História O Dragão Branco - Capítulo 9


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Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones)
Personagens Eddard Stark, Jon Snow, Lyanna Stark, Personagens Originais, Rhaegar Targaryen
Tags Fogo, Game Of Thrones, Gelo, Jon Snow, Lyanna Stark, Rhaegar Targaryen
Exibições 25
Palavras 2.427
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Bem, demorou mais tá ai. Foi uma situação de "não to afim", e não ia me força a escrever, porque ia dar num capítulo ruim, mas fiquei feliz com o resultado desse episódio. Aproveitem :D

Capítulo 9 - O Corvo


O frio batia junto com o seu coração. Não podia acreditar no que o homem havia sugerido, e estava ainda mais desacreditado por aceitar a proposta. O que iria fazer? Precisava dos navios, e Balon não iria entregar a eles o que queriam.

— Meu irmão planeja te pegar de surpresa — o Olho de Corvo dissera depois de informarem a Jon quem era — mas não se preocupe, pegaremo-lo de surpresa.

— Estaremos indo sob bandeira de paz — implicou Eddard.

— Balon não se importa com uma bandeira branca — entrou Imry Wylde — devemos jogar seu jogo — o comentário tirou um sorriso dos lábios de Euron.

Eddard não tinha resposta. Mesmo se o atacassem, sem a bandeira da paz, a frota iria fugir e eles seriam obrigados a enfrentar o inimigo pela frente, e era exatamente isso que planejavam evitar.

— Os homens de ferro tem a minha confiança. Os próprios iram matar a sua “senhoria”, Vossa Graça — completou o maldito.

Jon olhou-o por longos segundos, e algo em seu olho azul-claro o fez lembrar do gélido Roose Bolton. Amaldiçoou-o sete vezes e disse:

— Acampe seus homens — sentiu o lobinho em seus pés. “Não”, ouviu-o dizer, “não o faça” — cavalgamos amanhã.

Ótimo, saudou os nortenhos com uma escolha que muitos diriam insensata; deixar o suposto inimigo acampar ao lado dos próprios homens. Observou as figuras negras passando ao seu lado, todo duros e com um odor salino. Um dos que seguiam em fila se mostrou hostil e odioso em direção a Jon. Distinguiu a face rapidamente. Denis Drumm. Se perguntou no que estava se metendo. Olhou para trás, onde Barristan o olhava impotentemente.

— Chame os vassalos, temos que discutir.

E discutiram. Sentaram em volta de uma fogueira, pequena para não queimar a floresta inteira, e conversaram sobre as possibilidades. Todo esforço de chegar em um acordo parecia infrutífero; os nortenhos se mostravam hesitantes, mas concordavam que se Balon realmente planejasse uma armadilha não teriam os navios, e sem os navios a guerra iria ser em vão. Porém, concordavam também que Euron Greyjoy não era lá o homem mais confiável, e seria provável que iria pedir o título de senhor de Pyke, como recompensa pelos “esforços” de ajudar a coroa. No final, aprovaram que seria um risco que valia a pena ser tomado, diferente dos lordes vassalos de Stannis, que sempre argumentavam sobre qualquer coisa. Imry Wylde até ameaçou levar os homens de volta quando Grande-Jon disse que seria mais fácil acreditar numa pedra do que acreditar na palavra dele.

No final, Jon pôs um ponto final, com a voz mais autoritária e grave que podia soltar.

— Se quiser ir embora, vá — disse ao gordo homem — não precisamos de seus homens ou de você, que se mostra ímpio diante de um problema. Você é fraco Imry, tal como tantos sulistas — a cara do gordo ficou esmaltada de vermelho — e tal como Balon. Vamos conseguir os navios de um jeito ou de outro, mesmo que isso signifique colocar outro fraco que traia o irmão no poder — virou as costas. Estava cansado das intrigas desnecessárias desses sulistas. Por uma vez desejou ter nascido no frio do Norte, onde todos deveriam acreditar uns nos outros. Virou a cabeça — vamos cuidar de Euron quando ele tentar nos trair.

 

Jon mal dormiu. Ficou pensando na expressão frigida de Eddard, tão frigida que pensou iria nevar. Ele não conseguia se contentar com traição tanto quanto o sobrinho; os dois odiavam traição. Que escolha temos? Quando Jon dizia isso a si mesmo não parecia tão ruim. Ficou olhando o dragão adormecido, enquanto acariciava os pelos nevados de Fantasma. A noite estava quieta, exceto pelo crepitar da fogueira de alguns madrugantes, junto com a conversa suave do mesmo. Lembrou de seus tempos em Porto Real. De quando brincava com Maerys, Robb, Aerea, com Daemon observando.

Lembrou do neto de Hoster Tully, Edmund, com os olhos azuis de água e os cabelos ruivos de lama. Estava morto, bem sabia, como o papel que recebeu de Varys dizia. Gentilmente sentou-se e pôs-se a procurar nas malas, até encontrar a calça que usava naquele fatídico dia. Encontrou o papel amassado em seu bolso e o leu. Aquilo era mais que o bastante para justificar o que iriam fazer.

Só morte justifica morte.

 

Foi o primeiro a se levantar de manhã; quer dizer, nunca se deitou em primeiro lugar; e olhou a bola amarelada e laranja subir, dando ao céu um tom resplandecente de um curioso púrpura, com o horizonte carmim e laranja. Robb se levantou seguido de Eddard.

— Não gosto disso mais do que você — Jon forçou-se a dizer quando Robb foi pegar o desjejum; peixe que foi pescado do Rio Febre, ovos e bacon.

— Sei que não temos escolha — se conformou Ned — mas Euron é um homem perigoso, não foi por bem que Balon o exilou das Ilhas de Ferro.

— Por que o mandaram embora?

Eddard olhava profundamente nas águas cristalinas do Rio Febre

— Dizem que foi porque estuprou uma das esposas de sal de Victarion.

— Muitos homens estupram mulheres.

— Dizem que cobiça o trono do pai — completou com frieza quando Robb chegou com desjejum.

Outros homens amanheciam enquanto comiam.

— Aonde esta Bran? — perguntou Jon enquanto saboreava um ovo frito.

— Decidimos deixá-lo em Winterfell — respondeu Robb. Um Stark deve sempre estar em Winterfell — ele reclamou tanto... Gostou de Fantasma?

— Sim — disse fazendo carinho no pequeno que estava adormecido — parece bem grande, tem quantas semanas?

— Duas. É um lobo gigante.

Jon achou aquilo engraçado.

— Foi para o outro lado da Muralha para pegar ele?

— Não iria acreditar no tamanho da mãe — rangeu Robb com um sorriso — era quase do tamanho de um cavalo.

Jon olhou ternamente para Fantasma. Não era de acreditar em histórias facilmente, mas os olhos escarlate-escuros que o fitavam denunciaram a verdade. Acordou. Levantou-se quando percebeu que todos faziam o mesmo. Segurou Fantasma um pouco mais forte quando viu Corliss junto de Maerys e Aerea, que mancava apoiada no meistre, com uma faixa meio vermelha no joelho.

— Quero cavalgar com você — ela falou baixinho, transferindo a mão delicada para o ombro do irmão mais velho.

Havia mandado ela e o irmão para dormirem com Corliss justamente para escondê-los, não queria homens como Euron ou Roose vendo sua fraqueza.

— Aerea... — agachou e segurou na sua cinturinha que se formava — não quero que a machuquem... Vá com Maerys, ou Corliss.

— Você tem um dragão, ninguém vai se atrever...

— Vamos Aerea — soou Maerys. Era bom ouvir a voz do irmão, mesmo que estivesse cheia de lamento e tristeza. Ainda estava vivo.

Aerea franziu o cenho, mas se virou e montou no cavalo de Maerys; um corcel pequeno e ligeiro, com a crina longa e preta, tal como o resto do corpo. Jon chamou Medroso e pousou a mão ao lado de sua cabeça, fazendo movimentos suaves e circulares, como o companheiro gostava, descobriu. Podia chamar-se Medroso, porém era um lindo e forte garanhão, com as costas erguendo-se um pouco acima de seu dono, ostentando um pelo branco como neve. Só tinha um medo incombatível de Agron, muito pior do que as outras montarias. Pena. Teria que se acostumar a ser assustado.

 

Depois de dois dias finalmente avistaram a lula gigante em dourado sobre negro a flutuar nos mastros de meia centena de navios. Aquilo era apenas meio mar, como um rio extremamente largo, com pelo menos um quilômetro de espaço entre as margens, e o mais importante, era salgado. Como o primeiro na fila de seu exercito, Jon vislumbrou os navios, onde homens bebiam e jogavam jogos, alguns até gritando. Em terra firme, algumas tendas erguiam-se sob o céu cinza, o sol brilhando atrás das nuvens. Jon agradeceu que a lama havia sido substituída pela grama verde vivo, amassada por causa dos muitos homens que iam e viam no acampamento que se estendia ao lado da Boca. Balon sentava-se com os vassalos, e os estandartes esvoaçavam acima de suas cabeças. Estavam solenes e até assustados, esperou, ao ver o dragão branco sobre si.

O dia cheirava a chuva. Não, cheirava a tempestade.

Estava acompanhado dos três cavalheiros brancos, Bryce, Barristan e Arthur, dos nortenhos, Roose Bolton, Grande-Jon e Pequeno-Jon, que foram ótimos companheiros, pai e filho, Rickard Karstark com o filho, Harrion, Maege Mormont com a única filha lutadora, Dacey, que era linda e perigosa e Galbart Glover, com o filho. Stannis e seus subordinados ficariam atrás, com a força preparada; não seriam nada de bom na conversa. Ainda tinham Daemon como refém, e não gostariam da noticia de Rodrik.

Esse plano é loucura, pensou Jon quando levou Medroso a descer do pequeno morro em que encontravam-se. Atrás de si, a pé vinham os prisioneiros. Rodrik Harlaw seguia em primeiro, seguido de Gorold Goodbrother, que encontrava-se na frente de Andrik Blacktyde, com o último sendo Maron Greyjoy. Não conseguiria distingui-los uns dos outros se não tivessem os cabelos e barbas diferentes, todos exibiam cabelos e olhos negros.

Três jovens ao lado de Balon usavam mantos vermelhos, com pequenos broches de cornos dourados segurando-os. Eram os três filhos de Gorold Goodbrother, todos tão semelhantes que Jon imaginou os problemas do dia-a-dia, tentando distingui-los. Outro homem estava ao lado oposto, segurando um manto verde e preto dos Blacktyde. Outros dois carecas estavam com a foice dos Harlaw, provavelmente sendo os filhos de Rodrik, acompanhados de um homem de cabelos ruivos. Adicionando aos vassalos, dois homens usavam o leviathan decorado de gris e negro num mar cinzento dos Volmark, uma dúzia de nobres usavam o cardume de peixe-prateado sobre verde pálido dos Botley e três homens vinham com os pinheiros verdes sobre amarelo dos Orkwood. Victarion, Jon assumiu, estava atrás de sua senhoria, junto do jovem Theon e da rígida Asha.

Alguns cavalheiros seguiam os lordes, tão duros como seus senhores, carregando estandartes do dragão de três cabeças, branco sobre negro, flutuando como um dragão faria, acima dos homens. Agron ficou Corliss tal como seus irmãos, e o que o preocupava, Ramsay não estava em lugar nenhum. Não conseguiu pensar quando viu o irmãozinho a frente de Balon, limpo e sem hematomas. Estava tão inexpressivo como sempre, mas jurava que podia ver medo abaixo dos olhos púrpura reluzentes do pequeno dragão. Parou Medroso e desmontou rigidamente, seguido dos nortenhos atrás de si. Rajadas de vento batiam em seu cabelo encaracolado, longo e emanharado, e faziam o mesmo com o manto preto, colando a seda em si. Fitou Balon, com a cara mais comprida, solene e reservada que pôde, tentando imitar Lorde Stark. Sempre diziam que se assemelhava com ele.

— Vossa Graça — rosnou baixinho, quase mais baixo que o vento, o velho Greyjoy — creio que veio para concordar paz.

Jon deu três passos para trás e viu-se admirar as costas dos prisioneiros.

— Sim, e uma troca de prisioneiros...

O senhor das Ilhas de Ferro apertou o olhar, franzindo a testa.

— Onde esta Rodrik? — desta vez Jon leu seus lábios.

— Está com nossos homens a salvo — havia repetido aquelas palavras um milhão de vezes, mas soou como um garotinho assustado.

Não soube como, mas Balon Greyjoy empunhava uma faca, longa e fina, reluzindo ao sol atrás das nuvens, perto demais de Daemon.

— Vamos começar pondo o punhal na mesa — ouviu a voz forte e retumbante de Grande-Jon.

Greyjoy mostrou-se inflexível, relando o aço prateado na garganta fina de Daemon, fazendo o menino lagrimejar. Nunca tinha visto o irmãozinho chorar, recordou-se

— Ouvi coisas horríveis — disse com pesar na voz — sobre o que fez com meu filho... — Ah não — e sobre como roubou a espada de Lorde Drumm — completou olhando na bainha de Jon, que ostentava a Chuva Rubra, escarlate reluzindo a luz do sol.

Ouviu-se cavalos atrás de si e a cara de Balon afroxou-se.

Homens! —num estrondo mais alto que qualquer trombeta de guerra, Euron cavalgou ao encontro dos nobres — isso é loucura, suicido, juntamo-nos a eles e vivemos — Os Nascidos de Ferro se entreolharam, confusos com o retorno do Olho de Corvo — Balon está levando vocês à morte!

Balon apertou o punhal em Daemon, inclinando-se para frente.

Você — rosnou — nunca devia ter voltado, NUNCA!

— Irmão! Leva seus homens para a morte. Temos uma chance com os dragões.

Soldados pegavam as armas e rodeavam o Olho de Corvo, mas hesitavam como se tivessem que matar um irmão. Balon voltou a olhar nos olhos de Jon.

— Diga — estava desesperado, e quase iria chorar, por mais ridículo que a idéia parecia a todos — matou meu filho?

Deu um passo a frente, descansando a mão no ombro de Maron, o herdeiro das Ilhas de Ferro. Sentiu a dor fatigante que a perda de um familiar trazia, e compreendeu o homem, que parecia ter a mesma dificuldade. Balon amava Rodrik, e por um momento sentiu-se mal por ser forçado a matá-lo. Perder um filho e uma guerra, perder o orgulho e a coragem, o que sobraria? Piedade.

— Este é seu herdeiro — disse desgraçadamente.

Balon olhou para trás, para o irmão Victarion, tentando encontrar apoio. O irmão balançou a cabeça. O que Balon estava fazendo seria loucura, pensou. Euron ria, Grande-Jon agarrava a espada gigantesca, o Pequeno-Jon seguia o pai, Roose recuava, Rickard chutava a mesa, Harrion corria para a esquerda, Galbart Glover esquivava para a direita, o filho, Robett, brandia a espada. Foi rápido demais, mas no próximo segundo o pequeno irmãozinho chorava, chorava lágrimas rubras, descendo pela garganta e encharcando o manto lindo que usava. Só Balon existia, só ele e Chuva Rubra. Voou em sua direção, em meio ao caos, embainhando a espada rubra de sangue, carmim do cometa vermelho e escarlate dos Drumm, resultando no vermelho dos Targaryen, camuflado pelo líquido que saia das entranhas de Victarion.

Retornou aos sentidos e tirou a lâmina de Victarion. Errei o alvo, sim, ouviu-se pensar. Os cavalheiros brancos lutavam a sua volta, junto com os senhores da neve e com os soldados que corriam de encontro ao inimigo. Balon estava parado, olhando Jon sujo com o sangue puro de Daemon. Perdeu toda a compreensão e partiu para matar o traidor. A Lula correu para o rio, onde as águas banhavam-se do vermelhaço de Nascidos de Ferro. Jon lutou contra a corrente e chegou ao assassino e choveu contra ele, fazendo-o tropeçar e cair no rúbido que tinha se tornado o rio. Piedade. Abalou-se contra o corpo esguio dele e apertou sua garganta, empurrando-a para baixo. Ficou lá, ouvindo as bolhas estourarem, e ficou por muito mais tempo, com o corpo mole nas mãos.

Olhou para o céu e viu a sombra nevada agonizada pelos sentimentos de sangue, viu o companheiro, lamentando-se pelo sangue derramado naquele dia e percebeu.

Nunca devia ter confiado no Corvo.


Notas Finais


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