História O Enigma do Caçador - Capítulo 1


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Magia, Mistério, Misticismo, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Prólogo


Parte 1

A morte entorna sobre a cidade

 

Pluviôse¹, contra toda a cidade irritado,

De sua urna verte um frio tenebroso

Sobre os que moram sós no cemitério ao lado,

E entorna a morte no subúrbio nebuloso

- Spleen (LXXV)

 

 

 

A chuva estava caindo uniformemente, criando pequenos riachos nas fendas dos paralelepípedos de concreto na trilha principal do Cemitério Tuwambrose. O céu era de um tom metálico escuro e opaco que brilhava em intervalos de tempo pelos raios que atravessavam a atmosfera até o solo. Os postes de ferro, negros e ondulantes, eram distribuídos em intervalos no limiar das laterais da trilha, iluminando a estrada com um fraco brilho leitoso das luzes. Havia dezenas de lápides cobertas com ramos de diversos tipos de flores; brancas, vermelhas, azuis e douradas. As únicas cores presentes ali.

No centro da estrada de pedras, havia três figuras trajando longos casacos de veludo escuro. Os tecidos estavam pesados pela água da chuva.

— Alaster. — Uma voz chamou, grave e firme; era um homem, e parecia impaciente. — Eu não tenho tempo para esperar sua boa vontade. — Fez-se uma breve pausa. — Apareça!

Antes que o homem precisasse chamar novamente, outra figura apareceu na trilha ao longe quando um raio caiu ali perto, iluminando todo o cemitério com um brilho prateado. Este estava sozinho. Trajava um terno cinza impecável e usava um guarda-chuva transparente para evitar que as gotas amassassem a vestimenta perfeitamente passada.

— Haldis — disse ele, soando decepcionado. — Acho que você deveria me chamar de papai. — Ele pronunciou a última palavra pausadamente.

— Não seja ridículo — disse o homem que estava no meio, a voz ecoava sem humor no cemitério. — Não vim para discutir sobre essas tolices.

— Felizmente — disse Alaster lentamente. — Eu tenho minhas prioridades e também não quero discutir sobre assuntos fúteis.

Haldis encarou severamente o homem ao longe; ele tinha o rosto fino e a cabeça era redonda e lisa como um ovo.

— Os inquisidores do Submundo estão reclamando muito de você — iniciou ele pausadamente, como se reprovasse alguma coisa. — E sendo seu filho — fez-se uma pausa, e Haldis franziu o canto dos lábios como se estivesse enojado. — Pediram-me para vir pessoalmente investigar o motivo de tanta anarquia.

Alaster riu. Um som sombrio e abafado no fundo da garganta.

— Será que vocês não conseguem administrar as coisas sozinhos? — Alaster perguntou. Seu tom era de puro divertimento.

— Eu não vim para pedir ajuda — rosnou Haldis. — E você sabe disso.

— Diga-me quem está tão amofinado² com a forma que as coisas estão caminhando — pediu Alaster, forçando-se a soar suplicante. — Desde que eu deixei o Submundo, recebo todas as semanas a visita inconveniente de algum enviado. Isso vem acabando com minha paciência.

Haldis enviou um olhar ameaçador para Alaster. As outras duas figuras que estavam paradas ao lado de Haldis moveram-se inquietas, como se algo que Alaster dissera fosse errado, quase mentira.

— Você sabe o que tem que fazer — falou o homem da esquerda, soando óbvio. A voz era grave e ameaçadora. Ele deu dois passos para o lado, lendo uma das lápides; esta parecia abandonada, como se há muito tempo ninguém viesse ali. — E você sabe o que vai acontecer se não fizer.

— Isto é o que está parecendo? — Alaster perguntou. Estava com os olhos fixos em Haldis. — Meu próprio filho está me ameaçando? — Ele fez uma careta, um misto forçado de incredulidade e tristeza, e gargalhou em seguida. — E ainda pede para os amigos fazerem isso? Patético.

— Se é desta forma que você quer considerar — disse Haldis, gesticulando desdenhosamente para Alaster. Eles estavam distantes um do outro, porém Haldis conseguia ver, mesmo assim, os olhos azuis de Alaster; brilhantes e acessos como um céu límpido de verão. — Imagino o quão difícil deve ser estar encarregado de matar o próprio filho, mas se você não matá-lo... — Haldis hesitou, balançando o casaco no corpo. A sensação de estar molhado e pegajoso o irritava, até mais que conversar com Alaster sobre seu filho bastardo. — Além de perder sua preciosa coroa, terá o filhinho querido assassinado de qualquer forma. — Seu tom era desdenhoso.

Repentinamente, o céu roncou alto como se tivesse sido rasgado ao meio. As luzes dos postes intensificaram-se e Haldis recuou com a claridade agredindo seus olhos, assim como seus dois guarda-costas. Um deles, Alaster notou, mesmo com a chuva, estava estranhamente seco, tanto que seus cabelos pareciam fumaça entre as gotas d’água. O outro, estava tão molhado que parecia derreter lentamente. Alaster conhecia aqueles estranhos que serviam de proteção para Haldis; Onatah, o demônio da terra, e Tadewi, o demônio do vento. Não era surpresa alguma. Alaster sempre soube que cedo ou tarde os demônios se renderiam as ideias persuasivas de Haldis para tomar seu lugar no Submundo.

— Se alguém ousar tocar, pelo mais mínimo toque, em Kyle, eu sou capaz de explodir o Submundo com todos vocês lá — disse Alaster entredentes. Ele quase não demonstrava sua irritação, mas falar sobre Kyle o tirava do sério, principalmente quando alguém estava o ameaçando.

Haldis lançou um olhar furioso para Alaster, quase sentindo-se ameaçado, e as luzes se apagaram, permanecendo acessas apenas aquelas atrás de Alaster.

— Ouça bem o que vou dizer — alertou Haldis. Os olhos eram de uma imensidão negra. — Se você não se livrar deste fardo, eu farei isso por você, e com todo o prazer. Será incrível sentir a vida esvair-se das veias daquele humano imundo.

— Eu não lembro de tê-lo ensinado a ser tão egoísta — falou Alaster. Seu tom era zombeteiro, apesar de a raiva estar nítida no brilho dos olhos azuis. — Mas se você acha que pode tocar em Kyle, vá em frente. Eu só aviso que, independente de quem queira a morte do meu filho, irá se arrepender intensamente quando eu pôr as mãos nele.

Haldis encarou Alaster com uma fúria ainda mais intensa que anteriormente. Fez-se uma breve pausa antes que alguém se pronunciasse novamente.

— Você sabe que não pode vencer todos os integrantes do Submundo, Alaster — disse Tadewi. Sua voz, apesar de firme, parecia cantar nos ouvidos de Alaster.

— Além disso — prosseguiu Onatah lentamente. — Não há ninguém satisfeito com sua atitude de querer manter aquele verme vivo.

— Vocês estão com inveja — zombou Alaster. — Ou talvez seja medo. Sabem que Kyle pode ser mais forte que todos vocês juntos.

Tadewi rosnou; os dentes eram brancos e afiados.

— Não queremos uma guerra — disse Onatah. — Queremos o bastardo morto.

— Basta. — Haldis gesticulou, fazendo-os se calarem. — Você sabe que tem que acabar com Kyle. Cedo ou tarde, você vai se livrar dele. Não é capaz de abrir mão de sua preciosa coroa por um mundano insignificante.

— Eu não preciso me livrar de Kyle, nem renunciar meu trono. — Alaster hesitou, erguendo o olhar para assistir as gotas baterem contra o material transparente. — Talvez deva acabar com você. Você é um empecilho e sempre será. Foi por sua causa que Aylenn preferiu se tornar humana e desaparecer para sempre da minha vida. — Ele encarou Haldis severamente. — Ela sabia o quão egoísta você seria e não queria passar tanta vergonha diante de todos no Submundo.

— Somos demônios, Alaster — disse Tadewi. — É nossa natureza sermos egoístas. Você é um perfeito exemplo disso. Mesmo sendo o rei do Submundo, nega-se a matar um humano pelo simples fato de ter seu sangue correndo nas veias. E Haldis? Ele também é seu filho, até mais que Kyle.

— Aylenn foi embora por que não queria conviver sabendo que você mantinha vivo e com adoração um humano desprezível! — Disparou Haldis. Sua voz ecoou no cemitério.

— Você acha que ela se importava? — Alaster perguntou. Seu tom era desdenhoso. — Ela sempre soube de Kyle e jamais deu a mínima, quanto a você… — ele hesitou e uma expressão de desgosto tomou seu rosto. — Sempre foi a vergonha da família. Aylenn te odiou desde o primeiro momento que soube que estava grávida. Esse seu rancor, essa sede incontrolável de ver Kyle morto é por apenas um motivo, um simples e fútil motivo, e você sabe qual é.

— Engana-se se pensa que quero ele morto para me vingar — disse Haldis.

— Então prove. Esqueça a existência de Kyle. Mostre a todos que você não sente raiva por eu não ter feito um mínimo esforço para Aylenn ficar. Eu quero ver se consegue. — Alaster soava sombrio.

— Eu não vou abrir mão de ver Kyle morto — disse ele, firme. Os olhos fixos em Alaster transbordavam fúria. A ambição em seu tom era predominante. — Eu não descansarei até ver os dois mortos sob meus pés. O Submundo quer isso. Já estamos estupefatos disso tudo.

O céu acendeu e explodiu, brilhando em um tom prata intenso. Quando escureceu novamente, as luzes acenderam-se por toda a extensão da estrada de pedras, e Haldis não estava mais lá, ninguém mais estava. Alaster olhou para o lado e riu desdenhosamente antes de desaparecer.


Notas Finais


¹ - Pluviôse é o mês das chuvas segundo o calendário adotado durante a Revolução Francesa.
² - Amofinado. Que se amofinou; aborrecido, apoquentado.


E aí, pessoas... Gostaram?
Essa é a minha primeira fanfic. Estou escrevendo com a ajuda do meu pai e pretendemos muito (muito mesmo) transformá-la em um livro <3
Sinceramente, eu não faço ideia de quando postarei capítulos novos, então peço para me seguirem no Instagram e ficarem informados de quando terá capítulo novo <3 (@cr4ykw0n)
Comentem o que acharam. Deixem suas opiniões. Compartilhe com a família, amigos, inimigos, professores, a tia da cantina, grupo de WhatsApp, e o mais importante: não esqueçam de favoritar! Ah, e qualquer erro, me avisem, por favor!
Até o próximo! Cuidem-se <3


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