História O domador de feras - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Jungkook
Tags Ação, Aventura, Bangtan Boys, Bts, Drama, Ficção, Hoseok, Jikook, Jimin, Jungkook, Kookmin, Magia, Namjoon, Reinos, Romance, Seokjin, Suspense, Taehyung, Taekook, Violencia, Vkook, Yoongi
Visualizações 32
Palavras 7.378
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Violência, Yaoi
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi! Bem, essa é a primeira fanfic que eu posto em terceira pessoa, eu realmente ainda estou insegura, (o meu nome é insegurança) mas estou feliz por em fim estar postando. E espero que vocês possam me ajudar em qualquer deslize da minha parte.

Eu não sei escrever pouco, acho que isso ficará evidente com o decorrer da história então eu peço desculpas se ficou muito grande. Os capítulos com toda certeza vão beirar as 8 mil palavras, mas prometo recompensar com o melhor de mim em cada frase♥

Quero agradecer a minha beta♥ Uma pessoa incrivelmente amável que tem me ajudado muito com a minha escrita. Eu realmente te adoro♥ @Hoziier

Também quero agradecer a @Hannlice pela capa, eu te adoro mana♥

Agradeço a todos que sempre me incentivam a me superar em cada coisa, vocês realmente são especiais para mim.♥

E sem mais delongas, vamos ao capítulo.

Espero que gostem ^^

Até as notas finais.

Capítulo 1 - A caça


Frio, medo e morte. As brumas esbranquiçadas eram exaladas das pequenas fendas por entre os paralelepípedos que delimitavam as ruas do reino. Uma fumaça densa tornava impossível que quaisquer olhos enxergassem além de 30 centímetros de distância. A primeira fase estava se iniciando.

Em plena primavera acreditar que as águas dos lagos que abasteciam o reino congelaram era quase uma afronta, mas sim, não apenas a água, mas todo o líquido exposto a maldição. As famílias uniram-se, crianças foram completamente proibidas de chorar, as lágrimas secavam no interior dos olhos e as cegavam de imediato. Os panos densos sobre a boca impedia que sufocassem com a própria saliva seca. O povo já sofria com a maldição que acompanhava o novo governante, e tudo isso não chegava nem perto do que ele ainda poderia fazer.

E bem longe dos vilarejos, estendia-se um enorme colchão de folhas e galhos secos por todas as partes. Ali as brumas não alcançavam, no entanto, as imensas árvores intercaladas dificultavam a trajetória por entre a floresta. Em um casebre nas margens do pequeno rio que desabava floresta adentro, estava localizado um pub, o único bar não afetado pela acidez da fumaça. Para onde todos iam quando cansavam-se de respirar através de panos velhos.

Beirava as duas da tarde quando um velho comerciante vinha por uma das trilhas estreitas e acidentadas da floresta, ao virar em uma das curvas, logo avistou um homem andando cabisbaixo, sobre si apenas um enorme casaco cinza claro e o capuz exageradamente grande lhe cobria o rosto. A visão era um tanto intrigante, o reino ficara a exatas 2 horas dali, e caminhar por todo esse percurso era loucura. Ele puxou os arreios por entre os dedos e o cavalo começou a parar.

 – Para onde está indo viajante? – perguntou rouco e esganiçado, típico de uma voz maltratada com o tempo e desgastada com a idade.

O estranho parou de caminhar e virou apenas a cabeça para o lado, apertando a ponta do capuz para que sua face não fosse vista. – Nebralya. – disse seco, retomando seus passos lentos.

 – Mas está tão longe, não quer que o leve até lá?

 – Dispenso, obrigado. – Desta vez ele não virou.

 – Mas-

O estranho parou e fechou os punhos com força. O cavalo ficou agitado, relinchou alto e disparou em meio a trilha levando o mercador e seus produtos com velocidade para longe dali. Com toda a certeza, o pub teria algo para fofocar quando o mesmo lhes contasse o que acontecera.

Quanto ao estranho, suas mãos estavam quentes, os dedos avermelhados e a respiração ofegante. Ele não estava com disposição para conversar, tinha negócios importantes em Nebralya e quando mais cessasse seus passos, mais tempo estaria perdendo. Sabia que devia ter aceitado a carona, chegaria mais rápido ao seu destino, mas estaria correndo risco de ser descoberto e isso ele não poderia permitir.

Park Jimin era o nome dele, sucessor do quadragésimo quarto trono de Nebralya, e também, um derrotado. Por milênios seus antecessores conseguiram manter a perfeita ordem e tranquilidade em todo reino, e agora, agora o reino já não era dos Park, o seu legado fora completamente arruinado e nada mais lhe restara além de correr atrás do único capaz de ajudá-lo.

Os Park foram aniquilados, o palácio foi invadido no meio da noite e a penumbra dos corredores interferiu na evacuação. O quarto de Jimin era um dos últimos do corredor principal. Beiravam as 4 da manhã quando ele sentiu a aproximação dos inimigos. Ele tentou avisar a todos, correu batendo nas portas e gritando para saírem, mas quando chegou ao quarto dos pais eles estavam mortos. Pela primeira vez o seu instinto falhou e isso custou a vida de todos. Seus olhos estavam arregalados e seu corpo suspenso pelos calcanhares. Ele havia falhado. Ele nunca falhou antes.

Seus pais, os avós, os 18 irmãos, todos se foram. Três andares abaixo o responsável por tal façanha estava sentado no trono da família. Declarou-se rei supremo de Nebralya e sua primeira ordem fora para que eliminassem os magos e poetas. Eram ao todo 502 magos por todo o reino, a força maior de norte a sul, e só na primeira hora de confronto mais de 200 se foram. Seus corpos foram presos por enormes estacas que lhes atravessavam a garganta e eram fincadas nas muralhas do reino para que fossem comidos pelas águias.

Os poetas tiveram a língua cortada e os olhos arrancados para que jamais lessem na vida. Os livros de feitiços, as maiores adaptações das histórias do reino, cada segredo estava ali, tudo aquilo era exposto ao mundo através de suas línguas e para que não houvessem revoltados, praticamente todos tiveram o mesmo destino, uma vida de dor incessante e escuridão eterna, a partir daquele dia, as única imagens que veriam seriam as paisagens castas que seus subconscientes reprogramariam em suas mentes, o que com o tempo não passariam de meros borrões conforme o esquecimento os penitenciassem.

Uma maldição fora lançada sobre o reino, aquela fumaça começou a ser emanada pelas fendas na superfície acidentada das ruas bem em meio a madrugada. Pela manhã milhares de pessoas estavam mortas, outras cegas. O caos dominou o cenário do que antes era o maior reino ao leste do mediterrâneo, e ninguém poderia fazer nada para impedir que se espalhasse.

Naquela noite Jimin lutava contra alguns soldados quando despencou do topo da maior torre do palácio, seu corpo partiu-se em pedaços, fora os que jamais seriam aproveitados. Uma das servas que havia fugido presenciou sua queda, ela aproximou-se para ver se realmente era ele e uma luz forte jogou-a metros à frente, nem mesmo seus braços em frente ao rosto foram suficientes para impedir que a luz a cegasse por completo.

Jimin acordou 2 dias depois descendo a corredeira de um dos rios mais extensos que cruzavam o reino. Acordar daquela forma não era o esperado, ele afundou de imediato engolindo uma enorme porção daquela água gélida, seus olhos doeram como jamais teriam doido e seus pulmões foram lavados pela água que apossou-se de sua cavidade nasal.

A violência da correnteza o tragava para baixo d'água, enquanto batia dolorosamente contra as rochas no meio do caminho. Suas costas eram dilaceradas a cada pancada, ele tentava nadar mas, a água espumante o lançava novamente contra outra rocha. Uma hora, a batida fora tão violenta que ele sentiu o corpo inteiro adormecer, colado na rocha, a água batia em suas costas e escapava pelas laterais. Sua cabeça estava uma baderna, a dor era forte e um som agudo bem alto ecoava pelos ouvidos.

Seu peito começou a se contrair, o ar lhe faltara e ele nem havia percebido, estava assustado, afundou os dedos pequenos nas fendas da rocha e emergiu rapidamente. A ponta da rocha era afinada, o que permitiu-lhe apenas abraçá-la enquanto a água batia com força em suas pernas. De olhos fechados ele respirava esganiçado, tudo nele estava muito dolorido, o sangue escorria do ferimento em sua testa e o cansaço o tomava mais a cada segundo. Mas foi quando abriu os olhos que a realidade lhe socou o rosto.

Bem à frente, ele via o reino inteiro, as muralhas manchadas de sangue, as pequenas casas além dos portões e o palácio majestoso e imponente no topo da colina de Sethur, onde a rua suspensa subia em caracol até os recém destruídos portões do palácio. Jimin não sabia se agradecia por ver seu reino de forma tão bela e ampla, ou se amaldiçoava a queda de 250 metros da cachoeira do rio Marfels, onde ele encontrava-se pendurado, seguro apenas por uma pequena rocha.

O tempo se passava e ele sentia-se mais fraco, seus ferimentos precisavam de um certo tempo para se regenerarem e a dor não demonstrava parar tão cedo. Seus braços doíam mais a cada minuto que passava, já davam indícios de que não suportariam segurar por mais tempo, e assim foi. Antes mesmo que tentasse alcançar a margem, o que seria inviável contando da distância em que estava, ele despencou acompanhando as águas cortantes que lhe acertavam o corpo.

Algumas horas depois da queda ele despertou com a luz do sol estapeando seu rosto e os corvos caminhando próximo às suas pernas. A dor já não existia, apenas uma dúvida sufocante dava voltas em sua mente enquanto o sol embassava sua visão. Como ele teria sobrevivido a tudo aquilo?

A magia pairava pelo ar, os humanos poderiam viver por milênios contanto que nada de grave lhes acontecesse. Cair de uma torre e despencar de uma cachoeira não parecia tão banal quanto um arranhão ou uma perna quebrada. Aquilo estava estranho. Ele olhou para os cantos e nada viu, além da grama verde que se estendia até onde a vista alcançava. Respirou fundo e tocou o ferimento em sua testa com a mão esquerda, não estava mais doendo, sentia apenas um pequeno incômodo por a pele ainda não ter se regenerado completamente na área.

Mas o que realmente lhe chamou a atenção fora um desenho estranho em sua pele, bem na palma da mão. Um círculo negro marcava o centro exato de sua palma, 5 linhas subiam como vapor em direção aos seus dedos e contornava-os, ligando aos outros pontos por entre os dedos. Jimin tentava puxar pela memória onde possivelmente poderia ter conseguido algo assim, no entanto não importava a quanto tempo voltasse atrás, ele não conseguia lembrar.

Quando se levantou percebeu que a dor ainda estava ali, seu corpo inteiro fez questão de evidenciar isso muito bem. À sua frente estava a floresta de Nebralya, o fim dela, para ser mais exato. Ele estava nas duas fronteiras, a área onde as muralhas de Fhidrew e Nebralya se encontravam, sendo separados apenas pelo rio Marfels. Agora ele já sabia onde estava, só restava saber como retornaria para o seu reino e o que faria dali em diante.

Segundo os mapas que era obrigado a estudar 2 vezes por semana, havia uma intersecção de rios, um dos braços do rio Marfels entrava por além da muralha, ele só precisava saber exatamente onde ficava, ou para que lado. Os galhos e folhas secas atrapalhavam o percurso, a luz do sol era bloqueada pelas copas das enormes árvores e com a claridade mínima que as imensas muralhas permitiam tocar o solo, ficava ainda mais difícil enxergar para onde ia.

Compassado, ele seguia rápido, no ritmo em que suas pernas e as dores permitiam, mas ainda assim, rápido o suficiente para encontrar o braço do rio antes que o sol fosse iluminar o outro hemisfério. Uma enorme passagem permitia a entrada e saída dos moradores das áreas mais vastas do reino, uma área extremamente vigiada para garantir que quem saísse deveria retornar e vice versa. Uma enorme fila de comerciantes e moradores estava formada em frente aos guardas, uma a uma as pessoas entregavam seus documentos e entravam, enquanto do outro lado era o contrário. Tudo que Jimin precisava fazer era entrar sem chamar atenção. Nada fácil para alguém trajando roupas com o brasão real e completamente sujas de sangue.

Ele encostou as costas em uma árvore e pressionou o abdômen sentindo algumas fisgadas fortes no local. Tudo o que aconteceu ainda estava muito fresco em seus pensamentos, vinham tudo de uma só vez, igual ao estouro das barragens de uma represa, seus pensamentos tornavam-se ainda mais dolorosos do que sua própria dor.

O sol já estava se pondo, em breve estaria difícil de mais caminhar pela floresta e ele não podia perder mais tempo. Desabotoou a camisa e a puxou dos ombros rapidamente, rasgou um pedaço considerável de pano para cobrir o ferimento em sua testa e mais um para apertar o abdômen em tentativa de amenizar a dor que estava sentindo. Agora tudo que ele precisava era encontrar uma forma de entrar.

O tempo se passava e o Park não conseguia programar nada para ser executado, ele não poderia arriscar ferir os soldados, iriam atrás dele de qualquer forma, mas então seus olhos fitaram a mulher alta que sem perceber sua presença, vinha em sua direção. Ela estava com um casaco cinza enorme e o capuz caído sobre as costas, aquilo seria perfeito para ele, se conseguisse pega-lo para si. Ele escondeu-se atrás de uma árvore e esperou que passasse, a mulher passou por ele e três passos à frente Jimin envolveu seu pescoço com um dos braços e tapou sua boca com a outra mão.

 — Shhh, tranquila — sussurrou tentando acalmar a mulher que se debatia descontroladamente. — Eu não quero te machucar, quero apenas que faça algo para mim, está bem? Nada vai te acontecer, você faz o que te peço e todos saímos felizes e contentes, ok? — A mulher consentiu com o diafragma e parou de se mover. — Ótimo, agora, tire esse casaco. — Ela estremeceu mas, ainda assim, começou a desabotoar o casaco, permitindo que deslizasse pelos ombros até cair sobre as folhas no chão. — Perfeito, agora entregue-me os seus documentos. — Novamente ela obedeceu.

Satisfeito com a forma com que a mulher cooperou, Jimin andou mais alguns passos com ela até mais ao meio da floresta e disse para que não se virasse, ela assentiu e ele correu de volta para a passagem. O Park colocou o casaco rapidamente e colocou os documentos dentro de um bolsos, então cobriu a cabeça com o capuz e entrou na fila. Em frente ao soldado que verificava os documentos dos comerciantes, ele abaixou a cabeça e os entregou a ele. Em instantes estava de volta a Nebralya, dessa vez, andando mais rápido para que não fosse descoberto.

Agora, ele estava cansado. Por horas esteve pensando na antiga história que o general costumava contar a ele, uma das histórias mais comentadas em todo o reino. E que seu orgulho o perdoasse, mas coisas absurdas se passavam em sua mente.

Segundo todos, há muito tempo atrás houve um homem impetuoso que moveu os céus pelo amor que sentia por um dos filhos de Hyungseok, o quadragésimo segundo rei de Nebralya. Sua mãe era cozinheira do palácio, seu pai era um caçador muito famoso na região e seu irmão era um dos soldados do reino, e após a morte do pai ele se viu obrigado a seguir com os negócios da família. Porém, ele era diferente dos outros caçadores, não importavam quaisquer que fossem os desafios, ele nunca tivera um fracasso.

Um dia o rei decretou que estavam proibidas as caças, por conta da grande falta que os animais fariam. Algo pensado exatamente para o caçador. O rei desejava um soldado impetuoso e imponente, e não um mero homem que matava animais. Seus talentos eram impressionantes e deveriam ser usados em prol do reino e não de conquistas "vagabundas" lançadas em bares. Porém em uma de suas caçadas, o caçador mirava um filhote de cervo quando o príncipe entrou na frente da flecha, naquele dia e nos outros 4 seguidos, ele fez o possível e o impossível para reaver a saúde natural do garoto. O rei já o odiava por motivos tão banais e se o filho aparecesse ferido por uma de suas flechas, com toda a certeza mandaria matá-lo.

Com o tempo o príncipe melhorou e os dois tornaram-se bons amigos, e um pouco mais à frente o relacionamento entre os dois deslanchou ainda mais. Eles estavam completamente apaixonados, e um dia, após serem flagrados no jardim do palácio pelo próprio rei, eles foram afastados. Eles não podiam ficar separados e inconformado com isso, o caçador procurou o rei e lhe questionou sobre o que seria preciso para casar-se com seu filho. E tão logo a resposta foi dada, ele partiu.

O rei disse que apenas o que dominasse todas as habilidades dos 7 mundos seria digno de seu filho. O caçador viajou de canto a canto, não havia um reino que não soubesse de sua história. Ele conquistou um a um ao longo de mais de 300 anos, e em nenhum momento seu amor pelo príncipe tivera diminuído um grão de areia. Mas quando ele retornou, o rei negou-se a cumprir com sua promessa. Sem outra saída evidente, ambos resolveram fugir dali, o caçador retornaria na próxima noite para buscá-lo, só cometera o terrível pecado de dizer isso à família, sua mãe e o irmão. Ele foi pego assim que chegou ao palácio, fora traído pelo próprio irmão em troca de um título de general da guarda real.

O caçador foi amaldiçoado com a imortalidade e passaria a eternidade enterrado a metros da superfície. Alguns comentavam que se ele saísse traria o caos ao reino, seu ódio pelo rei seria mortal e todos pagariam caro por tê-lo mantido preso por tantos anos. Mas Jimin não conseguia imaginar que um homem poderia viver debaixo da terra por tanto tempo, quão imundo ele deveria estar sem cuidados por tantos anos. Embora para ele fosse difícil acreditar naquilo, ainda sim achava que fosse necessário tirá-lo de lá. Ele sabia bem quem agora estava sentado no trono de sua família, Jeon Sungkeun, o que antes era o braço direito de seu pai e agora tinha Nebralya em suas mãos.

" — Jungkook estava completamente louco pelo príncipe, mas se eles fugissem o reino inteiro pagaria, era o meu dever impedir essa loucura, mesmo que me doesse tanto ver o meu irmão daquela forma. "

" — Mas ele não tentou se defender? Ele podia ter saído dali, não? Eu li que as 7 habilidades poderia formar um guerreiro capaz de destruir exércitos-"

" — Pequeno Jimin, o meu irmão não era nada. Ele tinha aquela fama por ser impetuoso, não ligava para a própria vida, mas ele nunca aprendeu as 7 habilidades, exatamente por isso o rei não permitiu que ele casasse com o príncipe."

Jeon Sungkeun não passava de um homem amargurado em busca de poder, e o rei nunca percebeu aquilo, todos os que vieram depois dele, nenhum descobriu a sua verdadeira máscara. E agora cabia a Jimin fazer o que um rei deveria fazer nessas horas, proteger o seu povo e reaver o seu reino. Mas ele precisaria de ajuda, e ninguém melhor do que aquele homem para ajudá-lo.

Seus pés estavam doloridos, a noite já iniciava e a brisa forte provocada pelo movimento rítmico das folhas nas árvores o tentava a tirar o capuz e respirar mais daquele ar puro, mas não poderia. Mais a frente já era possível ver um pequeno bar, carroças e cavalos tapavam o acesso direto a porta da frente, e pelas enormes janelas era possível ver o quão cheio estava. Ele queria entrar mas, estava sem dinheiro consigo e também corria um imenso risco de ser descoberto.

O Park não sabia ao certo quais seriam os planos de Sungkeun, por isso tentaria evitar ao máximo que fosse pego. Talvez já soubessem que continua vivo, a última coisa que precisava era ser pego e entregue a ele, isso não. Sua vida era o maior bem que possuía no momento, embora quase morrera umas 2 vezes em um curto período de tempo, ele precisava seguir em frente. Algo mais forte estava por trás de tudo aquilo e ele queria descobrir o que era.

Um som alto o fez sobressaltar sobre aquela trilha acidentada, os homens começavam a sair do bar, alguns bêbados e outros nem tanto, talvez estivesse fechando. Isso era um problema. Ele não sabia o que fazer, não haviam lugares para se esconder, as árvores ficavam atrás das cercas de arame e o local era completamente aberto. O que fazer? Seu coração acelerou e continuou a caminhar, com sorte ninguém o notaria.

— Ele é um mago? — Jimin acelerou seus passos. — Ei! Ele está usando roupas de mago.

— O rei não tinha aniquilado todos eles?

— Deve haver uma recompensa para a sua captura, não?

O Park correu. O som alto das vozes eufóricas ecoando a poucos metros acelerava ainda mais o seu coração. Seus pés batiam com força contra os cascalhos e pequenas pedras soltas ao longo da trilha, enquanto o corpo fazia questão de lembrá-lo de que tinha seus limites e que a dor os atenuaria ainda mais.

Mais à frente ele notou o término das cercas e aproveitou para embrenhar-se pelas árvores. Ele continuou correndo, desta vez com o som incessante das folhas secas quebrando no chão a cada passo que dava, e, também, da companhia lustrosa dos homens que o perseguiam. Em frente já era possível ver a cidade, as luzes estavam todas apagadas e um nevoeiro denso pairava no o ar. Há dias atrás, naquele mesmo horário a cidade inteira estava acordada. As crianças brincavam até altas horas da noite enquanto os pais conversavam tranquilamente em frente suas casas. Tudo estava muito diferente.

Ele penetrou nevoeiro adentro e sentiu um baque forte em seu corpo, como se todas as dores que poderia sentir viessem todas de uma só vez. Os homens já não o seguiam, não tiveram coragem de entrar cidade adentro, afinal, eles sabiam bem o que os aguardava se assim o fizessem.

Jimin caiu a poucos metros da floresta, tentava puxar o ar para dentro de seu corpo e nada acontecia. Sua dor estava tão forte que não tinha forças para mover um músculo. Ele agarrou as fendas dos paralelepípedos e tentou se arrastar por aquele chão, como uma escalada, mas não foi tão longe, a última coisa que sentiu fora uma mão deslizar por suas costas e tudo se apagou.

Lentamente ele despertava, movia a cabeça de um lado para o outro lentamente e então, abriu os olhos rapidamente, sendo brutalmente ferido pela secura do ar. Suas pálpebras não eram o suficiente para protegê-los, tampouco suas mãos os apertando enquanto girava na cama gritando de dor.

— Se acalme, por favor, eles não podem te ouvir — um homem aproximou-se e segurou suas mãos, as afastando de seu rosto. — Já vai passar.

Lentamente a dor ia se esvaindo, enquanto se contorcia tentando controlá-la. Quando por fim conseguiu pensar naquilo, já com a dor tênue, aquietou-se e respirou fundo. O homem colocou suas mãos em seu peito e arrumou o tecido que havia posto em frente a boca de Jimin. Seus olhos o encaravam deslumbrado, era a primeira vez que via alguém tão "delicado" quanto ele, sua pele era pálida e lisa como porcelana, parecia nunca ter tomado sol na vida, e o brasão real em suas roupas tornava tudo ainda mais intrigante.

Jimin abriu os olhos com dificuldade, tudo ainda estava um pouco borrado, mas com o tempo conseguiu ver com exatidão o rosto jovial do homem que o olhava atentamente. Ele tinha uma espécie de lenço preso em frente a boca, os cabelos eram de uma tonalidade negra tão intensa que chegava a ser surpreendente a forma como brilhavam sobre a luz.

— Quem é você? — Sussurrou preocupado.

— Sou Seokjin, encontrei-o caído no início da vila e o trouxe para cá — ele sorriu calorosamente e se afastou, foi até um um de seus armários e trouxe consigo um vasilhame com algo dentro.

—  Onde exatamente é aqui?

— Aqui é a vila de Dhier, centro de Nebralya. — Jimin assentiu ainda um pouco perturbado.

Ele desviou o olhar do homem e olhou em volta, estava em uma espécie de quarto, tinham armários de madeira, uma pequena mesa no canto, ao lado da porta e mais uma cama do outro lado. Era tudo bem simples, as paredes já antigas, o piso de madeira, mas ainda assim era aconchegante, claro que não se comparava com o palácio, mas era um ótimo lugar.

— No palácio é mais confortável, não é mesmo? — Seokjin riu baixinho e respirou fundo. — Meu marido e eu estávamos reformando quando... — Ele desviou o olhar de Jimin e fitou o chão com uma expressão de um misto de medo e dor. — Depois que os nobres foram mortos não restou mais nada. O rei nos abandonou e o novo soberano nos castiga todos os dias com algo novo-

— Novo? — Jimin franziu o rosto.

— A fumaça, o odor dos corpos dos magos, as carruagens... — Uma lágrima escorreu de seus olhos e ele os fechou respirando fundo. — Carruagens negras levadas por 4 cavalos brancos passam todos os dias pela vila. Os soldados levam todos aqueles que estiverem na rua, sem exceções. O destino dos que são levados é incerto, muitos dizem que são mortos e pendurados nas muralhas para aumentar o odor pútrido que dela emana.

Jimin prendeu a respiração e arregalou os olhos. O que alguém ganharia fazendo algo assim? Não havia explicação plausível para isso. Sungkeun mostrava-se um louco.

— Eu sinto muito por tudo isso, mas preciso sair daqui — ele se sentou na cama e Seokjin lhe estendeu o vasilhame que continua uma espécie de sopa no interior. — Eu não tenho fome.

— Pois então não sairá daqui — Jimin sorriu e estendeu a mão recebendo o pote com sopa. — Isso, bom menino. — O homem riu e sentou-se ao seu lado. — Como se chama?

— Park Jimin.

— O filho mais velho do rei...

Jimin encarou o chão solenemente e lembrou do dia em que acordou no meio da noite e correu ao quarto dos pais para avisá-los da invasão. Desde então ele nunca tinha parado para sentir a falta deles, estava muito ocupado tentando sobreviver.

— Foi tudo minha culpa, aquela noite eu não pressenti o que ia acontecer — olhou para Seokjin com o olhar perdido.

— Isso não foi sua culpa — sorriu carinhosamente e passou uma das mãos pelos fios  loiros do cabelo do Park. — Todos nós da vila somos meros humanos, se tivéssemos o poder de prever as coisas como você, nada disso teria acontecido. Somos obrigados a viver com a expectativa de que o futuro será o que fizermos com que ele seja.

— Mas eu nunca falhei, Seokjin — suspirou e encarou a sopa entre suas mãos e respirou fundo.

— Pois então essa foi a sua primeira vez — ele levantou e virou-se para ele. — Quando nos acostumamos a ter tudo nas mãos, sempre virá alguém mais determinado e nos tirará tudo. É por isso que temos que saber lutar por aquilo que é nosso, e não esperar que um dia o acaso resolva nos apunhalar pelas costas.

— Você está certo.

— Mas é claro que estou, também estou certo de que ainda deseja reaver o reino. Não é por nada, mas eu agradeceria muito se o fizesse — os dois riram alto. — Então, qual o seu plano?

— Estou em busca do caçador — Seokjin arregalou os olhos e franziu o rosto. — Eu sei que parece loucura, mas-

— Não, não parece — ele ironizou. — Isso é loucura. O caçador é impiedoso, você não pode ir atrás dele.

— Impiedoso? — Jimin franziu o rosto e notou o desconforto de Seokjin com sua pergunta.

Seokjin com toda a certeza sabia mais do que contaram a Jimin em sua vida inteira, mas ele não mudaria de idéia quanto a seu plano, sozinho ele não conseguiria. Mais um tempo se passou e Seokjin resolveu ajudá-lo a chegar a floresta, lhe emprestou seu único cavalo e disse a localização aproximada onde o caçador estaria e assim o Park seguiu.

A floresta de Nebralya contornava todo o reino e em certo ponto unia-se a floresta de Hyuntsuk, o único problema era que a partir dali não existiam mais trilhas, apenas um emaranhado de árvores secas e galhos quebradiços. Ele desceu do cavalo e o amarrou a uma árvore que constatou ser segura. Agora, Jimin só teria que caminhar por mais algumas horas até chegar ao seu destino.

Esgueirando-se dos troncos e galhos, ele entrou floresta adentro. O odor não era nada agradável, a floresta seguia o rumo das muralhas e o estado em que elas se encontravam era deprimente. Já era de se esperar que os outros reinos estivessem rindo de Nebralya, não havia vergonha maior do que ter o maior poder de seu exército aniquilado.

Ao pular um tronco caído, uma fisgada forte no abdômen quase fez Jimin gritar de dor. Ele jogou-se de costas em uma das árvores próximas e foi deslizando até estar caído no chão. A dor se intensificava a cada segundo e não importava o que fizesse, aquela com toda a certeza era uma das piores dores que tivera sentido. Sua respiração já estava descontrolada enquanto lutava contra as lágrimas que se amontoavam nos olhos. Com as pernas ele empurrava mais o corpo contra a superfície seca aquele tronco, de alguma forma aquilo ajudava minimamente. Ele fechou os olhos com força e de repente tudo parou. A dor desapareceu.

Jimin levantou-se e abriu o casaco para olhar para o próprio corpo, estava tudo em seu perfeito lugar e agora sentia-se como se nada tivesse acontecido, como se a dor que quase o fizera chorar a um minuto atrás nunca tivesse aparecido em seu corpo. Aquilo estava errado e ele estava preocupado.

A floresta de Hyuntsuk não ficava muito longe, mais algumas horas para o norte e a encontraria sem dificuldade alguma, mas o verdadeiro desafio seria encontrar o local onde Jungkook fora enterrado. Os soldados do rei não seriam tão bondosos colocando uma placa para avisar onde ele estava. Jimin pensou bem e respirou o mais fundo que podia, se arrependendo amargamente por inspirar aquele ar poluído. Agora ele tinha medo que aquela dor retornasse, talvez no choque com aquelas rochas tenha se ferido internamente, mas se realmente o fosse, tudo já teria se regenerado e agora não estaria sentindo mais nada.

As horas se passavam e a noite caiu fria e escura. Era complicado caminhar em meio a tudo aquilo sem a mínima fonte de luz, sem saber ao certo o que encontraria no meio do caminho, mas ele prosseguiu. Jimin durante todos os seus anos, teve o melhor dos treinamentos, fora preparado com todos os atributos necessários para receber o trono de seu pai assim que completasse seus 2 mil anos. Ele era extremamente habilidoso com táticas de combate e sempre teve uma coragem digna de um deus.

Mas, mesmo que tão preparado para tomar o lugar do pai, o avô não concordava com a escolha do filho. A tradição era seguida à risca desde os primórdios de Nebralya, mas Jimin era diferente dos outros, ele era o único que não era filho de sangue de Junghwan, o marido do príncipe Taehyung. Seu pai fora prometido a um mago que dissera jogar uma praga sobre o reino caso o príncipe não lhe fosse entregue. E desse relacionamento Jimin nasceu.

No fundo, seu avô temia que ele puxasse as características do mago, o que não demorou para ser descoberto pouco mais tarde. Em um treino de rotina, o Park teria ficado furioso com o seu treinador, ele fechou as mãos com força encarando-o e o chão estremeceu. Quando se dera conta do que havia feito, ficou assustado, mas já era tarde, o chão abaixo do treinador o desequilibrou e como se tudo já estivesse programado, ele caiu e soltou sua espada no ar, permitindo que a mesma retornasse em seu pescoço. Jimin tinha apenas 7 anos quando isso aconteceu, mais e mais casos como esse foram contabilizados e por isso o avô o considerava uma ameaça, embora jamais tivesse tido a real intenção de ferir alguém.

Finalmente ele havia chegado, Seokjin tinha falado sobre uma pequena elevação no solo com um enorme carvalho repleto de galhos longos e pesados. Era exatamente o que ele via por entre a neblina baixa do local, aquela parecia ser a única árvore viva em toda a floresta, passava dos 40 metros de altura e com toda a certeza duas pessoas poderiam andar lado a lado tranquilamente em seus galhos, aquilo só poderia representar algo muito importante. Não era possível que em uma área repleta de gigantescas árvores mortas apenas aquela estivesse viva.

Ele foi até a árvore, atento a todos os lados. O caçador estava a provavelmente quilômetros da superfície, e o que mais o preocupava era saber qual o seu estado após tantos anos embaixo da terra. Não que a idéia de não conseguir tirá-lo de lá também não o preocupasse. Jimin procurou por alguma fonte de fogo e encontrou uma árvore pequena de onde um dos galhos pingava seiva. Ele tirou o casaco e desenrolou o pedaço da camisa que havia preso ao redor do abdômen, em seguida o ajeitou por entre as mãos e esperou que caísse uma quantidade razoável daquele líquido denso sobre o tecido. No chão ele pegou um pedaço considerável de madeira e amarrou o tecido na ponta. Agora só precisava de fogo.

Não haviam pedras pequenas em nenhuma parte, apenas imensas rocha espalhadas pela área, então ele juntou alguns gravetos e foi para debaixo do carvalho. No chão, apoiou a tocha improvisada sobre uma das coxas e juntou uma quantidade boa de folhas secas. Uma vez ele tinha se perdido na floresta de Nebralya com um dos irmãos e eles tiveram que fazer fogo para aguentarem a noite fria, na verdade, Jimin fez tudo sozinho, o irmão só ajudara a conseguir os materiais. Assim como da primeira vez, pegou dois gravetos nas mãos e começou a esfregá-los, não estava dando muito certo, era uma madeira muito macia, em meio a neblina seria ironia encontrar algo que não estivesse úmido.

O tempo se passava e nada, ele jogou os gravetos longe e bateu as mãos nas folhas sobre o chão. Jimin estava casado, dolorido e estressado, conseguir fogo por ali não seria nada fácil, e sua raiva já tomava um sentido drástico em seu interior. Ele apertou as folhas por entre os dedos e encarou as próprias mãos. Seu rosto queimava violentamente e seus músculos se contraiam mais a cada momento, estava ficando ainda mais irritado e se não encontrasse uma saída colocaria a floresta à baixo. Talvez ele conseguisse manipular a terra como fazia com as outras coisas, como estava sem outras opções, ele se concentrou e suas mãos doeram intensamente, porém, o chão abaixo de si começou a tremer. Os imensos galhos do carvalho estavam subindo e quando ele virou para trás, a imensa árvore estava afundando.

A terra começou a se abrir e uma longa fenda seguia em direção de Jimin. Ele não esperou por mais tempo, colocou-se de pé e correu o mais rápido que pode. Atrás de seu corpo a terra desaparecia enquanto a fenda se abria ainda mais, e foi mais rápida que ele, o Park saltou para não ser engolido pelo buraco, porém já não havia superfície a sua frente. A queda fora violenta, ele afundava em meio a escuridão sendo atingido por fragmentos de terra e batendo arduamente contra as raízes grossas que cresciam em desordem no solo.

Aquilo parecia interminável, seu corpo doía tanto que nem mesmo pudera respirar, e de repente, suas costas estalaram alto contra o tronco do carvalho completamente destruído no solo. Jimin respirava com dificuldade, não conseguia ver nada além da escuridão por toda parte e seus olhos insistiam para que os fechasse, e sem nem mesmo pestanejar, fechou-os.

Quando o Park despertou, a escuridão ainda estava presente, sentia dores em partes que nem lembrava que tinha, e o braço esquerdo doía mais do que pudera suportar. Ele girou sobre o tronco e despencou mais um metro e meio até sentir o gosto de terra misturando-se com o sangue em sua boca. Jimin tossiu algumas vezes e virou o corpo para apoiar as costas doloridas no solo.

O caçador poderia estar em qualquer lugar, o único problema era saber se Jimin ainda aguentava ficar de pé e descobrir onde ele estaria em meio àquela escuridão. Ele tateou o solo ao seu lado e por sorte encontrou dois pedaços de pedra, ainda eram grandes, mas ele estava disposto a tentar. Sentou-se no chão com muita dificuldade, puxou algumas folhas secas que encontrou junto das pedras e as arrumou em um pequeno montinho, então, ele começou a bater uma pedra na outra. Agora já não era mais questão de conseguir, ele tinha que iluminar aquele lugar para saber onde devia ir.

Quando uma fagulha singela saiu do atrito entre as duas pedras, ele abriu um sorriso largo e agradeceu internamente por aquilo. Calmamente as folhas acendiam, gerando uma pequena e reconfortante taxa de calor. Ele esqueceu-se da dor e começou a pegar mais folhas e gravetos para avivar o fogo e, logo ele já tinha uma imensa fogueira que iluminava e aquecia quase toda a área daquele "buraco". Arrastou alguns troncos, jogou folhas por cima e conseguiu finalmente o que desejava.

O fogo era incrível, trazia uma sensação impagável de segurança e conforto que ele jamais havia sentido em toda a sua vida. Mesmo que desejando amargamente sentar-se naquele chão e aproveitar a chama que ardia envolvendo os galhos fortes, ele não poderia.

Apertando o braço esquerdo, ele procurou pela tocha que havia feito até encontrá-la caída embaixo de um dos galhos do carvalho. Jimin não esperou nem mais um segundo, acendeu-a e começou a andar rente as paredes daquele lugar, elas eram cheia de raízes, por vezes ele também percebia a passagem de um verme por entre a terra, e foi assim, caminhando, que ele encontrou um pequeno corredor.

Erguendo a tocha o mais alto que alcançava, ele ia olhando pelos lados até não ter para onde ir. Não tinha mais nada além de paredes de terra por todos os lados, ele respirou fundo e tentou discernir o que tanto martelava em sua cabeça. O caçador estava enterrado em alguma parte, então, ele teria que descobrir onde, mas não haviam motivos para cavarem um corredor como aquele para que não tivesse serventia, logo, ele tinha que estar por ali.

Ele olhou novamente parte por parte até notar que a terra  formava um pequeno círculo em uma das áreas da parede em frente. Jimin deu um jeito de colocar a tocha na outra parede e começou a retirar o material daquela área com as próprias mãos. Ele era um pouco úmido o que facilitou bastante para que encontrasse a superfície enferrujada de um elo de corrente. O Park prosseguiu, desta vez, pegando uma quantidade maior das raízes contorcidas por entre aquela terra e a jogando sobre o chão.

Não demorou muito para que descobrisse as costas do caçador, o início da nuca até o término da coluna. As correntes rodeavam seu corpo quase por inteiro, enquanto o tecido das roupas quase não existiam mais, ao menos parte da camiseta já deixara de existir, permitindo que sua pele ficasse exposta, agora, seguindo diversas matizes claras de marrom.

Jimin continuava, fez o contorno mínimo de sua cabeça, descobrindo o quão grande seu cabelo estivera, com toda a certeza ele teria de arrastá-lo pelo chão. E com o peso do barro preso aos fios não seria nada confortável. Ele estava pronto para continuar quando uma quantidade pequena de terra caiu sobre seus pés, o caçador estava se movendo.

O Park afastou-se e tomou sua tocha em mãos, ele precisava quebrar aquelas correntes para que ele pudesse sair daquele lugar. Ele segurou a parte que contornava o pescoço do caçador e a apertou por entre os dedos, um pouco que Jimin se descontrolasse, poderia fazer cair toneladas e mais toneladas de terra sobre ambos, ele respirou fundo e concentrou-se. Seus dedos formigaram um pouco e suavemente um dos elos abriu no interior da sua mão.

Aliviado ele encostou as duas pontas da corrente na nuca do caçador para que soubesse que estava livre e no mesmo instante ele moveu-se mais rápido enquanto a terra caia no chão com mais frequência, lentamente estava livrando-se daquela penitência.

Jimin acompanhava tudo sem conseguir imaginar-se preso por 2 mil anos assim, sem poder se mexer. O tempo se passava e antes que tivesse realmente esperando por aquilo, o caçador caiu para fora da parede. O Park foi até ele e puxou a corrente que prendia suas mãos unidas, era possível ver 5 anéis ao todo, o príncipe apenas não comprovou por não saber qual seria a sua reação se o tocassem no momento.

O caçador livrou-se das correntes em torno do pescoço e da terra que se acumulava em frente ao seu rosto. Pela primeira vez em 2 mil anos ele abriu os olhos, sentindo certo desconforto com a luz fraca que iluminava o local. Jimin aproveitou para tirar as correntes de seus pés e arrancar a terra presa entre eles, e quando voltou a olhar para ele, o som atordoante de seus cabelos se quebrando ecoou pelo silêncio do corredor, era isso ou carregar uma tonelada de cabelo em suas costas. Ele cuspiu um nó de corda que o impedia de falar e levantou-se normalmente. 

Embora um pouco gastas, suas calças pareciam ser a única coisa que não tivera sofrido tantas mudanças com o tempo. Os cabelos agora batiam nas costas e a pele do rosto ainda estava extremamente pigmentada pela terra. Ele bateu o máximo de terra das roupas e lentamente arrastou os olhos para poder encarar Jimin que não recuou em momento algum, mesmo sentindo o olhar carregado do caçador.

— Caçador — Jimin disse inexpressivo. — Quero que me acompanhe.

O caçador riu debochado forçando-o a estreitar os olhos e respirar fundo. Claro que ele não esperava que fosse tão fácil, e também não facilitaria para ele.

— Creio que não lhe foram ensinados bons modos — sua voz soara um tanto áspera demonstrando uma rouquidão única em seu timbre calmo e controlado.

— Foram sim, também me foi ensinado que nem todos merecem o mesmo reconhecimento. — O caçador franziu o rosto. — Não estou aqui para brincadeiras e se puder levar o assunto mais a sério eu agradeceria.

— Tão jovem, tão insolente — ele deu um passo à frente e sorriu de lado. — Quem é você?

— Park Jimin, quadragésimo quarto sucessor do trono de Nebralya.

— É filho de Taehyung? — Surpreendeu-se, ele olhou para o chão com uma expressão um tanto perdida e voltou a encarar Jimin, desta vez, com o rosto franzido e os olhos estreitos. — O que veio fazer aqui?! — Exaltou-se.

— Libertar você, não está vendo? — Jimin respirou fundo e encarou os olhos negros que o metralhavam. — Um louco tomou o trono de Nebralya, matou milhares de pessoas e está tentando destruir o reino-

— Isso não é culpa minha! — Gritou ofegante. — Eu passei milhares de anos nesse lugar, ninguém importou-se comigo por toda uma vida! Agora pensa que está no direito de vir aqui me pedir ajuda!

— Olha, eu lhe dou a minha palavra que se soubesse que você realmente existia já o teria tirado daqui a muito tempo e-

— Mentira!

O caçador veio a Jimin com passos rápidos, as paredes estremeceram e o teto liberou alguns pedaços de barro, o Park não conseguia ver de onde aquilo estava vindo, mas se continuasse mataria os dois. Aquele homem segurou-o pelo pescoço e o imprensou contra a parede olhando em seus olhos, no mesmo instante a tocha que estava em sua mão escorregou por entre os dedos e rolou pelo chão.

Jimin tentava afastar suas mãos sentindo uma dor esmagadora no pescoço. Seus órgãos se contraíam e os braços perdiam as forças. O caçador não podia ser tão forte assim, era um humano como todos os outros, e mesmo que tivesse experiência em batalha, não poderia tirar sua vida com apenas uma mão, era impossível, mas ele estava conseguindo.

— Eu não quero machucá-lo.

— Não se preocupe, você não vai — ele apertou ainda mais, sentindo o Park ficar ainda mais indefeso em sua mão. — Foi um erro vir me pedir ajuda, garoto. Seja lá quem tomou o trono de sua família fez-

— Sungkeun, Jeon Sungkeun

O caçador soltou Jimin e afastou-se perplexo. Com toda a certeza ele não imaginava que o irmão conseguiria algum dia ser alguém além de um inútil parasita, mas ele tinha conseguido.

" — Me soltem, eu não fiz nada!"

" — Claro que não, irmão. Parece até que insinua que fui eu quem sequestrou o príncipe — ele sorriu debochado, vendo os soldados arrastarem Jungkook para o buraco recém escavado."

" — Você é um desgraçado Sungkeun!"

Fora a última vez que Jungkook viu seu irmão, o sorriso debochado ainda estava intacto em seus pensamentos. Esperava o dia em que acabaria com aquele rosto liso, seu irmão gêmeo tramou contra ele durante todo aquele tempo e quando teve a chance tratou de cumprir com os seus planos. E agora, era a hora de ele pagar.

— Então, caçador. Acho que lhe dei um bom motivo para ajudar-me — o caçador sorriu e o encarou intensamente.

— Ajudarei, contanto que ele não morra.

— Decidiu pagar de bom irmão? — O Park riu da ironia.

— Eu quero enterrá-lo mas dessa vez, ninguém saberá onde e  nem como ajudá-lo.


Notas Finais


Bom kk Essa história surgiu do nada, eu estava apenas navegando pela internet e li algo sobre um homem que caiu em um buraco kkk Eu realmente sou doente kkk

Espero que tenham gostado, me desculpem pelo tamanho... É que é difícil escrever pouco, mas vou ver se consigo mais pra frente.

Muito obrigada a quem leu até aqui, alguém que aguentou kk Se tiverem algum comentário será recebido de bom grado, a minha insegurança implora por isso kk

Por enquanto é isso, até o próximo capítulo♥

Kiss


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