História O duque Uchiha - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Kushina Uzumaki, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Época, Romance, Sasusaku
Visualizações 850
Palavras 6.353
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Desculpa a demora, espero que gostem *-*

Capítulo 12 - Capítulo XII


Fanfic / Fanfiction O duque Uchiha - Capítulo 12 - Capítulo XII

 

" Viver entre o ódio e o amor se tornou uma constância em minha vida, tão real e cruel que chega a ferir-me, e tudo isso se deu depois do primeiro instante em que meus olhos contemplaram suas palavras e por fim meus lábios as pronunciaram, sentenciando-me a esse martírio eterno, como pagamento de um crime que jamais cheguei a cometer.

Por que me feres, se tanto te amo? Por que me fazes esperar, sendo que sabes o que tanto desejo? 

 És cruel em tua inocência, descreves lentamente os detalhes para que apenas eu suspire e espere a palavra seguinte, na esperança febril de encontrar tudo que busco, apenas suspirando resignada, quando mais uma vez não o encontro. 
Eu busco, caso não saibas, todos os toques e desejos.

 Busco, em vez de mentiras e faces desesperadas, uma pintura que retrata todo o amor que creio fielmente existir. "                                                

      ~Mira-a (Andressa)

 

 

   O céu estava anilado e a temperatura, acolhedora. A manhã poderia facilmente ser considerada um recorte de um belo dia veranil. O lago, especialmente naquele horário, refletia a paisagem diante de si: árvores de galhos sinuosos e cúpulas densas, com folhas cobertas por uma paupérrima camada de geada, mais resultante do sereno da madrugava do que do clima propriamente dito. A trilha bem definida e livre de qualquer óbice, não entrava na encantadora miragem sobre a água quente e convidativa, no entanto, cortava a floresta de forma ainda mais encantadora e apreciativa, não que a duquesa fosse capaz de apreciar o que a rodeada, pois suas pernas, a essa altura, seguiam conforme comandos inconscientes.  Gostava de contar os passos, e, no entanto, já perdera a conta deles, mas isso não a incomodou, pois não percebeu a mudança brusca de pensamentos e quando se desse conta do incontrolável fato, a chateação por esquecer da tarefa que arduamente fazia todas as manhas, já não faria sentido. Também trazia consigo um livro, como era do seu costume, porém, igualmente obedecendo à regra que vinha a reger a caminhada, não chegou a lê-lo.

   Os pensamentos vinham e se torciam na sua cabeça, com a mesma intensidade que a atingiu durante toda a noite e a deixou sem dormir. O rumo de toda e qualquer divagação era o mesmo, o que se opunha e feria a própria definição de divagar. O duque e seu respectivo comportamento, assim como tudo o que o rodeava: a dual existência moral e libertina, sombria e caçoadora, taciturna e provocadora, a solitária existência e a conduta dele que o fazia parecer indiferente a própria solitude...  Todos os detalhes captados por sua percepção e olhos ora atentos, colocava-a na incessante procura de um meio termo, ou, no mínimo, explicações compreensíveis e plausíveis. Mas, plausíveis para quem? Se sempre estava suscetível a julgá-lo até por respirar, embora soubesse que, seu coração desenfreado e confuso, o amava, e talvez o fizesse apenas por isso, para fugir de todo aquele amor que mantinha consigo, no íntimo do ser e distante de qualquer demonstração que o fizesse entender como realmente se sentia.

  Todo o medo e orgulho que se enraizara na sua conduta como características irrefutáveis na luta contra a paixão pelo homem que jurara odiar, ela pensava com seus botões - enquanto as pernas a guiavam sobre uma considerável poça de lama que lhe sujava a barra do vestido-, que estavam a tornando amarga e cruel.

- Tem somente a mim – murmurou, ainda que não notasse falar sozinha. Temia estar sendo injusta, mais do que temia a própria promessa de uma vida feliz caso realmente estivesse agindo com improbidade e demasiada intolerância.  

 Uma mentira continua sendo uma mentira, suas conjecturas fizeram questão de ressaltar, mas e se, de fato, o sr.Uchiha e o sr.Uzumaki tivessem agido por puramente acreditarem na nobreza dos próprios gestos? Não seria a mentira com interesses benignos, a única falha na máxima kantiana? Talvez, avaliava, chegando a repetir em seus devaneios que sim, a mentira continua sendo uma falha, mas, e quando os seus propósitos são puramente genuínos e benevolentes, deveria continuar sendo vista assim, como algo completamente repreensível? “Menti para o seu próprio bem” Naruto havia lhe dito, e agora, estas palavras batiam incessantemente contra sua cabeça, gerando um desconforto tamanho que se sentia na eminência de enlouquecer, parecia que, em alguns minutos, a cabeça explodiria, como se estivesse prestes a descobrir algo que a natureza não a permitia descobrir, um segredo guardado por deus e que aos humanos era incabível. Se continuasse pensando e questionando sobre tais coisas, alcançaria e descobriria verdades além da sua condição.

  O raciocínio seguia numa velocidade que não era capaz de suportar, fazendo-a caminhar desenfreada pela trilha, esperando que em um estalo a verdade viesse à tona, que em um súbito delírio, deus lhe concedesse inteligência e discernimento para afastar de si todo o orgulho que lhe privava de uma vida terna e lhe fazia agir imprudentemente.  Ah! Enlouqueceria! Pois eram muitas as questões sem respostas, ou que, no mínimo, convergiam em um único ponto: a extrema arrogância com que lidou com os acontecimentos.

  Caso perdoasse o primo e o marido, estaria confessando que a mentira possuía duas faces e também que esquecera tudo, de fato, esquecera, e seria muitíssimo simples não se forçar a lembrar; contudo, estaria também admitindo que perdoara a própria conduta do duque para consigo, e esta, ainda não estava completamente impune a suas críticas, pois nada justificava os modos dele. Bem, a verdade era que, ainda que não admitisse, apaixonou-se exatamente pelo o que ele era, portanto, retaliava mais a si mesmo, do que a ele, propriamente. Pois o amava, apesar de tudo, assim sendo, era pior que ele, uma vez que, Sasuke poderia, em uma hipótese distante, não amar os próprios gestos, o que o tornaria menos detestável a olhos corretos, já ela, amava exatamente a dual má índole e a arrogância dele, mesmo que o tendo afirmando não encontrar nada que pudesse amar. Amava tudo e era balela o que disse sobre preferir um meio termo. Portanto, concluiu, finalmente, que se devia odiar alguém, era a si. A errada era ela em amá-lo, apaixonou-se por um homem completamente arrogante, melancólico, irritadiço, libidinoso, de expressões longínquas que pouco se compadeciam das emoções do momento e que, sempre que podia, ria, mas não por se sentir feliz, apenas por possuir uma tendência tenebrosa a caçoar de tudo a sua volta, como se fosse superior e o seu envolto tido como estúpido, trouxesse-lhe uma graça amarga e diabólica.

  O sr.Uchiha era um demônio! Sim, era um demônio! Afinal, foi esse o primeiro pensamento que teve a respeito dele, antes mesmo de chegar a conhecê-lo. O estalo ocorreu da melhor forma possível, embora tivesse consumido muito dos seus nervos. O importante, porém, é que entendera a natureza daquele homem. Um demônio, não teve dúvidas. Um demônio que a seduziu como tendia a seduzir todas as jovens. Ela teve a resposta para todas as questões, antes mesmo de se pegar envolvida na tenebrosa situação, parecia que deus, apesar de tudo, havia tentado lhe avisar a respeito do que estava prestes a enfrentar. Um demônio, da pior espécie, resultado de uma tragédia que o tirou toda a família e o tornou um homem amargo e ambíguo, talvez, porque tentava fingir, assim como ela, que superara tudo da melhor forma, ou, simplesmente, pelo quase inevitável rumo de uma mente enferma e atormentada. No segundo caso, poderia entendê-lo completamente; no primeiro, ainda mais que no segundo. Então... Era ela também um demônio? Os destroços de uma tragédia? Sim, estava suscetível a ser. Ó, que deus mudasse seu rumo!

  Ela foi e voltou muitas vezes na maré de pensamentos contraditórios e que a levavam a conclusões insanas. E imersa nesses pensamentos, perdeu a hora, a percepção do seu entorno e, até mesmo, o próprio fio do pensamento que a colocava nessa situação. A esmo, esquecia-se onde parara em suas conjecturas, e sua cabeça chegava a pipocar quando tentava lembrar no que exatamente estava pensando. Nessa confusão, muitas conclusões foram perdidas e muitas palavras, esquecidas. Chegara a ensaiar uma provável conversa com o duque, mas esse também foi um assunto que ficou inacabado, devido à consequência da fadiga mental.  

  Depois de horas a fio imersa nos próprios anseios, finalmente despertou, notando que há muito retornara a Indra Hall e que agora os jardins da propriedade surgiam diante de si.

   À medida que adentrava a casa, notava o olhar repreensível dos criados sobre si. Demorou a entender, mas logo percebeu o que os incomodava. Estava suja, com a barra do vestido vergonhosamente repleta de lama, o que não pareceu nem um pouco aceitável para uma duquesa.  

- Senhora – a srta.Samui a chamou, colocando-se em seu caminho com um risinho contido. E Sakura apenas a fitou em reposta, indicando que continuasse. Não gostava da forma que, às vezes, a moça a olhava. Percebia que aquela criada preferia servir ao duque e com ele era sempre cordial, mas consigo, destilava ares pretensiosos. Detestara a moça de fios louros e seios fartos tão logo a conheceu e nenhuma impressão posterior mudou o péssimo julgamento que fizera dela. Seria uma completa tola e uma mulher cega, caso não notasse as pretensões e avanços da criada insolente sobre o sr.Uchiha, algo que ele parecia não notar, mas que a ela era evidente e completamente irritante. – As suas crianças estão na biblioteca – complementou, deixando Sakura completamente confusa. –... Com o duque. 

  Diante da novidade e um tanto atônita pela surpresa, viu-se obrigada a desviar do rumo premeditado e imediatamente ir à biblioteca, sem chegar a proferir uma palavra e repreender a srta.Samui por tanto descaramento, pois o tom de maldade usado por ela, evidenciava a confusão que esperava daquilo. O duque não era um homem afetuoso, tampouco parecia gostar de crianças, o que a fez temer e apressar os passos. E quando chegou ao destino, abriu a porta com cautela, apertando os olhos e comprimindo os dentes contra o lábio inferior, torcendo para que ele não tivesse feito nenhuma maldade com seus inocentes pupilos, pois seria completamente da índole dele, tratá-los com demasiada arrogância e assustá-los com sua postura e modos intimidadores, visto que, até os criados o temiam. Mas, naquela ocasião, assim como em outras, suas suposições foram devastadoramente levadas. Para sua surpresa, o marido se mostrou muito superior à ideia que tinha dele; pois, deu-se com ele parado diante da janela, segurando Akemi nos braços e a mostrando algo além do horizonte. A menina ria, achando graça daquilo que vislumbrava, e a alegria do duque, era igualmente evidente e indiscutível. Ele esbanjava um longo sorriso que atenuava os traços sempre firmes e rudes. Estava aparentemente feliz e imerso em sentimentos talvez desconhecidos. Uma visão que, de início, deixou-a encabulada, mas que a entorpeceu e fez rir de alívio, ainda que minimamente. Passado o choque, de vê-lo em algo tão singelo e puro, observou-o, encantada, até que ele notasse sua presença, o que tardou a acontecer. 

- Senhora! – Moegi se apressou a chamá-la, tão logo a viu, consequentemente chamando a atenção de Sasuke para si.

  A menina correu na sua direção e a abraçou fortemente, sendo prontamente correspondida. 

- Minha mama está doente – adiantou-se a contar, era energética e tagarela, quando não acanhada pela vergonha – O boticário disse que está tuberculosa.

- O boticário?  

– Sim. E também disse que a mama deveria nos mandar para um parente próximo, mas não temos parentes próximos. Então a mama nos mandou para a senhora. 

- E como chegaram aqui? 

– Na carroça do boticário. Tem tempo. E estávamos sujos, assim como a senhora, mas a sra.Hyuuga nos lavou e nos deixou aqui, porque tinha medo que o seu marido nos descobrisse. Mas Akemi chorou, e Udon não soube como acalmá-la, então o duque apareceu, mas ele não é mau, senhora, é bom, e sabe como acalmar Akemi.

- Um homem mau que a forçou a um casamento e a prendeu aqui. É esta a história que tem contado para assustar crianças? – ele finalmente se pronunciou, fazendo-a se erguer e encará-lo. E tão logo o fez, a pequena Akemi lhe estendeu os braços. Pegou-a, rapidamente, e lhe beijou a testa, concedendo-lhe toda a sua atenção. – Por que nunca vi estas crianças antes, se a srta.Samui me contou que vem trazendo-as aqui há quase uma semana? 

– A srta.Samui é uma criada intrometida e ardilosa, não deveria cair nas armadilhas dela. Nunca os viu antes, porque os busco durante a tarde, quando posso me dedicar completamente a eles. – disse, aprofundando-o em sua carranca. 

- Senhora?  – Udon a chamou – Moegi e eu podemos brincar no jardim? 

– Sim. 

- E também comer a torta de maça? 

– Sim – riu. Sempre pedia para Tenten lhes preparar torta de maça. E enquanto a pequena puxava seus cabelos da trança já emaranha, observou os outros dois deixarem a biblioteca – São do vilarejo – tornou a pequena conversa com o duque –... O pai faleceu, a mãe não tem como sustentá-los e agora, pelo que acabei de ouvir e creio que o senhor também, está tuberculosa. 

- Fui capaz de ouvir. E me parece que terão de ficar aqui. – disse, aparentemente insatisfeito. Sentando-se em seguida, em uma postura imponente e intimidadora, mas que pouco teve efeito sobre ela, pois logo o desafiou com um olhar altivo.

- Eu não entendo por que esbanja esse semblante sério e me olha assim, com tanto mau humor. Gostou deles, notei isso, há pouco o vi rindo, evidentemente contente e satisfeito, ainda que com um bebê nos braços; mas agora, seus traços estão endurecidos, como se unicamente por me ver.

– Acha que me endureço diante da sua presença? – torceu os lábios, oferecendo-a o sorriso caçoador o qual já estava habituada. Por mais que tentasse conter-se, gostava de irritá-la com suposições de duplo sentindo, o que perdia completamente a graça, quando ela não compreendia a sua perversidade e sarcasmo, mas que ainda assim, não deixava de lhe trazer certa satisfação. Divertia-se a provocando, era só o que podia fazer.

– Sim, é evidente que sim. Quando cheguei, o senhor parecia feliz e tão logo me viu, deixou-se entristecer, como se eu fosse o seu carrasco, parece que realmente já destruiu qualquer sentimento que nutria por mim e agora me tem como uma inimiga. Mas, espero que isto não confunda o seu discernimento na hora de julgar se deve deixar estas crianças ficarem, quando não possuem outro lugar para ir. 

- Não cheguei a julgar, decidi-me prontamente. Se for da sua vontade, os órfãos poderão viver aqui e lhe poupar da solidão. 

- Não são órfãs, têm uma mãe.

- Que logo morrerá, conheço a forma que age a tuberculose. – retrucou rapidamente.

 - É cruel por dizer isso. Não deveria pensar em tal coisa ou, pelo menos, entristece-se ao revelar tais pensamentos.

- Acha que peco apenas por pensar? Estou sendo realista, Sakura. A mãe morrerá, foi o que disse o boticário. 

- Chegou a conversar com ele?

– Não. No intento, a sra.Hyuga me contou que foram estas as palavras dele. 

- E não se compadeceu da desgraça dela? Fala assim, como se não fosse nada? 

– Há tempos não me importo com tais desgraças, ou com a angústia dos outros, as minhas são suficientes.

- É um homem egoísta. 

- Não me envergonho disso. 

- Pensei que dissesse agir de forma a pensar nos seus semelhantes. 

- Caso fosse um bom homem. Eu não sou.

 A afirmação fê-la hesitar e o observar com intensidade, e mesmo não recebendo dele a atenção que deseja, não evitou dizer: 

- Pelo menos, envie um médico para a mulher. O parecer de um boticário não é absolutamente confiável. 

- Envie-o, o dinheiro é tão meu quanto seu, pode desperdiça-lo como desejar. Aliás, é realmente uma mulher simples e sem caprichos, ou tem evitado gastos porque o orgulho a impede de usar a minha maldita fortuna? Não tem comprado vestidos, ou joias...

– Acha que não estou condizente com uma duquesa? – estava realmente preocupada e envergonhada por toda a lama impregnada em si, num impulso vão, deslizou a mão livre sobre o vestido, enquanto se autoavaliava – A forma que me visto tem envergonhado o senhor? 

– Não... Não foi o que eu disse. Desejo apenas saber se os rendimentos desta propriedade serão suficientes para lhe manter. Calculei que sim, apesar dos seus desvios para a caridade. Mas, desejo que também gaste consigo e que não seja orgulhosa ao ponto de hesitar me escrever, caso necessite de mais. 

- Eu não entendo – de fato, estava confusa, e pouco acompanhou o rumo da nova conversa. Desapegou-se da autoanalise e o fitou, esperando algo mais esclarecedor. 

- Apesar de saber da sua aversão a este casamento e de que ele está passível de ser anulado, não é a minha intenção lhe conceder um divórcio ou anulação, seria rechaçada pela sociedade.  Como tentei esclarecer ontem, conclui que a melhor solução é lhe dar o que quer, sem que a exposição seja necessária e a sua honra, manchada. Viverá aqui, como minha esposa, e todos os rendimentos da propriedade estarão ao seu dispor, também os criados... – dizia, quando foi interrompido pelo próprio gemido de dor, contorcendo-se sobre a cadeira e instantaneamente levando a mão a pressionar o abdômen ferido. E Sakura correu para socorrê-lo, rapidamente deixando a menina sobre o tapete e se colocando entre as pernas dele. Numa pressa e preocupação absurda, despiu-o parcialmente da sua camisa, puxando o tecido de dentro da calça.

- Está inflamado – exclamou assustada.

- Foi só uma pontada, não perca seu tempo com isso – tentou, mas ela continuou a analisar o ferimento, ajoelhada diante de si e forçando os dedos delicados e quentes contra sua carne; o busto parcialmente exposto, tentadoramente atraindo toda a sua atenção. 

   Por mais que tentasse não tirar proveito da situação, Sasuke não conseguiu evitar olhar e assim que observou as curvas femininas, um calafrio feroz lhe percorreu o corpo, excitando-o vergonhosamente. Desejava-a intensamente, e tinha a impressão que ela se colocava naquele tipo de situação, com a única intenção de o provocar, como uma mulher ardilosa e vingativa. Não suportando, ele apertou os punhos contra o encosto da cadeira e sua face se contorceu em tentação, impressionando-a erroneamente. 

 - Está doendo? – e ela o fitou, com aqueles olhos verdes e dissimulados, exibindo uma inocência descarada que o fez latejar e quase explodir, mesmo sem toques mais incisivos ou a promessa de consumação do ato que há tanto ansiava.  

- Levante-se. Levante-se! Não vê que não está me ajudando? – foi rude, na tentativa de não arfar em resposta ou de deixá-la perceber seu estado. Imediatamente recompondo-se e enfiando a bata dentro das calças. E tamanha estupidez e ingratidão, impregnadas no tom pouco cortês e nos gestos extremamente bruscos, fê-la recuar com remorso e apreensão. 

 Agitada e aparentemente não sabendo lidar com os modos do homem diante de si, Sakura não se ateve a tentar repreendê-lo, recuperou Akemi do chão e deixou o cômodo, chegando a, enquanto desnorteada, esbarrar na criada que ameaçava entrar.

 A moça, cumprindo com o dever de ignorar tudo o que via, inclinou o torso em uma reverência exagerada ao duque. 

 - O seu banho está pronto, senhor. E a sra.Nekobaa alertou que deve tomá-lo imediatamente, caso contrário, as folhas e ervas não terão o efeito desejado sobre a ferida – a jovem avisou, mas não chegou a receber uma resposta, pois, de imediato, o duque levantou e, em sua postura áspera e feições insípidas, seguiu para o quarto de banho, o qual não lhe  trouxe grande sentimento apreciativo.

  A água na banheira estava acinzentada e folhas desbotadas atenuavam o cenário esquálido. Ainda assim, ele se despiu e imergiu naquilo que prometia curar sua ferida e cessar a dor latente provinda dela. Fechou os olhos e se permitiu repousar, no entanto, ainda que, sentindo um súbito alívio, ao invés de uma fuga dos tormentos, a imagem de Sakura logo veio a sua cabeça. 

 Não fora capaz de esquecer a doce e tentadora visão que tivera dela. Os seios volumosos e aparentemente apetitosos... Teve certeza que os abocanharia incessantemente, tão imediato quanto pudesse, sugando, saciando-se... E esta certeza, juntamente da lembrança, novamente o excitou.

 Sasuke, em um gesto impensado, levou a mão à ereção e lentamente a movimentou, imaginando a própria Sakura fazendo aquilo. Os pensamentos foram inundados por desejos obscuros e vislumbres do corpo dela completamente nu. Imaginava-a, em atos carnais, com a mesma ferocidade e altivez que esbanjava quando irritada. Deleitou-se, então, com a imagem em sua cabeça, na qual era sugado pelos lábios róseos e macios, enquanto os olhos verdes o encaravam com selvageria e desejo. A boca dela era faminta e sua língua o chupava e lambia com extrema necessidade e vontade, saciando-se com o gosto e virilidade oferecida. Ele apertou mais o membro ereto e intensificou a masturbação, ainda a vendo ali, diante de si, com a face vermelha e levemente suada. Em sua ilusão, segurou-a pelo cabelo, prendendo os longos fios róseos entre os dedos, e ditou um novo ritmo, privando-a depois, e então, os lábios ainda entreabertos o pediram por mais, abrindo-se completamente de forma convidativa e desejosa. Ele não foi capaz de suportar, explodiu sobre a língua macia e voluptuosa que imediatamente o saboreou. O gozo viscoso e esbranquiçado encheu a boca dela e escorregou por entre seus lábios, enquanto ele lhe dava as últimas gotas, em completo frenesi. O último espasmo dominou seu corpo e toda a imagem assim se desfez. Estava sozinho, com as mãos sujas. Sentiu o líquido pegajoso sobre a pele, ainda que submerso na água morna. 

 Passada a violenta exaltação, logo que abriu os olhos e de forma fugaz o prazer cessou, o fato, como um todo, ganhou ares vexatórios e ele se envergonhou por isso. Imaginara a esposa com o comportamento de uma puttana, profanou e a denegriu por completo, manchando-a infamemente, ainda que em pensamentos. Para seu maior embaraço e depreciação, observou o movimento da água e dos esgalhos a dançarem sobre a superfície agitada. Não havia alegria ali, as folhas e ervas eram de uma coloração pálida e invernal. E como raríssimas vezes em sua vida, sentiu-se um pecador, visto de perto em seus atos promíscuos. 

  Era escravo do próprio corpo e dos desejos deste. E que beleza havia nisso? Nenhuma, senão os doestes da luxúria, senão a palidez do inverno, como estação fria e transitiva, um prelúdio que surgira da desgraça das árvores secas e que seguia em adágio a um desfecho com promessas vãs de recuperação e glória, mas que tanto quanto qualquer estado do corpo, dava voltas em limites bem determinado, círculos viciosos e que pouco poderiam ser apreciados, uma vez fadados a desconhecer o início e fim, pois tão logo surgem, esvanecem-se. Pensar que com aqueles atos, promessas e sonhos, confortar-se-ia, quando  suas reais vontades eram indiscutivelmente livres de qualquer amarra moral, mas a possível denigração acovardava toda e qualquer manifestação do que ansiava.  Reconhecera, porém, que tais empecilhos o impedia de ser um animal, pois, embora já o fosse, quando perdido em volúpia despejara-se ali, seus desejos eram ainda piores e mais arrebatadores, porque o que queria, era  ter aquela mulher, possui-la de incontáveis e inimagináveis formas,  ir até ela e esquecer de qualquer princípio que o fazia agir com prudência e decência, cobrá-la de seus deveres, ainda que o obedecesse contra sua vontade, ainda que esbravejasse  e o ferisse com suas palavras, não importaria, se apesar disso, lhe deixasse pecar em suas curvas  e unicamente semear dentro do seu sexo rosado ou sobre seu corpo de pele macia e febril,  e que também lhe deixasse experimentar do seu doce gozo, quando com a boca a sugasse e levasse a orgasmos intensos e violentos. Não se incomodaria de amá-la unilateralmente e da possibilidade de ela apenas se entregar por uma temporal inclinação leviana, porque a adorava e desejava de tal forma que todo o seu corpo ardia, com a simples expectativa de tê-la. No entanto, caso a seduzisse e levasse a sucumbir, que tipo de homem seria? O mesmo que ela pintava e odiava, a hipótese assim o acovardou. 

  E por quase todo o dia, sentiu-se humilhado e constrangido, tanto pela própria conduta, quanto por suas alucinações sujas com a mulher que tanto lhe odiava. Chegou a observá-la de longe, durante a tarde, bordando em musselina rosas de tons variados, para enfeitar uma enorme cesta onde provavelmente colocaria a menininha de riso fácil para dormir, e a tarde, para ela, passou-se daquela forma, enquanto as crianças maiores brincavam, Sakura cuidava da menor e lhe preparava um berço.

  Felizmente e para menores retraimentos, voltara a vê-la, face à face, apenas quando o jantar foi serviço.

  O duque, de forma educada e ainda lutando contra a auto recriminação, levantou-se prontamente, assim que ela chegou a mesa. No entanto, nenhuma conversa foi iniciada, até as crianças, antes divertidas e espirituosas, evitaram olhá-lo e o dirigir qualquer palavra, induzindo-o, em um delírio de perseguição, a cogitar que a esposa enaltecera e firmara nas cabeças infantis, a história em que o retratava como um homem tenebroso e cruel, que deveria, a todo custo, ser evitado. Então, no completo silêncio, o jantar seguiu, até que, como era de costume, Sakura se retirou antes, levando consigo os novos hospedes de Indra Hall. Na ausência dela, ele pediu para que o servissem de vinho, umas três ou quatro vezes, buscando no sabor e acidez da bebida, o refúgio que tanto almejava. 

   Apesar de tanto tentar fugir e querer evitar ouvir o quanto era desprezado, já tarde da noite, não foi capaz de aplacar a necessidade de procurá-la. Depois de muito culpar-se, ir e vir pelo amplo corredor, bateu à porta do quarto dela, deparando-se com o que não esperava.

 Sakura, apesar de estar com suas longas mechas róseas soltas e em roupas de dormir, mantinha uma criança nos braços, evidentemente tentado colocá-la para dormir, enquanto as outras duas, repousavam em um sono profundo, esparramadas sobre a cama dela, aquela onde ele desejava passar a noite.

 

- Dormirão em sua cama ou, em algum momento da noite, os levará para outro quarto? –  perguntou, adentrado o cômodo sem esperar permissão.

- Permanecerão onde estão, sr.Uchiha. Não tenho motivos para reacomodá-los. Brincaram o dia inteiro e agora merecem o sono dos justos, sem interrupções.

- Sim, brincaram o dia inteiro, aliás, pude notar que, foi apenas isso que fizeram.

- Porque é isso que crianças devem fazer. Brincar.

- E os adultos, Sakura? O que fazem os adultos? Não devem brincar, também?

- Creio que não, senhor.

- Não?

- Não, senhor.

- Senhor, senhor, senhor...  É minha esposa, pode me chamar pelo nome, no entanto, chama-me assim, como a qualquer outro, com demasiada polidez e indiferença, talvez em um capricho vingativo. Senhor – vociferou com desdém – Não se cansa dessa palavra? 

- Não, senhor – respondeu rude, da mesma forma que ele chegou a tratá-la naquele dia. Não entendeu o porquê de ele estar ali. Em verdade, não se julgou capaz de compreendê-lo, por mais que tentasse. Pois, quando estava prestes a acreditar que sim, poderia interpretá-lo, descobria-se ainda mais perdida.

- Diverte-se me perturbando – ele tornou, observando-a.

- Não parece perturbado.

- Diga-me, então, como pareço.

- Tranquilo. Sempre parece tranquilo, o que dificulta de ser compreendido e me custa de tentar adivinhar seus pensamentos.

- E esta é uma coisa que costuma fazer com tranquilidade, ler pensamentos? Se sim, responda-me também, foi um dom lhe dado por deus ou pelo próprio diabo?   

- O senhor se excedeu no vinho?

- Pareço Embriagado?  E também tranquilo? Diga-me exatamente como pareço, não consigo acompanhar a sua análise. Penso agora que não possui dom algum, está blefando comigo.

- Eu não disse que possuía... Senhor – provocou. Sim, desejava irritá-lo. Arrancá-lo de toda aquela austeridade e torná-lo tangível, era a sua vontade pálida e nua. Contudo, como se entendesse suas intenções, ele sentou-se sobre a cadeira ao lado da cama e ali jazeu por longos minutos. Aparentemente consultando a consciência antes de lhe tornar a palavra. Pareceu-lhe impossível tirá-lo do sério e vencê-lo.

- Não estão igualmente tuberculosos? – disse, depois de certo tempo, observando as crianças sobre a cama.

- Não, o boticário garantiu que não.

- Chame o médico amanhã, para que os verifique e confirme se realmente não foram acometidos pela tuberculose.

- Acabei de lhe dizer que não estão enfermos, mas se o seu temor em relação ao contágio é tanto, chamarei o médico, apenas para que o senhor não os evite como pestes e indique que as criadas tenham o mesmo comportamento.

- Não sou tão cruel como tende a acreditar. – remexeu-se sobre a cadeira, ainda assim, preservando a expressão imparcial que não denunciava o desconforto – Além do mais, disse-me que o parecer do boticário não era confiável, mudou de ideia? – não houve resposta – Foi o que imaginei. E também, peço-a isso, por realmente me preocupar com a saúde destes inocentes. E penso que a contratação de uma preceptora, também se faz completamente necessária.  

- Eu mesma desempenharei este papel, senhor.

- Não me parece muito recomendável, tenho minhas dúvidas quanto ao seu método. As crianças devem brincar, de fato; contudo, nas ocasiões formais e diante dos adultos, devem se portar com educação e modos. Temo principalmente pela menina, ela tem uma personalidade muito parecida com a sua, é tão petulante quanto.

- Petulante? – riu-se – Achei que diria selvagem, senhor. É como já ousou me chamar, o que realmente me faz rir, pois costuma me atribuir os mesmos adjetivos característicos dos animais indomáveis. Quando libertos, dão-lhe um ar silvestre, peculiaridade esta que não gosto de ver em moças. – ironizou, seguindo de um muxoxo – Foi a sua observação a respeito do meu cabelo, e quantas mais ousou fazer sobre mim! Agora, vê-se também no direito de rechaçar uma criança por se parecer comigo, pois penso, que sou eu a parecer com ela, e não ela comigo. E não vejo problemas nisso, que a minha alma envelheça infantil, é o meu desejo. Quanto a sua sugestão, não acatarei, não pedirei a uma preceptora o que eu posso fazer e... – pausou, ao notar que ele torcia o canto dos lábios, concedendo-lhe aquele desdenhoso sorriso. Fitou-o, enquanto embalava o sono da pequena Akemi, e esperou que lhe contasse o motivo dos risos provocativos.

- Lembra-se das minhas exatas palavras? 

- Sim, destas e também de outras que sussurrou no meu ouvido – respondeu inocentemente, levando as palavras à boca antes que pudesse pensar, assim, quando notou o que havia dito, sentiu o gosto amargo do arrependimento.

  Engoliu em seco o súbito nó que lhe fechou a garganta e caminhou pelo quarto, apertando as pálpebras assim que longe dos olhos observadores. As malditas palavras dele, como se perversamente e com o único intuito de constrangê-la, repetiram-se em seus pensamentos, trazendo uma sensação vívida a sua pele, como se ele as murmurasse novamente em seu ouvido. Suspirou, ao passo que sentia os pelos eriçarem apenas com a lembrança. E logo, a voz dele, rouca e grave, fez-se realmente presente:

- Então gosta que eu lhe sussurre coisas no ouvido?

 Ela fugiu da pergunta e continuou a se movimentar, fingindo serem seus passos realmente necessários para guiar a menininha a um sono tranquilo.

– Seu silêncio me diz algumas coisas, Sakura – tornou o sr.Uchiha, observando-a pelas costas. 

- O silêncio não diz nada, senhor, é exatamente a ausência do som. Se me diz que ouviu algo, só posso pensar que possui sérios problemas auditivos ou mentais ou, quem sabe, os dois, o que muito me assusta.

- Não gosto da sua espiritualidade.

- Tenho a impressão que não gosta de nada em mim, senhor.

- Pois eu, senhora – começou, em tom irônico – Tenho a certeza que não gosta de nada em mim. Nesse caso, o que considera ser melhor, a impressão ou a certeza?

- Depende dos quão sonhadores somos e do quanto nos frustra a realidade. A impressão, ainda que tenda a um rumo negativo, dar-nos uma mísera esperança, um espaço hipotético que nos permite sonhar e cogitar coisas boas, assim, sempre estaremos motivados, ainda que provavelmente iludidos; a certeza, por outro lado, quando se trata de algo que nos fere, ainda que dilacerante, dar-nos a opção de superar e seguir, mas eu não poderia dizer que esse é o seu caso, pois não pode ter certeza a respeito dos meus reais gostos.

   Ele riu, sem graça alguma.

- Não? Disse-me, inúmeras vezes, que me desprezava.

- Inúmeras vezes? Não me recordo muito bem. Talvez umas duas ou três, mas não inúmeras. Ou o senhor considera qualquer número inúmero?

 - Considero inúmero o tanto de pessoas na sua cama. São dois, eu diria que apenas, mas completam todo o espaço disponível, logo, tudo se trata de: em relação a quê? Ás vezes, uma única palavra, dita uma reles vez, é suficiente para se petrificar e ferir por toda a eternidade.  

 Dessa vez, foi ela quem riu. E com os braços cansados, também as pernas, sentou-se sobre a cama, diante dele, direcionando-o, por fim, um sorriso terno e amigável, como nunca o havia concedido.

- Veja como é linda – disse, fugindo do assunto desconfortável e mostrando o bebê em seu colo – Dorme profundamente e nestes minutos é como se não existisse, não sei se sonha, mas se o fizer, com certeza, vislumbra as coisas mais bonitas e que para nós, hoje, são inimagináveis.

  O duque não chegou a acatar a indicação. Não observou a criança, seus olhos, maravilhados, prenderam-se apenas àquela que a segurava.

- Será uma boa mãe, Sakura.

- Uma boa mãe... – riu, em silêncio, olhando-o, para depois levantar e deixar Akemi no berço temporário. Pensou nas palavras proferidas, enquanto dedilhava uma rosa sobre o tecido.

- Deseja ter filhos? – ele perguntou, livrando-a da vaga observação das flores que arduamente bordara durante a tarde e que a agora ameaçavam levá-la para longe dali. Levantou-se e, colocando-se diante dela, continuou –... Não responda pensando que pode tê-los apenas comigo. Responda sem a necessidade de me contrariar, expressando apenas seus reais desejos.

- Não posso ser imparcial e supor o que me pede, sou uma senhora casada, de qual outra forma eu poderia imaginar ter filhos, se não com o senhor?

- Talvez nenhuma. Então não fale mais nada, não me dê uma resposta, por hora, terminemos assim esse assunto, com uma conversa amigável e algumas impressões que me deem uma vaga esperança e me permitam fazer suposições positivas, pensei no que disse, não quero a certeza e, consequentemente, pôr-me a tentar esquecer o que não desejo ouvir, isso não tem me ajudado ou confortado. Além do mais, parece cansada, deixarei que durma sem lhe provocar qualquer agitação, porque era essa a minha intenção, agitá-la.  Vim até o seu quarto, movido por pensamentos insensatos, na esperança pífia de fazê-la render-se a mim, ainda que sem amor. Mas, dei-me com uma realidade crua, ainda que encantadora. Agora, novamente me pergunto: o que eu seria se a tocasse? Pode um demônio almejar tanto o pecado e a desgraça, ao ponto de tocar e corromper um anjo? Tentá-lo a sucumbir, privando-o, assim, de permanecer em sua glória no paraíso e cair, tal como lúcifer?  

- Eu não sou um anjo...

- Sim, é um anjo, ou uma santa, eu não poderia afirmar com certeza, visto que não compreendo a grande diferença entre estes. Não sou um grande admirador de livros, tal como és, mas se o fosse, dentre todos, a bíblia não seria aquele ao quão eu me apegaria, não me preocuparia a entender as manifestações divinas ou a arduamente ler sermões e os preferir em repreensão.

- Está mesmo embriagado, não está? 

 - Talvez eu esteja, mas o que me tira a lucidez e entorpece, não é o álcool, é a sua presença, Sakura, os seus gestos que, com a única intenção de me enlouquecer, levam-me a delírios e atos promíscuos. Não... Não é um anjo ou uma santa, é realmente uma mulher, tão bonita e feminina quanto o rosto na La Scapigliata, observando-a bem, posso afirmar que não possui o espírito polido e doméstico da Madona.

- O senhor cheira a vinho – segurou a enorme necessidade de gargalhar, em completo sentimento irrisório provocado pelas declarações que beiravam a zombaria, e realmente acreditaria que ele estava tentando ridicularizá-la, caso o odor da bebida não a tivesse nauseando. Estava bêbado e ela teve certeza disso, mas não soube por que sentia a necessidade de rir, deveria se repreender por achar graça do deplorável estado em que o duque se encontrava, no entanto, não conseguia deixar de achar graça da situação. Ainda se contendo e desejando se ver livre da cômica cena, tornou – Disse que não me provocaria agitação.

- Estou lhe perturbando? 

- Um pouco, mas eu teria paciência para ouvi-lo se, de fato, não estivesse cansada e necessitando deitar. Agradecerei muitíssimo se o senhor me permitir dormir e deixar para me comparar a telas em outra hora, talvez amanhã, durante o desjejum ou no primeiro horário do dia, como preferir, pois não me oporei aos seus elogios; porém, agora, necessito que se retire e me deixe descansar.

- Sim, farei isso, mas antes, deixe-me beijá-la, pois temo ter esquecido o sabor dos seus lábios – murmurou, fazendo-a inutilmente tentar dizer algo – Apenas um beijo... – ressaltou em suplica, conquanto, temendo a não concessão, agiu antes de receber uma resposta.

  Beijou-a, sugando-lhe o lábio inferior de forma furtiva, como se, realmente, apenas para provar o gosto que tinha, e tendo lembrado, partiu com a mesma rapidez, antes de ela se recuperar do ato e lhe desferir palavras cruéis.

  Mas fora tão rápido e breve o encontro dos lábios, que Sakura chegou a duvidar se de fato existiu, talvez, aquele formigamento e sabor que agora sentia, fosse fruto da sua imaginação fantasiosa, pensou até que, enlouquecera completamente e que o duque nem chegou a estar ali, ou se quer, ousou lhe beijar. Mas, na hipótese de ainda estar em plenas faculdades mentais, e o beijo, assim como a conversa ilógica, terem realmente ocorrido, cogitou que naquela noite, dormiria com uma sensação nova, pois, deitou-se, minutos depois, tocando os próprios lábios com um sentimento saudoso e um sorriso que considerou ser patético.

 


Notas Finais


Texto lindo no prólogo do capítulo, como eu coloquei lá, é da ~Mira-a ( https://spiritfanfics.com/perfil/boaa-hancock ) que com dó do Sasuke, escreveu essa maravilha *-* como comentário no capítulo XI. Eu fiquei apaixonada!

Sobre o trecho pervo, eu sei que algumas pessoas não gostam disso em estórias de época, mas, espero que, de alguma forma, tenham gostado do capítulo como um todo ^-^

Obrigada!
Até mais vê, em francês, Au revoir ( Várias referencias a Madeline, porque agora sei que cês gostam)


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