amarro a outra manga e...
- Droga. Aquela neblina de novo...
Haley olha para mim e eu devolvo o olhar.
- Precisamos ir. Você já pode assumir daqui para frente.
- Ok. Muito obrigado, de novo.
- Não foi nada. Adeus, Jimmy.
- Espere.
- O que foi?
- Como eu saio da floresta?
- Siga aquela estrela por uns 2 km e vai ver uma estrada. - diz Haley apontando para a estrela mais brilhante do céu.
- Obrigado.
- Lynn...
- Eu sei... Vamos. 



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